sexta-feira, 12 de abril de 2013

OS DOZE DE ORURO


A seleção brasileira fez um jogo sábado passado na Bolívia contra a seleção local. O jogo já estava marcado há algum tempo em comemoração aos cinquenta anos do título sul americano dos bolivianos e foi aproveitada a situação para ajudar a família de Kevin Espada com uma parte do dinheiro.

Quer dizer, era isso o combinado porque até agora não se sabe pra quem será destinado o dinheiro ao certo. Tudo muito nebuloso quando se envolve a CBF, até quando aparentemente ela é coadjuvante na história.

Dessa forma voltamos ao tema do meu primeiro texto desde que ativei o blog para público, é só procurar nos arquivos o “Estádio vazio e o vazio que fica”.

Pra quem esteve em Marte ou na Coréia do Norte, o que dá no mesmo, nos últimos meses contarei o que ocorreu.

O Corinthians foi jogar na Bolívia contra o São José pela Libertadores. Jogo vai, jogo vem e o time brasileiro, um dos melhores do mundo e não por coincidência campeão do mundo fez o que se esperava, um gol.

Aí uma pessoa com uma inteligência digna de Einstein pensou “dããã, vou comemorar soltando isso aqui”. Pegou um sinalizador, apontou a esmo e atirou.

Como diria o filósofo Capitão Nascimento evidente que daria cagada e deu.

Da espetacular idéia do torcedor saiu um sinalizador desembestado acertando o rosto do menino Kevin Espada de apenas quatorze anos que morreu na hora. Um menino que foi ao estádio porque era fã do futebol brasileiro.

E o que aconteceu depois?

Um grande circo. A CONMEBOL mesmo não sendo 1° de abril quis dar uma de entidade séria e puniu severamente o Corinthians. Algum tempo depois o presidente Serginho Mallandro disse “é pegadinha do Leoz iéié” desfazendo a punição.

O circo continuou. A polícia boliviana chegou a doze culpados e os prendeu. O que fez a Gaviões da Fiel? Apresentou um moleque de 17 anos como o culpado. Todo arrependido o pobre menino assassino foi ao Fantástico contar a história e pronto, estava definido. Temos um culpado senhoras e senhores.

Só que teve uma coisa muito bacana nisso. Com 17 anos não pode ser punido pela lei dos adultos e como a Fiel torcida esperou que ele voltasse para o Brasil e assim lhe entregar não teria também como ser punido pela justiça boliviana mesmo lá sendo com 16 anos a maioridade penal.

Dessa forma não poderia ser punido no Brasil, não poderia ser punido na Bolívia, não poderia ser punido em lugar nenhum então nada aconteceria. Genial, digno de aplausos. 

Só que..

..os doze continuam lá trancados.

O garoto assassino ta numa boa aqui até ganhando bolsa de estudos da torcida enquanto os doze estão presos. Sinal que o plano genial não deu tão certo. Era preciso o segundo passo.

Reclamar da prisão arbitrária dos doze de Oruro. Falar que estão sendo ameaçados, que vão morrer, que serão obrigados a ouvir Calypso, torcer pelo Palmeiras, enfim, todo tipo de crueldade que um ser humano não pode suportar.

Pintaram uma situação, foram atrás de Lula, Dilma, Chapolin Colorado pra dar um jeito de soltar os doze inocentes que estavam prestes a morrer e passavam uma situação digna do filme “expresso da meia noite” em que um americano é preso com drogas na Turquia e passa por todo o tipo de horror.

Nunca viram o filme? Deviam ver, é muito bom.

Estava assim configurado o “expresso dos maloqueiros”.

Só que tem uma situação caro leitor.

Nós pintamos os bolivianos como índios gorduchos que tocam Guantanamera em flautas, mas não é bem assim. A Bolívia é um país independente, com suas leis e eles não engoliram totalmente a história contada pela Gaviões e investigam o caso. Como qualquer país faria.

Pedem justiça aos doze protegendo um pretenso assassino e lhe dando bolsa de estudos. É bacana isso. Fico imaginando um diálogo entre o presidente da Gaviões e o chefe da polícia da Bolívia pelo telefone.

Gavião: Libertem nossos manos inocentes.
Policial: Quem é o culpado?  

Gavião: É um mano aqui, di menor. Ta arrependido pra caraio do que fez.

Policial: Se está arrependido por quê vocês não lhe mandam pra cá e assim ele nos conta como foi e paga pelo que fez?

Gavião: Não né? Ta achando nós com cara de trouxa?

Policial: Fazemos assim. Mandem o garoto pra cá pra ser investigado e pagar pelo que fez e soltamos os doze.

Gavião: Peraí mano, o crédito ta acabando..

Tum tum tum

Fazer justiça com o dos outros é refresco.

* Nesse sábado 13/4 a CONMEBOL soltou uma nota inocentando o Corinthians. Eu sempre achei a punição por toda a Libertadores exagerada, acho que a de um jogo ficou de bom tamanho. O que contestei foi a entidade querer dar uma de série e rigorosa quando ela não é. O que continuo contestando é o desejo da Gaviões, não o clube, de deixar o caso impune. 






Nenhum comentário:

Postar um comentário