sexta-feira, 31 de março de 2017

TRADUÇÃO EM MIÚDOS: I`D RATHER HURT MYSELF


Hoje "Tradução em miúdos" traz mais uma bela tradução de uma canção marcante.

A música "I´d Rather Hurt Myself" do cantor Randy Brown fez grande sucesso no ano de 1979. Chegou ao Brasil por duas vias, entrando na trilha internacional da novela "Pai Herói" e através do comercial da famosa e saudosa "Rádio Mundial".

No comercial da rádio a canção tocava enquanto uma asa delta sobrevoava o Rio de Janeiro. Graças ao sucesso do comercial a música ficou conhecida como "melô da asa" e assim é chamada até hoje. I´d Rather Hurt Myself é uma das preferidas dos programas de rádio de flashback e traz muita saudade e nostalgia para os mais antigos além de conquistar corações novos como na regravação de Daniel Boaventura..

E é para isso. Alegrar corações saudosos e novos que fazemos essa bonita tradução com todo romantismo e emoção que ela merece.. Esperamos que gostem.

Diga olá para o seu coração.


Tradução



Música original



Em duas semanas "Tradução em miúdos" volta com mais uma bela canção traduzida.


TRADUÇÃO EM MIÚDOS ANTERIOR:

CONCERTO PARA UMA VOZ 

quinta-feira, 30 de março de 2017

SOBE O SOM: VINICIUS DE MORAES


Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro.

Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia a alcunha "poetinha", que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respectivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.

Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Então vamos lá!!


Sobe o som Vinicius de Moraes!!


Aquarela - Toquinho


Tarde em Itapoã - Com Toquinho


Samba da benção - Com Toquinho


Onde anda você


Chega de saudade - João Gilberto


Canto de Ossanha - Com Tom Jobim, Toquinho e Miucha


Minha namorada - Com Maria Creuza


O pato - MPB 4


A felicidade - Danilo Caymmi e Tom Jobim


Pra viver um grande amor - Com Toquinho


Se todos fossem iguais a você - Tom Jobim


A Tonga da mironga do Kabulete - Toquinho


Canto de Xangô - Com Baden Powell


Samba em prelúdio - Com Maria Creuza


Pela luz dos olhos teus - Tom Jobim e Miucha


Eu sei que vou te amar - Com Maria Creuza


Carta ao Tom 74 - Com quarteto em Cy


Meu Pai Oxalá - Com Toquinho



Bem, aí está um pouco da obra de um de nossos maiores poetas nas vozes de grandes artistas da história da MPB. Semana que vem tem mais história. Tem Bob Dylan.


Enquanto isso a maior de nossas duplas com a maior canção de nossa história celebra uma vida linda e cheia de graça.


SOBE O SOM ANTERIOR:

GOOD TIMES 98

quarta-feira, 29 de março de 2017

TROCANDO EM ARTES: VALE TUDO


A "Trocando em artes" volta hoje com uma novela que fez enorme sucesso nos anos 80 e continua atual até hoje. Mostra a tua cara Brasil!!

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Vale Tudo



Vale Tudo é uma telenovela brasileira que foi produzida pela Rede Globo e exibida originalmente de 16 de maio de 1988 a 6 de janeiro de 1989, no horário das 20h, substituindo Mandala e sendo substituída por O Salvador da Pátria, tendo 203 capítulos originais. Foi a 39ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, com direção de Dennis Carvalho e Ricardo Waddington, com direção geral de Dennis Carvalho. A trama abordou, segundo um de seus autores, Gilberto Braga, "até que ponto valia ser honesto no Brasil", na época de sua exibição.

Contou com as participações de Regina Duarte, Glória Pires, Sebastião Vasconcelos, Daniel Filho, Antônio Fagundes, Cláudio Corrêa e Castro, Íris Bruzzi e Cássia Kiss.

Em 2016, Vale Tudo foi eleita (junto com Avenida Brasil) pela revista Veja a "Melhor Telenovela Brasileira" de todos os tempos.


Produção



A telenovela teve como título provisório o nome Pátria Amada ou Bufunfa. No dia de sua estreia, as personagens da então novela das 19h, Sassaricando, comentavam sobre o primeiro capítulo de Vale Tudo. Na ocasião, Lucrécia, personagem de Maria Alice Vergueiro, dizia para a sobrinha Camila, personagem de Maitê Proença, que não queria perder o primeiro capítulo da novela de Gilberto Braga, seu autor preferido.

Também foi a primeira novela dos atores Marcello Novaes e Flávia Monteiro.


Exibição



Foi reapresentada pelo Vale a Pena Ver de Novo, entre 11 de maio a 6 de novembro de 1992, tendo 130 capítulos, substituindo Fera Radical e sendo substituída por Bebê a Bordo.

Foi novamente reapresentada pelo Canal Viva, entre 4 de outubro de 2010 a 13 de julho de 2011, de segunda a sexta às 0h45, e também em horário alternativo às 12h, sendo substituída por Roque Santeiro.


Enredo



Raquel Accioli está separada de seu marido, Rubinho, há cerca de dez anos, época em que, depois de uma violenta discussão, ela decidiu abandoná-lo e ir viver com a filha, a ambiciosa Maria de Fátima, na casa do pai, Salvador, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O único bem da família é uma casa modesta que Salvador passou para o nome da neta, de modo que, quando este morresse, nada lhe faltasse. Raquel vive como guia de turismo e, quando Salvador morre, Fátima, sem dizer nada à mãe, vende a casa e parte para o Rio de Janeiro em busca de ganhar a vida, não importando como. No Rio ela se envolve com César Ribeiro, um ex-modelo que teve o mundo das passarelas literalmente a seus pés, e que atua como garoto de programa. Raquel parte para o Rio à procura da filha. Maria de Fátima é apresentada por César a Solange Duprat, produtora de moda da revista Tomorrow, passando a atuar como modelo e a morar na casa de Solange, e usa Solange para se aproximar de Afonso Roitman, namorado da jornalista, e se casar com ele.

A trama passa então a mostrar a dualidade: Maria de Fátima buscando ficar rica com o casamento arranjado, enquanto Raquel, vendendo sanduíches na praia, acaba subindo na vida e, de maneira honesta, vira dona de uma rede de restaurantes industriais. Raquel inicia um namoro com Ivan Meireles, porém ele acaba se casando com Heleninha Roitman, o que opõe Raquel a Odete Roitman, já que esta quer afastar, de qualquer forma, Raquel de Ivan. Como o casal acaba se reaproximando, Odete dá sua última cartada: manda Ivan subornar um agente da alfândega brasileira para liberar equipamentos retidos, só que a empresária filma a cena e passa a chantagear Raquel e Ivan, o qual acaba sendo preso por corrupção.

Paralelamente, outros temas foram abordados:

A pintora Heleninha Roitman (Renata Sorrah), filha de Odete, luta contra o alcoolismo e conhece o amor com William (Dennis Carvalho), que a encaminha aos Alcoólicos Anônimos para livrar-se do vício.

Bartolomeu (Cláudio Corrêa e Castro), pai de Ivan, fica desempregado, e tem dificuldade em arranjar emprego por não saber utilizar computador.

Ivan (Antônio Fagundes), ao perder o emprego na empresa de Odete, passa a ser subgerente de um hotel graças às influências de Odete Roitman que não permite que ele consiga outro emprego no ramo da aviação.

Marco Aurélio (Reginaldo Faria), vice-presidente da empresa de aviação de Odete Roitman, a TCA, comete diversas irregularidades e desvia o dinheiro da empresa para a sua própria conta.

A irmã de Marco Aurélio tem um caso com outra mulher.

À época, considerava-se que devido a polêmica acerca das personagens homossexuais, Gilberto Braga teve de eliminar da trama a irmã de Marco Aurélio, Cecília (Lala Deheinzelin). Mas segundo a atriz Cristina Prochaska, a morte da personagem já estava prevista por o autor.

Tiago (Fábio Villa Verde), o filho de Marco Aurélio, é tímido, virgem, não tem namorada e seu pai desconfia de que seja homossexual, pois ele fica ouvindo música clássica com seu amigo André (Marcello Novaes) no quarto.

No último capítulo, Marco Aurélio foge do país com a mulher Leila e dá uma "banana" para o Brasil de dentro da cabine de seu jatinho.


Quem matou Odete Roitman?



No capítulo 193, que foi ao ar no dia 24 de dezembro de 1988, sábado, véspera de Natal, a vilã Odete Roitman (Beatriz Segall) foi assassinada com 3 tiros. Apesar do mistério do assassino ter durado apenas 13 dias, o assunto dominou as conversas pelo país, lançando a pergunta "Quem matou Odete Roitman?".

No último capítulo, revela-se que Odete Roitman (Beatriz Segall) havia sido morta, por engano, por Leila (Cássia Kiss), que pensa estar atirando em Maria de Fátima (Glória Pires), a qual havia se tornado amante de seu marido, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), ex-genro de Odete. A cena do disparo foi gravada no dia em que o último capítulo foi ao ar. A identidade do assassino foi revelada na sexta-feira, dia 6 de janeiro de 1989, nem os próprios atores tiveram acesso ao verdadeiro final, que foi gravado em cinco versões diferentes.


Repercussão



Na época, o bordão O sangue de Jesus tem poder falado por Raquel (Regina Duarte) virou marca da sua personagem. O maior destaque da trama foi Odete Roitman, interpretada pela atriz Beatriz Segall, considerada a maior vilã da história da teledramaturgia. Outro destaque foi Glória Pires interpretando Maria De Fátima, sendo considerada uma das maiores vilãs de todos os tempos, também eleita "a filha mais ingrata da TV", que chegou a vender seu próprio filho e deixar sua mãe no olho da rua. Renata Sorrah interpretou uma das personagens mais populares de sua carreira: a alcoólatra Heleninha Roitman. O nome da personagem virou referência para quem bebia demais.

Vale Tudo é marcada por várias cenas antológicas, como a cena do primeiro capítulo, em que Raquel, personagem de Regina Duarte descobre que a filha, Maria de Fátima, personagem de Glória Pires, vendeu a casa e sumiu com o dinheiro; a cena do capítulo 14, no ar em 31 de maio de 1988 em que Fátima encontra Raquel vendendo sanduíche na praia; a cena em que Raquel rasga o vestido de noiva de Fátima quando ela se casa com Afonso, personagem de Cássio Gabus Mendes; a cena em que Fátima rola as escadarias do Teatro Municipal; o acerto de contas entre Fátima e a jornalista Solange, personagem de Lídia Brondi, quando esta descobre a traição do marido Afonso. Bem como o acerto de contas entre Fátima e Afonso, quando este descobre a traição de Fátima com o bon vivant César, personagem de Carlos Alberto Riccelli, além das cenas de barraco homéricas protagonizadas por Heleninha Roitman, personagem de Renata Sorrah. E as cenas finais do último capítulo, quando Leila, personagem de Cássia Kiss, revela ser a assassina de Odete Roitman, personagem de Beatriz Segall. E Marco Aurélio, personagem de Reginaldo Faria, deixando o país, dando uma banana para o Brasil.


Elenco



Regina Duarte                Raquel Accioli
Glória Pires                Maria de Fátima Accioli
Beatriz Segall                Odete de Almeida Roitman
Antônio Fagundes         Ivan Meireles
Carlos Alberto Riccelli César Ribeiro
Renata Sorrah                 Helena de Almeida Roitman (Heleninha)
Cássio Gabus Mendes Afonso de Almeida Roitman
Lídia Brondi                 Solange Duprat
Reginaldo Faria                 Marco Aurélio Cantanhede
Cássia Kiss                 Leila Cantanhede
Pedro Paulo Rangel   Aldálio Candeias (Poliana)
Nathalia Timberg         Celina Junqueira
Cláudio Corrêa e Castro Bartolomeu Meireles
Daniel Filho                 Rubens (Rubinho)
Lília Cabral                 Aldeíde Candeias
Adriano Reys                 Renato Filipelli
Sérgio Mamberti         Eugênio
Íris Bruzzi                         Eunice Meireles
Carlos Gregório        Gerson
Cristina Prochaska         Laís
Lala Deheinzelin        Cecília Cantanhede
Stepan Nercessian         Jarbas
Rosane Gofman        Consuelo
Fábio Villa Verde        Thiago Augusto Roitman Cantanhede
Paula Lavigne                Daniela
Marcos Palmeira        Mário Sérgio
Zeni Pereira                Maria José
Maria Gladys                Lucimar da Silva
João Camargo                Freitas
Lourdes Mayer           Dona Pequenina
Otávio Müller               Sardinha
Cristina Galvão                Íris
Marcello Novaes       André
Flávia Monteiro       Fernanda
Rita Mallot               Marieta
Fernando Almeida       Hermenegildo (Gildo)
Renata Castro Barbosa Flávia
Danton Mello                 Bruno Meireles
Paulo Reis                 Olavo
Soraya Ravenle           Ângela
Nara de Abreu                 Deise
Jairo Lourenço                 Luciano


Prêmios



Troféu APCA (1988)

Melhor Novela - Vale Tudo
Melhor Atriz - Glória Pires
Melhor Ator Coadjuvante - Sérgio Mamberti
Revelação Masculina - Paulo Reis

Troféu Imprensa (1988)

Melhor Novela - Vale Tudo
Melhor Atriz - Beatriz Segall


"Trocando em artes" volta em duas semanas trazendo "Hamlet".



TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

DONA CAROLA

terça-feira, 28 de março de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO III - QUARENTA ANOS


Sentado nas pedras do Arpoador que amo tanto sentia o peso da idade chegar. Não era mais nenhum garoto. O tempo passava, a vida andava e a impressão que eu tinha era que ficava para trás.

"Você não ficou para trás, apenas não aceita que o tempo aja".

Olhei para o lado e estava ela sentada ao meu lado. A minha vida. Minha Camila.

Sorri e disse que estava com saudades. Camila, com o sorriso mais lindo que a vida já me deu o prazer de ver, respondeu "Não sei porque, estou sempre com você".

Camila me olhou nos olhos e me deu parabéns. Agradeci e ela comentou que eu ficava bem de cabelo grisalhos. Ri respondendo que não estava e ela completou "Começa a ficar aos poucos e vai te dar um charme todo especial".

Ficamos um tempo em silêncio. Camila passou a mão em meus cabelos e pediu "Não crie tanto juízo assim. Você é feito de amor assim como eu". Olhei para ela que perguntou "Me ama?". Como todas as vezes respondi "Pra sempre".

Camila levantou e em desespero perguntei quando iria com ela. Meu amor sorriu, me mandou um beijo e acordei.

Ainda não era minha hora de ir.

Abri os olhos e como sempre olhei ao lado na cama. Como sempre ela não estava lá. Levantei e fui ao banheiro. Molhei o rosto, esfreguei os olhos e me olhei no espelho.

Quarenta anos..Me sinto acabado nos meus quarenta anos de idade apesar de todos falarem que estou bem. Como diria Stevie Wonder o pior cego é aquele que não quer enxergar. Mas é que já passei por tantas coisas que sei lá. Quarenta anos...

Quando a gente é novo vê uma pessoa de quarenta anos como anciã. Quando chega nessa idade vê que estávamos certos. A vida foi madrasta, mas também soube ser generosa. Trabalhei duro, muito e ganhei dinheiro. O moleque que defendia um trocado como DJ ao lado de amigo agora era dono de gravadora, tinha carro do ano, apartamento top na Zona Sul carioca e ia pelo menos três vezes por ano ao exterior.

Sim. No começo ganhei empurrão de meu sogro, mas depois tudo que consegui foi graças ao meu esforço e talento. Chegar a dono de gravadora e sócio de uma casa de shows e um restaurante não foram situações da noite pro dia. Trabalhava até doze horas por dia, muitas vezes domingo. Esquecendo que tinha vida social, família ou amigos.

Quinze anos sem Camila..

Deus do céu!! Quinze anos!! Se engana quem diz que essa dor diminui com o tempo porque a dor de perder alguém não acaba!! Não teve um dia nesses quinze anos que não pensei em Camila, poucos foram os dias que não derramei algumas lágrimas no quarto na hora de dormir. A hora de dormir sempre foi a pior hora. A hora de ficar sozinho com meus pensamentos.

Querem saber? Conquistei tudo isso que falei na vida, mas voltava tranquilamente a ser o DJ de festas adolescentes se pudesse pelo menos mais uma vez beijar a Camila.

Gabriel, fruto de nosso amor, já tinha vinte anos. Criei o melhor que pude mesmo sendo um cara sem tempo, mas não precisei criar sozinho tendo ajuda de todas as pessoas que nos amam. Minha mãe, Osmar, Bia, Nando, Samuel, Anderson, Suely que foi morar nos Estados Unidos, mas a cada semestre vinha, até o doido do Guga que o que tinha de brilhante advogado tinha de desajustado amorosamente.

Gabriel era bem diferente de mim. Jovem, impetuoso, aventureiro, cativante. Muito parecido com a mãe. Era um garoto do bem, apesar de topetudo, não abaixava a cabeça pra ninguém, nem para mim quando se julgava certo.

E quem diria? Aquela história de ser árvore deu frutos, literalmente, o moleque estudava teatro e era ator dos bons.

Quarenta anos. Não parecia ser tão ruim essa idade. Se ela estivesse aqui seria perfeito.

Saí do banheiro e o celular tocou. Era Amanda. Começou me dando feliz aniversário e nem deu tempo que eu agradecesse. Pediu para falar com Guga. Apesar de meu amigo estar na minha frente desesperado fazendo sinais passei o celular para sua mão e disse "se vira".

Guga começou falando para Amanda que seu celular estava ruim e que nunca bloquearia suas chamadas. Ficou o tempo todo falando "está bem, está bem", desligou e me falou "ia te desejar feliz aniversário, mas prefiro desejar que você vá a merda".

Comecei a rir e respondi "Mulher a gente se livra, ex mulher é para sempre". Meu amigo emendou com "maldita hora que tomei Amanda de você" e logo interrompi "Pera lá! Eu já tinha terminado com ela! Quem tomou alguém aqui fui eu que tomei Camila de você!".

Nisso perguntei qual era o problema da vez e Guga respondeu que colégio das crianças tinha aumentado e ela pedia mais dinheiro. Gargalhei enquanto ele dizia "nunca devia ter saído daqui pra casar com ela".

Pois é. Guga namorou Amanda. Alguns meses depois de sua viagem foi atrás dela. Emendaram namoro, casamento, tiveram dois filhos e Amanda pegou meu amigo "pulando a cerca". Separou, levou uma boa grana e Guga voltou ao apartamento.

Para ele estávamos quites. Mas eu que tomei Camila dele. Não perdi Amanda.

Enquanto Guga ainda reclamava que a troca foi injusta, sem aceitar que ele perdeu pra mim não eu pra ele, a campainha tocou. Fui atender e tinha uma multidão na porta.

Bia, Nando, Samuel, Anderson, Jessé, Ericka, Francisco, minha mãe, Osmar..Pessoas que eu amava e me faziam feliz...Bia vinha na frente comandando os parabéns e minha mãe por último carregando um bolo e dizendo que não teve tempo de fazer, mas comprou no melhor local da cidade.

Meus amigos sacanearam e arrumaram quarenta velas para botar no bolo. Enquanto os mais jovens acendiam e brincavam que teria um incêndio no apartamento minha mãe me defendia dizendo que  eu sempre seria seu bebê. Guga ao telefone brigava com Amanda, Osmar ria e falava que eu tinha me livrado de boa e por uns momentos quase fui feliz.

Cantaram parabéns e mandaram que eu fizesse um pedido. Não tinha o que pedir, meu pedido não iria acontecer. Apenas respirei fundo e assoprei as velas sob aplausos de todos e Guga reclamando que nunca mais “tomaria” mulher minha.

O coitado não se conformava mesmo.

Logo após o telefone tocou e atendi. Era Gabriel. Tempo que não via o moleque e estava morrendo de saudades.

Perguntei onde ele estava e Gabriel respondeu que escalava uma montanha no interior da Ásia. Nem me atentei para o fato dele naquele instante estar pendurado em uma montanha correndo riscos só para falar comigo e fiquei impressionado, na verdade, do celular pegar lá.

Perguntei a meu menino quando ele voltava e Gabriel respondeu “mais depressa que você pensa”. Insisti na pergunta até que gritaram da sacada “olha pra cá que você vai saber”.

Olhei e lá estava Gabriel pulando a grade da sacada para o lado de dentro com mochila nas costas e um sorriso no rosto que só via igual em sua mãe.

Corri para abraçar meu filho. Um abraço forte de dois parceiros, dois grandes amigos acima de tudo.

Isso. Dois grandes amigos. Nós éramos amigos, companheiros, cúmplices, pai e filho. Gabriel foi quem me manteve vivo depois da perda de Camila e o garoto soube retribuir se tornando um homem admirável. Tudo bem, cometia seus erros, tinha seus arroubos de juventude, mas normal. Gabriel era a presença física de Camila na Terra, de nosso amor e eu procurei o tempo todo honrar esse amor.

Perguntei por onde ele tinha surgido, por onde subiu e com a cara mais normal do mundo respondeu “pelo lado de fora ué”. Dona Hellen, furiosa, dava tapas em Biel dizendo “São treze andares, por quê você não pega elevador como todo mundo?”.

Gabriel abria os braços e dizia sorrindo “Porque não sou qualquer um, sou Gabriel o rei do mundo!!” e ganhava mais tabefes da vó. Eu segurava o riso e comentava que numa dessas ele podia ser preso e meu filho botou a mão no ombro de Guga, ainda ao telefone, e disse “tenho o melhor advogado do mundo aqui”. Guga afastou o telefone apenas para dizer “esse moleque devia ser meu filho, parece em nada com você Toninho”. Mandei que ele parasse de ideia e se concentrasse em Amanda.

Gabriel era assim, aonde chegava era o centro das atenções. Todos se reuniram a sua volta e o moleque contou sobre suas andanças pela América do Sul e Ásia. Tribos indígenas em que dormiu, mosteiros que se abrigou, montanhas que escalou. Todos observavam sem dizer um pio, apenas ouvindo aquelas histórias deliciosas.

Ao fim pegou violão e cantou. Cantou músicas da Cássia Eller como poucos cantam. Sei disso, trabalho com gravadora, não é só corujice. Insistia muito para que ele tentasse gravar um disco, mas Gabriel queria ser livre e no máximo atuar.

Estávamos todos entretidos com as histórias quando ouvimos buzina e som alto. Estranhei, perguntei o que era e Samuel, rindo, respondeu “faltava o meu presente”. Fomos na sacada e quando vi o que era não resisti e gritei “Filho da..” Era um daqueles carros de telemensagem.

É. Tinha que rolar uma sacanagem dessas...

Era bom ter meu moleque de volta. Mesmo que ele não fosse fácil. Mesmo que debaixo das nossas caras ele tivesse um caso com Ericka, a própria tia, os dois com hormônios em ebulição. O moleque era esperto. Naquele dia mesmo deu uns amassos em minha irmã e conseguiu disfarçar quando me aproximei.

Mas era um grande parceiro.

Naquela tarde fomos ao Arpoador e em silêncio olhávamos o mar das pedras. Gabriel quebrou o silêncio perguntando “esse lugar é muito importante pra você né?”. Respondi “O mais importante”. Ele ficou mais um tempo em silêncio e completou “gosto daqui, me dá paz, mas meu lugar é lá embaixo”.

Pegou a prancha e foi surfar enfrentando as ondas revoltas.

Eu, do alto, assistia com orgulho. Orgulho do fruto do amor que eu e Camila tivemos e temos.

Amor que vive em Gabriel.

Mas nem só de amor vive o homem. Eu precisava trabalhar. Na manhã seguinte bem cedo já fui para a gravadora e assinava umas papeladas quando Nando entrou em minha sala e disse:

"Ela está aí".

Saí e um batalhão de fotógrafos eram afastados por seguranças. Outros traziam a estrela que acompanhada de seu empresário sorriu e veio em minha direção.

Era Luana Spencer. A rainha do axé. Cantora mais popular do país e dona do par de coxas mais estonteante.

Nando conduziu os dois até minha sala. O empresário trazia um pequeno poodle na mão e afetadíssimo reclamava que a imprensa não deixava sua diva em paz. Luana sorriu para mim e disse que era um prazer me conhecer. Eu, só pensando no trabalho, nem reparei que ela não parava de me olhar.

Pedi que se sentassem e pegando o contrato falei que era um prazer tê-la em nosso casting. O empresário explicou que tiveram várias propostas, mas sua diva preferiu fechar com nossa gravadora enquanto Luana emendou "Credibilidade é tudo e você tem de sobra".

Me senti lisonjeado e continuei explicando como seria nossa parceria.

Luana já era uma estrela consagrada no Brasil. Dona de voz poderosa, grave, era popular, carismática mesmo cantando aquelas músicas cheias de vogais, quase nenhuma consoante, sem nexo, mas que servem pra pegar gente no carnaval. Gabriel adora, mas não era minha praia. Meu filho que explicou a importância de ter a artista na gravadora.

Luana queria fazer um trabalho mais autoral e gravar artistas da MPB. Queria mais credibilidade e o apoio da crítica. Procurou o local certo.

Contrato assinado e em alguns dias entramos em estúdio.

No dia que Luana colocou voz base em estúdio a garotada da família se fez toda presente. Francisco, Ericka e Gabriel que era o mais empolgado. Pegaram autógrafos, tiraram fotos e acompanharam o trabalho da estrela. Brinquei com meu filho que nunca tinha lhe visto no estúdio e Gabriel com cara de fascinação
respondeu que era um ótimo motivo.

Depois de um tempo meu filho me cutucou e disse "Ela não tira os olhos de você". Distraído, perguntei "ela quem?" e Gabriel apontou para Luana que dentro do chamado "aquário", local que se coloca a voz, me olhava e cantava uma música romântica.

Devia ser impressão dele...

No dia seguinte chegaram flores na minha sala. Eram de Luana Spencer. Continuava achando que era nada demais.

Meus amigos estimulavam. Falavam que estava "me dando mole" e eu respondia que tinha nada a ver, tudo era apenas trabalho e uma artista daquele quilate nunca iria querer algo com um cara sem graça como eu. Pra dizer a verdade, eu nem estava tão entusiasmado assim, apesar de fazer bem para o ego que alguém pensasse que a rainha do axé queria algo comigo.

No dia seguinte seu empresário ligou e perguntou se podia reservar o restaurante para um encontro reservado de sua diva. Respondi que era complicado, tinha muitas reservas. Mas o argumento oferecido em reais foi tão bom que acabei reservando a noite seguinte.

Como ela pediu no telefonema eu estava lá e sinceramente fiquei curioso para saber quem era o acompanhante misterioso de Luana. Na hora certa ela chegou. Deslumbrante em um vestido vermelho, entrou pelos fundos para que nenhum paparazzi pudesse lhe fotografar.

Dei as boas vindas e levei até a mesa. Ela sentou e comentei que o acompanhante estava atrasado. A cantora respondeu que não, ele estava bem em sua frente. Olhei para os lados, não entendi e ela
pediu "Senta".

É..O convidado era eu.

Sentei e ela pediu que eu chamasse o garçom.

Assim começou nossa noite.

A noite de Gabriel começava também. Foi a um bar com Ericka, Francisco e uma turma de amigos. Beberam um pouco antes de ir a um show de pagode que teria na Barra. Gabriel pegou o carro, com Ericka ao lado e os outros rapazes atrás. Ericka ainda argumentou se não era melhor que fossem de táxi já que meu filho tinha bebido e ele respondeu "Para de bobeira, nem bebi tanto assim".

Pegaram o carro e Gabriel a toda velocidade dirigia com Ericka pedindo que diminuísse. Certo momento ele perdeu o controle e bateu de frente em outro carro.

Algum tempo depois Ericka, que estava desmaiada, acordou e viu Gabriel ensanguentado ao seu lado e desmaiado. Se desesperou, mas conseguiu sair pela janela do carro. Do lado de fora pegou o celular e me ligou.

Eu no jantar começava a achar que talvez não fosse só impressão dos amigos o clima. Era um  jantar muito confortável, tão gostoso que esqueci que estava com uma super estrela. Falamos amenidades, dos gostos de cada um, da vida, dançamos um pouco e sentamos. Ao nos sentar o telefone tocou, pedi desculpas e atendi.

Ouvi a tudo e fiquei branco, pálido. Luana me perguntou o que ocorrera e respondi.

"Meu filho sofreu um acidente".


CAPÍTULO ANTERIOR:

REINÍCIO

sexta-feira, 17 de março de 2017

BATALHA MUSICAL: CLÁSSICOS DO BREGA


Essa esperada seção que cresce a cada dia volta com mais uma grande batalha. Uma batalha feroz, sangrenta onde só os fortes sobrevivem. O tema hoje é o brega.

Brega nada mais é que aquela canção que não tem pudor para falar de amor. O brega se joga de cabeça, ama e sofre com intensidade. Vinicius de Moraes disse que "amor só é bom se doer" e no caso de hoje dói e muito.

Quatro grandes canções, quatro grandes artistas e vamos escolher qual a melhor música das quatro.

Minha análise:


As músicas: 

Vou tirar você desse lugar (Odair José)


Cadeira de rodas (Fernando Mendes)


Fuscão Preto (Almir Rogério)


Eu não sou cachorro não (Waldick Soriano)


Bem, essas são as quatro canções. Espero que tenham se divertido e em duas semanas tem mais. Voltem viu? Não me deixem sozinho.


Eu não sou cachorro não.


BATALHA ANTERIOR:

CLÁSSICOS DO SAMBA-ENREDO

quinta-feira, 16 de março de 2017

SOBE O SOM: GOOD TIMES 98


No ano de 1982, enquanto o mundo se deparava com a Guerra das Malvinas, o Brasil usufruía de um dos programas musicais de rádio de maior sucesso de todos os tempos, “GOOD TIMES” da Rádio 98 FM carioca, com audiência comprovada de mais de 80% ao longo de vários anos no Rio de Janeiro.

A 98 FM foi criada em 1978, no lugar da Eldorado FM, popularmente conhecida como Eldo Pop, que ocupou a mesma frequência desde que foi criada nos anos de 1970. A programação popular foi imposta pelo Dentel que alegava que a rádio tinha “pouca música brasileira”. Em 1981, entrava no ar o Good Times com o radialista Robson Castro (Depois comandado por Fernando Borges) que no começo, tocava flashbacks das décadas de 1970, 1960 e algumas músicas da década de 1950. O programa saiu do ar em Março de 2008.

Eu sempre gostei de músicas antigas e antes da criação do Youtube e aplicativos musicais a melhor forma para ouvir essas músicas era no Good Times, inclusive tenho cds até hoje do programa. Hoje o próprio programa é uma doce recordação, a lembrança de nossas maiores saudades e por isso presto essa homenagem  com algumas das canções marcantes que passaram pelo programa.

Então vamos lá!!


Sobe o som Godd Times 98!!


Ben - Michael Jackson


The Highways of my life - The Isley Brothers


For once in my life - Stevie Wonder


Sideshow - Blue Magic


Killing me softly with his song - Roberta Flack


Against all odds - Phill Collins


It might be you - Stephen Bishop


Three times a lady - Commodores


One day in your life - Michael Jackson


I`ll be over you - Toto


If - Bread


Please Don`t go - KC & Sunshine band


Sailing - Christopher Cross


I loved you - Freddy Cole


Classic - Adrian Gurvitz


Do what you do - Jermanie Jackson



Just the way you are - Billy Joel


Always - Atlantic Star


Bem, aí estão algumas das canções que fizeram história na música internacional. Semana que vem teremos músicas que fizeram história na nacional, teremos o poetinha Vinicius de Moraes.


Enquanto isso vamos com o tema principal, de abertura e encerramento do Good Times 98.


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NEY MATOGROSSO

quarta-feira, 15 de março de 2017

CINEBLOG: ROCKY: UM LUTADOR


Cineblog inicia a temporada 2017 falando de um grande filme, um filme que fez história, transformou Sylvester Stallone em um mito e desencadeou uma das maiores franquias da história do cinema levando Stallone ao Hall da fama do boxe e a ter uma estátua na frente da Universidade da Filadélfia onde foi rodada a lendária cena dele subindo a escadaria. Sim, sou um grande fã de Rocky, sua trilha sonora poderosa, cenas icônicas e o ideal de superação, que o mais fraco pode sim se transformar no mais forte através da garra e do coração.

Cineblog orgulhosamente apresenta no corner à esquerda.


Rocky: Um lutador



Rocky (Rocky: Um Lutador (título no Brasil) ou Rocky (título em Portugal)) é um filme norte-americano de 1976, do gênero drama, escrito e estrelado por Sylvester Stallone, e dirigido por John G. Avildsen.

É o primeiro de uma série de sete filmes protagonizados pelo personagem Rocky Balboa. Os demais são Rocky 2 (1979), Rocky 3 (1982), Rocky 4 (1985), Rocky 5 (1990), Rocky Balboa (2006) e Creed (2015). Este último, "Creed" é um spin-off da série.

Rocky é um desconhecido boxeador da Filadélfia que complementa sua renda como coletor a um agiota. Nesta cidade ocorrerá a disputa pelo campeonato mundial de pesos pesados está marcada para o dia de Ano Novo de 1976, o ano do bicentenário da Declaração da Independência dos Estados Unidos. Porém, o desafiante do campeão Apollo Creed se machuca, e o promotor Jergens encontra dificuldades de encontrar outro oponente. Creed apresenta a ideia incomum de lutar contra um lutador local, de origem italiana: sua escolha recai em Rocky, apelidado Rocky, The Italian Stallion (O Garanhão Italiano), imaginando ser um grande apelo para a mídia.

Ao mesmo tempo envolve-se romanticamente com Adrian, a irmã tímida de seu amigo Paulie, um trabalhador de frigorífico. Rocky treina na academia de Mickey, um ex-lutador, que duvida de sua capacidade - que chega ao ponto de remover seus pertences do armário para passa-lo a outro. Porém, após o anúncio que ele lutará contra o campeão, Mickey oferece-se para treina-lo.

Passa a treinar intensamente, inclusive socos nas carcaças penduradas na câmara fria de Paulie. Creed inicialmente não leva a luta a sério, mas Rocky inesperadamente derruba-o no primeiro assalto. A luta torna-se intensa, com cada lutador sofrendo grandes machucados. Ao fim da luta Creed fala a Rocky que não haverá revanche e este responde que não quer e chama por Adrian, que corre até o ringue. Apollo Creed é anunciado como vencedor por uma decisão apertada dos árbitros.


Elenco



Sylvester Stallone – Rocky Balboa
Talia Shire – Adrian
Burt Young – Paulie
Carl Weathers – Apollo Creed
Burgess Meredith – Mickey, treinador de Rocky
Thayer David George – Jergens, promotor
Joe Spinell – Gazzo
Jimmy Gambina – Mike
Bill Baldwin – comentarista da luta final
Tony Burton – treinador de Apollo
Jodi Letizia – Marie
Joe Frazier – ele mesmo


Montagem do elenco



A família de Sylvester Stallone participou em peso: seu pai Frank atuou como cronometrista - o homem do gongo, seu irmão Frank Stallone Jr. como um dos cantores de rua, assim como seu cão na vida real, o bulmastife Butkus. Cher e Susan Sarandon foram consideradas para o papel de Adrian. A United Artists desejava atores de renome para o personagem Rocky mas Stallone impôs sua vontade de desempenha-lo. No entanto, o estúdio diminuiu o orçamento pela metade.


Produção



Stallone escreveu a primeira versão do roteiro em trinta e três dias. O filme foi gravado na Filadélfia e principalmente na Califórnia. As cenas no rinque de patinação ocorreram em Santa Mônica. Já o interior do estádio da luta final foi no Los Angeles Memorial Sports Arena em lugar da Arena Spectrum retratada no filme. As cenas de Rocky subindo a escadaria do Museu de Arte de Filadélfia, chamada de Degraus de Rocky tornou-se célebre. As duas cenas, uma quando sobe bastante cansado, e a outra triunfante, foram gravadas num intervalo de duas horas.


Trilha Sonora



Bill Conti compôs a trilha sonora e o tema principal do filme, "Gonna Fly Now" com letra de Carol Connors e Ayn Robbins. A canção foi indicada ao Oscar 1977 e ficou no topo das paradas da revista Billboard na primeira semana de julho de 1977. Conti também compôs a trilha sonora do restante da franquia, exceto em Rocky IV.


Principais prêmios e indicações



Oscar 1977 (EUA)

Melhor filme Venceu
Melhor diretor John G. Avildsen Venceu
Melhor ator Sylvester Stallone Indicado
Melhor atriz Talia Shire Indicado
Melhor ator coadjuvante Burgess Meredith Indicado
Burt Young Indicado
Melhor roteiro original Sylvester Stallone Indicado
Melhor edição Richard Halsey e Scott Conrad Venceu
Melhor mixagem de som Harry W. Tetrick, William McCaughey, Lyle J. Burbridge e Bud Alper Indicado
Melhor canção original "Gonna Fly Now" – Bill Conti, Carol Connors e Ayn Robbins Indicado

Globo de Ouro 1977 (EUA)

Melhor Filme - Drama Venceu
Melhor Diretor John G. Avildsen Indicado
Melhor Ator - Drama Sylvester Stallone Indicado
Melhor Atriz - Drama Talia Shire Indicado
Melhor Roteiro Sylvester Stallone Indicado
Melhor Trilha Sonora Bill Conti Indicado.

BAFTA 1978 (Reino Unido)

Melhor Filme Indicado
Melhor Diretor John G. Avildsen Indicado
Melhor Ator Sylvester Stallone Indicado
Melhor Roteiro Original Indicado
Melhor Edição Richard Halsey & Scott Conrad Indicado

Prêmio David di Donatello 1977 (Itália)

Venceu na categoria de melhor ator estrangeiro (Sylvester Stallone).

Academia Japonesa de Cinema 1978 (Japão)

Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.

Prêmio NYFCC 1977 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)

Venceu na categoria de melhor atriz coadjuvante (Talia Shire).


Em duas semanas voltamos com um clássico da pornochanchada brasileira. "O bem dotado homem de Itu"


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O GAROTO

terça-feira, 14 de março de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO II - REINÍCIO


Trrriiiimmm.. trrriiiiiiimmmm

Toca alto. Como toca alto esse relógio que me tira de mais um dos sonhos lindos que não gostaria de acordar. Camila. Evidente que sonhava com Camila como sonho todas as noites desde que faleceu. Lentamente abri os olhos e confirmei. Seis da manhã, hora de despertar. Lentamente olhei para o lado e a enorme cama estava vazia. Realmente Camila não estava lá.

Levantei e fui até a sacada do apartamento. De lá vi as ondas no mar. Maré cheia fazia as ondas baterem violentamente nas pedras. Algumas pessoas se aventuravam e corriam na praia logo naquela hora e mesmo com uma fina garoa que marcava o mês de junho. Ta friozinho, pra carioca está e mesmo acima dos vinte graus as pessoas correm de blusa.

Olhei o relógio no pulso e vi que não tinha muito tempo a perder. Saí da sacada no momento que percebi mexerem na fechadura da sala. A porta se abriu e era Guga carregando sacolas e me dando bom dia. Perguntei o motivo de meu amigo ter acordado tão cedo e ele sorrindo respondeu perguntando "Quem disse que acordei?".

Ah. Um detalhe que não contei a vocês. Aquele apartamento era muito grande. Guga estava com problemas em seu prédio e acabou que ele foi morar comigo e Gabriel. Tinha quarto sobrando, ele dividia as despesas e seria bom que eu tivesse uma companhia.

Aquele apartamento ficava muito grande sem Camila.

A vida ficava enorme sem ela.

Guga sorrindo falava de mais uma de suas conquistas amorosas "Velho, você tinha que ver a loira que peguei, que espetáculo!!". Respondi que adoraria ouvir, mas já estava atrasado para o trabalho. Tinha que acordar Gabriel e tomar banho. Meu amigo mandou que eu fizesse tudo isso enquanto ele preparava o café.

Fui até o quarto de meu filho. Brinquedos espalhados pelo ambiente e recolhi um a um colocando em um canto. Sentei ao seu lado na cama e dei um beijo em sua cabeça dizendo "Molecão, ta na hora". Biel pediu para dormir mais um pouco e respondi que não dava. Era hora da escola.

Biel levantou dizendo que sonhara com a mamãe. Ele nunca comentara antes sonho com ela e intrigado perguntei o que exatamente já que não convivera tanto assim com ela. Gabriel respondeu 'Não sei, só sei que ela tinha asas".

Fui para o banho pensando naquele sonho. Seria Camila um anjo para nos proteger? Precisávamos mesmo.

Saí do banho e Gabriel já estava sentado a mesa com Guga terminando de botar a mesma. Perguntei se meu amigo tinha dormido e ele respondeu "Pra quê dormir se tem uma vida lá fora?". Guga era um advogado bem sucedido, tinha grana de nascença então só "ia na boa", só pegava causas importantes. De resto era um "bom vivant". Queria curtir a vida, ter várias mulheres e não se apegar. Guga era o oposto de mim que vivia pro trabalho e pra família. Eu falava que meu amigo devia arrumar uma mulher e se casar. Ele respondia que eu devia me divertir mais, pois iria ter  um  ataque cardíaco antes dos 40 anos.

Tomava café às pressas e falando ao celular que não parava de tocar. Toda manhã era assim. Apressava Gabriel dizendo que estávamos atrasados enquanto Guga repetia "Calma Toninho. Pra quê pressa se a vida tem que ser apreciada?". Respondi que adorava apreciar a vida, mas só tinha cinco minutos por dia para isso quando meu filho disse "papai, cocô".

Perguntei se estava com muita vontade, não podia fazer no colégio e Biel acenou a cabeça negativamente. Respirei fundo e respondi "vamos lá" levando meu filho ao banheiro. Fiquei do lado de fora olhando o relógio quando meu filho gritou "acabei" e entrei no banheiro.

Enquanto limpava Gabriel ele me perguntou "Papai, por quê você é tão apressado?". Respondi que era um homem ocupado e ele continuou "Vovó diz que é porque você tem medo". Não entendi e perguntei do que eu teria medo e ele completou "de pensar". Respirei fundo, respondi que sua avó estava esclerosada e que nos apressássemos.

Quando abríamos a porta para sair Biel lembrou que não fizera o dever de casa. Respondi para ele dizer a tia que tinha ficado doente e tirando a mesa Guga retrucou "Que vergonha, ensinando o menino a mentir". Respondi no ato "Você diz que aquelas mulheres que você traz pra cá são suas primas". Gabriel olhou para Guga que tratou de dizer "São primas sim Bielzinho, primas distantes".

Saímos enquanto Guga ia dormir. No carro coloquei o cinto em Gabriel no banco de trás e sentei para ligar o veículo quando o telefone tocou. Era Amanda. Minha namorada perguntou o que ocorrera que não apareci em sua casa na noite anterior. Afastei o  telefone e soltei um "puta que pariu". Assustado meu filho disse "Papai, você falou palavrão". Olhei para ele e falei "Adulto pode. Se você repetir entra no cacete".

Pedi desculpas a Amanda e disse que ficara enrolado em uma reunião até tarde. Ela reclamou que era nosso aniversário de um ano de namoro e tinha me esperado com um jantarzinho especial. Prometi compensar naquela noite quando ela me lembrou "Essa noite é o lançamento de seu livro, não pode”.
Tinha esquecido. O livro que escrevi sobre minha história com Camila.

Perguntei se ela iria e minha namorada respondeu que sim, sabia o quanto era importante para mim. Agradeci, mais uma vez pedi desculpas e desliguei. Liguei o carro e novamente Gabriel disse "cocô". Retruquei "Cacete moleque!! Que caganeira é essa? Agora você vai fazer no colégio".

Desci do carro ao chegar no colégio, desci meu filho, dei um beijo em sua testa e perguntei "Me ama?". Ele sorriu, respondeu "pra sempre" e entrou. Gritei ao inspetor que o levasse correndo para o banheiro. Ao voltar ao carro apertei um spray para purificar o ambiente e corri pra gravadora.

Cheguei lá e Nando, marido de Bia, me esperava dizendo que já estava com o empresário do "Só pagode”. O "Só pagode" era o grupo de pagode do momento e estávamos para fechar contrato com ele.
Nando era meu braço direito na gravadora e comentou que já estava nervoso com minha demora e ligara para o celular. Respondi que estava atendendo Amanda e ele perguntou "Esqueceu do  aniversário de um ano né?". Perguntei "Até você sabia?”e ele retrucou “Todo mundo sabia".

Perguntei a Nando como estava o humor do pagodeiro e ele respondeu "Péssimo devido a seu atraso". Respondi “deixa comigo", armei o sorriso e entrei na sala.

O homem com um terno rosa, gravata vermelha e óculo escuros reclamou de minha demora e que já quase fechava com outra gravadora quando respondi "Sabe por quê demorei? Por quê ouvia os cds antigos de vocês e viajava".

O homem perguntou para onde eu viajava justo na hora da reunião e continuei "Viajava no tempo porque foi graças a banda que comecei a namorar com minha namorada. A banda embalou os melhores momentos de nosso namoro, as minhas mais doces lembranças e eu ouvia emocionado pensando como a vida pode ser extraordinária. Os caras que fizeram nosso namoro acontecer fechando com a gravadora que eu trabalhava".

O empresário se emocionou. Tirou um lenço do paletó e limpou lágrimas com minha cascata. Sim cascata. Eu não curtia o grupo, nunca ouvi uma música deles com Amanda e só falei aquilo para conseguir o contrato.

E consegui.

Celebramos com champanhe, "Só pagode" tocado, o presidente da gravadora ligando para dar os parabéns e Nando me dando um abraço e comentando "Incrível como tudo da certo na sua vida". Respirei fundo, concordei e sem que ninguém visse fui para minha sala.

No silêncio do local me sentei e olhei foto da Camila. Estávamos juntos no Arpoador, local que tanto amávamos, e felizes. Olhava a foto e pensava que parecia tão distante e tão próximo aquele momento. Parecia que era outra vida como parecia real. Acariciei seu rosto na foto e comentei "Tudo da certo na minha vida porque minha vida é você". Peguei a foto, dei um beijo e completei dizendo "obrigado".
No fim da tarde Gabriel saía com a mochila nas costas, lancheirinha e ao me ver encostado no carro veio correndo em minha direção. Dei um abraço gostoso em meu filho perguntado como fora no colégio. Ele me contou e voltamos ao apartamento.

No local dei jantar a ele. Fizemos juntos o dever de casa e levei meu filho para cama. Sentei na beira da mesma e contei historias até que dormisse. Quando adormeceu tomei um banho e a babá chegou.
A babá ficou tomando conta de Biel enquanto fui ao lançamento de meu livro.

Pois é. Acabou que escrevi o livro sobre nossa história. Ela era muito bonita para ficar restrita a nós dois. Fiz uma pequena biografia. Contei minha história desde a infância, sobre Jéssica, Pinheiro e o amor com minha mãe, Jessé e meu amor com Camila. Desde o primeiro atropelamento até sua morte. Dei o nome ao livro de "Amor".

Bem simples. Bem sucinto e que resumia toda nossa história.

Muitos amigos foram e gente do meio artístico já que eu era um importante diretor do meio. Eu nem tinha trinta anos ainda e poderia dizer que vencia na vida. Tinha um apartamento bacana, um excelente emprego, ganhava bem, um filho lindo e com  saúde, uma namorada bonita e lançava meu primeiro livro com fila enorme para pedir autógrafos e dar parabéns.

Devia ser feliz. Impressionante como um detalhe às vezes pode fazer toda diferença.

Todas as pessoas amadas por mim estavam lá, exceção de Gabriel que dormia. Minha mãe chegou de viagem com Osmar, mais uma viagem das inúmeras que faziam para aproveitar a vida, chegaram com a pequena Ericka. Nando, meu diretor, chegou com Bia presidente da ONG Camila Pires, toda a renda do livro seria revertida a ONG. Anderson e Samuel que se transformara num militante gay. Guga e uma mulher que eu nunca tinha visto e provavelmente ele também não.

Noite feliz em que relembrava e brindava ao amor. Lembrávamos histórias de Camila, relembrávamos nossa juventude. Bia lembrou a viagem a Saquarema e Guga quando brigamos na faculdade. Tempo que não ria tanto. Só faltava ela lá.

Será?

Determinado momento da noite, quando dava uma entrevista vi uma pessoa passar no fundo da recepção. Não podia ser possível!! Era ela!! Era Camila!!

Olhei bem e era Camila como a conheci. A beleza e ternura que conheci. Ela olhou para mim, deu um sorriso e se afastou. Eu não podia deixar que ela fosse embora e saí correndo atrás. Ela se aproximava do carro quando saí da recepção gritando "Camila". atravessei a rua no meio dos carros e peguei seu braço.
Não era ela. apenas uma mulher parecida que se assustou enquanto eu pedia desculpas.

Voltei desolado para a recepção enquanto Amanda me esperava na frente perguntando se algo ocorrera. Respondi que não e ela apenas disse "Vem, vamos entrar, é a sua noite". Peguei sua mão e entrei.
Mas não. Não era minha noite.

Sem Camila não poderia ser.

Do lado de dentro todos brindavam, comemoravam ao meu sucesso , menos eu que bebericava uma bebida que nem ao certo sabia o que era e me sentia longe dali. Lembrava de um tempo em que eu era feliz. Sorri ao lembrar correndo na praia com Camila vestida de noiva e um jogando água no outro. Depois de um tempo Amanda percebeu e se aproximou perguntando “Você não está aqui né?”.

Apenas abaixei a cabeça e ela continuou “Me leva para onde você está”. Respondi que adoraria estar lá também e ela completou “Então vamos fugir”.

Fugimos. Alugamos um barco na enseada e saímos pela baía de Guanabara. A vista era linda com a Lua refletindo na água e eu olhava aquele visual. Amanda, esplendorosa em um vestido branco, se aproximou por trás e me deu uma taça de champanhe.

Propôs um brinde, eu perguntei a o quê e ela respondeu “Essa Lua linda que nos abençoa”. Brindamos e sentamos em silêncio para olhar a baía.

Ficamos um tempo naquele silêncio até que ela disse “estou indo embora”. Estranhei e perguntei para onde já que tínhamos acabado de chegar e ela completou “Vou morar em Barcelona”.Parecia que eu nem tinha ouvido. Continuei com a mesma postura e ela repetiu “Ouviu o que eu falei? To indo embora para Barcelona”. Finalmente despertei e perguntei que história era aquela.

Minha namorada pôs a cabeça em meu ombro e disse que tinha pensado muito, refletido e iria estudar na Catalunha. Tinha parente por lá e iria fazer cursos por pelo menos dois anos. Ouvi e apenas falei “Dois anos é muito tempo”. Amanda completou “Vem comigo”.
 
Sorri e respondi que não dava, minha vida estava toda aqui. Amanda levantou, olhou a baía e se virou falando “Você não tira férias faz tempo. Tira umas férias e vai comigo. Precisa se divertir. Deixa Gabriel com sua mãe e vai. Aí decide o que fazer”.

Foi minha vez de levantar. Olhei a vista e fiquei em silêncio. Amanda se revoltou “Sempre me falaram que você era de arroubos. Por amor via um precipício e se jogava. Era capaz de tudo pelo coração e não estou pedindo nada demais. Apenas que tire umas férias e nelas avalie a ideia de ficar comigo em Barcelona”.
Apenas olhei para ela que triste continuou “Fazia por amor né? Mas você não me ama”. Respirei fundo, abracei e respondi “To precisando de umas férias mesmo, eu vou”. Amanda sorriu, me abraçou e deu um beijo.

Fizemos amor e deitamos naquele barco olhando o céu. Ela dormiu sorrindo com a cabeça sobre meu peito e eu não preguei o olho olhando para a Lua.

No dia seguinte trabalhava na organização de um reality show que escolheria novos talentos para a gravadora. Na verdade nem prestava atenção. Olhava aqueles cantores, um pior que o outro, mas na verdade estava no mundo na Lua. Aquela Lua da noite anterior.

O celular tocou e nem ouvi, quem me alertou foi Nando. Atendi ao telefone e era dona Hellen, muito irritada, do outro lado da linha. Perguntei qual era o problema e ela me perguntou onde eu estava.  Respondi "trabalhando" e ela reclamou "Esqueceu do seu filho??".

Sim. Eu tinha esquecido de sua apresentação no teatro do colégio.

Deixei tudo nas mãos de Nando e saí correndo. Cheguei ao teatro a tempo de ver Gabriel, triste, vestido de árvore enquanto a última cena rolava. Só deu tempo de sentar e levantar para aplaudir o fim do espetáculo.
Fui dar um abraço em meu filho que me ignorou. Bia pegou o menino pelo braço, me disse "lamentável" e prometeu um sorvete a Gabriel saindo com ele.  Minha mãe apenas me olhou, fuzilando com os olhos, e falei "Desculpe mãe, estava trabalhando". Ela respondeu "Não adianta pedir desculpas pra mim. Tem que pedir a ele e não adianta se afundar no trabalho se a Camila está dentro de você".

Fui até a sorveteria encontrar Bia e Gabriel. Bia se afastou e sentei ao lado de meu filho pedindo um pouco de sorvete. Ele se recusou a dar e fiquei com "cara de bunda". Constrangido falei "Comigo foi pior, fiz papel de galinha. Árvore é mais legal que galinha".

Gabriel ficou um tempo em silêncio e perguntou "Você teve que cacarejar?". Respondi que sim e ele me perguntou como era. Olhei para os lados e acabei fazendo. Cacarejei. Gabriel riu e vendo que quebrava a resistência do menino aumentei o cacarejo. Ele gargalhava, começou a cacarejar também e ficamos os dois imitando galinha em voz alta na sorveteria.

Os dias passavam e em vez de me preparar para a viagem trabalhava ainda mais. Acabou que deixei tudo para cima de Amanda. No dia da viagem Amanda passou no apartamento, me deu um beijo e, brincando,  pediu que eu não esquecesse de ir ao aeroporto.

Ela saiu, esperei que fosse embora e gritei "Puta que pariu! Esqueci da viagem!". Quando corri para o quarto Guga saiu com minha mala pronta, entregou em minha mão e disse "Você devia me pagar para ser sua empregada".

Peguei o táxi e fui para o aeroporto. No trajeto pensei na minha vida, em tudo que passava e na viagem. Pensei em Camila, pensei em Amanda, pensei em mim.

Cheguei no saguão e minha namorada já me esperava. Sorriu, me abraçou e me deu um beijo. Um beijo de amor não correspondido. Amanda me olhou, passou a mão em meu rosto e eu, com os olhos marejados, balbuciei "desculpa".

Amanda perguntou "Você não vai né?". Apenas abaixei a cabeça e ela comentou "Que pena". Olhamos para o chão por um tempo, sem ter o que falar. Ela olhou o relógio, comentou que estava em sua hora e passando a mão em meu rosto  disse "To indo meu poeta".

Mais uma vez pedi desculpas e ela falou que não era pra ela que devia desculpas e sim a mim mesmo. Finalizou "Eu poderia te fazer feliz, mas você ainda não percebeu que quem morreu foi Camila. Você está vivo".

Meu deu um beijinho na boca e foi embora.

Saí de lá e fui direto ao único lugar que poderia ir. Fui direto ao Arpoador. Sentei nas pedras olhando o céu sem pensar, nem dizer nada. apenas queria estar no meu refúgio. Ficar sozinho.

Às vezes queria ficar longe até de mim.


CAPÍTULO ANTERIOR:

A PRAIA

sexta-feira, 10 de março de 2017

TRADUÇÃO EM VERSOS: CONCERTO PARA UMA VOZ


Hoje "Tradução em versos", aquela seção do "Trocando em miúdos" que faz traduções de músicas internacionais volta com mais uma tradução, mais uma grande música estrangeira sendo traduzida para nosso idioma.

Com vocês todo o romantismo, toda a pureza, toda a magia da tradução dessa linda canção composta por Saint-Preux em 1969. "Concerto para uma voz".

Diga olá para o seu coração.


Concerto para uma voz (Tradução)


Concerto para uma voz (Música original)




Em breve voltamos com mais uma tradução para bater fundo em sua alma..

TRADUÇÃO EM VERSOS ANTERIOR:

ENDLESS LOVE

quinta-feira, 9 de março de 2017

SOBE O SOM: NEY MATOGROSSO


Ney de Souza Pereira (Bela Vista, 1 de agosto de 1941), mais conhecido como Ney Matogrosso, é um cantor, diretor e ator brasileiro

Ex-integrante dos Secos & Molhados (1973-1974), foi o artista que mais se sobressaiu do grupo após iniciar sua carreira solo com o disco Água do Céu - Pássaro (1975) e com suas apresentações subsequentes. É considerado pela revista Rolling Stone como a terceira maior voz brasileira de todos os tempos e, pela mesma revista, trigésimo terceiro maior artista brasileiro de todos os tempos. Embora tenha começado relativamente tarde, das canções poéticas e de gêneros híbridos dos Secos e Molhados ele passou a interpretar outros compositores do país, como Chico Buarque, Cartola, Rita Lee, Tom Jobim, construindo um repertório que prima pela qualidade e versatilidade. Em 1983, completava dez anos de estreia no cenário artístico e já possuía dois Discos de Platina e dois Discos de Ouro..

Como iluminador de espetáculos, tem supervisionado toda a produção da área em suas próprias apresentações e também merece destaque seu trabalho de iluminação e seleção de repertório no show Ideologia (1988) de Cazuza e no show Paratodos de Chico Buarque em 1993, ao que afirma: "quero que as luzes provoquem sensações nas pessoas". Matogrosso também tem atuado recentemente no cinema: estreou em 2008 no curta-metragem Depois de Tudo, dirigido por Rafael Saar, e no filme Luz das Trevas de 2009, dirigido por Helena Ignez. Distinguido por sua rara voz de contratenor, Ney Matogrosso também é conhecido por suas performances ao vivo. Atribuem a sua maquiagem cênica e seu vestuário exótico desde os anos 70 uma certa mudança de conceitos sobre o comportamento masculino apropriado no Brasil.

Então vamos lá!!


Sobe o som Ney Matogrosso!!


Sangue latino


Rosa de Hiroshima


Balada do louco


Tanto amar


Veja bem, meu bem


Bandido corazon


Calúnias


O vira


Trenzinho do caipira


Bandoleiro


América do Sul


Cubanakan - Com Emilinha Borba


Pro dia nascer feliz


Não existe pecado ao sul do Equador


Bem, aí está um pouco da história de um dos maiores nomes da história da MPB. Semana que vem tem mais história, tem história, tem Goodtimes 98.


Enquanto isso cuidado, se correr o bicho pega se ficar o bicho come.


SOBE O SOM ANTERIOR:

MÚSICAS 2016