sexta-feira, 22 de agosto de 2014

SEMANA NELSON RODRIGUES - SOBE O SOM: A VIDA COMO ELA É




Prosseguindo com a “Semana Nelson Rodrigues” em virtude da minha peça “Eu matei Nelson Rodrigues” que estará domingo no Rio de Janeiro o “Sobe o som” de hoje é especial. Não é musical.

A coluna hoje retrata vários episódios da série “A vida como ela é” que a Rede Globo levou ao ar no programa “Fantástico” nos anos  90.

“A vida como ela é” contém uma série de contos de um coluna com o mesmo nome que Nelson Rodrigues escrevia com enorme sucesso. Um pouco da sociedade brasileira e sua família está presente nessas histórias deliciosas e surpreendentes.

Então vamos lá!!

“Sobe o som” A vida como ela é!!  


A desprezada


A dama do lotação


O homem fiel


O anjo


Martin em casa e na rua


Boa menina


Enciumada


O decote


Cheque de amor


O monstro


Sem caráter

 
Casal de três


Bem. Aí estão alguns desses episódios. Semana que vem a coluna volta ao normal trazendo a música e o furor de um ser de luz que abrilhantou a Terra. Salve Claridade!! Salve Clara Nunes!! 

Enquanto isso mais um pouco do universo rodrigueano.




EU MATEI NELSON RODRIGUES
TEATRO DA SUBPREFEITURA DA ILHA
DIA 24/8 18:00 HORAS
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SOBE O SOM

SEMANA NELSON RODRIGUES: CINEBLOG - BONITINHA, MAS ORDINÁRIA




Continuando com a “Semana Nelson Rodrigues em virtude de minha peça domingo aqui no Rio o “Cineblog” fala hoje de um filme inspirado na obra do Nelson.

Esse filme ganhou mais duas filmagens, uma nos anos sessenta e outra mais recente já nos anos 2000, mas essa versão é a principal. Conta com um elenco estelar e mexe com o imaginário popular a mais de trinta anos.

Filme que marcou minha adolescência e me ajudou a ser fã de Nelson Rodrigues.

Pelo buraco da fechadura “Cineblog” orgulhosamente apresenta:


BONITINHA, MAS ORDINÁRIA


Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Resende é um filme brasileiro lançado em 26 de janeiro de 1981, baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues.

Foi a segunda adaptação para o cinema da obra de Nelson Rodrigues, a primeira foi rodada em 1963 e a terceira foi produzida em 2008 e lançada em 2013.

Sinopse


Edgard é um rapaz humilde, fato esse que o constrange. Procurado por Peixoto, genro do milionário Werneck, dono da firma onde Edgard é escriturário, ele recebe a proposta de se casar com Maria Cecília, filha de Werneck, de 17 anos que fora currada por cinco negros. 

Pelo dinheiro, Edgard aceita, mas tem dúvidas por gostar de Ritinha, sua vizinha. Já com o casamento acertado, Edgard e Ritinha vão despedir-se num cemitério, onde ela conta o que faz para conseguir sustentar a mãe louca e as três irmãs. Toda a trama gira em torno das hesitações de Edgard, até sua escolha final.

A frase do Otto


Uma das frases repetidas pelo personagem interpretado por José Wilker, o mineiro só é solidário no câncer, é de Otto Lara Resende.

De acordo com o site Cineplayers, Edgard repete a frase dezessete vezes, além de outras vezes em que ele a menciona (como a frase do Otto), pois está em um dilema: ou se casa com a filha do patrão, Maria Cecília (Lucélia Santos), estuprada por cinco negros, e recebe um cheque de um alto valor, ou fica com sua namorada, a vizinha Ritinha (Vera Fischer), que, sem que ele soubesse inicialmente, era uma prostituta.

Elenco 



Semana que vem “Cineblog” fala de “Love Story”.


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terça-feira, 19 de agosto de 2014

SEMANA NELSON RODRIGUES: CHEQUE DE AMOR


Pela primeira vez na história do blog será publicado um conto que não é meu. O conto é do homenageado da semana do blog, o genial Nelson Rodrigues.

Esse conto acabou sendo minha primeira experiência como autor teatral já que tive que adaptá-lo para uma encenação na faculdade em 1998.

Com vocês. Cheque de amor.


Filhinho de papai rico, fez o diabo até os vinte e dois anos. Embriagava-se de  rolar nas sarjetas. E era preciso que os amigos ou a polícia o levassem para casa, em estado de coma. De vez em quando, o pai perdia a paciência. 

Chamava o rapaz, passava-lhe um carão tremendo: “Te deixo a pão e laranja, sem um níquel!”. Como não cumprisse nunca a ameaça, Vadeco perseverava na mesma vida.

Um dia, numa boate, excedeu-se a si mesmo; promoveu um conflito pavoroso. Foi um escândalo. De manhã, o velho estava no quarto do filho, esbravejante:

— Você é a vergonha da família!

Vadeco não abriu a boca. Com todos os seus defeitos , que eram muitos e graves, respeitava o pai. No fim, o velho disse a última palavra: “Você agora vai trabalhar, seu animal!”. E, de fato, já no dia seguinte, Vadeco tomava posse no seu primeiro emprego, como gerente numa das empresas do pai. 

Seu primeiro ato foi nomear secretário um amigo e companheiro de farras, o Aristides. No primeiro dia, não fizeram absolutamente nada, senão olhar um para o outro.

De vez em quando, um dos dois tinha a exclamação: “Que abacaxi!”. Mas, na hora do lanche, o Aristides foi dar umas voltas pelo escritório. Voltou outro. Esfregando as mãos, anunciou:

— Parece que tem aí umas pequenas ótimas! 

D. JUAN

E, então, rapidamente, com a colaboração do Aristides, Vadeco foi tomando conta do ambiente. Nem um nem outro faziam nada; mas, em compensação, enchiam o gabinete de funcionárias. Era uma pândega ao longo de todo o horário de trabalho.

De vez em quando, o Vadeco, de olhos injetados, virava-se para o secretário:

— Fecha a porta à chave!

O outro obedecia e o resto dos empregados, atônitos , faziam as suposições mais espantosas. Uma das funcionárias quis se engraçar com o Aristides; este, porém, foi claro, leal, definitivo: “Comigo não! Absolutamente !”. A outra não entendeu e ele teve que ser mais explícito. Explicou, então, que, no escritório, o chefe tinha prioridade absoluta. E insistiu: “Primeiro, ele; depois, eu”.

A verdade é que Vadeco não precisava fazer esforço nenhum. O Aristides é que, com um tato e uma eficiência admiráveis, convencia as companheiras. Usava todos os argumentos, inclusive os de ordem prática:

“Ele te aumenta o ordenado, sua boba!”. De vez em quando, havia maior ou menor resistência. Foi, por exemplo, o que sucedeu com a nova telefonista, uma loura cinematográfica, que se notabilizava pelos vestidos colantes. 

Assim que a viu, Vadeco chamou o Aristides: “Mete uma conversa nessa cara!”. O outro não discutiu: pendurou-se na mesa telefônica. O grande argumento da telefonista era este:

— Mas e o meu noivo?

Aristides foi rotundo:— Teu noivo não precisa saber. Não saberá nunca!

E ela, no pavor de possíveis delações:

— É espeto! É espeto!

Acabou indo. Primeiro houve o cinema; depois do cinema, um passeio delirante de automóvel. No dia seguinte, pela manhã, Aristides perguntava: “Que tal?”.

Vadeco bocejou:

— Serve.

A INCONQUISTÁVEL

Até que, uma tarde, Vadeco dá de cara, no corredor, com uma menina desconhecida. Toda a sua vida sentimental se fazia na base de variedade. Correu para o Aristides: “Quem é essa fulana?”. O outro foi dar uma volta e regressou com as informações:

— Dureza!

— Por quê?

— É noiva. E vai casar no mês que vêm. Séria pra chuchu! 

Vadeco foi lacônico:

— Vai lá e mete uma conversa.

E era assim Vadeco. Ele próprio admitia: “Tenho uma tara na vida: só gosto de mulher séria”. Gostava das outras também; mas a sua paixão era a pequena difícil, a pequena quase inconquistável. Aristides voltou meia hora depois. Sentou-se, bufando, e admitiu:

— O negócio está duro. Eu te avisei: é séria. Só faltou me dar na cara.

Mas o filhinho de papai rico não aceitava impossibilidades. Quase esfrega o livro de cheques na cara do outro; esbravejou: “Sou rico, tenho dinheiro. E mulher quer é isso mesmo. Gaita”. Aristides suspirou:

— Nem todas. Nem todas.

ANGÚSTIA

Então, aquela funcionária se converteu na idéia fixa de Vadeco. Aristides quis distraí-lo com outras sugestões: “Fulana também é muito boa. E topa”. Vadeco respondia: “Não interessa. Quero essa. Só essa. Ah, menino! Eu beijava aqueles peitinhos!”. Agarrou Aristides pela gola do casaco e o sacudiu:

— Ou tu me arranjas essa “zinha” ou estás sujo comigo!

Aristides voltou à carga. E encontrou a mesma resistência ou, por outra, uma resistência mais exasperada. A menina, que se chamava Arlete, gostava do noivo, era louca por ele. Aristides procurava tentá-la: “É um alto negócio pra si, sua trouxa!”. A menina acabou explodindo: “Não sou o que você pensa. Ora, veja!”. E Aristides, com medo de barulho, de escândalo, escapuliu. Nessa tarde, Vadeco foi de uma grosseria tremenda: “Você é uma zebra!”. Concluiu, dizendo: 

— Eu mesmo vou liquidar esse assunto!

Era, porém, outro homem. Sua alegre, sua esportiva irresponsabilidade fundia-se numa angústia de todos os minutos, de todas as horas. Dir-se-ia que só havia no mundo uma mulher e que esta mulher era Arlete. Esperou ainda dois dias. Findo este prazo, nomeou a menina sua secretária. Avisara Aristides: 

“Vou entrar de sola”. E, com efeito, não teve maiores cerimônias. Começou com uma pergunta aparentemente inofensiva:

“Você ganha aqui quanto?”. Um pouco surpresa, ou contrafeita, Arlete respondeu:

— Dois mil cruzeiros.

— É uma miséria! Uma vergonha!

E foi só, por esse dia. Mas, de noite, em casa, Vadeco não conseguiu dormir. Aristides, que o levara em casa, lembrou-lhe: “Não te disse? É batata”. Vadeco, do fundo de sua angústia, teve o desabafo feroz:

— O dinheiro compra tudo!

No dia seguinte, entrou no escritório com uma garrafa de uísque debaixo do braço. Pouco depois, o contínuo trazia o copo e, então, no seu desespero contido, começou a beber. O álcool o tornava cruel e cínico.

Fez, de repente, a pergunta:

— Você é séria?

Arlete, que procurava no arquivo de aço uma ficha qualquer, virou-se, espantada.

Não ouvira direito: “Como?”. Ele repetiu. E ela, sem desfitá-lo, respondeu: — “Sou”.

Ergueu-se, aproximou-se:

— Tem certeza?

— Absoluta.

Durante alguns instantes, olharam-se apenas. Ele voltou para a secretária, sentou-se na cadeira giratória. Arlete parara o serviço e não perdia nenhum de seus gestos. Foi então que Vadeco com a voz estrangulada disse:

— Queres ganhar cem mil cruzeiros?

A princípio, Arlete entendeu “cem cruzeiros”. Vadeco teve que repetir:

— Cem mil cruzeiros. Cem contos! Queres?

Encostara-se no arquivo de aço, como se lhe faltassem forças. E duvidava ainda:

“Cem contos?”. Mas já não estava mais segura de si mesma. Quis saber: “A troco de quê?”. Vadeco estava, de novo, a seu lado; implorava:

— Basta que passes, comigo, uma hora, no meu apartamento. Só uma hora. Cem contos por uma hora! 

E, ali mesmo, diante da menina atônita, encheu o cheque e o passou a Arlete. Num breve deslumbramento, a moça lia: “Pague-se ao portador ou à sua ordem...”.

Reagiu, desesperada, gritando:

— Mas eu sou noiva! Não percebe que eu sou noiva? Que vou casar no mês que vem?

Tiritando, como se uma maleita o devorasse, disse-lhe que a esperava, no dia seguinte, às dez horas, no apartamento. Escreveu o endereço num papel, que entregou à garota.

— Cem contos por uma hora. Só por uma hora e nunca mais. Voltarás com este cheque. Cem contos, ouviste? Cem contos! — E parecia possesso.

O CHEQUE

Quando Aristides soube tomou um choque: “Cem contos ? Você está maluco, completamente maluco!”. Fora de si, Vadeco repetia
a pergunta: “Será que ela vai?”. O outro fez a blague desesperada:

“Por cem contos, até eu!”. E o fato é que, na sua febre, Vadeco estaria disposto até a dobrar a quantia. Que ria vê-la nuazinha, em pêlo.

Mas no dia seguinte, pela manhã, Arlete, que não dormira, levantou-se transfigurada. Jamais uma mulher se vestiu com tanta minúcia e deleite. 

Escolheu sua calcinha mais linda e transparente. Ela própria, diante do espelho, sentiu-se bonita demais, bonita de uma maneira quase imoral. Aristides marcara uma hora matinal, de propósito, para evitar suspeitas. E foi assim, bem cedinho, que ela tocou a campainha do apartamento, em Copacabana.

Antes que Vadeco, maravilhado, a tocasse, Arlete fez a exigência mercenária:

— O cheque!

O rapaz apanhou o talão na carteira e entregou. Arlete leu ainda uma vez, verificou a importância, assinatura, data etc. E, súbito, numa raiva minuciosa, rasgou o cheque em mil pedacinhos. Vadeco ainda balbuciou:

“Que é isso? Não faça isso!”.

Ela o emudeceu, atirando os fragmentos no seu rosto, como
confete. Petrificado, ele a teria deixado ir, sem um gesto, sem uma palavra. Ela, porém, na sua raiva de mulher, esbofeteava-o, ainda. Depois, apanhou, entre as suas mãos, o rosto do rapaz, e. o beijou na boca, com fúria. 

EU MATEI NELSON RODRIGUES
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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

SEMANA NELSON RODRIGUES: NELSON RODRIGUES E EU




Hoje inicio a “Semana Nelson Rodrigues” em meu blog em virtude da minha peça “Eu matei Nelson Rodrigues” que estará em cartaz domingo no Rio de Janeiro.

Inicio respondendo uma pergunta “Por quê Nelson Rodrigues?”

Além do fato de ser o maior dramaturgo brasileiro Nelson foi surgindo em minha vida aos poucos, em doses homeopáticas foi entrando nela até que virei seu fã.

Entrando na adolescência vi pela primeira vez “Bonitinha, mas ordinária”, filme que será retratado essa semana no “Cineblog”. O filme me impressionou pela história, linguagem, cenas e a cena.

A cena da Lucélia Santos, de aparência frágil, mas grande atriz, no capô de um carro na chuva sendo estuprada por vários negros, sendo virada, revirada e gritando “Cadelão” entrou para o imaginário nacional e no meu. Imaginem um garoto entrando na adolescência vendo uma cena dessa? Fica louco.

Fiquei com o filme na cabeça e ansiei por anos revê-lo. Consegui ver mais um monte de vezes até que consegui comprá-lo em fita VHS.

Esse foi meu primeiro contato com Nelson.

No meu segundo contato eu já era adulto. Tinha vinte e dois anos, fazia faculdade de comunicação na SUAM e no curso, durante o segundo período, havia dois projetos interessantes para os alunos realizarem.

O “Projeto Glauber Rocha” que consistia em fazer um curta metragem de dez minutos com os alunos escolhendo o tema. Também tinha o “projeto Nelson Rodrigues” que era a adaptação de uma peça ou conto de Nelson que realizaríamos. Para nosso grupo coube o conto “Cheque de amor”.

E coube a mim fazer a adaptação. Acabou sendo a minha primeira experiência teatral como escritor. Nelson estava em evidência naquela época. Além do livro “O anjo pornográfico” de Ruy Castro a Globo lançara a série “A vida como ela é” com seus contos e sem dúvidas “Cheque de amor” é um de seus melhores.

A história do filhinho de papai que é obrigado a trabalhar e se apaixona por uma funcionária que é noiva é típica do imaginário rodrigueano. 

Dediquei-me com afinco ao texto e apresentamos no fim do primeiro semestre de 1998.

Acabei fazendo o personagem principal. A experiência foi muito bem sucedida mesmo eu (ou principalmente porque eu) caindo de uma cadeira quebrada de bunda no chão durante a montagem levando o público ao delírio.

Ganhamos prêmios de melhor peça da turma e eu melhor ator.

Aí eu já era fã do Nelson, escrevi uma série de contos baseados nas histórias dele que transformei em livro nessa década e alguns deles estão no meu blog e no Ouro de Tolo na sessão “O buraco da fechadura”. Dois anos atrás comecei a escrever peças de teatro e três foram no universo rodrigueano. “Folhetim”, “Cerimônia de casamento” e “Never Can say goodbye”. A três disponíveis no site “Recanto das letras”.

Até que ano passado, no meio do ano passado veio a ideia da “Eu matei Nelson Rodrigues”. 

Passava por um momento de baixa auto estima. Chegando aos 40 anos sem ter realizado nada que queria, me sentindo feio, gordo, fracassado e desanimado. Alguns poderiam ter metido uma bala na cabeça, eu que sou um cara debochado resolvi ironizar aquilo tudo.   


Em uma semana criei a história de um escritor fracassado, perto dos 40 anos, com tudo dando errado em sua vida que se envolve em uma situação inusitada com o Nelson e assim vê sua vida transformada. A Peça tem forte referência ao universo rodrigueano e lembranças de histórias suas como “Beijo no asfalto”, “Os sete gatinhos”, “A falecida”, “bonitinha, mas ordinária”, “Boca de Ouro” e outras histórias.

Uma peça que é na verdade uma grande homenagem e uma forma de agradecer a influência do Nelson em minha vida.

A peça foi vista no site pelo ator paulistano Humberto Lutti que pediu autorização para encenar. Foi encenada nove vezes em São Paulo com grande público, nas últimas vezes com cadeiras extras, e chega agora ao Rio de Janeiro.

Acho que minha história com Nelson Rodrigues ainda tem muito a dar e nem precisei matá-lo para isso. Só posso agradecer e esperar contar com sua força de algum lugar para que as coisas continuem dando certo e essa “parceria” continue.

E eu possa continuar olhando seu brilho pelo buraco da fechadura

EU MATEI NELSON RODRIGUES
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sábado, 16 de agosto de 2014

UM POUCO SOBRE PAIS E FILHOS


*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 10/8/2014


Mais um dia dos pais chegou, antes do mais nada quero desejar um excelente dia a todos, que curtam muito com seus pais e filhos. Feliz aquele que tem os dois presentes na vida.

Sempre foi uma época muito importante para mim, não por meu pai, mas por mim mesmo já que é o período de meu aniversário. Faço aniversário dia 9. Nesse ano um dia antes do dia dos pais.

Dia dos pais mais do que especial pra mim. Por todas as conquistas que tive nesses últimos 12 meses, conquistas que vieram depois de momentos dramáticos. Pelos dois filhos maravilhosos que tenho hoje. Um casalzinho que faz toda a diferença na minha vida e que amo cada vez mais.      

E pelo pequeno Gabriel, meu pequeno guerreiro que fez um ano ontem. Um ano de lutas, sobrevivência e vitórias.

Vejo as relações entre pais e filhos, todo o carinho e amor entre amigos, conhecidos ou mesmo pessoas que observo e acho bacana. Mais do que achar bacana finalmente consigo entender.  

Consigo entender porque costumo dizer que sou órfão de pai e mãe, a diferença é que só minha mãe morreu.

Meu pai é um cara vitorioso, assim como Gabriel. Sofria grave problema de alcoolismo que fatalmente um dia lhe levaria a cova. Um dia, do nada, decidiu  que iria parar de beber e parou.

Isso já faz 19 anos. Parou de beber por conta própria, sem procurar por AA nem nada parecido e nunca mais voltou. Sem dúvidas, uma grande vitória.

Meu pai é uma pessoa popular. Querida pelas pessoas da área, com uma série de amigos, ninguém tem um A pra dizer dele. Pessoa carismática, ex passista do Boi da Ilha, meu pai é um cara tão gente boa, tão boa praça que até mesmo eu procurava atenuantes para ele.

Não lembro do meu pai em uma festinha minha de colégio, acho que aqui em casa veio em uma. Não me lembro de ganhar presentes dele nem de receber um feliz aniversário ou feliz Natal. É, para as pessoas comuns parece estranho saber que um pai nunca desejou ao filho um feliz aniversário ou feliz Natal.

Mas foi assim com a gente e sempre respondi “É meu pai, gente boa, ta tranquilo. Não era preparado pra ser pai”.

Mas aí eu virei pai e percebi que a situação não era bem assim.

Se ele não era preparado pra ser pai eu menos ainda. Eu não tinha obrigação nenhuma, poderia estar na minha sem preocupações em criar ninguém, com meu dinheiro todo pra mim e procurei essa responsabilidade.

Me estresso no dia a dia para criar o dois. Conto moedinhas, deixo de fazer coisas que gosto, tudo para que eles sejam crianças felizes, se eduquem e não falte nada. Deixo de comprar uma coisa gostosa para comprar pra Bia, deixo de sair de noite para tomar conta de Gabriel e faço isso tudo com satisfação.

Sinto saudades deles, me emociono ouvindo gravação da Bia cantando em meu celular, passei madrugadas em hospitais com Gabriel e cada vez menos entendo meu pai.

Entendo menos ainda o fato dele ter dois netos maravilhosos e nunca ter vindo aqui em casa conhecer o dois. Falo nem do Gabriel que fez um ano, mas a Bia que fez cinco em maio.

Mas compreendo. Só moro nessa casa há trinta e oito anos, muito pouco tempo.

Aí eu amplio o horizonte e lembro que desde que minha mãe morreu o único familiar paterno que me procurou foi um tio para vender vassouras. Pior que teve uma época que pessoas me cobravam dizendo que tinha que procurar meus avós.

Mas não adianta. Não adiantam nomenclaturas quando não se cria o afeto.

Esse texto de hoje não era pra ser tão pessoal, mas acabou sendo apenas para dizer que assim como eu praticamente não tenho relação com meu pai e tenho uma intensa com meus filhos acredito que nós, eu e vocês leitores, temos que aproveitar muito essas relações pai e filho.

Ninguém sabe o dia de amanhã. Ninguém sabe o dia que perderemos nosso pai ou que não teremos mais saúde para brincar com nossos filhos. Comecei a fazer caminhada, dieta, me cuidar não por visual, claro que isso também faz bem, mas por eles. Para ter uma vida saudável ao lado deles onde eu não falte tão cedo e possa brincar com eles.

Uma simples brincadeira como jogar bola ou polícia e ladrão vale mais que um sermão. Nesses pequenos momentos como acompanhar juntos o futebol, jogar botão, conversar tratando o filho como igual, não um retardado e conquistando a sua confiança a ponto de ser seu porto seguro nas dores de coração que levamos para nossa eternidade.   

Nada adianta termos muitas conquistas pela vida, seja profissional ou financeira, se somos derrotados dentro de casa.

Somos extensões de nossos pais que passam por nós e vão até nossos filhos. Reflexos ligados por espelhos que se eternizam através de um olhar que mostra a alma. Não uma alma, mas a alma porque descobrimos que todos temos a mesma alma.  

Não tenho mágoa de meu pai. Meu coração tem tanto amor por meus filhos que não cabe esse sentimento nele. Tenho pena. Pena por não ter vivido comigo o que vivo com eles.

Pena que não quero sentir de vocês então encerro aqui a coluna e faço um pedido. Desliguem o computador e vão brincar com seus filhos que o dia hoje é de vocês.

Que todos os dias sejam nossos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SOBE O SOM: ONE HIT WONDERS BRASIL




Prosseguindo com os “One hit wonders” essa semana a “Sobe o som” fala dos brasileiros.

Então vamos lá.

Sobe o som “One hit wonders Brasil”!!


Marcio Greyck –Impossível acreditar que perdi você


Só no sapatinho – Só no sapatinho 


Virgulóides – Bagulho na bumba


P.O. Box – Papo de Jacaré


As meninas – Xibom bombom


Vinícus Cantuária – Só você


Cláudio Zoli – Noite do prazer


Tetê Espíndola – Escrito nas estrelas


Mauricio Manieri – Meu bem querer


Absyntho – Ursinho blau blau  


Baba Cósmica –Sábado de Sol


Vanessa Rangel - Palpite


Élson do Forrogode – Talismã  


Et &Rodolfo – Dança do ET


Yahoo – Mordida de amor


Placa Luminosa – Fica comigo 


Bem. Aí está um pouco dos ‘One hit wonders Brasil”. Semana que vem tem especial "Eu matei Nelson Rodrigues".


Enquanto isso vamos lembrar de quem chorando se foi.


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