sábado, 9 de julho de 2011

Capítulo XV - Mulheres coragem


Léo Carioca voltou pra Europa como se nada tivesse acontecido e a vida seguiu. Ninguém se deu conta do sumiço da moça. Acredito que nem a família já que normalmente meninas que se metem nesse tipo de vida não são tão aceitas e sua morte ficou por isso mesmo.
Mulher sofre, nossa sociedade é machista, autoritária e muitas vezes mulher tem que mostrar coragem que homem não tem para se impor. Mulheres são guerreiras e nesse capítulo vou mostrar um pouco isso.
Mas antes vou começar contando a história de uma quase mulher e um policial furioso.
Como vocês viram alguns capítulos atrás major Freitas tem suas predileções sexuais e é chegado numa luta de espadas. Não sei se dá pra dizer que o homem era boiola ou apenas curtia um fetiche, mas que ele se amarrava numa barba na nuca parecia que sim.
Major era do tipo que saía na encolha de madrugada caçando traveco. Evidente que não iria de viatura pegava seu carro mesmo e saía à caça.
Certa madrugada rodou bastante até que encontrou um perto da Central do Brasil. Encostou o carro e o travesti todo siliconado se debruçou na janela perguntando se o major queria diversão. Ele abriu a porta do carona e mandou o traveco entrar.
 Depois de algum tempo estavam na casa do major.
Freitas já foi dando amassos no travesti que pediu calma e perguntou se não tinha nenhuma bebidinha antes. Major serviu dois copos com uísque e sentou na sala com o travesti que perguntou se não tinha gelo. Ele respondeu que sim e foi buscar, voltou colocou no copo do traveco que propôs um brinde..brindaram e beberam.
Major Freitas depois lembra mais nada...
Acordou no dia seguinte quase de noite já com uma puta dor de cabeça, ressaca das brabas. Levantou com a mão nos olhos se protegendo da claridade e foi ao banheiro urinar. Entrou, deu nem dez segundos e saiu assustado. O apartamento estava vazio.
A TV de plasma, DVD, home theater, ar condicionado, dinheiro que guardava em casa, tudo havia sumido, até sua coleção de CDs do Cauby Peixoto!!!       
Major Freitas malandrão, policial dos brabos, anos de praia havia caído no famoso golpe “Boa noite cinderela”.
Provavelmente na hora que foi pegar o gelo o travesti colocou algo em sua bebida que lhe fez dormir e facilitou o serviço. O homem  ficou furioso gritando os piores palavrões possíveis e carregou a arma quando toquei sua campainha.
Ele atendeu a porta me apontando a arma e pedi para que tivesse calma que eu só tinha ido lá porque o Pittinha pediu pra avisar sobre uma reunião da Acadêmicos e o celular dele só dava caixa postal. Esqueci de falar o celular também havia sido roubado.
Entrei e notei que não havia mais nada no apartamento e perguntei se ele estava se mudando. Ele puto respondeu que não e que eu tinha que sair com ele.
Falei que tudo bem, mas estava preocupado e queria saber o que acontecia e o major respondeu que no caminho até seu carro contaria.
Mas seu carro também foi roubado
Entramos no meu e dentro do veículo eu já sabia quase toda a situação com a diferença que ele me falou que era mulher não travesti. Não resisti e falei “Policial todo esperto, o cara, cai num golpe velho desses”.
Pra quê que eu fui falar, o homem tirou a arma da cintura me pegou pelo colarinho e com ela apontada pra minha cabeça perguntou se eu tinha certeza que iria zoá-lo.
Evidente que falei mais nada em tom provocativo, só falei que talvez tivéssemos que parar na minha casa pra eu trocar de cueca depois daquela ameaça.
Perguntei qual era a intenção dele e ele falou pra rodarmos pelo centro da cidade. Rodamos durante horas tentamos achar alguma coisa até que ele viu e falou “é ela!!”.
Paramos e ele desceu. O travesti ainda tentou correr, mas ele deu um tiro em sua pena que fez cair. Puxou o traveco pelos cabelos até o carro e ele gritava. Entraram pelo banco de trás com Freitas enfiando a porrada e perguntando pelas coisas dele.
Virei pra trás e falei “mas não é mulher, é um..” nem completei a frase. Major virou pra mim e falou que se eu falasse algo entraria na porrada também. Fiquei quieto enquanto as bordoadas rolavam no banco de trás.
O travesti no começo negou que tivesse feito alguma coisa até que major colocou o cano do revolver em sua boca e ele assumiu tudo. Disse que tinha um cúmplice que chegou ao apartamento com um caminhão e levaram tudo para um galpão na Av.Brasil. Freitas então mandou que eu tocasse o carro pro local.
Chegamos ao galpão e Freitas obrigou que o travesti batesse na porta. Ele bateu e uma voz masculina perguntou quem era. O travesti respondeu “sou eu” e o homem abriu.
Assim que abriu tomou um tiro na testa caindo morto no chão. O traveco começou a gritar e tomou um no peito.
Caiu agonizando enquanto eu perguntei pro major o que faríamos agora. Ele respondeu que eu o ajudaria a carregar o caminhão, que estava lá, com suas coisas e levar de volta pra casa. 
Comecei a ajudar e quando Freitas e eu passamos pelo travesti caído no chão e ele ainda arrumou forças para gritar “eu que iria comer a bunda dele!! Foi esse o combinado!”.
Pra quê? Depois dessa o major descarregou as balas em cima do pobre rapaz afeminado. Virou pra mim e só fez um sinal com o dedo, eu entendi e falei “tranqüilo o assunto morreu aqui”.
E tinha que morrer senão eu iria pra terra do pé junto acompanhando o traveco.
Colocamos tudo no caminhão e descarregamos tudo no apartamento, no fim ainda cheguei nele e falei “bem que podia rolar uma gorjetinha”.
É..a gorjeta rolou sim. Ele deu um soco no meu estômago eu caí ajoelhado de dor, o major me deu boa noite e fechou a porta do apartamento.
Esse major tomando boa noite cinderela estava mais pra gata borralheira.
Evidente que depois a polícia achou o galpão abandonado e os corpos, mas o cara era um bandido da região e o outro era um travesti. Quem iria se importar com eles? O caso nem foi investigado e ninguém iria até delegacia exigir investigação, nenhum cônjuge já que os dois eram “marido e mulher” e só tinham um casal amigo.
Casal amigo na verdade amiga. Uma dupla de lésbicas vizinhas deles em que uma delas fazia ponto de prostituição perto do travesti. Chamavam-se Danielle e Roberta.
Danielle naquela altura com uns vinte e cinco anos de idade era prostituta desde os treze. Caiu no mundo para sustentar a família e depois acabou se acostumando em ser garota de programa.
Vivia a vida assim ganhando dinheiro para fuder com homens. Mas acabou se apaixonando mesmo por uma mulher. Roberta, sua vizinha que era cabeleleira.
Roberta nunca havia tido experiências homossexuais, mas quando Danielle se mudou para a casa ao lado dela acabaram se tornando amigas. Danielle frequentava o salão que Roberta trabalhava e fazia o cabelo com ela.
Com essa amizade, com essa aproximação toda que tiveram acabou que Roberta ficou curiosa e elas transaram. De uma brincadeira aqui, outra ali se apaixonaram. Roberta ainda resistiu um tempo a idéia de ter uma relação gay ainda mais com uma prostituta, mas não agüentou por muito tempo o amor já era muito forte.
Resolveram assumir a relação. Roberta brigou com a família e se mudou pra casa de Danielle.   
Passaram por uma vibe violenta. Entraram de cabeça no mundo das drogas. Maconha, cocaína, até entrar no crack e isso quase acabar com suas vidas. Emagreceram demais, olhar assustado jeito pálido. Parecia que não escapariam dessa.
Mas escaparam e logo digo por quê.
Na crackolândia conheceram Jaiminho. Moleque morador da Zona Sul criado da mesma forma que Lucinho.
Jaiminho estudou nos melhores colégios e sempre tirava notas altas. Ao contrário de Lucinho nunca teve tendências criminosas. Filho único, obediente, estudioso. Era o orgulho da família, queridinho pelos pais, tios e avós.
Cabelos loiros, sorriso largo. Sempre foi o cobiçado pelas meninas, mas também sempre foi tímido e não era namorador trazia consigo no peito o amor por uma menina desde os tempos de jardim de infância. Mulher pra ele só existia uma, Maria Luisa, a Malu.
Sempre estudaram juntos e eram vizinhos. Mas Jaiminho morria de medo de chegar perto dela. Malu já era mais comunicativa e sempre procurava o menino para ter com ele aulas particulares, sentar juntos em sala de aula e no recreio. Mas sempre tudo com muito respeito de Jaiminho.
Seus pais eram amigos e sempre viajavam juntos. Em uma dessas viagens feita pra Gramado no Rio Grande do Sul os dois já com quinze anos resolveram beber vinho juntos na sala da casa alugada. Beberam e aproveitavam a lareira que os aquecia.
Jaiminho com a bebida se soltou um pouco mais arrumou coragem e beijou Malu que retribuiu o beijo apaixonadamente. Fizeram amor ali mesmo naquela sala perdendo juntos a virgindade. Os dois eram muito apaixonados, nunca beijaram nem transaram com ninguém diferente.
Na manhã seguinte anunciaram aos familiares que estavam namorando e a notícia foi muito celebrada. Namoraram três anos, ficaram noivos e um ano depois se casaram em uma cerimônia lindíssima no Palácio Guanabara.
Jaiminho entrou pra faculdade de direito sonhando em ser um renomado advogado como o pai. Na mesma época começou a trabalhar com ele. Malu entrou pra faculdade de moda e sonhava em ser estilista.
E Jaiminho queimado de Sol adorava surfar tendo Malu na praia aplaudindo suas manobras. Depois compravam água de coco e bebiam entre beijos de amor nas pedras do Arpoador.
Eram um casal feliz, saudável tudo caminhando muito bem na vida do jovem casal.
Até Jaiminho fazer amigos novos na faculdade e um deles lhe oferecer maconha.
Por falar em maconha fazia alguns dias que não ia ao Trololó.
Fui ao morro fumei um baseado na porta da boca com alguns soldados de Pardal quando ele chegou.
Chegou me dando um abraço e reclamando que eu havia lhe abandonado e que um ninja não abandona o outro. Falei para ele que a vida estava atribulada e ainda tive que passar a madrugada anterior ajudando major Freitas num problema que ele teve. Pardal perguntou que problema foi e eu respondi que não podia falar senão minha cabeça seria exposta na delegacia que ele trabalhava.
Pardal riu e falou que pelo meu silêncio já sabia o que se tratava. Curió que estava ao lado gargalhou e falou que major Freitas era igual “aquele maluco” de Jedi em guerra nas estrelas.
Perguntei como assim Jedi em guerra nas estrelas. Curió então riu e contou que Jedi curtia aquela parada de espada, pegavam uma na mão acendiam, aparecia uma luz e eles brigavam. Pardal emendou em cima falando que o major gostava de morder fronha e tomar leite de canudinho para gargalhada geral.
Estávamos rindo quando Pardal mandou que o assunto morresse que a musa da favela iria passar. Nisso uma jovem negra bonita, com roupa de crente desceu a favela. Pardal encantado disse “bom dia dona Carla”. Ela simpática retrucou “bom dia senhor Pardal” e passou.
Depois de um pouco afastada Pardal falou “ainda como essa mulher, gostosa pra caralho”. Eu ainda tentei argumentar dizendo que a moça era crente nem dava pra saber se era gostosa ou não. Pardal falou que conhecia mulher gostosa de longe e eu devia ser um “borracha fraca” por não identificar uma.
O bandido estava com tesão na crente.
A crente como vocês já puderam notar acima chamava-se Carla e mal tinha seus vinte anos. Menina de família, estudiosa, trabalhadora que vivia da casa pro trabalho e faculdade.
Mais nova de cinco irmãos sempre foi a protegidinha de todos. Sua família vivia com dificuldades, mas não podiam se queixar. Seu pai tinha uma oficina mecânica e sua mãe dona de casa cuidava do lar e dos filhos, Um casamento de quase quarenta anos e muito feliz.
Todos os filhos seguiram por um bom caminho e tornaram-se homens trabalhadores. Carla era a única mulher. O mais velho tinha um box que vendia roupas no camelódromo da Uruguaiana, o segundo caixa de uma rede famosa de fast food e o terceiro segurança de uma loja de conveniência.
Carla trabalhava como acompanhante de idosos e acordava bem cedo antes do galo cantar todos os dias para o batente. Descia o morro ainda de noite e com a autoridade de ser uma pessoa de bem cumprimentava os soldados do tráfico que faziam a segurança da favela de madrugada.
Descia e ralava muito. Até o fim da tarde quando saía correndo do trabalho e encarava ônibus lotado para ir ao supletivo de 1° grau, sonhava em cursar faculdade um dia. Ser alguém.
E como toda a família Carla era evangélica. Todos reunidos iam aos cultos aos domingos. Faziam suas refeições sempre juntos e o pai lia a bíblia para a esposa e os filhos.
Na igreja Carla conheceu Mathias e começaram a namorar. Um namoro respeitoso sem nenhum tipo de sacanagem, depois veio o noivado e por fim o casamento.
Uma cerimônia simples que em nada lembrou a de Jaiminho e Malu. Mas Carla e Mathias eram igualmente felizes.
Jaiminho e Malu assim como Carla e Mathias tiveram estrutura familiar por isso tinham vidas felizes. Roberta e Danielle não tinham, mas essa estrutura podia vir a acontecer com a constituição de uma família.
E foi isso que ocorreu.
No auge da dependência de crack das duas Danielle sofreu um “acidente de trabalho” e se descobriu grávida. Roberta a princípio ficou furiosa e não queria aceitar aquela situação. Ameaçou se separar se Danielle não abortasse.
Mas ter um filho era o sonho de Danielle.
Resolveram então ter a criança. O começo foi muito conturbado com as duas brigando diariamente. Brigas com socos mesmo, facas, uma ameaçando matar a outra. Evidente que isso tudo também tinha a ver com a dependência química.
Mas a família de Roberta resolveu se reaproximar e foi o apoio que elas precisavam para tentar sair daquela situação. Começaram se livrando do crack e com muita dificuldade conseguiram, depois da cocaína, só não conseguiram se livrar da maconha. Mas pelo estado que era antes foi um grande avanço.
Danielle ainda trabalhou por mais um tempo. Primeiro se prostituía na Vila Mimosa, mas arrumou confusão lá devido seu gênio forte, tentou algumas termas no Centro da cidade e desistiu decidindo fazer ponto na rua mesmo.
Era mais arriscado, mas muito mais lucrativo.
Trabalhou até os oito meses de gravidez. Muitos homens têm fetiches em grávidas. Conseguiram juntar um dinheiro e uma tarde quando comiam estrogonofe feito por uma vizinha Danielle sentiu as contrações e foi para o hospital.
Ela não fez pré natal, cheirou e fumou crack durante a gestação. Teve brigas homéricas com Roberta durante a gravidez passando por crises nervosas, mas mesmo assim Ângela nasceu linda e saudável.
Era o começo de uma nova era praquele casal.
Elas conseguiram sair das drogas enquanto Jaiminho entrava. O menino bonito e tímido da zoina Sul começou pela maconha com os amigos e depois numa festa de colegas pela primeira vez cheirou. Gostou de maconha e cocaína e continuou nessa vida.
Malu sentia que o marido estava diferente. Agitado um resfriado que nunca se curava, mas a princípio não teve maldade com a situação.
Jaiminho começou a andar com uma turma mais barra pesada e largou os estudos sem ninguém saber. De noite enquanto era para estar na faculdade ele saía com essa turma para beber e se drogar. Uma noite experimentou o crack e o crack não saiu mais dele.        
Parceiro vou te falar. O crack é a droga mais filha da puta que existe porque ela vicia rapidamente e pra largá-la depois é uma merda do caralho. Poucos conseguem.
E Jaiminho começou a entrar nesse mundo. Viciou-se em crack e cada vez chegava mais tarde em casa às vezes nem chegava ficando dias fora. Malu não era boba sabia que algo ocorria com o marido, mas pensava que ele tinha outra. 
Quando ele aparecia o casal brigava. Eles que nunca foram de brigas tinham grandes discussões por Malu achar que Jaiminho tinha amante e o rapaz furioso saía de casa deixando a mulher falando sozinha.
Ela só percebeu que algo grave ocorria quando uma noite notou que a televisão do casal havia sumido. Malu prensou Jaiminho perguntando se ele sabia de algo e o marido nervoso desconversou. Mais tarde falou para a mulher que estava duro e se ela podia arrumar uma grana pra ele.
Malu perguntou pra que ele queria dinheiro e Jaiminho só falava que era “para uma parada aí que não podia contar”. Malu recusou a dar o dinheiro sem que ele explicasse para o que era. Jaiminho se enfurecer e deu um soco na esposa que caiu no chão enquanto ele mexeu em seu bolso pegou o dinheiro e se mandou.
Malu então percebeu o que ocorria e ligou para seu sogro.
O pai de Jaiminho e Malu percorreram a cidade toda atrás dele até que o homem descobriu onde tinha uma crackolândia. Pediu para que Malu ficasse no carro e desceu passando por homens e mulheres que pareciam mortos vivos pedindo dinheiro para comprar a droga, até que um puxou sua perna pedindo dez reais.
O homem reconheceu, era seu filho.
Jaiminho na onda da droga não reconheceu o pai que puxou seu braço e disse para acompanhá-lo até o carro que daria o dinheiro. Eles foram e o homem mandou que Jaiminho entrasse atrás porque o levaria em um lugar pra comprar.
Malu se assustou com o estado que o marido se encontrava. Jaiminho não lhe reconheceu e só perguntava pela droga. Seu pai mandou que se acalmasse que o levaria pra boca.
Mas não levou. Mesmo altas horas da noite levou Jaiminho para uma clínica de recuperação. Quando percebeu o que ocorria tentou fugir, mas já era tarde demais. Três homens lhe seguraram aplicando uma injeção para que se acalmasse e levaram Jaiminho pra dentro sob o choro de Malu.
Seis semanas depois Jaiminho saiu limpo da clínica.    
Enquanto com Roberta, Danielle, Jaiminho e Malu as coisas eram turbulentas e tentavam entrar nos eixos com Carla e Mathias tudo ia muito bem.
O casamento era feliz, repleto de amor. O sonho do casal era ter um filho e Carla engravidou.
Uma grande festa foi feita na igreja para celebrar a chegada daquele menino. Mathias trabalhou com afinco e conseguiu construir um berço para o bebê enquanto nas poucas folgas Carla frequentava lojas para comprar roupinhas pro bebê. Por não saber que sexo seria a criança comprava roupas unissex. Apesar de no fundo ter certeza que seria uma menina enquanto o marido tinha certeza de menino.
Com três meses de gravidez Carla sentiu fortes dores e notou que a calcinha estava encharcada. Foi levada ao hospital por Mathias e chegando lá foi constatado que não havia mais água no útero e o bebê não sobreviveria. Morreria ali mesmo no útero tendo que fazer uma curetagem depois ou nasceria e morreria no momento do parto.
Uma grande tristeza tomou conta do casal. De madrugada Carla foi ao banheiro e nele começou a gritar. Mathias que dormia como acompanhante foi correndo ao local e Carla desesperada gritava que seu bebezinho tinha caído na água da privada. Enfermeiros foram chamados o aborto acabou sendo espontâneo e o bebê era realmente uma menina.  
Amenizado o trauma o casal voltou à idéia de ter filhos, mas outro drama se abateu sobre eles. Mathias começou a sentir dores fortes no estômago. Foi a um hospital e diagnosticado com câncer. 
Começava aí uma via crucis onde toda a fé daquela família seria necessária. Mathias fez biopsia onde foi constatado que era um tumor maligno já com um tamanho razoável, mas que não havia se espalhado. Fez sessões de quimioterapia, radioterapia e depois o oncologista achou melhor que ele passasse por uma cirurgia.
Mathias fez a cirurgia e ficou alguns dias no hospital com Malu o tempo todo a seu lado orando. Mathias era o amor de sua vida e ela morreria por ele. Não admitia ficar sem o seu amor.                
E as preces pareciam ser atendidas. Mathias foi pra casa  e algum tempo após voltou ao hospital onde o médico disse que a operação foi um sucesso e não havia rastro de câncer mais.  
Mathias poderia assim viver uma vida normal, mas sempre indo ao médico para exames e assim controlar a doença.
Mas o que Mathias e Carla mais queriam naquele momento era retomar a idéia de ter um filho.
Enquanto as três famílias viviam seus dramas, amores e atos de coragem eu tinha os meus do dia a dia também.
Uma manhã eu dormia calmamente em casa sonhando que comia a Smurfete. Sim a Smurfete dos Smurfs qual problema? Ela era azulzinha, mas era gostosinha. Enfim sonhava que comia a Smurfete quando tocaram minha campainha, atendi e era Juliana.
Surpreso com aquela visita falei para que ela entrasse. Juliana entrou sentou-se e perguntei se ela queria beber algo com minha ex respondendo que não. Sentei ao seu lado e perguntei o que a levava à minha casa.
Juliana perguntou o que eu iria fazer no fim de semana e respondi que a princípio nada. Ela então perguntou se eu podia ficar com Rebeca.
Fiquei surpreso e perguntei por que pra onde ela iria. Juliana respondeu que tinha conhecido um rapaz na internet e começaram a sair, ela estava gostando dele e ele tinha lhe convidado pra passar fim de semana na sua casa em Búzios.
Engoli em seco, como assim Juliana namorando? Confesso que senti ciúmes, muitos ciúmes. Perguntei se não era perigoso e ela respondeu que não que o rapaz era ótima pessoa e perguntou novamente se eu poderia ficar com Rebeca.
Contrariado respondi que sim. Nunca fiquei sozinho com minha filha tanto tempo, mas que mistério poderia ter? Era só uma criança!! Juliana disse então que sexta à noite deixaria Rebeca lá, me deu um beijo no rosto e foi embora.
Puta que pariu, que raiva...
Roberta, Danielle, Jaiminho, Malu, Carla, Mathias, Juliana, Rebeca e eu..todos personagens que se entrelaçam com essa noite de sexta.
Aproximava-se a festa de dois anos de Ângela. Aquela menininha linda havia transformado a vida de Roberta e Danielle. As duas largaram em definitivo cocaína e crack, pararam de brigar e com apoio da família de Roberta tinham todo o apoio pra criar Ângela.
Mas naquele ano Danielle queria fazer um festão pra Ângela. No aniversário de um ano foi feita uma festa mais humilde para a menina esse ano não. Danielle queria salão de festas, encomendar bolo, salgados e docinhos para não ter que se matar na cozinha. Algodão doce, pula pula, palhaços, mágicos, tudo o de melhor uma festa inesquecível.
E ela e Roberta ralaram muito para ter a festa desse nível. Roberta além de fazer os cabelos no salão ainda arrumou várias clientes por fora e assim conseguir juntar o dinheiro. Danielle a mesma coisa. Ela que se dava dois dias de folga por semana agora ia todos os dias para a pista arrumar clientes.
 O orçamento da festa era caro e não fazer seria um fracasso que nem passava pela cabeça delas.
E naquela noite de sexta Danielle deu um beijo em Roberta, foi até a cama de Ângela que já dormia e deu um beijo em sua testa se encaminhando pra pista.
A festa seria em oito dias e ainda faltavam quinhentos reais pro orçamento fechar. Danielle tinha alguns princípios com ela, não fazia anal, não fazia oral sem camisinha e nunca em hipótese nenhuma saía com dois homens ao mesmo tempo. Era perigoso demais. 
Mas naquela noite estava disposta a abrir mão de seus princípios, precisava da grana pra festa da filha.
Enquanto faltava grana pras meninas dinheiro não era problema pra Jaiminho e Malu as famílias tinham de sobra. Como eu disse Jaiminho voltou e parecia curado. Voltou aos estudos, a trabalhar com o pai e retomar sua vida atrapalhada pelo crack.
Passou a freqüentar os narcóticos anônimos e dividir sua experiência. Jaiminho tornou-se um exemplo e com o tempo começou a dar palestrar em colégios contando sobre o malefício das drogas e como se recuperou.
Malu que ficou o tempo todo com o marido em seu período de crise, nunca lhe abandonando finalmente vivia tempo de paz. Ergueu a cabeça e dedicou-se a seu curso de moda e o sonho de ser estilista. Passou também a cultivar outro sonho, de ser mãe, achou que estava na hora.
Contou para o marido o que queria, parou de tomar pílula e eles começaram a tentar. Foram alguns meses tentando e nada de Malu engravidar até que preocupados decidiram fazer exame de fertilidade.   
Com Malu deu tudo ok, mas com Jaiminho não. No exame foi constatado que ele era estéril sendo um grande baque pra cabeça do rapaz. Malu ficou triste, mas companheira como ela era tentou consolar o marido contando que podiam adotar só que Jaiminho não se conformava.
O tempo passou e o conformismo não vinha, Jaiminho voltou a ficar agitado e a mulher preocupada. Não notou falta de nada em sua casa, mas notou que o “resfriado” e os sumiços ainda que pequenos voltaram. Malu perguntava se estava tudo bem e ele respondia que sim eram só preocupações com provas da faculdade.
Mas Malu já estava escolada, sabia que não era só isso.
Na noite de sexta ouviu Jaiminho falando ao celular que iria ao Trololó “pegar umas coisinhas porque estava precisando muito”. Quando Malu se aproximou ele desconversou e desligou o telefone dizendo que tinha que sair porque um amigo estava com problemas.
Deu um beijo na esposa e saiu...
Enquanto busca de dinheiro e possíveis recaídas ocorriam Carla e Mathias tentavam viver a vida depois do câncer. Aos poucos Mathias voltou a sua vida normal trabalhando, freqüentando a igreja e voltando o sonho de ser pai.
Apesar de estar curado o fantasma continuava e com o trauma que passou Mathias não conseguia mais “comparecer na cama”. Falhou uma, duas, três vezes e veio um medo que no homem é até pior que ter câncer. É ficar broxa.
Carla era compreensiva e falava para o marido que era só uma fase e que tudo se ajeitaria, mas qualquer homem nessa situação entraria em desespero e mesmo sendo evangélico Mathias tinha suas necessidades e como “sujeito homem” não podia ter “paumolecência”.
E pra piorar no exame rotineiro com o oncologista foi descoberto que o câncer voltou e agora não só estava no fígado como no esôfago e pulmão direito. A situação era muito complicada e uma fortíssima e cruel quimioterapia começou a ser feita.
Uma noite Mathias passou muito mal e Carla desesperada pediu ajuda a Pardal que rapidamente arrumou um taxi que levasse o homem ao hospital. Não Pardal não era gente boa a gente sabe muito bem o que ele queria e só quis assim dar uma de cara legal pra Carla.
Foram pro hospital e alguns dias depois, na sexta-feira, Mathias teve alta e pôde voltar pra casa.
Voltaram pra casa, mas o problema estava ali e sério demais. Mathias definhava a olhos vistos e agora Carla tinha nas mãos uma lista de remédios caríssimos que tinha que comprar para o marido. Ele dormia naquela noite de sexta, mas Carla virava de um lado para outro na cama.
Alguma coisa ela teria que fazer pra salvar a vida de seu marido. 
E naquela noite de sexta estava Danielle em seu ponto esperando algum cliente aparecer e apareceram Lucinho e mais dois amigos. Lucinho parou o carro na frente dela e perguntou quanto era o programa. Danielle respondeu que era sessenta reais. Lucinho então perguntou se por quinhentos reais ela fodia com os três.
Quinhentos reais era a quantia que ela precisava e mesmo tendo aquele princípio rígido ela topou entrando no carro e partindo pra casa de Lucinho.
Lá enquanto a suruba rolava e os três comiam Danielle cocaína foi despejada na mesa e os homens começaram a cheirar. Lucinho ofereceu pra Danielle que recusou. Lucinho puto deu um tapa nela e falou que não estava perguntando se ela queria era pra cheirar. Danielle levantou para ir embora e Lucinho a jogou violentamente no chão deu um chute em sua barriga e mandou que ela cheirasse.
Por medo depois de dois anos Danielle voltou a cheirar.
E a orgia rolava e o pó também. Danielle chorando só rezava para que aquilo acabasse logo e ela pudesse ir embora. Os três ficavam cada vez mais violentos e já não transavam mais só batendo em Danielle. Em um momento Lucinho levantou a moça do chão ela chorando pede pra que ele pare e Lucinho dá um soco em seu rosto.
Danielle com a força do soco caiu, bateu com a cabeça na quina da mesa e caiu no tapete manchando o mesmo de sangue.
Estava morta..
Enquanto ocorria o assassinato Pardal recebeu a visita de major
Freitas na boca e pediu para que Curió tomasse conta dos negócios e não lhe importunasse para nada que ele tinha assuntos para tratar com o major em sua casa. Curió concordou e os dois se mandaram. Alguns minutos depois os soldados apareceram com Jaiminho preso pelos braços.
Curió perguntou quem era aquele playboy. Um dos soldados contou que era um “pela saco” viciado que estava devendo na boca e teve a cara de pau de voltar lá pra conseguir mais droga.
 Curió chegou perto de Jaiminho e perguntou se ele era maluco e não tinha medo de morrer. Jaiminho parecendo em transe não se importou com o que Curió falou e pediu pelo amor de Deus uma pedra de crack.
Curió então deu um soco em Jaiminho e mandou que levassem o rapaz pro alto do morro e lhe dessem uma surra que logo depois ele iria lá para executar o serviço.
Os soldados levaram Jaiminho e Curió ficou sozinho na boca fazendo anotações quando alguns minutos depois chegou Malu. Ela havia seguido o marido até o local.
Curió perguntou o que a “madame” queria e  que ali não era lugar de patricinha. Malu contou então que seu marido tinha ido pra lá e ela foi atrás e lhe perdeu de vista, mas sabia que ele havia ido pra comprar drogas. Descreveu Jaiminho e perguntou por ele.  
Curió mandou que ela se sentasse no sofá velho e poeirento que tinha na boca e sentou ao seu lado. Lá explicou que o marido dela era um filho da puta que devia ao tráfico e naquele momento apanhava no alto do morro e só esperavam que ele fosse até lá pra matá-lo.
Malu começou a chorar e implorou piedade que não matassem seu marido e deixassem que ela o levasse embora. Que ela garantia o pagamento da dívida.
Curió respondeu que não tinha mais jeito não era mais a questão da dívida era da honra deles que não podiam deixá-lo vivo. Malu em extremo desespero implorou e falou que faria qualquer coisa pelo marido vivo.
Curió gostou da idéia e passou a mão no rosto de Malu limpando suas lágrimas. Depois desceu com as mãos até os botões da blusa da moça que segurou as mesmas e implorou tudo menos isso. Curió irritado perguntou se ela queria Jaiminho vivo ou não.
Malu então tirou as mãos de cima das mãos do bandido e deixou que ele abrisse os botões. Curió abriu a blusa de Malu beijou sua boca, ouvido, pescoço colocando a mão por dentro do sutiã da moça dizendo que “nunca tinha comido material de tanta qualidade”.
A noite de sexta no Trololó estava agitada. Pardal e major conversavam na casa sobre um carregamento de armas que chegaria à cidade alguns dias depois quando a campainha de Pardal tocou e ele puto porque havia dito que não queria ser importunado atendeu.
Era Carla.
O bandido mandou que ela entrasse e ela foi à sala onde também estava major Freitas. Lá Pardal pediu para que ela contasse o que ocorria e Carla contou toda a situação e implorou ajuda dele para comprar os remédios e manter o marido vivo.
Pardal olhou a lista e tomou um susto vendo a quantidade de remédios e preço. Mostrou pra major Freitas que concordou que era caro demais. Carla implorou e com lágrimas nos olhos disse que o bandido era a última esperança de Mathias não morrer.
Pardal concordou em pagar, Carla sorriu e quando beijou sua mão agradecendo o bandido disse que tudo tinha seu preço e ela teria que pagar. Fazer o que ele quisesse.
Carla se assustou e perguntou o que Pardal queria. Ele então mandou que a crente tirasse a roupa e ficasse nua. Carla falou que não podia fazer isso era uma mulher casada, direita e além de tudo evangélica. Pardal em tom de deboche respondeu que era uma pena que pela resposta dela ele então não iria ajudar e Mathias iria morrer.
Virou para o major e falou que Mathias era um homem muito bacana e ele teria gostado de conhecer.
Carla então gritou que tudo bem e chorando tirou a roupa aos poucos ficando nua.
Com a moça completamente pelada Pardal chegou próximo dela acariciou seu cabelo e seu corpo mandando depois que Freitas se aproximasse e fizesse o mesmo.
Os homens acariciavam o corpo de Carla que fechou os olhos de vergonha. Pardal então perguntou se Freitas estava afim de fazer uma festinha com a moça e ele respondeu que sim. Irônico Pardal perguntou “mesmo ela não tendo pau?” Freitas puto perguntou se Pardal queria morrer e o bandido rindo respondeu que não, queria era fuder.
E assim a noite de sexta chegava ao seu clímax. Lucinho e seus comparsas largaram o corpo de Danielle em uma lata de lixos e se mandaram. Curió comeu Malu de todas as formas possível e Pardal e major Freitas se aproveitaram da doença de Mathias para realizar um ménage com a crente e saciar todas as suas taras.
Enquanto a campainha da minha casa tocava. Era Juliana entregando Rebeca dando um beijo na filha mandando que ela se comportasse e me obedecesse. Depois me deu tchau e foi embora.
E eu da janela via minha ex entrar no carro de outro homem e partir.
As conseqüências daquela noite de sexta...
As mulheres mostraram a força que tinham. Não houve festa para Ângela. Em vez disso foi com Roberta no velório da mãe. Só Roberta e Ângela na capela. Roberta ergueu a menina pelos braços que com toda sua inocência deu um beijo na testa da mãe em seu caixão pensando que ela estava dormindo e colocou uma rosa em suas mãos.
Depois de ter que fazer sexo com Curió Malu com toda a dignidade de uma mulher que amava seu marido foi com o bandido até o alto do morro. Lá os bandidos surravam cruelmente Jaiminho. Curió mandou que parassem e disse que o viciado estava livre. Sob protestos dos bandidos e ordens de Curió que eles ficassem quietos e não discutissem sua decisão Malu pegou seu marido pela cintura e o carregou pra fora da favela.
Carla entrou em casa depois de saciar Pardal e major Freitas tomou um banho pra tirar toda a impureza que havia em seu corpo e sentou ao lado da cama zelando o sono do marido. Pegou o dinheiro que recebeu, olhou e colocou debaixo de um porta retratos que tinha uma foto do casamento deles.      
E eu sentado em uma cadeira contava uma história para minha filha que estava deitada na cama pudesse dormir.
Contava a história de mulheres guerreiras, assim como ela seria um dia.
Dizem que a mulher é o sexo frágil..mas que mentira absurda...








sábado, 2 de julho de 2011

Capítulo XIV - Camisa 10


Isto posto estão aí as seis histórias.
Cada um com seu jeito, sua criação e sua história. Histórias diferentes que em algum momento se entrelaçaram.
E eu convivia com os cinco. Me da dava bem com eles ganhava muito dinheiro, mas tinha o ônus também que era resolver quando se metiam em confusão.  
Cheguei da noitada já quase amanhecendo o dia. Tomei um banho frio comi uma maçã e deitei pra dormir o sono dos justos, tá nem tão justos na minha parte. Mas enfim fui fazer naninha.
Estava eu dormindo na minha super confortável cama king size sonhando que estava fudendo com a Vovó Mafalda..tá eu também tenho pesadelos..quando o telefone tocou e graças a Deus me acordou.
Ainda muito sonado atendi ao telefone e perguntei quem era. Era um chapa meu o Wanderley que trabalhava em um motel na avenida Brasil.
Perguntei o que ele queria às sete horas da madrugada e que eu não tinha deixado nenhuma conta no motel. Ele respondeu que era nada disso meu sogro estava lá e com problemas.
Falei que isso era impossível, meu sogro era um homem honesto, honrado e religioso. Aí despertei notei as bobagens que estava falando e disse que estava indo pra lá.
Com óculos escuros na cara para esconder o sono cheguei ao motel e fui à recepção onde meu amigo trabalhava e perguntei o que ocorria. Ele me disse que o Senador chegou ao motel no início da madrugada com duas mulheres fez uma grande festa e elas haviam se mandado mais ou menos uma hora antes quando ele me ligou.
Perguntei pelo Senador e Wanderley disse que ele estava no quarto ainda e era bom eu me apressar e resolver enquanto ninguém tinha visto ainda e que seria a ruína dele se vazasse alguma informação. 
Agradeci e deixei cem reais no bolso do meu amigo antes que ele fosse o primeiro a vazar e subi para buscar o Senador.
Wanderley abriu a porta e entrei no quarto encontrando o Senador deitado na cama pelado e no oitavo sono. Bati em seu rosto para acordá-lo, ele me olhou disse algo que não entendi e dormiu de novo. Falei com Wanderley que ele teria que me ajudar. Pegamos Getulio pelos ombros e o levamos para uma chuveirada gelada.
Com o jato gelado o homem reclamou a beça e em um grande estado de bebedeira disse que iria nos processar porque era um homem de Deus. Falei que naquela hora ele parecia tudo menos enviado do Senhor e que depois poderia nos processar, mas tinha que sair daquele motel antes que a opinião pública descobrisse. 
Com muito custo o Senador tomou o banho e conseguimos colocar uma roupa nele. Depois o carregamos por uma saída pelos fundos e consegui colocá-lo no meu carro e partirmos.
Sem antes ser obrigado a deixar mais cem reais pro Wanderley devido a todo esforço pra levar o Senador.
Com o Senador no banco de trás dei a partida e arranquei com o carro. Ele de tão bêbado caiu no banco e falei que ele me devia duzentos reais.
Consegui entrar na sua casa sem que Juliana percebesse e com ajuda de empregados levei para o quarto. Deitei o Senador na cama tirei seus sapatos e já mais em si ele perguntou o que havia ocorrido. Respondi que nada demais ele resolveu fazer uma festinha com umas piranhas, tomou um porre num motel e quase jogou sua carreira política fora.
O homem com a mão na cabeça devido a ressaca disse que nem precisava me pedir que aquela história morresse entre nós. Respondi que ele não precisava se preocupar que eu seria discreto. Levantei e saí do quarto.
Ao fechar a porta de seu quarto dei de cara com Juliana que perguntou o que eu fazia ali. Respondi que nada o Senador havia me chamado porque precisava tratar de algumas coisas da empresa. Juliana desconfiada perguntou que coisas eram tão importantes em um sábado tão cedo e pra tratar em seu quarto.
Respondi dando um beijo na sua testa e que ela não se preocupasse que o pai dela era muito workaholic por isso me chamara e havia sido no quarto porque ele estava com dor de cabeça.
Perguntei por nossa filha e Juliana respondeu que estava brincando no quarto. Fui até lá e Rebeca desenhava sentada no chão sentei ao seu lado e perguntei o que ela desenhava. Ela me mostrou que era uma família ela eu e sua mãe. Eu disse que o desenho era lindo e fiquei lá com ela, os dois desenhando, até que Juliana se sentou ao nosso lado para brincar também. Parecíamos uma família de verdade..
Cheguei em casa e desabei de sono na cama. O sono nem durou muito nem deu tempo de sonhar com mulher nenhuma e o telefone tocou de novo, era Lucinho.
Perguntei o que estava pegando e ele respondeu que era coisa boa. De noite iria rolar uma festa na mansão do Léo Carioca e perguntou se eu estava afim de ir.
Eu estava cheio de sono, mas mesmo assim ainda entendia de futebol. Como assim festa do Léo Carioca? Léo Carioca era o camisa 10 da seleção brasileira e era pra estar na concentração porque no dia seguinte teria um jogo de vida e morte com o Uruguai pelas eliminatória da Copa do Mundo e o Brasil depois que perdeu pra Bolívia como relatei alguns capítulos atrás sequer podia empatar.
Lucinho falou que era tranqüilo que o Léo tinha um esquema bom pra fugir do hotel da seleção e seria coisa discreta que ninguém saberia. Antes mesmo de amanhecer o dia ele já estaria de volta ao hotel e pegaria nada pra ninguém.
Fiquei ressabiado com medo de me meter em confusão, mas eu já havia me metido em tantas..e Lucinho me convenceu quando disse que a festa seria regada a bebidas, pó e mulheres.
E não podia negar, Léo Carioca era um dos meus ídolos no futebol.
Como a maioria dos jogadores de futebol nasceu menino pobre.
Nascido e criado no morro do Trololó..é..Trololó mesmo, Léo conseguiu tudo aquilo que Pardal sonhou. Descoberto por um olheiro em uma pelada foi levado para o São Cristovão onde brilhou nas divisões de base. Ainda amador se transferiu pro Vasco da Gama.
Fez sucesso no Vasco. Além de cérebro do time virou goleador. Deu vários títulos pro time da Colina e chegou a seleção brasileira conquistando uma copa América. Era carrasco do arquirival Flamengo e a primeira grande confusão de sua carreira ocorreu envolvendo esses dois clubes.
Perto de terminar seu contrato com o Vasco recusou-se a renovar e assinou um pré contrato com o Flamengo transferindo-se para o clube da Gávea. Foi considerado traidor pela torcida vascaína e no primeiro jogo entre eles com Léo vestindo a camisa rubro-negra uma grande faixa com réplica da Santa Ceia foi estendida na arquibancada do Maracanã e embaixo os dizeres “Léo Judas Carioca”.
Mas o garoto era marrento, fez o gol da vitória e fez sinal ofensivo pra torcida do Vasco com o dedo médio, foi expulso de campo e caiu de vez nas graças da nação rubro-negra.
Pelo clube foi campeão brasileiro e logo depois convocado pra copa do Mundo, mas não chegou a disputar a mesma sendo cortado por ter brigado com um colega no treino da seleção e cuspido em sua cara. O que ele tinha de talentoso tinha de indisciplinado.
Léo voltou ao país cortado e semanas depois o Brasil foi eliminado da copa com o treinador sendo demitido e levando a culpa do fracasso porque cortou o melhor jogador.
Depois disso Léo foi negociado com Manchester United e lá se tornou campeão inglês, da Europa e do mundo o que acabou fazendo que fosse eleito o melhor jogador do mundo no fim do ano. Alguns meses depois forçou a barra para ser negociado recusando-se a jogar pelo clube e na maior transação da história do futebol negociado com o Barcelona.
Ganhava o ódio de mais uma torcida a do Manchester, mas foi campeão espanhol, da Europa e do mundo pelo Barcelona sendo novamente eleito o melhor do mundo.
Assim Léo Carioca tirou sua família pai, mãe e cinco irmãos da miséria. Comprou casas e carros para todos e para ele uma mega mansão na Barra. Mas não negava suas origens, todas as férias sem enfurnava no morro do Trololó. Era muito amigo de Pardal e ficava apenas de short e sem camisa soltando pipa e bebendo cervejinha em botecos.   
Essa amizade com Pardal lhe dava algumas dores de cabeça com a polícia..mas nada muito sério. Léo era um ídolo mundial, o jogador de futebol mais bem pago do mundo.
Que ficou fora da seleção toda as Eliminatórias por indisciplina. O treinador o puniu por ele ter recusado convocação para um amistoso na Guatemala. Mas com a corda no pescoço e o bicho pegando com a seleção ameaçada de não ir à copa lhe chamou.
A esperança de toda uma nação estava nos pés dele e ele iria fugir da concentração pra fazer noitada com bebidas, mulheres e pó em casa.
Resumindo..o Brasil estava fudido.
Bem, tinha que dormir né eu estava pernoitado e finalmente consegui.
Acordei e coloquei uma beca bacana para ir até a festa. Lucinho iria me buscar. Tocou a campainha e quando atendi ele estava com Cobreloa. Dei um abraço no gringo e falei que estava com saudades. Partimos pra festa.
Assim que entramos na mansão demos de cara com Pittinha já agarrado a duas mulatas. A coisa tava boa, festa cheia de celebridades, mulheres bonitas. Um bacanal do caralho com muita bebida e pó rolando a vontade.
Em um determinado momento chegou o dono da festa montado de roupão em um cavalo sendo aplaudido por todos. Léo mandou que todos se divertissem e que aquela festa era em homenagem aos uruguaios que iriam tomar no cu no dia seguinte.
Todos aplaudiram novamente e começaram a gritar Brasil e “ôôô! Léo Carioca é sinistro!!!”. Ele desceu do cavalo e cumprimentou a todos agradecendo Pittinha pela organização da festa. Chegou a mim e apertou minha mão entusiasmado dizendo que era meu fã e que eu fazia reportagens fodas.
Como pode né? O mais ídolo do mundo era meu fã..eu era pica das galáxias mesmo!!  
A festa rolava e a suruba rolava mais solta ainda. Com a madrugada entrando os convidados começavam a ir embora e no fim só ficaram Pittinha, Cobreloa, Lucinho, Léo, eu e uma puta que o Léo comia.
Fomos todos para o quarto dele cheirar, menos ele que corria riscos de cair no anti doping no dia seguinte então se preservou. O quarto era maior que a quitinete que eu morei, três ambientes com pista de dança, sala e hidromassagem.
Em um momento Léo chegou perto da gente com uma pistola na mão. Lucinho mandou que virasse para outro lado que aquilo era perigoso. Léo riu e disse que era perigoso nada porque estava sem balas e tinha sido um presente de seu “brother” Pardal.
O celular tocou e ainda com a pistola na mão Léo atendeu. Era seu procurador. Começaram uma discussão no telefone já que o procurador estava puto por Léo ter fugido da concentração. Léo esbravejava com o telefone em uma mão e a pistola na outra dizendo que era maior de idade e sabia o que fazia, iria arrebentar os uruguaios e levar o Brasil pra copa.  
Léo gesticulava muito com a mão que segurava a pistola. Balançava muito cada vez mais irritado com o procurador. Em um momento gritou “vai se fuder porra!!” fez um movimento mais brusco com a mão que segurava a pistola e ele disparou.
Nós que não prestávamos muita atenção no papo preferindo beber e cheirar tomamos um susto com o barulho do tiro e depois com o barulho de como se algo tivesse caído na água. Léo notou que havia feito cagada e disse ao procurador que depois ligava pra ele desligando o celular.
Ele olhou espantado para gente e eu falei que algo tinha caído na hidro, quando vimos era a puta que estava com o Léo. O tiro tinha acertado em cheio sua cabeça e ela caiu morta na água.
Aquilo já não era mais uma cagada era uma diarréia.
Entramos todos em pânico sem saber o que fazer, a mulher estava lá morta na hidro a água totalmente vermelha já de sangue e a cabeça dela se espatifado tendo pedaços de cérebro por toda a banheira. Podíamos todos ser presos e ficando trancafiados por um bom tempo, a carreira do Léo Carioca podia se encerrar naquele momento e o pior, o Brasil por nossa causa poderia ficar fora da Copa do Mundo!!
Nesse momento Pittinha gritou e pediu para que tivéssemos calma que ele iria arrumar uma solução. Pegou o celular e ligou para um homem chamado Klaus contando que estava com problemas e só ele poderia ajudar. Klaus respondeu que chegaria em dez minutos.
Chegou em nove.
Cobreloa abriu a porta e ele entrou. Abraçou Léo Carioca contando que era um grande fã dele e tinha certeza que ele arrebentaria os uruguaios. Lucinho se meteu e disse que antes do Léo arrebentar os adversários ele tinha que dar um jeito para que eles não fossem pra cadeia. Klaus virou para Pittinha e disse que Lucinho era marrento, Pittinha concordou, mas falou que era uma boa pessoa. Olhou pra Lucinho falou “tá, nem tão boa pessoa..”.
Klaus deu uma olhada na situação e contou que realmente era crítica, mas que poderia dar um jeito.
Mandou que Cobreloa e Lucinho esvaziassem a hidro, que eu arrumasse sacos plásticos, pá e vassoura e que Pittinha tomasse uma dose de uísque com ele. Léo perguntou o que era pra ele fazer e o homem respondeu perguntando se ele tinha como arrumar uma camisa da seleção autografada para seu neto. Léo respondeu que com prazer e foi buscar.      
Lucinho ficou olhando pra cara de Klaus que perguntou qual era o problema. Lucinho respondeu que não gostava de receber ordens. Klaus chegou perto dele deu um tapinha em seu rosto e disse que ele tinha poder de escolha receber ordens suas ou na cadeia. Lucinho entendeu o recado e foi com Cobreloa esvaziar a hidro.
A hidro foi esvaziada e só restou o corpo da mulher com o cérebro espalhado por ele. Klaus ordenou que Cobreloa, eu e Lucinho juntássemos os pedaços de cérebro e colocássemos no saco. Protestamos em vão e fomos obrigados a juntar.
Vou te dizer parceiro..é nojento pra caralho a única vez que senti tanto nojo na vida foi quando bêbado comi uma mulher que tinha mais pelos que o Tony Ramos.
Léo voltou com a camisa. Klaus agradeceu e mandou que ele voltasse pra concentração. Léo perguntou se ele tinha certeza que era o melhor a se fazer já que tinha tantos problemas na casa e Klaus respondeu que sim. Que ele fosse pra lá dormisse e metesse os gols da classificação.
Léo sorriu deu abraço em Klaus e Pittinha desejou boa sorte pra gente e se mandou.
Enquanto nós continuávamos naquele trabalho nojento.
Depois de um tempo conseguimos recolher tudo e limpar a hidro tirando todo o sangue restando apenas o corpo da mulher.
Perguntei a Klaus então o que fazer com aquele corpo. Nisso o velho abriu sua maleta e dentro dele tem vários facões.
Cobreloa incrédulo olhou pra ele e falou “não, você não vai nos mandar fazer o que estou pensando”. Klaus respondeu que sim, Lucinho puto respondeu que o barato de bebida e pó dele já tinha passado e aquilo era demais pra sua cabeça. Pittinha pegou um dos facões e nos deu os outros mandando Lucinho parar de frescura que até mendigo ele já tinha incendiado.
Eu ingenuamente não entendia nada. Só depois entendi que era pra esquartejar a mulher.
Só de lembrar dá vontade de vomitar.
E segurando o vômito fizemos o serviço. Klaus nos observava e falava que antes de pensarmos em golfar era pra lembrarmos o que ocorreria se aquele corpo fosse descoberto. Iríamos ficar lindos de mulherzinha na cadeia. Cobreloa ainda conseguia brincar dizendo que numa hora dessas que era bom ter o Pardal por perto já que ele adorava esquartejar inimigos e viciados. Eu cheio de nojo cortava e rezava que o Léo fosse tão bom de mira no dia seguinte quanto foi com aquela pobre puta.
Cortamos todo o corpo da mulher e colocamos em um grande saco plástico preto junto com os pedaços de cérebro. Lucinho olhou pra Klaus e perguntou o que fazer então já que estava tudo limpo, a mulher cortada, mas o problema estava ali ainda.
Klaus pegou a garrafa de uísque, encheu o copo e se sentou bebendo calmamente. Depois da primeira golada com voz bem tranqüila perguntou se sabíamos se Léo tinha cachorros na residência.
Respondi que provavelmente sim já que esses jogadores de futebol adoram cachorros de raça. Pittinha confirmou minha informação e disse que Léo tinha três pit bulls em um canil atrás da casa.
Klaus deu mais um gole no uísque e mandou que pegássemos o saco com o corpo e fossemos até o canil.
Chegando lá demos de cara com três cães enormes, raivosos que não paravam de latir e mostrar seus dentes lindos e afiados. Klaus mandou que abríssemos a sacola e despejássemos seu conteúdo dentro do canil. Olhamos espantados pra ele que falou “preferem o quê? Vocês comerem?”.
Pegamos a sacola, arrumamos uma cadeira Cobreloa subiu em cima para ficar mais alto que a grade e despejou todo o conteúdo do saco com os cães brigando pelos pedaços.
Vendo aquela cena e tudo que eu tinha feito notei que estava em um caminho sem volta. Havia participado de tudo aquilo, de vários crimes na mesma noite e era um dos responsáveis daquela mulher nem ter um enterro digno.
Os cachorros estavam com fome porque rapidamente tudo foi devorado, não sobrou nada da puta.
Voltamos pra sala em silêncio, entramos nela e Pittinha perguntou qual era a próxima medida. Klaus abriu um fundo falso do malote e despejou cocaína na mesa falando que era um prêmio por nosso trabalho eficiente. Ficamos ali olhando aquele pó quando Cobreloa levantou e falou que não iria cheirar porque estava cansado e precisava ir pra casa. Bateu no ombro de Lucinho e falou que nunca mais iria a festas com ele indo embora.    
Ficamos mais um pouco em silêncio lá e Klaus com seu copo na mão perguntou “como é? Ninguém vai cheirar? Essa é purinha”. Na mesma hora sentei em frente ao pó fiz um canudo e comecei a cheirar, eu naquele momento precisava muito.
Fomos embora e deitei na cama nem conseguindo sonhar com mulheres, só cachorros. Acordei e fui pro bar de perto da redação do Correio Carioca ver o jogo já imaginando que o Brasil estava fudido. Depois da noite que teve Léo Carioca jogaria nada.
É, mas me enganei. O Brasil venceu por 5x0, cinco gols dele que saiu do gramado do Maracanã carregado pelo povo em êxtase. O Brasil se classificara pra Copa do Mundo e Léo Carioca, o assassino de putas, virava herói nacional.
Enquanto a galera no bar gritava o já tradicional “ôôô Léo Carioca é sinistro!!” eu não compartilhando da mesma empolgação fui pra casa.
Deitei e liguei numa mesa redonda de futebol que debatia a grande atuação do artilheiro e discutindo quem era o tal de Klaus que o craque da camisa 10 dedicou seus gols e atuação.
Nem um pouco afim de ver futebol naquela noite peguei o controle remoto e zapeei entre as emissoras colocando no canal pornô. Nele rolava um filme bom com uma mulher de quatro com um cara mandando ver atrás. Até me empolguei um pouco com o filme, mas notei que conhecia aquela atriz.
Quando consegui lembrar quem era dei um pulo e fiquei sentado na cama com olhos arregalados..Era ela!! A putinha da festa do Léo Carioca que esquartejamos e demos seus restos pros cachorros!!
Nele a moça parecia bastante animada e por ironia do destino enquanto o cara mandava ver ela gemia e gritava “Me come cachorro!!!”.
É..comeu.