quinta-feira, 17 de agosto de 2017

SOBE O SOM: LUIZ MELODIA E EMÍLIO SANTIAGO


Luiz Carlos dos Santos (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1951 – Rio de Janeiro, 4 de agosto de 2017), mais conhecido como Luiz Melodia, foi um ator, cantor e compositor brasileiro de MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio.

Foi casado com a cantora, compositora e produtora Jane Reis de 1977 até sua morte, e era pai do rapper Mahal Reis (1980). Lança seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra. No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, consegue chegar à final com sua canção "Ébano". Nas décadas seguintes Melodia lançou diversos álbuns e realizou shows no Brasil e na Europa. Em 1987, apresentou-se em Chateauvallon, na França, e em Berna, Suíça. Em 1992, participou do "III Festival de Música de Folcalquier", na França, e, em 2004, do Festival de Jazz de Montreux, à beira do Lago Leman, onde se apresentou no Auditorium Stravinski, palco principal do festival.

Participou do quarto disco solo do titã Sérgio Britto, lançado em setembro de 2011 (Purabossanova). Em 2015, ganhou o 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Cantor de MPB.

Emílio Vitalino Santiago (Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1946 — Rio de Janeiro, 20 de março de 2013) foi um cantor brasileiro. Em um congresso de otorrinos e cirurgiões de cabeça e pescoço, fonoaudiólogos comentaram que as análises técnicas da voz de Emílio Santiago mostravam que o cantor tinha a voz mais perfeita do Brasil.

Frequentou a Faculdade Nacional de Direito, na década de 1970, inicialmente para se tornar um advogado. Ao decorrer do curso, Emílio desejou ser diplomata, pois o incomodava o fato de não existirem negros nos quadros do Itamaraty. Emílio já cantava nos bares da faculdade, em roda de amigos, apenas por diversão. No início, não queria se tornar um cantor profissional e tampouco pensava nisso. Quando as inscrições do festival de música da Faculdade foram abertas, os amigos de Emílio o inscreveram sem que ele soubesse. Emílio participou e venceu o concurso, chamando a atenção dos jurados, entre eles, Beth Carvalho. A partir daí, sua presença em festivais estudantis era frequente, ganhando todos os concursos dos quais participava.

A música já falava mais alto na vida de Emílio, porém, concluiu o curso de Direito por insistência de seus pais. Nesta mesma década, participou de um conceituado programa de auditório, chegando as finais no programa de Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi.

Então vamos lá!!


Sobe o som Luiz Melodia & Emílio Santiago!!


Magrelinha (Luiz Melodia)


Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia)


Juventude transviada (Luiz Melodia)


Diz que fui por aí (Luiz Melodia)


Fadas (Luiz Melodia)


Dores de amores (Luiz Melodia)


Codinome beija-flor (Luiz Melodia)


Poeta do morro (Luiz Melodia)


Negro gato (Luiz Melodia)


Tudo que se quer - Com Verônica Sabino (Emílio Santiago)


Saigon (Emílio Santiago)


Verdade chinesa (Emílio Santiago)


Cadê juízo (Emílio Santiago)


Olhos negros - Com Nana Caymmi (Emílio Santiago)


Perfume siamês (Emílio Santiago)


Lembra de mim (Emílio Santiago)


Coisas da paixão (Emílio Santiago)


Logo agora (Emílio Santiago)


Bem. Aí está um pouco da obra desses dois grandes artistas que deixaram saudades. Semana que vem vamos matar mais saudades de grandes hits com a maior banda cover do Brasil. Tem Celebrare.


Enquanto isso tente me amar, pois estou te amando..


..Apague esse adeus do olhar..


SOBE O SOM ANTERIOR:

ROD STEWART & GEORGE BENSON

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TROCANDO EM ARTES: BETO ROCKFELLER


Trocando em artes fala hoje de uma novela lendária, que fez história na televisão brasileira.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Beto Rockfeller



Beto Rockfeller foi uma telenovela brasileira produzida pela extinta Rede Tupi e exibida de 4 de novembro de 1968 a 30 de novembro de 1969, às 20 horas, substituindo Amor Sem Deus e sendo substituída por Super Plá no horário. Foi criada por Cassiano Gabus Mendes e escrita por Bráulio Pedroso com a colaboração de Eloy Araújo, Ilo Bandeira e Guido Junqueira, com direção de Lima Duarte, substituído por Walter Avancini. Teve 327 capítulos e foi produzida em preto-e-branco.


Produção e veiculação



A teledramaturgia brasileira se divide em duas fases: antes e depois de Beto Rockfeller, que representou um grande sucesso na época, inovando o estilo de se fazer telenovelas no país. Enquanto a superprodução era a arma da TV Excelsior - principal concorrente da TV Tupi, na época - para segurar a audiência, a Tupi apostava na linha iniciada naquele ano de 1968, com a novela Antônio Maria, de Geraldo Vietri, no horário das sete. O processo de nacionalização das novelas brasileiras teve início em Beto Rockfeller, às 20 horas, abrindo caminho para um novo formato que passou a ser seguido pelas demais emissoras. A ideia inicial da telenovela surgiu de Cassiano Gabus Mendes, então diretor artístico da Tupi, que procurou o dramaturgo Bráulio Pedroso, na época editor do caderno de literatura do Estadão, que logo aceitou o desafio. Os textos tiveram de ser adaptados por Lima Duarte, porque Bráulio escrevia peças de teatro e pouco entendia de televisão. Cassiano, Bráulio e Lima estavam por trás de uma trama simples, mas que mostrava uma nova proposta de trabalho para a televisão brasileira.

Beto Rockfeller abandonava, então, a linha de atitudes dramáticas e artificiais que acompanhavam as telenovelas desde que o gênero havia conquistado o gosto nacional. Na verdade, uma primeira tentativa havia sido feita por Lauro César Muniz, em 1966, com Ninguém Crê em Mim, na TV Excelsior, em que o tom coloquial dos diálogos rompia com os padrões estabelecidos, até então, pelas novelas. Todavia, só mesmo com o trabalho de criação e o posicionamento de modernizar a linha das telenovelas, foi possível adaptar o público às novas exigências, não apenas os diálogos, mas principalmente a estrutura da história, para ganhar mais proximidade com o público. O próprio protagonista da trama representou uma enorme inovação, ao introduzir a imagem de um anti-herói, diferente dos demais apresentados pelas telenovelas anteriores, de um personagem de caráter firme, sensato, absolutamente honesto e capaz de qualquer proeza para a salvar a heroína das adversidades. A sua concepção procurava se aproximar das pessoas comuns, isto é, de ter atitudes boas ou más conforme as situações enfrentadas no dia a dia.

A telenovela revolucionou até o modelo de interpretação dos atores, que passou dos exagerados gestos dramáticos para um forma natural. O próprio Luiz Gustavo, que interpretou o protagonista da trama, fazia questão que o personagem fosse o mais verdadeiro possível. A linguagem era coloquial e os diálogos incorporavam gírias e expressões do cotidiano. Isso fazia com que o público se identificasse com a história. Muitas vezes os atores improvisavam suas falas, inventando diálogos que não estavam no script, o que também era novo na TV. Um dos méritos da novela foi dar ao público uma fantasia com gosto de realidade. As notícias dos jornais da época faziam parte de sua trama. Os fatos mais sensacionais e as fofocas mais quentes eram comentados por seus personagens. Outra inovação foi a trilha sonora, que deixou de trazer temas sinfônicos tocados por orquestras e utilizou sucessos populares da época, como os Rolling Stones, Salvatore Adamo e Bee Gees. A única exceção foi a versão instrumental de Franck Pourcel para a canção "Here, There and Everywhere", dos Beatles. A identificação do público com personagens e seus temas musicais começou com Beto Rockfeller. No entanto, uma trilha sonora "oficial" da novela nunca foi lançada comercialmente.

Mas nem tudo foi perfeito em Beto Rockfeller. O sucesso fez com que a emissora "espichasse" sua história, e Bráulio Pedroso, com grande estafa, abandonou provisoriamente a sua obra, quando foi substituído por três autores liderados por Eloy Araújo. Lima Duarte também se ausentou, sendo substituído pelo diretor Walter Avancini. Alguns atores tiraram férias, e muitos dos capítulos eram preenchidos com qualquer "criação" de emergência: um grupo de jovens dançando numa festinha, um personagem caminhando indeciso ou então uma determinada ação, sem diálogos, era acompanhada por alguma música de sucesso. Com uma mudança tão radical, a novela poderia perder audiência, o que não aconteceu. A novela também foi a primeira a utilizar tomadas aéreas: os técnicos voaram de helicóptero para gravar uma cena do pesadelo do protagonista central da trama.

Foi a primeira novela a usar o merchandising, ainda que não em caráter oficial. Era do medicamento Engov, pois o personagem bebia muito uísque, e Luiz Gustavo faturava cada vez que engolia o comprimido em cena.

Em 1973, Braúlio Pedroso escreveu uma continuação da telenovela (A Volta de Beto Rockfeller) com parte do elenco original, mas não conseguiu a repercussão esperada.

Hoje, não existem mais os capítulos da novela. O pouco que sobrou de suas filmagens está guardado na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Quase todos os capítulos foram apagados pela própria emissora, que usava as fitas para gravar por cima os capítulos seguintes. A Tupi já passava por dificuldades financeiras e todos os projetos que apareciam tinham de ser feitos com baixos custos, mas que trouxessem lucros.


Sinopse



Alberto - ou Beto, como é mais conhecido - é um charmoso representante da classe média-baixa que mora com os pais, Pedro e Rosa, e a irmã, Neide, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e trabalha como vendedor em uma loja de sapatos na Rua Teodoro Sampaio.

Com sua intuição, perspicácia e malandragem, o vendedor Beto se transforma em Beto Rockfeller, primo em terceiro grau de um magnata norte-americano, e consegue penetrar na alta sociedade, através de sua namorada rica, Lu, filha dos milionários Otávio e Maitê. Assim, ele consegue frequentar as badaladas festas e as rodas da mais alta sociedade paulistana.

Quem Beto preferirá afinal? A temperamental Lu, garota sofisticada e rodeada de gente importante ou a inocente Cida, a humilde namoradinha da vizinhança? A contradição será explicada através de seu nome: Beto, humilde e trabalhador do bairro simples, e Rockfeller, sofisticado e badalado da Rua Augusta - lugar muito frequentado pela alta roda nos anos 60.

Enquanto vacila entre os dois extremos, a grã-finagem dobra-se ante seu maniqueísmo, e ele tem de fazer toda ordem de trapaça para que sua origem - que já não é segredo para Renata, uma jovem grã-fina decadente - não seja descoberta. Para se safar das confusões, o bicão Beto conta sempre com a ajuda dos fiéis amigos Vitório e Saldanha.


Elenco



Ator                                          Personagem

Luiz Gustavo                         Alberto (Beto Rockfeller)
Débora Duarte                   Luísa (Lu)
Ana Rosa                                 Maria Aparecida (Cida)
Bete Mendes                         Renata
Walderez de Barros                 Mercedes
Plínio Marcos                          Vitório
Walter Forster                          Otávio
Irene Ravache                           Neide
Marília Pêra                          Manuela
Yara Lins                                  Clotilde (Clô)
Maria Della Costa                   Maitê
Wladimir Nikolaieff                  Olavo (Lavito)
Rodrigo Santiago                  Carlucho
Jofre Soares                           Pedro
Eleonor Bruno                           Rosa
Ruy Rezende                         Saldanha
Luiz Américo                          Tomás
Márcia Rodrigues                  Regina
Jaime Barcellos                      Fernando
Marilda Pedroso                   Mila
Heleno Prestes                        Otávio Filho (Tavinho)
Pepita Rodrigues                    Bárbara
Othon Bastos                           Dias Barreto
Martha Overbeck                   Dalva
Renato Corte Real                  Bertoldo
Liana Duval                          Carmélia
Walter Stuart                         Sr. Vicenzo
Etty Fraser                         Madame Waleska
Felipe Donavan                         Delegado Moreno
Esther Mellinger                      Tânia
João Carlos Midnight             Oswaldo (Vadeco)
Lourdes de Moraes                       Magda
Gésio Amadeu                               Gésio
Zezé Motta                               Josefa (Zezé)
Luísa di Franco                                Beatriz (Bia)
Alceu Nunes                                  Polidoro
Francisco Trentini                           Canuto
Lima Duarte                  Domingos / Duarte / Conde Vladimir / Secundino / Manoel Maria


Trilha sonora



"F... Comme Femme" - Adamo
"Here, There and Everywhere" - The Beatles
"I Started a Joke" - Bee Gees
"Sentado à Beira do Caminho" - Erasmo Carlos
"Nobody But Me" - Human Beinz
"Kid Games and Nursery Rhymes" - Shirley & Alfred
"Surfer Dan" - The Turtles
"I'm Gonna Get Married" - Sunday
"Abraham, Martin and John" - Moms Mabley
"You've Got Your Troubles" - Jack Jones
"The n' Crowd" - Jack Jones
"Dio Come Ti Amo" - Gigliola Cinquetti
"Sunflower" - Mason Williams
"Someone You've Loved" - Shirley Horn


Mês que vem "Trocando em artes" novela voltará com o clássico Irmãos Coragem.


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

ELES NÃO USAM BLACK TIE

terça-feira, 15 de agosto de 2017

QUINZE ANOS: CAPÍTULO VI - MAIO


E lá estava eu..

No meio de uma floresta com roupa de safari acompanhado por um menino índio e uma loira espetacular eu andava atrás da arca perdida. Andávamos desbravando as matas quando de repente caímos num fundo falso.

Parecia ser uma caverna, uma imensa caverna. Do nada surgem ninjas, mas uso meu facão para matar alguns, com meu revólver mato outros, até que centenas deles aparecem e vejo um trilho imenso com um carro em cima.

Coloco a loira e o índio em cima do carro, pulo e dou arranque com os ninjas correndo atrás de nós e atirando. O carro pega velocidade e limpo o suor de meu rosto aliviado quando uma gigantesca pedra começa a rolar atrás da gente.

O menino índio desesperado começa a gritar “Mr.Jones nos ajude” e eu tento dar velocidade ao carro. A pedra quase nos alcança quando caímos em outro fundo falso dentro de um caldeirão.

Uma tribo canibal prepara sua janta e quando percebo nós somos a janta. O calor está insuportável e nesse momento meu maior inimigo, um chefe nazista aparece com a arca na mão e diz que chegou antes e que eu assumisse a derrota.

Suando muito com o calor do caldeirão vejo o nazista mandar que um dos canibais abrisse a arca. Eu grito para que ele não faça isso, mas é em vão.

Ele abre e uma luz muito forte sai de dentro da arca cegando e matando todos que olham. Eu mando que a loira e o menino fechem os olhos e ouço os gritos desesperados de quem olha a arca, o calor só aumenta, fica insuportável e..

..acordo perguntando que calor é esse, minha mãe me dá bom dia e responde que o ar refrigerado do quarto quebrara de novo e já iria me chamar mesmo porque pegaríamos estrada.

Maio começou intenso. Logo em seu primeiro fim de semana viajei com minha avó, mãe e seus amigos do time de voley para a cidade de Vassouras no interior do Rio de Janeiro para os jogos do dia do trabalho.
Já tinha uns três ou quatro anos que fazíamos essa viagem e era muito legal. Além de Pinheiro, Batista e Mauro a turma da minha mãe era muito bacana, todos fuzileiros navais e fazíamos uma grande farra no ônibus para a cidade.

Eu quando era mais novo era o mascote do time e usava a camisa 0, mas com a chegada da adolescência fiquei com vergonha de usar tal camisa, mas era fã número 1 do time.

O time de voley era muito bom e o curioso que o time era formado apenas por homens com exceção da minha mãe que vestia a camisa 4 e era a levantadora.

A cidade abrigava uma mini Olimpíada. Além do torneio de voley aconteciam várias atividades paralelas. Minha mãe além de ser campeã com o “To que tô” foi campeã com minha avó no torneio de jogo de cartas.
E eu?

Como bom esportista que era, mentira, me inscrevi em duas competições. Cem metros rasos e pingue pong.
Primeiro veio a corrida. Preparei seriamente para ela. Vi meus adversários e coloquei na mente que poderia vencê-los. Tudo bem. Podia ser mais gordinho que eles, ok bem mais gordo, mas o poder vem da mente e minha mente era forte.

Alinhei para a largada e ao ouvir o disparo corri. Corri muito, corri intensamente, conseguia ouvir a música de “Carruagens de fogo” e sabia que seria vencedor e quando cruzei a linha final fechei os olhos e levantei os braços vitorioso.

Quando abri vi que todos os outros garotos já estavam sentados descansando enquanto um mandava beijinhos ao público. Eu acabei a corrida em último e o cara que mandava beijos vencera a prova.

Mas a vida não dá oportunidade para “saborearmos” o fracasso. Logo começava o torneio de ping pong. Fui para próximo da mesa e o juiz me informou que apenas eu e outro garoto tínhamos nos escrito.

Aquilo me deu esperanças, era preciso vencer apenas um e ser campeão. Eu e o juiz ficamos esperando lá o menino..vinte minutos, meia hora, quarenta minutos, uma hora e o menino não apareceu.

Diante disso fui declarado campeão de ping pong e recebi a medalha de ouro. Que emoção, minha primeira e única até hoje vitória esportiva.

Voltei com minha mãe, avó e os fuzileiros vitorioso para o Rio de Janeiro, todos nós éramos campeões.
We are champions my friend. Maio reservava grandes momentos como o casamento do Júnior que aconteceria no final do mês, mas aqueles dias todos foram movimentados.

Voltei a sala de aula na segunda-feira e estranhei ao ver Marco Aurélio chegar de óculos escuros. Perguntei a meus amigos se eles sabiam de algo e Gustavo me contou que seu pai descobrira o roubo do uísque na ocasião da inauguração do Patin House e espancou o filho.

Eu me perguntava como podiam existir pais assim, eu quando virasse pai seria totalmente diferente. Daria amor, educação, porrada não educa ninguém.

Marco esquecia os problemas de casa jogando bola na aula de educação física. Era o momento que ele mais aguardava e o que eu mais fugia porque Marco era bom em todos os esportes enquanto eu era uma negação. Na hora do futebol ele era sempre o primeiro a ser escolhido. Marco tinha um canhão no pé direito. Conta a lenda que seu chute era capaz de matar alguém se lhe acertasse em cheio e quebrar uma parede. Eu ao contrário sempre era o último a ser escolhido. Os meninos iam sendo chamados, um a um até o George que não sabia se futebol era jogado com as mãos ou pés e eu ficava por último.

Uma vez ficamos eu e uma velhinha com andador pra ser escolhidos e escolheram a velhinha.

Nesse dia do Marco com olho roxo fiquei por último como sempre e o time que teria que ficar comigo, era o do Marco, optou por jogar com menos um e parei no outro time. Acabei indo pro gol e até que me saí bem, não tomei gols, ok..tomei alguns..

O jogo seguia empatado quando um pênalti foi marcado contra meu time e o Marco pegou a bola pra bater.
Embaixo das traves lembrei-me de uma história que corria em que Marco Aurélio ao chutar uma bola no carro de um cara que não gostava explodiu o mesmo e me apavorei.

Ele correu pra bola e eu corri do gol. Marco então tocou de mansinho pro gol aberto e a bola entrou devagarinho no gol.

Meu time queria me bater, quando olhei o Marco ele estava rindo. Fiquei feliz em vê-lo assim depois de tudo que passou e ri também. Marco me abraçou e disse que me pagaria um refrigerante enquanto eu lhe xingava por ter me enganado.

A fase na escola estava muito boa não. Recebemos o boletim das provas feitas em abril e eu fiquei com nada mais nada menos que nove notas vermelhas!! Provavelmente era recorde olímpico e mundial!!
Minha mãe evidente ficou nada feliz. Cortou meu vídeo game e mandou que todas as tardes que não tivesse inglês eu me trancasse no escritório de casa para estudar.

Dessa forma algumas notas melhoraram, mas nem todas, em alguns casos a situação piorava.

Como em geometria e geografia, geografia porque a matéria não entrava na minha cabeça mesmo, geometria por novos e terríveis motivos.

Professor novo.

Todos estavam sentados na sala de aula quando a diretora, dona Maria Helena, entrou com um homem negro, de bigodinho e forte. Ela anunciou que tínhamos um professor novo e ele se chamava Martins.
Ela saiu e o homem chegou falando forte. Era sargento da marinha e não tolerava indisciplina, falatório nem nada do gênero e puniria quem fizesse batendo com a régua na mesa.

Todos tremeram e ele começou a escrever no quadro negro, dava pra ouvir a respiração da turma. Luis Felipe comentou comigo “esse é bravo” e eu num ato de desespero respondi “fica quieto”, mas o professor Martins ouviu.

Com jeito calmo ele pediu que eu levantasse e me aproximasse. Quase borrado nas calças levantei e fui ao seu encontro. Parei em sua frente e seguiu o tenso diálogo.

Martins: O senhor falou alguma coisa?

Eu em posição de sentido: Não senhor.

Martins aumentando o tom da voz: Eu não ouvi direito, o senhor falou alguma coisa?

Eu gritando: Não senhor !!

Martins gritando: O senhor está vendo algum palhaço aqui?
                                                                                                   
Eu gritando muito: Não senhor !!!

O professor entregou um calhamaço pra mim e mandou que eu escrevesse a matéria no quadro negro.
Engoli o choro e comecei a escrever. Escrevi muito, meu braço cansou e ele chegou perto de mim esbravejando. Eu já estava tão zonzo que consegui enxergá-lo de uniforme de sargento ao meu lado.
Martins: O senhor tem péssima caligrafia, o senhor não sabe escrever em quadro negro, desista o senhor é uma negação..

Eu quase chorando continuava escrevendo

Martins: Em todos esses anos de professor essa é a pior turma que eu já peguei!! Vocês não vão conseguir!! Não vão conseguir!!

Virou para mim e falou

Martins: Desista!! Pare de escrever e desista!! Não vai conseguir!! Não tem honra!!

Eu: Não vou desistir!!

Martins: Desista!! Você é fraco!! Por que não desiste??

Eu chorando: Por que não tenho pra onde ir..

Ok, essa última fala forçou muito pra filme..mas não desisti e meu braço doeu.

Mas eu tinha certeza que eu ainda voltaria a sala de aula fardado e passando por todos pegaria Ericka o colo e a levaria embora sob aplausos de meus colegas como um Richard Gere ao som de “I up were we belong”.

Eu tinha outras preocupações que me faziam pelo menos naquele instante não pensar no professor Martins. Chegou o casamento do Júnior e fui incumbido de levar as alianças.

Tive que botar terno pela primeira vez na vida e achei um saco. Meu tio nervoso era acalmado pela minha avó e lembrei que tinha jogo do Flamengo naquela noite. Nervoso que não conseguiria ver o jogo dei um jeito de esconder radinho de pilha no bolso e enquanto minha avó cuidava de tudo com Júnior o coronel chegou.

Se vocês não se lembram o coronel é meu avô.

Ele chegou de Brasília para o casório e com a cara sisuda me perguntou “como vai garoto?”. Eu cheio de medo respondi “tudo bem vô”. Ele se encaminhou até meu tio e cumprimentou minha avó.

Minha mãe e eu fomos na frente para a igreja e deixamos os três lá.

A igreja era em local chique, no Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro. Na igreja encontrei todos aqueles parentes que só vemos em casamentos e velórios. Eles apertavam minha bochecha e falavam como eu tinha crescido.

Minha vontade era mandar que apertassem em outro lugar pra verem como cresci. Posicionamos-nos na primeira fileira por ser família do noivo e eu estar com as alianças.

Discretamente peguei o radinho, o fone de ouvido e escutava o jogo. Minha mãe reparou e perguntou o que significava aquilo, respondi que era um jogo importante do Flamengo e ela mandou que eu desligasse.
Fingi que desliguei, mas continuei escutando por todo casamento. Meu tio se posicionou com meus avós no altar e sua noiva, a Ana, entrou na igreja acompanhada de seus pais.

A cerimônia corria bem, ninguém desistiu de casar nem entraram pra raptar a noiva e o Flamengo pressionava até que conseguiu fazer um gol. Não aguentei e baixinho soltei um “gol” tomando bronca de minha mãe e ela mandando desligar imediatamente.

Desliguei e quando reparei o padre e os noivos olhavam pra mim. Eu me sentindo envergonhado fiz cara de “que foi?” e o padre respondeu “as alianças”.

Levantei e entreguei aos noivos. Meu tio perguntou quanto estava o jogo e respondi “1x0 Flamengo”, o padre perguntou gol de quem e respondi “Bebeto”. Ele deu um sorriso e continuou a cerimônia.

A festa foi muito bacana, comida e bebida a vontade. A Malu, filha de uma amiga de minha avó estava lá e linda. Mas eu era fiel a Ericka e não faria nada que comprometesse esse amor.

Mentira, eu queria ficar com a Malu e a Ericka nunca saberia mesmo, cheguei perto dela pra conversar.
O problema que comigo foram também meus primos gêmeos, filhos de um irmão de minha avó, João Luis e Jorge Hipólito. Ficamos os quatro conversando, ela nitidamente mais interessada neles, mas não desisti.
Malu decidiu passear e os três foram atrás. Passeamos um pouco pelo jardim e não lembro quem deu ideia de brincarmos de salada mista.

Salada mista é uma brincadeira que a pessoa fecha os olhos e aleatoriamente escolhe uma pessoa e com ela tem que decidir por pera que era aperto de mão, uva abraço, maçã beijo no rosto e salada mista beijo na boca.

Claro que fiquei empolgado e começamos a brincadeira. O problema é que eu poderia tirar um dos meus primos então só pedia pera. Meus primos pediam salada mista e sempre davam sorte de tirar a Malu
Alguns anos depois desconfio que eles combinaram de algum jeito de avisar um ao outro quando era ela.
Dessa forma eu fui o único que não beijou a Malu e continuei como BV, boca virgem, quatorze anos de idade e nunca beijara na vida.

Voltei derrotado para o salão da festa e vi colocarem um bolero. Nesse momento meu avô se aproximou de minha avó e lhe convidou para dançar.

Os dois foram para o meio do salão e começaram a dançar. Eram ótimos dançarinos e rapidamente atraíram a atenção de todos que pararam para assistir e aplaudir.

Eu feliz via aquela cena. Sabia quanto minha avó gostava dele e como era importante pra ela aquele momento.

E ela irradiava felicidade. Parecia que só tinha os dois na festa, só tinha os dois no planeta.

E essa ocasião, que nunca esqueci, foi uma das que vi fortemente o significado da palavra família.


CAPÍTULO ANTERIOR:

ABRIL

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

SOBE O SOM ROD STEWART & GEORGE BENSON


Roderick David "Rod" Stewart CBE (Highgate, Londres, 10 de janeiro de 1945) é um cantor e compositor britânico, com ascendência escocesa.

Conhecido por sua voz áspera e rouca, Rod Stewart começou a ficar conhecido no final dos anos 60 quando participou da Jeff Beck Group e depois juntou-se ao The Faces, iniciando paralelamente sua carreira solo que já dura cinco décadas. Ao longo de sua carreira, Rod atingiu várias vezes as paradas de sucesso, principalmente no Reino Unido, onde ele atingiu o primeiro lugar com seis álbuns e por 24 vezes ficou entre o top 10 e seis vezes na posição número 1 entre as músicas mais executadas, e 9 vezes nº1 a nível mundial. Rod Stewart já vendeu 265 milhões de álbuns desde o início de sua carreira

Rod é o 23º na lista de melhores artistas da história e 17º na de mais bem sucedidos de todos os tempos. Com 2 Grammy vencidos tornou uma das figuras mais irreverentes do mundo.

George Benson (Pittsburgh, 22 de Março de 1943) é um guitarrista norte-americano de Smooth jazz. É considerado um dos maiores guitarristas da história da humanidade.

Benson nasceu numa família de refinados músicos amadores. Aos seis anos já tinha começado a se apresentar ao público. Um ano depois, sua mãe se casou com um eletricista que também tocava guitarra de jazz amplificada. O jovem George implorou ao padrasto que lhe ensinasse a tocar. Infelizmente, suas mãos eram pequenas demais para alcançar o instrumento em toda a sua extensão e ele acabou ganhando um ukulele (pequeno violão de quatro cordas). Mesmo assim, alguns anos mais tarde, Benson ganhou a sua primeira guitarra. Em 1953 - ainda com 10 - ele gravou o single "nos estúdios Walt Disney.

Em 1963, Benson lança seu primeiro disco, "The New Boss Guitar Of George Benson", pelo selo Prestige, passando ainda por diversas gravadoras durante a década de 60.

Então vamos lá!!


Sobe o som Rod Stewart & George Benson!!


Tonight`s the night (Rod Stewart)


Maggie May (Rod Stewart)


Da Ya think I`m sexy (Rod Stewart)


Have you ever seen the rain? (Rod Stewart)


Forever young (Rod Stewart)


Hot legs (Rod Stewart)


Have I told you lately (Rod Stewart)


Sailing (Rod Stewart)


Nothing gonna change my love for you (George Benson)


Give me the night (George Benson)


Nature boy (George Benson)


Love x Love (George Benson)


Lady love me (George Benson)


The greatest love off all (George Benson)


Kisses in the moonlight (George Benson)


Love ballad (George Benson)


Bem. Aí está um pouco da obra desses grandes artistas. Semana que vem tem mais dois grandes artistas, um nos deixou faz um tempinho e outro bem recente. Tem Luiz Melodia & Emílio Santiago.


Enquanto isso eu posso dizer pelos seus olhos


..Que encontrei respostas para minhas perguntas no seu olhar.


SOBE O SOM ANTERIOR:

ARLINDO CRUZ

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

CINEBLOG: O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO


Cineblog fala hoje de um filme muito gostoso, uma comédia romântica feita no fim dos anos 90.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


O casamento do meu melhor amigo



My Best Friend's Wedding (br/pt: O Casamento do Meu Melhor Amigo) é um filme estadunidense de 1997, do gênero comédia romântica, dirigido por P. J. Hogan.


Sinopse



Julianne e Michael combinaram certa vez que, quando fizessem 28 anos de idade, casariam-se caso estivessem ainda solteiros. Ao receber um telefonema de Michael, às vésperas da fatídica data, anunciando o seu casamento, Julianne percebe, tarde demais, que sempre foi apaixonada pelo amigo.

Ela é então convidada por ele para ser madrinha de seu casamento com a bela Kimberly, e aceita somente para atrapalhar e tentar desfazer esse romance.

Elenco




Ator                                       Papel
Julia Roberts                Julianne Potter (Jules)
Dermot Mulroney        Michael O'Neal (Mike)
Cameron Diaz              Kimberly Wallace (Kimmy)
Rupert Everett              George Downes
Philip Bosco                  Walter Wallace
M. Emmet Walsh          Joe O'Neal
Rachel Griffiths              Samantha Newhouse
Carrie Preston              Mandy Newhouse
Susan Sullivan               Isabelle Wallace
Christopher Masterson   Scotty O'Neal 
Chelcie Ross                 Padre Newton

Recepção da crítica



My Best Friend's Wedding tem recepção favorável por parte da crítica especializada. Com o tomatometer de 71% em base de 56 críticas, o Rotten Tomatoes publicou um consenso: "Graças a um desempenho encantador de Julia Roberts e um giro subversivo no gênero, My Best Friend's Wedding é uma comédia romântica agradável e divertida". Por parte da audiência do site tem 74% de aprovação.


Trilha sonora



01 - I Say a Little Prayer - Diana King
02 - Wishin' and Hopin' - Ani DiFranco
03 - You Don't Know Me - Jann Arden
04 - Tell Him - The Exciters
05 - I Just Don't Know What to Do With Myself - Nicky Holland
06 - I'll Be Okay - Amanda Marshall
07 - The Way You Look Tonight - Tony Bennett
08 - What the World Needs Now is Love - Jackie DeShannon
09 - I'll Never Fall in Love Again - Mary Chapin Carpenter
10 - Always You - Sophie Zelmani
11 - If You Wanna Be Happy - Jimmy Soul
12 - I Say a Little Prayer - The Cast of "My Best Friend's Wedding"
13 - Suite from "My Best Friend's Wedding" - James Newton Howard.


Principais prêmios e indicações


Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de melhor trilha sonora.
Recebeu três indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de melhor filme - comédia / musical, melhor atriz - comédia / musical (Julia Roberts) e melhor ator coadjuvante (Rupert Everett).


Cineblog volta em duas semanas com o clássico "Flashdance".


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DIRTY DANCING

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O QUE EU VI DA VIDA


Hoje estava indo a uma reunião e pensei "É..41 anos.."

Faço 41 anos hoje. Não dá pra dizer que nasci ontem ou que parece que passou rápido, não, passou no tempo que tinha que ser. É uma vida, espero que na pior das hipóteses a metade de uma vida, mas 41 anos de uma história não é de se jogar fora, já é uma boa bagagem.

Aí lembrei de um quadro que tinha no Fantástico com o nome "O que eu vi da vida". Nesse quadro algumas pessoas respondiam exatamente o nome do quadro, tudo que viram de bom e de ruim, suas experiências e aí me veio a pergunta "O que eu vi da vida"?

Vi muita coisa, mas espero que pouco ainda perto do que verei. Mas vi sim muitas coisas e muitas coisas bonitas. Sim, bonitas, data de aniversário normalmente serve para nos deprimir ou nos pegar em um bom momento que só nos faz agradecer, eu estou mais para a segunda situação hoje então só posso agradecer.

Viver é bom e todo mundo gosta de viver, quer viver, ninguém quer morrer. A pessoa que está enferma ou deprimida e diz "Quero morrer" ou "Deus, me leve logo" não quer morrer, quer na verdade aplacar aquela dor, ficar bem e em seu desespero só percebe como a única opção de melhora morrer, mas como diz a música do lendário Gonzaguinha "Ninguém quer a morte, só saúde e sorte".

Viver é muito bom, é muito legal, só que andamos em tempos tão chatos que nos acostumamos a reclamar e não vemos as coisas boas que existem a nossa volta.

Eu quero viver, eu gosto de viver, eu gosto dos amores que tive e tenho, gosto dos amigos que fiz na minha vida, gosto das coisas que fiz com a consciência que já fiz muitas coisas legais e quero fazer muito mais ainda, tenho um mundo a conquistar. Só peço saúde, o resto eu resolvo.

Saúde, a gente passa dos 40 e se preocupa mais com isso, fica mais paranoico, mais pensativo. Passando dos 40 a gente não vê mais a morte como um futuro distante, normalmente também não está tão peto, mas está no caminho.

Caminho que alguns chamam de destino e tem vários cruzamentos. Em alguns com potes de ouro e outros armadilhas. Cabe a nós ter discernimento que fatalmente bateremos de frente com os dois em algum momento e nesse momento termos a sabedoria de avaliar que nenhum deles é definitivo. O ouro acaba e a gente consegue sair da armadilha.

Encontrei alguns potes de ouro nesses 41 anos, algumas armadilhas também, mas nenhum deles me impediu de continuar seguindo meu caminho e nunca esse caminho esteve tão florido. Um Sol forte reflete em mim na esperança de realização de sonhos. Para esses sonhos tive que abrir mão de algumas coisas, mas não podemos ter tudo. só o que cabe de verdade a nós.

Mais um 9 de agosto em minha vida. Um dia fui presente para minha avó nascendo no dia do seu aniversário, o caminho me trouxe dentro de um pote de ouro Gabriel que nasceu no dia do meu. Os três de 9 de agosto, três gerações no mesmo caminho.

Levando os ensinamentos de minha avó e tentando deixar bons exemplos para meu menino, pessoas das mais importantes da minha vida, continuo seguindo o caminho entre potes de ouro e armadilhas vendo que a vida pode reservar ainda mais momentos marcantes. Quero ver muitas coisas da vida ainda.

O que eu vi da vida? Pouco ainda diante de um universo que quero enxergar.


Esse artigo de hoje dedico a você dona Lieida, feliz aniversário.


E a você meu meninão, meu Gabriel.    

terça-feira, 8 de agosto de 2017

QUINZE ANOS: CAPÍTULO V - ABRIL


Abril chegou e eu desesperado por estar atrasado peguei uma bicicleta. Mesmo sem saber andar de bicicleta andei em disparada e por um grande milagre não caí.

Desviava de carros, pessoas, buracos, desafiava o sinal vermelho. Eu era o cara, era o bom.

Em um momento de distração me vi a frente de um abismo e não consegui parar. Apertei os freios e nada. Em um grande ato de desespero fechei os olhos e gritei.

E por incrível que pareça a bicicleta voou. Voou com o Sol a fundo em uma imagem linda que parecia saída de um filme vencedor de Oscar.

Com o voo ganhei impulso e desci bem a frente do colégio para espanto de todos. Ericka era uma das que me assistia. Larguei a bicicleta e corri ao seu encontro lhe pegando nos braços e dando um beijo apaixonado sob aplausos de todos.

Enquanto beijava Ericka escutei uma voz dizendo “ET..minha casa..telefone”, quando olhei um ser estranho saía da cestinha da bicicleta com um dedo enorme que acendia.

Todos gritavam e enquanto eu gritava minha mãe me puxava na cama mandando que eu acalmasse que era só um sonho.

Assustado eu gritava perguntando pelo ET quando levantaram da cama ao lado. Era George que resmungou “burro eu sou, tudo bem, mas ET é sacanagem”.

Ele tinha ido dormir lá em casa e eu nem lembrava.

Tomamos café e fomos correndo pro colégio. Pra variar não cheguei a tempo e recebi o carimbo de “atrasado” de seu Juarez.

Abril de 1989 me serviu em algumas coisas. Primeiro pra ter a certeza que pela primeira vez em muitos anos eu não teria professores chatos. A mãe de George só dava aulas para 5° e 6° série. A segunda que eu poderia lucrar com o tal de “samba-enredo”.

A professora de história pediu que fizéssemos um trabalho em cima do samba “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós” que a Imperatriz Leopoldinense foi vencedora do último carnaval carioca e mostrássemos os erros históricos do samba.

Na época não tínhamos internet, google nem pensar e só eu conhecia o samba. Foi muito bom negociar com meus colegas..

Em troca de copiar a eles a letra do samba ganhei muitos lanches. Copiei várias, mas pra um gordo como eu valeu muito a pena, por uma semana não precisei comprar lanche nem levar de casa.


IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 1989

(Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir)

Vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria mãe querida
O império decadente, muito rico incoerente                                                                                                   Era fidalguia                                                                                                                                                                                                                                          
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem, no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão, vem viver

Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu, de cultura o Brasil
A música encanta, e o povo canta assim

Pra Isabel a heroína, que assinou a lei divina
Negro dançou, comemorou, o fim da sina
Na noite quinze e reluzente
Com a bravura, finalmente
O Marechal que proclamou foi presidente

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

As coisas prosseguiam como em março. Não tive mais notícias de Fabíola, tinha virado amigo mesmo da Raquel sem nenhum interesse a mais, vivia uma parceria inesquecível com grandes cinco amigos e estava completamente apaixonado por Ericka.

Saía com eles. Ia a pizzaria, dava voltas de dia, jogava tênis no aterro do Cocotá, esporte que eu adorava mesmo sendo péssimo, mas a Ilha não tinha muitas opções de lazer, o shopping só foi inaugurado em 1992.

Mas no bairro da Portuguesa eis que surge o “Patin House”. Lugar dançante feito para os adolescentes se divertirem.

O Patin foi o assunto durante a semana toda no colégio. Meus amigos doidos para ir faziam mil planos e descobri que até a Ericka iria à danceteria.

E eu?

Estava doido de vontade de ir, mas eu era um garoto tímido, desajeitado e não sabia dançar. Sempre tirei onda que dançava bem, era o maioral, mas a verdade é que eu sabia dançar nada.Falei para eles que não sabia se iria, tinha compromissos sábado, mas eles ficaram me enchendo e eu cheio de vontade de ir com eles não sabia o que fazer.

Em casa minha mãe comentou da inauguração e eu reclamei “até você mãe?”. Ela perguntou qual era o problema e eu depois de muito relutar confessei que não sabia dançar. Minha mãe respondeu que também não sabia, mas lá em casa mesmo tinha uma pessoa que sabia, minha avó.

Minha avó sempre foi uma pessoa extremamente musical. Na minha infância e adolescência era normal eu acordar ao som de Cauby Peixoto, Ângela Maria, Aguinaldo Timóteo e Julio Iglesias com som altíssimo e minha avó cantando mais alto ainda. Eu ficava irritadíssimo, péssimo humor, mas pelo menos ela cantava bem.

Quando eu levantava ao som da vitrola e via a mesa recheada de coisas boas era a senha. Ventania vinha aí.

Ventania era o nome do namorado de minha avó. Ex jogador do América nos anos 40, quebrou a perna e nunca mais jogou. Trabalhou na Caixa Econômica Federal e lá conheceu minha avó quando ela foi fazer penhora de jóias. Já namoravam há um bom tempo, se divertiam, eram apaixonados.

Gostava de conversar com ele e ouvir coisas de seu tempo, de quando jogava bola. Eu gostava de joga bola com ele e foi o Ventania que me ensinou a rodar peão.

Ventania passava a manhã em nossa casa pelo menos uma vez por semana, geralmente quinta-feira. Chegava, tomava café da manhã conosco, os dois dançavam e sumiam. Eu na minha inocência dos quatorze anos não sabia para onde iriam.

Quando minha mãe falou do lado dançarino de minha avó lembrei-me dela dançando com Ventania na sala de nossa casa e pensei que fosse uma boa. Procurei por ela e contei meu problema. Minha avó sorriu e respondeu que seria fácil de resolver. Pegou vários LPs no armário e me chamou para dançar.

Começamos a dançar, mas falei com ela que algo ia errado. Não dançariam bolero e tango no Patin House e eram as danças que ela queria me ensinar. Minha avó pediu que eu me acalmasse que tudo daria certo.

Acabou que fui à inauguração. Minha mãe me levou de carro e pedi que ela parasse na esquina porque era vergonhoso chegar com mãe a danceterias.

Quando desci dei de cara com Luis Felipe também descendo do carro de sua mãe. Atravessei a rua e olhei bem sério para ele. Felipe entendeu o meu recado e disse “ninguém vai saber” de pronto apertei sua mão e retruquei “segredo nosso”.

Ao chegar à frente do Patin House demos de cara com Gustavo, Rodrigo, Marco Aurélio e George que nos esperávamos. George com smoking em um lugar que todos estavam de camisa, tênis e cança jeans era o mais animado dizendo que a noite prometia e que iria finalmente transar.

Rodrigo riu de George por ele ainda ser virgem e Gustavo cutucou o irmão mandando que ele parasse de querer se mostrar porque também era. Começamos a rir e furioso Rodrigo respondeu que não era, lembrando ao irmão de uma ida deles a uma fazenda do tio no verão anterior.

Gustavo gargalhando respondeu que galinhas e vacas não contavam como transas e a gargalhada foi geral.

Ericka chegou com meninas do colégio e nos cumprimentou. Meu coração acelerou só em responder “Oi Ericka”. Elas se afastaram e Marco Aurélio me abraçando contou que eu não precisava ficar nervoso porque tinha ali a solução para tudo.

Perguntei qual era e ele mostrou uma sacola. Dentro dela tinha uma garrafa de uísque e perguntei onde ele tinha arrumado aquilo, Marco respondeu que roubara de seu pai. Gustavo ainda tentou argumentar que aquilo daria problema com “seu coroa”, mas Marco mandou que ele relaxasse e tomasse um gole.

Gustavo relutou um pouco, mas tomou e depois fez careta dizendo que era muito forte. Marco respondeu que a intenção era mesmo essa. Rodrigo, Luis Felipe e George fizeram fila para beber e no fim Marco perguntou se eu não iria experimentar. Respondi que não, pois, não gostava de bebida alcóolica.

Marco guardou a bebida me dizendo “você que sabe” e George insistiu para que entrássemos porque queria transar.

Entramos e a danceteria estava cheia, esfumaçada como uma boa danceteria dos anos oitenta. Os meninos logo começaram a se divertir e Gustavo e Luis Felipe, os menos feios da turma já estavam dançando com meninas. Marco Aurélio que era esperto já estava em um canto beijando enquanto George, Rodrigo e eu acompanhávamos a tudo em um canto do salão.

George animado dançava sozinho dizendo que iria transar muito naquela noite enquanto parado eu olhava as pessoas se divertindo torcendo para que tocasse algum bolero ou tango.

Mas o som estava muito longe desse estilo. Tocava predominantemente rock. Titãs, Paralamas, Barão Vermelho, Cazuza, Nenhum de Nós, Inimigos do rei dando algum espaço para Michael Jackson, Madona e Prince.

E eu lá parado acompanhando.

No alto da madrugada vi a Ericka conversando com amigas em um canto e meu nervosismo aumentava a cada rapaz que chegava perto dela e a tirava pra dançar.

Mas ela estava comportada. Saía para dançar com eles e voltava ao mesmo lugar para ficar perto das amigas, sem beijar ninguém, fazer nada demais. Gustavo e Luis Felipe já beijavam, Rodrigo encontrou companhia pra dançar, Marco Aurélio já estava na quarta menina e George me contava o que faria com a garota quando fosse transar.

Eu de saco cheio daquele papo fui atrás do Marco e pedi um gole do uísque.

Marco perguntou se eu tinha certeza do que fazia e respondi que sim pedindo a garrafa. Ele me entregou e dei um gole. Até que não estava tão ruim.

Olhei para Ericka no outro canto e comecei a sentir mais confiança em mim. Bebi mais um gole, outro, outro, outro.. Marco pedia pra eu maneirar, mas como eu não lhe dava mais atenção deixou a garrafa comigo e foi beijar.

Acabei com a garrafa, joguei em um canto e olhei Ericka cheio de amor pra dar. A noite chegava perto do fim com o banho de espuma, tão tradicional da época, já rolando. Enchi-me de coragem e atravessei o salão puxando Ericka, ela sem entender foi junto comigo para a pista de dança e comecei a dançar para ela.

Tocava “Night Fever” e eu me transformei em John Travolta em “Os embalos de sábado a noite”. Dancei como ele carregando Ericka como minha partner. No fim ninguém mais dançava, só nós dois no meio do salão com todos em volta batendo palmas acompanhando nosso show. Até Ericka parou pra me ver, eu era o Travolta.

Até que George reclamou que eu não deixara nenhum gole do uísque pra ele.

Caí em mim e eu ainda estava no outro lado do salão vendo Ericka com as amigas. Dessa vez era vida real, deixei George falando sozinho e atravessei o salão atrás de Ericka. Cheguei na moça, puxei pela mão e fomos pro meio da pista com ela sem entender nada.

No meio com os outros olhando comecei a dançar e escorreguei no sabão que ficara na pista. Ia cair de bunda no chão, mas botei meu braço direito pra amparar. Ao colocar o braço só ouvi um “crec”.

Mas fui macho, consegui resistir sem chorar..por exatos dez segundos. Depois abri o berreiro e Gustavo correu pra fora do Patin House e ligou de um orelhão para minha mãe.

Assim fui levado por minha mãe e meus amigos a um hospital sob os olhares da Ericka e do resto dos frequentadores, um grande mico..

No hospital foi constatada fissura no meu braço e eu teria que botar gesso. Ficaria com o braço engessado por quinze dias e aí caiu a minha ficha, veio o desespero.

Um menino de quatorze anos com o braço engessado tem sua vida sexual seriamente comprometida.

Mas amigos..a força vem da dificuldade e foi nesse período de extrema necessidade que me descobri ambidestro, minha vida sexual estava salva.

Segunda-feira voltei ao colégio de braço engessado e cheio de vergonha. Sentei em minha cadeira querendo me afundar nela para que ninguém me visse quando Ericka entrou na sala.

Ela veio direto ao meu encontro e perguntou se eu estava bem. Respondi que sim dentro do possível e ela disse “graças a Deus” e que ficara preocupada.

Meus olhos brilharam com aquelas palavras e eu só consegui perguntar “É?”, Ericka respondeu que sim e que só não me telefonou porque não tinha meu número.

Meu coração acelerava, eu ainda tentava entender todas aquelas informações quando ela perguntou se podia assinar meu gesso. Irradiando alegria respondi que sim e Ercika pegou uma caneta e escreveu uma dedicatória para mim. No fim deu um beijo em meu rosto e desejou melhoras.

Saiu de perto e aos gritos de “se deu bem” de meus amigos olhei a dedicatória.

“Quinzinho..que você fique bom logo para que possamos dançar no Patin House beijos, Ericka”.

Vieram a minha mente logo versos da música “Frisson” do Tunai “Meu coração pulou/você chegou me deixou assim/com os pés fora do chão..”.

E ela deixou os meus...


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MARÇO

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SEXTA POÉTICA: É O TCHAN NO HAVAÍ


Sexta poética traz hoje para ser recitada uma linda poesia, um clássico da música brasileira. A canção "É o Tchan no Havaí" da lendária banda baiana "É o Tchan".


A declamação


A música


Em semanas "Sexta poética" voltará com mais uma linda canção da MPB


Ula ula de lá...

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NO PASSINHO DO VOLANTE

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

SOBE O SOM: ARLINDO CRUZ


Arlindo Domingos da Cruz Filho, mais conhecido como Arlindo Cruz (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1958) é um músico brasileiro, compositor e cantor de samba e pagode. Arlindo Cruz participou do grupo Fundo de Quintal.

Aos sete anos, o menino ganhou o primeiro cavaquinho. Empolgado com o instrumento, esperava ansioso o pai chegar do trabalho para aprender a tocar. Aos doze já tirava muitas canções de ouvido, e, como seu irmão, Acyr Marques, aprendia violão. Entrou para a escola Flor do Méier, onde estudou teoria, solfejo e violão clássico por dois anos. E já nessa época começou a trabalhar profissionalmente como músico, fazendo rodas de samba com vários artistas, inclusive Candeia. Com ele, gravou seus primeiros discos, um compacto simples, pela gravadora Odeon, e um LP chamado Roda de Samba (hoje encontrado em CD). Em ambos tocou cavaquinho. Ao completar 15 anos foi estudar em Barbacena, Minas Gerais, na escola preparatória de Cadetes do Ar, mas não abandonou a música. Cantava no coral da escola.

Ganhou festivais em Barbacena e Poços de Caldas. Quando deixou a Aeronáutica, passou a frequentar a roda de samba do Cacique de Ramos. Ia todas as quartas-feiras, aprender ao lado de Jorge Aragão, Beth Carvalho, Beto sem Braço, Ubirany e Almir Guineto. Outros jovens seguiam o mesmo caminho, entre eles, Zeca Pagodinho e Sombrinha - que viria a ser seu parceiro. Logo no primeiro ano de Cacique, teve doze canções gravadas por vários intérpretes.

Então vamos lá!!


Sobe o som Arlindo Cruz!!


O bem


O show tem que continuar


Será que é amor


Ainda é tempo pra ser feliz


Meu nome é favela


O que é o amor


Fim da tristeza


Além do meu querer


A pureza da flor


Camarão que dorme a onda leva


Casal sem vergonha


Bem. Aí está um pouco da obra do grande Arlindo. Semana que vem voltamos com grandes artistas internacionais. Com Rod Stewart & George Benson.


Enquanto isso vamos na torcida para que Arlindo volte logo ao seu lugar.


SOBE O SOM ANTERIOR:

KC AND THE SUNSHINE BAND