quarta-feira, 18 de outubro de 2017

TROCANDO EM ARTES: OS IMIGRANTES


Trocando em artes lembra hoje uma novela que fez muito sucesso no Brasil no começo dos anos 80 passada pela Bandeirantes.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Os imigrantes


Os Imigrantes é uma telenovela brasileira que foi produzida pela Rede Bandeirantes e exibida de 27 de abril de 1981 a 1 de novembro de 1982 em 459 capítulos. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, Wilson Aguiar Filho e Renata Pallottini e dirigida por Atílio Riccó, Henrique Martins, com supervisão de Antonio Abujamra.

Rubens de Falco, Othon Bastos e Altair Lima interpretaram os três imigrantes protagonistas com o mesmo nome, Antônio: o italiano, o português e o espanhol, respectivamente, numa trama que narra a chegada dos imigrantes ao Brasil. Yoná Magalhães, Maria Estela, Lúcia Veríssimo, Rolando Boldrin, Norma Bengell, Paulo Betti, Denise Del Vecchio, Fúlvio Stefanini, Cristina Mullins, Dionísio Azevedo, Felipe Donavan, Flora Geny, Luís Carlos Arutin, Riva Nimitz, Herson Capri, Suzy Camacho, Virginie Boutaud e Solange Couto desempenharam os demais papéis principais da história.

A telenovela é a maior em capítulos da história da Rede Bandeirantes e a quarta na lista de telenovelas da teledramaturgia brasileira, com seus 459 capítulos somados a sua sequência Os Imigrantes: Terceira Geração, fica atrás apenas da primeira versão de Chiquititas, do SBT, com 807 capítulos, Redenção, da Rede Excelsior, com 596 capítulos, e as três fases de Caminhos do Coração, da Rede Record, com 583 capítulos.

A novela foi reprisada pela Rede Vida do dia 3 de fevereiro de 2014 a 27 de outubro de 2014 às 23 horas em 190 capítulos remasterizados.


Antecedentes


Os Imigrantes foi dividida em diversas fases numa proposta da Rede Bandeirantes em retratar a imigração no Brasil no final do século XIX. Foi uma das mais bem produzidas telenovelas da emissora, chegando a ser um sucesso de audiência, e no entanto solidificou um público cativo de telenovelas para o canal e foi a grande campeã nas distribuições de prêmios em 1981 pela crítica especializada.


Produção


Faltando dois meses para o término de Cabocla (1979), Benedito Ruy Barbosa era contratado pela Rede Bandeirantes. Benedito escreveu Os Imigrantes até o capítulo 313, pois em 1982 havia sido recontratado pela Rede Globo para escrever Paraíso. Pela Globo, retrataria a saga de imigrantes no Brasil em Vida Nova (1988), Terra Nostra (1999) e Esperança (2002). Assim sendo, foi substituído no roteiro por Wilson Aguiar Filho - que posteriormente assinaria outros dois sucessos fora da Globo, Dona Beija (1986) e Kananga do Japão (1989), ambas na extinta Rede Manchete - e Renata Pallottini.

A novela teve cenas gravadas na fazenda São Sebastião, em Amparo, no interior de São Paulo, a mesma fazenda foi usada para as gravações do filme brasileiro A Carne (1975), e para a novela do SBT, Os Ossos do Barão (1997).

Os figurinos de Os Imigrantes, concebidos por Gianni Ratto, foram alugados pela Bandeirantes por um preço simbólico para a produção do filme O Quatrilho (1995) de Fábio Barreto, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Em Os Imigrantes: Terceira Geração, alguns personagens tiveram seus atores substituídos, Lúcia Veríssimo por Denise Del Vecchio, e o loiro José Parisi Júnior foi substituído pelo moreno João Signorelli para fazer o mesmo personagem, Youssefinho.

Nas Eleições gerais no Brasil em 1982, ano em que a novela estava no ar, o ex-Presidente da República do Brasil Jânio Quadros gravou uma participação especial, vivendo ele mesmo. Com os cabelos e bigodes pintados de preto, o político relembrou o ano de 1958, retratado na trama, quando era governador do estado de São Paulo (1955-1959) e anunciou a sua intenção de candidatar-se à Presidência da República.


Sinopse


A telenovela conta a saga dos imigrantes que ajudaram a construir o Brasil como o conhecemos, deixando seus países de origem em busca de uma vida melhor. Os personagens protagonistas da história são três homens de nacionalidades diferentes, mas homônimos. Antonio di Salvio, italiano, prospera ao casar-se com Isabel, filha de Décio, um fazendeiro cafeicultor, indo inclusive viver num dos suntuosos casarões da Avenida Paulista. António Pereira, português, depois de aproveitar bem a juventude com muitos amores e diversão, abre uma empresa transportadora e prospera. Já o espanhol, Antonio Hernández, só vem a conhecer o sossego no fim da vida, após muitas desventuras políticas. Há a presença da bela espanhola Mercedez, alvo da cobiça dos homens, e as intrigas características do Brasil das primeiras décadas do século XX.


Exibição


Ao longo do tempo, a Bandeirantes já reapresentou Os Imigrantes em diversas ocasiões. Em 1982, logo após o final da Terceira Geração, foi reapresentada em compacto de 30 capítulos no mesmo horário das 18h30. Entre 1 de agosto a setembro de 1983, às 20h, foi reapresentada apenas a 1ª fase, em substituição a Sabor de Mel. De 22 de janeiro de 1990 a 27 de maio de 1991, na faixa matutina, ocorreu a única reprise integral dos 333 capítulos até hoje. Ainda, entre 27 de março e 22 de julho de 1995, as duas primeiras fases foram reprisadas, às 18h. Em 2010, a emissora gaúcha Ulbra TV de Porto Alegre firmou uma parceria com a Rede Bandeirantes e comprou as três primeiras fases da novela, entre agosto de 2010 a abril de 2011, em três horários, em 190 capítulos.

De 3 de Fevereiro a 27 de Outubro de 2014 a novela foi reprisada pela Rede Vida, canal católico de São José do Rio Preto/SP com um total de 190 capítulos remasterizados.


Elenco


Rubens de Falco - Antonio di Salvio
Othon Bastos - António Pereira
Altair Lima - Antonio Hernández
Herson Capri - Antonio di Salvio (1ª fase)
David Arcanjo - Antonio Pereira (1ª fase) / Quinzinho
José Piñero - Antonio Hernández (1ª fase) / Paquito
Yoná Magalhães - Mercedez
Maria Estela - Isabel
Lúcia Veríssimo - Isabel (jovem)
Rolando Boldrin - Décio
Norma Bengell - Nena
José Augusto Zago - Policial/Garçom
Fúlvio Stefanini - Amadeu
Cristina Mullins - Nina
Dionísio Azevedo - Tufik
Felipe Donavan - Ramiro
Flora Geny - Rosita
Luís Carlos Arutin - Youssef
Riva Nimitz - Matilde
Baby Garroux - Pierina
Sandra Barsotti - Maria
Agnaldo Rayol - Miguel
Luiz Armando Queiroz - Júlio / Luiz Vasconcellos
Paulo Betti - André
Afonso Nigro - André (criança) / Frederico
Cássia Stancatti - Dulce (Secretária Dr. André)
Valdir Fernandes - Primo
Carlos Amorim
Elizabeth Gasper - Frida
Fausto Rocha - Renato
Chica Xavier - Biá
Solange Couto - Bia (1ª fase) / Teca
Paulo Autran - Paco Valdez
Marcela Muniz - Maninha
Ísis Koschdoski- Rosália
Cláudia Alencar - Antônia
Nicole Puzzi - Antonieta
Paulo Castelli - Ricardo
Arlindo Barreto - José Antônio
Manfredo Colassanti - Tio Genaro
Emílio Di Biasi - Anacleto Amadeu
Ênio Santos - Olavo Coutinho
Cristiane Rando - Renata
Solange Theodoro - Helena
David Leroy - Rodolfo
Lizette Negreiros - Cacilda
Ulisses Bezerra - Paco
Márcio De Lucca - Francisco Molina
Arnaldo Weiss - Onofre
Ricardo Blat - Edgard Ataliba
Hugo Della Santa - Antonito
João Carlos Barroso - Chiquinho
Déborah Seabra - Cissa
João Signorelli - Youssefinho
Fábio Cardoso - Francisco Molina Hernández
John Herbert - Ramón
Abrahão Farc - Domingues
Dulce Conforto - Dedé
Mirian Mehler - Renata
Maria Eugênia de Domênico - Vitória
Maria Aparecida Baxter - Giselda
Roberto Orozco - Promotor
Geny Prado - Cremilda
Carlos Cambraia - Delegado Cardoso
Eduardo Abbas - Otávio
Léa Camargo - Léa
Roberto Scudero - Ator de teatro
Yara Grey - Ruth
Gésio Amadeu - Josué
Hélio Cícero - Ataliba
Tacus de Azevedo - Jorge Assad
Leonardo Camilo - Vadinho
Lília Cabral - Angelina
Taumaturgo Ferreira - Tonico
Carlo Briani - Mateus
Paulo Novaes - Marcos
Ady Salgado - Assunta
Raul Toledo - Lico
Rosilene Ferreira - Cabocla Cida
Andréa Leão - Elza
Ronaldo Salgado - Tadeu
Midore Tange - Hiroê
Felipe Donovan - Delegado
Carlos Takeshi - Hiroshi
Rodrigo Santiago - Meneguetti (Gino Amletto)

Lançamento, repercussão e legado


24 pontos foi a audiência média de Os Imigrantes em São Paulo, quando foi exibida pela primeira vez, em 1981.

Durante a terceira reprise da telenovela, em 1995, o jornalista da Folha de S.Paulo, José Simão, brincou dizendo: "E o que a gente faz quando a Band entra com "Os Imigrantes"? Emigra pra Globo! Que a Globo entra com os Irmãos e a gente com a Coragem!", referindo-se ao fato de Os Imigrantes concorrer com o remake de Irmãos Coragem, a novela das seis da Rede Globo na época.

Nesta terceira reprise, iniciada em março de 1995, apenas as duas primeiras fases foram apresentadas, em julho do mesmo ano a emissora decidiu interromper a reapresentação, uma telespectadora de São Luís, capital do Maranhão, reclamou na Folha de S.Paulo:

"Por que tiraram do ar `Os Imigrantes'?
Gostaria de manifestar minha decepção com a Rede Bandeirantes, que retirou do ar, sem mais nem menos, a novela "Os Imigrantes". Tenho 16 anos e pela primeira vez estava tendo a oportunidade de acompanhá-la desde o início. Apesar de antiga, era uma ótima novela, com elenco e autor excelentes. Além disso, era um verdadeiro banho de cultura a cada capítulo. Usava humor e romantismo para abordar temas da história brasileira e mundial. Ana Cristina S. Nascimento São Luís, MA.

Em 27 de outubro de 2000, a Rede Globo transmitiu o especial TV 50 Anos, em homenagem a história da teledramaturgia brasileira, Os Imigrantes foi relembrada.

Em 29 de dezembro de 2002, a Bandeirantes exibiu o especial Band, 35 Anos de História, foram exibidas imagens de Os Imigrantes


Prêmios


Os Imigrantes recebeu o Troféu Imprensa de melhor novela concorrendo com Baila Comigo e Ciranda de Pedra, ambas da Rede Globo, na edição realizada em 1982, a primeira do prêmio no recém inaugurado SBT, em 10 de janeiro de 1982.


Trocando em artes versão novelas volta mês que vem com "Dona Beija"

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A PARTILHA

terça-feira, 17 de outubro de 2017

QUINZE ANOS: CAPÍTULO XIV - JANEIRO (1º PARTE)


Estou em Barra dos Bugres, em uma fazenda. Estranho que está tudo em preto e branco. Estou brincando pela fazenda e minha mãe grita pra eu entrar em casa que um furacão se aproxima.
Vejo o furacão se aproximar e corro pra casa desesperado, mas antes que eu consiga um tronco de árvore é arremessado pelo vento e atinge minha cabeça, com isso eu desmaio.

Acordo um tempo depois em um lugar todo colorido e as pessoas comemoram, não entendo o porquê e pergunto. Elas respondem que eu matei o bruxo mau do leste.

Quando vejo o professor Martins está vestido com roupa de bruxo e caído, quando surgi naquele estranho local caí em cima dele e o matei.

Pergunto que lugar é aquele e me respondem que se chama “Oz”. Sem nada entender eu digo que quero voltar pra casa e as pessoas mandam que eu coloque um par de butinas prateadas do professor e siga uma longa estrada de tijolos amarelos que no fim eu encontraria o mágico de Oz e ele me daria o caminho de volta para casa.

Percorro o caminho cantando “over the rainbow” e no meio dele encontro George vestido como espantalho e sendo devorado por pássaros. Consigo soltá-lo e salvar sua vida. George agradece e diz que quer ir comigo até o mágico porque quer um cérebro.

Andando mais um pouco encontramos Rodrigo vestido como lata. Ele está rijo, todo duro e passamos óleo para soltar seu corpo. Ele agradece e nos acompanha porque quer um coração.

Mais um pouco à frente encontramos Luis Felipe parecendo um leão que também nos acompanha porque quer coragem.

Conseguimos chegar ao castelo do mágico e ele nos recebe na penumbra. Com voz cavernosa pergunta o que queremos e nós respondemos. Ele diz que para conseguirmos nossos pedidos temos que matar o bruxo mau do oeste.

Nos passa as coordenadas para chegar até ao bruxo e quando chegamos encontramos o Gustavo.

Perguntamos o que ele faz ali e Gustavo nos responde que a história era minha então eu que tinha que responder a isso.

Digo que tenho que matá-lo para voltar pra casa e ele responde que não preciso ir tão longe, ele fingiria que morreu e eu tirava uma foto.

Assim ele se jogou no chão, colocou catchup na boca e eu tirei uma foto pra levar ao mágico.
Chegando ao castelo descobrimos que ele era uma fraude, na verdade era o Marco Aurélio disfarçado. Ficamos frustrados e ele nos diz para não ficarmos tristes porque a solução estava dentro de nós.

Não entendemos e ele vira para George e diz que ele tem um cérebro. George responde que não, que era burro e Marco insiste que ele tem. Os dois discutem um tempo e Marco pergunta “Você não passou de ano?”, George responde que sim e Marco diz que ali estava o motivo de sua inteligência.

Depois vira para Rodrigo e diz que ele em coração, Rodrigo não concorda e Marco lembra-se da cena de “Top Gum” que o amigo de Tom Cruise morre, Rodrigo se emociona e pede para que ele não lembre que sempre chora nessa parte, nisso Marco diz “Viu? Emociona-se porque tem coração”.
Depois vira para Luis Felipe e olha para ele durante alguns segundos até que conclui “é, você não tem jeito mesmo, é covarde”
.
Enquanto Luis Felipe se revolta eu pergunto ao mágico sobre meu problema e ele diz que o segredo estava nos meus sapatos. Pergunto se era pra bater com eles e dizer “não há lugar melhor que o nosso lar” e ele responde que não, que era pra correr com eles e ir pra rodoviária que sairia um busão “Oz/Barra dos Bugres” em meia hora.

Chego correndo na rodoviária e quando entrego o dinheiro no guichê dou de cara com minha mãe e no espanto digo “mãe?”.

E ela responde a mim sonolento na cama “sim, acorda que você tem que me ajudar a arrumar as malas”.

Levantei aliviado, fiquei muito feio de Dorothy.

Acordo em 1990 em meu penúltimo dia no Rio de Janeiro antes de ir embora. Ralei o dia todo empacotando as coisas que o caminhão levaria até a rodoviária. Eram muitas coisas e eu me perguntava se tudo caberia dentro do ônibus.

No fim do dia estava morto e só queria uma cama. Tomei um banho e deitei dormindo na mesma hora.

Quinze minutos depois minha mãe me acordou dizendo que tinha visitas.

Levantei e fui ao portão dando de cara com meus amigos George, Gustavo, Rodrigo, Marco e Luis Felipe com refrigerantes e muitos quitutes na mão. Gustavo perguntou se eu achava mesmo que eles me deixariam ir embora sem despedidas e feliz abri o portão para eles.

Foi uma noite maravilhosa, inesquecível. No meio de muitas risadas lembramos nossas histórias inesquecíveis desde que construímos essa irmandade.

Felipe se lembrou do vômito na sala de aula, Marco do medo que eu tinha de seus chutes, Gustavo de quando éramos apaixonados por Raquel, George do espanto de todos quando declarou em sala de aula que era burro e Rodrigo de nossa noite na casa mal assombrada.

Fiquei emocionado e com lágrimas nos olhos lembrando todas aquelas histórias de meus irmãos e notei que eles também se emocionaram, aqueles cinco eram os melhores amigos que um menino poderia ter e eles estão encravados em minha alma até hoje e posso dizer que pra sempre.

Sempre fui melhor escrevendo que falando, mas arrumei coragem e gaguejando falei. Disse que não sabia se nos veríamos novamente e que eu queria muito que isso ocorresse, mas se não tivesse essa oportunidade eles para sempre estariam em meu coração. Nesse momento soquei meu peito para reforçar esse sentimento.

Vi meus amigos chorando e Marco limpando as lágrimas disse que eu escrevia muito bem e pediu que um dia eu escrevesse sobre nossa história.

Olhei para ele e prometi que faria. Nesse momento os seis estenderam as mãos e colocamos uma sobre as outras firmando assim uma promessa de amizade eterna.

Minha mãe viu toda a cena e colocou um disco do Balão Mágico na vitrola. Quando percebemos começamos a cantar abraçados e a pular feito malucos ao som de “somos amigos, amigos do peito amigos de uma vez/somos amigos, amigos do peito amigos de vocês”.

A noite acabou e chegou a hora deles irem embora. Enquanto me despedia deles no portão minha mãe apareceu com uma máquina fotográfica e pediu para posarmos para uma foto.

Assim os seis se viraram abraçados e posaram para a fotografia gritando “xis”.

Um fazendo chifrinho no outro, sorridentes, com brilho adolescente nos olhos de quem é feliz e anseia por um grande futuro.

Cada um seguiu sua vida com o grupo se desfazendo aos poucos. Crescemos, viramos adultos, pais, nunca mais vi nenhum deles.

A foto desbotou, mas o amor por eles jamais.

Continua...


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DEZEMBRO

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TROCANDO EM VERSOS: GAIA, A REAÇÃO DA MÃE TERRA


Nesse mês de outubro faz dez anos de um dos concursos de samba mais importantes que já participei. Foi do Boi da Ilha para o carnaval 2008. O enredo era "Gaia, a reação da mãe Terra", tema que foi enredo do Salgueiro anos depois e trata da "Teoria de Gaia", aquela em que a Terra é vista como um ser vivo que está doente e as catástrofes naturais são a reação dela produzindo anti corpos contra a doença, no caso nós..

O samba foi composto por Ricardo Barbieri, Cadinho, Ito Melodia, Toninho Z-10, Jair Turra e eu. Considero esse samba um dos meus três mais bonitos, a letra mais bonita que participei da feitura nesses meus 20 anos de samba. Perdemos na final, mas esse samba me marcou e é essa letra que divido hoje com vocês em sua versão original.  



Quando a humanidade
Ouvir o clamor que vem da Mãe Terra
Espero não estar perto do fim
Senhor olhe por nós, tire essa cruz de mim
O ser vivo em que moramos está doente
Chora, padece, provocando reação
Para impedir o juízo final
Só o juízo afinal

Derrubem fronteiras, todos juntos pra salvar
Vamos das as mãos, na união apostar 
Cidadania é a nossa fé
Eu tenho fé

Vejam é o Sol que vem raiando
Traga boas notícias nesse novo amanhecer
Vejam é o Sol anunciando um novo tempo
Esperança sempre teima em nascer
Esperança sempre teima em renascer
Desenvolver sustentado no ambiente
Nova história, outra maneira de contar
Quero água limpa pra beber, água limpa pra viver
Meus netos conhecendo a fauna e a flora
Sonhos de um louco como eu
No meu enredo esse sonho aconteceu

Vai meu samba, vai levar, nossa voz ao mundo inteiro
Vai meu samba viajar, seja nosso mensageiro

Gaia quero ver você feliz
Azul mais azul na beleza das cores
Jardim do Éden, voltou, obra prima do criador
E a minha escola vem cantando em seu louvor

Basta amor pra preservar curar
O Planeta no pulsar de um coração
Basta amor pra preservar, cuidar
Meu carnaval é emoção


*Na versão do vídeo abaixo não tem o começo da segunda do samba que foi retirada antes do início do concurso.


TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

UM MOMENTO E SÓ

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SOBE O SOM: ESPECIAIS INFANTIS


Hoje o "Sobe o som" faz homenagem as crianças por seu dia, o 12 de outubro.

Para homenagear vou relembrar minha infância, a infância  feliz dos anos 80 quando as emissoras de televisão deram destaque as crianças fazendo especiais lúdicos, ricos e com grandes artistas da MPB para homenagear os pequenos. Falo dos especiais "Arca de Noé" baseado na obra "Arca de Noé" de Vinicius de Moraes, o especial foi ao ar em 1980. Depois veio "Pirlimpimpim" em 1982 como homenagem aos 100 anos de Monteiro Lobato. Por fim "Plunct Plact Zum" fechou a trilogia em 1983. O maior destaque fica no respeito com que as crianças eram tratadas quando muitas vezes músicas adultas foram usadas nos especiais e se tornaram inesquecíveis.

Vamos relembrar a infância dos anos 80, matar saudades e, para os mais novos, conhecer essa obra encantadora e com gosto de saudade. Músicas que estarão para sempre em nossos corações.


Então vamos lá!!


Sobe o som especiais infantis!!


O pato - MPB 4 (Arca de Noé)


A pulga - Bebel Gilberto (Arca de Noé)



Corujinha - Elis Regina (Arca de Noé)


A casa - Boca livre (Arca de Noé)


Emília - Baby Consuelo (Pirlimpimpim)


Pirlimpimpim - Moraes Moreira (Pirlimpimpim)


Saci Pererê - Jorge Ben (Pirlimpimpim)


Cuca - Angela Ro Ro (Pirlimpimpim)


Sereia - Fafá de Belém (Plunct Plact Zum)


Brincar de viver - Maria Bethânia (Plunct Plact Zum)


Use a imaginação - José Vasconcellos (Plunct Plact Zum)


Planeta doce - Jô Soares (Plunct Plact Zum)


Bem. Aí está um pouco da obra desses três especiais inesquecíveis. Semana que vem tem mais, tem música de qualidade com Diana Ross & Tina Turner.


Enquanto isso espere, não vá a lugar nenhum..


..pegue comigo carona nessa cauda de cometa


..E também não se esqueça de mim.


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JOTA QUEST

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

CINEBLOG: O TRAPALHÃO NAS MINAS DO REI SALOMÃO


Cineblog hoje é em forma de homenagem. Homenagem para as crianças que terão seu dia amanhã e homenagem ao maior grupo de humor que já tivemos, Os Trapalhões, com seu filme de maior bilheteria.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


O trapalhão nas minas do Rei Salomão



O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão é um filme brasileiro de 1977, do gênero comédia e aventura, dirigido por J.B. Tanko e estrelado pelos Trapalhões Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum.

O filme é baseado no conto As Minas do Rei Salomão, escrito pelo britânico Henry Rider Haggard (1856-1925).

O filme levou 5,8 milhões de espectadores aos cinemas. Este foi o filme de maior bilheteria dos Trapalhões. Dentre os filmes de maior público da história do cinema nacional, este ocupa atualmente o 6º lugar.


Sinopse



Os amigos Pilo (Renato Aragão) e Duka (Dedé Santana) ganham a vida em brigas simuladas nas praças e feiras públicas do interior, enquanto o cabo Fumaça (Mussum) recolhe o dinheiro das apostas. A jovem Glória (Monique Lafond), então, contrata os três para uma expedição às minas do Rei Salomão, onde o pai dela, o arqueólogo Aristóbulo (Carlos Kurt), é prisioneiro. Oferece como prêmio um fabuloso tesouro desconhecido do qual ela tem a única pista existente, um medalhão que é alvo de muita cobiça pelos vilões ao longo do filme. Pilo logo se apaixona por Glória, que no entanto, está interessada em Alberto (Francisco Di Franco), também integrado à expedição. Durante a jornada, enfrentam vários perigos, como um grupo de ciganos, um rei paxá e seus asseclas e os malvados ninjas Quaretz. O maior perigo, no entanto é uma bruxa malvada (Vera Setta) e seu fiel ermitão (Wilson Grey) dispostos a tudo para impedir que eles cheguem até o tesouro e ao paradeiro de Aristóbulo.


Elenco



Renato Aragão .... Pilo
Dedé Santana .... Duka
Mussum .... Fumaça
Carlos Kurt .... Professor Aristóbulo
Monique Lafond .... Glória
Wilson Grey .... Ermitão
Francisco Di Franco .... Alberto
Vera Setta .... Bruxa Zuluma
Baiaco .... capanga de Malecrino
Carvalhinho .... Paxá
Leovegildo Cordeiro "Radar" .... Bêbado encrenqueiro no bar
Edson Farias
Milton Villar .... Cigano Malecrino
Alan Fontaine .... Cigano Lambrusco
Emil Rached .... Gigante Mal-Humorado
Youssef Salim Elias .... Eunuco do Paxá


Recepção



Rodrigo Carreiro em sua crítica para o Cine Repórter disse que "com todos os efeitos, o filme que melhor resume a comédia fuleira, espontânea e infantil dos quatro comediantes mais amados pelas crianças brasileiras. Em resumo, uma beleza de filme B para meninos com menos de 8 anos.


Cineblog volta em duas semanas com o esperado "Tootsie".


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400 CONTRA 1

terça-feira, 10 de outubro de 2017

QUINZE ANOS: CAPÍTULO XIII - DEZEMBRO


Um Ambiente meio empoeirado, estilo anos 40. Uma pista de voo clandestina e eu estou lá.

Não só eu como Ericka e Anderson.

Vivemos em plena 2°guerra mundial e estamos em território nazista. Anderson precisa fugir e um pequeno avião está a sua espera para levá-lo embora, mas no meio tem Ericka e ela está indecisa.

Ela tem um relacionamento com Anderson, mas na verdade temos um caso, nos amamos e isso faz com que minha musa inspiradora não saiba o que fazer. Ela tem duas opções, ir embora com Anderson e nunca mais me ver ou ficar comigo e deixá-lo ir embora.

Vejo nos olhos de minha amada que ela quer ficar comigo, mas ao mesmo tempo tem medo. Eu amo essa mulher, mas sou um mulherengo e boêmio incorrigível. Estava na hora de eu dar uma prova de maturidade e amor por Ericka.

Anderson entra no avião e mando Ericka entrar com ele.

Minha musa me olha incrédula. Respiro fundo e com firmeza repito que ela deve embarcar e ir com Anderson, que ela poderia achar que não era o certo, não se arrepender por hora, mas um dia se arrependeria se ficasse.

Com ela me olhando usei todo meu charme e disse “sempre teremos Paris”.

Ericka olhou bem nos meus olhos e respondeu “Tudo bem”.

Foi minha hora de não entender nada. Pensei que ela fosse relutar, pedir para ficar, mas em vez disso começou um monte de pedidos “Faz um favor pra mim? Deixei livros na estante e umas roupas na lavadeira, dá pra pegar tudo pra mim e mandar pelo correio?”.

Eu abismado só balançava a cabeça concordando e ela continuava “As plantas tem que ser molhadas todas as noites, não se esqueça senão elas morrem. O Rex não gosta de comida de cachorro então dê angu pra ele, bote uns pedaços de bife as vezes que lhe deixará feliz. A conta de luz vence na sexta-feira deixei em cima da televisão”.

Ericka se encaminhou para a porta do avião e voltou completando “ah, hoje de manhã uns nazistas foram lá em casa querendo te matar e uma vendedor do baú da felicidade, comprei uns carnês, quem sabe não dá sorte? Fui”

E entrou com o avião partindo.

Comecei a caminhar para ir embora com Marco Aurélio do meu lado e comento “acho que está nascendo uma grande amizade”, Marco completa “depende, terei que molhar plantas também?”.

Evidente que eu estava dormindo e acordo não para ir ao colégio, mas com discussão entre minha mãe e minha avó.

Mais uma entre as inúmeras que tiveram desde que minha avó voltou. Ela esbravejava a venda de itens da casa, do carro e por minha mãe entrar na justiça requerendo minha guarda. Minha mãe revidava que se não tivesse feito essas coisas teríamos passado fome e até meu colégio estava atrasado.

Terminou dizendo que isso iria acabar porque estávamos de mudança para o Mato Grosso em janeiro.

Foi no momento que entrei na sala. Espantado perguntei por aquela história e minha mãe confirmou que a Sonja passara na prova e foi convocada logo para em janeiro de 1990 assumir a comarca de Barra dos Bugres.

Até aquele momento era tudo suposição para mim, mas se tornara oficial, eu iria embora.

No colégio comentei com meus amigos sobre a história de Barra dos Bugres e todos ficaram tristes. Gustavo perguntou quando eu partiria e respondi que na primeira semana de janeiro. Rodrigo completou que estava muito próximo e tínhamos que fazer um “bota fora”.

Luis Felipe passou a mão em minha cabeça e disse que nunca sairia da minha vida e até adultos me “encheria” e recordaríamos nossas histórias de adolescente, sorri e consolei George que estava com lágrimas nos olhos quando Marco me perguntou sobre a cidade.

Respondi que não sabia nada sobre ela, me sentia como no filme “Bye bye Brasil” e pegando a caravana “rolidei” para desbravar estradas. Marco falou que se o pai voltasse a aprontar me encontraria lá.

Dei um abraço no meu amigo quando Ericka surgiu e ele aproveitou e contou a ela que eu iria embora. Ericka se assustou e perguntou para onde. Respondi e ela me desejou boa sorte e
que eu iria fazer falta.                

Meu coração ignorava o fato dela não querer nada comigo e se empolgava cada vez que ela me tratava com carinho. O pior é que era sempre, Ericka sempre teve carinho por mim, me tratou bem e ele se confundia.

Professor Paulo de geografia nos chamou para sala de aula. Era hora da última prova a que eu teria que tirar oito.

Fiz a prova tranquilo por ter estudado muito e achava que conseguira, mas certeza não dava pra ter só quando saísse a nota.

Alguns dias depois estava em casa e minha mãe foi buscar meu boletim. Ela voltou com cara séria e eu assustado tremia por dentro com pensamento que fracassara.

De repente ela sorriu e deu um grito “você conseguiu!!”.

Eu sempre fui um cara muito emotivo e não aguentei com a notícia. Chorei muito e abracei minha mãe que também chorava numa das cenas mais comoventes e emocionantes da minha vida. Muitas vezes choramos juntos depois, quando me formei, o meu primeiro samba na avenida com ela chorando na frisa assistindo e quando ganhei Estandarte de Ouro e dediquei a ela no palco.

No mesmo dia passamos no colégio antes de ir almoçar em um restaurante de comida mineira e lá descobri que Rodrigo ficara para recuperação e Marco reprovado. O ano pro Marco foi muito confuso e aquilo já era esperado.

Meu amigo estava lá e tentei consolá-lo. Marco com aquele sorriso de sempre mandou que eu não me preocupasse que ele já esperava e que a década que começava seria diferente para ele. Tudo seria melhor.

Mas não estava de férias ainda, faltava a peça para a qual ensaiamos tanto.

Naquele mês então ensaiamos com muito afinco, mas no dia da peça fiquei nervoso. Fui ao banheiro e vomitei de tanta tensão que estava. Professora Suely foi lá e perguntou se eu estava bem, respondi que sim.

Mas não estava. Minha vontade era de ir embora.

A peça começou e da coxia eu assistia. Via as pessoas se divertindo e aquilo me acalmava. Comecei a rir junto da coxia e já me encontrava preparado para atuar.

Nunca fui ator, meu negócio sempre foi mais escrever mesmo ganhando prêmio de ator na faculdade nove anos depois. Entrei em cena e tudo saiu como planejado, me senti a vontade no palco e naquele dia percebi que queria estar perto do teatro de alguma forma para sempre.

Fomos muito aplaudidos no fim e saí do palco aliviado com a missão cumprida.

E de férias.

Isso que não me soou tão bem. Evidente que um menino da minha idade adorava quando as aulas acabavam e entrava de férias. Mas aquelas seriam minhas últimas com aquela turma com a qual estava junto há três anos, muitos dali eu não veria nunca mais.

E a Ericka poderia estar nesse meio o que me deu certo desespero.

Ela e a mãe iam embora e eu fiquei lá parado sem ter reação nenhuma. Ericka me viu e voltou para falar comigo. Passou a mão em meu cabelo, deu um beijo no meu rosto e desejou boa viagem para Barra dos Bugres, me deu um papel com seu telefone falando para que eu ligasse quando estivesse no Rio e endereço de sua casa para que eu mandasse um postal.

E assim ela foi embora sem eu falar nada. Minha timidez impediu que eu falasse tudo o que sentia, deixei a mulher da minha vida ir embora para sempre e eu não fui capaz de dizer um “te amo” pessoalmente.

Fiquei ali parado inconformado comigo mesmo, chorando por dentro quando meus amigos chegaram e me puxaram para ir pela última vez ao Zamak.

Ali falamos besteiras, rimos e eu consegui esquecer por instantes minha frustração com a Ericka.

O clima continuava ruim lá em casa. Jorge Hipólito voltara ao Mato Grosso do Sul para as festividades de fim de ano e minha mãe e minha avó não se falavam comigo ficando no meio do tiroteio.

Minha avó assumiu o controle sobre os aluguéis dos fuzileiros e novamente ficamos duros. A situação só não ficou pior porque minha avó teve a consciência de me dar um dinheirinho por semana que eu repassava a minha mãe.

Mas chegou a hora da verdade na justiça. Fomos convocados a ir lá ao meio de uma nova viagem de minha avó, daquela vez ao Sul, a juíza comunicou que a guarda era de minha mãe. Ela vencera na justiça.

A partir de janeiro de 1990 ela receberia a pensão de meu avô e seria a responsável por minha criação. Resolvida a última pendenga da viagem para Barra dos Bugres.

A proximidade da virada de ano e de uma nova vida tão longe do Rio de Janeiro me assustava. Eu nasci e fui criado na mesma casa na Ilha do Governador, conhecia todo mundo aqui e chegaria a um lugar que nunca ouvira falar na minha vida. A população da cidade mato-grossense era menor que a do meu bairro.

Mas tentava viver e curtir aqueles últimos momentos no Rio de Janeiro.

As vezes saía com meus amigos. Jogávamos tênis nas quadras do aterro do Cocotá, o Temporal fazia suas partidas, íamos ao Patin House, tudo seguia seu rumo.

Uma tarde Luis Felipe me ligou dizendo que descolara o carro do pai, que viajara perguntando se queria ir ao drive in com ele.

Respondi que evidente que não queria. O que eu iria fazer com homem em um drive in? Ele riu e respondeu que claro que não iríamos sozinhos, duas meninas iriam junto.

Isso começou a me interessar.

Por incrível que pareça até a primeira década do século XXI a Ilha tinha um drive in perto da entrada do bairro. Por muitos anos foi a única opção de cinemas do bairro até que surgiu o shopping.

No horário combinado ouvi a buzina e era o Felipe com duas meninas no carro. Entrei no veículo cumprimentando meu amigo que estava na frente com uma menina e cumprimentando a menina que sentou comigo no banco de trás. Ela estava com cara de “poucos amigos” e ali percebi que a noite seria longa.

Felipe com quinze anos dirigindo pelas ruas da Ilha do Governador. Se a polícia nos pegasse estávamos ferrados.

No drive in com o carro parado tentei puxar papo com a menina e perguntei seu nome, ela respondeu “Bia”. Esperei um tempo achando que ela perguntaria meu nome, mas a Bia não perguntou. Contei que me chamava Quinzinho e a garota respondeu “que bom pra você”.

O filme rolava, Karatê Kid 3 e na parte da frente do carro Felipe e a menina davam altos amassos. Bia continuava emburrada do meu lado e eu não sabia como proceder. Aos poucos coloquei minha mão em seu ombro e ela irritada disse “faz logo o que quer, bota a mão no meu peito”.

Olhei pra ela perguntando “hein?” e ela falou que eu era “muito mole” me empurrando e dando um beijo.

Luis Felipe e a menina na frente, eu e Bia atrás, minha primeira relação sexual sem pagar. Vi nada do filme nesse dia só consegui ver em vídeo cassete meses depois.

Levamos as meninas em casa, eram irmãs e ficaram no mesmo lugar. Enquanto Luis Felipe dava beijos fogosos na sua eu todo romântico fazia carinho no cabelo de Bia pedindo seu telefone e ela recusando-se a dar.

Olhei espantado e a menina com cara mais normal do mundo completou “eu só queria sexo”.

Luis Felipe me chamou e entramos no carro. Enquanto ele dava a partida eu contei “Fui usado, só me queria pra sexo”. Felipe riu e partimos.

Essa época foi a reta final das eleições presidenciais e eu empolgado via o Lula encostar cada vez mais no Collor em busca da presidência. Lula deu um show no primeiro debate entre os candidatos a presidente, mas no segundo o Collor se saiu um pouco melhor.

Mas não tão melhor quanto a edição feita pelo Jornal Nacional mostrou, o que praticamente decidiu a eleição.

No domingo 17 de dezembro de 1989 olhei as pesquisas boca de urna com uma grande tristeza ao ver que o Lula perderia. Liguei para Raquel e ela chorava pelo sonho terminado. Com os dias a vitória do Collor foi confirmada e só me restou a esperança que um dia o Lula fosse presidente do Brasil e o Collor fizesse um bom governo.

Bom governo, piadista eu..

Minha vó voltou ao Rio para as festividades de fim de ano. Não só ela como tia Rachel e tio Flávio também vieram de Curitiba com Fabinho.

Aproveitando que eles estariam aqui tia Rosanne veio com tio Eduardo e Bruno de Niterói para também passarem as festividades aqui.

 Ainda tinha uns quartos vagos que não foram alugados para fuzileiros e a casa que na maior parte do ano ficou vazia estava lotada.

Tirando o fato de minha mãe e minha avó não se falarem a casa estava bem animada com a presença de meus tios e das crianças. O Natal chegou e como sempre minha mãe montou a árvore que ficou linda.

Enquanto assavam peru e pernil tomei coragem de ligar para Ericka desejando feliz Natal, mais uma vez não falei o que sentia.

A família se reuniu para ceia e me incomodava ver as duas que se amavam tanto sem se falar. Chegou meia noite e entre as trocas de presentes e abraços finalmente elas se abraçaram aos prantos e se desejaram felicidades. Emocionado abracei minhas “duas mães”.

Passei infância e adolescência convivendo com essas duas mulheres maravilhosas que amarei para sempre.

A semana passou e dia 31 de dezembro minha mãe veio com a ideia louca de todos irmos à Copacabana pra virada. Ela sempre teve o sonho de passar reveillon lá, mas nunca foi encampado por nós. Só que naquele ano minha avó se interessou e meus tios embarcaram na ideia.

Eu que sempre odiei multidão não gostei muito e fui de mau humor.

Chegando a Copacabana meu sentimento mudou. Eu sempre gostei do bairro, pensava um dia morar lá e aquele ambiente tomado de esperança e felicidade me sensibilizaram.

As pessoas de branco carregando champanhe, flores, se confraternizando na areia me fez entrar no clima. Perto da contagem regressiva com os primeiros fogos estourando no ar comecei a lembrar de meu ano.

Que ano intenso foi meu 1989 e como passou rápido. Começou com uma viagem a Maceió, uma paixão louca pela Fabiola, carnaval, braço quebrado no Patin House, amor pela Ericka, fortalecimento de amizades, nascimentos, casamentos, divórcios, mortes de Joaquina e Jorge Guilherme, teatro, futebol, aniversário, perda da virgindade, grêmio estudantil..

..e fechar o ano em Copacabana sabendo que em uma semana iria embora do Rio de Janeiro.

Chegou meia noite trazendo em seu colo a nova década, 1990. Todos se abraçaram e como sempre minha mãe chorou com virada de ano.

Eu deslumbrado olhava aqueles fogos maravilhosos no céu pensando no que o futuro me reservava. Lembrei de um samba antigo da União da Ilha e pensei “O meu destino será como Deus quiser”.

Feliz ano novo



CAPÍTULO ANTERIOR:

NOVEMBRO

sábado, 7 de outubro de 2017

SÁBADO POÉTICO: VEM FAZER GLU GLU


Sábado poético (Excepcionalmente sábado) traz hoje para ser recitada uma linda poesia, um clássico da música brasileira feito nos anos 80. A canção "Vem fazer Glu Glu" é magistralmente interpretada pelo brilhante poeta Sergio Mallandro.


Declamação


Música


Em semanas "Sexta poética" volta com mais uma linda letra da MPB


Vem meu amor...


SEXTA POÉTICA ANTERIOR:

BAILE DE FAVELA

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

SOBE O SOM: JOTA QUEST


Jota Quest é uma banda brasileira de pop rock formada em Belo Horizonte, em 1993. Nasceu com o nome J.Quest, por inspiração do desenho animado Jonny Quest. Para não serem processados pela Hanna-Barbera, o grupo teve de mudar o nome da banda para Jota Quest no final da década de 1990. Há também uma versão que diz que a alteração foi feita por Tim Maia, que, se referia a banda como Jota Quest.

A banda também encontrou inspiração na banda de acid jazz Jamiroquai. Foi por gostar de black music (soul/funk/disco) e acid jazz que o baixista PJ e o baterista Paulinho Fonseca resolveram formar uma banda. Em seguida, o guitarrista Marco Túlio Lara e o tecladista Márcio Buzelin juntaram-se ao grupo. Rogério Flausino começou sua atuação no conjunto após ser escolhido num teste com mais de dezoito candidatos.

Em 1996, foram contratados pela Sony Music e gravaram o primeiro álbum J. Quest, que trouxe alguns singles de destaque,Em Março de 2013 a banda lança uma nova compilação intitulada Mega Hits, primeiro álbum lançado exclusivamente de forma digital em projeto da Sony Music.

Então vamos lá!!


Sobe o som Jota Quest!!


Pra quando você se lembrar de mim


O Sol


Dias melhores


Além do horizonte


Do seu lado


Daqui só se leva amor


Dentro de um abraço


Amor maior


Fácil


Vem andar comigo


Encontrar alguém


Tudo me faz lembrar você


As dores do mundo


Na moral


De volta ao planeta dos macacos


Bem. Aí está um pouco da história de uma importante banda pop das últimas décadas. Semana que vem é semana das crianças e tem especial Pirlimpimpim & Pluct Plact Zum.


Enquanto isso digo que só sua presença vai me deixar feliz.


SOBE O SOM ANTERIOR:

A-HA & SIMPLE MINDS 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

TROCANDO EM ARTES: A PARTILHA


Trocando em artes versão teatro volta hoje com um dos maiores sucessos do teatro nacional. Peça que consagrou Miguel Falabella.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


A Partilha



Partilha é uma peça escrita e dirigida por Miguel Falabella, em 1991, a peça ficou em cartaz por 6 (seis) anos. Chegando a cerca de 12 países.

No pequeno Teatro Cândido Mendes, onde foi a estréia, o cenógrafo transforma rapidamente o ambiente de uma capela mortuária em um apartamento de Copacabana, onde se dá início ao conflito das irmãs.O crítico Lionel Fischer comenta o trabalho das atrizes: "Natália do Vale, cujo personagem é de uma frivolidade deliciosa, nasceu para participar desta montagem, e talvez seu desempenho possa ser considerado como o melhor de toda a sua carreira em teatro, que apesar de não ser longa é marcante". Arlete Salles, que na interpretação da irmã parisiense divide as frases com ênfases nada previsíveis, realiza, na opinião do crítico, "um trabalho de atriz inesquecível", de "notável senso de humor, presença cênica e domínio vocal".

Considerando-o "o primeiro texto de maior fôlego de Miguel Falabella", o crítico Macksen Luiz avalia que ele "conta com simplicidade uma história que mexe com a memória afetiva do espectador, utilizando-se do riso como uma arma infalível para desmascarar o triste mas belo sentimento humano de perseguir a felicidade".

A peça foi escrita por Miguel, depois de uma ideia que a atriz Natália do Vale deu a ele, quando os dois atuavam como irmãos na novela O Outro, onde também atuava Arlete Salles, outra atriz da montagem original.

Simples, bem-humorada e comovente, a comédia dramática de Miguel Falabella, continua sendo remontada, com novos elencos, há mais de dez anos.

Atrizes como Yoná Magalhães, Rosamaria Murtinho e Thaís de Campos chegaram a substituir alguma vezes a do elenco original.

A peça fez tanto sucesso que Miguel Falabella escreveu em 2000, a continuação A vida passa, e em 2002 o filme A Partilha.

21 anos após ser encenada,o elenco original volta em 2012,menos Natalia do Vale que está escalada para próxima novela da autora Glória Perez. Para substituir Natalia do Vale,foi convidada Patrícia Travassos,ou outros papéis continuam com Susana Vieira, Arlete Salles e Tereza Piffer.


Enredo


Após muito tempo afastadas, quatro irmãs se reencontram durante o enterro da mãe, para fazer um levantamento dos bens da família e rediscutir suas próprias vidas. As divergências são inevitáveis, pois elas seguiram caminhos muito diferentes: Selma, a irmã mais conservadora, está casada com um militar e leva uma vida disciplinada na Tijuca; Regina, é liberada, esotérica, não costuma se reprimir e tem uma visão "alto astral" da vida; Maria Lúcia (Marilu) abandonou um casamento convencional e o filho para viver um grande amor em Paris; e Laura, a caçula, revela-se uma intelectual sisuda e surpreende as irmãs com suas opções. Durante o encontro, elas discutem e brigam mas, ao mesmo tempo, relembram os bons tempos passados e descobrem muitas novidades sobre elas mesmas.Vivem intensamente suas afinidades, seus problemas e suas diferenças.

Com argumento simples, a peça se inicia com esse encontro da quatro irmãs. A divisão da herança motiva um mergulho no passado e uma discussão sobre os episódios retidos na memória de cada uma. O conflito, que as diferencia e divide num jogo competitivo que abre espaço à crueldade, permite que ao final se retome a unidade. A sutil separação entre os sentimentos e sua expressão social faz com que a crítica veja no texto de Falabella uma inspiração tchekhoviana. Em A Partilha, o desejo inalcançável das personagens é a recomposição do passado como uma ideia mítica de felicidade, e ele se desvenda através de um humor cruel. A inegável ação do tempo e sua corrosão sobre as emoções humanas são a fonte de dramaticidade. O humor não é o elemento que norteia os diálogos e a ação - em primeiro lugar está a coerência de cada personagem e suas contradições.

Elenco


Natália do Vale .... Selma
Arlete Salles .... Maria Lúcia (Marilu)
Susana Vieira .... Regina
Thereza Piffer .... Laura


No cinema



Daniel Filho comprou os direitos de adaptação da peça para o cinema em 1990, pouco após a sua estreia. As filmagens de A partilha foram concluídas em cinco semanas, entre os meses de novembro e dezembro de 2000

Elenco

Glória Pires .... Selma
Lília Cabral .... Lúcia
Andréa Beltrão .... Regina
Paloma Duarte .... Laura
Herson Capri .... Luis Fernando
Marcello Antony .... Bruno Diegues
Bianca Castanho .... Angela
Chica Xavier .... Bá Toinha
Dênis Carvalho .... Carlos
Fernanda Rodrigues .... Simone
Guta Stresser .... Célia
Thiago Fragoso .... Maurício


Trocando em artes versão teatro volta com "Cyrano de Bergerac".


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

IRMÃOS CORAGEM

terça-feira, 3 de outubro de 2017

QUINZE ANOS: CAPÍTULO XII - NOVEMBRO


Vivia uma situação surreal com Ericka. Ela casara com Anderson e eu decidi tentar esquecer minha amada focando em outras coisas. Virei farmacêutico e músico tocando trombone nas horas vagas.

Anderson se tornou um cara farrista, presepeiro, boêmio e mulherengo enquanto Ericka engolia esses dissabores virando uma grande quituteira. Dava aulas de culinária em casa e era esse dinheiro que sustentava a família.

Dinheiro que muitas vezes Anderson roubava da pobre esposa.

Até que em um dia de carnaval Anderson desfilava com um bloco na rua vestido de mulher e caiu duro. Estava morto.

Ericka desesperada saiu pela rua gritando por Anderson enquanto eu da farmácia observava tudo. A viúva, linda, vestiu preto e se enlutou por um bom tempo até que esqueci o “fora” que tomara a comecei a fazer corte a ela.

Aos poucos Ericka foi cedendo e consegui levar a mulher dos meus sonhos ao altar. Tínhamos uma boa vida calma, tranquila. Eu mantinha meu trabalho na farmácia e ela dando aulas de culinária. No fim da noite tocava um pouco de trombone para ela e íamos deitar.

Só que com o tempo comecei a notar diferenças em minha esposa. Notava nervosa, até mesmo excitada e muitas vezes falando sozinha. Como se falasse com um fantasma.

Não sei por que, mas as vezes eu tinha a impressão que dividia a cama com ela e mais um.

Até que uma vez saindo da igreja de braços dados com ela por um relance tive a impressão que o Anderson peladão também dava o braço a ela e saíamos os três assim da igreja, de braços dados.

Estranho isso..o que será, o que será..

Mas antes que eu tentasse entender uma mão tocava em meu ombro e dizia “acorda Quinzinho”..o resto vocês já sabem..

Não me acordou para ir ao colégio. Era fim de semana e Jorge Guilherme foi a nossa casa. Minha mãe ia com ele em um centro em Magé e perguntou se eu queria ir junto. Sem nada pra fazer e sem querer ficar em casa sofrendo pela Ericka eu fui.

Ela, Marco e eu fomos no carro que ela comprara com a venda do outro e o Jorge de moto. Chegamos lá e eles se consultaram. Por curiosidade acabei fazendo consulta também doido por alguma boa informação em relação a Ericka, mas não veio nenhuma.

A única coisa que me disseram é que aconteceriam mudanças em minha vida.

Depois passamos na casa da Eva. Eva era uma empregada antiga da família, antes mesmo que eu nascesse, que casou com um cara bacana chamado Antônio e construíram uma casa em Magé.

Lá morava também dona Mariquinha, mãe da Eva e os filhos. Muitos filhos entre eles o João Sergio que era o mais velho e conhecia desde que nasci e as meninas Liliane e Maria Aparecida. Teve um tempo que rolou uma paixãozinha minha pela Lilian, mas como sempre dei com os burros n água.

O macarrão que a Eva fazia era delicioso, em panela de barro e aquele cheiro de comida feita a lenha até hoje não sai de minha memória.

Passamos uma tarde gostosa lá e no fim comentei com minha mãe que no centro comentaram que eu teria mudanças na minha vida. Ela respondeu que talvez eu tivesse mesmo.

Não entendi e pedi que ela me explicasse. Minha mãe contou que uma amiga da tia Rachel chamada Sonja era juíza e faria prova para assumir uma comarca no Mato Grosso e se comprometera que caso fosse aprovada a chamaria para ser sua secretária.

Perguntei qual era o nome da cidade e minha mãe respondeu “Barra dos Bugres”. Eu sem entender ainda perguntei “O quê?” e ela me confirmou o nome da cidade que eu nunca ouvira falar.

Barra dos Bugres ficava na região médio norte do Mato Grosso e não tinha nem duzentos mil habitantes. Uma realidade completamente diferente que o carioca aqui se acostumara.

Anoiteceu e eu estava ainda um pouco zonzo com aquela informação quando o Jorge Guilherme perguntou se eu queria voltar de moto com ele. Fiquei receoso e ele mandou que eu não me preocupasse que era seguro. Olhei para minha mãe que com a cabeça permitiu.

Minha mãe como eu já dissera tinha verdadeira adoração pelo Jorge e confiava completamente nele.

Subi na garupa, botei o capacete e vim com ele de Magé até a Ilha do Governador. Uma grande sensação que eu nunca experimentara antes tomou conta de mim. Devo esse momento ao Jorge Guilherme.

A vida prosseguia no colégio com a proximidade do fim do ano e do fim das aulas. Continuava apaixonado pela Ericka mesmo com o “não” que tomara. Não adianta, coração não se desapega tão fácil assim.

Mas eu me afastara um pouco dela e consegui arrumar a desculpa ideal para não nos falarmos mais.
Uma menina comentou comigo lamentando que a Ericka não quisera ficar comigo e eu perguntei como ela sabia dessa situação. A menina respondeu que ela tinha lhe contado.

Fiquei furioso, fui até a Ericka disse que se eu quisesse que todos soubessem que ela me dera um fora teria colocado no jornal. Dei as costas e deixei a menina estática sem entender nada.

Ela ainda tentou falar comigo minutos depois, mas eu não queria papo, assim ela desistiu. Eu era muito inteligente mesmo, além de não ter o amor dela agora teria nem a amizade.

As coisas mudavam um pouco em minha casa. Marco resolveu se entender com o pai que estava arrependido e aberto a diálogos. Desejei boa sorte ao meu amigo que agradeceu a mim e minha mãe pelo carinho.

Com tantos quartos vagos na casa e as dificuldades financeiras que persistiam minha mãe teve ideia de alugar esses quartos. Avisou a Mauro e Batista e rapidamente vários fuzileiros navais
nos procuraram para alugar.

A casa ficou cheia. Cheia de vida, de alegria e a situação de dinheiro melhorou enquanto minha mãe brigava na justiça por minha posse e eu dava depoimento lá querendo ficar com ela e minha avó mandava postais do Nordeste.

Ensaiava a peça com afinco e começamos a ter ensaios no local que ela seria apresentada, no teatro Óperon. Nunca subira em um palco na vida e aquilo me fazia tremer, toda hora corria ao banheiro.
E continuava sem falar com a Ericka, mesmo doido para falar com ela.

Nessa mesma época resolvi tentar escrever outras coisas, uma peça de teatro. Peguei a máquina de escrever de minha mãe, umas folhas de papel e criei um personagem chamado “Nico Carioca”.
Lógico que me imaginei como o Nico e ele tinha um auxiliar todo atrapalhado raquítico que por ironia chamava-se “Rambo” e imaginei o George que era magrinho, raquítico, orelhudo e usava óculos.

Imaginei a peça se passando em uma festa, levemente inspirada no filme “um convidado bem trapalhão” estrelado por Peter Sellers. Fiz uma história que achei bem engraçada e apresentei a professora Suely.

Ela gostou e pela primeira vez recebi elogios de alguém por algo que escrevi que não fossem meus amigos, nem minha mãe. Aquilo me entusiasmou e acabei escrevendo várias histórias do
Nico Carioca ao longo dos anos.

As eleições presidenciais esquentavam por todo o país. As primeiras eleições democráticas, com voto direto desde 1964 e esse assunto era discutido em praticamente todas as aulas já que quase a totalidade de nossos professores eram militantes de esquerda.

E mesmo não podendo votar eu fui muito atuante nessa eleição. Usavam boton com o 13 do PT, outro com a imagem do Lula e fazia campanha dentro de minha família e com amigos maiores de dezoito anos para que votassem no candidato. Era tão fanático por política que decorei a ordem dos candidatos na cédula eleitoral.

Cédula que por ser menor de idade nem passei perto e mesmo assim era minha íntima. Devia ser o único garoto de minha idade que assistia o horário eleitoral gratuito e decorei não só o jingle de campanha do Lula quanto do Leonel Brizola.

Eu era doido mesmo. Todos os dias parava na frente da TV para ver a novela Top Model, Gabriela Duarte era minha paixão televisiva, depois via Jornal Nacional, horário eleitoral e emendava com Tieta.

No dia da eleição grudei na frente da TV e como não existia a urna eletrônica a apuração durou dias e com aquela expectativa de quem iria ao segundo turno contra o Fernando Collor de Mello, a disputa acirrada entre Lula e Brizola foi até o fim com o candidato do PT assegurando a vaga.

Em casa era difícil convencer minha mãe a votar no Lula, no primeiro turno ela votou no Collor, mas no colégio a situação foi mais fácil.

O AME resolveu aproveitar o clima eleitoral no país e decidiu botar seus alunos para votarem. Marcou uma data e colocou uma urna na secretaria. A cada hora uma turma iria votar e na cédula teria que escolher entre Collor e Lula.

Claro que eu e a Raquel, que tinha os mesmos ideais que eu, entramos de sola na campanha, mesmo sem valer nada apenas para amostragem de colégio e viramos cabos eleitorais do Lula.

Na hora de votar uma grande emoção parecendo que iria votar de verdade. Assinalei minha opção e coloquei na urna. Depois os votos foram contabilizados e pelo menos no AME o Lula venceu e com mais de 80% dos votos.

O Marco voltou a morar com o pai e tudo corria bem, mas para o quarto dele veio o Jorge Hipólito. Um daqueles primos que citei no casamento do Júnior. Ele morava com o irmão e os pais no Mato Grosso do Sul e veio fazer curso para tentar entrar na escola naval.

Ele estudou com afinco e estreitamos nossa amizade. Como o Mato Grosso dele era colado ao Mato Grosso que eu poderia acabar morando peguei umas dicas com ele de como era lá. Ele me deu uma fita com tudo que era ouvido na região.

E o AME prosseguia mostrando que era um colégio preocupado com a consciência social. Um dia chegamos em sala de aula e o professor de Moral e Cívica disse que a aula  seria de forma diferente nos levando a sala de televisão,

Sentamos e ele colocou um filme que disse ser importante e representava muito que era nosso país e a miséria dele botando “Pixote, a lei do mais fraco”.

Rodrigo gozava Luis Felipe que ficava irritado quando ele comentava que o gay do filme parecia com o Felipe e todos assistiam com bastante atenção ao filme que era muito bom quando a Ericka entrou na sala pedindo desculpas pelo atraso.

Ela andou pela sala e viu um lugar vago ao meu lado. Virou-se pra mim e perguntou se podia sentar ali. Minhas coisas estavam em cima da cadeira, olhei para ela, decidi seguir os alemães e derrubar o muro de Berlim que havia entre nós. Peguei meus cadernos e livros, dei um sorriso e respondi “claro”.

Ela sentou-se. Estava linda como sempre e pra piorar minha pobre situação abanava-se com a blusa mostrando a barriga quase na altura do sutiã reclamando do calor e eu me contorcendo para que ninguém notasse nenhuma reação diferente minha.

No fim enquanto nos levantávamos para sair da sala Ericka virou-se e pediu que eu voltasse a falar com ela que gostava de mim. Eu dei um suspiro profundo e respondi “tudo bem”. Ela passou a mão no meu rosto agradecendo e partiu deixando meu coração derretido.

Esses filmes eram comuns em sala de aula. Na semana seguinte passaram o filme “Vidas Secas”. Apesar de ser um grande filme, marca de nossa cultura para garotos de quinze anos era puxado demais assistir e eu mesmo quase cochilava quando alguém na sala gritou “mataram o Quinzinho!!”.

Abri os olhos assustado quando percebi que tinham matado o cachorro do filme e ele se chamava “baleia”.

Criaturas abomináveis..

Cochilo, dormir..o significado dessas palavras e o que me causavam mudou naquele novembro de 1989 durante um sono meu.

Eu dormia tranquilamente sem ter aqueles sonhos loucos que já citei aqui quando ouvi gritos. Eram da minha mãe e desesperado pulei da cama e saí do quarto.

Encontrei minha mãe com o telefone na mão chorando com uma dor que eu não vira antes. Assustado perguntei a ela o que acontecera e sem conseguir parar de chorar ela me respondeu.

- O Jorge Guilherme morreu.

Aquela notícia foi um baque para mim. Sentei em uma cadeira do salão e com lágrimas nos olhos tentava digerir aquela informação. Minha mãe respondeu que ele se envolvera em um acidente com a moto que até hoje não entendi direito.

Parece que a moto dele enguiçou e ele foi a um posto de gasolina pedir ajuda. Quando voltou à moto foi atropelado com moto e tudo morrendo na hora.

Novo ainda, recém formado na faculdade.

Minha mãe em desespero foi ao IML e eu não podia deixá-la ir sozinha e acompanhei. Naquela madrugada andávamos de carro pela cidade mudos, sem dizer uma palavra e com o pensamento vago, longe.

Minha mãe era apaixonada pelo Jorge, tinha como um irmão mais novo. Cuidava dele com carinho e ele dava reciprocidade a esse carinho além de me querer bem e sempre estar ao meu lado.

Coitada da minha mãe que faria aniversário poucos dias depois. Que presente amargo ganhara.

Chegamos ao IML e coube a ela outra situação amarga. Reconhecer o corpo. Enquanto ela foi eu fiquei na recepção lembrando ele e comecei a chorar. Uma atendente me ofereceu um copo de água para que me acalmasse e respirei fundo para que quando minha mãe voltasse não me visse naquele estado. Ela precisava de minha força.

Ela voltou chorando. Era realmente ele e dei um abraço forte em minha mãe, apertado mostrando que eu estava ali com ela.

Nunca tinha visto tanta gente jovem em um enterro quanto no de Jorge Guilherme. Todos os seus amigos estavam lá, entre eles aqueles que recentemente se formaram com Jorge. Também estava lá sua namorada grávida de cinco meses. Grávida de uma criança que nunca conheceria o pai.

Pai bacana que teria e tem porque ele nunca deixará de ser pai dela.

A família se reuniu também. Sem aquele clima leve e até de algumas piadas da morte de Joaquina, situação mais normal quando ocorre morte de uma pessoa idosa que viveu tudo que tinha que viver. Jorge Guilherme era um garoto e isso deixava a todos do cemitério consternados.

Meus amigos também foram. Marco Aurélio, Gustavo, George, Rodrigo e Luis Felipe.

Até minha avó compareceu depois de dois meses sumida. Cumprimentou friamente a mim e minha mãe e ficou com os outros familiares.

Enquanto o caixão descia eu amparava minha mãe que não parava de chorar e lembrava de todos os conselhos que ele me deu, todos os papos, do passeio de moto na volta de Magé.

E os amigos de faculdade puxaram a “Canção da América” de Milton Nascimento, a música de sua formatura.

Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar..


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OUTUBRO