sexta-feira, 30 de setembro de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXVI - A LISTA


Luisa contou em um programa televisivo seu drama e a repercussão da doença da moça meio que apagou o caso Luigi. Luisa começou tratamento contra o câncer e em todos os momentos o irmão lhe acompanhava.

Luisa operou, fez quimioterapia, radioterapia, se fragilizou, os cabelos caíram, mas enfrentou a tudo com muita garra comovendo o país. Milhares de fãs rasparam a cabeça e começaram a usar bandanas em sua homenagem. O curioso é que não comovia sua família. Nem sinal de Ricardo e Pepe. Nenhum dos dois prestou ajuda.

Luigi conduzia a cadeira de rodas de Luisa pelo hospital, os dois sorridentes, conversando e indo em direção ao quarto da moça quando deram de cara com o Barão de Feital na frente do quarto. Luisa se surpreendeu e disse “nono, você aqui?”. Pepe perguntou como a neta estava e Luisa sorriu ao responder “melhor agora”.

Luigi conduziu a cadeira até o quarto e pôs a irmã deitada na cama, depois disse que os dois deviam ter muito a conversar e deixou Pepe e Luisa a sós.

Pepe puxou uma cadeira, sentou-se ao lado de Luisa e os dois ficaram em silêncio por um tempo. Luisa olhava o avô que não conseguindo lhe olhar baixou a cabeça. O Barão tentou emendar algumas palavras e Luisa respondeu que ele não precisava falar nada.

Luisa estendeu a mão para o avô. Pepe finalmente olhou para Luisa e pegou em sua mão. Luisa sorriu, Pepe sorriu de volta e os dois ficaram se olhando um bom tempo.

Luigi tinha se dividir em vários. Cuidava da irmã no hospital, da família em casa, vivia seu caso com Xande e enfrentava o conselho de ética. Chegava o dia da análise de seu pedido de cassação e o homem articulava com deputados para impedir. Tinha bons argumentos como milhões de dólares para impedir que sua cassação fosse para a plenária.

No dia da votação Luigi olhava para a sala onde a comissão se instalara e Xande se aproximou. Colocou a mão em seu ombro mandando que Luigi não se preocupasse que tudo daria certo. Luigi ainda olhando os deputados respondeu “o problema de comprarmos alguém é que nunca sabemos se ele se vendeu apenas pra você”.

A sessão começou e Luigi assistia a tudo preocupado. Sabia que uma cassação facilitaria para que ele tivesse que responder a inúmeros processos criminais.

A sessão durou horas e no momento da votação deu tudo como ele esperava. Saiu-se vitorioso. Uma mistura de emoções tomou conta da sala com muitos protestos enquanto Luigi e seu grupo comemoravam. Estava livre da cassação.

Luigi, Xande, demais assessores e alguns deputados foram para o gabinete do deputado brindar ao fim do problema. Luigi pegou um champanhe do frigobar dizendo ser o melhor que existia. Estourou a rolha e serviu a todos. Na hora que foi beber a secretária chamou com um telefonema urgente.

Luigi atendeu e enquanto ouvia o que a pessoa do outro lado da linha dizia apenas fechou os olhos com expressão de dor. Ouviu a tudo e apenas respondeu que voltaria ao Rio de Janeiro no primeiro voo desligando o telefone. Xande perguntou o que acontecera e Luigi respondeu “Luisa morreu”.

Luigi e Xande viajaram em silêncio para o Rio de Janeiro e quando surgiu no saguão do aeroporto a imprensa lhe esperava para que desse declaração sobre sua irmã e a absolvição no conselho de ética. Pela primeira vez na vida Luigi não quis ser o centro das atenções, não queria ser fotografado, aparecer na tv ou dar declarações. Em silêncio foi conduzido por Xande até o carro que lhes esperava.

No cemitério um grande tumulto com muitos fãs querendo se despedir de Luísa. Luigi foi conduzido por Xande e seguranças até perto do caixão e quando os populares perceberam sua presença começaram a gritar “assassino”.

Luigi foi recebido por Renata que lhe deu um abraço e ficou entre ela e Ricardo enquanto o caixão baixava. Ricardo ao notar o irmão ao lado ironizou.

“Esse povinho é desinformado mesmo, nem sabem que o cara não morreu, apenas ficou tetraplégico”.

Luigi não deixou barato e respondeu “você devia estar sem nada pra fazer hoje, para vir ao enterro de uma pessoa que nem foi visitar no hospital”. Ricardo sentiu o golpe e contou que Luisa era sua irmã e lhe amava, Luigi respondeu que o modo de amar do irmão era muito estranho.

O funeral se encerrou e Luigi decidiu sair sozinho do cemitério. Pegou o carro e foi até a praia caminhar pelo calçadão. Enquanto caminhava pensava na vida. Lembrava de seu pai Pepino e da infância com Ricardo e Luisa. A irmã sempre meiga, linda, o irmão que era parceiro, amigo. Pensava onde tudo se degringolou e porque isso sempre ocorria na família.

Sentado na areia olhava o mar quando sentiu uma mão no ombro. Olhou para trás e era Renata. Luigi sorriu e Renata sentou ao lado comentando que imaginava que ele estaria ali. Luigi contou que adorava aquele lugar da praia, onde ele deu o primeiro mergulho depois que saiu da cadeia.

Renata riu e completou que foi ali que se conheceram. Luigi pegou a mão de Renata e comentou que ela era a pessoa mais amiga e companheira que conheceu na vida. Renata novamente riu e brincando disse que esperava que ele falasse que era o amor de sua vida. Luigi gargalhou e começou a fazer cócegas na esposa ali na areia.

Depois ficaram ali sentados olhando o por do Sol enquanto Luigi comentava de quando Pepino levava os filhos à praia e ele adorava jogar balde de água nos castelinhos de areia que Luisa montava.

Aquele dia se encerrou como depois o ano também e a vida foi seguindo. Com o tempo acabou a repercussão sobre o caso do tiro e o lado “celebridade” de Luigi voltou a ficar mais evidente graças também ao sucesso da Acadêmicos de Feital.

Luigi se reelegeu deputado federal em 1990 garantindo mais quatro anos de imunidade parlamentar. Continuava dividindo sua vida entre a câmara dos deputados e os negócios. O jogo do bicho que a
família Granata continuava com amplo domínio passou a ser apenas um dos núcleos de negócios ilegais da família.

O que rendia mais lucro naquele momento era o tráfico de drogas. Os Granata eram os principais vendedores de drogas para os morros do Rio de Janeiro e tratavam de abastecer também a elite da cidade.

Era uma grande teia de corrupção. Uma rede em que muita gente ganhava dinheiro para que os Granata seguissem tranquilos em seus negócios. Luigi era o comandante de tudo, mas quem tratava diretamente era Ricardo. Partiu dele também a importação de máquinas de videopôquer.

Só que a polícia acabou combatendo as máquinas e apreendendo. Também descobriu um cassino clandestino no momento que Ricardo estava nele tratando alguns negócios. Tentou subornar os policiais e não conseguiu. Acabou preso.

Xande contou a Luigi que o irmão fora preso. Perguntou se era pra ligar para alguém e assim soltar Ricardo. Luigi sorriu e respondeu para deixar o irmão preso alguns dias para “aliviar a cabeça”

Uma semana depois Ricardo foi solto e furioso procurou Luigi perguntando o porque da demora. Luigi irônico respondeu que uma semana não era nada perto do tempo que ele ficou. Ricardo então disse que era seu aliado e que o irmão torcesse para sempre ser seu aliado.

No ano de 1992 os bicheiros começaram a ter prejuízo com algumas operações policiais que fechavam bancas e prendiam gerentes e apontadores. Graças a isso no carnaval de 1993 Luigi Granata antes de começar o desfile da Acadêmicos de Feital fez um discurso de cinco minutos contra a perseguição que os banqueiros sofriam.

Um discurso de cinco minutos no microfone da escola para todos na avenida ouvirem, todas as autoridades presentes, inclusive presidente da República. Discurso ouvido por milhões de pessoas via TV.

Mais uma vez Luigi era dominado pela vaidade. Muitos estavam na teia da corrupção, mas nem todos e aquele discurso incomodou autoridades, incomodou juízes.

A “perseguição” aos bicheiros se tornou ainda maior depois do carnaval de 1993 e quatorze dos maiores banqueiros do Rio de Janeiro foram a julgamento por “formação de quadrilha”.

Durante o julgamento a polícia percebeu que um dos seguranças dos banqueiros estava armado no fórum. A juíza descobriu e no mesmo momento os quatorze bicheiros receberam voz de prisão. Um grande golpe na cúpula da jogatina.

Os bicheiros foram condenados a seis anos de prisão em regime fechado. Uma grande bomba, situação que mexeu com o país, mas um conseguiu escapar, Luigi Granata.

Luigi não foi a julgamento graças a imunidade parlamentar. Alguns deputados tentavam manobrar outro pedido de cassação ou pelo menos licença para eles ser julgado, mas a rede de Luigi era grande evitando qualquer problema ao bicheiro.

Mas ao mesmo tempo em que Luigi tinha muitos aliados também tinha muitos inimigos. A juíza não se deu por satisfeita do maior de todos estar fora da condenação. O desembargador, pai do rapaz que Luigi tentou matar, não se deu por satisfeito por Luigi nunca ser processado criminalmente pelo ato e boa parte da polícia federal não estava comprada.

Investigaram por meses a vida de Luigi e conseguiram mandato para vasculhar a mansão dos Granata e o escritório do bicho. Luigi em Brasília foi avisado do que ocorria e rapidamente voltou ao Rio de Janeiro.

Chegando soube do pior por Ricardo. Um caderninho fora encontrado pela Federal no escritório central, um caderninho que nunca poderia ser encontrado.

No domingo uma importante revista semanal trazia Luigi Granata na capa e a manchete “A lista Granata”. Abrindo a revista e vendo a reportagem encontravam uma lista de mais de cem nomes de pessoas beneficiadas com dinheiro dos Granata. A lista continha nomes de juízes, policiais, políticos, até artistas.

Foi uma grande bomba. Luigi Granata voltava a ser assunto nacional. A polícia continuava a investigar a vida de Luigi querendo provas de troca de favores entre os Granata e aqueles nomes. Luigi ainda tentava com seus aliados evitar a investigação, mas muitos dos que poderiam lhe ajudar estavam mais preocupados em salvar a própria pele.

A vida de Luigi foi destrinchada. Descobriram as ligações do homem com o tráfico de drogas. Descobriram tudo, que ele era o maior traficante do Rio de Janeiro inclusive as pessoas, muitas delas famosas, que  ele fornecia. Luigi todas as semanas era capa da revista e a “lista Granata” provocou renúncias de prefeitos, governadores sendo investigados, policiais presos e até um suicídio.

Luigi caía em desgraça. Não só não tinha mais uma rede de proteção como virava um arquivo vivo. Muitos dos ex-aliados agora queriam o deputado morto por vingança ou mesmo que nada mais fosse descoberto. Luigi foi obrigado a reforçar a segurança.

Um dia chegou na mansão e encontrou Pepe e Ricardo na sala. O Barão andou até o neto e lhe deu um tapa na cara. Luigi recebeu o tapa em silêncio e Pepe irritado vociferou “Eu avisei a você, eu sempre avisei que não queria o meu sobrenome envolvido com tráfico de drogas!! Eu sempre avisei que sua vaidade acabaria com você!! Olha o  que aconteceu!!”.

Luigi a nada respondia e Pepe contou ao neto que ele estava fora dos negócios e a partir daquele instante Ricardo comandava tudo. Luigi continuou em silêncio e Pepe perguntou se ele tinha algo a dizer em sua defesa. Luigi respondeu que não e o Barão comentou “eu imaginei”.

Pepe olhou firme o neto, disse “que desgosto” e se retirou.

Ricardo e Luigi ficaram um tempo em silêncio na sala até que Luigi despertou, se aproximou do irmão e disse “foi você”. Ricardo rindo perguntou do que o irmão falava e Luigi continuou “você ajudou a polícia federal com informações, para que eu me encrencasse”. Ricardo apenar riu e Luigi perguntou o porque.

Ricardo resolveu admitir e gritou “sim, fui eu, eu acabei com você”. Tenso andava de um lado para outro na sala e resolveu contar tudo.

“Eu gostava de você, gostava de verdade. Você era meu ídolo. Mas aí você parou naquele reformatório, me levou em uma favela perigosa, me obrigou a beber”.

Luigi comentou que não era motivo para tanto ódio e Ricardo continuou.

“Você sempre foi o centro das atenções, o queridinho do vovô, o artista da família. Eu sempre fui mais capacitado que você, o mais preparado pros negócios, mas nunca o senhor Pepe Granata me daria o poder porque você era a menininha dos olhos dele e ele tem essa idiotice na cabeça que o mais velho da geração tem que continuar os negócios”.

Luigi perplexo apenas ouvia o irmão que finalizou.

“Eu não sou burro como o tio Benito. Eu não iria brigar com o nono e com você como ele fez com o papai. Eu sabia que você iria se destruir sozinho. Era só dar corda”.

Luigi perguntou se aquilo tudo era apenas por poder e Ricardo respondeu que não apenas por poder, mas por sua auto estima.

Luigi ironicamente aplaudiu Ricardo dando parabéns por ter conseguido o que queria. Ricardo também de forma irônica agradeceu e Luigi se direcionou a subir as escadas. Mas no meio do caminho decidiu voltar e contou.

“Já que você conseguiu realizar algo que queria há tempo também farei o mesmo”.

Falou isso e deu um soco na cara do irmão que caiu desmaiado.

No dia seguinte fui embora da mansão com meu pai e minha mãe. Luigi alugou um apartamento em Copacabana longe do jogo do bicho, do tráfico e sabia que tinha dores de cabeça muito maiores pra enfrentar.

No dia da mudança eu desenhava na sala enquanto Luigi olhava a Lua pela janela. Renata abraçou o homem por trás e disse que estaria com ele sendo a amiga e companheira de sempre. Luigi agradeceu e os dois ficaram lá em silêncio.

Uma grande batalha começava para Luigi. De novo tentar manter o mandato. Muito mais fragilizado o homem não conseguia fazer as costuras necessárias na comissão de ética e na noite anterior da votação desolado bebia sozinho no gabinete.

Xande entrou e perguntou como ele estava. Luigi respondeu que mal, o mundo desmoronava em sua cabeça e não sabia como evitar. Xande se aproximou, pegou uma cadeira e pegou a mão de seu amado pedindo para que Luigi levantasse a cabeça, nada estava perdido e ele já saíra vitorioso antes daquela situação.

Luigi comentou que daquela vez era diferente. As acusações eram muito mais sérias e ele não tinha mais tanto poder. Xande observava Luigi em silêncio e esse perguntou “você sabe o que vai acontecer?”. Xande respondeu que não e Luigi continuou “eles vão aprovar o pedido de cassação, o pedido irá à plenária, irão me cassar e vão me prender”.

Xande pediu que Luigi não pensasse daquela forma e o homem respondeu que estava precisando de um abraço sendo prontamente atendido.

No dia seguinte um desanimado Luigi assistia a sessão da comissão e como previra na noite anterior teve aprovado o pedido de cassação. O pedido foi à plenária e em algumas semanas chegou o dia da votação.

Luigi teve o direito à defesa. Subiu ao púlpito para discursar, olhou bem o papel e jogou fora. Decidiu de improviso mandar que cada deputado agisse por sua consciência, decidisse o que achava melhor e irônico completou “Estou aliviado, pela primeira vez não preciso comprar o pensamento de ninguém”.

Na votação a cassação foi aprovada por larga vantagem e enquanto Luigi saía da plenária muitos deputados comemoravam cantando o hino nacional.  

Em silêncio enchia caixas com seus pertences no gabinete esvaziando o mesmo para o sucessor auxiliado por Xande quando Renata entrou no local. Luigi mostrou surpresa com a presença da mulher que respondeu “eu já te disse várias vezes que sempre estaria com você”.

Luigi saiu com Xande e Renata do Congresso Nacional e entrou no carro. Sentou no banco de trás, olhou a casa projetada por Oscar Niemeyer e antes do carro partir comentou.

“O problema não é você ser cassado, é ser cassado por pessoas que prestam tanto quanto você”.

Voltou para o Rio de Janeiro desempregado e com suas contas bloqueadas. Foi procurado pela mãe.

Luigi se disse surpreso com a presença da mãe em seu apartamento e Isabela pediu que o filho não fosse irônico. Luigi respondeu que não era ironia, apenas estava surpreso já que a mãe nunca foi de participar muito de sua vida e Isabela comentou que estava ali a pedido de Pepe. Luigi completou “logo vi que não era vontade própria”.

Isabela ignorou e contou que o avô estava preocupado com ele. Sabia que ele não tinha emprego, não teria como pagar suas contas e teria um processo criminal pela frente. Luigi irônico agradeceu a preocupação e comentou que iria incluir o nome do avô nas suas orações e Isabela reclamou que as coisas não era assim, ele tinha mulher, filho e devia pensar neles.

Luigi perguntou então qual era a proposta e Isabela contou que o Barão iria inaugurar mais um Granata Shopping, agora na Barra da Tijuca e queria que ele fosse o responsável pelo empreendimento.

Luigi riu, comentou que entendia nada sobre shopping center e seu amor próprio mandaria que recusasse, mas como não tinha mais amor próprio iria aceitar. Mas com uma condição, não queria ver a cara do irmão nem pintado.

Dessa forma Luigi virou o diretor geral do Granata Shopping da Barra da Tijuca e se dividia entre o trabalho e a preparação de seu julgamento criminal. A data se aproximava e Luigi que fora esquecido pela mídia depois da cassação voltava a ser lembrado pela imprensa. Mas ao contrário de seu “auge” fugia da mídia como o diabo da cruz.

Na véspera do julgamento deitado na cama com Xande perguntava se era a última noite dos dois juntos. Xande pediu que o amante não pensasse daquela forma e Luigi rindo comentou que da última vez que Xande falara aquilo, antes da votação na comissão de ética, tudo deu errado.  

Xande também riu e os dois ficaram um tempo em silêncio. Luigi perguntou se Xande lembrava de quando os dois se conheceram e Xande respondeu que sim. Rindo comentou que Luigi não conseguia tirar os olhos dele. Luigi rindo disse que o amante era presunçoso e Xande as gargalhadas comentou que naquele dia transou com Luisa, depois transou com ele, só faltava transar com Ricardo para a família ficar completa.

Luigi disse que o irmão era encubado, só aquilo explicava o jeito amargo dele e os dois caíram na gargalhada. Depois de um tempo em silêncio sério Luigi pediu que Xande cuidasse de Renata e de mim enquanto estivesse preso. Xande tentou falar para Luigi não pensar daquela forma, mas o homem interrompeu o amado pedindo que ele prometesse. Xande então prometeu.

Luigi chegou de madrugada em casa e Renata lhe esperava na sala. Séria minha mãe perguntou se ele tinha alguma amante e sem entender Luigi pediu que ela repetisse. Renata repetiu perguntando se ele tinha outra mulher.

Luigi se aproximou de Renata e jurou que não tinha outra mulher, de certa forma falou a verdade. Renata perguntou o porque de chegar tão tarde e Luigi respondeu que estava com seu irmão tentando aliviar a cabeça.

Renata então pediu desculpas dizendo que estava muito tensa com o julgamento. Luigi lhe abraçou enquanto ela pedia perdão. Meu pai fez carinho em sua cabeça e disse que tudo acabaria bem.

O Julgamento chegou e durou mais de trinta horas. No fim Luigi Granata foi condenado a dez anos de prisão em regime fechado. Algemado meu pai se aproximou de minha mãe que chorava e pediu que ela fosse forte. Eu com apenas oito anos não entendia muito bem o que ocorria, mas estava presente. Ele me deu um beijo no rosto e pediu que tomasse conta de minha mãe.

Depois Luigi virou-se para Xande. Os dois ficaram frente a frente, com muita coisa para dizer um ao outro sufocadas no peito. Mas tudo que Luigi disse foi “tchau Xande”, respondido por um “tchau Luigi”.

Dessa forma meu pai Luigi Granata foi preso para responder por seus crimes de formação de quadrilha e tráfico de drogas. O mais vaidoso dos Granata que desde garoto quis ser o centro das atenções participando de grupo musical, depois quis ser rei do crime participando da criação do Comando Vermelho, virou o rei do bicho, rei do samba, rei das drogas perdia todo seu reinado, o sangue azul para ser um preso comum.

Aleijou um homem para defender uma mulher que não amava. Amava um homem e não podia assumir esse amor. Não podia ser quem realmente era. Talvez Luigi Granata nunca tenha descoberto quem era de verdade. Vivia de uma imagem, de um flash da imprensa.

Foi levado pelos guardas e assim sumiu de minha vista por um bom tempo. Colocado em uma patamo foi conduzido até o presídio de Bangu I, sua morada nos próximos anos.

E lá teria um bom tempo pra pensar em que vida queria de verdade.

Eu e minha mãe voltamos a morar na mansão. O ano era de 1995 e a vida tinha que continuar.

Um dia Pepe Granata descia a escada, eu brincava na sala e a empregada chamou meu avô para atender ao telefone.

O Barão atendeu e vi meu avô ficar branco a medida que ouvia seu interlocutor. Pegou um caderninho de telefone, trêmulo anotou um endereço e respondeu “estarei lá”.

Desligou o telefone e começou a chorar copiosamente. Eu, minha mãe Renata e minha avó Isabela nos assustamos e corremos até meu avô pra acudi-lo. Isabela perguntou o que ocorria e quem era no telefone.

Meu avô emocionado respondeu “Beatriz”.

Sessenta anos depois Pepe Granata reencontrava Beatriz.

O amor da sua vida.


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PODEROSO CHEFÃO

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

SOBE O SOM: NOVOS BAIANOS


Novos Baianos é um conjunto musical brasileiro, nascido na Bahia, ativo em seu auge entre os anos de 1969 e 1979 e que se reunirá novamente em 2016.

 Eles marcaram a música popular brasileira e até o rock brasileiro dos anos 70, utilizando-se de vários ritmos musicais brasileiros que vão de bossa nova, frevo, baião, choro, afoxé ao rock n' roll.] O grupo lançou oito trabalhos antológicos para MPB. Influenciados pela contracultura e pela emergente Tropicália. Contava com Moraes Moreira (compositor, vocal e violão), Baby Consuelo (vocal), Pepeu Gomes (Guitarra), Paulinho Boca de Cantor (vocal), Dadi (baixo) e Luiz Galvão (letras) entre outros. O segundo disco do grupo, Acabou Chorare, que mescla guitarra elétrica, baixo e bateria com cavaquinho, chocalho, pandeiro e agogô, foi eleito pela revista Rolling Stone como o melhor disco da história da música brasileira em outubro de 2007.

A história do grupo começou em 1969. com o espetáculo "O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal", no Teatro Vila Velha, em Salvador, Bahia, onde pela primeira vez juntos, se apresentaram Luiz Galvão, agrônomo formado, Paulinho Boca de Cantor, ex-crooner da "Orquestra Avanço", O popular nas noites de Salvador Moraes Moreira, a única não-baiana do grupo, a niteroiense Baby Consuelo, e Pepeu Gomes. Moraes Moreira foi apresentado a Tom Zé, que era amigo de Galvão. Baby Consuelo conheceu os dois (Moraes e Galvão) em um bar, enquanto passava as férias em Salvador. Mais tarde, Paulinho Boca de Cantor conheceu os três, e se uniu a eles. Dos membros que formariam o grupo mais tarde, apenas Pepeu Gomes era músico, e havia passado por diversas bandas.

Então vamos lá!!


Sobe o som Novos Baianos!!


Mistério do planeta


A menina dança


Tinindo trincando


Quando você chegar


Preta, pretinha


Besta é tu


Eu sou o caso deles


Acabou chorare


Dê um rolê


Um bilhete para Didi


Vagabundo não é fácil


Infinito circular


Linguagem do Alunte


Na cadência do samba


Bem. Aí está um pouco da história dessa lendária banda que está de volta. Semana que vem tem mais momentos lendários. Tem o Festival de Woodstock.


Enquanto isso está na hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor.


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OS TRÊS TENORES

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

CINEBLOG: HAIR


Cineblog hoje mostra um musical símbolo de uma época, da contracultura e do movimento hippie que virou clássico nos cinemas.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Hair



Hair é um filme norte-americano de 1979 adaptado do musical do mesmo nome encenado no Broadway e criado por James Rado, Gerome Ragni e Galt MacDermot. Dirigido por Milos Forman, com John Savage, Treat Williams e Beverly D'Angelo no elenco, ele conta a história de um jovem do interior dos Estados Unidos convocado para a Guerra do Vietnã, que chega a Nova York para apresentar-se ao exército e encontra e se torna amigo de uma tribo de hippies cabeludos da cidade, adeptos do pacifismo e contra a guerra.

As cenas de dança foram coreografadas por Twyla Tharp e realizadas pelos dançarinos da Twyla Tharp Dance Foundation. O filme estreou mundialmente no Festival de Cannes daquele ano e foi indicado para o Globo de Ouro de Melhor Filme.

Em 2004, "Aquarius", uma das icônicas canções do musical transportadas para a tela, foi considerada a 33ª melhor canção do cinema americano na lista 100 America's Greatest Music in the Movie do American Film Institute.


Sinopse



De passagem por Nova Iorque, um dia antes de se apresentar para a ir a Guerra do Vietnã, um rapaz do interior que chega a Nova York conhece um grupo de hippies, com os quais passa a conviver. Com eles, aprende a ver o outro lado de uma guerra, e se apaixona por uma jovem de família rica.

Sheila, a jovem milionária nova-iorquina por quem Claude se enamora e mais a tribo de hippies contrários à Guerra do Vietnã e adeptos do pacifismo, sexo livre e das drogas, tenta de várias maneiras convencê-lo a não ir para a guerra e queimar seu cartão de alistamento, como feito por eles.

O filme difere em vários pontos do consagrado musical em que se baseou, o maior deles ao final, quando 'Berger', o líder do grupo de hippies, e não 'Claude', o pacato jovem do interior convocado para o Vietnã, acaba indo para a guerra no lugar do amigo e morrendo nela.


Elenco principal



John Savage .... Claude
Treat Williams .... Berger
Beverly D'Angelo .... Sheila Franklin
Annie Golden .... Jeannie
Dorsey Wright .... Hud
Don Dacus .... Woof


Produção



Hair foi levado ao cinema em 1979 pelo diretor tcheco Milos Forman, com roteiro de Michael Weller e coreografado por Twyla Tharp. No elenco, nomes como John Savage, Treat Williams, Beverly D'Angelo e dois integrantes do musical original (1968) da Broadway, Melba Moore e Rony Dyson, além de Annie Golden, que fez no cinema o mesmo papel que fez na remontagem de Hair na Broadway em 1977. Filmado em grande parte no Central Park e no Washington Square Park, em Nova York, o filme difere em muitos pontos do musical original, a começar pela eliminação de diversas músicas constantes na peça.

Personagens também tiveram seus perfis mudados. Nele, Claude é um inocente recruta de Oklahoma que chega a Nova York para integrar-se ao exército, convocado para o Vietnã, e Sheila - nos palcos também uma hippie da Tribo - é uma socialite nova-iorquina que lhe chama a atenção. Na que talvez seja a maior liberdade com a história original, um engano acaba mandando Berger, ao invés de Claude, ao Vietnã, onde ele morre na guerra.


Crítica



Estreando mundialmente como hors concours no Festival de Cinema de Cannes, o filme, apesar das mudanças, teve sucesso de público e recebeu críticas positivas importantes como a de Vincent Canby, do New York Times, que escreveu " ...as invenções de Weller (o roteirista) fizeram este Hair ser mais divertido que o original. Ele também deu tempo e espaço para o desenvolvimento dos personagens que, no palco, tinham que expressar a si mesmos quase que inteiramente por música. O elenco é soberbo e o filme, de maneira geral, é delicioso." A TIME acompanhou com "Hair é bem sucedido em todos os níveis - como um divertimento vulgar, um drama emocional, um espetáculo estimulante e uma observação social provocadora."

James Rado e Gerome Ragni, porém, ficaram insatisfeitos com o resultado, achando que Forman retratou os hippies como "algum tipo de aberração" sem qualquer ligação com o movimento pacifista, falhando em transportar para a tela a essência original da obra. Eles declararam que qualquer semelhança entre o filme e o musical se limita a algumas canções, o título em comum e o nome dos personagens. Na opinião dos autores, a verdadeira versão cinematográfica de Hair ainda não foi feita


Principais prêmios e indicações



Prêmio David di Donatello 1979 (Itália)

Recebeu o prêmio na categoria de melhor diretor de filme estrangeiro e melhor trilha sonora de filme estrangeiro.

Globo de Ouro 1980 (EUA)

Recebeu duas indicações, nas categorias de melhor filme - comédia/musical e melhor revelação masculina (Treat Williams).

Prêmio César 1980 (França)

Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.


Cineblog volta semana que vem com um clássico. Cantando na chuva.


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AQUARIUS

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A CRIANÇA E O ADULTO


Eu sou um cara que trago comigo alguns orgulhos e não vejo isso como pecado da vaidade, nada disso. Temos que ter orgulho de coisas que fazemos.

O maior orgulho que eu tenho é de não ter traído a criança que fui um dia. Isso não é fácil porque a vida dificilmente se apresenta para nós como pensamos quando somos garotos. A maturidade nos faz mudar modo de pensar, de agir e em certos momentos pensamos "Era isso mesmo que queríamos?". Pois bem. Hoje eu posso dizer com firmeza que nunca cantarei aqueles versos "E aquele garoto que ia mudar o mundo / Agora assiste a tudo em cima do muro".

Não, isso não ocorreu. Evidente que não sou exatamente aquilo que eu queria ser quando era criança. Não fiquei milionário, por exemplo, tem mês que é difícil levar até o fim. Esperava chegar aos trinta anos com um milhão na conta e devo ter uns dois reais nesse momento.

Mas mantive minha essência e isso é o mais importante.

O moleque contestador, que não abaixava a cabeça para o que achava ser errado, que debatia com professores quando não concordava com seus pontos de vista e queria contribuir com um mundo melhor continua aqui. Nunca me conformei, nunca fui para cima do muro ou entrei pra turma do "Tudo bem, é assim mesmo". Continuo contestador, inconformado e debatendo quando acho estar certo. Continuo querendo contribuir com um mundo melhor ou pelo menos a sociedade e o local em que eu vivo.

Hoje sou um agente cultural do meu bairro. Pode não parecer muito, mas o bairro é o mundo em que vivemos. Se cada um conseguir contribuir para que o local em que vive ficar melhor naturalmente o mundo se torna um lugar melhor para se viver. Sou um agente cultural daqui e tenho trabalhado junto com abnegados que estão na estrada há mais tempo que eu pela Ilha. Somos discípulos de grandes artistas como a tia Elbe de Holanda e podemos hoje dizer que a Ilha do Governador cresce na área cultural como disse em uma coluna duas semanas atrás. Tenho consciência que faço parte desse crescimento com a Cia de Teatro que ajudei a formar, com essa Cia reabrindo um teatro tradicional como o Óperon e atuando por espaços do bairro. Por meus textos virem sendo encenados e pedidos por artistas daqui e de fora e pelas coisas que venho falando. Que venho falando e fazendo não só no teatro como nas escolas de samba quando fundei um movimento para resgatar o Boi da Ilha e fui um dos fundadores da Nação Insulana.

Tenho consciência de meu papel importante e meus pares também tem a partir do momento que me homenageiam como ocorreu. Isso é se manter fiel ao garoto.  

Também me mantenho fiel ao garoto que gostava de escrever e tinha isso como válvula de escape pela timidez que possuía. Único jeito de me fazer notar quando moleque era escrevendo já que era gordo, tímido, não tirava grandes notas, péssimo nos esportes, enfim, tudo errado. Mas sempre gostei de criar, mesmo antes de ser alfabetizado criava historinhas com meus bonecos e exatos trinta anos atrás, em 1986, comecei a criar histórias em quadrinho. No começo da adolescência o moleque percebeu que escrevendo podia se fazer notar. Era ali que eu brilhava, quando surgia as aulas de redação, eu mandava bem e a professora lia essas redações na frente da sala. Quando eu descobri que a única forma de me fazer notar pelas meninas que eu gostava era escrevendo historinhas para elas. Nada deu certo, não consegui namorar com elas, nem perto de um beijo fiquei. Mas hoje posso dizer que sou escritor e dramaturgo por causa dessa época e não sou dramaturgo e escritor "de gaveta". Minhas peças são encenadas e livros publicados.

Não é mais professora na frente de sala. São trezentas pessoas em teatro de Ribeirão Preto, dezenas e dezenas nos acompanhando pela Ilha do Governador, peças sendo realizadas por quase todas as regiões do país e exterior. Livro lançado longe do meu bairro, meu habitat e as pessoas indo ao evento. Uma editora acreditar em mim e me publicar sem eu gastar um real para isso, algo tão difícil para os escritores novos nos dias de hoje. Eu consegui.

O garoto descobriu que sabia escrever e o adulto acreditou nesse garoto. Resultado taí.

Essas coisas, essa relação de confiança entre a criança e o adulto me faz feliz. Poder escrever e saber que vão ler e assistir o que escrevo me faz feliz. Essa crônica que estou escrevendo agora não vai para uma gaveta, será publicado em meu blog que tem visitação diária de pelo menos 600 pessoas. Quando não é pra cá é para o Ouro de Tolo que tem um público maior ainda ou pro Batuque.com. Quando não é texto é vídeo é para o site Carnavalesco, maior site de carnaval da atualidade e que vem me trazendo uma repercussão enorme. São muitos os motivos de orgulho e que até me fazem rir quando ao falar tudo que venho conquistando perguntam "E dinheiro? Entrando bem?".

Não, não está e claro que eu quero muito e tenho certeza que virá naturalmente. Mas dinheiro não é e nem pode ser tudo na vida. Prefiro contar moedinhas e continuar podendo falar e pensar o que quiser e continuar escrevendo. Seria muito frustrado se tivesse emprego em escritório de segunda a sexta de oito às cinco sem poder realizar as coisas que amo mesmo se ganhasse bem. Maior exemplo que tenho é meu avô. Sonhava em trabalhar em rádio, foi forçado pela mãe a ser militar, ganhou muito dinheiro, construiu uma casa linda e foi um homem triste e sério.    

Não quero isso para mim.

Dá um prazer enorme assistir uma peça que escrevi e ver as pessoas aplaudindo de pé. Autografar um livro que eu escrevi. Um livro que imaginei com 15 anos de idade e escrevi na época pensando na menina que eu gostava, reescrevi com 38 e agora ele existe, é vivo. Um livro feito em conjunto entre o garoto e o adulto. Mais que respeito pela história de cada um uma parceria foi estabelecida. Assistir uma eliminatória de samba na União da Ilha ao lado do presidente, trocando confidências e passando minhas impressões, dando conselhos. Para mim que entrei na escola saído da adolescência sem conhecer ninguém dessa agremiação já consagrada poder com o tempo conquistar esse respeito é sim importante. Ter o primeiro exemplar de meu livro vendido ao vice presidente da Portela, que infelizmente pelas circunstâncias trágicas do destino virou presidente dois dias depois, é importante. Sinal que eu venho fazendo o certo, construindo minha história de uma maneira correta.

A principal coisa que o moleque sempre fez e o adulto mantém é morar no mundo dos sonhos. De vez em quando aparecemos na realidade para mostrar como é a vida lá. Depois voltamos aos sonhos porque ali é que nos fortalecemos.

Dá para se tornar adulto sem virar as costas para a criança. Descobri isso e dessa forma vou escrevendo a minha história. A história de um louco. Nunca duvide de um.


E aquele garoto que ia mudar o mundo.


Não deixou o que o mundo lhe mudasse


Só está começando...


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXV - PODEROSO CHEFÃO


Renata trocava fraldas do bebê do casal, no caso eu..Constrangedor escrever isso..E Luigi observava encantado. A mulher perguntou se Luigi queria ajudar e ele respondeu que não, tinha medo de “quebrar o bebê”. Renata riu e respondeu que bebês não quebravam tão fácil assim.

Isabela surgiu no quarto para paparicar o neto. Pegou no colo e brincando comigo disse que eu parecia com meu avô Pepino. Luigi sorriu e comentou que a mãe devia sentir muita falta do pai. Isabela me devolveu a Renata, olhou pela janela, suspirou e respondeu “aquele cretino foi o amor de minha vida, pena que não fui o dele”.

Isabela lembrou-se que foi até o quarto porque Pepe pedira, queria conversar com o neto. Luigi se encaminhou ao escritório deixando as duas no quarto.

Bateu na porta do escritório e Pepe mandou que entrasse. Luigi entrou e encontrou o irmão Ricardo junto ao avô. Perguntou se o avô chamara e Pepe mandou que o neto sentasse.

Pepe preparou um copo de uísque para Luigi. Ele e Ricardo já bebiam. Preocupado Luigi perguntou o que ocorria.

O homem olhou um quadro que tinha no escritório de Salvatore Granata e comentou “grande homem, quem iniciou tudo”. Olhou para os netos e contou que já passava dos setenta e cinco anos, estava velho, cansado e queria aproveitar os últimos anos de vida.

Ricardo discordou alegando que o avô estava bem de saúde e tinha o corpo fechado. Pepe respondeu que mesmo um corpo fechado perece.

Olhou para um quadro que tinha foto de Pepino e Benito e comentou “uma vez tentei fazer isso e errei, espero não fazer o mesmo, que vocês não me decepcionem”. Olhou para Luigi e contou que a partir daquele dia ele assumia os negócios da família.

Ricardo sentado ao lado de Luigi sorriu e deu tapinha em seu ombro dizendo “parabéns mano”. Pepe feliz falou que aquela reação que esperava e Luigi assustado perguntou se o avô tinha certeza, não se sentia preparado.

Pepe respondeu que estava, desde que saiu da cadeia trabalhava com ele, aprendeu todo o ofício e criara juízo, construíra sua família. Ergueu o copo e propôs um brinde ao futuro da família Granata. Os três homens brindaram.

De noite Renata dormia e Luigi olhava para o berço onde eu também dormia. Olhava em silêncio e em um momento comentou “é meu filho, hoje sou eu, amanhã você. É a nossa saga, ou sina, não sei”. Fez um carinho em minha cabeça e o telefone tocou. Atendeu, era Xande.

Ao telefone Luigi contou as novidades e falou que precisava ver o amante. Marcaram no apartamento que Luigi alugara para seus encontros.

Enquanto se vestiam para irem embora Luigi contou a Xande que o homem trabalharia com ele na organização. Xande riu e respondeu que nada entendia de jogo do bicho. Luigi fez um carinho no
amante e contou que ensinaria.

Xande virou-se e perguntou se aquilo era sério. Luigi colocou a blusa e respondeu que sim, era o único que confiava. Xande perguntou por Ricardo e Luigi respondeu que o irmão era ambíguo, não sabia nunca o que passava por sua cabeça.

Xande levantou e perguntou se era tão importante assim para ele e Luigi respondeu que sim. Xande fez um carinho no rosto do amante e contou que aceitava. Luigi no ato lhe abraçou agradecendo.

Luigi contou a todos na mansão que Xande também lhe auxiliaria e Renata agradeceu a força dada ao irmão que há tempos estava desempregado. Pepe respondeu que não via problemas e lembrou de sua amizade com Zaqueu enquanto Ricardo ouvia tudo em silêncio.

Quando os dois ficaram sozinhos Ricardo se aproximou de Luigi. Com os dentes cerrados apontou o dedo ao irmão e sabia o que ele tramava. Luigi desconversou e disse não saber do que se tratava. Ricardo tenso virou-se dando as costas ao irmão e desvirou falando para ele “você está tendo um caso com o Xande, sua bicha”. Furioso Luigi encostou Ricardo na parede, colocou o braço em seu pescoço e mandou o irmão repetir.

Ricardo mesmo sufocado respondeu que não tinha medo do irmão, aprendera isso com ele e Luigi soltou Ricardo perguntando qual era a dele. Ricardo respondeu preservar a família, principalmente de escândalos como o maior banqueiro de bicho do país, herdeiro do sobrenome ser bicha.

Luigi comentou que largava a posição por ele e Ricardo respondeu que não queria completando “não me atrapalhe que eu farei de você o homem mais poderoso desse país”.

Luigi comentou “você quer o poder, mas não quer se expor, cômodo isso” e Ricardo retrucou “seja discreto no seu caso, não destrua essa família”.

Luigi assumiu de fato e de direito os negócios da família auxiliado por Ricardo e Xande, mas resolveu diversificar.

Voltou ao tráfico de drogas, mas deixou de ser varejista. Não vendia diretamente ao consumidor. Arrumou contatos na Colômbia, na Bolívia e comprava a droga diretamente dos cartéis. Trazia ao Rio de Janeiro e abastecia os morros cariocas. Isso fez rapidamente multiplicar a fortuna dos Granata fazendo tudo sem o conhecimento de Pepe que nunca aprovou a mistura de seus negócios com drogas.

Tornou a já vencedora Acadêmicos de Feital uma escola mais popular abrindo suas portas para a sociedade carioca. Tirou a quadra da escola do morro fazendo uma enorme e luxuosa quadra no asfalto. Graças a algumas amizades que fizeram a ponte encheu a escola de samba de artistas e celebridades tornando-se o grande point no verão do fim de 1987.

No desfile da escola veio na frente da agremiação junto com outros artistas e homens poderosos da comunicação do país. Seu camarote era um dos maiores da Marquês de Sapucaí contendo atores, cantores, jogadores de futebol, empresários onde eram servidas cascatas de camarão e uísque a vontade.

 A escola não foi campeã do carnaval que acabou vencido pela Unidos de Vila Isabel. Mas Luigi estava bem satisfeito. A vaidade voltava com força ao homem que era novamente celebridade.

O vento parecia soprar a favor de Luigi. Uma manhã o homem dormia ao lado de Renata quando a empregada bateu na porta desesperada chamando por Luigi. Ele levantou, colocou o roupão e atendeu perguntando o que ocorria, se a casa pegava fogo. A mulher respondeu que o avô queria falar com ele.

Luigi perguntou se era tão grave, necessitava de todo aquele desespero e a empregada respondeu que se “pelava” de medo de Pepe e sempre que ele mandava uma ordem corria para cumprir. A mulher completou “ele fez pacto com o coisa ruim, tem corpo fechado. O pastor da minha igreja disse que ele tem um diabinho numa garrafa escondido dentro do escritório, morro de medo de limpar lá”.

Luigi riu, respondeu que ela tinha razão em ter medo e foi encontrar o avô. Entrando no escritório perguntou o que ocorria e Pepe já lhe esperava com um copo de uísque na mão. Entregou ao neto dizendo que o deputado Feliciano Romão morrera, teve um enfarte fulminante em um hotel com um travesti. Luigi sentiu-se abalado com a notícia, lamentou pelo deputado e perguntou o motivo da alegria, Pepe respondeu “você é o suplente, assumirá sua vaga no congresso”. Os dois brindaram ao novo deputado constituinte.

Luigi tomou posse, nomeou Xande assessor parlamentar e deu grande festa no apartamento em Brasília rodeado de gente famosa e drogas. Dividia seu tempo entre Brasília e os negócios no Rio de Janeiro. Vivia a vida de celebridade que sempre gostou.

Uma noite bebia com Xande e amigos em um bar no Rio de Janeiro e Xande insistia que ele fosse para casa ficar com Renata. Luigi já estava muito bêbado e cada vez enchia mais o copo não se importando com o que o amante falava.

Do nada Renata chegou e comentou que tinha certeza que o marido estaria naquele bar. Luigi sorriu e mandou que a esposa sentasse e se juntasse a eles. Renata séria respondeu que não, estava ali para buscá-lo, pois, eu estava com febre e lugar do pai era ao lado do filho.

Luigi ironizou que não era médico e Renata respondeu que iria ao banheiro e quando voltasse os dois iriam embora. Renata foi e Luigi continuou bebendo e rindo. Xande aconselhou “vai com ela”. Luigi parecia não dar ouvidos e nem atenção a Renata que saiu do banheiro e se encaminhava à mesa.

Antes de chegar um homem puxou sua mão e perguntou “vai aonde com essa pressa gatinha?”. Renata irritada tirou a mão e o homem insistiu “espera, vamos conversar”.

Renata virou para ele e disse “me respeite, sou uma mulher casada”, o homem riu e comentou “tudo bem, não sou ciumento” pegando Renata pela cintura.

Só ali Luigi percebeu o que ocorria e levantou-se trôpego perguntando a Renata se acontecia algum problema. O homem rindo mandou que ele bebesse mais cachaça e não atrapalhasse e Luigi completou “solta a minha mulher”.

Folgado o homem disse “vem buscar”. Luigi foi e tomou um soco no rosto. Caiu no chão e os amigos dele partiram pra cima do homem. Xande se meteu no meio gritando pra ninguém fazer nada que prejudicaria a imagem de Luigi.

Xande empurrou Luigi, Renata e os amigos para longe e deu um dinheiro para o garçom mandando que ele ficasse com o troco.

Foram embora do bar com o homem gargalhando e gritando para Renata que se ela quisesse um homem de verdade era só voltar ao bar.

Todos se encaminharam a seus carros e Renata mandou Luigi sentar no banco de carona, pois, não estava em condições de dirigir. Luigi abriu a porta, mas em vez de sentar-se no banco colocou a mão embaixo do mesmo tirando uma pistola e voltando ao bar.

Renata na hora não percebeu e só viu quando Luigi já estava no meio do caminho. Gritou por Xande que saiu de seu carro e correu atrás de Luigi. Luigi voltou ao bar, encontrou o homem bebendo um chopp com um amigo e disse “Queria tanto minha mulher, vou te apresentar minha amante”.

Deu um tiro acertando o amigo do homem. O público do bar se aterrorizou gritando e correndo. O homem correu, Luigi foi atrás, mas antes que atirasse de novo Xande lhe alcançou, desarmou e levou embora do bar.

Xande levou Luigi até o apartamento, deu um banho gelado no amante e colocou deitado. Ligou para Renata e contou que estava com ele em lugar seguro. Na manhã seguinte tirou Luigi da cidade.

O homem que provocara Luigi no bar era filho de um desembargador e seu amigo não morreu, mas foi obrigado a passar por uma cirurgia delicadíssima de mais de dez horas. O fato virou um grande escândalo no país, manchete de todos os jornais que lembraram que além de Luigi Granata ser deputado federal era banqueiro de jogo do bicho e antes fora condenado por tráfico de drogas e assaltos.

Por todo o Brasil a sociedade se perguntava como um homem condenado pela justiça e foi colocado no meio da pena em liberdade, era assumidamente banqueiro do bicho, uma contravenção penal e além de não ter sua condicional cassada ainda conseguira tomar posse como deputado federal. Luigi, como sempre gostou, era a principal notícia do momento. Mas naquele instante totalmente negativa.

Luigi e Xande se esconderam no interior de São Paulo em um hotel por dez dias e ali aproveitaram para no meio de toda aquela tensão viverem momentos de amor, como uma lua de mel. Luigi não parecia se importar com o mundo a sua volta caindo já que finalmente podia estar sozinho com o homem que amava.

Um dia estavam no quarto quando bateram na porta. Luigi em cima da cama de cueca comia uma tangerina quando Xande levantou para atender, nos mesmos trajes pensando ser a arrumadeira.

Quando abriu deu de cara com Ricardo que nem deixou Xande falar nada. Entrou e mandou Luigi se vestir porque iriam embora. Xande tentou argumentar e irritado Ricardo disse para ele “cala a boca viado”.

Luigi furioso levantou e foi de encontro ao irmão perguntando quem ele pensava que era. Ricardo também levantou o tom de voz perguntando “seu merda, você sabia que o cara que você acertou ficou tetraplégico?” Luigi nada disse e Ricardo continuou “o mundo acabando lá fora, o nome da família na lama e você vivendo seu amor bicha como se vocês fossem a Maria de Fátima e o César da novela”.

Xande partiu pra cima de Ricardo que sacou um revolver e encostou no queixo do amante do irmão dizendo “cara, eu to muito puto hoje. Meu avô me fez viajar até a merda dessa cidade atrás desse viado, pra eu matar alguém hoje ta muito fácil”.

Luigi colocando a roupa ironizou “é, aprendeu a beber, aprendeu a matar, cada dia você me surpreende mais maninho” Ricardo devolveu “aprendi até a escrever o que idiota tem que dizer pra imprensa quando atira nos outros bêbado, vamos embora logo”.

Luigi fugiu do flagrante então não poderia ser preso por possuir imunidade parlamentar. Ricardo convocou uma entrevista coletiva e todos os órgãos de imprensa estavam presentes. Luigi entrou na sala conduzido por advogados e ocorreu um disparo de flashes em sua direção.

Luigi era uma mistura de medo e excitação por toda a mídia estar interessada no que ele teria a dizer.

Luigi de óculos escuros sentou e recebeu uma saraivada de perguntas. Tranquilo o deputado contou toda a história e que não deixaria o rapaz atingido sem assistência.

Fez um acordo com a família do baleado e pagou todo o tratamento além de uma pensão mensal para os cuidados que precisaria pelo resto da vida. No meio daquele turbilhão de emoções Luisa ligou para Luigi comentando que precisavam conversar. Marcaram um almoço.

Luisa perguntou como o irmão estava e Luigi respondeu que virara o inimigo número 1 do país, mas até achava aquilo engraçado. Tentou atirar no filho de um desembargador, acertou seu amigo e o tal desembargador agora queria seu fígado com fritas e molho rose. A irmã comentou que ele tinha imunidade parlamentar, mas Luigi respondeu que a comissão de ética da câmara iria avaliar uma possível cassação sua por falta de decoro.

Luisa atendeu alguns fãs que se aproximavam dela pedindo autógrafo e torciam o nariz ao ver Luigi. Quando conseguiram ficar a sós Luigi comentou que achara a irmã abatida, perguntando o que ocorria.

Luisa abaixou os olhos e comentou que o irmão sempre sabia como ela estava. Luigi pegou sua mão e perguntou novamente qual era o problema. Luisa com lágrimas nos olhos respondeu que fizera exames de rotina e viram alteração na sua contagem de glóbulos brancos, fez exames mais detalhados e descobriu estar com leucemia.

Luigi na hora fechou os olhos e comentou “que merda”. Luisa pediu desculpas por procurar o irmão daquela forma, mas não tinha mais ninguém no mundo, precisava da família.

Começou a chorar e Luigi lhe abraçou dizendo que sempre estaria ao seu lado.

Luigi voltou para a mansão e encontrou Pepe bebendo na sala.

O avô convidou Luigi a juntar-se a ele, mas Luigi respondeu que tudo que precisava naquele momento era um banho demorado. Pepe mandou o neto se acalmar que tudo daria certo e o rapaz contou que esteve com Luisa.

Pepe disse que não conhecia nenhuma Luisa então Luigi respondeu que devia conhecê-la, pois era uma menina linda, cativante, inteligente e precisava de ajuda, por estar com leucemia.

Pepe nada respondeu, ficou em silêncio e Luigi deu boa noite subindo as escadas.

E Pepe ficou ali sozinho com seus fantasmas.


CAPÍTULO ANTERIOR:

O AMOR E O COMPROMISSO 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

SOBE O SOM: OS TRÊS TENORES


Os Três Tenores é o nome dado ao trio de tenores eruditos Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, que cantaram juntos, em concertos, durante a década de 1990 e no início da década de 2000. A primeira performance do trio ocorreu nas Termas de Caracala, em Roma, Itália, em 7 de julho de 1990 - no encerramento da Copa do Mundo de Futebol de 1990. Zubin Mehta conduziu a Orquestra Maggio Musicale Fiorentino e a Orquestra do Teatro da Ópera de Roma.

O produtor italiano Mario Dradi teve a ideia inicial de um concerto, assim foi realizado o primeiro concerto, com o objetivo de arrecadar fundos para a Fundação Internacional de Leucemia de José Carreras e também, com o objetivo de Luciano Pavarotti e Plácido Domingo darem as boas-vindas ao seu amigo Carreras, em sua volta aos palcos líricos, depois de se recuperar da Leucemia.

Os três cantaram juntos em concertos produzidos pelo húngaro Tibor Rudas, no Estádio dos Dodgers, em Los Angeles no encerramento da Copa do Mundo de 1994, com Zubin Mehta conduzindo a Filarmônica de Los Angeles; sob a Torre Eiffel em Paris, durante a Copa do Mundo de 1998, com James Levine conduzindo e no encerramento da Copa do Mundo de 2002, em Yokohama. Eles também se apresentaram juntos em outros países do mundo, atraindo centenas de milhares de pessoas. Em 2000, apresentaram-se no estádio do Morumbi, ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

Então vamos lá!!


Sobe o som Os três tenores!!


O Sole mio


Nessun dorma


Parlami D`Amore


You`ll never walk alone


Amazing grace


Manhã de carnaval


Ave Maria


Santa Lucia Luntana


Funiculi Funiculá


Torero Quiero


Solamente una vez


Ti voglio tanto bene


Singin` in the rain


Be my love


New York, New York


Vesti la giubba


Bem. Aí está um pouco da história desses três importantes cantores internacionais. Semana que vem voltamos com uma banda lendária que está de volta. com os Novos Baianos.


Enquanto isso vamos cantar nosso orgulho.


SOBE O SOM ANTERIOR:

ALCIONE & BETH CARVALHO

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CINEBLOG: AQUARIUS


Assim como em "Como eu era antes de você" Cineblog volta a falar de um filme que está em cartaz nesse momento. Uma obra de arte polêmica que se tornou símbolo de resistência ao governo Temer.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Aquarius



Aquarius é um filme franco-brasileiro, Dos gêneros drama e suspense, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, produzido por Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd e Michel Merkt, coproduzido por Walter Salles e estrelado por Sônia Braga.

Teve sua primeira exibição mundial em 17 de maio de 2016 no Festival de Cannes, no qual concorreu à Palma de Ouro. Estreou nos cinemas brasileiros em 1º de setembro do mesmo ano, e possui distribuição confirmada para mais de sessenta países.


Sinopse



Clara (Sonia Braga) mora em um apartamento localizado na Avenida Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessados em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.


Elenco



Sônia Braga como Clara
Humberto Carrão como Diego
Maeve Jinkings como Ana Paula
Irandhir Santos como Roberval
Carla Ribas como Cleide
Allan Souza Lima como Paulo
Bárbara Colen como Clara (em 1980)
Julia Bernat como Julia
Germano Melo como Martin
Pedro Queiroz como Tomás
Fernando Teixeira como Geraldo


Lançamento e recepção



Em abril de 2016, o delegado geral do Festival de Cannes Thierry Frémaux anunciou que Aquarius estaria entre os 21 filmes daquele ano que concorreriam à Palma de Ouro, premiação máxima da competição francesa. Foi a única produção latino-americana selecionada, bem como a primeira produção totalmente brasileira a figurar na mostra competitiva desde Linha de Passe, oito anos antes. O longa-metragem teve sua primeira exibição mundial em 17 de maio, na sala Bazin, dentro do festival. Sua primeira sessão no Brasil ocorreu em 20 de agosto, no Cine-Teatro São Luiz, em Pernambuco, para um público de 500 pessoas. Seis dias depois, foi apresentado na 44ª edição do Festival de Gramado, fora da competição oficial.

Aquarius teve sua estreia em circuito comercial nos cinemas brasileiros em 1º de setembro do mesmo ano. Disponível em mais de oitenta salas durante seu primeiro fim de semana em exibição, teve público estimado em 54 mil pessoas e arrecadação de R$880.150 — tornando-se a melhor estreia da semana, com média de 600 pessoas por sala. Além disso, trata-se da segunda melhor semana de lançamento de um longa-metragem nacional em 2016, superada apenas pela de Os Dez Mandamentos, que vendera três milhões de ingressos quando entrou em cartaz. Ao término de sua primeira semana completa em exibição, o filme contabilizou cem mil espectadores, expandiu seu circuito para 110 salas e aumentou o número de cidades em que se encontrava disponível de 20 para 33.

Pouco após sua exibição em Cannes, Aquarius teve seus direitos de exibição on demand comprados pela Netflix, que o lançará na América Latina (exceto Brasil), Ásia (exceto China), América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, e Grã Bretanha, cerca de três meses após seu lançamento nos cinemas de cada território. Além disso, o filme tem distribuição confirmada para mais de sessenta países, e participará de diversos festivais de cinema internacionais ao longo do segundo semestre de 2016. Na França, o lançamento ocorrerá em 28 de setembro, com cerca de 100 cópias. O longa-metragem será exibido entre os dias 9 e 11 de outubro no Festival de Cinema de Nova Iorque — após catorze anos sem um representante brasileiro na competição — e entrará em cartaz nos Estados Unidos no dia 14 do mesmo mês.

A edição de janeiro de 2016 da revista francesa Cahiers du Cinéma apresentava Aquarius como um dos dez lançamentos internacionais mais aguardados do ano. O longa-metragem foi ovacionado após sua exibição no Festival de Cannes, e as primeiras críticas vindas do festival foram muito positivas.

Com base em 23 resenhas da imprensa brasileira, o website AdoroCinema lhe atribui, numa escala de zero a cinco, uma nota média 4,4.  Francisco Russo, do próprio AdoroCinema, deu ao filme a classificação máxima de 5 estrelas e disse: "Aquarius é um belíssimo estudo sobre o Brasil atual e suas idiossincrasias, apontadas com olhar clínico e sem lantejoulas pelo diretor, muitas vezes de forma bastante política". Pablo Villaça, escrevendo para o portal Cinema em Cena, classifica Aquarius como um filme "sobre afeto", destacando que ele é “enriquecido por compreender e buscar a humanidade não só da protagonista, mas até de quase figurantes”. Nesse sentido, ele elogiou o trabalho de todo o elenco, que considerou “homogêneo em qualidade”, também dando à obra 5 estrelas.


Prêmios e indicações



Festival de Cannes

Palma de Ouro  Indicado
Queer Palm Indicado
Melhor Atriz para Sônia Braga Indicado

Festival de Sydney

Melhor Filme Venceu

 Festival de Transatlantyk

Melhor Filme Venceu

Festival de Jerusalém

Melhor Filme Indicado

Festival de Lima

Prêmio do Juri Venceu
Melhor Atriz para Sônia Braga Venceu

Festival World Cinema Amsterdam

Melhor Filme Venceu


Controvérsias



Durante o tapete vermelho de sua primeira exibição, no Festival de Cannes, a equipe de Aquarius — entre eles o diretor Kleber Mendonça Filho e a protagonista Sônia Braga — mostrou cartazes em inglês e francês com os dizeres "Um golpe está acontecendo no Brasil", "54 milhões de votos foram queimados" e "Dilma, vamos resistir com você" em protesto contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Em sua conta oficial no Twitter, Rousseff agradeceu o apoio de todos. O protesto causou polêmica imediata nas redes sociais e alguns internautas a favor do impeachment chegaram a organizar um boicote ao filme.

Anualmente, o Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual, define um júri de profissionais ligados ao cinema que se encarregará de analisar os longa-metragens nacionais lançados no período e definir um que representará o país no crivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, buscando uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro de sua premiação. No início de agosto de 2016, o anúncio dos nove jurados que comporiam o grupo deste ano gerou nova polêmica, com críticas em fóruns especializados à escolha do jornalista Marco Petrucelli para integrar a comissão. Isto se deve ao fato de Petrucelli, meses antes, haver atacado o ato da equipe de Aquarius em Cannes, além de acusá-la de ter usado verbas públicas para a viagem ao festival.

Iniciou-se uma discussão sobre a legitimidade do colegiado, que uma vez somada à controvérsia da classificação indicativa, levou a um debate na mídia sobre uma possível "censura" ao filme por parte do governo interino. Por consequência, em solidariedade a Aquarius, três cineastas anunciaram que retirariam a candidatura de seus respectivos filmes da disputa: Boi Neon, de Gabriel Mascaro; Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert; e Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba. Petrucelli negou partidarismo, afirmando que escolheria o filme "com maior chance de representar o país numa possível disputa ao Oscar". Por sua vez, o Ministério da Cultura afirmou que "a escolha [dos jurados] se deu após ouvidas entidades representativas do setor".

Aquarius esteve entre os dezesseis pré-selecionados pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na disputa, mas por fim Pequeno Segredo foi o longa-metragem escolhido para a função.

Ao término da primeira exibição de Aquarius para um grande público, no Festival de Gramado, ouviu-se diversas vaias de "Fora Temer" por parte do espectadores. A atitude foi replicada por pessoas em diversas salas de cinema do país ao longo da primeira semana de exibição do filme. Jornalistas observaram que as controvérsias que precederam o lançamento do longa-metragem no país deram-lhe uma aura de "desobediência civil" ou ainda de "símbolo de resistência" para grupos contrários ao governo Temer, mesmo que ele seja primariamente uma expressão artística, e não uma obra política..


Cineblog volta semana que vem com um clássico. Hair.


CINEBLOG ANTERIOR:

FORREST GUMP

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

TROCANDO EM VERSOS: MEU CORAÇÃO


To a granel, to sozinho
Cadê o meu benzinho
Que me abandonou

Comprei um par de alianças
Torrei a minha poupança
E ela no altar me largou

To tristão, sou um idiota
Até com agiota
Uma grana peguei

E agora?
O que faço com o enxoval?
Digo o que pro pessoal
Será que digo que dancei? 

Dancei
Ao som de uma salafrária
Que me bicou de sua área
Onde foi que eu errei?

Meu coração
Bate, bate, bate, bate
Que nem tambor 
Por alguém que me deixou 

Meu bem, sou mais um masoquista
Que é metido a artista
E quer cantar seu desamor

Meu coração
Bate, bate, bate, bate
Que nem tambor 
Por alguém que me deixou 

Meu amor, tu não prestas, mas te amo
Meus direitos eu reclamo
No Procon vou te indispôr 

TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

SEM PUDOR OU RAZÃO

SOBE O SOM: ALCIONE E BETH CARVALHO


Alcione Dias Nazareth (São Luís, 21 de novembro de 1947) é uma cantora, instrumentista e compositora brasileira.

O nome de batismo foi ideia do pai, inspirado na personagem Alcíone, a protagonista do romance espírita Renúncia, psicografado por Chico Xavier. Ela é quarta dos nove irmãos: Wilson, João Carlos, Ubiratan, Alcione, Ribamar, Jofel, Ivone, Maria Helena e Solange. Alcione tem mais nove meio-irmãos que seu pai teve com outras mulheres. Sua mãe chegou a amamentar algumas dessas crianças, por considerar que as crianças não poderiam ser culpadas pelas traições do marido.

Desde pequena, graças ao pai policial e integrante da banda de sua corporação, João Carlos Dias Nazareth, inserida no meio musical maranhense, Alcione fez sua primeira apresentação já aos doze anos. O pai foi mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão e professor de música. Além disso, foi compositor e entusiasta do bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense. Foi ele quem lhe ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o trompete e clarinete que começou a praticar aos nove anos.

Elizabeth Santos Leal de Carvalho, mais conhecida como Beth Carvalho (Rio de Janeiro, 5 de maio de 1946), é uma cantora e compositora brasileira de samba.

Desde que começou a fazer sucesso, na década de 1970, Beth se tornou uma das maiores intérpretes do gênero, ajudando a revelar nomes como Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, o grupo Fundo de Quintal e Arlindo Cruz, e Bezerra da Silva.

Beth é filha de João Francisco Leal de Carvalho e Maria Nair Santos Leal de Carvalho. Tem uma única irmã, chamada Vânia Santos Leal de Carvalho. Decidiu seguir a carreira artística após ganhar um violão da mãe. Aos oito anos, ouvia emocionada as canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida, grandes amigos de seu pai, que era advogado. Sua avó, Ressú, tocava bandolim e violão. Sua mãe tocava piano clássico. Sua irmã Vânia cantava e gravou discos de samba. Beth fez balé por toda infância e na adolescência estudou violão, numa escola de música. Seguindo essa área, se tornou professora de música e passou a dar aulas em escolas locais.

Então vamos lá!!


Sobe o som Alcione & Beth Carvalho!!


Não deixe o samba morrer (Alcione)


A loba (Alcione)


Você me vira a cabeça (Alcione)


Meu ébano (Alcione)


Meu vício é você (Alcione)


O que eu faço amanhã (Alcione)


Nem morta (Alcione)


Garoto maroto (Alcione)


Ou ela ou eu (Alcione)


Sufoco (Alcione)


Rio Antigo (Alcione)


Vou festejar (Beth Carvalho) - Com bateria da Mangueira


Sonhando em sou feliz (Beth Carvalho)


Camarão que dorme a onda leva (Beth Carvalho)


Meu guri (Beth Carvalho)


Coisinha do pai  (Beth Carvalho)


Folhas secas (Beth Carvalho)


1800 colinas (Beth Carvalho)


O mundo é um moinho (Beth Carvalho)


O show tem que continuar (Beth Carvalho)


Acreditar (Beth Carvalho)


As rosas não falam (Beth Carvalho)


Bem. Aí está um pouco dessas duas grandes estrelas do samba e da nossa música. Semana que vem tem mais estrelas. Tem os três tenores.


Enquanto isso um pouco de minha estranha loucura.



Porque por onde for quero ser seu par...


SOBE O SOM ANTERIOR:

OS JUSTIN