segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A FÓRMULA SEM 1


Felipe Massa anunciou que está encerrando a carreira.

Alguns podem estranhar jurando achar que ele encerrara faz tempo, outros dirão que Massa apenas fará algo que faz em quase todas as corridas, parar, a verdade é que realmente as últimas temporadas do piloto brasileiro foram apagadas.

O problema é que mesmo sendo apagadas sua parada é preocupante para a o futuro da F1 no Brasil.

A gente não para muito pra pensar nisso, mas a F1 sendo uma das paixões esportivas nacionais não vê um brasileiro campeão do mundo há vinte e cinco anos e uma vitória brasileira numa simples corrida há sete. O período sem vitórias já é maior que no traumático período pós morte de Ayrton Senna e caminhamos para um jejum de títulos maior que do início da F1 até o surgimento de Emerson Fittipaldi.

Nos acostumamos a ser coadjuvantes na F1. Por muito tempo de Schumacher e Alonso na Ferrari e zoando nossos pilotos, em outros em equipes médias beliscando de vez em quando algum pódio. Agora a situação será pior e inédita. Não seremos mais coadjuvantes, seremos figuração. Isso se o Felipe Nasr, piloto brasileiro que tenta dirigir um trambolho mais lento que o 634 na avenida Brasil na hora do rush conseguir continuar no grid. Existe o risco até de nem figuração termos.

Sabemos que brasileiro não gosta de esporte, gosta de vencer e a partir do momento que não vence se desinteressa. Vide a relação do brasileiro com basquete e vôlei nos últimos trinta anos. Eu e a maior parte dos que acompanham F1 crescemos em uma fase farta. Peguei o fim de Nelson Piquet na Brabham conquistando o bicampeonato e o surgimento de Ayrton Senna. Perdi a conta de quantas dobradinhas vi dos dois pilotos e era quase impossível ver três corridas seguidas sem a vitória de um brasileiro. Era época de até quatro brasileiros no grid e no período de 1981 e 1991, portanto 11 temporadas, o Brasil foi campeão 6 vezes. Se algum piloto brasileiro não subisse ao pódio ou não largasse na primeira fila a gente já cornetava.

Com a morte do Senna a coisa mudou. Mesmo nas temporadas de 1992 e 1993 com carros inferiores ele ganhava algumas corridas e até conseguiu ser vice campeão em 93. Caiu nas costas de Barrichello um peso que talvez ele ainda não estivesse pronto para carregar. Mesmo assim foi o primeiro brasileiro na história da Ferrari e não só venceu provas na escuderia como dois vice campeonatos mundiais. Só que tinha dois problemas. Um alemão gênio como companheiro e o "hoje não, hoje não, hoje sim". Coisas que fizeram o brasileiro, mal acostumado com Senna e Piquet, perder o respeito por Rubinho que era sim um ótimo piloto e mostrou isso até o fim.

Veio Massa, jovem arrojado, entrou no lugar de Rubinho e com eleo a expectativa da volta de um título mundial, ainda mais com a aposentadoria de Schumacher.

Era para ter sido campeão em 2008. Fez uma grande temporada, colecionou vitórias, ganhou a idolatria do brasileiro, mas não levou. Não levou devido a uma farsa envolvendo Nelsinho Piquet numa corrida que era pra ter sido anulada, não levou porque no finalzinho Hamilton conseguiu uma ultrapassagem que lhe garantiu o título. Foi o último grande momento brasileiro na F1. Massa ovacionado com semblante triste no lugar mais alto do pódio de Interlagos.

Aí veio 2009, o acidente com a mola e Massa e o Brasil nunca mais foram os mesmos.

Não sou médico para dar uma de PHD, mas é nítido que o desempenho dele caiu demais depois do acidente. Viveu de espasmos de bons momentos. Ainda teve a chegada de Fernando Alonso, um cara competitivo e mais talentoso que o brasileiro. Dessa forma foi levando, levando até semana passada anunciar a aposentadoria.

Fez bem. Se aposenta em um momento que mal consegue fazer pontos e perde a cada semana para o companheiro de equipe mais jovem. Se aposenta em um momento que ainda teria vaga no grid. Se aposenta tendo o respeito dos companheiros, da imprensa que acompanha automobilismo e de toda a F1. Se aposenta sendo motivo de chacota do brasileiro.

Assim como foi Piquet nos últimos anos quando ligou o "dane-se" para a carreira resolvendo aproveitar a vida após o acidente em Ímola. Assim como foi Senna quando começou a levar poeria dos carros de outro planeta da Williams. Viraram chacota e depois que perderam os dois o brasileiro sentiu saudades. Hoje chacota vai para Rubinho e Massa. Desconfio que o brasileiro também se arrependerá e sentirá saudades. Ainda mais quando não ver mais brasileiros no grid e com o tempo a Globo mandar todas as corridas para o SPORTV e a FIA desistir do GP Brasil.

Esperança? Como se o Rio de Janeiro, uma das maiores cidades do mundo e que acabou de sediar Olimpíadas nem um autódromo tem? Prefeito demoliu pra fazer obras olímpicas, prometeu outro e até agora nada. Esperança zero de renovação, nenhum grande piloto surgindo, autódromos fechando... Sentiremos saudades de quando ficávamos apenas atrás do alemão ou dos décimos lugares de Massa.. Parece um absurdo. Mas a saída de Massa agora pode fazer mais mal ao Brasil na F1 que a de Senna.

Vai acabar virando Fórmula do Sem 1.


Sem o Brasil.

 
  

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