sexta-feira, 30 de setembro de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXVI - A LISTA


Luisa contou em um programa televisivo seu drama e a repercussão da doença da moça meio que apagou o caso Luigi. Luisa começou tratamento contra o câncer e em todos os momentos o irmão lhe acompanhava.

Luisa operou, fez quimioterapia, radioterapia, se fragilizou, os cabelos caíram, mas enfrentou a tudo com muita garra comovendo o país. Milhares de fãs rasparam a cabeça e começaram a usar bandanas em sua homenagem. O curioso é que não comovia sua família. Nem sinal de Ricardo e Pepe. Nenhum dos dois prestou ajuda.

Luigi conduzia a cadeira de rodas de Luisa pelo hospital, os dois sorridentes, conversando e indo em direção ao quarto da moça quando deram de cara com o Barão de Feital na frente do quarto. Luisa se surpreendeu e disse “nono, você aqui?”. Pepe perguntou como a neta estava e Luisa sorriu ao responder “melhor agora”.

Luigi conduziu a cadeira até o quarto e pôs a irmã deitada na cama, depois disse que os dois deviam ter muito a conversar e deixou Pepe e Luisa a sós.

Pepe puxou uma cadeira, sentou-se ao lado de Luisa e os dois ficaram em silêncio por um tempo. Luisa olhava o avô que não conseguindo lhe olhar baixou a cabeça. O Barão tentou emendar algumas palavras e Luisa respondeu que ele não precisava falar nada.

Luisa estendeu a mão para o avô. Pepe finalmente olhou para Luisa e pegou em sua mão. Luisa sorriu, Pepe sorriu de volta e os dois ficaram se olhando um bom tempo.

Luigi tinha se dividir em vários. Cuidava da irmã no hospital, da família em casa, vivia seu caso com Xande e enfrentava o conselho de ética. Chegava o dia da análise de seu pedido de cassação e o homem articulava com deputados para impedir. Tinha bons argumentos como milhões de dólares para impedir que sua cassação fosse para a plenária.

No dia da votação Luigi olhava para a sala onde a comissão se instalara e Xande se aproximou. Colocou a mão em seu ombro mandando que Luigi não se preocupasse que tudo daria certo. Luigi ainda olhando os deputados respondeu “o problema de comprarmos alguém é que nunca sabemos se ele se vendeu apenas pra você”.

A sessão começou e Luigi assistia a tudo preocupado. Sabia que uma cassação facilitaria para que ele tivesse que responder a inúmeros processos criminais.

A sessão durou horas e no momento da votação deu tudo como ele esperava. Saiu-se vitorioso. Uma mistura de emoções tomou conta da sala com muitos protestos enquanto Luigi e seu grupo comemoravam. Estava livre da cassação.

Luigi, Xande, demais assessores e alguns deputados foram para o gabinete do deputado brindar ao fim do problema. Luigi pegou um champanhe do frigobar dizendo ser o melhor que existia. Estourou a rolha e serviu a todos. Na hora que foi beber a secretária chamou com um telefonema urgente.

Luigi atendeu e enquanto ouvia o que a pessoa do outro lado da linha dizia apenas fechou os olhos com expressão de dor. Ouviu a tudo e apenas respondeu que voltaria ao Rio de Janeiro no primeiro voo desligando o telefone. Xande perguntou o que acontecera e Luigi respondeu “Luisa morreu”.

Luigi e Xande viajaram em silêncio para o Rio de Janeiro e quando surgiu no saguão do aeroporto a imprensa lhe esperava para que desse declaração sobre sua irmã e a absolvição no conselho de ética. Pela primeira vez na vida Luigi não quis ser o centro das atenções, não queria ser fotografado, aparecer na tv ou dar declarações. Em silêncio foi conduzido por Xande até o carro que lhes esperava.

No cemitério um grande tumulto com muitos fãs querendo se despedir de Luísa. Luigi foi conduzido por Xande e seguranças até perto do caixão e quando os populares perceberam sua presença começaram a gritar “assassino”.

Luigi foi recebido por Renata que lhe deu um abraço e ficou entre ela e Ricardo enquanto o caixão baixava. Ricardo ao notar o irmão ao lado ironizou.

“Esse povinho é desinformado mesmo, nem sabem que o cara não morreu, apenas ficou tetraplégico”.

Luigi não deixou barato e respondeu “você devia estar sem nada pra fazer hoje, para vir ao enterro de uma pessoa que nem foi visitar no hospital”. Ricardo sentiu o golpe e contou que Luisa era sua irmã e lhe amava, Luigi respondeu que o modo de amar do irmão era muito estranho.

O funeral se encerrou e Luigi decidiu sair sozinho do cemitério. Pegou o carro e foi até a praia caminhar pelo calçadão. Enquanto caminhava pensava na vida. Lembrava de seu pai Pepino e da infância com Ricardo e Luisa. A irmã sempre meiga, linda, o irmão que era parceiro, amigo. Pensava onde tudo se degringolou e porque isso sempre ocorria na família.

Sentado na areia olhava o mar quando sentiu uma mão no ombro. Olhou para trás e era Renata. Luigi sorriu e Renata sentou ao lado comentando que imaginava que ele estaria ali. Luigi contou que adorava aquele lugar da praia, onde ele deu o primeiro mergulho depois que saiu da cadeia.

Renata riu e completou que foi ali que se conheceram. Luigi pegou a mão de Renata e comentou que ela era a pessoa mais amiga e companheira que conheceu na vida. Renata novamente riu e brincando disse que esperava que ele falasse que era o amor de sua vida. Luigi gargalhou e começou a fazer cócegas na esposa ali na areia.

Depois ficaram ali sentados olhando o por do Sol enquanto Luigi comentava de quando Pepino levava os filhos à praia e ele adorava jogar balde de água nos castelinhos de areia que Luisa montava.

Aquele dia se encerrou como depois o ano também e a vida foi seguindo. Com o tempo acabou a repercussão sobre o caso do tiro e o lado “celebridade” de Luigi voltou a ficar mais evidente graças também ao sucesso da Acadêmicos de Feital.

Luigi se reelegeu deputado federal em 1990 garantindo mais quatro anos de imunidade parlamentar. Continuava dividindo sua vida entre a câmara dos deputados e os negócios. O jogo do bicho que a
família Granata continuava com amplo domínio passou a ser apenas um dos núcleos de negócios ilegais da família.

O que rendia mais lucro naquele momento era o tráfico de drogas. Os Granata eram os principais vendedores de drogas para os morros do Rio de Janeiro e tratavam de abastecer também a elite da cidade.

Era uma grande teia de corrupção. Uma rede em que muita gente ganhava dinheiro para que os Granata seguissem tranquilos em seus negócios. Luigi era o comandante de tudo, mas quem tratava diretamente era Ricardo. Partiu dele também a importação de máquinas de videopôquer.

Só que a polícia acabou combatendo as máquinas e apreendendo. Também descobriu um cassino clandestino no momento que Ricardo estava nele tratando alguns negócios. Tentou subornar os policiais e não conseguiu. Acabou preso.

Xande contou a Luigi que o irmão fora preso. Perguntou se era pra ligar para alguém e assim soltar Ricardo. Luigi sorriu e respondeu para deixar o irmão preso alguns dias para “aliviar a cabeça”

Uma semana depois Ricardo foi solto e furioso procurou Luigi perguntando o porque da demora. Luigi irônico respondeu que uma semana não era nada perto do tempo que ele ficou. Ricardo então disse que era seu aliado e que o irmão torcesse para sempre ser seu aliado.

No ano de 1992 os bicheiros começaram a ter prejuízo com algumas operações policiais que fechavam bancas e prendiam gerentes e apontadores. Graças a isso no carnaval de 1993 Luigi Granata antes de começar o desfile da Acadêmicos de Feital fez um discurso de cinco minutos contra a perseguição que os banqueiros sofriam.

Um discurso de cinco minutos no microfone da escola para todos na avenida ouvirem, todas as autoridades presentes, inclusive presidente da República. Discurso ouvido por milhões de pessoas via TV.

Mais uma vez Luigi era dominado pela vaidade. Muitos estavam na teia da corrupção, mas nem todos e aquele discurso incomodou autoridades, incomodou juízes.

A “perseguição” aos bicheiros se tornou ainda maior depois do carnaval de 1993 e quatorze dos maiores banqueiros do Rio de Janeiro foram a julgamento por “formação de quadrilha”.

Durante o julgamento a polícia percebeu que um dos seguranças dos banqueiros estava armado no fórum. A juíza descobriu e no mesmo momento os quatorze bicheiros receberam voz de prisão. Um grande golpe na cúpula da jogatina.

Os bicheiros foram condenados a seis anos de prisão em regime fechado. Uma grande bomba, situação que mexeu com o país, mas um conseguiu escapar, Luigi Granata.

Luigi não foi a julgamento graças a imunidade parlamentar. Alguns deputados tentavam manobrar outro pedido de cassação ou pelo menos licença para eles ser julgado, mas a rede de Luigi era grande evitando qualquer problema ao bicheiro.

Mas ao mesmo tempo em que Luigi tinha muitos aliados também tinha muitos inimigos. A juíza não se deu por satisfeita do maior de todos estar fora da condenação. O desembargador, pai do rapaz que Luigi tentou matar, não se deu por satisfeito por Luigi nunca ser processado criminalmente pelo ato e boa parte da polícia federal não estava comprada.

Investigaram por meses a vida de Luigi e conseguiram mandato para vasculhar a mansão dos Granata e o escritório do bicho. Luigi em Brasília foi avisado do que ocorria e rapidamente voltou ao Rio de Janeiro.

Chegando soube do pior por Ricardo. Um caderninho fora encontrado pela Federal no escritório central, um caderninho que nunca poderia ser encontrado.

No domingo uma importante revista semanal trazia Luigi Granata na capa e a manchete “A lista Granata”. Abrindo a revista e vendo a reportagem encontravam uma lista de mais de cem nomes de pessoas beneficiadas com dinheiro dos Granata. A lista continha nomes de juízes, policiais, políticos, até artistas.

Foi uma grande bomba. Luigi Granata voltava a ser assunto nacional. A polícia continuava a investigar a vida de Luigi querendo provas de troca de favores entre os Granata e aqueles nomes. Luigi ainda tentava com seus aliados evitar a investigação, mas muitos dos que poderiam lhe ajudar estavam mais preocupados em salvar a própria pele.

A vida de Luigi foi destrinchada. Descobriram as ligações do homem com o tráfico de drogas. Descobriram tudo, que ele era o maior traficante do Rio de Janeiro inclusive as pessoas, muitas delas famosas, que  ele fornecia. Luigi todas as semanas era capa da revista e a “lista Granata” provocou renúncias de prefeitos, governadores sendo investigados, policiais presos e até um suicídio.

Luigi caía em desgraça. Não só não tinha mais uma rede de proteção como virava um arquivo vivo. Muitos dos ex-aliados agora queriam o deputado morto por vingança ou mesmo que nada mais fosse descoberto. Luigi foi obrigado a reforçar a segurança.

Um dia chegou na mansão e encontrou Pepe e Ricardo na sala. O Barão andou até o neto e lhe deu um tapa na cara. Luigi recebeu o tapa em silêncio e Pepe irritado vociferou “Eu avisei a você, eu sempre avisei que não queria o meu sobrenome envolvido com tráfico de drogas!! Eu sempre avisei que sua vaidade acabaria com você!! Olha o  que aconteceu!!”.

Luigi a nada respondia e Pepe contou ao neto que ele estava fora dos negócios e a partir daquele instante Ricardo comandava tudo. Luigi continuou em silêncio e Pepe perguntou se ele tinha algo a dizer em sua defesa. Luigi respondeu que não e o Barão comentou “eu imaginei”.

Pepe olhou firme o neto, disse “que desgosto” e se retirou.

Ricardo e Luigi ficaram um tempo em silêncio na sala até que Luigi despertou, se aproximou do irmão e disse “foi você”. Ricardo rindo perguntou do que o irmão falava e Luigi continuou “você ajudou a polícia federal com informações, para que eu me encrencasse”. Ricardo apenar riu e Luigi perguntou o porque.

Ricardo resolveu admitir e gritou “sim, fui eu, eu acabei com você”. Tenso andava de um lado para outro na sala e resolveu contar tudo.

“Eu gostava de você, gostava de verdade. Você era meu ídolo. Mas aí você parou naquele reformatório, me levou em uma favela perigosa, me obrigou a beber”.

Luigi comentou que não era motivo para tanto ódio e Ricardo continuou.

“Você sempre foi o centro das atenções, o queridinho do vovô, o artista da família. Eu sempre fui mais capacitado que você, o mais preparado pros negócios, mas nunca o senhor Pepe Granata me daria o poder porque você era a menininha dos olhos dele e ele tem essa idiotice na cabeça que o mais velho da geração tem que continuar os negócios”.

Luigi perplexo apenas ouvia o irmão que finalizou.

“Eu não sou burro como o tio Benito. Eu não iria brigar com o nono e com você como ele fez com o papai. Eu sabia que você iria se destruir sozinho. Era só dar corda”.

Luigi perguntou se aquilo tudo era apenas por poder e Ricardo respondeu que não apenas por poder, mas por sua auto estima.

Luigi ironicamente aplaudiu Ricardo dando parabéns por ter conseguido o que queria. Ricardo também de forma irônica agradeceu e Luigi se direcionou a subir as escadas. Mas no meio do caminho decidiu voltar e contou.

“Já que você conseguiu realizar algo que queria há tempo também farei o mesmo”.

Falou isso e deu um soco na cara do irmão que caiu desmaiado.

No dia seguinte fui embora da mansão com meu pai e minha mãe. Luigi alugou um apartamento em Copacabana longe do jogo do bicho, do tráfico e sabia que tinha dores de cabeça muito maiores pra enfrentar.

No dia da mudança eu desenhava na sala enquanto Luigi olhava a Lua pela janela. Renata abraçou o homem por trás e disse que estaria com ele sendo a amiga e companheira de sempre. Luigi agradeceu e os dois ficaram lá em silêncio.

Uma grande batalha começava para Luigi. De novo tentar manter o mandato. Muito mais fragilizado o homem não conseguia fazer as costuras necessárias na comissão de ética e na noite anterior da votação desolado bebia sozinho no gabinete.

Xande entrou e perguntou como ele estava. Luigi respondeu que mal, o mundo desmoronava em sua cabeça e não sabia como evitar. Xande se aproximou, pegou uma cadeira e pegou a mão de seu amado pedindo para que Luigi levantasse a cabeça, nada estava perdido e ele já saíra vitorioso antes daquela situação.

Luigi comentou que daquela vez era diferente. As acusações eram muito mais sérias e ele não tinha mais tanto poder. Xande observava Luigi em silêncio e esse perguntou “você sabe o que vai acontecer?”. Xande respondeu que não e Luigi continuou “eles vão aprovar o pedido de cassação, o pedido irá à plenária, irão me cassar e vão me prender”.

Xande pediu que Luigi não pensasse daquela forma e o homem respondeu que estava precisando de um abraço sendo prontamente atendido.

No dia seguinte um desanimado Luigi assistia a sessão da comissão e como previra na noite anterior teve aprovado o pedido de cassação. O pedido foi à plenária e em algumas semanas chegou o dia da votação.

Luigi teve o direito à defesa. Subiu ao púlpito para discursar, olhou bem o papel e jogou fora. Decidiu de improviso mandar que cada deputado agisse por sua consciência, decidisse o que achava melhor e irônico completou “Estou aliviado, pela primeira vez não preciso comprar o pensamento de ninguém”.

Na votação a cassação foi aprovada por larga vantagem e enquanto Luigi saía da plenária muitos deputados comemoravam cantando o hino nacional.  

Em silêncio enchia caixas com seus pertences no gabinete esvaziando o mesmo para o sucessor auxiliado por Xande quando Renata entrou no local. Luigi mostrou surpresa com a presença da mulher que respondeu “eu já te disse várias vezes que sempre estaria com você”.

Luigi saiu com Xande e Renata do Congresso Nacional e entrou no carro. Sentou no banco de trás, olhou a casa projetada por Oscar Niemeyer e antes do carro partir comentou.

“O problema não é você ser cassado, é ser cassado por pessoas que prestam tanto quanto você”.

Voltou para o Rio de Janeiro desempregado e com suas contas bloqueadas. Foi procurado pela mãe.

Luigi se disse surpreso com a presença da mãe em seu apartamento e Isabela pediu que o filho não fosse irônico. Luigi respondeu que não era ironia, apenas estava surpreso já que a mãe nunca foi de participar muito de sua vida e Isabela comentou que estava ali a pedido de Pepe. Luigi completou “logo vi que não era vontade própria”.

Isabela ignorou e contou que o avô estava preocupado com ele. Sabia que ele não tinha emprego, não teria como pagar suas contas e teria um processo criminal pela frente. Luigi irônico agradeceu a preocupação e comentou que iria incluir o nome do avô nas suas orações e Isabela reclamou que as coisas não era assim, ele tinha mulher, filho e devia pensar neles.

Luigi perguntou então qual era a proposta e Isabela contou que o Barão iria inaugurar mais um Granata Shopping, agora na Barra da Tijuca e queria que ele fosse o responsável pelo empreendimento.

Luigi riu, comentou que entendia nada sobre shopping center e seu amor próprio mandaria que recusasse, mas como não tinha mais amor próprio iria aceitar. Mas com uma condição, não queria ver a cara do irmão nem pintado.

Dessa forma Luigi virou o diretor geral do Granata Shopping da Barra da Tijuca e se dividia entre o trabalho e a preparação de seu julgamento criminal. A data se aproximava e Luigi que fora esquecido pela mídia depois da cassação voltava a ser lembrado pela imprensa. Mas ao contrário de seu “auge” fugia da mídia como o diabo da cruz.

Na véspera do julgamento deitado na cama com Xande perguntava se era a última noite dos dois juntos. Xande pediu que o amante não pensasse daquela forma e Luigi rindo comentou que da última vez que Xande falara aquilo, antes da votação na comissão de ética, tudo deu errado.  

Xande também riu e os dois ficaram um tempo em silêncio. Luigi perguntou se Xande lembrava de quando os dois se conheceram e Xande respondeu que sim. Rindo comentou que Luigi não conseguia tirar os olhos dele. Luigi rindo disse que o amante era presunçoso e Xande as gargalhadas comentou que naquele dia transou com Luisa, depois transou com ele, só faltava transar com Ricardo para a família ficar completa.

Luigi disse que o irmão era encubado, só aquilo explicava o jeito amargo dele e os dois caíram na gargalhada. Depois de um tempo em silêncio sério Luigi pediu que Xande cuidasse de Renata e de mim enquanto estivesse preso. Xande tentou falar para Luigi não pensar daquela forma, mas o homem interrompeu o amado pedindo que ele prometesse. Xande então prometeu.

Luigi chegou de madrugada em casa e Renata lhe esperava na sala. Séria minha mãe perguntou se ele tinha alguma amante e sem entender Luigi pediu que ela repetisse. Renata repetiu perguntando se ele tinha outra mulher.

Luigi se aproximou de Renata e jurou que não tinha outra mulher, de certa forma falou a verdade. Renata perguntou o porque de chegar tão tarde e Luigi respondeu que estava com seu irmão tentando aliviar a cabeça.

Renata então pediu desculpas dizendo que estava muito tensa com o julgamento. Luigi lhe abraçou enquanto ela pedia perdão. Meu pai fez carinho em sua cabeça e disse que tudo acabaria bem.

O Julgamento chegou e durou mais de trinta horas. No fim Luigi Granata foi condenado a dez anos de prisão em regime fechado. Algemado meu pai se aproximou de minha mãe que chorava e pediu que ela fosse forte. Eu com apenas oito anos não entendia muito bem o que ocorria, mas estava presente. Ele me deu um beijo no rosto e pediu que tomasse conta de minha mãe.

Depois Luigi virou-se para Xande. Os dois ficaram frente a frente, com muita coisa para dizer um ao outro sufocadas no peito. Mas tudo que Luigi disse foi “tchau Xande”, respondido por um “tchau Luigi”.

Dessa forma meu pai Luigi Granata foi preso para responder por seus crimes de formação de quadrilha e tráfico de drogas. O mais vaidoso dos Granata que desde garoto quis ser o centro das atenções participando de grupo musical, depois quis ser rei do crime participando da criação do Comando Vermelho, virou o rei do bicho, rei do samba, rei das drogas perdia todo seu reinado, o sangue azul para ser um preso comum.

Aleijou um homem para defender uma mulher que não amava. Amava um homem e não podia assumir esse amor. Não podia ser quem realmente era. Talvez Luigi Granata nunca tenha descoberto quem era de verdade. Vivia de uma imagem, de um flash da imprensa.

Foi levado pelos guardas e assim sumiu de minha vista por um bom tempo. Colocado em uma patamo foi conduzido até o presídio de Bangu I, sua morada nos próximos anos.

E lá teria um bom tempo pra pensar em que vida queria de verdade.

Eu e minha mãe voltamos a morar na mansão. O ano era de 1995 e a vida tinha que continuar.

Um dia Pepe Granata descia a escada, eu brincava na sala e a empregada chamou meu avô para atender ao telefone.

O Barão atendeu e vi meu avô ficar branco a medida que ouvia seu interlocutor. Pegou um caderninho de telefone, trêmulo anotou um endereço e respondeu “estarei lá”.

Desligou o telefone e começou a chorar copiosamente. Eu, minha mãe Renata e minha avó Isabela nos assustamos e corremos até meu avô pra acudi-lo. Isabela perguntou o que ocorria e quem era no telefone.

Meu avô emocionado respondeu “Beatriz”.

Sessenta anos depois Pepe Granata reencontrava Beatriz.

O amor da sua vida.


CAPÍTULO ANTERIOR:

PODEROSO CHEFÃO

Nenhum comentário:

Postar um comentário