domingo, 29 de junho de 2014

A BATALHA DO MINEIRÃO


Tem certos momentos meus como compositor de samba-enredo que me pergunto porque gosto de samba. Esses momentos são especialmente entre o último concorrente da noite e o anúncio do resultado. Dos cortados. É um nervoso, um desespero tão grande que me faço essa pergunta.

No futebol às vezes também me faço essa pergunta. Fiz durante Brasil x Chile.

Esperava sofrimento, mas não esperava tanto. Alguns indícios de má sorte ocorreram. Falar que mais uma vitória o Felipão chegaria a 14 e passaria Zagallo em vitórias em copas, eu finalmente conseguir uma camisa da seleção, eu finalmente conseguir ver jogo na União da Ilha.

Evidente que daria merda.

Cheguei com a Hellen Manhães e encontrei um clima maravilhoso, muito animado, feliz, clima de copa do mundo mesmo. Se soubesse que era tão bom tinha ido antes.

Encontrei meus amigos e nos juntamos para ver o jogo no mega telão instalado na quadra cheia.

Jogo até começou legal, Brasil começou bem, atacando o adversário como na Copa das Confederações, torcida apoiando, o gol era questão de tempo. Hulk fez uma boa jogada, na minha opinião foi derrubado e o jogo continuou. Logo após veio o gol.

Brasil continuou bem, atacando, o Chile não ameaçava tanto que comentei com um amigo que tava fácil, o Brasil muito mais próximo do segundo gol.

Até que veio a bobeada ridícula e o gol do Chile.

O jogo começou a ficar estranho, O Brasil atacava menos, o Chile começava a botar as manguinhas de fora, a torcida se calou e o que estava fácil já não estava mais fácil.

Fui para o intervalo preocupado.

Na volta o Brasil rapidamente achou o gol. Muita festa na União da Ilha, comemoração, alívio até que virei para o telão e vi os jogadores reclamando. 

Gol anulado e muito mal anulado. Mas eu não sou de reclamar de juiz porque todos os times do mundo são beneficiados e prejudicados. O Brasil já foi muito beneficiado em copas, inclusive nessa.

Mas algo aconteceu aí. O Brasil morreu.

O que era tenso ficou dramático. A seleção começou a fazer uma péssima partida, a torcida silenciou de vez, o Chile começou a dominar sem ameaçar e o jogo começou a ganhar contornos de eliminação. O time não se encontrava e nem era por falta de empenho ou de qualidade. Eles se empenharam, lutavam muito e mesmo não sendo jogadores espetaculares são bons jogadores.

A pressão. Ela que vem fazendo toda a diferença. A pressão de jogar e ganhar uma copa em casa. Isso está nítido no rosto de todos os jogadores e é até complicado reclamar porque isso é humano demais, nós também sentiríamos.

Se alguém tem culpa é o Felipão que não levou jogadores tarimbados pra pelo menos ficarem no banco.

O jogo foi pra prorrogação. Eu não conseguia dizer mais uma palavra, a quadra em silêncio, a eliminação iminente. Eu tinha apenas 5 anos em 1982 então vivia ali minha “Tragédia do Sarriá”, meu “Maracanazzo”. Uma surpreendente e doída eliminação que nunca esperaríamos.

Detalhe: Pra aumentar meu desespero no intervalo entre a prorrogação e os pênaltis o Dj da União da Ilha colocou “Voa canarinho voa” símbolo de uma derrota traumática, só faltou que eu enfiasse a porrada nele.

Fomos para os pênaltis. Também desesperantes com erros de lado a lado. 

Coube a trave, que já fez mais que o Fred na copa e ao injustiçado Júlio Cesar darem nosso alívio.

Uma grande festa foi feita. Mais pelo alívio que por uma boa atuação. Todo mundo se abraçando, gritando, alguns chorando (boa parte desses já chorava antes) e a bateria começou a tocar com Ito Melodia e o carro de som.

Tive algumas certezas nesse jogo:

1 – Que o Brasil faz uma péssima copa, terrível e se não melhorar não passa nem pela Colômbia. É inadmissível jogar uma copa em casa tão mal, algo que esperamos tanto tempo. Jogar 4 partidas em casa e ganhar apenas 2.

Acompanho copas desde 1982 e nem em 1990 a campanha era tão ruim.

2 – Vasco  

3 – A torcida brasileira é uma decepção, só canta na boa.

4 – A camisa da seleção pesa muito, ela que vem salvando a pátria literalmente. Ganhamos de um Chile, que também jogou mal, na camisa.

5 – As bolas que o Júlio Cesar não pegou como a da trave aos 15 do segundo tempo na prorrogação e o último pênalti chileno foram desviadas pelo Barbosa. Uma atuação de gala de nosso goleiro é a redenção do mais injustiçado dos brasileiros. Um cara que é mais odiado do que os muitos safados que já nasceram em nosso solo só porque falhou em um gol.

E a conclusão final.

Que mesmo jogando tão mal essa seleção é querida e é cada vez mais querida. Isso acontece porque enxergamos nos jogadores seres humanos como nós.

Que sofrem, se emocionam, se desesperam, choram no hino e antes de uma disputa de pênaltis. Da vontade de abraçar esses caras e dizer “Vocês não estão jogando porra nenhuma, mas estamos com vocês”.

Postura. Isso na vida é tudo. Eles têm a postura que 2006 com super time, por exemplo, não tivemos, postura que faltou àqueles jogadores eliminados que saíram de campo sorrindo e paparicando o Zidane.

Não está fácil. Se continuar assim vai rodar e é capaz de rodar já sexta contra a Colômbia que não só vem jogando bem mais que a gente como é a melhor seleção da copa.

Mas quem sabe esse drama todo não desperta a seleção pro hexa?

Faltam 3.  


sexta-feira, 27 de junho de 2014

ERA DA VIOLÊNCIA 2: CAPÍTULO XXIV - DIGA OLÁ PARA O MEU AMIGUINHO




Rubinho olhava o relógio já sem paciência em seu escritório e Sérgio Timóteo pedia calma “O homem já deve estar chegando”. Algum tempo depois a secretária entrou na sala e disse “Rui de Santo Cristo na recepção”. Rubinho mandou que entrasse.

Rui entrou e cumprimentou os homens. Rubinho reclamou do atraso e Rui se desculpou “Eu estava em um compromisso muito importante, vim o mais rápido que eu pude”. Rubinho mandou que ele se sentasse para ouvir o que tinha a dizer.

Rui se sentou e Rubinho disse “Está na hora de executar a segunda parte do plano”. Rui se fez de desentendido e Sérgio explicou “A primeira foi o Donato, agora é a segunda, o sócio dele na roubalheira”.

Rui olhou para os lados como se estivesse com medo de ser ouvido e perguntou “Vai mesmo matar o governador?”.

Rubinho respondeu que sim, Rui comentou que precisaria de tempo para planejar, ver qual seria o momento certo de fazer o serviço e Rubinho cortou dizendo “abertura das Olimpíadas”.

Rui perguntou “Com todo o respeito, o senhor está doido? Os olhos do mundo estarão voltados a essa abertura, polícia pra cacete, como vou matar o governador ali? E por quê tem que ser ali?”.

Rubinho sorriu e respondeu “Confio no seu talento, vai conseguir fazer o serviço e tem que ser ali”. Mais uma vez Rui perguntou porque e o empresário respondeu “Será um recado para o filho da puta maior, pra que ele não tente se fazer de esperto comigo”.

O policial perguntou quem era o filho da puta maior e Rubinho respondeu “O presidente”.

Sim amigos. Até o presidente da República estava envolvido na sacanagem.

Rui levantou, foi até a janela e olhando pra ela comentou “O senhor sabe que mexer com presidente é perda de tempo. Depois ele fala que foi traído, sabia de nada, bla bla bla”. Rubinho respondeu que sim, por isso o susto teria que ser grande. Rui ainda olhando a vista completou “Não será tarefa fácil”.

Rubinho se levantou e atrás do homem e disse “Cinco milhões de reais”. Rui se virou para o empresário que confirmou “Cinco milhões de reais pela cabeça do governador”. Rui respondeu que precisaria de homens e equipamentos, Rubinho completou “Providencie tudo. Cinco milhões é sua parte, limpa”.

Rui sorriu e Rubinho finalizou com outro serviço “Antes quero que faça um serviço para mim, preciso me livrar de um cara de vez”.

Esse cara sou eu e não era música de Roberto Carlos.

Eu, que estava na casa de João Arcanjo conversando com ele e vi Fernanda chegar ao local. A mulher deu um beijo na testa do marido, me cumprimentou e disse que iria pro quarto, pois estava com dor de cabeça.

Desejei melhoras para a esposa de João que agradeceu e saiu. Comentei com o farmacêutico que ela estava estranha. João sem dar muita importância respondeu “Dor de cabeça, normal”.                

Salientei que não parecia ser só isso e João disse “Ela tem passado os últimos dias com dor de cabeça. Já mandei que procurasse um médico”. Mudei se assunto, abaixei o tom de voz e perguntei por Yolanda.

Também com tom baixo João respondeu “Essa mulher é um espetáculo”, comentei “Cara, isso vai dar merda, se sua esposa descobrir que você aprontou de novo ta fodido”.

O farmacêutico respondeu que eu ficasse tranquilo que dessa vez ele estava fazendo tudo certo, sendo discreto e deixando faltar nada em casa, principalmente carinho e atenção. Perguntei se ele manteria o caso e João respondeu “Amo minha mulher, mas sou viciado nela. Não tenho como terminar”.

Nisso a campainha tocou. João atendeu e era Rui de Santo Cristo. O homem cumprimentou o farmacêutico e entrou me encontrando lá. Disse “Que bom que está aqui professor, bom que eu falo com os dois”.

João perguntou se ocorrera algo e Rui respondeu “Pintou um serviço e minha equipe está desfalcada, só tem eu e Galalite, queria saber se vocês não estão afim”.

João respondeu “Já te disse que estou fora Rui. Já chega o que passei na última”. Respondi que também estava fora e já tinha dito isso.

Rui sorriu, lamentou e disse “Fizemos um ótimo grupo, mas nessa vida tudo tem um fim mesmo”. Por fim abraçou a Rui e depois a mim dizendo “Nunca esquecerei vocês”.

Falou e saiu, entendemos nada. João se virou a mim e perguntou “Esse cara é maluco?” Eu sentei e rindo respondi “Sei lá, o amigo de infância dele é você”.

Mais tarde me encontrei com Guilherme em um bar e enquanto bebíamos umas cervejas meu filho disse que queria me contar uma coisa. Perguntei o que era e ele me respondeu “To indo embora, vou pra França com a Celina”. Tirei os óculos escuros que usava e pedi que ele repetisse.

Guilherme repetiu “A Celina vai voltar pra Europa, não quer mais ficar aqui depois da morte do pai e perguntou se eu não quero ir junto. Eu quero, eu amo a Celina pai”. Comentei que aquilo era loucura, ele era muito jovem e Guilherme perguntou “Tem idade para amar?”. É, ele me pegou. Abaixei a cabeça e respondi que não.

Bebemos mais um pouco e perguntei ao meu filho quando ele iria. Guilherme contou que em breve e completou “Não sei como vou contar isso pra minha mãe”. Ri e respondi que não contasse com minha ajuda, pois ela não queria muito papo comigo. 

Guilherme riu e perguntou o que tinha acontecido afinal entre a gente. Bebi mais um pouco e respondi “Nada demais, sua mãe está ficando velha”.

Conversamos mais um pouco e notamos que estava ficando tarde. Pedi a conta e na hora que chegou fui puxar a carteira e não encontrei. Revirei todos os meus bolsos e comentei com Guilherme “Perdi minha carteira”.

Meu filho riu e disse “Velho truque de esquecer a carteira, não tem vergonha de usar isso contra o filho?”. Guilherme pagou e eu fiquei me perguntando onde tinha perdido a carteira.

Eu não tinha perdido.

Rui foi para o serviço com Galalite. Iriam passar o dono de um mercado. O mercado que eu trabalhei.

Esperaram no carro todos os funcionários saírem e o homem ficar sozinho. Rui deu o sinal “É agora”. Saíram do carro e foram até o mercado, a porta estava aberta.

Entraram e o homem que contava dinheiro perguntou o que queriam. Rui sorriu e respondeu “Viemos fazer uma entrega”. Ele e Galalite atiraram diversas vezes contra o dono do mercado que caiu morto. Os homens se encaminharam para sair do local quando Rui mandou que Galalite fosse na frente. Sozinho ele jogou um objeto próximo ao corpo.

A minha carteira.

Sim amigos, aquilo tudo foi orquestrado. A ida de Rui de Santo Cristo até a casa de João Arcanjo não foi para pedir por um último serviço. Ele já sabia que não iríamos. O policial sabia que eu estava no local e foi até lá com o pretexto de roubar minha carteira com documentos.

Roubo que ele conseguiu na hora que me abraçou.

A polícia chegou no local e viu o corpo do dono do mercado e meus documentos ao lado do defunto. Testemunhas contaram do
entrevero que tivemos. Imaginem o que aconteceu? Algumas horas depois a polícia batia na minha porta com ordem de prisão.   

Fui levado jurando inocência. Mas já tinha um currículo tão extenso que ninguém acreditaria em mim.

A notícia logo se espalhou. Dr Eduardo Feitosa foi até a delegacia e perguntou o que acontecera, se eu tinha matado o homem. Furioso desabafei “Se fosse pra matar aquele filho da puta teria matado na época, não agora. Eu perdi minha carteira, não sei como pode ter parado lá”.   

Meu advogado pediu que eu relembrasse o dia, tudo que tinha feito. Contei “Acordei cedo, dei aula, fui até a casa de João Arcanjo, encontrei meu filho e..”e que paralisei.      

Ali caiu a ficha. Ali lembrei de Rui de Santo Cristo aparecendo na casa de João e nos abraçando. Gritei “Filho da puta” e Dr Eduardo perguntou se eu lembrara algo. Respondi que queria ver Rodrigo Saldanha. Ele estranhou e perguntou “Logo Rodrigo?” respondi que sim.

Rodrigo na mesma tarde foi até a delegacia conversar comigo. O homem chegou ao meu encontro e disse “Sei que não foi você, você não seria tão idiota de matar alguém e deixar a carteira cair e já deu pra notar que estão querendo te foder”.

Concordei e respondi “Desde que nasci querem me foder”. Rodrigo continuou “E se você me chamou aqui é porque quer me dizer algo”. Respondi “Mais uma vez está certo. Na verdade eu quero um acordo”.

Rodrigo perguntou que acordo e respondi “Te conto tudo sobre os Cachorros Velozes, te passo o cabeça do grupo, passo provas, mas antes quero que o senhor me tire daqui. Mexa seus pauzinhos”.  

Rodrigo balançou a cabeça positivamente e respondeu “É justo. Eu tenho como fazer isso”. Perguntei “Temos um acordo?”. Rodrigo respondeu que sim.

Enquanto Rodrigo agia para que eu saísse da cadeia algo surreal ocorria em Nova York.

O presidente dos Estados Unidos visitava a cidade e passava com seu carro oficial pelas ruas sendo saudado pela população. Milhares de pessoas nas calçadas com suas bandeirinhas com as cores da nação saudavam sua passada.

Enquanto isso um homem comia pipocas em uma calçada. Com óculos escuros, casaco e cabelo moicano estilo o de Robert de Niro em “Táxi Driver”. Nem preciso dizer quem era né?

Sim. Era Scarface.

A comitiva seguia, mas cometeu um erro parecido com uma das passagens do papa pelo Rio de Janeiro. Um erro idiota. Entrou numa rua errada.

Pegou um grande engarrafamento e as pessoas começaram a cercar o carro tentando tocar no presidente que solícito tocava as mãos dos cidadãos. A polícia e a segurança faziam um esforço monstruoso para que aquilo não ocorresse.

Scarface notou o que ocorria. Estava seguindo o carro presidencial e percebeu ali a sua chance. Calmamente começou a andar em direção ao carro, no meio da multidão.

Os seguranças se acotovelavam com a população enquanto o sorridente presidente atendia a todos. Ninguém percebeu a aproximação de Scarface. O lunático conseguiu se aproximar do presidente, sacou uma arma e fez dois disparos. Um atingiu o ombro, outro a cabeça.

Foi um grande alvoroço. A multidão entrou em pânico enquanto Scarface fugia. O povo perplexo viu o presidente morrer na frente de todos. As emissoras de TV mostraram ao vivo a execução do presidente americano repetindo a tragédia ocorrida com JFK e a polícia saiu em disparada atrás de Scarface que tentava fugir.

O homem correu muito, empurrou pessoas, pulou sobre outras, mas logo a polícia conseguiu alcançar. Se vendo cercado Scarface pegou uma criança como refém e colocou a arma em sua cabeça ameaçando atirar.

Scarface. O lunático taxista ganhava atenção do mundo inteiro. Bilhões de pessoas foram para a gente da tv ver o que ocorria. Todas as câmeras do mundo focalizavam o rosto de Scarface e sua mão com um revolver na cabeça de uma criança.

Na casa de Galalite o homem lavava pratos com as esposa na cozinha quando da sala a filha gritou “Papai!! Não é seu amigo?”. Galalite ainda enxugando o prato chegou na sala e perguntou “O que foi meu amor? Que amigo?”. A menina respondeu “Aquele taxista, ele matou o presidente dos Estados Unidos”.

Galalite olhou a televisão e perplexo deixou o prato cair no chão.

Outro que via televisão perplexo era João Arcanjo. Sozinho na sala ele apoiava a cabeça no queixo e dizia baixinho “Puta que pariu, o quê você fez Scarface?”. Fernanda se aproximou e perguntou o que ocorria. João disfarçou e respondeu “Mataram o presidente dos Estados Unidos e parece que foi um brasileiro”. Fernanda apenas disse “Meu Deus” e sentou ao lado do marido para assistir.

Vamos ser francos. Scarface estava fodido.

E ele era lunático, psicopata, mas sabia disso. O homem caiu em si, se viu cercado pelo FBI e a Swat, câmeras de todos os lados lhe focalizando, se desse mole tinha uma até dando close no cu dele. Qual era a chance que ele tinha? Nenhuma.

Ele tinha duas opções. Morrer ali ou na cadeia, porque evidente que não deixariam vivo um imigrante ilegal que matou o presidente americano. Scarface, vendo que não tinha mais jeito, resolveu fazer um fim triunfal.

Gritou “Say hello to my little friend!!”, soltou a criança e colocou a arma na boca atirando.

Assim Scarface se matou para um público de mais de cinco bilhões de pessoas.

O mundo viu. O mundo inteiro viu o momento que ele gritou a palavra do filme Scarface, pôs a arma na boca e atirou. Viram a criança correndo pro colo da mãe e o FBI junto com a imprensa se aproximando do corpo de Scarface.

João, Fernanda, Galalite e a família viam aquela cena perplexos, sem conseguir pronunciar uma palavra. Rui também assistia, mas esse gargalhou e disse levantando do sofá “Meu Deus!! Não é que o filho da puta cumpriu a promessa?”. 

Yolanda que estava sentada no sofá perguntou se Rui conhecia o assassino do presidente. Este pegou uma garrafa de champanhe, abriu, serviu duas taças e entregou uma à mulher dizendo “Vamos brindar”.

Yolanda perguntou a o que e Scarface respondeu “Aos malucos” brindando com a garota de programa.

Scarface. Doido, psicopata, lunático, maluco se despedia dessa vida de uma forma triunfal.

Eu na delegacia esperava ansiosamente a volta de Rodrigo Saldanha. O mesmo voltou com meu advogado respondendo “Você está livre”.

Agradeci e comentei que o policial podia contar comigo que eu contaria tudo que sabia. Dr Eduardo respondeu que seria bom mesmo que eu contasse, aliviaria minha situação que ainda era crítica.

Caminhávamos para a saída da delegacia quando Rodrigo comentou “Soube de seu amigo Scarface? Aquele que tentou te incriminar no caso Donato Barreto? Ele morreu”. Curioso, perguntei “Morreu de quê?”. Ele respondeu “Matou o presidente dos Estados Unidos”.

Ri e pedi “Fala sério vai, ele morreu de quê?”. Os dois homens continuaram caminhando em silêncio comigo e percebendo a realidade da coisa falei “Não pode ser, vocês estão de sacanagem”.

Combinei que conversaria com Rodrigo Saldanha no dia seguinte em minha casa, antes eu precisava descansar e o homem disse que precisava fazer uma coisa.

Enquanto o mundo debatia Scarface e eu ia para casa descansar Juliana recebia visitas em casa. Sua tia Norma, irmã de sua falecida mãe. Muito tempo que ela não vinha ao Rio de Janeiro e conversavam na sala da mansão sobre a vida, a família e o assunto naquele instante era a morte do presidente dos Estados Unidos pelas mãos de um brasileiro.

Guilherme passou por elas, cumprimentou a tia avó e comentou com a mãe “Papai foi solto, acabou de me ligar”. Juliana tomando uma xícara de café apenas comentou “Que bom”. Meu filho anunciou que iria se encontrar com Celina e se despediu das duas indo embora.

Norma perguntou “O pai dele é o Rubinho?”. Juliana respondeu que não, era eu e a tia comentou “Pena que vocês não ficaram juntos, são um belo casal”. Juliana apenas abaixou a cabeça tomando mais um gole de café e dizendo “É, é uma pena mesmo”.

A senhora, já de idade, perguntou onde era o banheiro e Juliana se ofereceu para levar. Norma disse “Fique sentada aí, sou velha, mas ainda sei andar sozinha”. Juliana riu e indicou o local.

Ficou sozinha na sala quando a campainha tocou. Levantou para atender e era Rodrigo.

Sorriu e convidou o homem para entrar. Rodrigo entrou e disse que estava ali para dar uma boa notícia pessoalmente, que eu saíra da cadeia.

Juliana agradeceu e comentou que Guilherme já tinha dito. Naquele instante Norma voltou do banheiro e espantada em ver Rodrigo na sala perguntou “O que esse homem faz aqui?”.

Rodrigo reconheceu a mulher e perguntou “Não lembra de mim Norma? Rodrigo?”. Norma respondeu “Lembro muito bem, por isso pergunto o que o senhor faz aqui?”. Juliana interveio e disse “Tia, não entendo essa agressividade, Rodrigo foi meu secretário de segurança, trabalha comigo no senado, é amigo antigo da família e foi amigo de meu pai”.

Norma então gritou “Ele não foi amigo de seu pai! Ele é seu pai!”.

Em outro canto da cidade João Arcanjo chegava em casa. Abriu a porta e perguntou pela esposa. Não viu a mulher na sala, mas ouviu música vinda de seu quarto. Estranhou porque era Led zeppellin. Serviu um uísque e comentou baixinho “Fernanda nunca gostou de rock, deve estar louca mesmo”.

Bebeu um gole de uísque e gritou “Para quem estava com dor de cabeça essa música deve ser ótima!!”.

Não obteve resposta então decidiu ir até o quarto ver o que a mulher estava fazendo.

Abriu a porta e teve uma grande surpresa.

Fernanda trepava com Rui em sua cama. A mulher estava de quatro nua, gemendo freneticamente enquanto ao som do rock Rui pegava em sua cintura e penetrava com força. João olhou aquela cena e não conseguiu esboçar reação. Rui de Santo Cristo notou sua presença e de forma canalha sorriu para João Arcanjo.

Sorriu, aumentou o ritmo e deu um tapa na bunda de Fernanda que não notara a presença do marido na porta.

Rui de Santo Cristo e João Arcanjo. Amizade que o sangue uniu.

Amizade traída.


ERA DA VIOLÊNCIA 2 (CAPÍTULO ANTERIOR)


AMORES E CONFLITOS


LINK RELACIONADO (LIVRO ANTERIOR)
 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

CHANTAGEM


*Capítulo do livro "Enredo do meu samba" publicado no blog Ouro de Tolo em 7/12/2013


Apenas fiquei quieto pensando em tudo quando Manolo deu um tapa no meu ombro e disse “nunca é tarde para um recomeço”. 

É..Pensei na situação de meu pai com dona Elza e concordei. O coroa tinha direito de recomeçar.

No dia seguinte fui para o trabalho e finalizei a reportagem sobre o caso de Mariana. Passei a semana ansioso por domingo, data que a mesma iria ao ar no jornal e esperando que desse uma boa repercussão. Esperava que assim ganhasse moral e resgatasse não só a irmã de Andressa, mas como outras traficadas.

Dormia domingo de manhã quando o telefone tocou. Cheio de sono atendi e era meu pai perplexo perguntando que matéria era aquela com meu nome. Perguntei se haviam publicado e seu Jair respondeu que não só publicaram como era a manchete principal da capa.

Tomei um susto porque não esperava isso. Levantei da cama em um salto e perguntei “Mesmo? Preciso ver esse jornal”.  Pedi para que meu pai guardasse e fui até sua casa.

Fui à casa do coroa e ele me mostrou o jornal. Vibrei porque nunca uma reportagem minha fora capa nem de jornal de colégio, ainda mais em um de grande circulação. Meu pai comentou que a história era escabrosa e eu respondi que daria certo e Andressa seria solta.

Convidei meu pai para ir ao “casa de bamba” tomar uma gelada, mas antes passar na casa de Bia porque queria que minha filha visse reportagem minha na primeira página de jornal. Meu pai topou e fomos.

Durante o percurso não comentei que lhe vi entrando em um motel com dona Elza, nem ele falou nada comigo. O silêncio só foi cortado com meu pai reclamando que sentia umas dores de cabeça esquisitas. Mandei que ele fosse ao médico e seu Jair respondeu que compraria analgésicos.

Cheguei na casa, toquei a campainha e Julinha veio correndo me abraçar. 

Desde a viagem não via minha pequena e abracei bem forte matando as saudades.

Dei uma boneca pra ela que comprara na viagem e antes que eu falasse do jornal Ana Julia perguntou se eu sabia que sua mãe iria casar com o Zé.

Pronto, me senti como o Donato da história anterior. Eu não sabia de nada e falei isso pra Julinha. Ela cochichou em meu ouvido que achava legal, mas preferia que fosse comigo.

Depois que falou Bia e Zé surgiram abraçados de dentro da casa. Sem jeito perguntei se era verdade o casamento. Bia deu bronca na filha por contar e confirmou. Em duas semanas casariam.

Eu fiquei sem reação e Zé me abraçou perguntando se eu podia ser o padrinho. Olhei pra Bia que não conseguiu me encarar nos olhos. Abaixei a cabeça respondendo que topava e o homem me deu um forte abraço agradecendo e comentando que por ele casaria apenas no civil porque achava casar na igreja “caretésimo”.

Dei um sorriso sem graça dizendo que só fora na casa para dar o presente de Julinha. Dei um beijo em minha filha contando que depois voltava com mais calma para vê-la e me despedi. Sem falar do jornal.

Meu pai não dera uma palavra naquele tempo todo e quase não falou no carro enquanto íamos para o bar. Apenas em um momento perguntou “Ta doendo né?”. Respondi que sim, mas fazia parte da vida. Logo passava.

Naquele momento me arrependi de não ter casado no papel com Bia. 

Facilitei a vida dos dois.

Chegamos no bar, mas antes passei no Feitosa para comprar alguns exemplares do jornal. Queria distribuir para amigos. Contei ao dono da banca que a matéria era minha e Feitosa me deu parabéns falando que estava sendo muito comentada pelos frequentadores da banca. Quase tanto quanto a dos garotos do caso da rainha de bateria da Sereno de Campo Grande.

Disse isso e completou “Eu falei pro Rico que daria merda, taí, na capa do jornal”.

Peguei o jornal e vi realmente que tinha uma matéria falando da rainha. Perguntei se ele sabia o que tinha ocorrido e Feitosa me contou.

Sheila Lopes era uma morena escultural cria da Unidos do Cabuçu. Seus pais eram diretores da escola e desde pequenina fazia parte da agremiação começando como ala mirim.

Mais velha se tornou passista da escola até que conheceu um rapaz e começou a namorar. Ele era cavaco da Sereno de Campo Grande e chamou Sheila para lhe acompanhar na agremiação. De início a moça se dividiu entre a Cabuçu e a Sereno até que foi convidada para ser uma das princesas da escola de Campo Grande.

O namoro acabou, mas ela ficou pela agremiação. Em dois anos virou rainha da bateria. Respeitada e amada pela comunidade. 

Além de ser deliciosa. Virou um mulherão do tipo que faz padre pecar.

Atraiu muitos olhares de cobiça. De empresários locais, bicheiros, estudantes. Não havia distinção, todos sonhavam com Sheila e Rico não era diferente.

Estudante de letras da Estácio, garotão ainda, frequentava os ensaios da escola de Campo Grande só para ver Sheila. O garoto babava e dizia “essa mulher ainda vai ser minha” para gargalhada de seus amigos.

Um dia estava em casa jogando vídeo game quando começaram a esmurrar sua porta. Irritado Rico levantou e atendeu. Era Nicanor, seu melhor amigo.

O garoto voltou para o vídeo game e perguntou se o amigo queria tirar alguém da forca. Nicanor respondeu que não, mas tinha uma preciosidade na mão. Abriu a mochila e pegou um DVD.

Rico olhou e desdenhou continuando a jogar. Nicanor perguntou se o amigo não queria saber sobre o que era o DVD e ele respondeu que não. Nicanor contou que era pornô e Rico falou “Tenho muitos”.

O amigo não desistiu e afirmou “Não desses, se você não gostar dele te dou minha moto”.

Aí o negócio ficou sério. Rico parou de jogar e pediu o DVD para colocar. Pôs no aparelho e os dois sentaram para ver. Nicanor rindo disse que o amigo teria uma surpresa.

E teve. À medida que o filme ia passando Rico arregalou os olhos e balbuciou “Não..Não pode ser”. Nicanor respondeu “Pode sim, é ela”.

Sim. Era ela. Sheila Lopes, a rainha da bateria.

Rico olhou o amigo e perguntou como ele conseguira aquela preciosidade. 

Nicanor respondeu que era apenas para venda internacional e conseguiu com alguns contatos. Rico ainda se recuperava quando Nicanor completou “Também descobri a terma que ela trabalha”.

Terma pra quem não sabe é nome luxuoso de puteiro. Rico ficou louco e pediu o endereço ao amigo que mandou que ele se acalmasse e de noite iriam pra lá.

Anoiteceu e entraram no inferninho. Luz baixa, música alta e um monte de mulheres apenas de biquini se esfregando em marmanjos. Os garotos freneticamente procuravam por Sheila até que Nicanor apontou e disse “olha”.

Era Sheila.

 Os dois ficaram um tempo olhando até que Rico se encheu de coragem e falou que iria até a rainha. Caminhou ao seu encontro sem que ela percebesse e perto disse “oi rainha”.

Sheila olhou e ficou branca. A terma era longe de Campo Grande, lugar escondido e ela nunca imaginara que alguém da escola lhe descobriria. Sheila de cara reconheceu Rico do ensaio e respondeu o cumprimento gaguejando.

O rapaz se encheu de confiança e perguntou quanto era o programa. Sheila abaixou a cabeça e respondeu duzentos reais e Rico disse “vamos”.

Rico pegou na mão da rainha e os dois foram em direção ao balcão da terma. O rapaz passou pelo amigo e deu uma piscada. No balcão pagou o programa e foram ao quarto transar.

Rico fez o que quis com a rainha no quarto. Ele tinha o poder na mão, o poder da descoberta e depois de uma hora deitou na cama satisfeito. A moça sentada e de costas para ele pediu que não contasse a ninguém o que descobriu.

Realmente ele tinha a mulher nas mãos. Sentou-se, deu um beijo em seu pescoço e comentou que o segredo dela estava bem guardado, desde que a moça fosse “boazinha” com ele. Sheila entendeu o recado.

Viraram amantes a partir dali. Sheila não cobrou mais as transas com Rico e tinha que estar sempre a sua disposição. O rapaz não fazia segredos que transava com ela e chegou a filmar a relação escondido mostrando para muita gente, inclusive Feitosa.    

Já era notório o caso e as pessoas espantadas perguntavam o que uma mulher linda como aquela fazia com um cara sem graça como Rico. Com o tempo o estudante fez questão de desfilar com a rainha de mãos dadas pela escola e contar que estavam namorando.

Isso fez com que a moça perdesse um homem que lhe interessara. Eles começaram um romance e quando Rico descobriu mandou que ela lhe desse um fora senão contaria pra todos que a rainha na verdade era prostituta.  

Nicanor mandou que o amigo maneirasse porque aquela história poderia acabar mal e o rapaz respondeu que muito pelo contrário, ele daria mais um passo.

Um dia Sheila chegou em casa e encontrou Rico conversando com seus pais. O pai da moça levantou e disse que ela arrumara um belo noivo e dava benção para o casório. Sheila contou não entender aquela história e Rico mostrou um par de alianças pedindo a rainha em casamento.

Sheila ficou sem reação e enquanto Rico colocava a aliança em seu dedo dizia baixinho no ouvido “se recusar mostro o DVD para eles, ta aqui na mochila”.

Ela não teve alternativa senão aceitar.

Na noite seguinte antes de ir para o ensaio da Sereno bateram em sua porta. 

Era Nicanor.

Ela perguntou o que o rapaz queria e ele contou que também tinha cópia do DVD e estava na terma quando Rico lhe encontrou. O pesadelo de Sheila só aumentava.

Nicanor começou a beijar o pescoço da rainha, acariciar seu seio e Sheila se desvencilhou contando que estava atrasada para o ensaio. Nicanor ameaçou contar e ela pediu apenas que fosse depois do ensaio, que lhe encontraria e iriam para um motel.

Nicanor topou e foi embora. Sheila entrou por um instante no escritório do pai e foi para a quadra da Sereno.

Na quadra o ensaio rolava e lá estavam Rico e Nicanor rindo e apontando para Sheila. Em determinado momento Rico passou pela rainha e falou em seu ouvido “não se esqueça do meu amigo hoje”.

Naquele momento Sheila foi até o locutor da escola e pediu o microfone.

A escola toda parou para ouvir o que a rainha tão amada tinha pra dizer. Com o microfone na mão Sheila respirou fundo e falou.

“Eu queria dizer pra vocês que eu não sou modelo como sempre falei. Eu sou prostituta, fiz filme pornô pro mercado internacional, aquele ali descobriu começando a me chantagear, aquele outro começou a me chantagear hoje e farei isso agora por causa deles”.

Pegou um revólver que escondera no curto vestido e deu um tiro na boca morrendo na hora.

As pessoas ficaram paralisadas. Nicanor e Rico não sabiam o que fazer. 

Algum tempo depois enquanto alguns ainda em vão tentavam ajudar a rainha outros apontaram para a dupla de rapazes gritando “assassinos”.

Tentaram correr, mas não conseguiram apanhando muito e parando no hospital em estado grave.

Chantagem nunca acaba bem.



ENREDO DO MEU SAMBA (CAPÍTULO ANTERIOR)

NUMA ESTRADA DESSA VIDA 
  

quarta-feira, 25 de junho de 2014

BRASIL X CAMARÕES





Chegamos aos terceiro jogo da copa e sobrevivemos.

A expectativa era essa mesma, que sobreviveríamos. Mas tomamos mais sustos que eu pensava.

O primeiro susto que eu tomei foi não conseguir sintonizar a Globo na casa da minha namorada. O segundo descobrir que a televisão dela era em HD, então as reações da vizinhança vinham no mínimo cinco segundos antes da jogada ocorrer na minha tv. Tentei mudar do SPORTV para a Band para ver se melhorava e não melhorou. Saber pelos outros o que vai ocorrer na sua tv é um desespero.

O jogo também deu mais sustos que eu pensava.

Talvez pelas críticas no dois primeiros jogos o Brasil saiu “a la louca” para a partida. Teve seu lado bom pela pressão que trouxe boas chances de gols logo no início da peleja, mas o lado ruim porque nisso demonstrou afobação. Uma afobação maior que a necessária porque bastava o empate para classificar e jogando com calma uma goleada viria naturalmente.

Conseguiu o gol de forma rápida, mas também tomou de forma rápida e isso assustou porque Camarões não haviam marcado gol em nenhum time sendo o saco de pancadas do grupo. É verdade também que o primeiro tempo daquela partida foi o melhor momento da equipe frutos do mar na copa. 

Talvez pela dignidade, talvez pela dignidade das verdinhas que alguém ofereceu pra engrossar o jogo.     

Mas o gol no deu preocupações. Temos a melhor zaga do mundo, mas os laterais não vem bem, principalmente Daniel Alves que é bom no apoio, mas falho na marcação.

O primeiro tempo assustava pela afobação do Brasil e o ímpeto de Camarões. Sabíamos que o Brasil tinha mais time, mas na frieza dos números bastava naquele momento um gol para o Brasil ser eliminado e uma eliminação na primeira fase jogando aqui seria catastrófica.

Mas menino Neymar decidiu que nessa copa quer virar gente grande e vem jogando como gente grande. Fez o primeiro, fez o segundo e “botou a bola debaixo do braço” dizendo “da ni mim que eu resolvo”.

A preocupação é “até quando irá resolver?”. Nós e outras seleções já ganhamos copas graças a super craques, mas pelo menos os “assessores” desses super craques jogavam e nossa seleção passa a impressão que joga no estilo “Deixa com o Neymar que ele resolve”.

Deixando para o Neymar resolver fomos em vantagem para o intervalo.

Na volta Felipão voltou com Mazinho e Kléberson em campo. Quer dizer, voltou com Fernandinho, mas poderia ser chamado de Mazinho ou Kléberson. Fernandinho pode ser o reserva da vez que entra no time e ajeita a seleção.

Paulinho é um bom jogador, mas não está em boa fase e Fernandinho acaba de ser campeão no país em que Paulinho anda no banco. A entrada de Fernandinho melhorou o meio campo da seleção e junto com Ramires aumentou a cobertura a Daniel Alves fortalecendo ao mesmo tempo defesa e ataque.

Mais encorpado, protegendo mais a defesa, fazendo a bola chegar mais no ataque e com a calma que devia ter desde o início a goleada veio.

Agora vem o Chile.

O Brasil anda não jogou o que pode, está longe disso, mas vem em crescimento, esse jogo já mostrou isso. Mas também acho que o torcedor brasileiro é radical demais. Não tivemos nenhuma seleção que podemos dizer que apenas jogou bem no mundial e as que jogaram melhor até agora são camisas que não sabemos se podemos confiar no mata-mata.

Michael Jordan usava esse exemplo para os play offs e uso para os mata-mata de copa do mundo. Lá se separam os meninos dos homens.

Isso vale para a Colômbia, melhor time da primeira fase pra mim (mesmo enfrentando ninguém até agora) e vale pro Chile que foi tão decantado, mas caiu facilmente na armadilha da Holanda que lhe venceu dando a posse de bola e fazendo gols em contra ataques.

Podemos ter dois problemas. A barulhenta torcida chilena se fazendo ser mais ouvida no Mineirão e o time do Chile que é bom. Mas o Brasil é melhor, mesmo com o barulho deles joga em casa e tem mais camisa.

É favorito e mesmo sabendo que favoritismo garante nada acredito que passe.

Pelo menos é o que torço.

Faltam 4. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

A COPA NA TV


*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 20/6/2014


O Ouro de Tolo não é a antiga Tv Bandeirantes, mas virou o “Canal do Esporte”. Sua programação vem sendo dedicada quase que exclusivamente a peleja mundial que está sendo disputada em terras tupiniquins e com alguns colunistas contando os embates in loco.

Não sou rico como o dono do blog (mentira, ele não é rico, mentira, é sim) e para mim coube a parte do proletariado, contar como está sendo pela TV.
Contarei. Vi nada.

Fim de coluna.

Brincadeira vi sim. Mas se essa coluna tivesse que ser feita segunda-feira essa seria a minha resposta porque vi muito pouco de copa do mundo nos primeiros dias. Tinha coisa mais importante para fazer como namorar.

Vi o jogo do Brasil como o mundo inteiro viu. Vi como a maioria dos brasileiros, ouvindo a voz que amamos odiar. A de Galvão Bueno.

Brasileiro adora falar mal do Galvão. Mandando que ele cale a boca, mas chega na hora e todo mundo vê através de sua transmissão. Não adianta, Galvão é a voz oficial do esporte brasileiro.

Vivemos uma era com maior facilidade de informação. Sou do tempo que víamos a Bandeirantes domingo porque o dia todo ela era dedicada ao esporte. Hoje temos televisões por assinatura e várias emissoras dedicadas ao esporte. O Sportv tem 3, a ESPN 2, a Fox mais 2.

O Sportv tem um canal vinte e quatro horas ao vivo falando apenas sobre copa do mundo. É o canal que venho assistindo mais.

Não vi nada na Fox então não posso analisar o canal. A Fox sports chegou recentemente ao Brasil e confesso que ainda não me habituei muito a ele.

Sportv e ESPN têm estilos diferentes de informação e de ver o esporte e isso é bem acentuado nessa copa. Como eu disse o Sportv tem um canal cobrindo a copa vinte e quatro horas e não é fácil arrumar assunto para esse tempo todo por mais que fosse um assunto interessante e o principal hoje do país.

Por isso diversifica. Por isso tenta trazer para o âmbito copa do mundo todas as tribos, todas as classes.  Tem os programas para aqueles que estão acostumados com o futebol como o “Seleção SPORTV”, tem para os torcedores de ocasião como o “Extra ordinários” que não tem nenhum especialista sobre futebol e se fala de tudo e para os insones tem o “Madruga SPORTV” que dura seis horas.

A ESPN colocou sua mesa redonda todos os dias analisando a copa. Não sai muito de seu tom sóbrio e crítico dando margem para isso apenas no bate bola realizado a noite que sempre tem um ar mais descontraído, mesmo em época sem copa.

O trato com o evento e com a seleção brasileira difere entre uma emissora e outra. Como eu disse a ESPN é mais crítica e o SPORTV mais “oba-oba”. Um exemplo disso é como as duas emissoras trataram a questão dos invasores chilenos ao Maracanã.

A ESPN tratou mais como culpa da organização do mundial e o SPORTV dos chilenos que foram mal educados.

Na Globo e seu clima de euforia, com Oloduns, mesas táticas, bonecos de Olinda e confiança no hexa mesmo depois de uma péssima atuação contra os conterrâneos do Chaves vem a melhor surpresa da competição.  

Juninho Pernambucano.

O ex-jogador parece um veterano comentando. Comenta tudo com autoridade, firmeza de quem realmente conhece do assunto e clareza para quem até quem não entende muito de futebol saiba o que vem ocorrendo.

Não tinha visto o Juninho comentando ainda, o que é a causa de minha surpresa. Mas seu poder de comunicação não é surpresa para mim já que todas as segundas ouço o “futebol de verdade”, programa que ele tem na Rádio Globo com Zico e Felipe Cardoso e Juninho se sai muito bem.

Acho que esse chegou pra ficar.

Não vejo nada na Band, ainda mais sem Luciano do Valle, mas já sei que o nível não anda muito bom por lá tendo até bandeirinha que ficou famosa por erros e beleza comentando. Pelas rádios venho acompanhando mais por Globo e Tupi com o show de costume do apolinho Washington Rodrigues.

Lamento pelo garotinho José Carlos Araújo não estar numa grande emissora. Quem ouve rádio é fiel a suas emissoras preferidas, que ouve desde menino e dificilmente muda no dial. Eu sou um desses e acabei ficando sem um dos meus locutores preferidos.

Sobre o futebol em campo, como eu disse, só comecei a ver segunda e como todos vi uma Alemanha assombrando e uma Espanha assombrada. Os espanhóis levaram as touradas em Madri a sério pegando o papel de touro.

Mas ainda é muito cedo. Copa do mundo é na verdade duas competições dentro de uma. A primeira fase é uma coisa, mata-mata outra.

O que posso dizer com certeza é que não entendi as vaias a Dilma. Não que não merecesse, não entro nessa questão, mas por quê só agora? Não ocorreu nenhum fato novo para isso. Evidente é coisa orquestrada e acho de muita falta de educação dizer para uma mulher as coisas ditas.

Nem falo do fato dela ser governante, mas por ser mulher. Podia ser nossa mãe ali.  

A segunda que ao contrário do que muito falavam a copa vem sendo um sucesso dentro e fora de campo. Isso pode sim influenciar nas eleições presidenciais de outubro. Povo orgulhoso vota no governo.

Por falar em vaias e o Diego Costa hein?

Pior escolha que vi alguém fazer desde que escolhi fazer publicidade na faculdade, mas sobre os times da copa falarei com mais detalhes a partir de semana que vem.   

E não é que está tendo copa?   

           

quinta-feira, 19 de junho de 2014

SOBE O SOM: O CLUBE DOS 23




Hoje o “Sobe o som” é em clima de despedida.

Nos despedimos da série “O Clube dos 23” que se iniciou no dia 18/09/2013 com o Náutico. A série contemplou os 20 clubes que formavam a primeira divisão do futebol brasileiro em 2013 mais Palmeiras, América e Bangu com um pouco de sua histórias, fotos de momentos importantes e vídeos de grandes conquistas.  

A despedida da série é musical. Homenageio os 23 clubes colocando seus hinos e anuncio que assim como “O clube dos 23” e “Cinco carnavais” uma nova série em breve preencherá as quartas do blog.

Então vamos lá!!

Sobe o som “O clube dos 23”!!


Náutico 



Vitória


Bahia




Goiás



Criciúma

Coritiba



Atlético Paranaense



Internacional 



Cruzeiro



Grêmio 



Atlético Mineiro



Ponte Preta



Bangu 


Portuguesa



América


Santos
Botafogo


São Paulo



Fluminense



Palmeiras


Vasco


Corinthians



Flamengo



Seleção brasileira 



Bem. Aí estão os hinos dos 23 clubes homenageados pela série. Agradeço a todos os torcedores que comentaram sobre a série elogiando, dando palpites e ajudando para que ela fosse bem sucedida.


Pra finalizar a série uma música que não é de futebol, mas tem tudo a ver com o esporte. Fica minha homenagem ao futebol brasileiro.



O CLUBE DOS 23: 

NÁUTICO

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/09/clube-dos-23-nautico.html#7219150173455376

VITÓRIA

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/09/o-clube-dos-23-vitoria.html#18460949146143746

BAHIA

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/10/o-clube-dos-23-bahia.html#9537277685495117

GOIÁS

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/10/o-clube-dos-23-goias.html#873626539103629

CRICIÚMA

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/10/o-clube-dos-23-criciuma.html#33115867987464875

CORITIBA

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/10/o-clube-dos-23-coritiba.html#32999889088460466
 
ATLÉTICO PARANAENSE

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/10/o-clube-dos-23-atletico-paranaense.html#9184957654608176
 
INTERNACIONAL 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/11/o-clube-dos-23-internacional.html#11960033833806238
 
CRUZEIRO 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/11/o-clube-dos-23-cruzeiro.html#796055919840035
 
GRÊMIO 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/11/o-clube-dos-23-gremio.html#20773527580450746
 
ATLÉTICO MINEIRO 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/11/o-clube-dos-23-atletico-mineiro.html#6139337460349044
 
PONTE PRETA

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/12/o-clube-dos-23-ponte-preta.html#1895468887904702
 
BANGU 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/12/o-clube-dos-23-bangu.html#45067346597453506
 
PORTUGUESA 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2013/12/o-clube-dos-23-portuguesa.html#5222516782648282
 
AMÉRICA 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/04/o-clube-dos-23-america.html

SANTOS

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/04/o-clube-dos-23-santos.html#8643149796097134
 
BOTAFOGO

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/04/o-clube-dos-23-botafogo.html#05911900760438216
 
SÃO PAULO 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/04/o-clube-dos-23-sao-paulo.html
 
FLUMINENSE 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/05/o-clube-dos-23-fluminense.html
 
PALMEIRAS

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/05/o-clube-dos-23-palmeiras_14.html#4576143574826278
 
VASCO

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/05/o-clube-dos-23-vasco.html
 
CORINTHIANS 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/05/o-clube-dos-23-corinthians.html
 
FLAMENGO 

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/06/o-clube-dos-23-flamengo.html
 
SELEÇÃO BRASILEIRA

http://aloisiovillar.blogspot.com.br/2014/06/semana-da-copa-o-clube-dos-23-especial.html#9350352535726056