terça-feira, 17 de junho de 2014

A COPA DO MUNDO E EU


*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 8/6/2014


Manolos não tem jeito, a copa do mundo está aí. Quando estas mal traçadas chegarem ao Ouro de Tolo estaremos na semana da copa e quando forem republicadas em meu blog o Brasil já terá estreado e espero que bem porque faz tempo que não sei o que é ser feliz no futebol.

Já que sou Flamengo (pausa dramática) voltemos ao assunto.

Quatro dias, em míseros quatro dias começa um evento que para o mundo e emociona bilhões de pessoas por esse planeta. O menino assim que nasce recebe uma bola de presente, logo em seus primeiros passos dá seus primeiros chutes e a maior forma de congraçamento com seus amigos de infância, aqueles que levará no peito para o resto da vida, serão aquelas partida de futebol no campinho perto de casa ou na rua.

O sujeito troca de sexo, mas não troca de time de futebol, o cara que faz isso é considerado um paria, escória da sociedade. Um país em guerra joga futebol, na mais absoluta miséria também. O pobre e o rico jogam futebol e muitas vezes em times misturados. O racista abraça um negro na arquibancada na hora que seu time faz um gol.  

O futebol é fantástico, é maravilhoso, faz o velho ser criança e o homem mais frio se emocionar porque desde pequeninos aprendemos que o futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes que existem no mundo.

É aquela vibração, euforia, conquista que se pensarmos friamente muda em nada nossas vidas. A conquista é de quem entra em campo, não nossa. Mas poucas coisas nos dão mais alegria e depressão.

Não dá pra entender. Mas futebol não tem que se entender, tem que se amar.

E é assim nossa relação com copa do mundo. Copa do mundo...O nome “copa do mundo” já arrepia, é imponente, emociona..Vivo copas desde 1982 e com elas alguns de meus momentos mais tristes e felizes na vida. Sim, não digo na vida esportiva, mas na vida.    

Tinha cinco anos em 1982 e lembro da euforia que tomou conta do país. Júnior cantando “Voa canarinho, voa”, Luiz Ayrão cantando “E a seleção canarinho voltando pro ninho com a taça na mão”. Músicas que emocionam até hoje.

Até que veio a derrota que magoou uma nação. Brasil 1950 e Brasil 1982 são nossas “Morte do Kennedy” e “11 de setembro”. Que bom que choramos por esporte e não guerras.

Sobre 1982 falarei melhor em uma coluna especial.

Em 1986 eu já tinha nove anos. Já entendia bem de futebol, decorei a música da copa da Globo, curtia o Araken, o showman (chato pra cacete) e achava que iríamos vencer. Perdemos pra França e eu acabei aquela copa em um choro copioso e doído abraçado a minha mãe vendo o sonho do tetra acabar e vendo o ídolo da minha vida, Zico, batido.

Em 1990 chorei novamente, mesmo  já esperando o fim. Contarei 1994 em outra coluna, 1998 não aguentei ver prorrogação e pênaltis na semifinal. Saí do trabalho pegando ônibus numa Avenida Presidente Vargas deserta e ficamos eu, o motorista e o cobrador desesperados tentando saber o resultado e vibrando abraçados quando saiu a confirmação da classificação.  

As copas do século XXI já me encontraram numa fase mais madura. Já não chorei tanto nas derrotas e vitórias. Aliás, 2010 foi a primeira vez que nem uma lágrima saiu.

E agora chega 2014 com o detalhe que todo mundo já sabe, mas eu não toquei aqui.

Temos em poucos dias copa do mundo, repito o nome forte, pomposo, copa do mundo, mas com um detalhe que faz toda a diferença.

Ela será aqui.

Não sei. Acho que a ficha não caiu ainda. O mundo inteiro estará aqui, os maiores jogadores do mundo estarão aqui, tudo que nós sempre sonhamos. Desde 1950 na triste levantada do chão de Barbosa após gol uruguaio sonhamos com esse momento, até mesmo nós que nem sonhávamos em nascer naquele dia.

Mas ainda não estou no clima. Não sei se porque não sou mais aquele garoto dos anos 80 e 90 ou porque a impressão que me passa é que podíamos mais.

Não sou desses chatos que falavam que não teria copa, que comparam gastos com copas com coisas que tem nada a ver, muito pelo contrário, mas sei lá me passa esse sentimento. Copa do mundo é uma coisa tão grandiosa que me passa a impressão daquela festa que você dá, tinha tantas expectativas em cima e na hora pensa que esqueceu algo.

Espero que até a bola rolar essa sensação passe porque copa é uma coisa tão legal, tão extraordinária e dificilmente um de nós verá outra aqui no Brasil.

Vai ter copa, queiram vocês ou não e que o espírito verdadeiro da copa, o do congraçamento entre os povos, daquela união que falei no começo entre todos os tipos de gente ocorra. Vai ocorrer, somos um povo bacana e que sabe ser receptivo.

Que um lindo capítulo comece a ser escrito na história do futebol.


Capítulo escrito por nós.  


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