quarta-feira, 18 de junho de 2014

O COMEÇO DO BRASIL




Enfim começou a copa. Na verdade já começou a quase uma semana, mas só agora tive tempo de escrever e decidi escrever sobre o começo da seleção brasileira na peleja mundial.

Espero sinceramente que a parte da seleção não se divida em duas “O começo do Brasil” e semana que vem “O fim do Brasil”. Existe o risco.

Não que ache que vá ocorrer, sinceramente não acredito. Mas pela primeira vez desde que comecei a acompanhar copa, em 1982, vejo uma chance real disso ocorrer.

O Brasil lidera o grupo, tem 4 pontos e depende apenas de si para e classificar. Acho que se classifica e em primeiro. Joga por um empate com Camarões para conseguir sua classificação.

Escrevo essa coluna antes de Camarões x Croácia. Posso quebrar a cara, mas não acredito em uma vitória de Camarões. Ela não ocorrendo o Brasil pode se classificar mesmo perdendo para os africanos dependendo do outro jogo e pode até enfrentar um time já eliminado.

Mas Camarões pode vencer e aí a situação se tornaria dramática. Em caso de derrota do Brasil ele dependeria da Croácia já eliminada vencer o México.

Repito. Não acredito que isso ocorra, mas o Brasil pode passar pelo vexame histórico de ser eliminado de uma copa do mundo na primeira fase jogando em casa. Seria o maior vexame da história do futebol mundial, não só brasileiro.

Mas por quê chegamos na última rodada nessa situação?

Vários são os fatores.

Primeiro que um time não joga sozinho, existe um adversário do outro lado. A Croácia não tem um time ruim, nem o México. Trariam dificuldade para a maioria dos times dessa copa e natural que provocassem ao Brasil. 

Principalmente o México que sempre nos complica.

Segundo o Vasco.

Brincadeira.

Terceiro que o Brasil funciona como equipe, mas como talentos individuais, o time de craques que decidem é ao lado da de 2010 a seleção mais carente que já vi. O que mostra uma entressafra que todos os países passam chegou a nossa vez.

O forte de nosso time é a defesa, em especial o miolo de zaga e do meio pra frente temos bons jogadores, mas bons jogadores para clubes e seleções medianas. 

Dependemos de um gênio menino, de 20 anos, que carrega toda a carga de um país nas costas e não sei se já está pronto.

Esse time de bons jogadores e um gênio em fase de amadurecimento depende de estar “na ponta dos cascos” e aí entramos no quarto problema.

O time não está nessas condições. Não sei se por causa da temporada europeia, mas parece desgastado. É a terceira vez que isso ocorre já acontecendo nas copas de 2006 e 2010. O time nas duas ocasiões atingiu seu ápice um ano antes da copa.

Para esse time render tudo tem que se doar ao máximo. Suar sangue, ganhar todas as divididas e apostar na velocidade. 

Não estando cem por cento em sua capacidade física isso fica atrapalhado. Alguns jogadores parecem fora de forma como Paulinho. 
  
O meio de campo perde poder de marcação e mobilidade para criar. Com isso acaba bem marcado e sofre pra marcar. Com isso o Fred fica isolado.

Fred não é uma sumidade, estamos costumados com camisas 9 bem melhores em copa, mas é um bom atacante e pode render bem mais com a bola chegando nele.

Por fim o desgaste emocional. A pressão é grande em cima desses jogadores. 

São sessenta e quatro anos da copa de 1950, uma história que aprendemos junto com quem descobriu o Brasil e a conta de dois mais dois, estão nos pés desses caras reescrever nossa história.

É uma copa jogando com a camisa pentacampeã do mundo, o que já dá pressão, imaginem uma copa em casa.

Na hora do hino nos dois jogos já vimos os jogadores emocionados. Isso poderia ser bom. Dar motivação, raça, garra. Mas está sendo ruim trazendo nervosismo, tensão e a falta de calma acaba em erros bobos e a seleção não usando seu potencial.

Não achei a estreia contra a Croácia tão ruim. Com toda pressão de estreia, adversário difícil venceu bem, apesar da ajuda do juiz.

Contra o México já não foi legal. Mesmo com o goleiro Ochoa sendo o melhor em campo o time não rendeu, se expôs e poderia até ter saído com derrota o que seria trágico.

Felipão não pode morrer abraçado com o time que lhe deu o título ano passado. Se tiver que mexer que mexa. Ver quem não está rendendo e mudar.   

Se o time não melhorar pode se complicar muito a partir das oitavas e a decepção ser enorme.

A história ainda está sendo escrita. Pode ter um final feliz.


E final feliz pra gente é com a taça.


   

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