quarta-feira, 23 de agosto de 2017

SOBE O SOM: CELEBRARE


Celebrare é uma banda cover de sucessos da dance music nacional e internacional. É considerada a maior banda de dance music do Brasil.

A banda Celebrare é formada por Cláudio Gurgel (guitarra), Deborah Levy (teclado), Xande Figueiredo (bateria), Emerson Mardhine (baixo e vocais), Mario Grigorowsky (sax e flauta), Fabíola Andrade, Sylvia de Galhardo, Marco Manela e Ricardo Diniz (vocais).  Quando resolveram formar uma parceria, Marco Manela e Edu Lissovsky tinham em mente uma ideia bem definida: Criar a melhor banda de festas do Rio de Janeiro. Com determinação e olhos clínicos, Edu e Marco reuniram profissionais de talento inquestionável... Munidos de um eclético repertório, o novo grupo arregaçou as mangas e se lançou ao trabalho.

O reconhecimento ao trabalho do Celebrare veio em forma de uma aclamação espontânea na mídia e uma carteira de clientes que conta, entre outros, com empresas como Ipiranga, O Globo, Credicard, Amil, GM, Ford, ABAV, Sul América, Globosat, Natura, Transpev, Glaxo, Souza Cruz, Assobrav, Esso, Light, Barra D'or e o Big Brother Brasil em 2010 e etc.

Então vamos lá!!


Sobe o som Celebrare!!


It`s raining men


Dancin`Days


It must be love


Last dance


Dancing queen


More than a woman


September


Got to be real


Summer nights


Love`s theme


Night fever


We are family


Your song


You`re the first, the last, my everything


Just the way you are


Never can say goodbye


How deep is your love


Bem. Aí está um pouco dessa grande banda que tive o prazer de ouvir ao vivo algumas vezes. Semana que vem teremos mais dança. Teremos Claudinho & Buchecha.


Enquanto isso vamos celebrar.


SOBE O SOM ANTERIOR:

LUIZ MELODIA & EMÍLIO SANTIAGO 

QUINZE ANOS: CAPÍTULO VII - JUNHO


Chegava para mais um dia de aula e pra meu azar a primeira aula do dia era logo com o professor Martins. Entro na sala atrasado, a turma toda sentada parecendo zumbis ou aquelas crianças de “The wall” e o professor Martins em pé me esperava olhando para eles.

Sem olhar pra mim ele grita que estou atrasado e aquilo merecia uma punição.

Deu-me o livro “O capital” de Karl Marx e ordenou que eu copiasse no quadro. Eu como um aluno obediente obedeci e copiei. Muito tempo depois exausto disse a ele que tinha acabado e o professor respondeu que tinha uma última punição.

Pegou uma camisa do Vasco e mandou que eu vestisse..gritei que não e que aquilo era demais pra mim.
Martins assustado e raivoso olhou pra mim e gritou “o quê?” e respondi que era isso mesmo retirando de minhas costas uma espada de sabre de luz.

A turma em uníssono gritou “ooohhh” e o professor Martins rindo perguntou “Então você é um Jedi?”. Com a cabeça respondi que sim e o professor também tirou das costas uma espada.

Para mais um “ooohh” da turma.

Começamos assim uma luta sangrenta, animalesca, mortal onde um queria a cabeça do outro. Ah não, cortar cabeça é Higlander, enfim..

Eu lutava contra a opressão, a tirania e a força e duelávamos por toda a sala com nossas espadas e os colegas encostados com medo em um canto assistiam a tudo tensos.

Comecei a atacar o professor e consegui arrancar sua espada. Na hora de matá-lo ele se jogou para trás de sua mesa e eu fui atrás para encerrar aquela luta.

Puxei a mesa e para meu espanto o professor ressurgiu todo vestido de preto, com uma máscara, respiração ofegante e uma voz esquisita.

Parei e perguntei o que era aquilo quando ele respondeu..

“Quinzinho, I am your father..”

Desesperado larguei o sabre e botei as mãos na cabeça gritando não. Dessa forma gritando acordei com minha mãe olhando pra mim.

Ela disse que um dia queria estar dentro dos meus sonhos pra ver o que se passava na minha mente quando eu dormia e mandou que eu levantasse, pois, estava na hora da escola.

Por milagre cheguei ao colégio adiantado e conversava com meus amigos sobre o sonho quando o professor Martins surgiu para nos dar aula.

Com medo demos bom dia a ele e ele me olhou, deu um sorriso e respondeu que não sabia se seria um bom dia pra mim mandando que nós entrássemos.

Aquele sorriso nunca mais saiu da minha mente. Era o sorriso do belzebu, do capiroto, do coisa ruim.
Entramos, sentamos e o professor nos disse que tinha corrigido os testes e nos entregaria.

Lembrei dele dizendo que não seria um bom dia pra mim e gelei. Ele disse que entregaria da nota mais alta pra mais baixa e começou a entrega. E nada de chegar minha vez, a cada teste entregue a tensão aumentava.
A minha nota foi a última a ser entregue. Zero.

Sim, zero, simplesmente eu tinha errado tudo.

Olhava o teste sem acreditar no ocorrido e imaginando a cara de minha mãe quando soubesse quando o professor mandou que eu levantasse.

Levantei e comigo de pé Martins mandou que todo mundo me olhasse porque eu tinha tirado zero. Senti-me humilhado, ofendido, a vontade que eu tinha era de matá-lo..boa ideia, por que não? Quando ele voltou a olhar pra mim eu já apontava uma pistola pra ele. Martins se assustou e aconteceu esse diálogo.

Eu: Você acredita em Jesus??
Martins com medo: Sim...
Eu: Pois vai encontrá-lo

Aplaquei meu desejo de matar dando cinco tiros no professor Martins que caiu duro no chão.

A turma no começo ficou assustada, mas depois começou a comemorar jogando os livros pro alto, cantando “The Wall” e me botando nos braços.

Eu era um herói.

Mentira eu fiz nada disso. Eu era o Quinzinho, não o Charles Bronson.

Continuava em pé me sentindo humilhado lhe ouvindo falar quando ouvimos risadas na sala.
Era o Nelson, a gente não se dava. O professor notou e perguntou quanto ele tirou. Nelson cheio de orgulho respondeu que nove e Martins retrucou que era mentira, era zero também abrindo um caderno sobre sua mesa e modificando a nota do garoto.

Eu segurei o riso enquanto o Nelson quase chorando pedia pelo amor de Deus que o professor não fizesse isso e Martins mandava que ele também ficasse de pé porque agora eram dois com zero.

Naquele instante já não me sentia tão humilhado.

Nelson entrou para a turma no ano anterior e nossa relação nunca foi boa. Ele fazia com os gordos da sala, eu e os Edsons, Edson Carlos e Edson Luis o que chamamos hoje de “bullying”, mas eu sempre fui “respondão” não deixava barato e muitas vezes os ânimos se acirraram.

E naquele dia se acirraram de vez. Na hora do recreio discutimos devido a situação na aula de geometria e se acirraram de tal forma que tentamos brigar.

Meus amigos e outros alunos se meteram no meio para não deixar enquanto nós dois nos xingávamos e jurávamos de morte. Nossa como éramos violentos..

Eu estava furioso como poucas vezes na vida e consegui com as pontas dos dedos encostar o rosto do Nelson dando um pequeno tapa, coisa mínima mesmo. Depois disso o sinal tocou e tivemos que entrar.
Só que na sala de aula a situação aumentou. A briga e meu tapa foram colocados como algo muito maior e para quem não presenciou a imagem que chegava era outra coisa.

Para quem não viu parecia que eu e Nelson estávamos em um ringue de boxe extenuados, feridos, último round com o povo de pé aplaudindo e eu em um último esforço lhe dava um soco que garantia minha vitória por nocaute.

E com Nelson no chão e o público entusiasmado eu com o rosto todo arrebentado chegava perto das cordas sem enxergar direito gritando pela Ericka e sem perceber que ela se aproximava e olhava pra mim dizendo que me amava.

Para os meus amigos eu tinha “olhos de tigre”.

Enquanto Nelson se envergonhava do tapa e eu por saber que estavam exagerando mais gente descobria o que ocorreu no recreio. A diretora foi até a sala de aula e mandou que fôssemos a sua sala.

Cheios de medo fomos para a secretaria e sentamos na sala esperando pela diretora. Ela sentou e perguntou o que tinha ocorrido.

Ao mesmo tempo contávamos nossas versões de forma atabalhoada sem que ela entendesse nada e a diretora mandou que ficássemos quietos.

Ficamos e ela disse que daria advertência em nossas cadernetas e queria assinatura de nossas mães para o dia seguinte.

Enquanto pedíamos para que ela não fizesse isso a diretora afirmou que aquela não seria a única situação.
Completou que colocaria nossos nomes na turma de teatro e assim teríamos algo produtivo para gastar nossas energias.

Imploramos para que ela não fizesse isso, mas em vão novamente. As aulas de teatro eram nos dois últimos tempos de aula das sextas-feira e eu adorava porque não era obrigatório e assim podia ir embora antecipar meu fim de semana.

Mas aquela mamata tinha acabado, teria que fazer teatro.

A diretora Maria Helena pediu que fizéssemos as pazes. Nelson estendeu a mão pedindo desculpas e retribuí apertando sua mão. A diretora deu um sorriso e afirmou que era assim que meninos de bem e íntegros agiam, que estávamos de parabéns e podíamos voltar a sala de aula.

Sorrimos para ela, nos despedimos e saímos da sala.

Do lado de fora Nelson me chamou de baleia e eu lhe chamei de dumbo.

Levei a caderneta para minha mãe além de dar a notícia da nota zero. Evidente que ela ficou furiosa e me deu grande bronca dizendo que não deixaria mais meus amigos dormirem sexta em nossa casa.

Pedi a ela desesperado que não fizesse isso, pois, já estava tudo combinado e ela respondeu que então me deixaria uma semana sem vídeo game e eu não iria quarta no Maracanã ver Flamengo x Botafogo com Mauro e Batista.

Tentei argumentar e minha mãe brava respondeu que era uma coisa ou outra, resignado aceitei.

Lamentava que perderia a chance de ver o Flamengo ser campeão carioca de dentro do estádio. Evidente que o Flamengo seria campeão, ele tinha Zico, Bebeto e o Botafogo não era campeão há vinte e um anos.
Sentei na sala com balde de pipocas, refrigerante e camisa do mengão e até que o jogo começou bem. O time jogou melhor no primeiro tempo que acabou 0x0.

Logo aos doze minutos do segundo tempo Mauricio do Botafogo empurra Leonardo do Flamengo e faz 1x0.

No momento eu tinha pipoca na boca e me engasguei. A tensão tomou conta de mim e ela virou desespero a medida que o tempo ia passando e o Flamengo não conseguia empatar.

Até que o jogo acabou e o Botafogo foi campeão depois de vinte e um anos. Via o Paulinho Criciúma do Botafogo chorando na tv e eu lá sentado no sofá da sala estarrecido não conseguia pronunciar uma palavra.

Ainda bem que não fui ao jogo.

No dia seguinte fui sacaneado por vários alunos do AME devido a derrota do Flamengo e tive que aceitar as gozações em silêncio até que Ericka se aproximou de mim.

Perguntei se ela também me gozaria pelo Flamengo ter perdido ter perdido e Ericka respondeu que não porque também era Flamengo e tinha um primo das divisões de base do clube chamado Djalminha e que eu prestasse atenção nele que seria um craque.

Ela disse que foi até a mim pra saber se era verdade que eu entraria pra turma de teatro. Resignado respondi que sim por livre e espontânea pressão da diretora.

Ericka sorriu e respondeu que fazia parte da turma e seria legal que eu fizesse também. Tomei um susto e sorrindo perguntei se ela achava mesmo. Ela respondeu que sim e que eu iria adorar.

Estava começando a gostar.

No dia seguinte cheguei empolgado para minha estreia nas artes e na hora do teatro vi meus amigos indo embora e eu ficar. Combinamos que sete da noite estariam em minha casa.

Fui para outra sala com alguns colegas de classe que faziam parte da turma de teatro, entre eles Ericka, Raquel e Nelson e dei de cara com a professora Suely de inglês. Ela era uma de minhas professoras preferidas junto com o Oswaldo de técnicas comerciais e o Paulo de geografia, mesmo indo mal em sua matéria.

Perguntei o que ela fazia lá e Suely devolveu a pergunta querendo saber por que eu estava. Respondi que a diretora tinha mandando a mim e o Nelson assistir as aulas e ela sorriu dizendo que era a professora.
Abri também um sorriso e realmente começava a gostar da ideia da aula de teatro.

Fizemos alguns exercícios corporais, umas brincadeiras e terminamos com esquetes. Pequena história que nós mesmos criamos e desenvolvemos. Ericka viveu papel de minha namorada e eu adorei. Nelson parecia não gostar da aula e eu já estava completamente adaptado e esperando a aula seguinte.

A professora Suely perguntou se eu queria fazer parte do elenco que montaria uma peça em dezembro e eu topei na hora.

A peça seria “D. Chicote e Zé Chupança”, uma adaptação de “D. Quixote de La Mancha” e eu faria o papel de um fanho.

De noite com meus amigos estava empolgado falando do teatro e eles com cara de entediados. Estávamos só os seis no meu terraço e Rodrigo comentou que legal mesmo seria se contássemos histórias de fantasmas.
Gustavo contou história da mulher que vivia nos banheiros atacando os homens que fossem urinar e George da mulher morta que pedia carona nas estradas. As duas histórias assustadoras, ainda mais com o cair da madrugada.

Do nada comentei que tinha uma casa na rua ao lado que diziam ser mal assombrada. Os meninos se interessaram e pediram que eu falasse mais sobre. Contei que tinha uma casa lá que estava há anos fechada. casa grande, abandonada e que o comentário que era mal assombrada. Gustavo destemido como sempre deu a ideia de irmos lá.

Argumentei que era melhor não, estava legal no meu terraço, mas George e Luis Felipe logo deram apoio a Gustavo, depois Rodrigo e Marco também.

Gustavo perguntou se eu iria ficar com medo ou me juntaria a eles na expedição. Enfurecido levantei e disse que nunca fugia de uma batalha e que iria junto.

E assim fui, cheio de medo.

Chegamos à frente da casa e nos perguntamos como entraríamos. Gustavo foi logo escalando o muro mandando que fizéssemos o mesmo. Um a um foi subindo até que sobrou eu. Tentei uma, duas, três vezes, mas gordo é uma droga pra escalar muros e disse a meus amigos que fossem sem mim porque eu não conseguiria pular.

Coloquei minha mão encostada no portão fingindo lamentar não conseguir pular quando o portão abriu e eu caí no chão.

Levantei e vi o portão aberto com Gustavo me chamando e dizendo que eu estava com sorte.
Assim entramos e percorremos toda a casa, eu claro estava cheio de medo. A casa era daquele tipo antiga, cheia de quartos e estava escura, com poeira, ratos, todo o aspecto de filmes de terror.
  
Andamos toda a casa e sentamos na sala. Gustavo contou que ali sim era legal de contar histórias de terror.
Relutei falando que não era uma boa e mais uma vez perguntaram se eu estava com medo. Irritado falei que não e contamos histórias naquele cenário de terror.

No fim falei que estava tarde e era melhor irmos embora quando Felipe deu a ideia de dormirmos lá. Ri e perguntei se ele estava maluco e falei aos meus amigos que fôssemos logo.

Gustavo respondeu que era uma grande ideia dormir lá. Perguntei se eles estavam todos loucos quando começaram a subir as escadas e Rodrigo dizendo que o quarto maior era dele.
Apavorado deitei no mesmo que o Rodrigo que roncava mais alto que minha avó rezando para amanhecer logo e ir embora dali.

Dormi e dormi pesado como todos os meus amigos quando já de dia ouvimos vozes vindas debaixo.

Encontramos-nos no corredor do segundo andar nos perguntando o que era aquilo e Gustavo conseguiu identificar.

Tinha um corretor na sala mostrando a casa a um casal interessado em comprar.

Felipe ficou nervoso dizendo que se nos pegassem ali poderíamos ser presos, retruquei que bem que eu tinha dito para não dormirmos lá e Gustavo mandou que nos acalmássemos que parecíamos mulherzinhas.
Rodrigo perguntou por George e Marco respondeu que não tinha visto. Ninguém tinha visto o George desde que acordamos.

Apesar de ser dia a casa ainda estava meio escura e o corretor na sala mostrava ao casal falando, com toda sua lábia, das vantagens da compra.

A mulher dizia que já ouvira papo da casa ser mal assombrada e ela parceria ser mesmo e o marido mandava que a esposa parasse de besteiras que fantasmas não existiam. Naquele instante ouviram um ranger na escada de alguém descendo. Olharam e era George com um cobertor que achou na casa envolta do corpo e segurando uma vela acesa.

Os três deram gritos desesperados e saíram correndo achando que era um fantasma.

Ouvimos os gritos e rapidamente descemos e lá encontramos o George que nos olhou e disse que só estava procurando o banheiro.

Nós rimos e gozamos o George dizendo que ele era tão feio que o confundiram com assombração.Saímos da casa no momento que o corretor e o casal entravam em seus carros para irem embora. O corretor nos viu e descobriu que tínhamos invadido a casa.

Ele gritou “espera aí” e percebemos que tinha sujado começando a correr.

Corríamos rindo, felizes. São situações bobas como essa que marcam nossas vidas.

Chegou a segunda-feira e fui ao colégio quando contamos para a turma nossa aventura de final de semana.

Ao voltar pra casa encontrei minha avó chorando e minha mãe consolando.Perguntei o que ocorrera e minha mãe respondeu que chegara uma notificação. Meu avô que há anos estava separado de minha avó queria o divórcio e entrou na justiça para conseguir de forma litigiosa.

O ano chegava ao meio e uma guerra começaria dentro da minha família.


CAPÍTULO ANTERIOR:

MAIO

terça-feira, 22 de agosto de 2017

CINEBLOG ESPECIAL: JERRY LEWIS


A seção "Cineblog" existe no "Trocando em miúdos" a quase quatro anos e pela primeira vez não falará de um filme e sim de um artista. Não poderia ser outro, o homenageado é um dos maiores ídolos que tive e tenho na minha vida, referência em comédias que escrevi e para sempre estará em meu coração. Um dos meus ídolos, um dos heróis da minha vida. Um gênio, um professor, mesmo que aloprado..

Cineblog orgulhosamente reverencia:


Jerry Lewis



Jerry Lewis, nome artístico de Joseph Levitch (Newark, 16 de março de 1926 - Las Vegas, 20 de agosto de 2017), foi um comediante, roteirista, produtor, diretor e cantor norte-americano.

Tornou-se famoso por suas comédias estilo pastelão feita nos palcos, filmes, programas de rádio e TV e em suas músicas. Lewis também é conhecido por seu programa beneficente anual, o Jerry Lewis MDA Telethon, com o objetivo de ajudar crianças com distrofia muscular. Lewis ganhou vários prêmios honorários incluindo os do American Comedy Awards, The Golden Camera, Los Angeles Film Critics Association e do Festival de Venice, além de ter duas estrelas na Calçada da Fama. Em 2005, recebeu o Governors Award da Academia de Artes e Ciências Televisivas.

Em fevereiro de 2009, Lewis recebeu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas o Jean Hersholt Humanitarian Award, o Oscar Humanitário. Lewis também foi creditado como inventor do vídeo assist system, com o objetivo de ter mais visibilidade como ator e diretor ao mesmo tempo durante uma gravação de um filme (algumas pessoas ainda duvidam disso até hoje).  Lewis também fez parceria com o cantor e ator Dean Martin em 1946, formando a dupla Martin e Lewis. Além de terem feito sucesso em casas de shows, a dupla também emplacou fazendo filmes para a Paramount. Os dois se separaram dez anos depois.


Biografia



Joseph Levitch nasceu em Newark, Nova Jersey, numa família de judeus russos. Seu pai, Daniel Levitch, era mestre de Cerimônias e ator de vaudeville, e usava o nome Danny Lewis como nome artístico. Sua mãe, Rachel "Rae" Brodsky, era pianista de uma rádio.

Lewis começou a atuar aos cinco anos, e aos quinze tinha descoberto o seu talento, em que consistia em dublar canções em um fonógrafo. Primeiramente, ele iria usar como nome artístico o nome "Joey Lewis", mas depois acabou mudando para "Jerry Lewis" para evitar confusões com o nome de outro comediante, Joe E. Lewis, e com o do campeão de boxe, Joe Louis. Ele se formou na Irvington High School em Irvington na Nova Jersey.


Carreira



Parceria com Dean Martin



Lewis inicialmente ganhou fama com o cantor Dean Martin, em que este fazia o correto e o outro fazia o palhaço, formando a dupla Martin e Lewis. Os dois se distinguiam em relação a outras duplas dos anos 40, por se interagirem um com o outro durante as apresentações ao invés de seguir um roteiro. No final da década de 40, eles já eram conhecidos nacionalmente, primeiro por suas apresentações em casa de shows, segundo por terem seu próprio programa de rádio, depois por fazerem aparições na televisão (principalmente no programa The Colgate Comedy Hour) e por último, por protagonizarem filmes pela Paramount Pictures, que eram um sucesso atrás do outro.

A partir dos anos 50, os papéis de Dean Martin começaram a ser passados para trás, fazendo com que a relação da dupla começasse a esfriar. A desconsideração de Martin pelo trabalho veio a tona em 1954, quando a revista Look Magazine publicou como capa de sua revista a foto da dupla mas, com a parte de Martin rasgada. A dupla se desintegrou em 25 de julho de 1956. Com a popularidade da dupla, a DC Comics publicaram os gibis The Adventures of Dean Martin and Jerry Lewis, entre 1952 e 1957. Os gibis continuaram a ser publicados um ano após a separação da dupla e depois disso, a DC Comics continuou a faturar com os gibis The Adventures of Jerry Lewis, tendo somente Jerry Lewis como personagem principal. Ao decorrer dessa última série, Lewis às vezes se encontrava com Superman, Batman e com outros heróis e vilões da DC Comics. Essa experiência inspirou a Filmation a produzir, em 1970, uma série de desenhos animados (Will the Real Jerry Lewis Please Sit Down?) com Jerry Lewis como o único personagem inspirado na realidade ao lado de outros personagens fictícios.

Dean Martin e Jerry Lewis continuaram a fazer sucesso em suas respectivas carreiras solo, mas ao passar dos anos, nenhum deles comentava sobre os motivos da desintegração da dupla ou que queriam uma reunião. A última vez que os dois seriam vistos juntos em público foi em 1976, no programa beneficente de Lewis, o Jerry Lewis MDA Telethon. A reunião foi feita de surpresa, planejada por Frank Sinatra. No livro de Lewis, Dean & Me: A Love Story, publicado em 2005, onde Lewis conta a sua amizade com Martin. A dupla finalmente se reconciliou, em 1987, após a morte do filho de Martin, Dean Paul Martin e se reuniram novamente em Las Vegas, quando Sinatra fez uma surpresa para Jerry em seu aniversário, apresentando na ocasião uma participação de Dean Martin. Martin morreu em 1995.


Carreira solo



Depois da separação da dupla, Lewis continuou na Paramount e se tornou um artista top com o seu primeiro filme solo, The Delicate Delinquent, de 1957. Também manteve uma parceria com o diretor Frank Tashlin, que trabalhava com a série de desenhos Looney Tunes da Warner. Lewis partiu para um novo tipo de comédia nos filmes de Tashlin. Os dois fizeram mais cinco filmes juntos, incluindo uma participação especial de Lewis em Li'l Abner de 1959. Lewis quis mostrar que também sabia cantar, lançando o álbum Just Sings em 1957. No álbum incluia os hits "Rock-a-Bye Your Baby with a Dixie Melody" (canção associada com Al Jonson e mais tarde re-popularizada por Judy Garland) e "It All Depends on You".

Os filmes The Delicate Delinquent, Rock-a-Bye Baby e The Geisha Boy, produzidos por Hal B. Wallis, não agradou Lewis em relação a comédia, pois não fazia o seu tipo. Em 1960, Lewis terminou seu contrato com Wallis com o filme Visit to a Small Planet, e partiu para a produção com o filme Cinderfella. Cinderfella foi lançado no Natal de 1960, a pedido do próprio Lewis, e a Paramount, querendo um filme para o mês de julho de qualquer jeito, mandou Lewis fazer mais um filme. Foi aí que Lewis estreou na direção com The Bellboy. Esse filme teve o Fontainebleu Hotel de Miami como cenário, pouco orçamento, curto ou quase nenhum roteiro e gravação feita às pressas, com Lewis trabalhando com o filme de dia e fazendo suas apresentações por lá mesmo à noite. Bill Richmond o ajudou com o roteiro e durante as filmagens, Lewis usou a técnica em usar câmeras e circuitos monitores, o que ajudava em poder rever a suas cenas após de terem sido gravadas.

Mais tarde, incorporando o videotape e com o equipamento ficando mais portátil e disponível, essa técnica passou a ser chamada de vídeo assist. Após The Bellboy, Lewis passou a dirigir outros filmes com Bill Richmond o ajudando no roteiro, como The Ladies Man e The Errand Boy de 1961, The Patsy de 1964 e o conhecido The Nutty Professor de 1963, o qual ganhou uma refilmagem protagonizada por Eddie Murphy em 1996 e sua sequência em 2000 chamada, Nutty Professor II: The Klumps, ambas produzidas por Lewis para a Universal Pictures e Image Entertainment. Tashlin revezava o cargo de direção com Lewis, dirigindo os filmes It's Only Money de 1962 e Who's Minding the Store? de 1963. Em 1965, Lewis dirigiu e escreveu (com ajuda de Bill Richmond) o filme The Family Jewels, que era sobre uma órfã rica que tinha herdado uma fortuna de seu pai falecido e tinha que escolher entre seus seis tios para ser seu novo pai. Mesmo tendo gostado de todos os tios, tinha um carinho muito grande por seu chofér, Willard. Os seis tios e o chofér foram todos interpretados por Lewis.

Em 1966, Lewis, com 40 anos, viu sua carreira declinar aos poucos com seus filmes de pouca bilheteria. Com isso, Lewis terminou o seu contrato com a Paramount e assinou com a Columbia Pictures, onde passou a fazer mais alguns filmes. Lewis foi professor de direção na University of Southern California, em Los Angeles, por muitos anos, tendo alunos como Steven Spielberg e George Lucas. Em 1968, tinha passado o filme de Spielberg, Amblin' e disse: "Assim é como se produz filmes.". Lewis estrelou e dirigiu o filme The Day the Clown Cried em 1972, que chegou a não ser lançado. O drama era sobre o campo de concentração Nazista.


Lewis raramente comentava sobre a experiência de fazer esse filme, mas só uma vez disse o porque que tinha desistido dele. O filme não viu a luz do dia, por conta de dificuldades financeiras que surgiu em sua pós-produção. Mas no livro Dean & Me, Lewis conta que o verdadeiro motivo de não ter lançado o filme, é que não tinha ficado satisfeito com o resultado. Lewis acabou também fazendo peças musicais. Em 1976, apareceu no revival de Hellzapoppin' com Lynn Redgrave, mas não chegou a ser apresentado na Broadway. Em 1994, fez sua estréia na Broadway, como substituto fazendo o Diabo no revival do musical de baseball, Damn Yankees, com coreografia feita pelo diretor (na época futuro) Rob Marshall, do filme Chicago.

Lewis retornou aos cinemas em 1981, com o filme Hardly Working, em que estrelou e dirigiu. Mesmo tendo sido um fracasso de crítica, o filme arrecadou 50 milhões de dólares nas bilheterias. Após Hardly Working, ele partiu para fazer o filme The King of Comedy, dirigido por Martin Scorsese. Ele interpretou um apresentador de TV que é seguido e sequestrado por dois fãs obsessivos (interpretados por Robert DeNiro e Sandra Bernhard). O personagem foi baseado e oferecido a Johnny Carson, mas acabou ficado com Lewis. Lewis continuou a fazer filmes na década de 1990, principalmente fazendo participações em Arizona Dream de 1994 e Funny Bones de 1995. Apareceu em um episódio de Mad About You em 1992, interpretando um excêntrico bilionário. Em 2008, Lewis reprisou o personagem Prof. Kelp, em The Nutty Professor, em seu primeiro filme de animação CGI. O filme é a sequência do filme de 1963, e tem também no elenco o ator e cantor Drake Bell como o sobrinho de Julius, Harold.

Na televisão, Lewis teve três programas chamados The Jerry Lewis Show. O primeiro foi em 1957 na NBC, o segundo foi em 1963 na ABC que tinha sido um fracasso de audiência e cancelado 13 semanas depois, e o terceiro em 1967 na NBC novamente. Em 1984, Lewis teve o seu próprio talk show que durou somente cinco semanas. Lewis e seus personagens populares foram transformados em desenho em Will the Real Jerry Lewis Please Sit Down?. O desenho da Filmation foi transmitido pelo canal ABC em 1970, e teve somente 18 episódios. A série estrelou David Lander (Laverne & Shirley) fazendo a voz de Lewis.

Lewis ganhou grande popularidade na Europa, era constantemente aclamado por alguns críticos franceses da revista Cahiers du Cinéma por sua comédia escrachada, em parte também por ter tomado controle da maioria de seus filmes, comparável a Howard Hawks e Alfred Hitchcock. Em março de 2006, o Ministério da Cultura da França premiou Lewis com a Légion d'Honneur, o nomeando-o como "O palhaço favorito dos Franceses".

Em 1994, o filme North, tinha faturado várias cenas dos filmes antigos de Lewis. Em junho de 2006, Lewis anunciou que tinha planos para fazer uma adaptação musical de The Nutty Professor. Em Outubro de 2008, em uma entrevista para a rádio Melbourne, Lewis disse que contratou os compositores Marvin Hamlisch e Hupert Holmes para escreverem a peça para estréia na Broadway em Novembro de 2010. Em 2009, Lewis foi ao Festival de Cannes para anunciar o seu retorno como protagonista após 13 anos com o filme Max Rose, seu primeiro como protagonista desde The King of Comedy.

Em 2013, teve uma participação no filme brasileiro Até que a Sorte nos Separe 2, com Leandro Hassum e Camila Morgado, onde Jerry Lewis fazia o papel de camareiro.

Prêmios e indicações



Anos 1950

1952 – Ganhador do Photoplay Special Award do Photoplay Award (dividido com Dean Martin).
1952 – Indicado ao Emmy Award na categoria "Melhor Comediante Masculino ou Feminino" (dividido com Dean Martin).
1954 – Ganhador do Golden Apple Award na categoria "Melhor Ator Cooperativo" (dividido com Dean Martin).
1958 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino".
1959 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino".

Anos 1960

1960 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino".
1961 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino" e "Melhor Atuação Cômica", pelo filme Cinderfella.
1962 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino".
1963 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino".
1964 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Artista Masculino".
1965 – Ganhador do Golden Laurel Special Award do Golden Laurel Award.
1966 – Indicado ao Golden Globe Award na categoria "Melhor Ator – Filme de Comédia ou Musical", pelo filme Boeing Boeing.
1966 – Indicado ao Golden Laurel Award na categoria "Melhor Atuação Cômica", pelo filme Boeing Boeing.
1966 – Indicado ao Fotograma de Plata na categoria "Melhor Ator Estrangeiro".

Anos 1970

1977 – Indicado ao Nobel da Paz pelo Representante Americano Les Aspin (Aspin notou durante 11 anos que o Jerry Lewis MDA Telethon tinha arrecadado mais de 95 milhões de dólares em prol da distrofia muscular).

Anos 1980

1983 – Indicado ao BAFTA Award na categoria "Melhor Ator (coadjuvante/secundário)", pelo filme The King of Comedy.
1985 – Indicado ao Razzie Award na categoria "Pior Ator", pelo filme Slapstick of Another Kind.

Anos 1990

1998 – Ganhador do Lifetime Achievement Award in Comedy do American Comedy Award.
1999 – Ganhador do Career Golden Lion Award no Festival de Venice.

Anos 2000

2004 – Ganhador do Career Achievement Award do Los Angeles Film Critics Association.
2005 – Ganhador do Governors Award do Emmy Award.
2005 – Ganhador do Lifetime Achievement Award do Las Vegas Film Critics Society Award.
2005 – Ganhador do Golden Camera for Lifetime Achievement Award do Golden Camera Award.
2005 – Ganhador do Nicola Tesla Award do Satellite Award.
2006 – Ganhador do Satellite Award na categoria "Melhor Artista Convidado" pela série Law & Order: Special Victims Unit.[39]
2009 – Ganhador da estrela da Calçada da Fama de Nova Jersey.
2009 – Ganhador do Jean Hersholt Humanitarian Award no 81º Academy Award.


Descanse em paz grande mestre, parabéns por sua obra maravilhosa e obrigado por todas as risadas que nos proporcionou. Semana que vem voltamos com a programação normal. Com o prometido Flashdance.

Gênio


Professor


Único


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O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

TROCANDO EM VERSOS: GOSTOS DE AGOSTO


Há gosto de fumaça, fuligem e radioatividade
Há gosto ruim nas cidades, de pessoas que viraram cinzas
De bombas em nome da paz, da paz que nunca chegou
Da cor que nunca voltou, atômica é a dor que não finda

Há gosto de pólvora no suicídio
Há gosto de vida que entrou para história
Há gosto de tristeza quando vejo um país
Que não aprendeu nada com o que o tempo lhe mostrou
O tiro em nome da paz, da paz que nunca chegou
A ordem que nunca vingou, o progresso que nunca se finca

Há tantos gostos em meus agostos
Afinal, são 41 agostos em meu rosto
Agosto é o mês que eu nasci
Tem gosto de bolo, salgado e saudade
A saudade é a maldade que o tempo infinita
Saudades do que vivi e não vivo mais
Saudade do que vivi com que não vive mais
A vida que me trazia paz, a paz que um dia voou
Lembranças que o peito guardou, tristeza que crava e fica

Mas há gosto também de alegria
Do filho que agosto me entregou
É chama que nunca morre, chama que se reinicia
Há gosto do amor que me escolheu
Amor que me trouxe paz, a paz finalmente voltou
Há gostos que o tempo mostrou, há gostos que a vida explica
Há gosto de festa no ar
Em meu coração e no poema que termina

TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

FATUMBI (MEU CONCORRENTE)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

SOBE O SOM: LUIZ MELODIA E EMÍLIO SANTIAGO


Luiz Carlos dos Santos (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1951 – Rio de Janeiro, 4 de agosto de 2017), mais conhecido como Luiz Melodia, foi um ator, cantor e compositor brasileiro de MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio.

Foi casado com a cantora, compositora e produtora Jane Reis de 1977 até sua morte, e era pai do rapper Mahal Reis (1980). Lança seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra. No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, consegue chegar à final com sua canção "Ébano". Nas décadas seguintes Melodia lançou diversos álbuns e realizou shows no Brasil e na Europa. Em 1987, apresentou-se em Chateauvallon, na França, e em Berna, Suíça. Em 1992, participou do "III Festival de Música de Folcalquier", na França, e, em 2004, do Festival de Jazz de Montreux, à beira do Lago Leman, onde se apresentou no Auditorium Stravinski, palco principal do festival.

Participou do quarto disco solo do titã Sérgio Britto, lançado em setembro de 2011 (Purabossanova). Em 2015, ganhou o 26º Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Cantor de MPB.

Emílio Vitalino Santiago (Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1946 — Rio de Janeiro, 20 de março de 2013) foi um cantor brasileiro. Em um congresso de otorrinos e cirurgiões de cabeça e pescoço, fonoaudiólogos comentaram que as análises técnicas da voz de Emílio Santiago mostravam que o cantor tinha a voz mais perfeita do Brasil.

Frequentou a Faculdade Nacional de Direito, na década de 1970, inicialmente para se tornar um advogado. Ao decorrer do curso, Emílio desejou ser diplomata, pois o incomodava o fato de não existirem negros nos quadros do Itamaraty. Emílio já cantava nos bares da faculdade, em roda de amigos, apenas por diversão. No início, não queria se tornar um cantor profissional e tampouco pensava nisso. Quando as inscrições do festival de música da Faculdade foram abertas, os amigos de Emílio o inscreveram sem que ele soubesse. Emílio participou e venceu o concurso, chamando a atenção dos jurados, entre eles, Beth Carvalho. A partir daí, sua presença em festivais estudantis era frequente, ganhando todos os concursos dos quais participava.

A música já falava mais alto na vida de Emílio, porém, concluiu o curso de Direito por insistência de seus pais. Nesta mesma década, participou de um conceituado programa de auditório, chegando as finais no programa de Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi.

Então vamos lá!!


Sobe o som Luiz Melodia & Emílio Santiago!!


Magrelinha (Luiz Melodia)


Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia)


Juventude transviada (Luiz Melodia)


Diz que fui por aí (Luiz Melodia)


Fadas (Luiz Melodia)


Dores de amores (Luiz Melodia)


Codinome beija-flor (Luiz Melodia)


Poeta do morro (Luiz Melodia)


Negro gato (Luiz Melodia)


Tudo que se quer - Com Verônica Sabino (Emílio Santiago)


Saigon (Emílio Santiago)


Verdade chinesa (Emílio Santiago)


Cadê juízo (Emílio Santiago)


Olhos negros - Com Nana Caymmi (Emílio Santiago)


Perfume siamês (Emílio Santiago)


Lembra de mim (Emílio Santiago)


Coisas da paixão (Emílio Santiago)


Logo agora (Emílio Santiago)


Bem. Aí está um pouco da obra desses dois grandes artistas que deixaram saudades. Semana que vem vamos matar mais saudades de grandes hits com a maior banda cover do Brasil. Tem Celebrare.


Enquanto isso tente me amar, pois estou te amando..


..Apague esse adeus do olhar..


SOBE O SOM ANTERIOR:

ROD STEWART & GEORGE BENSON

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TROCANDO EM ARTES: BETO ROCKFELLER


Trocando em artes fala hoje de uma novela lendária, que fez história na televisão brasileira.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Beto Rockfeller



Beto Rockfeller foi uma telenovela brasileira produzida pela extinta Rede Tupi e exibida de 4 de novembro de 1968 a 30 de novembro de 1969, às 20 horas, substituindo Amor Sem Deus e sendo substituída por Super Plá no horário. Foi criada por Cassiano Gabus Mendes e escrita por Bráulio Pedroso com a colaboração de Eloy Araújo, Ilo Bandeira e Guido Junqueira, com direção de Lima Duarte, substituído por Walter Avancini. Teve 327 capítulos e foi produzida em preto-e-branco.


Produção e veiculação



A teledramaturgia brasileira se divide em duas fases: antes e depois de Beto Rockfeller, que representou um grande sucesso na época, inovando o estilo de se fazer telenovelas no país. Enquanto a superprodução era a arma da TV Excelsior - principal concorrente da TV Tupi, na época - para segurar a audiência, a Tupi apostava na linha iniciada naquele ano de 1968, com a novela Antônio Maria, de Geraldo Vietri, no horário das sete. O processo de nacionalização das novelas brasileiras teve início em Beto Rockfeller, às 20 horas, abrindo caminho para um novo formato que passou a ser seguido pelas demais emissoras. A ideia inicial da telenovela surgiu de Cassiano Gabus Mendes, então diretor artístico da Tupi, que procurou o dramaturgo Bráulio Pedroso, na época editor do caderno de literatura do Estadão, que logo aceitou o desafio. Os textos tiveram de ser adaptados por Lima Duarte, porque Bráulio escrevia peças de teatro e pouco entendia de televisão. Cassiano, Bráulio e Lima estavam por trás de uma trama simples, mas que mostrava uma nova proposta de trabalho para a televisão brasileira.

Beto Rockfeller abandonava, então, a linha de atitudes dramáticas e artificiais que acompanhavam as telenovelas desde que o gênero havia conquistado o gosto nacional. Na verdade, uma primeira tentativa havia sido feita por Lauro César Muniz, em 1966, com Ninguém Crê em Mim, na TV Excelsior, em que o tom coloquial dos diálogos rompia com os padrões estabelecidos, até então, pelas novelas. Todavia, só mesmo com o trabalho de criação e o posicionamento de modernizar a linha das telenovelas, foi possível adaptar o público às novas exigências, não apenas os diálogos, mas principalmente a estrutura da história, para ganhar mais proximidade com o público. O próprio protagonista da trama representou uma enorme inovação, ao introduzir a imagem de um anti-herói, diferente dos demais apresentados pelas telenovelas anteriores, de um personagem de caráter firme, sensato, absolutamente honesto e capaz de qualquer proeza para a salvar a heroína das adversidades. A sua concepção procurava se aproximar das pessoas comuns, isto é, de ter atitudes boas ou más conforme as situações enfrentadas no dia a dia.

A telenovela revolucionou até o modelo de interpretação dos atores, que passou dos exagerados gestos dramáticos para um forma natural. O próprio Luiz Gustavo, que interpretou o protagonista da trama, fazia questão que o personagem fosse o mais verdadeiro possível. A linguagem era coloquial e os diálogos incorporavam gírias e expressões do cotidiano. Isso fazia com que o público se identificasse com a história. Muitas vezes os atores improvisavam suas falas, inventando diálogos que não estavam no script, o que também era novo na TV. Um dos méritos da novela foi dar ao público uma fantasia com gosto de realidade. As notícias dos jornais da época faziam parte de sua trama. Os fatos mais sensacionais e as fofocas mais quentes eram comentados por seus personagens. Outra inovação foi a trilha sonora, que deixou de trazer temas sinfônicos tocados por orquestras e utilizou sucessos populares da época, como os Rolling Stones, Salvatore Adamo e Bee Gees. A única exceção foi a versão instrumental de Franck Pourcel para a canção "Here, There and Everywhere", dos Beatles. A identificação do público com personagens e seus temas musicais começou com Beto Rockfeller. No entanto, uma trilha sonora "oficial" da novela nunca foi lançada comercialmente.

Mas nem tudo foi perfeito em Beto Rockfeller. O sucesso fez com que a emissora "espichasse" sua história, e Bráulio Pedroso, com grande estafa, abandonou provisoriamente a sua obra, quando foi substituído por três autores liderados por Eloy Araújo. Lima Duarte também se ausentou, sendo substituído pelo diretor Walter Avancini. Alguns atores tiraram férias, e muitos dos capítulos eram preenchidos com qualquer "criação" de emergência: um grupo de jovens dançando numa festinha, um personagem caminhando indeciso ou então uma determinada ação, sem diálogos, era acompanhada por alguma música de sucesso. Com uma mudança tão radical, a novela poderia perder audiência, o que não aconteceu. A novela também foi a primeira a utilizar tomadas aéreas: os técnicos voaram de helicóptero para gravar uma cena do pesadelo do protagonista central da trama.

Foi a primeira novela a usar o merchandising, ainda que não em caráter oficial. Era do medicamento Engov, pois o personagem bebia muito uísque, e Luiz Gustavo faturava cada vez que engolia o comprimido em cena.

Em 1973, Braúlio Pedroso escreveu uma continuação da telenovela (A Volta de Beto Rockfeller) com parte do elenco original, mas não conseguiu a repercussão esperada.

Hoje, não existem mais os capítulos da novela. O pouco que sobrou de suas filmagens está guardado na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Quase todos os capítulos foram apagados pela própria emissora, que usava as fitas para gravar por cima os capítulos seguintes. A Tupi já passava por dificuldades financeiras e todos os projetos que apareciam tinham de ser feitos com baixos custos, mas que trouxessem lucros.


Sinopse



Alberto - ou Beto, como é mais conhecido - é um charmoso representante da classe média-baixa que mora com os pais, Pedro e Rosa, e a irmã, Neide, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e trabalha como vendedor em uma loja de sapatos na Rua Teodoro Sampaio.

Com sua intuição, perspicácia e malandragem, o vendedor Beto se transforma em Beto Rockfeller, primo em terceiro grau de um magnata norte-americano, e consegue penetrar na alta sociedade, através de sua namorada rica, Lu, filha dos milionários Otávio e Maitê. Assim, ele consegue frequentar as badaladas festas e as rodas da mais alta sociedade paulistana.

Quem Beto preferirá afinal? A temperamental Lu, garota sofisticada e rodeada de gente importante ou a inocente Cida, a humilde namoradinha da vizinhança? A contradição será explicada através de seu nome: Beto, humilde e trabalhador do bairro simples, e Rockfeller, sofisticado e badalado da Rua Augusta - lugar muito frequentado pela alta roda nos anos 60.

Enquanto vacila entre os dois extremos, a grã-finagem dobra-se ante seu maniqueísmo, e ele tem de fazer toda ordem de trapaça para que sua origem - que já não é segredo para Renata, uma jovem grã-fina decadente - não seja descoberta. Para se safar das confusões, o bicão Beto conta sempre com a ajuda dos fiéis amigos Vitório e Saldanha.


Elenco



Ator                                          Personagem

Luiz Gustavo                         Alberto (Beto Rockfeller)
Débora Duarte                   Luísa (Lu)
Ana Rosa                                 Maria Aparecida (Cida)
Bete Mendes                         Renata
Walderez de Barros                 Mercedes
Plínio Marcos                          Vitório
Walter Forster                          Otávio
Irene Ravache                           Neide
Marília Pêra                          Manuela
Yara Lins                                  Clotilde (Clô)
Maria Della Costa                   Maitê
Wladimir Nikolaieff                  Olavo (Lavito)
Rodrigo Santiago                  Carlucho
Jofre Soares                           Pedro
Eleonor Bruno                           Rosa
Ruy Rezende                         Saldanha
Luiz Américo                          Tomás
Márcia Rodrigues                  Regina
Jaime Barcellos                      Fernando
Marilda Pedroso                   Mila
Heleno Prestes                        Otávio Filho (Tavinho)
Pepita Rodrigues                    Bárbara
Othon Bastos                           Dias Barreto
Martha Overbeck                   Dalva
Renato Corte Real                  Bertoldo
Liana Duval                          Carmélia
Walter Stuart                         Sr. Vicenzo
Etty Fraser                         Madame Waleska
Felipe Donavan                         Delegado Moreno
Esther Mellinger                      Tânia
João Carlos Midnight             Oswaldo (Vadeco)
Lourdes de Moraes                       Magda
Gésio Amadeu                               Gésio
Zezé Motta                               Josefa (Zezé)
Luísa di Franco                                Beatriz (Bia)
Alceu Nunes                                  Polidoro
Francisco Trentini                           Canuto
Lima Duarte                  Domingos / Duarte / Conde Vladimir / Secundino / Manoel Maria


Trilha sonora



"F... Comme Femme" - Adamo
"Here, There and Everywhere" - The Beatles
"I Started a Joke" - Bee Gees
"Sentado à Beira do Caminho" - Erasmo Carlos
"Nobody But Me" - Human Beinz
"Kid Games and Nursery Rhymes" - Shirley & Alfred
"Surfer Dan" - The Turtles
"I'm Gonna Get Married" - Sunday
"Abraham, Martin and John" - Moms Mabley
"You've Got Your Troubles" - Jack Jones
"The n' Crowd" - Jack Jones
"Dio Come Ti Amo" - Gigliola Cinquetti
"Sunflower" - Mason Williams
"Someone You've Loved" - Shirley Horn


Mês que vem "Trocando em artes" novela voltará com o clássico Irmãos Coragem.


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

ELES NÃO USAM BLACK TIE

terça-feira, 15 de agosto de 2017

QUINZE ANOS: CAPÍTULO VI - MAIO


E lá estava eu..

No meio de uma floresta com roupa de safari acompanhado por um menino índio e uma loira espetacular eu andava atrás da arca perdida. Andávamos desbravando as matas quando de repente caímos num fundo falso.

Parecia ser uma caverna, uma imensa caverna. Do nada surgem ninjas, mas uso meu facão para matar alguns, com meu revólver mato outros, até que centenas deles aparecem e vejo um trilho imenso com um carro em cima.

Coloco a loira e o índio em cima do carro, pulo e dou arranque com os ninjas correndo atrás de nós e atirando. O carro pega velocidade e limpo o suor de meu rosto aliviado quando uma gigantesca pedra começa a rolar atrás da gente.

O menino índio desesperado começa a gritar “Mr.Jones nos ajude” e eu tento dar velocidade ao carro. A pedra quase nos alcança quando caímos em outro fundo falso dentro de um caldeirão.

Uma tribo canibal prepara sua janta e quando percebo nós somos a janta. O calor está insuportável e nesse momento meu maior inimigo, um chefe nazista aparece com a arca na mão e diz que chegou antes e que eu assumisse a derrota.

Suando muito com o calor do caldeirão vejo o nazista mandar que um dos canibais abrisse a arca. Eu grito para que ele não faça isso, mas é em vão.

Ele abre e uma luz muito forte sai de dentro da arca cegando e matando todos que olham. Eu mando que a loira e o menino fechem os olhos e ouço os gritos desesperados de quem olha a arca, o calor só aumenta, fica insuportável e..

..acordo perguntando que calor é esse, minha mãe me dá bom dia e responde que o ar refrigerado do quarto quebrara de novo e já iria me chamar mesmo porque pegaríamos estrada.

Maio começou intenso. Logo em seu primeiro fim de semana viajei com minha avó, mãe e seus amigos do time de voley para a cidade de Vassouras no interior do Rio de Janeiro para os jogos do dia do trabalho.
Já tinha uns três ou quatro anos que fazíamos essa viagem e era muito legal. Além de Pinheiro, Batista e Mauro a turma da minha mãe era muito bacana, todos fuzileiros navais e fazíamos uma grande farra no ônibus para a cidade.

Eu quando era mais novo era o mascote do time e usava a camisa 0, mas com a chegada da adolescência fiquei com vergonha de usar tal camisa, mas era fã número 1 do time.

O time de voley era muito bom e o curioso que o time era formado apenas por homens com exceção da minha mãe que vestia a camisa 4 e era a levantadora.

A cidade abrigava uma mini Olimpíada. Além do torneio de voley aconteciam várias atividades paralelas. Minha mãe além de ser campeã com o “To que tô” foi campeã com minha avó no torneio de jogo de cartas.
E eu?

Como bom esportista que era, mentira, me inscrevi em duas competições. Cem metros rasos e pingue pong.
Primeiro veio a corrida. Preparei seriamente para ela. Vi meus adversários e coloquei na mente que poderia vencê-los. Tudo bem. Podia ser mais gordinho que eles, ok bem mais gordo, mas o poder vem da mente e minha mente era forte.

Alinhei para a largada e ao ouvir o disparo corri. Corri muito, corri intensamente, conseguia ouvir a música de “Carruagens de fogo” e sabia que seria vencedor e quando cruzei a linha final fechei os olhos e levantei os braços vitorioso.

Quando abri vi que todos os outros garotos já estavam sentados descansando enquanto um mandava beijinhos ao público. Eu acabei a corrida em último e o cara que mandava beijos vencera a prova.

Mas a vida não dá oportunidade para “saborearmos” o fracasso. Logo começava o torneio de ping pong. Fui para próximo da mesa e o juiz me informou que apenas eu e outro garoto tínhamos nos escrito.

Aquilo me deu esperanças, era preciso vencer apenas um e ser campeão. Eu e o juiz ficamos esperando lá o menino..vinte minutos, meia hora, quarenta minutos, uma hora e o menino não apareceu.

Diante disso fui declarado campeão de ping pong e recebi a medalha de ouro. Que emoção, minha primeira e única até hoje vitória esportiva.

Voltei com minha mãe, avó e os fuzileiros vitorioso para o Rio de Janeiro, todos nós éramos campeões.
We are champions my friend. Maio reservava grandes momentos como o casamento do Júnior que aconteceria no final do mês, mas aqueles dias todos foram movimentados.

Voltei a sala de aula na segunda-feira e estranhei ao ver Marco Aurélio chegar de óculos escuros. Perguntei a meus amigos se eles sabiam de algo e Gustavo me contou que seu pai descobrira o roubo do uísque na ocasião da inauguração do Patin House e espancou o filho.

Eu me perguntava como podiam existir pais assim, eu quando virasse pai seria totalmente diferente. Daria amor, educação, porrada não educa ninguém.

Marco esquecia os problemas de casa jogando bola na aula de educação física. Era o momento que ele mais aguardava e o que eu mais fugia porque Marco era bom em todos os esportes enquanto eu era uma negação. Na hora do futebol ele era sempre o primeiro a ser escolhido. Marco tinha um canhão no pé direito. Conta a lenda que seu chute era capaz de matar alguém se lhe acertasse em cheio e quebrar uma parede. Eu ao contrário sempre era o último a ser escolhido. Os meninos iam sendo chamados, um a um até o George que não sabia se futebol era jogado com as mãos ou pés e eu ficava por último.

Uma vez ficamos eu e uma velhinha com andador pra ser escolhidos e escolheram a velhinha.

Nesse dia do Marco com olho roxo fiquei por último como sempre e o time que teria que ficar comigo, era o do Marco, optou por jogar com menos um e parei no outro time. Acabei indo pro gol e até que me saí bem, não tomei gols, ok..tomei alguns..

O jogo seguia empatado quando um pênalti foi marcado contra meu time e o Marco pegou a bola pra bater.
Embaixo das traves lembrei-me de uma história que corria em que Marco Aurélio ao chutar uma bola no carro de um cara que não gostava explodiu o mesmo e me apavorei.

Ele correu pra bola e eu corri do gol. Marco então tocou de mansinho pro gol aberto e a bola entrou devagarinho no gol.

Meu time queria me bater, quando olhei o Marco ele estava rindo. Fiquei feliz em vê-lo assim depois de tudo que passou e ri também. Marco me abraçou e disse que me pagaria um refrigerante enquanto eu lhe xingava por ter me enganado.

A fase na escola estava muito boa não. Recebemos o boletim das provas feitas em abril e eu fiquei com nada mais nada menos que nove notas vermelhas!! Provavelmente era recorde olímpico e mundial!!
Minha mãe evidente ficou nada feliz. Cortou meu vídeo game e mandou que todas as tardes que não tivesse inglês eu me trancasse no escritório de casa para estudar.

Dessa forma algumas notas melhoraram, mas nem todas, em alguns casos a situação piorava.

Como em geometria e geografia, geografia porque a matéria não entrava na minha cabeça mesmo, geometria por novos e terríveis motivos.

Professor novo.

Todos estavam sentados na sala de aula quando a diretora, dona Maria Helena, entrou com um homem negro, de bigodinho e forte. Ela anunciou que tínhamos um professor novo e ele se chamava Martins.
Ela saiu e o homem chegou falando forte. Era sargento da marinha e não tolerava indisciplina, falatório nem nada do gênero e puniria quem fizesse batendo com a régua na mesa.

Todos tremeram e ele começou a escrever no quadro negro, dava pra ouvir a respiração da turma. Luis Felipe comentou comigo “esse é bravo” e eu num ato de desespero respondi “fica quieto”, mas o professor Martins ouviu.

Com jeito calmo ele pediu que eu levantasse e me aproximasse. Quase borrado nas calças levantei e fui ao seu encontro. Parei em sua frente e seguiu o tenso diálogo.

Martins: O senhor falou alguma coisa?

Eu em posição de sentido: Não senhor.

Martins aumentando o tom da voz: Eu não ouvi direito, o senhor falou alguma coisa?

Eu gritando: Não senhor !!

Martins gritando: O senhor está vendo algum palhaço aqui?
                                                                                                   
Eu gritando muito: Não senhor !!!

O professor entregou um calhamaço pra mim e mandou que eu escrevesse a matéria no quadro negro.
Engoli o choro e comecei a escrever. Escrevi muito, meu braço cansou e ele chegou perto de mim esbravejando. Eu já estava tão zonzo que consegui enxergá-lo de uniforme de sargento ao meu lado.
Martins: O senhor tem péssima caligrafia, o senhor não sabe escrever em quadro negro, desista o senhor é uma negação..

Eu quase chorando continuava escrevendo

Martins: Em todos esses anos de professor essa é a pior turma que eu já peguei!! Vocês não vão conseguir!! Não vão conseguir!!

Virou para mim e falou

Martins: Desista!! Pare de escrever e desista!! Não vai conseguir!! Não tem honra!!

Eu: Não vou desistir!!

Martins: Desista!! Você é fraco!! Por que não desiste??

Eu chorando: Por que não tenho pra onde ir..

Ok, essa última fala forçou muito pra filme..mas não desisti e meu braço doeu.

Mas eu tinha certeza que eu ainda voltaria a sala de aula fardado e passando por todos pegaria Ericka o colo e a levaria embora sob aplausos de meus colegas como um Richard Gere ao som de “I up were we belong”.

Eu tinha outras preocupações que me faziam pelo menos naquele instante não pensar no professor Martins. Chegou o casamento do Júnior e fui incumbido de levar as alianças.

Tive que botar terno pela primeira vez na vida e achei um saco. Meu tio nervoso era acalmado pela minha avó e lembrei que tinha jogo do Flamengo naquela noite. Nervoso que não conseguiria ver o jogo dei um jeito de esconder radinho de pilha no bolso e enquanto minha avó cuidava de tudo com Júnior o coronel chegou.

Se vocês não se lembram o coronel é meu avô.

Ele chegou de Brasília para o casório e com a cara sisuda me perguntou “como vai garoto?”. Eu cheio de medo respondi “tudo bem vô”. Ele se encaminhou até meu tio e cumprimentou minha avó.

Minha mãe e eu fomos na frente para a igreja e deixamos os três lá.

A igreja era em local chique, no Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro. Na igreja encontrei todos aqueles parentes que só vemos em casamentos e velórios. Eles apertavam minha bochecha e falavam como eu tinha crescido.

Minha vontade era mandar que apertassem em outro lugar pra verem como cresci. Posicionamos-nos na primeira fileira por ser família do noivo e eu estar com as alianças.

Discretamente peguei o radinho, o fone de ouvido e escutava o jogo. Minha mãe reparou e perguntou o que significava aquilo, respondi que era um jogo importante do Flamengo e ela mandou que eu desligasse.
Fingi que desliguei, mas continuei escutando por todo casamento. Meu tio se posicionou com meus avós no altar e sua noiva, a Ana, entrou na igreja acompanhada de seus pais.

A cerimônia corria bem, ninguém desistiu de casar nem entraram pra raptar a noiva e o Flamengo pressionava até que conseguiu fazer um gol. Não aguentei e baixinho soltei um “gol” tomando bronca de minha mãe e ela mandando desligar imediatamente.

Desliguei e quando reparei o padre e os noivos olhavam pra mim. Eu me sentindo envergonhado fiz cara de “que foi?” e o padre respondeu “as alianças”.

Levantei e entreguei aos noivos. Meu tio perguntou quanto estava o jogo e respondi “1x0 Flamengo”, o padre perguntou gol de quem e respondi “Bebeto”. Ele deu um sorriso e continuou a cerimônia.

A festa foi muito bacana, comida e bebida a vontade. A Malu, filha de uma amiga de minha avó estava lá e linda. Mas eu era fiel a Ericka e não faria nada que comprometesse esse amor.

Mentira, eu queria ficar com a Malu e a Ericka nunca saberia mesmo, cheguei perto dela pra conversar.
O problema que comigo foram também meus primos gêmeos, filhos de um irmão de minha avó, João Luis e Jorge Hipólito. Ficamos os quatro conversando, ela nitidamente mais interessada neles, mas não desisti.
Malu decidiu passear e os três foram atrás. Passeamos um pouco pelo jardim e não lembro quem deu ideia de brincarmos de salada mista.

Salada mista é uma brincadeira que a pessoa fecha os olhos e aleatoriamente escolhe uma pessoa e com ela tem que decidir por pera que era aperto de mão, uva abraço, maçã beijo no rosto e salada mista beijo na boca.

Claro que fiquei empolgado e começamos a brincadeira. O problema é que eu poderia tirar um dos meus primos então só pedia pera. Meus primos pediam salada mista e sempre davam sorte de tirar a Malu
Alguns anos depois desconfio que eles combinaram de algum jeito de avisar um ao outro quando era ela.
Dessa forma eu fui o único que não beijou a Malu e continuei como BV, boca virgem, quatorze anos de idade e nunca beijara na vida.

Voltei derrotado para o salão da festa e vi colocarem um bolero. Nesse momento meu avô se aproximou de minha avó e lhe convidou para dançar.

Os dois foram para o meio do salão e começaram a dançar. Eram ótimos dançarinos e rapidamente atraíram a atenção de todos que pararam para assistir e aplaudir.

Eu feliz via aquela cena. Sabia quanto minha avó gostava dele e como era importante pra ela aquele momento.

E ela irradiava felicidade. Parecia que só tinha os dois na festa, só tinha os dois no planeta.

E essa ocasião, que nunca esqueci, foi uma das que vi fortemente o significado da palavra família.


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ABRIL