quarta-feira, 23 de maio de 2018

SOBE O SOM: THE POLICE


The Police foi uma banda inglesa de rock, formada pelo baixista e vocalista Sting, o guitarrista Andy Summers e o baterista Stewart Copeland na cidade de Londres em 1976-1977. A banda, que teve influências do reggae, punk e do jazz, é considerada uma das melhores bandas da história do rock com uma enorme influência no rock da década de 1980.

Em 1976, o jovem Gordon Summer, conhecido como Sting, tocava com uma banda de jazz rock chamada Last Exit em sua cidade natal, Newcastle. Numa noite, Stewart Copeland, que era o baterista do Curved Air (uma banda de rock progressivo), viu a performance de Sting durante um show e ficou impressionado. Stewart disse certa vez que quando ouviu a voz de Sting, "sabia que ia ter vida boa para sempre ". Logo depois do Last Exit ter se dissolvido, os dois músicos decidiram formar a uma banda com o guitarrista Henry Padovani.

Mais tarde, em 1977, já com o nome The Police, a banda lançou seu primeiro single pelo selo independente Illegal Records, que foi criado por Stewart Copeland e seu irmão Miles Copeland (empresário do Police). O single teve um sucesso considerável para um lançamento independente, vendendo aproximadamente 70 mil cópias. Andy Summers uniu-se ao grupo e eles tocaram algumas vezes como um quarteto. Finalmente Padovani decidiu sair da banda, deixando Sting, Stewart Copeland e Andy Summers.

Então vamos lá!!


Sobe o som The Police!!


Roxanne


Message in bottle


Don`t stand so close to me


Every litlle thing she does is magic


De do do do de da da da


So lonely


Walking on the moon


King of pain


Can`t stand losing you


Bring on the night


Invisible Sun


Bem. Aí está um pouco da história de uma das grandes bandas dos anos 80.Semana que vem tem mais. Tem clássicos do brega.


Enquanto isso a cada suspiro que você der eu estarei te observando.


SOBE O SOM ANTERIOR:

ENGENHEIROS DO HAWAII

terça-feira, 22 de maio de 2018

CINEBLOG: CONTATOS IMEDIATOS DE TERCEIRO GRAU


Cineblog fala hoje de um dos primeiros sucessos de Steven Spielberg.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Contatos imediatos de terceiro grau


Close Encounters of the Third Kind (algumas vezes abreviado como CE3K ou simplesmente Close Encounters, em Portugal pelo nome de Encontros Imediatos de Terceiro Grau e no Brasil Contatos Imediatos de Terceiro Grau ) é um filme estadunidense de 1977 escrito e dirigido por Steven Spielberg, e estrelado por Richard Dreyfuss, François Truffaut, Melinda Dillon, Teri Garr, Bob Balaban e Gary Guffey. O filme conta a história de Roy Neary, um eletricista da Indiana, cuja vida muda depois dele ter um encontro com um objeto voador não identificado (OVNI). O governo dos Estados Unidos e uma equipe de cientistas internacionais também sabem da presença dos OVNIs.

Close Encounters foi um projeto que Spielberg queria realizar há muito tempo. No final de 1973, ele desenvolveu um acordo com a Columbia Pictures para um filme de ficção científica. Apesar de Spielberg receber crédito único pelo roteiro, ele foi auxiliado por Paul Schrader, John Hill, David Giler, Hal Barwood, Matthew Robbins e Jerry Belson, que contribuíram com o roteiro em vários níveis. O título é tirado da classificação de contatos imediatos com alienígenas criada pelo ufologista J. Allen Hynek, em que o terceiro grau indica observações humanas de verdadeiros alienígenas ou "seres animados".

As filmagens começaram em maio de 1976. Douglas Trumbull foi o supervisor de efeitos visuais, enquanto Carlos Rambaldi criou os alienígenas. Close Encounters foi lançado em novembro de 1977 sendo um sucesso de crítica e bilheteria. O filme foi relançado em 1980 como Close Encounters of the Third Kind: The Special Edition, que possuía cenas adicionais. Um terceiro corte do filme foi lançado em 1998. Ele recebeu vários prêmios e indicações no Oscar, BAFTA, Golden Globe Awards e Saturn Awards. Em dezembro de 2007, Close Encounters foi selecionado para preservação no National Film Registry da Biblioteca do Congresso norte-americano como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante.


Sinopse


No Deserto de Sonora, o cientista francês Claude Lacombe (François Truffaut) e seu intérprete americano David Laughlin (Bob Balaban), junto a alguns pesquisadores científicos do governo, descobre um esquadrão de aviões da Segunda Guerra Mundial. Os aviões estão intactos e em perfeitas condições operacionais, mas não há sinal de pilotos. Mais tarde, no Controle de Tráfego Aéreo de Indianapolis, um controlador escuta duas aeronaves quase colidirem em pleno ar com um OVNI. À noite em Muncie, Indiana, um garoto de três anos de idade chamado Barry Guiler (Cary Guffey) é acordado pelos seus brinquedos, que passam a funcionar sozinhos. Fascinado, ele sai da cama e corre para fora de casa, forçando sua mãe Gillian (Melinda Dillion) a correr atrás dele.

Enquanto isso, durante um blecaute próximo dali, o eletricista Roy Neary (Richard Dreyfuss) sofre um contato imediato de terceiro grau numa rua escura e vazia, e logo depois testemunha uma perseguição policial a OVNIs. Roy se torna fascinado por OVNIs, para o aborrecimento de sua esposa Ronnie (Teri Garr). Ele também fica obcecado com a imagem de uma montanha que surge em sua mente e passa a fazer modelos dela. Gillian também fica obcecada com a mesma montanha. Mais tarde, ela é aterrorizada por um OVNI que brinca com objetos da sua casa e abduz seu filho, apesar das suas tentativas de proteger o filho e a casa. Enquanto isso, o comportamento crescentemente anormal de Roy faz com que Ronnie e seus três filhos saiam de casa. Roy assiste na televisão uma notícia sobre um acidente de trem próximo à Devils Tower National Monument em Wyoming e reconhece a montanha que o atormentava. Gillian também assiste à notícia e ambos viajam em direção ao local, junto a vários outros que tiveram a mesma experiência.

No resto do mundo, as atividades alienígenas aumentam. Claude e David investigam ocorrências junto com outros especialistas das Nações Unidas. Testemunhas relatam que os OVNIs produzem uma melodia de cinco notas em uma escala maior. Cientistas transmitem a melodia para o espaço mas a resposta vem na forma de uma série de números repetidos que, segundo David, são coordenadas geográficas que apontam à Devils Tower. O Exército dos Estados Unidos evacua a área, falsamente afirmando que o acidente de trem derramou gás tóxico, e assim preparando uma área de pouso para os OVNIs e seus ocupantes.

Vários civis são impedidos de entrar na área, mas Roy e Gillian conseguem passar pela barreira assim que dúzias de OVNIs surgem no céu. Os especialistas do governo tentam se comunicar com os OVNIs com luzes e sons. Então, uma imensa nave-mãe pousa e libera várias pessoas que haviam sido abduzidas com o passar dos anos, incluindo Barry. A comunicação continua na forma de sons e luzes, e os oficiais do governo decidem incluir Roy num grupo de pessoas selecionadas para adentrar a espaçonave. Quando Roy entra na nave, um alien se aproxima dos humanos. Lacombe utiliza sinais manuais de solfejo para representar a frase musical alienígena. O alien responde com os mesmos gestos, sorri, e retorna à nave, que decola em direção ao céu.


Elenco principal


Richard Dreyfuss .... Roy Neary
François Truffaut .... Claude Lacombe
Teri Garr .... Ronnie Neary
Melinda Dillon .... Jillian Guiler
Bob Balaban .... David Laughlin
Cary Guffey .... Barry Guiler
Lance Henriksen ... Robert


Recepção da crítica


Close Encounters of the Third Kind tem ampla aclamação por parte da crítica especializada. Com tomatometer de 95% em base de 44 críticas, o Rotten Tomatoes publicou um consenso: “Close Encounters of the Third Kind possui partes mais emblemáticas (o tema, a escultura-purê de batata, etc) têm sido tão completamente absorvidos pela cultura que é fácil esquecer tratar de estrangeiros como seres pacíficos, em vez de ruins na geração monstros, isso foi um tanto inovador em 1977”. Tem 85% de aprovação por parte da audiência, usada para calcular a recepção do público a partir de votos dos usuários do site.


Principais prêmios e indicações


Oscar 1978 (EUA)

Venceu na categoria de melhor fotografia e recebeu um Oscar especial, pela edição dos efeitos sonoros do filme.

Foi também indicado nas categorias de melhor diretor, melhor atriz (Melinda Dillon), melhor direção de arte, melhor edição, melhores efeitos especiais, melhor som e melhor trilha sonora.

Globo de Ouro 1978 (EUA)

Indicado nas categorias de melhor filme - drama, melhor diretor, melhor roteiro e melhor trilha sonora.

BAFTA 1979 (Reino Unido)

Venceu na categoria de melhor direção de arte.

Foi tambpem indicado nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (François Truffaut), melhor fotografia, melhor trilha sonora, melhor roteiro, melhor edição e melhor som.

Grammy 1979 (EUA)

Venceu na categoria de melhor trilha sonora composta para um filme.

Prêmio Saturno 1978 (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, EUA)

Venceu na categoria de melhor diretor, melhor música e melhor ator.

Foi ainda indicado nas categorias de melhor ator - ficção científica (Richard Dreyfuss) e melhor atriz - ficção científica (Melinda Dillon), melhor filme de ficção científica e melhores efeitos especiais.

Prêmio Eddie (American Cinema Editors) 1978 (EUA)

Indicado na categoria de melhor roteiro.

Academia Japonesa de Cinema 1979 (Japão)

Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.

Prêmio David di Donatello 1978 (Itália)

Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.


Cineblog volta em duas semanas com o brasileiro "Pequeno dicionário amoroso"


CINEBLOG ANTERIOR:

SE BEBER NÃO CASE

AS MULHERES DE ADÃO: CAPÍTULO II - AMANDA


Meu velório seguia animado. As pessoas reclamavam que além do calor senegalês que fazia no Rio não tinha nada pra comer e beber então fizeram um rateio telefonando pra uma rede de fast food que entregou esfihas e tio Freitoca organizou uma comitiva que foi a um bar mais próximo comprar umas “geladas”.

E a galera ficou lá comendo, bebendo enquanto eu estava no caixão sob olhar da Bia. Mulheres apareciam, me olhavam, choravam e iam embora enquanto homens comentavam uns com os outros qual era meu segredo.

A verdade é que me taxavam como “galinha”, mas nunca concordei com essa alcunha. Não sou e nunca fui “galinha”, era até um rapaz tímido podem acreditar.

Só que eu sempre coloquei paixão, amor em tudo que fiz na vida. Amei demais e sempre gostei disso, me amaram também, mas eu sempre preferi amar porque o amor é um sentimento que faz bem, alivia a alma e a faz brilhar.

Nós somos reflexos daquilo que sentimos. Quando sentimos raiva somos raivosos, mágoas amargurados. Amamos somos felizes. O amor é o sentimento mais puro e nobre que existe e é ele que nos separa de seres irracionais.

E meu corpo e minha alma sempre exalaram amor por seus poros.

Não só amor pelas mulheres, mas pelas coisas que fiz em vida, por minha família, meus amigos. Sempre fui um cara “do bem” e na verdade só descobrimos o quanto somos amados quando morremos. Pela quantidade de gente que vai se despedir de nós.

E tinha muita gente no meu.

Certo momento chegou o seu Damasceno Bebezão cercado por uma grande quantidade de gente. Eram os integrantes da Unidos do Bebezão, escola de samba que eu frequentei desde moleque no morro do Bebezão.

Sim, eu era sambista mesmo branquelo, classe média alta e com cara de nerd. Eu morava perto da comunidade e tocava tamborim em sua bateria.

Damasceno Bebezão pediu a palavra e disse que aquela tarde era uma ocasião muito triste com o meu “passamento pra terra do pé junto” e que iria me homenagear fazendo de mim enredo pro carnaval do ano seguinte.

Mestre Cabeça de Ovo estava lá com os ritmistas e suas peças e nesse momento fizeram um rufar com a bateria em minha homenagem. Se estivesse vivo eu teria me emocionado porque nunca havia recebido um rufar.

Damasceno olhou pra mim e notou que eu estava sorrindo. Estranhou e perguntou de que eu estava rindo enquanto o cantor da escola o Maneta do cavaco disse que a escola estava ali pra me homenagear e cantou meu samba preferido.

Se meu velório estava uma zona naquele momento piorou. O que era pra ser minha partida com todos chorando virou um ensaio de escola de samba. Maneta cantando, a bateria tocando, as passistas seminuas entraram pra sambar e o povo sambando junto.

Eva ria, encostou ao ombro de Bia dando um beijo e disse “velório do Adão tinha que ser assim mesmo”. Bia disse nada, continuava impassível ao meu lado como se estivesse em outra dimensão não ouvindo o samba.

Naquele momento entrou uma bonita mulata no velório. Perto de seus cinquenta anos, bem vestida, entrou com um homem elegante ao lado, italiano e chegou perto do caixão.

Ao chegar perto Bia olhou pra ela que a cumprimentou. Eva deu um abraço na mulata falando “Quanto tempo Amanda, você está linda!”.

Amanda agradeceu e perguntou a Eva o que tinha ocorrido comigo, tio Freitoca ouviu e respondeu “siricutico”, se eu estivesse vivo já teria me irritado com meu tio.

Ao som da bateria da Unidos do Bebezão Amanda passou por Bia, deu um beijo na minha testa e acariciou meus cabelos dizendo “oh meu menino, você está tão lindo, que pena”.

Amanda é um personagem importante da minha história.

Voltemos então vinte e cinco anos no tempo. Eu garotinho com dez anos de idade.

Vivíamos minha irmã, eu e meus pais numa casa confortável em Vila Isabel, zona Norte do Rio de Janeiro.

Tive uma infância feliz e saudável como de todo garoto suburbano. Em um tempo que a violência do Rio de Janeiro já era muito falada, mas estava longe de nós.

Estudava de manhã, fato que odiava porque detestava acordar cedo. Na escola fiz meu melhor amigo pra vida toda, o Edu, amigo que me acompanhou até o fim. Eva era de uma turma abaixo. Eu era um bom aluno, só tinha dificuldades em matemática, mas dava um jeito pra passar.

Chegava em casa e ainda conseguia ver o fim dos desenhos, adorava Caverna do Dragão e He Man. Almoçava, jogava um pouco de videogame no meu Atari e ia pro curso de inglês as terças e quintas, segundas e quartas ia pro judô.

Chegava dessas atividades no fim da tarde. Largava a mochila em casa e ia pra rua jogar bola, muitas vezes ainda com o uniforme do colégio e tomava bronca da dona Emengarda, empregada da família há mais de trinta anos que foi mandado por meus avós lá do Nordeste por eles não confiarem nos meus pais.

Na verdade a dona Emengarda que parecia minha mãe mesmo. Ela que lavava minhas roupas, passava. Dava bronca em relação a horários e me acordava todo dia seis da manhã pra aula e voltava no meu quarto seis e dez porque eu ainda não tinha levantado.

Eu chegava à mesa e o café estava pronto pra mim e Eva. Meus pais que trabalhavam de noite dormiam profundamente.

E o café da manhã era maravilhoso, feito com muito esmero. Suco de laranja, frutas, pão, manteiga, requeijão, presunto, queijo e uma torta de maçã que só a dona Emengarda sabia fazer. Dá água na boca só de lembrar.

Se o café da manhã era bom o almoço e o jantar nem se fala. Dona Emengarda era uma cozinheira de mão cheia. Macarrão, lasanha, galinha com maionese, ao molho pardo, filé com fritas, peixe assado. Nunca comi tão bem.

Minha rotina na semana era essa e no fim de semana ia com o Edu e seu pai no Maracanã ver o Flamengo jogar. Via e sonhava em jogar no clube um dia, ser um novo Zico, Junior ou Adílio.

A vida ia assim. Era gostoso viver, gostosa minha infância sem grandes preocupações ou medos, mas um dia a vida de verdade se apresenta pra nós e ela se apresentou pra mim.

Dona Emengarda passou mal e só estavam Eva e eu em casa. Corri na casa do Edu e por sorte seu pai estava em casa. Ele colocou nossa empregada no carro e partimos pro hospital.

Chegamos lá e descobrimos que ela teve um AVC, acidente vascular cerebral e foi imediatamente pra mesa de cirurgia. Minha irmã com apenas oito anos chorava na sala à espera de notícias e eu a consolava falando pra se acalmar que tudo acabaria bem.

Eu com dez anos tendo que acalmar minha irmã e ser o adulto da história porque meus pais de adultos tinham nada. Mas a verdade é que eu também estava com medo.

Não passava pela minha cabeça a ideia que dona Emengarda pudesse morrer, ela era como da família pra mim uma segunda mãe, quem cuidava de mim. Eu nem tinha tanta intimidade com a morte assim, só tinha convivido com ela quando meu pastor alemão Guinter morreu e quando vi um gato ser atropelado e morrer na minha frente.

Meus pais chegaram ao hospital. O pai de Edu passou a situação pra eles que nos levaram pra casa.
Dona Emengarda resistiu durante vinte dias, mas não aguentou e faleceu.

Foi um choque para todos nós. Ficamos todos muito tristes com sua partida e nossa casa virou um caos. Meus pais não sabiam cuidar de nada então a bagunça tomou conta do ambiente e comíamos pizza todos os dias.

Fora as inúmeras vezes que acordava atrasado pra escola e tinha que me arrumar correndo e ir pra aula apenas com um gole de leite.

Não estava dando pra viver assim.

E meus pais também acordaram e viram que não dava pra continuar aquela forma resolvendo contratar uma empregada nova.

Várias foram entrevistadas, mas nenhuma alcançava os objetivos que meus pais queriam. Eu já não aguentava mais comer pizza, até assistia a programas culinários na televisão pra ver se aprendia a cozinhar. O tempo passava e nada da nova empregada ser contratada.

Até que..

..uma tarde eu voltava do colégio, abri a porta de casa e senti que naquele momento eu deixava de ser criança e virava um adolescente. Adolescente precoce com dez anos.

Minha mãe conversava na sala com uma mulata maravilhosa.

Parecia uma daquelas mulatas do Sargentelli. Sorriso farto, lindo, rosto angelical, seios grandes e empinados (nesse dia descobri a parte do corpo feminino que eu mais gostava), uma Deusa.

Minha mãe me viu e me apresentou à mulata. Ela se chamava Amanda. Gaguejei meu nome pra ela de tão tímido que fiquei e Amanda sorriu perguntando se eu me chamava Adão igual o primeiro homem da Terra.

Ouvi esse gracejo muitas vezes na vida e dessa vez foi a que fiquei mais sem graça. Dei um sorriso amarelado e respondi que sim, ela sorriu e eu saí indo em direção do quarto.

No caminho deparei com Eva que comentou a beleza da candidata a empregada e que torcia pra que nossa mãe a contratasse. Eu não vi maldade naquele comentário à época e respondi que seria uma boa mesmo porque não aguentava mais comer pizza.

Mas o motivo não era esse. Eu queria que ela fosse contratada pelo mesmo motivo que meu short ficou apertado no momento que a vi.

Pra alegria do povo e felicidade geral da nação Amanda foi contratada e no dia seguinte se mudou de mala e cuia lá pra casa.

Sua comida não era tão boa quanto de dona Emengarda, mas era muito melhor que comer pizza todos os dias e era uma delícia ser acordado por ela.

Na hora que ela me acordava dava um jeito de me virar de bruços e ela não notar meu estado.

Eu chegava da escola e lá estava aquele monumento de shortinho, blusinha colada no corpo estendendo a roupa e sambando ouvindo rádio.

Naquela época que aprendi o prazer onanista e não eram raras as vezes que chegava da escola, olhava Amanda, dava boa tarde e corria pro banheiro.

Enquanto eu estava lá Eva gritava que eu devia parar de comer besteiras na escola porque eu sempre chegava passando mal e correndo pro banheiro. Amanda que não era boba nem nada só ria.
Edu começou a frequentar mais a minha casa, não só ele como todos os meninos da rua. A desculpa era o vídeo game, eu era o único da rua que tinha, mas a verdade é que se eu não tivesse eles iriam da mesma forma, queriam era ver a Amanda.

E o tempo foi passando, fui crescendo e a mão parecia de um trabalhador braçal, cheia de calos por causa daquela mulher. Amanda era um doce comigo, fazia o almoço que eu pedia, deixava minhas roupas impecáveis, mas eu queria mais, muito mais.

Ela me distraía tanto que comecei a ir mal na escola. Principalmente em matemática que sempre foi meu ponto fraco. Pela primeira vez vi meu pai preocupado comigo em relação a estudos e achando que eu poderia ficar reprovado. Minha mãe até queria contratar uma explicadora.

Mas Amanda ouviu o papo e se ofereceu pra ajudar. Contou que era boa em matemática e poderia me ensinar a matéria. Eu um poço de timidez fazia sinal com a cabeça que não, mas minha mãe gostou da idéia e por uma graninha a mais por mês a contratou.

Começaram as aulas particulares, mas eu não conseguia me concentrar. Ficávamos os dois sentados à mesa com cadernos, livros, lápis na mão, ela me explicava a matéria e eu não conseguia prestar atenção, só olhava seus decotes e assim minha situação na escola não melhorava.

Amanda ficou preocupada porque se meu rendimento não melhorasse ela perderia aquele dinheiro extra. Então teve uma ideia.

Propôs-me um acordo, eu sem entender perguntei qual seria. Amanda respondeu que se eu tirasse dez na prova que estava por vir me deixaria vê-la trocar de roupa. Meu coração disparou naquela hora.
Eu não conseguia balbuciar nenhuma palavra. Amanda sorriu e estendeu a mão perguntando se o “negócio estava fechado”, eu nervoso levantei a minha mão gelada e apertei a sua concordando.

Vou contar uma coisa pra vocês. Eu nunca estudei tanto quanto naquele período. Manhã, tarde, noite, eu devorava matemática, sonhava com números, equações, teoremas. Poderia perfeitamente virar um matemático, viver disso, ser um futuro Einstein.

Mas tudo que eu queria era ver a Amanda nua.

Chegou o dia da prova. Eu estudei como um “condenado” e tinha  certeza do dez. Fiz a prova em apenas dez minutos e todos ficaram espantados quando entreguei a mesma para a professora.

Dois dias depois saiu o resultado, tirei 9,6. Errei a última questão quando em vez de fazer uma soma multipliquei.

Cheguei em casa e meus pais ficaram orgulhosos de mim, afinal com aquele 9,6 eu passara de ano. Amanda via a tudo um pouco mais afastada. Meu pai perguntou o que eu queria de Natal e respondi uma bicicleta nova.

Eles se afastaram e Amanda se aproximou dando parabéns. Abaixei a cabeça tímido e agradeci. Ela então falou que eu não havia tirado o dez do acordo, mas consegui passar de ano então merecia o presente.

Naquele mesmo dia meus pais saíram com Eva e fiquei sozinho em casa com Amanda. Ela me chamou para o quarto e trancou a porta.

Meu coração acelerou. Sentei na cama e assisti Amanda tirar a blusa, o short, ficar apenas de calcinha e sutiã. Tirando as revistas masculinas eu nunca tinha visto uma mulher com tão pouca roupa na minha vida. Tá, já havia visto Eva, mas irmã não é mulher.

Ela então virou pra mim e notou o estado das “minhas coisas”. Riu e falou que eu estava animado. Consegui responder nada. Amanda então desabotoou o sutiã e ficou com as mãos na frente dos seios.
Eu babava, em pensamento implorava pra ela tirar as mãos da frente quando ela disse que já estava bom e eu poderia sair do quarto porque ela precisava acabar de trocar de roupa.

Fiquei sem reação, entendi nada. Então Amanda falou que ficar nua era só pra 10 e eu havia tirado 9,6 e novamente pediu pra eu sair e ela se trocar.

Saí frustrado do quarto, nunca fiquei tão puto por errar uma questão em prova.

Amanda era passista da Unidos do Bebezão. Escola já citada por mim e na quadra da escola um italiano se apaixonou por ela, começaram a namorar e ele a pediu em casamento.

Ela topou na hora e chegou em casa contando a novidade. Todos ficaram felizes por Amanda, menos eu que ficaria sem minha musa. Amanda então disse que não nos deixaria na mão e trabalharia em casa até a véspera de Natal e viajaria no dia seguinte pra Itália.

Fiquei desolado com suas novidades, ela continuou e contou que a escola faria a ceia de Natal na quadra e serviria também como uma despedida dela e que se sentiria muito honrada se fôssemos porque ela nos via como sua família.

Meus pais toparam então eu passaria a ceia de Natal com Amanda, minha última refeição com ela.
Fomos pra quadra e eu que nunca tinha pisado numa escola de samba adorei. Corri pra bateria e lá me ensinaram como pegar em um tamborim e tocar. Lógico que meu começo foi uma lástima, mas com o tempo aprendi tanto que durante anos, até minha morte fui ritmista da agremiação.

Já não estava tão triste com a partida de Amanda, me diverti muito naquela noite e Amanda também estava muito feliz com seu namorado italiano. A frustração veio apenas quando na hora dos presentes em vez de bicicleta meu pai me deu um livro de matemática. Alegou que me viu estudar com tanta vontade naqueles meses que imaginou que eu adorasse a matéria.

Despedimos-nos de todos. Amanda me deu um beijo carinhoso no rosto e pediu que eu me cuidasse. Fomos embora e eu no carro acariciava o rosto sentindo o beijo de Amanda e chegando a conclusão que não era apenas tesão. Amanda era meu primeiro amor.

Botei o pijama, deitei e dormi um sonho profundo. Sonhava com Amanda quando bateram na minha porta.

Cheio de sono abri e era Amanda, que entrou, trancou a porta e mandou que eu me sentasse porque estava me devendo.

Sentei e ela tirou peça por peça da roupa até ficar completamente nua. Depois veio por cima de mim me beijando.

Fizemos amor, minha primeira vez aos doze anos de idade.

Quando acordei ela não estava mais lá. Até meu velório nunca mais nos encontramos. Levantei, troquei de roupa e desci. Meus pais estavam na sala ouvindo disco natalino quando notei uma bicicleta em um embrulho.

Perguntei o que era aquilo e meu pai respondeu que era pra mim. Cheguei perto dela e falei que não esperava mais que me dessem bicicleta e que teriam me enganado direitinho com aquele livro. Meu pai gritou do sofá que não foram eles que compraram.

Estranhei. Toquei na bicicleta e naquele momento vi um bilhete escrito e preso nela. Peguei o bilhete e lá estava escrito “não se esqueça de mim nunca meu menino”.

Peguei a bicicleta e fui andar na rua. Gargalhando, andando rápido e fechando os olhos pra sentir o vento batendo no meu rosto.

Não era mais um menino, agora era um homem graças a minha professora particular.


CAPÍTULO ANTERIOR:

VELÓRIO 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

SEXTA POÉTICA: FESTA NO APÊ


Sexta poética traz hoje para ser recitada uma linda poesia, um clássico da música brasileira que estourou na década passada virando um mega hit. A canção "Festa no apê" gravada pelo mito, a lenda viva Latino.


Declamação


Música


Sexta poética volta mês que vem com mai um clássico da MPB.


Vai rolar bundalelê

SEXTA POÉTICA ANTERIOR:

QUE TIRO FOI ESSE?..

quarta-feira, 9 de maio de 2018

SOBE O SOM: ENGENHEIROS DO HAWAII


Engenheiros do Hawaii foi uma banda brasileira de rock, formada em 1984 na cidade de Porto Alegre por Humberto Gessinger (vocal e guitarra), Carlos Stein (guitarra), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Maltz (bateria) , que alcançou grande popularidade com suas canções líricas e críticas. Antes de chegarem à sua formação atual, a banda passou por algumas mudanças de formação, sendo Gessinger o último integrante da formação original a permanecer na banda até a "pausa" ocorrida em 2008, por motivos particulares da banda.

Os quatro estudantes da Faculdade de Arquitetura da UFRGS resolveram formar uma banda apenas para uma apresentação em um festival da faculdade, que aconteceria por protesto à paralisação de aulas. O primeiro show da banda foi em 11 de janeiro de 1985. Escolheram o nome Engenheiros do Hawaii para satirizar os estudantes de engenharia que andavam com bermudas de surfista, com quem tinham uma certa rixa. Começaram a surgir propostas para novos shows e, após, algumas apresentações em palcos alternativos de Porto Alegre juntamente com uma série de shows pelo interior do Rio Grande do Sul.

A banda, em menos de quatro meses de carreira já consegue gravar duas músicas na coletânea Rock Grande do Sul (1985) com diversas bandas gaúchas, em razão de uma das bandas vencedoras do concurso adicionador à coletânea ter desistido da participação do álbum na última hora. Quando a banda seguiu com seus ensaios, durante a greve da faculdade, Carlos Stein realizou uma viagem, o que acabou inviabilizando sua permanência no grupo, e, tempos depois, ele passa a integrar a banda Nenhum de Nós. Meses passaram, e os Engenheiros do Hawaii gravam o seu primeiro álbum: Longe Demais das Capitais, em 1986.

Então vamos lá!!


Sobe o som Engenheiros do Hawaii!!


Terra de gigantes


Infinita Highway


Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones


Piano bar


Pra ser sincero


Refrão de bolero


Somos o que podemos ser


Toda forma de poder


O exército de um homem só


Perfeita simetria


Bem. Aí está um pouco da obra dessa importante banda. Semana que vem tem mais , tem The Police.


Enquanto isso o pop não poupa ninguém,


SOBE O SOM ANTERIOR:

PHIL COLLINS

TROCANDO EM ARTES: ANTÍGONA


Hoje "Trocando em artes" fala de uma peça histórica e que atravessou os séculos.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Antígona



 Antígona (em grego Ἀντιγόνη) é uma tragédia grega de Sófocles, composta por volta de 442 AC. É cronologicamente a terceira peça de uma sequência de três tratando do ciclo tebano, embora tenha sido a primeira a ser escrita. A personagem do título é Antígona, filha de Édipo, e irmã de Etéocles e Polinice.


Sinopse



A história tem início com a morte dos dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinices, que se mataram mutuamente na luta pelo trono de Tebas. Com isso sobe ao poder Creonte, parente próximo da linhagem de Jocasta. Seu primeiro édito dizia respeito ao sepultamento dos irmãos Labdácidas. Ficou estipulado que o corpo de Etéocles receberia todo cerimonial devido aos mortos e aos deuses. Já Polinices teria seu corpo largado a esmo, sem o direito de ser sepultado e deixado para que as aves de rapina e os cães o dilacerassem. Creonte entendia que isso serviria de exemplo para todos os que pretendessem intentar contra o governo de Tebas.

Ao saber do édito, Antígona deixa claro que não deixará o corpo do irmão sem os ritos sagrados, mesmo que tenha que pagar com a própria vida por tal ação. Mostra-se insubmissa às leis humanas por estarem indo de encontro às leis divinas.

Ainda no primeiro episódio, Creonte é informado por um guarda de que o corpo de Polinices havia recebido uma camada de pó e com isso seu édito havia sido desrespeitado, colocando sua autoridade à prova. Ele se enfurece ainda mais quando o coro interroga-se, questionando se não teria sido obra dos próprios deuses.

Entra o primeiro estásimo, quando o coro exalta a capacidade do homem.

No segundo episódio o guarda descobre que o rebelde tratava-se de Antígona e a leva até Creonte. Trava-se então um duelo de ideias e ideais: de uma lado a fé, tendo como sua defesa o cumprimento às leis dos deuses, as quais são mais antigas e, segundo ela, superiores às terrenas, e de outro lado o inquisidor, que tenta mostrar que ela agiu errado, explica seus motivos e razões, mas cada um continua impávido em suas crenças. Creonte manda também chamar Ismênia, que mesmo sem ter concordado com o ato da irmã, ainda no prólogo, confessa o crime que não cometeu. Ainda assim não recebe a admiração da irmã, a única e real transgressora. Ambas são condenadas à morte.

O segundo estásimo reflete sobre as maldições que se acumularam sobre os Labdácidas. O diálogo travado entre Creonte e seu filho Hêmon, futuro marido de Antígona, já no terceiro episódio, explicita a honradez do jovem rapaz e sua submissão às ordens paternas. Contudo, não deixa de levar argumentos concretos para a defesa de sua amada, de como o édito está sendo contestado pelo povo nas ruas, e que toda a cidade está de acordo com o feito de Antígona. Nesse ponto o autor mostra que a vaidade e o poder já tomaram conta de Creonte, que acredita ser o único a poder ordenar e governar aquele país (”E a cidade é que vai prescrever-me o que devo ordenar?” – linha 734 e “Acaso não se deve entender que o Estado é de quem manda?” – linha 738). O filho ainda tenta trazê-lo à razão na linha 745: “Não tens respeito por ele [seu soberano poder] quando calcas as honras devidas aos deuses”. A discussão se acalora a ponto de Hêmon ameaçar se matar caso o pai não revogue a condenação, mas é entendido como uma ameaça de parricídio. Então o tirano decide tornar mais cruel a pena de Antígona, aprisionando-a em uma caverna escavada na rocha, só com o alimento indispensável, para assim ter um fim lento.

O terceiro estásimo celebra Eros, deus do amor, que geralmente leva as pessoas a ignorarem o bom senso.

O quarto episódio mostra as lamentações de Antígona. Pode-se entender de um lado como sendo uma tentativa de insuflar o povo a se revoltar contra o governo tirano de Creonte, mas também uma auto-comiseração, mesmo diante de falas como “sem lágrimas”, “...eu, em muito a mais perversa”. O coro, no quarto estásimo, faz comparações com outras personagens mitológicas que também foram emparedadas.

Quinto episódio: entra Tirésias, adivinho conhecido e respeitado por todos. Ele adverte Creonte do mal que irá se abater em sua vida devido à sua teimosia, e que os deuses estão enfurecidos. Ele mantém-se irredutível, mas após a partida do adivinho é convencido pelo coro a libertar Antígona e sepultar Polinices.

No quinto estásimo o coro recorre a Dioníso, patrono de Tebas, para que ele restaure a cidade. O desfecho trágico apresentado no êxodo é típico sofocliano, com diversas mortes. Mesmo tendo sepultado ele mesmo o sobrinho há muito morto, Creonte terá que viver com o peso da morte de Antígona, que já havia se matado quando ele fora buscá-la, com o suicídio de seu filho Hêmon, ao saber da morte da amada e com o suicídio da própria esposa, Eurídice, ao receber a notícia da morte do filho querido.


Sobre a peça



Esta obra é uma das três que compõem o que ficou conhecido como Trilogia Tebana, da qual também fazem parte Édipo Rei e Édipo em Colono. Essas três peças foram unidas posteriormente, e não faziam parte da mesma trilogia quando Sófocles as escreveu. Na verdade, cada uma era parte de uma trilogia diferente, mas apenas essas três peças chegaram aos dias de hoje.

A peça é feita pelo prólogo, que nesse caso é dialogado, no qual as irmãs Antígona e Ismênia conversam e nos dão uma visão geral dos acontecimentos; cinco episódios; cinco estásimos, que são as entradas do coro em cena trazendo informações ao público sobre o assunto da peça; e o êxodo, parte final.


Análise



Uma forma de solucionar o dilema do poder político é consolidá-lo num homem, criando uma figura messiânica. Um autocrata é alguém que é um governante independente. Seu poder (kratos) é derivado de si mesmo (auto). Ele continua no poder por seu próprio decreto e é apoiado pelo poder militar.O absolutismo monárquico e a autocracia sempre foram sinônimos de incoerência pragmática, tanto em Tebas, quanto em qualquer Estado. Com a temática reduzida à cidade grega, pode-se incorporar na história redigida por Sófocles, ao assistir uma cena trágica de uma irmã com um único desejo: prover um fim justo ao irmão.

O ímpeto de Creonte pode ser facilmente comparado com o de outros monarcas da história, representado e mistificado por palavras que hoje viraram ditos, como por exemplo a expressão francesa “L’état c’est moi”, que traduzida significa “O Estado sou eu”, uma famosa expressão do rei Luís XIV, o qual na época achava que o país deveria girar em torno de si. O Rei Creonte sob o Estado e o Estado abaixo de Creonte, assim pode-se traduzir o foco, que gera a contestável consequência: a frustração e manifestação popular.


Traduções


Existem, em português, algumas traduções do grego dessa tragédia, tanto em verso como em prosa. Das brasileiras, citam-se a de Guilherme de Almeida, em versos endecassílabos Donaldo Schüler, em verso livre e Domingos Pascoal Segalla, de Mário da Gama Kury, em dodecassílabos e de Lawrence Flores Pereira, em dodecassílabo. Dentre as traduções em verso, as mais notáveis artisticamente são as de Guilherme de Almeida e de Lawrence Flores Pereira por distinguirem formalmente as partes do coro e as partes dramáticas. A tradução de Flores Pereira vem acompanhada de notas detalhadas escritas por Kathrin Rosenfield.

Em Portugal, Maria Helena da Rocha Pereira traduziu a peça. Em 1953, o escritor e encenador António Pedro fez uma glosa à tragédia de Sófocles, igualmente designada de Antígona, para o 2º espetáculo da recém-formada companhia do Teatro Experimental do Porto, do Círculo de Cultura Teatral. Na impossibilidade de levar à cena a Antígona, do francês Jean Anouilh, proibido de ser representado em Portugal, pela Censura do Estado Novo, António Pedro reescreve o mito, no qual inscreve a sua experiência de leitura de Anouilh, Pirandello e Brecht, tornando-a numa experiência metateatral, em que se sente o espírito de oposição ao regime de Salazar, ainda que a censura não lhe tenha feito cortes literários. Hélia Correia retomou o mito em Perdição, um exercício sobre Antígona. Armando Nascimento Rosa também retomou o mito, adaptando-o para um contexto de Ficção Científica, em "Antígona Gelada" levada à cena originalmente em 2008/9 pela Comuna - Teatro de Pesquisa / Cendrev e em 2014 na ESTC como Exercício final de Mestrado Artes Performativas 1º Ano (Interpretação e Teatro Musica)

Em 1966 foi apresentado o espetáculo Antígona, de Sófocles, com direção de Benjamin Cattan, no Teatro Municipal de São Paulo, com uma tradução da SBAT.


Trocando em artes versão teatro volta mês que vem com "Fantasma da Ópera"


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

KANANGA DO JAPÃO

terça-feira, 8 de maio de 2018

AS MULHERES DE ADÃO: CAPÍTULO I - VELÓRIO


Pois é rapaz o livro já começa com um velório, mas fazer o que né? A morte é uma das poucas certezas da vida assim como você não inventará um programa de computadores que lhe transformará num nerd bilionário nem vai comer a atriz da novela das nove.

Rio de janeiro, cemitério do Caju cheio, afinal o morto é uma personalidade. Tinha um programa de entrevistas e debates na rede mundo, a principal emissora de TV do país além de ser um famoso escritor e ter programa de rádio.

Muitas coroas de flores, pessoas chorando. Chamava atenção o tanto de choro e a quantidade de mulheres que choravam. Os comentários no cemitério se dividiam entre “tadinho, tão jovem...” e “puta que pariu, ele comeu tudo isso de mulher?”.

É, comi sim..

..ah, esqueci de contar para vocês, era o meu velório.

Lá estava eu todo bonitão de terno e algodões nas narinas deitado com meus olhos fechados e um sorriso safado na boca que chamava atenção de todos. Era o auge do verão no Rio de Janeiro, um calor filho da puta onde parecia que tinha um Sol pra cada um. As pessoas se dividiam entre lágrimas e suor.

Menos eu que estava geladinho no caixão já que passei minhas últimas horas em um freezer, morrer tem suas vantagens.

Realmente, quem comentava que morri jovem tinha certa razão.

Parei dentro daquele caixão com apenas trinta e cinco anos. Uma vida inteira pela frente, mas eu sempre ouvi que iria morrer novo, principalmente pelo estilo de vida que eu tinha.

Eu bebia socialmente, não fumava, nunca usei drogas e até que gostava de dar uma corridinha na praia. Mas tinha um vício e esse vício sempre fez meus amigos falarem que me levariam pra cova.

Eu era viciado em mulher.

Sempre fui um apaixonado pelas mulheres, desde minha tenra idade e isso passou de geração em geração na minha família.

Consultando nossa árvore genealógica descobri que o primeiro membro da minha família era um “homem de neanderthal”.

No tempo das cavernas meu primeiro familiar fez questão de esculpir o porrete mais bonito e colocava discos de Julio Iglesias (sim, ele é desse tempo) na vitrola em sua caverna o que atraía as primeiras mulheres do planeta.

Uma vez ele comeu a mulher de outro da tribo e teve que sair correndo para não morrer, correu tanto que foi o primeiro ser vivo a atravessar o estreito de Bering.

Tive membro da minha família que entrou na arca de Noé sem ninguém perceber por não ter um par e que dentro da arca transou com mulher de outro. Foi jogado nas águas, mas sobreviveu graças a um galho caído. Ficou em pé no galho e inventou o surf.

Outro membro de nossa família desconhecido na história foi imperador de Roma, o único heterossexual. Assim como Nero  também colocou fogo na cidade. Mas ele foi sem querer já que incendiou a cidade ao inventar o sadomasoquismo e passar vela pingando nas costas de uma parceira.

O parente egípcio comeu Cleópatra. Mas nesse caso não houve mérito nenhum porque todo mundo comeu. O dos tempos de Cristo fez uma ceia com doze amigos e várias mulheres. Aprontou tanto que foi julgado por Pilatos. Quando este disse que lavaria suas mãos meu parente bêbado vomitou nelas e foi crucificado.

No tempo das grandes navegações tive um parente que traçou as mulheres de todos os navegadores. Enquanto eles descobriam novas terras meu parente descobria novos prazeres. Conseguiu ser expulso de Portugal e Espanha.

Na revolução francesa um parou na guilhotina depois que usou um brioche pra prazeres com uma dama da sociedade esposa de um dos comandados de Napoleão.

E assim minha família foi indo até chegar nessa situação em que estou gelado num caixão.

Como eu disse antes de escrever essas bobagens eu sempre fui um apaixonado pelas mulheres. Nunca as usei, nunca as ofendi, humilhei, meu único erro foi amá-las demais e ter um coração volúvel. Sempre fui do tipo romântico que mandava flores, chorava por amor, escrevia músicas românticas e levava pra jantar ao som de violinos e luz de velas.

Só que por ser apaixonado pelas mulheres eu nunca consegui ser de uma só. Eu sempre amei o flerte, a conquista, a sedução. A Bia, mulher que mais me marcou dizia que eu era sedutor. Mas nunca concordei com ela, me achava sem graça, papo normal e que fazia algumas piadinhas bobas.  
Mas amigo, a verdade é que as coisas acontecem é na simplicidade. Tudo que as mulheres querem é alguém que lhes dê atenção e eu sempre fui bom nisso.

Tai o segredo.

Por falar em Bia ela estava lá no velório. Era a mais elegante das mulheres presentes. Não chorava, me olhava triste, mas sem derramar uma lágrima. Vestida de noiva, acariciava meu cabelo e falava nada. Não sei o que pensava. Se pensava “justo agora filho da puta, quando casaríamos e seríamos felizes?” ou então “Seu desgraçado de onde surgiram tantas mulheres chorando assim?”.

As vezes uma passava esbarrando por ela e se deitava sobre o caixão chorando desesperada e gritando como eu pude fazer isso e que queria ser enterrada junto. Molhava-me todo, se eu estivesse vivo ficaria puto, mas eu continuava ali deitado com cara de bunda e sorrindo.

Uma mosca pousou na minha testa e Bia bateu com força pra espantar. Se eu tivesse vivo teria doído e acho que a intenção dela era que doesse mesmo.

O médico que me atendeu era meu tio Freitoca, ele chegou ao velório e as pessoas perguntavam o que tinha ocorrido. Ele respondia que eu tive um “piripaque”. Quando quem perguntou olhava pra ele com cara de quem não entendeu ele respondia “piripaque, siricutico, morreu porque era um fresco!!”.

Falava isso e dava uma golada na garrafa de cachaça que estava em sua mão. Meu tio de porre no meu velório e nem ligando pra minha memória contando que morri porque era fresco.

Opinião compartilhada por meu avô, seu Epaminondas que chegou ao mesmo com minha avó dona Nicete. Meu avô chegou próximo ao meu caixão e ficou me encarando enquanto minha avó chorava.
Depois de um tempo me olhando meu avô virou pra minha avó e perguntou “esse menino tá rindo do quê?”. Minha avó enxugou as lágrimas, olhou pro meu avô e disse “como assim rindo Epaminondas, o menino tá morto, morto não ri”.

Ele voltou a me olhar sério e falou novamente pra minha avó “Nicete esse menino tá rindo, ele tá mangando da gente, olhe só, deixou a menina aqui vestida de noiva, nem deu conta dela na noite de núpcias, morreu como frouxo e agora tá rindo?”.

Minha avó pedia pra ele se acalmar enquanto meu avô continuava “Olha Nicete, não é porque esse menino tá morto que pode rir da minha cara, vou pegar a chinela e dar nele!!”

Meu tio Freitoca chegou perto dele e disse “pai, ele teve siricutico”, meu avô respondeu “e você tá bêbado, sai daqui que a chinela vai cantar pra você também”.

Meu avô é um daqueles paraibanos arretado que chegou aos oitenta anos se orgulhando de nunca ter falhado na cama. O Homem teve quinze filhos e conta a lenda que até hoje procura minha avó pra fazer “bubiça”.

Logo depois entraram meus pais no velório. Os dois com incensos nas mãos dançavam e cantavam “my sweet lord” de George Harrison.

Meu pai se chama Epaminondas Junior, mais conhecido como Juninho Frota. Um dos mais importantes produtores musicais do país.

Deixou a Paraíba no começo da vida adulta e veio pro Rio de Janeiro ganhar a vida e ganhou!! Conheceu muita gente importante da MPB, viveu em comunidades hippies, compôs com artistas famosos, abriu discoteca no Rio no auge da era disco, produziu filmes de pornochanchada e nessa época conheceu minha mãe. Hoje meu pai é empresário musical e trás grandes bandas e artistas internacionais pro Brasil.

Minha mãe se chama Paula, mas sempre foi conhecida como Pauloca. Conheceu meu pai quando era musa da pornochanchada, a principal estrela dos filmes do meu pai. Antes de virar atriz era chacrete, conhecida pelo Chacrinha como Pauloca Bazucão.

Quando casou com meu pai foram morar numa comunidade hippie e lá eu nasci e depois minha irmã Eva. Na época disco meu pai montou um grupo musical para minha mãe chamado “as neuróticas”.
O grupo fez um grande sucesso, mas um dia acabou e minha mãe fez faculdade e se formou em psicologia. Especializou-se em sexo e hoje tem quadro num programa matutino sobre mulheres em que fala de sexualidade e também joga tarô.

Os anos setenta acabaram, mas meus pais não saíram deles. Esse fato explica eles entrarem com incensos cantando “my sweet lord” confirmando mais um momento ridículo de minha vida e começo de morte.

Meu avô perguntava que “papagaiada” era aquela e minha mãe explicava que a vida terrena era só uma passagem e que continuávamos vivos com o grande Pai em um lugar cheio de flores, paz, amor e Bob Marley cantando “is this Love”.

Meu avô ainda tentava entender o que Bob Marley tinha a ver com minha morte quando meu pai entusiasmado gritou “bicho, ele tá rindo!!”.

Meu avô virou pra minha avó e falou “viu Nicete, não fui o único que achei isso”. Meu pai com sorriso e óculos escuros gritava “é isso!! Isso é a vida !! A beleza de viver!! Ele no caixão rindo, aposto que fumou um erva né filhão??”.

Falou isso e colocou uma trouxinha de maconha na minha mão e disse “vai filhão, queima um no paraíso”.

Meu avô perguntou o que era aquilo que botaram em minha mão e Eva, minha irmã que chegou naquele momento pra salvar a situação disse que eram as “cinzas da vida”, coisas da religião que eu seguia.

Eva era a mais centrada da família e a mais famosa também. Chegou com um batalhão de seguranças e com repórteres, fotógrafos e cinegrafistas atrás dela.

 Minha irmã era apresentadora de programa infantil de grande sucesso. Nunca fui de ver o programa dela porque era muito estranho ver aquela mulher séria, centrada e que até onde eu sabia não gostava de crianças com vestidinho, minissaia falando na TV que adorava os “fofuxos e fofuxas”.

Minha irmã era linda e por isso atraía a cobiça masculina. Enquanto as crianças brincavam e dançavam com seus CDs e DVDs os pais babavam nas revistas masculinas que ela foi capa.
Só que minha irmã tinha um segredo. Honrando a tradição da família adorava mulheres e enquanto ela estava ao lado do meu caixão me dando um beijo na testa no outro lado da sala estava Kátia Louge, famosa cantora de MPB e namorada de Eva.

As pessoas iam sabendo de minha morte e chegando ao velório. Na maioria mulheres, alguns amigos também claro, porque eu tinha amigos homens, mas a maioria mulheres.

Bia demonstrando todo seu amor por mim não saía do meu lado. E ela estava linda vestida de noiva, ah..pena que vi por tão pouco tempo.

Eu estava mesmo disposto a ter uma vida com a Bia, sossegar, crescer na vida, casar, ter filhos com ela, envelhecer a seu lado, comprar um sítio e nele ter os almoços domingo com filhos, netos, a família toda reunida.

Queria passar meus dias deitado com ela numa rede, a Bia encostada com a cabeça no meu peito e nós dois rindo das nossas histórias. Histórias da nossa vida, idas e vindas, fins e recomeços, momentos que achávamos que estava tudo perdido e voltamos.

E um dia fazendo amor com ela na hora do orgasmo deitar sobre ela e morrer. Morrer em seus braços, morrer colado ao corpo dela. Nesse dia eu seria dela em definitivo, pra sempre e ela minha. Nosso caso de amor teria o desfecho perfeito.

Mas não, eu tinha que ter o tal “siricutico” que meu tio alardeava. Por sinal ele agora colocou a garrafa de cachaça sobre meu caixão e discursa sobre vida, morte e Bob Marley. Todos lhe escutam menos Bia que não tira os olhos de mim. Tão linda, tão jovem..que pena..

Nesse momento meu pai bate palma e pede que entrem os amigos da passagem. Nisso entram vários carecas com roupas esquisitas, pandeiros nas mãos cantando animando o ambiente e sufocando o choro das mulheres.

E Bia olhando pra mim e acariciando meu cabelo.

Meu nome é Adão, Adão Nascimento, essa zona que descrevi é meu velório, eu morri..
..mas pra vocês minha história só está começando.