sexta-feira, 28 de abril de 2017

TROCANDO EM VERSOS : É


Trocando em versos volta hoje em forma especial.

Volta fazendo homenagem para aqueles que não tem medo da luta, de se expor, do perigo e busca o melhor para si e para a comunidade que vive mesmo que essa comunidade viva com medo, seja influenciável ou acomodada.

Através da luta direitos trabalhistas foram criados como décimo terceiro e férias, que os negros foram libertados, que as mulheres tiveram direito a voto e que voltamos a democracia. Sem luta não há vitória, não há mudança. Sem luta ainda estaríamos na idade média. Com conformismo nem a roda teríamos,

Sempre digo que quem muda o mundo não é o gênio e sim o inconformado.

Meus respeitos por quem luta


A gente quer viver uma nação


É

(Gonzaguinha)

É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...

A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...

É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...

É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação...

É! É! É! É! É! É!


TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

NÃO VOU PARAR DE TE OLHAR

quinta-feira, 27 de abril de 2017

SOBE O SOM: MOLEJO


Molejo, também conhecido como Molejão, é um grupo musical carioca de pagode formado em 1988 por Anderson Leonardo (cavaquinho, voz e vocal), Andrezinho (surdo, voz e vocal), William Araújo (violão e vocal), Claumirzinho (pandeiro e vocal), Lúcio Nascimento (percussão e vocal) e Jimmy Batera (bateria e vocal).

O grupo Molejo fez grande sucesso na década de 90 e em setembro de 2016, logo que Lady Gaga lançou o single "Perfect Illusion" no dia 9, internautas brincaram que a música seria uma versão inglesa de um hit do grupo, o "Cilada". A brincadeira impulsionou as buscas pelas músicas do Molejo no Spotify, que cresceu 102% em apenas um dia. Em 29 de novembro, a cantora fez referência, no Facebook, à música  para promover o seu álbum Joanne. No Programa Encontro com Fátima Bernardes, de 5 de dezembro, o Molejo comentou a brincadeira e apresentou ao vivo um mashup das duas músicas.

Em outubro de 2016, após seis anos sem lançar um disco de inéditas, o grupo anunciou o álbum Molejo Club, com 16 faixas. Logo depois, em novembro, foi anunciado que Andrezinho, que havia saído em 2009, voltaria ao grupo em 2017.

Então vamos lá!!


Sobe o som Molejão!!


Cilada


Dança da vassoura


Paparico - Com Buchecha


Samba diferente


Samba rock do molejão


Ah! Moleque


Pensamento verde


Fofoca é lixo


Não quero saber de ti-ti-ti


Amor estou sofrendo


Assim oh!!


Garoto zona Sul


O carioca


Clínica geral


Bem. Aí está um pouco das músicas e da irreverência desse grupo que fez história. Semana que vem tem novela que fez história. Aproveitando sua estreia no Viva tem Tieta.


Enquanto isso tem aquela brincadeira e de uma forma inusitada.


SOBE O SOM ANTERIOR:

THE STYLISTICS

quarta-feira, 26 de abril de 2017

TROCANDO EM ARTES: A GATA COMEU


Trocando em artes hoje é uma homenagem.

Estava programado para falar de "Roque Santeiro", mas essa semana termina no Viva uma das novelas mais gostosas já feitas. Um texto delicioso feito por grandes atores e personagens carismáticos e inesquecíveis juntos a uma trilha sonora cheia de grandes sucessos compõe essa grande novela. Novela marcante na minha infância, inclusive fizemos um clubinho igual a novela, novela que me deixou feliz e saudosista na minha maturidade mostrando que a mesma não envelheceu, melhor, meu coração não envelheceu.

Venham Fábio, Jô, seu Oscar,Ceição, Ivete, Zazá, seu Vicente, Martins, Ofélia,Tony, Paula, Horácio, Ester, Gláucia, Lenita, Edson, Zé Mario, Babi, Conde de Parma, Ivete, Gugu, Tetê, dona Biloca, Rafael, Alice, Televina, Tito, Graziela, Nair,Padre Aurélio venha clube dos curumins porque...

..Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


A gata comeu 




A Gata Comeu é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 18 horas entre 15 de abril e 19 de outubro de 1985, em 160 capítulos, substituindo Livre para Voar e sendo substituída por De Quina Pra Lua. Foi a 30ª "novela das seis" exibida pela emissora. Escrita por Ivani Ribeiro, com colaboração de Marilu Saldanha, e contou com a direção de Herval Rossano e José Carlos Pieri. Com gerência de produção de Carlos Henrique de Cerqueira Leite, e também contou com a direção geral e núcleo de Herval Rossano. É um remake da novela A Barba-Azul, escrita pela própria Ivani Ribeiro para a extinta Rede Tupi e exibida em 1974.

Contou com as participações de Christiane Torloni, Nuno Leal Maia, Mauro Mendonça, Anilza Leoni, Bia Seidl, Deborah Evelyn, Fátima Freire e Danton Mello.


Sinopse



Apesar de já ter ficado várias vezes noiva, Jô Penteado sempre acaba o noivado com seus pretendentes, o que lhe rende o apelido de Lucrécia Bórgia. Rafael Benavente, ator de teatro, é seu oitavo noivo e todos esperam que, enfim, aconteça o casamento. Nesse meio tempo, o Professor Fábio (uma pessoa honesta e trabalhadora que dá aula na Urca) organiza uma excursão com lancha para seus alunos. A embarcação é de propriedade de Horácio Penteado (pai de Jô). Na excursão, alguns amigos dele e Jô acabam indo para a excursão. Porém, a lancha quebra e todos vão parar numa ilha deserta. No local, Jô e Fábio brigam o tempo todo, e trocam até tapas. O ódio de um pelo outro aumenta a cada instante. Após terem sido dado como mortos, ficam 2 meses na ilha, e são resgatados.

Jô chega da excursão confusa e acaba terminando o noivado com Rafael Benavente. Descobre que está apaixonada por Fábio e faz de tudo para conquistar o seu amor, passando por cima até de sua noiva, Paula. Consegue impedir o casamento dos dois por várias vezes, e até sequestra o professor. Aí, vai nascendo um amor confuso entre os dois. Porém, Gláucia, a irmã invejosa de Jô faz tudo para atrapalhar os dois.

A novela também tem outras atrações: Seu Oscar, casado com a Dona Conceição. Ele se finge de doente para não ter que trabalhar, e dá voltas na praia o dia inteiro, procurando mulheres, dizendo à mulher que é orientação médica. Ela, por sua vez, acredita na mentira do marido, e o trata como um rei, fazendo "comidinha" e dando o seu "leitinho esperto".

Outro personagem que merece destaque é o Conde de Parma, que na verdade é o garçom de uma pizzaria e não tem dinheiro algum. Engana a todos, e fica noivo de Gláucia. Ela faz isso por interesse e mal desconfia. Apesar disso, Vitório (o conde), é uma boa pessoa de coração enorme. Tenta durante várias vezes revelar a verdade, mas suas tentativas não dão certo.

O que também rende risadas na trama é o casal de meia-idade Gugu e Tetê: ambos brigam o dia todo. Tetê, é uma esposa totalmente controladora, e vive na cola do marido o dia inteiro, impedindo ele de fumar, de comer o chocolate, de andar sem o boné... A grande surpresa é que Tetê engravida de gêmeos, o que todos consideram como um "acidente de percurso"


Elenco



Ator / Atriz Personagem
Christiane Torloni Joana Penteado (Jô)
Nuno Leal Maia Fábio Coutinho
Bia Seidl Gláucia Brandão Penteado
Laerte Morrone Vitório Galhardi / Conde de Parma
Mauro Mendonça Horácio Penteado
Anilza Leoni Ester Brandão Penteado
Fátima Freire Paula Queiroz
Roberto Pirillo Antônio "Tony" Duarte
Cláudio Corrêa e Castro Gustavo Penaforte (Gugu)
Marilu Bueno Tereza Penaforte (Tetê)
Deborah Evelyn Lenita Brandão Penteado
José Mayer Edson de Oliveira
Nina de Pádua Ivete de Oliveira
Eduardo Tornaghi Rafael Benavente
Mayara Magri Beatriz Penaforte (Babi)
Élcio Romar José Mário Braga (Zé Mário / Braguinha)
Dirce Migliaccio Conceição de Oliveira
Luís Carlos Arutim Oscar de Oliveira
Diana Morel Ofélia Queiroz
Rogério Fróes Martim Queiroz
Aracy Cardoso Zazá
Norma Geraldy dona Biloca
Jayme Periard Tito Rosental
Sônia Regina Alice
Kléber Macedo Televina
Germano Filho Vicente
Monah Delacy Graziela Rosental
Juan Daniel Padre Aurélio
Mário Polimeno Giovanni
Marina Miranda Nair

Crianças

Danton Mello Carlos Eduardo Coutinho (Cuca)
Juliana Martins Suely Queiroz
Oberdan Júnior Alexandre Queiroz (Xande)
Kátia Moura Adriana Coutinho
Rafael Alvarez Cecéu
Juliana Lucas Martin Vera (Verinha)
Sílvio Perroni Renato de Oliveira (Nanato)


Reexibições



Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 27 de fevereiro a 28 de julho de 1989, substituindo Gabriela e sendo substituída por Brega & Chique, em 110 capítulos.

Foi reexibida novamente pelo Vale a Pena Ver de Novo de 23 de julho a 7 de dezembro de 2001, substituindo Você Decide e sendo substituída por História de Amor, em 100 capítulos.

Foi reexibida no quadro Novelão do Vídeo Show em duas ocasiões: a primeira entre 11 e 15 de junho de 2012 e a segunda entre 19 e 23 de janeiro de 2015, ambas em 5 capítulos.

Está sendo reexibida na íntegra pelo Canal Viva de 24 de outubro de 2016 à 28 de abril de 2017 em 160 capítulos substituindo Mulheres de Areia e sendo substituída por Tieta, às 15h30.


Trilha sonora



A trilha sonora trouxe em seu repertório músicas que ficaram bastante ligadas à novela. As mais lembradas são: "Só pra o Vento" (Ritchie), principal tema de Jô Penteado; "Amigo do Sol, Amigo da Lua" (Benito di Paula), tema do professor Fábio; e "Comeu", música de Caetano Veloso regravada pelo grupo Magazine especialmente para a abertura.

"Só pra o Vento" - Ritchie
"Choro" - Fábio Jr.
"Amigo do Sol, Amigo da Lua" - Benito di Paula
"Seu Nome" - Biafra
"Canção de Búzios" - Sandra Sá
"Doce Pecado" - Santa Cruz
"Comeu" - Magazine
"Eu Queria Ter uma Bomba" - Barão Vermelho
"Sonho Blue" - Liliane
"Tipo One Way" - Ciclone
"Solidão Vai" - Hyldon
"Fora de Prumo" - Sérgio Sá
"Mania" - Lápis de Cor
"Dama e Vagabundo" - Danilo


A novela teve uma das trilhas internacionais mais marcantes da década, com músicas que foram bastante executadas nas rádios e se tornaram verdadeiros clássicos dos anos 80. Entre os sucessos, estão "Heaven" (Bryan Adams), "Every Time You Go Away" (Paul Young), "I Was Born to Love You" (Freddie Mercury), "I Should Have Known Better" (Jim Diamond) e "Forever by Your Side" (Manhattans), tema de Jô e Fábio, que fez sucesso no Brasil graças à novela. Poucos dias depois de lançado, o disco foi reposto nas lojas com a música "Smooth Operator" (Sade) substituindo "Crazy for You", que não havia sido liberada pelos representantes internacionais da Warner Music, gravadora a qual pertencia Madonna.

"I Should Have Known Better" - Jim Diamond
"The Heat Is On" - Glenn Frey
"Crazy for You" - Madonna / "Smooth Operator" - Sade
"Everything I Need" - Men at Work
"Heaven" - Bryan Adams
"Dillo Tu" - Fred Bongusto
"Brasileiro Train" - Naima and Papagayo
"I Was Born to Love You" - Freddie Mercury
"Every Time You Go Away" - Paul Young
"Just Another Night" - Mick Jagger
"Forever by Your Side" - Manhattans
"We Can Change the World" - Tremendo (canta Teo)
"Lovely Love" - Terry Winter e Silvia Massari
"Caribe" - W. White


Trocando em artes se despede de a Gata comeu e volta em duas semanas com "Edipo Rei".


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

HAMLET

terça-feira, 25 de abril de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO VII - AVENTURA


Meu filho não era bobo nem nada e no dia seguinte estava na frente do colégio. Thais saiu e encontrou meu filho sorrindo. Ela perguntou o que ele fazia ali e Gabriel respondeu "Estava de bobeira passando por aqui e pensei se você não estava precisando de um segurança".

Thais sorriu e meu filho emendou "Primeira vez que te vejo sorrindo, pelo menos pra mim". Thais retrucou "Já sorri muita vezes pra você por dentro" e Gabriel pediu "Sorria mais pra mim me mostrando, isso faz meu dia mais feliz”.

Sorriram tímidos e ficaram em silêncio naqueles momentos que muito queremos dizer, mas não sabemos como. Thais quebrou o silêncio e disse "Eu aceito, aceito sua segurança". Gabriel estendeu a mão, disse vamos e eles foram.

Entraram no carro e Thais perguntou aonde iriam. Gabriel respondeu que queria lhe mostrar um local especial.

Meu filho aprendeu direitinho. Levou Thais ao Arpoador.

Sentaram no local que eu e Camila costumávamos sentar e olharam a vista. Alguns casais de namorados perto, as ondas batendo nas pedras e alguns surfistas se aventurando nas águas. Thais, extasiada, comentou que morava ali perto e nunca tinha ido ao Arpoador. Gabriel respondeu que ia sempre, tinha aprendido comigo a ir lá e todos os momentos. Para pensar, refletir, quando estava feliz e quando queria estar com alguém especial.

Thais agradeceu e comentou que o Arpoador realmente era lindo. Gabriel olhava a vista quando a moça perguntou se ele tinha mais algum segredo para que ela desvendasse. Ainda olhando a vista meu filho respondeu "tenho".

Sacou o celular, colocou o fone e entregou a Thais pedindo que colocasse no ouvido. Ela pôs e meu filho ligou, começando a tocar a música que estava no ponto.

Thais ouvia e comentou que a música era bonita. Perguntou qual era e meu filho respondeu:

Don`t want to say goodbye dos Raspberries.

Isso. Meu Gabriel colocou a música minha e de sua mãe para ouvir com seu amor. Quando soube disso me emocionei. Acabou que a canção virou uma herança nossa para ele. A musica que marcou nossas vidas, nosso amor se perpetuava nele assim como nosso amor.

Camila vivia em mim, nós vivíamos em Gabriel e na música.

Thais ficou encantada com a música. Gabriel começou a cantar olhando para ela até que lhe beijou. Mais um beijo apaixonado daqueles que nos revitaliza, parece nos rejuvenescer.

Desceram o Arpoador e caminharam descalços pela praia sentindo a água batendo nos  pés com a espuma das ondas. Estavam felizes, conheciam o amor e queriam aproveitar aquele momento o máximo. Em determinado momento Thais comentou "Precisamos de uma música. Todos tem música, toda relação tem e temos que ter a nossa. Não pode ser a de seus pais”.

Gabriel concordou e propôs. Vamos até o calçadão. A primeira música que ouvirmos será a nossa. Thais riu e comentou que poderiam e dar mal, ouvir uma música horrível e já correndo em direção ao calçadão Gabriel gritou "Vamos arriscar!! Pra quê viver se não podemos correr riscos?”.

Thais correm em sua direção, deram as mãos e correram para o calçadão. Chegando lá ouviram a música. Era um quiosque que estava com rádio sintonizada em um desses programas de flashback. Ouviram a música e sorriram. Gabriel comentou "Amo essa música" enquanto Thais completou 'Eu também. Adoro Eduardo Dusek". Se beijaram e tiveram certeza que aquele amor estava fadado a sorte.


Aventura

(Eduardo Dusek / Luiz Carlos Góes)

Vi seu olhar
Seu olhar de festa
De farol de moto
Azul celeste
Me ganhou no ato uma carona pra lua

Te arrastei
Estradas, desertos
Botecos abrindo e a gente rindo
Brindando cerveja
Como se fosse champanhe

Todos faróis me lembram seu olhos
Durmo a viajar entre lençóis
Seu corpo fica a dançar
No meio do nosso jantar                                                                                                                          

Luz de velas

Aventurar por toda cidade
A te procurar
Todos lugares
Pintam ciúmes na mesa de um bar
Mas você sente a começa a brincar
Diz : Fica frio, meu bem, é melhor relaxar

Palmeira no mar


De lá Gabriel e Thais foram para meu apartamento e aproveitaram que estava vazio para fazer amor pela primeira vez. Passaram a noite juntos e de manhã abraçados conversavam amenidades quando o telefone da moça tocou. Thais olhou e disse para Gabriel "É o Ronaldo".

Gabriel olhou para a moça que completou 'preciso atender' atendendo o mesmo. Conversaram um tempo, ela disse que dormira na casa de uma amiga e desligou. Olhou para Gabriel e os dois ficaram em silêncio.

Thais comentou que precisava resolver aquela situação e Gabriel respondeu que não estava forçando a nada. Thais riu e perguntou "Quer ser meu amante é?". Gabriel puxou a moça e comentou que não seria má ideia lhe dando um beijo. Após o beijo ela séria disse "Não sou mulher de ter amantes, tenho que resolver isso".

Thais tentava resolver a situação com Ronaldo, tentar coragem porque era uma relação de quase dez anos. Ronaldo foi seu primeiro namorado e eram noivos há dois anos e com casamento marcado. A moça sofria com a situação. Estava apaixonada pro Gabriel ao mesmo tempo em que não queria magoar Ronaldo.

Quem estava muito magoado era Nando. Enquanto Bia vivia momentos de felicidade com Ruben e fazendo planos de morar na Argentina meu amigo se afundava na bebida cada vez mais. Largou o emprego de vez e entrou em depressão não saindo mais de casa.

Todos estavam preocupados, inclusive Bia que tentava aproximação com o ex e não conseguia. Jessé me procurou ajuda.

O menino disse que só eu poderia ajudar por Nando gostar de mim e eu ter passado poucas e boas por amor. Jessé implorou "Por favor tio. Ajude o meu pai”. Não podia deixar meu amigo na mão e fui.

Encontrei Nando muito mal. Sentado no sofá barbudo, com cara de quem não dormia e tomava banho há dias. Pedi licença a Jessé que foi para a rua e aproximei de Nando perguntando "E aí cara?". Sem me olhar Nando perguntou "Como faz?".Perguntei como faz o que e ele me respondeu 'Para esquecer um amor". Respondi para ele "Não se esquece".

Nando olhava para o chão, não tinha mais forças nem para chorar. Agachei a sua frente, peguei sua mão e completei "Mas ainda assim se vive".

Levantei e falei 'Mas antes disso você vai tomar um banho, tá precisando". Peguei meu amigo e levei para debaixo do chuveiro. Dei banho em Nando com esfregão.

Coloquei roupa limpa nele e ordenei "Quero você no trabalho amanhã”. Nando argumentou que não trabalhava mais comigo e retruquei “Você está readmitido".

Encaminhei para a porta, olhei para ele e disse "Quero você oito horas na empresa e se não for venho te buscar".

Sete e cinquenta e cinco eu já estava na empresa e olhei o relógio ansioso para a chegada de Nando. Oito e um já ligava para a secretária mandando que o motorista tirasse meu carro para buscar Nando quando ele entrou em minha sala. Dei um sorriso, levantei e dei um abraço nele.

Para descontrair falei que estava atrasado e iria descontar de seu salário. Nando deu um sorriso amarelo, coloquei a mão em seu ombro e comentei "Bom ter você de volta meu amigo".

Nando pediu licença, disse que tinha algumas coisas para fazer e saiu da sala. Sentei e pensei que estava fazendo a coisa certa seguindo os conselhos de Camila.

Trabalhava entretido em documentos e telefonemas quando ouvi gritos vindos da anti-sala. Fui até o local e a secretária estava em cima da mesa, um funcionário com uma vassoura e outra rindo. Perguntei qual era o motivo do escândalo. A funcionária pediu desculpas e disse "Vê se pode. Uma mulher desse tamanho com medo de borboleta".

Gelei e perguntei onde estava a borboleta. No momento ela passou pela cabeça da secretária que se abaixou apavorada enquanto o funcionário tentava acertar e a outra gargalhava. Perguntei por Nando e o rapaz disse que tinha ido ao banheiro.

Só consegui gritar "Meu Deus!! Nando!!".

Corri para o banheiro com os outros funcionários correndo atrás e perguntando o que acontecia. Abri a porta e dei de cara com a cena que nunca queria ter visto e nunca mais esquecerei.

Meu amigo Nando estava pendurado com seu cinto no pescoço.

Tinha se enforcado no banheiro.

A funcionária que estava com medo da borboleta teve motivos para gritar de verdade enquanto eu ia até o corpo do meu amigo, tirava do cinto e abraçava. Chorava com seu corpo encostado ao meu e gritava "Por quê Nando? Por quê? A gente sobrevive!!". O funcionário ligou para o hospital e pedi que alguém ligasse para Guga. A única pessoa que pensei na hora.

Eu, Guga e Samuel vimos a ambulância levar o corpo de Nando para o IML e Samuel só repetia que aquilo era uma loucura. Guga perguntou por Bia e respondi que estava na Argentina passando uns dias com o namorado. Samuel retrucou "Liga para ela e diz que ta na hora de encerrar a lua de mel e encarar a realidade". Guga botou a mão no rosto e exclamou "Ela ta fodida".

Sim. Com o perdão da má palavra ela estava fodida.

Na frente do IML tentávamos acalmar Jessé que chorava de forma descontrolada e tentava ver o pai. Samuel tentava explicar que não era bom ver daquela forma, que ele seria arrumado e lhe veria de uma forma melhor no velório. Jessé ficou puto e gritou "De forma melhor? Como de forma melhor se ele ta morto? Aquela piranha matou meu pai!! Aquela vagabunda!!”

Ele se referia a mãe.

Guga reclamou e pediu que ele não falasse daquela forma, era a mãe dele e Jessé gritou "Não tenho mãe, tinha um pai que morreu de amor enquanto sua ex mulher ta fodendo com outro na Argentina!!”.Tudo isso ocorria e eu ligava pra Gabriel, na última ligação perguntei "pelo amor de Deus onde você está?”. Meu filho respondeu que Ericka estava estacionando.

Ericka, Gabriel e Francisco apareceram e Jessé foi logo abraçando Gabriel e sendo abraçado pelos outros dois. Os quatro eram muito amigos, como eu, Jessé, Guga, Samuel e Bia. Francisco, Ericka e Gabriel levaram Jessé dali e Samuel se aproximou para dizer "Não tem mais como adiar. Temos que ligar para Bia".

Respirei fundo, peguei o celular e teclei. Esperei um pouco e disse "Oi Bia, desculpe te incomodar, mas é sério"

O cemitério estava cheio, Nando era muito querido. Tinha me desacostumado a cemitérios e borboletas e confesso que não sentia falta nenhuma delas. Última vez que tinha ido a um enterro foi de Camila e no mesmo cemitério. Parecia que tinha sido no dia anterior. Não gostava de estar ali, fazia tudo voltar a mente.

Jessé não saía do lado do corpo do pai durante o velório e eu fiquei ao lado de Gabriel. Em determinado momento Thais chegou com Ronaldo. Cumprimentaram Jessé e depois a gente. Thais e Gabriel trocaram cumprimentos constrangidos, mas que davam pra perceber que tinha coisa a mais ali. Só Ronaldo não via.

Ronaldo e Thais se afastaram enquanto Gabriel não tirava os olhos dela. Thais também olhava de vez em quando e perguntei a meu filho quando resolveriam aquilo. Gabriel respondeu "Espero que breve" e perguntou se Bia iria.

Apontei para o lado de fora e Gabriel teve sua resposta. Bia chegava de preto e óculos escuros.

Cumprimentei minha amiga que me abraçou chorando e me perguntando "por quê ele fez isso?". Apenas abracei forte e passei a mão em sua cabeça. Depois de um tempo ela foi até Jessé. Todos no velório se viraram para ver a reação do rapaz.

Bia tentou abraçar Jessé que se desvencilhou e disse "não toque em mim". Bia chorando disse "meu filho" e ele respondeu "Não tenho mãe, sou órfão de mãe e agora de pai que ta nesse caixão. Morreu enquanto você estava com seu amante na Argentina".

Bia retrucou "Não é verdade, eu sou sua mãe, sempre serei, amava seu pai e te amo". Jessé disse que não, ela não os amava, era egoísta, só pensara na sua aventura e deixou o pai morrer sem fazer nada. Completou "Amor é doação, não é egoísmo. Você fez a sua escolha. Conviva para sempre com a ideia que o homem que você dividiu uma vida inteira se matou por causa do seu egoísmo".

Decidi intervir. Me aproximei e pedi que Jessé parasse e ele pediu que a mãe fosse embora. Bia pediu pelo amor de Deus que ele não fizesse aquilo e o filho completou "Nunca mais fale comigo. Você não é bem vinda aqui".

Bia concordou e com todos olhando se retirou do velório. Eu, Samuel e Guga ficamos nos olhando e decidi ir atrás de minha amiga. Alcancei quando entrava no carro e quando minha amiga me viu me abraçou chorando compulsivamente e dizendo que era sua culpa. Eu abracei forte Bia dizendo que ela não tinha culpa, Nando que fora frágil e ela repetia "Eu tive culpa!! Eu tive culpa!!".

Olhei para ela e comentei "Se alguém tem culpa então somos todos nós que não enxergamos o que ocorria. Você não tem culpa de querer ser feliz".

É..Depois que me toquei da frase que disse. Não enxergamos seus problemas. Camila me pedira para olhar meus amigos e fracassei.

Até hoje tento entender a atitude de Nando. Eu também perdi um amor, perdi pra morte e pensei muitas vezes em me matar. Ele concretizou.

Não vou dizer que ele foi fraco e minha dor era maior que a sua já que eu perdi pra morte porque a pior dor que existe é aquela que sentimos. Várias vezes vi teses que a pior dor é de cabeça, pedras nos rins, vesícula, mas eu sou da tese que a pior é a que sentimos no momento e não tem dor maior que a nossa.

Eu perdi pra morte. Ele perdeu pra vida e não sei o que é pior.

Ele foi fraco por que se matou e eu forte por quê sobrevivi? Não sei. Ele foi forte por que se matou enquanto eu fraco por ter pensado tanto nisso e não ter tido coragem? Também não sei. A dor e a decisão que tomamos em relação a nossas vidas é algo individual. No momento de desespero somos capazes de tudo e por saber exatamente como é a dor de perder alguém nunca julgaria Nando, apenas lamentaria.

Bia agora tinha um grande peso nas costas, a dor da culpa. Olhem aí outra dor que consome e pode ser tão ou mais forte que as outras. Jessé não lhe perdoava de jeito nenhum e Bia não conseguia mais viver no Rio de Janeiro. Tudo lembrava Nando, Jessé e a tragédia. Decidiu ir para a Argentina de vez.

Minha mãe assumiu a ONG definitivamente e fui com Samuel e Guga levar nossa amiga ao aeroporto.

Lá dei um abraço nela e disse "Você está viva. Aproveite essa vida que tem para tentar ser feliz". Ela sorriu, passou a mão em meu rosto e completei "Uma mulher sábia me disse uma vez. Não crie juízo, crie histórias de amor. Continue criando as suas”.

Bia se despediu e partiu para criar.

Gabriel e Thais decidiram criar a deles também. Thais se encheu de coragem e contou a meu filho que depois de um jogo importante da Portuguesa contaria a verdade para Ronaldo e se separaria.

Era a final da segunda divisão e Thais estava na arquibancada vendo o jogo. Ronaldo fez um gol e comemorou fazendo coraçãozinho para ela que constrangida sorriu.

Depois de um tempo Ronaldo se agachou e levantou de novo. O juiz se aproximou, perguntou se estava tudo bem e ele respondeu que sim. Até que ele parou, botou a mão no peito e caiu.

Os jogadores em desespero cercaram Ronaldo e começaram a pedir por ambulância. A mesma entrou em campo, fez massagens cardíacas e levou o jogador desacordado com Thais em desespero correndo pelas sociais do clube para encontrá-lo

Um novo drama se iniciava.


CAPÍTULO ANTERIOR:

AMORES VEM E VÃO 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

LULA PRESO AMANHÃ?


Nesse vídeo de hoje falo um pouco da lava jato, o jeito brasileiro de ser e como a mídia foca a figura de Lula visando também as eleições de 2018.


Tirem suas próprias conclusões.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

SOBE O SOM: THE STYLISTICS


Os Stylistics são um grupo norte-americano de R&B, tendo sido um dos mais conhecidos da Philadelphia soul na primeira metade da década de 1970. Eles foram formados em 1968, na Filadélfia, por Russell Thompkins, Jr., Herbie Murrell, Airrion Love, James Smith e James Dunn.

Os Stylistics nasceram em 1968, quando membros de dois grupos de soul da Philadelphia juntaram-se. Thompkins, James Smith e Airrion Love, do grupo The Monarchs, e James Dunn e Herbie Murrell, do grupo The Percussions. Em 1970, o grupo gravou o primeiro hit da carreira. O sucesso viria a partir de 1972, quando eles assinaram contrato com o selo Avco Records. Depois de trabalhar com os grupos The Spinners e The O'Jays, o compositor e arranjador Thom Bell começou a produzir para os Stylistics. Durante este período, a banda obteve 12 Top 10 consecutivos na parada norte-americana (Billboard) com agradáveis baladas, compostas por Thom Bell e Linda Creed, que consagraram os Stylistics como um dos grupos de soul mais populares da primeira metade dos anos setenta - notadamente pelos falsetes de Russell Thompkins Jr. a magnífica produção de Bell.

Mas depois de Bell deixar de produzir o grupo, os Stylistics entraram em declínio nos Estados Unidos, mas ainda permaneceram populares na Europa, particularmente no Reino Unido. Em 1980, Dunn deixou o grupo por motivos de saúde, e anos mais tarde Smith fez o mesmo. Os Stylistics seguiu se apresentando como trio on oldies em concertos nos anos noventa.

Então vamos lá!!


Sobe o som The Stylistics!!


You are everything


Betcha by golly now


People make the world


Break up to make up


Stop, look, listen


Children of the night


Tears and souvenirs


Pay back is a dog


Sing baby sing


You`ll never get to heaven


Because i love you, girl


Ebony eyes


Bem. Aí está um pouco do romantismo dessa grande banda americana, semana que vem tem a irreverência de uma brasileira. Tem Molejão!!


Enquanto isso Deus te abençoe.


SOBE O SOM ANTERIOR:

FAFÁ DE BELÉM & ELBA RAMALHO

quarta-feira, 19 de abril de 2017

CINEBLOG: DOUTOR JIVAGO


Cineblog fala hoje de um filme marcante e que passava muito no "Sessão da tarde" em minha infância.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Doutor. Jivago



Doctor Zhivago (no Brasil e em Portugal, Doutor Jivago é um filme norte-americano de 1965 dos gêneros drama, épico, guerra e romance, dirigido por David Lean. O filme é baseado no romance homônimo de 1956 de Boris Pasternak.


Sinopse



A Revolução Russa de 1917 serve de cenário para a história de amor entre Yuri Jivago, um jovem médico aristocrata e Lara Antipova, uma enfermeira plebeia.

Lara é filha de uma costureira russa que, viúva, apenas consegue sustentar a casa em que ambas moram graças ao dinheiro que lhe é dado periodicamente por Victor Komarovsky, um importante e inescrupuloso expoente da sociedade local.

Apesar de Victor e a viúva manterem um relacionamento "secreto", o homem se encanta pela beleza da doce Lara, que contava com apenas 17 anos quando ambos se beijaram pela primeira vez na volta de uma festa.

Apesar da relação vexatória mantida entre Lara e Victor, Pascha Strelnikoff, jovem romântico e revolucionário, apaixona-se pela menina e começa a namorá-la.

Enquanto a relação de Lara e Victor mostra-se destrutiva (a mãe de Lara, ao descobrir o relacionamento, tenta se matar), o namoro de Pascha e a moça se mostra uma saída sensata para ela dessa confusão, pois o moço a pede em casamento e ela aceita.

Ao saber do pedido, Victor discute com Lara e a violenta, chamando-a em seguida de "vagabunda". Lara descontrola-se e invade uma festa de Natal na alta sociedade russa para tentar matar, sem sucesso, o ex-amante.

Jivago, que já havia visto Lara ao salvar sua mãe do suicídio, estava presente na festa com sua noiva, Tonya, e fica surpreso com a atitude e coragem da jovem. Apesar da impressão deixada, eles só se encontram anos mais tarde, ao serem voluntários (médico e enfermeira, respectivamente) na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

A esta altura, Jivago está casado e tem um filho com Tonya, enquanto Lara procura seu marido Pascha, que sumiu durante uma missão na Guerra. Por passarem seis meses juntos em uma situação tão adversa, a aproximação dos dois é inevitável.

Com o fim da Guerra, Jivago e Lara voltam para suas famílias e perdem o contato. Ao voltar para casa, Jivago se depara com a decadência da alta sociedade russa e decide fugir para o interior com sua esposa, filho e sogro.


Elenco Principal



Omar Sharif .... Yuri Jivago
Julie Christie .... Lara Antipova
Geraldine Chaplin .... Tonya
Rod Steiger .... Victor Komarovsky
Alec Guiness .... general Yevgraf Jivago
Tom Courtenay .... Pasha Strelnikov
Siobhan McKena .... Ana
Ralph Richardson .... Alexander Gromeko
Jeffrey Rockland .... Sasha
Tarek Sharif .... Yuri - jovem
Bernard Kay .... bolchevique
Klaus Kinski .... Kostoyed Amourski
Rita Tushingham .... garota


Principais prêmios e indicações



Oscar 1966 (EUA)

Ganhou cinco prêmios, nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte - A Cores, Melhor Fotografia - A Cores, Melhor Figurino - A Cores e Melhor Trilha Sonora.

Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Tom Courtenay), Melhor Edição e Melhor Som.

Globo de Ouro 1966 (EUA)

Ganhou nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator - Drama (Omar Sharif), Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.

Recebeu ainda uma indicação na categoria de Melhor Revelação Feminina (Geraldine Chaplin).

BAFTA 1967 (Reino Unido)

Recebeu três indicações, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Britânico (Ralph Richardson) e Melhor Atriz Britânica (Julie Christie).

Grammy 1967 (EUA)

Ganhou na categoria de Melhor Trilha Sonora Composta Para um Filme.

Festival de Cannes 1966 (França)

Indicado à Palma de Ouro.

Prêmio David di Donatello 1967 (Itália)

Venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.


Cineblog volta em duas semanas com "Auto da Compadecida".


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O BEM DOTADO, O HOMEM DE ITU

terça-feira, 18 de abril de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO VI - AMORES VEM E VÃO


A ONG ficou bem destruída e eu ajudei na reconstrução através de recursos e parcerias que estabeleci.

Meu filho botou a "mão no batente'. Continuou cumprindo sua pena, mas agora ajudando na reconstrução da mesma. Chegava cedo todos o dias e metia a mão na passa. Retirava o lixo, passava cimento, colocava tijolos. Mas não era mais pela pena e sim por gostar do local que conheceu.

Mas com a destruição da ONG ocorreu a separação. Thais continuava trabalhando, mas agora em um colégio na Lagoa. Meu filho mesmo com a distância não desistiria da menina.

Descobriu onde ela trabalhava e resolveu "aprontar". Pediu ajuda a Ericka e colocou o plano em prática.

Foi até a frente do colégio onde a jovem trabalhava e discretamente furou um dos pneus do carro.

Thais saiu do trabalho e pôs a mão na cabeça em desespero ao ver o pneu furado. “Patricinha” como era, mesmo assim tentou trocar o pneu. Pensou "Não deve ser difícil". abriu o porta malas, pegou o macaco, reclamando do peso pegou o pneu e levou até perto do pneu furado. Olhou e disse "Só botar o macaco embaixo, desparafusar, tirar esse e botar o outro, moleza".

Enquanto pensava o pneu desceu a ladeira onde Thais se encontrava. A moça correu desesperada atrás até que alcançou no fim da rua. Cansada sentou segurando o pneu, olhou para cima vendo que a ladeira não seria fácil para subir e se lamentou.

Nessa hora surgiu o "super herói". Gabriel.

Meu filho estava "de carona" no carro dirigido por Ericka e perguntou se estava tudo bem. Antes que Thais respondesse Ericka disse "Claro que não. Não viu que roubaram o carro dela e só restou o pneu?".

Gabriel respondeu que aquilo era muito sério e precisavam ir a polícia dar queixa do roubo. Thais, injuriada, cortou dizendo que era nada daquilo. O carro estava inteiro em cima da ladeira. Gabriel perguntou "Por quê o pneu ta aqui e o restante do carro lá? Eles brigaram?".

Irritada, Thais se despediu e começou a subir com o pneu. Carregava com dificuldades quando Ericka se aproximou e ofereceu carona até o carro. Thais recusou e Ericka insistiu mandando que ela parasse de bobeira e que não teria forças para subir com o pneu.

Ela aceitou, mas com uma condição. Que Gabriel saísse do carro. Ele riu, mas Ericka respondeu "Ok, Gabriel fora do carro".

Ele nada entendeu quando a tia completou "Vai Gabriel, vaza". O meu filho desceu e foi obrigado a subir andando enquanto elas foram de carro.

O calor estava grande e Gabriel chegou extenuado na frente do colégio. Suava enquanto Thais ria e perguntava se ele estava com calor. No local Gabriel e Ericka fingiram surpresa ao ver o pneu furado e Ericka ofereceu a ajuda do sobrinho para trocar. Thais recusou e disse que poderia fazer sozinha.

Gabriel comprou uma água com um vendedor próximo, encostou no carro da tia e respondeu "Beleza". Thais perguntou "Beleza?" e meu filho respondeu "Sim, boa sorte aí, vou assistir".

Thais respirou fundo e começou a tentar. Ericka pediu desculpas e disse que não poderia ajudar porque acabara de fazer as unhas e não sabia trocar. Thais toda enrolada tentava e não conseguia. Tentava desparafusar o pneu e nada. Subia em cima do macaco para alavancar e também nada. Ericka e Gabriel apenas assistiam em silêncio.

Depois de um tempo tentando a roda ameaçou descer de novo, mas Gabriel impediu e segurou. Thais suando, extenuada, apenas olhou quando meu filho disse "Dá licença".

Afastou a moça e começou a trocar o pneu.

Enquanto iniciava Ericka comentou "Vamos Thais, vamos à lanchonete lá embaixo tomar um suco que você está precisando".

Gabriel parou e perguntou "E eu?". Ericka respondeu "Você fica aí trocando o pneu". Thais sorriu e completou "Já gostei de você”. As duas entraram no carro de Ericka e desceram deixando Gabriel suando e trocando o pneu.

Thais e Ericka entraram na lanchonete, sentaram e pediram sucos. Thais, curiosa, perguntou qual era a relação deles e Ericka enquanto experimentava seu suco respondeu "sou tia dele".

Thais sorriu e achou curioso que tivessem a mesma idade na fisionomia e fosse tia. Ericka respondeu que sua irmã morreu antes dela nascer. Thais olhou para baixo e comentou "Que triste. Ele nunca comentou que tinha perdido a mãe".

Ericka bebeu mais um gole e perguntou "Você ta afim dele né?". Nervosa, Thais desmentiu na hora e respondeu que era noiva.

Ericka continuou "O fato de ser noiva não quer dizer que não esteja a fim e posso te garantir. Ele tem pegada".

Thais ainda tentava entender como ela sabia quando a outra respondeu "Tivemos um caso". Antes que Thais pudesse falar algo Gabriel chegou "morto” na lanchonete dizendo que o pneu estava trocado.

Assim que ele sentou Ericka levantou e disse que estava na hora de irem. Thais ria enquanto Gabriel reclamava que queria ao menos descansar e tomar um suco. As duas mulheres trocaram beijinhos, telefones e assim começava uma amizade enquanto Gabriel, injuriado, acompanhava a tia para ir embora.

Gabriel entrou no carro reclamando da tia. Reclamou que estava sujo, suado, fedendo e furou o pneu a toa. Ericka riu, respondeu que tudo tinha o seu tempo e finalizou "Ela gosta de você".

Gabriel quis saber detalhes, se Thais contara algo e ligando o carro a tia respondeu "Não precisa, mulher sabe”.

Dessa forma partiram com meu filho cheio de esperança.

Eu prosseguia minha vida. Em mais um sonho vi Camila. Mas dessa vez não foi no Arpoador, foi em um campo aberto.

Estávamos um ao lado do outro olhando crianças brincando e Camila comentou sobre quando Gabriel tinha aquele tamanho e nós dois víamos brincar. Respondi que ele sempre fora o mais bonito e mais esperto, desde garoto. Camila virou para mim e disse "Virou um grande homem graças a você".

Começamos a andar e comentei que ele estava apaixonado. Camila respondeu que sabia e completou "Não só ele".

Parei, olhei para ela e perguntei quem mais. Camila me deu um beijo no rosto, começou a andar sozinha, se virou e me disse "Olhe por nossos amigos".

Perguntei o que ela queria dizer com aquilo, mas antes de qualquer coisa acordei.

Fui para o trabalho e enquanto estava na correria vi Nando preocupado. Meu amigo estava mais quieto que o normal, disperso e perguntei a pessoas próximas o que ele tinha. Responderam que já estava assim há dias.

Ele estava estranho e eu trabalhava tanto que não percebi. Por isso Camila falou "Olhe por seus amigos".

Tomei coragem e fui ao ponto. Chamei Nando em um canto e disse que queria conversar.

Saímos juntos após o expediente e meu amigo, preocupado, perguntou se fizera algo errado. Respondi que não, mas estava preocupado com ele, perguntei o que ele tinha.

Nando olhou para o chão, respirou fundo e contou. Achava que Bia estava lhe traindo.

Respondi que era impossível, Bia nunca faria isso e ele contou "Ela está estranha e tenho notado coisas. Não to enganado Toninho. Da pra ver nos olhos dela que ela não me ama mais".

Tentava tirar os pensamentos de sua mente, mas ele continuou "Ela tinha perdido o brilho nos olhos, o brilho que as pessoas que amam tem e recuperou. Não é para mim esse brilho".

Lembrei de minha conversa com Bia e não tive muito mais o que falar.

Mas precisava falar com ela.

Chamei minha amiga para uma conversa séria. Bia perguntou qual era o problema e eu devolvi a pergunta. Ela se fez de desentendida, que não sabia do que eu falava e retruquei "Você sabe sim Bia".

Minha amiga andou pela sala onde estávamos,voltou e disse "estou tendo um caso". Passei a mão no rosto enquanto ela se aproximou e pediu que não lhe julgasse. Perguntei quem era, se era conhecido e ela contou toda a história.

O nome dele era Ruben, ele era um empresário argentino que tinha negócios no Rio de Janeiro. Vinha pelo menos uma vez por semana na cidade, tinha negócios, parceria com nossa fundação e desse encontro acabou nascendo a paixão. Amor como ela preferiu dizer.

Comentei que ela tinha que pensar bem, tinha uma família, um casamento sólido. Bia olhou para mim e disse "Sua história de amor começou de uma fuga de altar". Não tive argumentos.

Ficamos algum tempo em silêncio e perguntei o que ela faria. Bia me olhou nos olhos novamente e respondeu "A única coisa que posso fazer".

Na noite seguinte comia pizza com Guga vendo futebol quando a campainha tocou. Levantei, abri a porta e dei de cara com Bia chorando e uma mala. Minha amiga apenas me abraçou. Abracei forte imaginando o que ocorrera.

Guga e eu sentamos com Bia que nos contou que disse a verdade toda a Nando, o homem reagiu muito mal, ficou transtornado e não queria aceitar a situação. Guga perguntou o que estava ocorrendo enquanto eu falava que por pior que fosse era o único caminho que podia ser seguido.

Guga perguntava o que nós escondíamos enquanto eu abraçava minha amiga e tentava acalmar seu choro.

Bia dormiu em nosso apartamento e no dia seguinte Guga e eu comíamos pizza requentada da noite anterior conversando sobre a situação. Eu pensava em Nando e na barra que ele devia estar passando enquanto Guga comia e respondia "Imagino, perder mulher nunca é fácil. Imagino como você ficou quando perdeu a Amanda pra mim".

Mais uma vez respondi que não perdera Amanda, que eu tinha terminado o namoro com ela quando a campainha tocou. Guga atendeu e era Jessé perguntando se a mãe estava.

Antes que eu respondesse minha amiga apareceu e cumprimentou o filho. Falei que eu e Guga sairíamos, que eles deviam ter muito a conversar quando Jessé respondeu que ninguém precisava sair e que o que ele queria era muito simples. Que a mãe voltasse pra casa.

Bia perguntou por quê e Jessé respondeu "Porque seu lugar é lá, somos uma família". Bia retrucou "Que somos uma família concordo e sempre seremos. Para sempre serei sua mãe e para sempre vou amar seu pai, só que agora de uma forma diferente".

Jessé não queria aceitar. Insistentemente pedia que a mãe voltasse, que o pai estava sofrendo e Bia respondia que não. Jessé então, com raiva, perguntou "Vai deixar meu pai por causa de um argentino?".

Bia perguntou se era esse o problema, ele ser um argentino e que se fosse brasileiro não teria problemas. Jessé, cada vez mais irritado gritava que não era justo com eu pai. Bia respondeu "A vida não é
justa filho e só vivemos uma vez. Não podemos perder nenhuma oportunidade de felicidade".

Jessé gritou que a mãe se arrependeria se algo ocorresse com o pai e foi embora. Gabriel, que já aparecera na sala, falou pra tia ficar tranquila que iria atrás de Jessé e foi. Bia não aguentou e sentou chorando sendo consolada por mim e Guga.

Gabriel foi atrás de Jessé, tentou conversar com o amigo, mas a situação não estava fácil. A separação era em definitivo. Nando ficou muito mal, parecia um "zumbi" no trabalho, até começar a faltar o mesmo e exagerar na bebida. Bia prosseguia. Ficou só mais uns dias em nosso apartamento, alugou um apart e oficializou o namoro com Ruben quando o mesmo chegou no Brasil.

Jessé não aceitava e parou de falar com a mãe. O garoto tomou partido do pai morando com ele e se jogou de cabeça nos estudos da escola naval.

Amores vem e vão. Acabou o amor entre Bia e Nando, começou entre Bia e Ruben e Gabriel tentava engatar com Thais.

Ericka e Thais  realmente ficaram amigas do tipo de saírem juntas. Thais se juntou a turma que incluía Francisco, Jessé e meu filho Gabriel. O problema que junto com ela veio Ronaldo.

Ronaldo era um centroavante trombador e voluntarioso da Portuguesa da Ilha do Governador, time pequeno do futebol carioca. Mas isso não era problema para ele, não vivia de futebol. Ronaldo vinha de família rica e jogava bola por prazer.

Ronaldo não entrou nessa história por ser jogador de futebol. Entrou por ser noivo de Thais.

Thais levou Ronaldo em um jantarzinho que Ericka fez no apartamento em que morava. Estavam todos lá e Gabriel logo fechou a cara ao ver o casal. Todos jantaram, beberam, jogavam conversa fora e Gabriel não conseguia tirar os olhos de Thais que às vezes olhava de volta.

Em determinado momento Thais foi sozinha na sacada do apartamento e Gabriel se aproximou. Ele encostou-se à sacada ao lado dela e disse "Você devia parar de olhar pra mim. Seu noivo vai desconfiar". Thais riu e respondeu que ele era muito pretensioso. Gabriel continuou "Já que é para escancarar devíamos então reunir todos e dizer que estamos apaixonados. Assumir nossa relação".

Thais gargalhou dizendo que ele era louco, sentia nada por Gabriel que sorrindo retrucou "Sente sim e você sabe disso".

Naquele instante Ronaldo e Ericka se aproximaram chamando os dois para jogo de mímica. Ronaldo e Thais entraram na frente. Atrás Ericka segurou Gabriel e disse “Calma, você ta dando muita bandeira". Gabriel, com seu sorriso de sempre respondeu "Quero dar todas as bandeiras do mundo".

Fizeram o jogo de mímica. Thais em dupla com Ronaldo, Ericka com Gabriel e meu filho não conseguia tirar os olhos dela.

Gabriel dava um jeito de sempre estar por perto de Thais. Sempre existia uma "coincidência" que aproximava os dois. Thais mostrava irritação com essa aproximação toda de meu filho, mas no fundo ela gostava. Pelo menos Gabriel tinha certeza disso.

Uma noite Gabriel esbarrou com Thais na rua e a moça reclamou. Mandou que ele parasse de seguir e lhe importunar. Meu filho respondeu que não fazia isso e ela ameaçou dizendo que se ele continuasse iria dar queixa e para a situação penal de meu filho isso não seria nada bom.

Gabriel se irritou e disse que ela era muito chata dando tchau. Thais respondeu o tchau e ele se virou para ir embora. Thais tirou a chave do carro para abrir a porta e ir embora quando sentiu algo frio na cabeça. Era uma arma.

Thais gelou. O homem disse em seu ouvido "Abra calmamente a porta e vá para o banco do carona, nós vamos dar uma volta". Thais se desesperou, tentava abrir a porta, não conseguia e irritou o bandido que disse que se ela não abrisse iria matá-la.

O bandido falou e tomou um soco por traz que lhe atingiu parte da orelha e do rosto e caiu. Era Gabriel. O homem caiu, a arma caiu para outro lado e Gabriel começou a chutá-lo no chão. O bandido levantou e os dois começaram a brigar, trocar socos até que Thais pegou a arma e mandou que parassem.

Gabriel pediu que ela se acalmasse e não fizesse nenhuma besteira. Na distração o ladrão correu. Gabriel fez menção de correr atrás, mas Thais, muito nervosa, jogou a arma no chão e pediu para que Gabriel não lhe deixasse sozinha.

Gabriel se aproximou da moça que chorando muito lhe abraçou e desmaiou. Gabriel ficou sem saber o que fazer. Depois de um tempo com Thais em seus braços lhe colocou no banco de carona, respirou fundo, pegou a chave e ligou o carro indo para um hospital.

Chegando lá Thais acordou e foi conduzida até a emergência. Foi prontamente atendida, medicada e liberada para ir pra casa.

Gabriel levou Thais, os dois em silêncio. Chegando no local Thais desceu e agradeceu. Comentou que ele se arriscara muito dirigindo e podia se complicar caso a polícia lhe parasse.

Gabriel respondeu que por ela valia a pena e brincou dizendo que fazia bem em sempre estar por perto dela. Thais riu, mandou que não abusasse e agradeceu.

Fez menção de entrar quando Gabriel lhe puxou e beijou.

Dessa vez ela não reagiu indignada nem lhe bateu. Apenas se afastou, agradeceu de novo e entrou.

Gabriel se virou para ir embora quando ela voltou e lhe puxou. Gabriel se virou e Thais lhe deu um beijo apaixonado, sorriu e entrou de novo.

Gabriel ficou um tempo olhando a porta e começou a andar para ir embora. Começou a sorrir e deu um soco no ar como Pelé comemorando um gol.

Era o gol de sua vida.




CAPÍTULO ANTERIOR:

RECOMEÇO

sexta-feira, 14 de abril de 2017

TRADUÇÃO EM MIÚDOS: YOU`RE THE FIRST, THE LAST, MY EVERYTHING


Tradução em miúdos traz hoje para o blog mais uma tradução de uma emocionante canção. De uma música que atravessa décadas..

"You`re the first, the last, my everything" é uma das músicas mais conhecidas da carreira do maestro Barry White. Barry Eugene Carter, mais conhecido como Barry White foi um importante cantor, músico, produtor e maestro norte americano nascido em 1944 e falecido em 2003 dono de uma voz grave exuberante e profunda que conquistou vários casais de namorados ao longo das mais diversas gerações. Barry era capaz de emocionar com sua voz, swing e arranjos maravilhosos de músicas que serviam para dançar e amar.

E nada melhor que nessa sexta-feira santa lhe dedicarmos em forma de homenagem essa bonita tradução feita pela blog. Porque você é minha first, last, everything.



Tradução



Música original



Em duas semanas "Tradução em miúdos" está de volta.


TRADUÇÃO EM MIÚDOS ANTERIOR:

I`D RATHER HURT MYSELF

quinta-feira, 13 de abril de 2017

SOBE O SOM: FAFÁ DE BELÉM & ELBA RAMALHO


Fafá de Belém, nascida Maria de Fátima Palha de Figueiredo OMC (Belém, 9 de agosto de 1956), é uma cantora e atriz brasileira, que começou sua carreira musical fazendo pequenas apresentações em eventos. Fafá ganhou reconhecimento nacional quando, em 1975, quando música cantada por ela, foi introduzida na trilha sonora da telenovela Gabriela.

Filha do advogado e bancário Joaquim de Figueiredo (Seu Fefê) - falecido em 1997 - e de Eneida Palha, filha de uma família de políticos da região , Fafá pertencia a uma família de classe média-alta da capital paraense e desde a infância destacava-se nas reuniões familiares com a voz afinada. Na adolescência já gostava de música e, em parceria com amigos, fez alguns espetáculos em bares e casas noturnas, fugindo de casa para realizar tal fato.

Em 1973 conheceu o baiano Roberto Santana, produtor do grupo Quinteto Violado e musical da Polygram, que a aconselhou a investir na carreira fonográfica. Incentivada por este, apresentou-se em alguns lugares como Rio de Janeiro, Salvador e em Belém. Nesse mesmo ano, estreou como cantora profissional no musical Tem muita goma no meu tacacá, que satirizou o cenário político da época..Como as cantoras de sua geração, foi fortemente influenciada por cantores consagrados da MPB como Maysa, Roberto Carlos, Cauby Peixoto e os grupos Jovem Guarda e Beatles, ouvindo-os com entusiasmo, além de outros gêneros, como jazz, música clássica, e os grandes ídolos do rádio.

Elba Maria Nunes Ramalho (Conceição, 17 de agosto de 1951) é uma cantora e atriz brasileira. Sua primeira experiência musical veio em 1968, tocando bateria no conjunto feminino "As Brasas". Posteriormente, o grupo se transformou de musical para teatral. Contudo, Elba continuou a cantar e a participar de festivais pelo Nordeste brasileiro. Em 1979, lançou seu primeiro álbum, "Ave de Prata". e desde então consolidou-se como uma das principais cantoras brasileiras em atividade.

É bicampeã do Grammy Latino, pelos álbuns: Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?, lançado em 2008 e Balaio de Amor, 2009, na categoria Melhor Álbum de Raízes Brasileiras: Regional e Tropical. Em mais de 35 anos de carreira, Elba Ramalho vendeu mais de 10 milhões de discos. Recebeu da Associação de Críticos de Arte de São Paulo prêmio de "Melhor Show do Ano", em duas ocasiões: em 1989 pelo show Popular Brasileira e em 1996 pelo show Leão do Norte.

Em 1966, participou, pela primeira vez, de uma apresentação no palco, no Coral da Fundação Artística e Cultural Manuel Bandeira, do qual fazia parte, com "Evocação do Recife". Os Corais Falados Manuel Bandeira e Cecília Meireles ganharam fama e passaram a ser vistos por todo o Nordeste, com destaque para as apresentações da futura cantora. Protagonizou as montagens poéticas de Castro Alves, Thiago de Mello, Lindolfo Bell, Carlos Pena Filho e Figueiredo Agra. Participou das montagens das peças "Ministro do Supremo" e "Diálogo das Carmelitas"

Então vamos lá!!


Sobe o som Fafá de Belém & Elba Ramalho!!


Abandonada (Fafá de Belém)


Coração do Agreste (Fafá de Belém)


Amor cigano (Fafá de Belém)


Meu homem (Fafá de Belém)


Foi assim (Fafá de Belém)


Vermelho (Fafá de Belém)


Filho da Bahia (Fafá de Belém)


O homem que amei (Fafá de Belém)


Amor da minha vida (Fafá de Belém)


Ave Maria (Fafá de Belém)



De volta pro aconchego (Elba Ramalho) - Com Dominguinhos


O xote das meninas (Elba Ramalho)


Bate coração (Elba Ramalho)


Imaculada (Elba Ramalho)


Felicidade urgente (Elba Ramalho)


Ciranda da rosa vermelha (Elba Ramalho)


Chão de giz (Elba Ramalho) - Com Zé Ramalho


Sanfoninha choradeira (Elba Ramalho) - Com Luiz Gonzaga


Nordeste Independente (Elba Ramalho)


Frisson (Elba Ramalho)


Está aí um pouco da obra dessas duas grandes estrelas da MPB. Semana que vem tem romantismo. Tem The Stylistics.


Enquanto isso uma nuvem de lágrimas cobre meus olhos.


Quando lembro daquele banho de cheiro...


SOBE O SOM ANTERIOR:

BOB DYLAN

quarta-feira, 12 de abril de 2017

TROCANDO EM ARTES: HAMLET


Hoje "Trocando em artes" traz um biscoito fino da cultura mundial. Uma das maiores peças de teatro já feitas.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Hamlet



Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

Apesar da enorme investigação que se faz acerca do texto, o ano exato em que Shakespeare o escreveu permanece em debate. Três primeiras versões da peça sobreviveram aos nossos dias: essas são conhecidas como o Primeiro Quarto (Q1), o Segundo Quarto (Q2) e o First Folio (F1). Cada uma dessas possui linhas ou mesmo cenas que estão ausentes nas outras. Acredita-se que Shakespeare escreveu Hamlet baseado na lenda de Amleto, preservada no século XIII pelo cronista Saxo Grammaticus em seu Gesta Danorum e, mais tarde, retomada por François de Belleforest no século XVI, e numa suposta peça do teatro isabelino conhecida hoje como Ur-Hamlet.

Dada a estrutura dramática e a profundidade de caracterização, Hamlet pode ser analisada, interpretada e debatida por diversas perspectivas. Por exemplo, os estudiosos têm-se intrigado ao longo dos séculos sobre a hesitação de Hamlet em matar seu tio. Alguns encaram o ato como uma técnica de prolongar a ação do enredo, mas outros o vêem como o resultado da pressão exercida pelas complexas questões éticas e filosóficas que cercam o assassinato a sangue-frio, resultado de uma vingança calculada e de um desejo frustrado. Mais recentemente, críticos psicanalíticos têm examinado o elemento da mente inconsciente de Hamlet, enquanto críticos feministas reavaliam e reabilitam o caráter de personagens como Ofélia e Gertrudes.

Hamlet é a peça mais longa de Shakespeare, e provavelmente a que mais trabalho lhe deu, mas encontrou nos tempos um espaço que a consagrou como uma das mais poderosas e influentes tragédias em língua inglesa: durante o tempo de vida de Shakespeare, a peça estava entre uma das mais populares da Inglaterra e ainda figura entre os textos mais realizados do mundo, no topo, inclusive, da lista da Royal Shakespeare Company desde 1879. Escrita para o Lord Chamberlain's Men, calcula-se que sobre Hamlet já se escreveram cerca de 80.000 volumes, muitos deles certamente são obras de grandes nomes que foram influenciados pela tragédia shakespeariana, como Machado e Goethe e Dickens e Joyce, além de ser considerada por muitos críticos e artistas de todo o planeta como uma obra rica, aberta, universal e muitas vezes perfeita


Sinopse



O protagonista de Hamlet é o Príncipe Hamlet de Dinamarca, filho do recentemente morto Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio, irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei Hamlet, Cláudio casa-se apressadamente com a então viúva Gertrudes, mãe do príncipe. No cenário histórico a Dinamarca está em disputa com a vizinha Noruega, e existe a expectativa de uma suposta invasão liderada pelo príncipe norueguês Fórtinbras.

A peça abre numa noite fria no Castelo de Elsinore, o Castelo Real Dinamarquês. Os sentinelas tentam convencer Horácio, amigo do Príncipe Hamlet, que eles têm visto o fantasma do rei morto, quando ele aparece novamente. Depois do encontro de Horácio com o Fantasma, Hamlet resolve vê-lo com seus próprios olhos. À noite, o Fantasma aparece para Hamlet. O espectro diz a Hamlet que é o espírito de seu pai morto, e revela que Cláudio o matou com um frasco de veneno, despejando o líquido em seu ouvido. O Fantasma pede que Hamlet vingue sua morte; Hamlet concorda, com pena do espectro, decidindo fingir-se de louco para não levantar suspeitas. Ele, contudo, duvida da personalidade do fantasma. Ocupados com os assuntos de Estado, Cláudio e Gertrudes tentam evitar a invasão de Fórtinbras. Um tanto preocupados com o comportamento solitário e errático de Hamlet, acrescido de seu luto profundo diante da morte do pai, eles convidam dois amigos do príncipe - Rosencrantz e Guildenstern - para descobrirem a causa da mudança de comportamento de Hamlet. Hamlet recebe os companheiros calorosamente, todavia logo discerne que eles estão contra ele.

Polônio é o conselheiro-chefe de Cláudio; seu filho, Laertes, está indo de viagem à França, enquanto sua irmã, Ofélia é cortejada por Hamlet. Nem Polônio nem Laertes acreditam que Hamlet nutra desejos sinceros com Ofélia, e ambos alertam para ela esquecê-lo. Pouco depois, Ofélia fica alarmada pelo comportamento estranho de Hamlet e confessa ao pai que o príncipe irá ter com ela num dos aposentos do castelo, mas olha fixamente para ela e nada se diz. Polônio assume que o "êxtase do amor" é o responsável pela loucura de Hamlet, e informa isso a Cláudio e Gertrudes. Mais tarde, Hamlet discute com Ofélia e insiste para que ela vá "a um convento".

Hamlet continua sem saber se o espírito lhe contou a verdade, mas a chegada de uma trupe artística em Elsinore apresenta-se como uma solução para a dúvida. Ele vai montar uma peça, encenando o assassinato do pai - assim como o espectro lhe relatou - e determinar, com a ajuda de Horácio, a culpa ou a inocência de Cláudio, estudando sua reação. Toda a corte é convocada para assistir ao espetáculo; Hamlet fornece comentários durante toda a encenação. Quando a cena do assassinato é realizada, Cláudio, "muito pálido, ergue-se cambaleante", ato que Hamlet interpreta como prova de sua culpabilidade. O rei, temendo pela própria vida, bane Hamlet à Inglaterra em um pretexto, vigiado por Rosencrantz e Guildenstern, com uma carta que manda o portador ser assassinado.

Gertrudes, "em grandíssima aflição de espírito", chama o filho em sua câmara e pede uma explicação sensata sobre a conduta que resultou no mal-estar do rei. Durante o caminho, Hamlet encontra-se com Cláudio rezando, distraído. Hamlet hesita em matá-lo, pois raciocina que enviaria o rei ao céu, por ele estar orando. No quarto da rainha, mãe e filho têm um debate fervoroso. Polônio, que espia tudo por detrás das cortinas, denuncia-se ao fazer um barulho; Hamlet, acreditando ser Cláudio, dá uma estocada através do arrás e descobre Polônio morto. O Fantasma aparece, dizendo que Hamlet deve acolher sua mãe suavemente, embora volte a pedir vingança.

Demente em luto pela morte do pai, Ofélia caminha por Elsinore cantando libertinagens. Laertes retorna da França enfurecido pela morte do pai e melancólico pela loucura da irmã. Cláudio convence Laertes que Hamlet é o único responsável pelo acontecido; e é então que chega a notícia de que o príncipe voltou à Dinamarca porque seu barco foi atacado por piratas no caminho da Inglaterra. Rapidamente Cláudio propõe a Laertes uma luta de espadas entre ele e Hamlet onde o primeiro dos dois utilizará uma espada envenenada, sendo que na ocasião será oferecido ao príncipe uma taça de vinho com veneno, se o "plano A" falhar. Até que Gertrudes interrompe a conversa dizendo que Ofélia afogou-se.

Vemos depois dois rústicos discutindo o aparente suicídio de Ofélia num cemitério, preparando-se para cavar sua sepultura. Hamlet aparece com Horácio e se aproxima de um dos rústicos, que depois segura um crânio que conta ser de Yorick, um bobo da corte que Hamlet conheceu na infância. Quando o cortejo fúnebre de Ofélia aparece liderado por Laertes e Hamlet descobre que o rústico cavava a sepultura da moça, ele e Laertes se investem em luta, na cova, dizendo amar Ofélia, mas o conflito é separado pelos demais.

No regresso a Elsinore, Hamlet conta a Horácio como escapou do destino mortal que foi entregue a Rosencrantz e Guildenstern. Interrompendo a conversa, Orisco aparece para convidar o príncipe a um combate de armas brancas proposto pelo rei. Quando o exército de Fórtinbras cerca Elsinore, a competição começa e ambos os cavalheiros tomam posição. O rei, como planejou anteriormente, separa a taça envenenada e deposita dentro do líquido uma pérola, oferecendo-a a Hamlet, que deixa a bebida para depois. Hamlet vence o primeiro e o segundo assalto, e a rainha toma a taça envenenada, "bebendo a sua sorte".

Enquanto a mãe enxuga a face do filho, Laertes decide feri-lo com a arma envenenada. Hamlet, usando sua força, atraca-se com o inimigo e, no corpo-a-corpo, trocam as espadas. Ele penetra profundamente em Laertes o item envenenado. A rainha confessa que morre por conta do veneno, enquanto Laertes revela que o rei é o culpado de toda a infâmia. A rainha morre envenenada.

Hamlet fere o rei com a espada envenenada, mas ele diz estar apenas machucado. Furioso, o sobrinho obriga Cláudio a beber a taça com veneno à força, e o mata, vingando a morte de seu pai. Laertes, morrendo aos poucos, despede-se de Hamlet, ambos perdoam-se. Quando é a vez de Hamlet, Horácio diz que será fiel ao príncipe morrendo junto com ele, mas o primeiro não permite, tombando para trás e dizendo que a eleição cairá certamente em Fórtinbras. Hamlet morre, dizendo "O resto é silêncio". Fórtinbras invade o castelo com seu exército e ordena que "quatro capitães conduzam Hamlet como um soldado, para o catafalco". Os soldados carregam o corpo do príncipe; soa a marcha fúnebre, e, depois, uma salva de canhões.


Data



Qualquer data que se fizer de Hamlet deve ser provisória", advertiu Phillip Edwards, editor do New Cambridge. A estimativa da data mais recente analisa que Hamlet possui freqüentes alusões à Júlio César, que data de 1599. Em contrapartida, a data mais tardia é baseada na entrada da peça em 26 de julho de 1602 no Stationers' Register, indicando que Hamlet foi encenada pelo Lord Chamberlain Men.

Em 1598, Francis Meres publicou em seu Palladis Tamia um levantamento da literatura inglesa de Chaucer a sua época, dentro do qual doze peças de Shakespeare são citadas, mas Hamlet não está entre as peças, o que sugere que ela não havia sido escrita até então. Como o texto era muito popular, Bernard Lott, em New Swan, acredita ter sido "pouco provável que ele [Meres] tenha ignorado uma peça tão importante." A frase "filhotes de falcão", no First Folio (F1) como "little eyases", talvez seja uma alusão a uma trupe de atores infantis que atuava na época de Shakespeare e, como a trupe tornou-se famosa em 1601, alguns acreditam que Hamlet pode ter sido produzida por essa data.

Um contemporâneo de Shakespeare, Gabriel Harvey, escreveu uma nota marginal em sua edição de 1598 das obras de Chaucer, edição muito utilizada por alguns estudiosos para datar Hamlet. A nota de Havery afirma que é "uma forma sensata" apreciar Hamlet, e implica que o Conde de Essex – executado em fevereiro de 1601 por uma rebelião – ainda estava vivo. Outros estudiosos consideram isso inconclusivo. Edwards, por exemplo, conclui que o "sentido da época da nota de Havery é tão confuso, que ela é pouco usada na tentativa de datar Hamlet." Isso ocorre porque a mesma nota faz referência a Spenser e Watson como se eles também estivessem vivos (dizendo "nossos métricos florescentes"); contudo, a nota menciona o "novo epigrama de John Owen", publicado somente em 1607.


Influência



Hamlet é uma das obras mais citadas da literatura inglesa, e é frequentemente incluída na lista de grandes trabalhos literários. Como tal, tem influenciado a escrita de diversos autores através dos séculos. O acadêmico Laurie Osborne identifica a direta influência de Hamlet em inúmeras narrativas modernas, e as divide em quatro principais categorias: contabilidade fictícia da composição da peça, adaptação do enredo para leitores infantis, ampliação ou diminuição de algumas personagens da peça, e narrações destacando atuações da peça.

Tom Jones, de Henry Fielding, publicado em 1749, descreve uma visita feita por Tom Jones e Mr. Partridge a Hamlet, com similaridades com o recurso "teatro no teatro". Em contraste, o bildungsroman Wilhelm Meisters Lehrjahre de Goethe, escrito entre 1776 e 1796, não só tem um núcleo semelhante ao de Hamlet como também cria um paralelo entre o Fantasma e o pai morto do personagem Wilhelm Meister. Na década de 1850, em Pierre: or, The Ambiguities, Herman Melville foca-se em Hamlet como um personagem de longo desenvolvimento como escritor. Dez anos depois, o Great Expectations de Dickens contém muitos elementos parecidos com Hamlet: ele é impulsionado por vingança através de ações motivadas, e também possui personagens-fantasmas, além de focar na culpa do herói. O acadêmico Alexander Welsh nota que Great Expectations é uma "novela autobiográfica" e "antecipa leituras psicanalíticas de Hamlet em si.".

Machado de Assis, um grande admirador de Shakespeare, utilizou a tragédia hamletiana em inúmeros escritos de sua autoria: mais popularmente, no conto A Cartomante há a frase "Há mais coisas entre o céu a terra do que supõe nossa vã filosofia" logo na primeira linha, que conduziu a história através desse discurso.] Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o primeiro fantástico e realista do Brasil e, consecutivamente, revolucionário, o personagem-narrador cita o príncipe Hamlet para falar de sua morte no capítulo primeiro: "Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado o trôpego, como quem se retira tarde do espetáculo.".

Na década de 1920, James Joyce coordenou "uma versão mais otimista" de Hamlet — despojada de obsessão e vingança — em Ulysses, embora o paralelo principal seja com a Odisseia de Homero. Na década de 1990, duas romancistas mulheres foram explicitamente influenciadas por Hamlet. Em Wise Children, de Angela Carter, Ser ou não ser é retrabalhado como uma música e uma dança rotineira, e, em The Black Prince, de Iris Murdoch, há temas como o do complexo de Édipo e do assassinato, entrelaçados com Hamlet.


Hamlet nos séculos XX e XXI



Além de muitas trupes ocidentais visitarem o Japão no século XIX, a primeira encenação profissional de Hamlet em território japonês partiu de Otojiro Kawakami, em 1903. Shoyo Tsubouchi traduziu Hamlet e produziu uma performance em 1911 que misturou Shingeki ("novo drama") com estilos típicos do Kabuki. A produção de Hamlet no Brasil, no Teatro Fênix, encenada e atuada pelo renomado Sérgio Cardoso, talvez tenha sido a primeira encenação da peça em território brasileiro. A produção tornou-se popular e conquistou crítica e público. O impacto dessa produção foi a interpretação inovadora de Sérgio Cardoso, citada como atenciosa na construção da personagem, num tempo em que os atores brasileiros acreditavam no talento nato. Cardoso trabalharia novamente em Hamlet oito anos depois, onde Décio de Almeida Prado diria: " todos estes anos não se passaram em vão".

Hamlet muitas vezes foi e ainda continua sendo encenada com tons políticos contemporâneos: a produção de 1926, do alemão Leopold Jessner, no Teatro Berlin Staatstheater, retratou a corte do personagem Cláudio como uma paródia da corte de Guilherme II. Na Polônia, o número de produções de Hamlet obteve uma tendência a dar destaque aos temas políticos da peça, desde que esses temas políticos - crimes suspeitos, golpes, vigilância - pudessem ser utilizados para comentar uma situação da época. Da mesma forma, alguns diretores da República Checa têm usado a peça nos momentos de ocupação: uma produção de 1941 do Teatro Vinohrady, segundo alguns autores, "destacou, com a devida cautela, a situação de um intelectual indefeso tentando sobreviver em um ambiente sem piedade". Na China, algumas performances de Hamlet tiveram importância política: The Usurper of State Power (1916), de Gu Wuwei, uma amálgama de Hamlet e Macbeth, foi uma crítica a determinados militares que desejavam derrubar a república do país. No rescaldo do colapso dos protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial, Lin Zhaohua encenou um Hamlet em 1990 onde o príncipe era um indivíduo ordinário torturado por uma perda de sentido. Nesta produção, os atores encenaram Hamlet, Cláudio e Polônio mudando os papéis nos momentos cruciais da performance, incluindo o momento da morte de Cláudio, ponto onde o ator associado a Hamlet havia caído no chão.

Notáveis encenações em Londres e em Nova Iorque incluem a produção de Barrymore de 1925: ela influenciou as performances de John Gielgud e Laurence Olivier. Gielgud atuou no papel principal durante um bom tempo: sua produção de 1936 em Nova Iorque levou-o a realizar 136 performances, fazendo com que fosse considerado o melhor intérprete do papel desde Barrymore. A produção de 1937 no Old Vic Theatre, com Olivier no elenco, foi aclamada pelo público mas não pelos críticos: um crítico teatral do The Sunday Times escreveu certa vez: "Mr. Olivier não fala poesia de forma ruim. Ele não fala nada sobre ela."] Em 1963, foi a vez de Olivier dirigir Hamlet, e trabalhou com Peter O'Toole (que era o príncipe).

Com efeito, Hamlet é a peça mais produzida de Shakespeare: somente em Nova Iorque, ela possui sessenta e quatro produções encenadas na Broadway e um número incontável na Off-Broadway. No século XIX, esses números aumentam cada vez mais. No Brasil, uma recente produção de Wagner Moura — que já vinha fazendo sucesso com o personagem Capitão Nascimento em Tropa de Elite —, dirigida por Aderbal Freire Filho, destacou o lado cômico da peça e realizou uma versão menos poética e mais apropriada para a fala do atores em cena.


Em duas semanas "Trocando em artes" volta com a novela "Roque Santero"..


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