quinta-feira, 31 de março de 2016

TROCANDO EM VERSOS: TEU BEIJA-FLOR


Faça amor comigo
Relaxa, quero te olhar
Acabando a distância ente nós
Me sinto tão bem quando você está

O toque macio de suas mãos
Teu corpo pesando em cima do meu
Era tudo que eu queria agora
Mas o destino ainda não entendeu

Te vejo na tela do meu coração
E sinto saudades do que não vivi
Queria ao menos estar ao seu lado
E ao vivo te fazer sorrir

Menina, confesso eu to mesmo a fim
Por você atravesso o país
Te acordar pro café da manhã
E adormecer te fazendo feliz

No jardim que você nasceu
Eu quero ser o teu beija-flor
Provar do teu polem que é meu
Te namorar vendo o Sol se por

Menina que mexeu comigo
Com graça e inocência me deixe te amar
A distância não faz sentido
Quero você e vou te buscar


TROCANDO EM VERSOS ANTERIOR:

TIMIDEZ

segunda-feira, 28 de março de 2016

O HOMEM MENTIROSO


Oi Bia, oi Gabriel, Oi Lucas..Tudo bem com vocês?

Não sei em qual momento verão essa carta. Em qual ocasião. Será que estaremos juntos ainda? Não sei. O futuro a Deus pertence e a certeza de hoje não existe amanhã. Por isso temos que viver cada momento como se fosse o último. O último nosso juntos.

Eu escrevo essa carta para vocês para pedir desculpas. Sim, um pai erra, um pai pede desculpas e estou aqui para isso. Papai mentiu para vocês. Peço desculpas por ser um mentiroso.

Sim Bia, Gabriel e Lucas. Eu sou um mentiroso, menti para vocês durante toda a infância e ainda fui injusto porque falei que mentirosos eram os outros. Ontem, por exemplo Bia eu tentei novamente mentir para você como faço costumeiramente desde que nasceu. Eu ia de forma ardilosa esconder ovos de Páscoa por toda a casa e de forma cruel mandar que você e seu irmão procurassem porque o coelho da Páscoa teria colocado para vocês. Trazido de presente. Menti para você durante anos. Durante toda sua infância até ontem te enganei dizendo que existia coelho da Páscoa quando ele não existe!! É tudo uma loucura, fantasia, coelhos são bichos, não dão ovos de chocolate. Graças a Deus uma pessoa bondosa apareceu e tirou você dessa cegueira te mostrando a verdade. Que era eu que comprava os ovos fabricados por empresas que ganham muito dinheiro com isso. Tudo capitalismo. Tudo comércio

Você está livre agora dessa fantasia doentia como em breve saberá que somos nós que botamos moedas embaixo de seu travesseiro quando cai um dente. Não existem fadas, só a Xuxa acredita em fadas e duendes. Por fim, você enfim saberá que Papai Noel não existe, somos nós que compramos os presentes e finalmente você deixará de ser uma criança boba que acredita em tudo e se tornará o que de mais sublime existe. Uma adulta.Os adultos são maravilhosos meu amor. Não sonham, não fantasiam, não se deixam enganar. São espertos. Adultos são seres que sabem todas as verdades, senhores de si e por isso mais felizes que as crianças. Pergunte a qualquer um e verá como tenho razão. Como ser adulto é melhor que ser criança.

Você e seus irmãos descobrirão que eu minto quando digo que protegerei vocês de todas as maldades do mundo. Não tenho esse poder. Que ficarei com vocês para sempre. Mentira, um dia vou morrer. Não combato monstros para você ir ao banheiro Bia, esses gols que mostro do Flamengo não são atuais Gabriel. Eu engano vocês. Você também será muito enganado se me permitirem Lucas. Sou um perigo te ameaçando. E Bia, para finalizar..Você não é uma princesa como eu sempre falo. Você é uma menina comum, como qualquer outra,. Princesas são pessoas que nascem em famílias reais e você apenas é a filha mais querida e amada que eu sonhei na vida.

Desculpe se minto tanto para vocês. Sou fraco. Desculpe se não sou homem suficiente para ser pai para vocês. Ontem mesmo fugi de discussão, falaram que não fui homem por não querer discutir na frente de vocês.

Estão certos quando falam isso. Eu, de forma idiota, imbecil, achei que para ser homem temos que dar sobrenome aos filhos, registrar, cuidar, acarinhar desde pequenos, ter paciência, amor, cumplicidade, financiar seu crescimento, estudos, levar pra passear, farrear no cinema e em lanche, ensinar a lição de casa, buscar na escola, ficar com vocês fazendo carinho até dormir, ver vídeo com vocês, dar bronca quando necessário, dizer não quando preciso, explicar o porque da bronca, do não e logo depois estar bem de novo. Brincar chamando de bibica cara de penica ou Gabriel cara de papel. Fazer festa com vocês ou simplesmente ficar em silêncio segurando suas mãozinhas na hora da injeção no hospital. Pensei que ser homem, ser pai, era chorar sozinho de preocupação quando ficam doentes ou de alegria quando vejo a saúde de volta.

Me enganei, me desculpem. Eu não tive nada disso de meu pai, de homens que convivi. Nunca tive muito contato com meu pai. Ele nunca me buscou na escola ou ao menos deu parabéns em um aniversário meu então não sei ser pai. Me acostumei em ver caras que engravidavam meninas, sumiam ou a muito contragosto pagavam pensão depois de serem colocados na justiça. Esses são pais de verdade. Não eu.

Mas vou aprender. Vou ser um homem de verdade, um pai de verdade como vocês merecem.

Ou não. Talvez eu tenha nascido pro erro e seja para sempre esse pai errado, esse mentiroso.

E talvez eu seja tão mentiroso que falei o tempo todo que vou me esforçar para ser verdadeiro e talvez eu não tenha a mínima ideia de como ser assim e se quero ser assim.

É Bia..é Gabriel, é Lucas. Menti de novo.

Mentir assim não me faz ser bom pai.


Só mostra o quanto eu amo vocês.



sexta-feira, 25 de março de 2016

SOBE O SOM: BARRY WHITE


Barrence Eugene Carter, mais conhecido como Barry White (Galveston, 12 de setembro de 1944 — Los Angeles, 4 de julho de 2003) foi um cantor, compositor, maestro e produtor musical norte-americano. Compositor de inúmeros sucessos em estilo soul e disco e de baladas românticas, e um intérprete com voz profunda e grave.


Criou-se no gueto negro da cidade de Los Angeles. Como outros cantores norte-americanos de sucesso, também cantou em coral de igreja na juventude. Foi um adolescente inconsequente, que acabou preso aos dezessete anos de idade por roubar pneus. Na prisão, decidiu mudar de vida e de amigos.

Obteve grande êxito como intérprete de baladas românticas nos anos 60. Em 1972 criou o trio feminino Love Unlimited. Posteriormente aproveitou este nome para batizar seu grupo de acompanhamento, a Love Unlimited Orchestra.

Foi considerado um dos precursores da disco' music.

Então vamos lá!!

Sobe o som Mr. Barry White!!



Just the way you are



You`re the first, the last, my everything - Com Luciano Pavarotti



Can`t get enough of your love, babe



Let the music play



Practice what your preach



Never, never, gonna give ya up



I`ve got so much to give



I´m gonna love you just a little bit more babe



It´s ecstasy when you lay next to me



Staying power



The secret garden - Com Quincy Jones, James Ingram, Al B. Sure, El Debarge



All around the world - Com Lisa Stansfield


Rio de Janeiro


Bem..Aí está um pouco dessa que foi e é uma das maiores vozes da história da música. Semana que vem tem mais.Mais duas grandes vozes. Gal Costa e Maria Bethânia.



Enquanto isso o eterno maestro nos deixa o seu tema de amor.



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O CLUBE DOS 27

quinta-feira, 24 de março de 2016

CINEBLOG: EM ALGUM LUGAR DO PASSADO


Cineblog estreia 2016 com um filme que é muito especial para mim, sem dúvidas está no top 5 da minha vida e é uma das histórias que mais me emocionam (e me fizeram chorar). Umas das mais bonitas histórias de amor já filmadas e com uma das mais belas e tocantes trilhas sonoras.


Cineblog orgulhosamente apresenta:


Em algum lugar do passado



Somewhere in Time (br: Em algum lugar do passado; pt: Algures no Tempo), é um filme de 1980 do gênero drama e ficção científica, com a direção de Jeannot Szwarc. O filme é baseado no romance de Richard Matheson originalmente publicado com o título de Bid Time Return em 1975 e mais tarde republicado como Somewhere in Time.


Sinopse



O filme retrata a vida de um jovem que retorna ao passado para resgatar uma mulher que, no presente, diz ser o seu grande amor. A história tem início no ano de 1972, quando o jovem dramaturgo, Richard Collier (Christopher Reeve), conhece uma idosa senhora que lhe entrega um relógio de bolso, seguido da enigmática e desconexa mensagem "Volte para mim". 8 Anos depois do episódio, em 1980, desejando espairecer, Collier viaja para um hotel grandioso e antigo, no qual vê a foto da atriz Elise Mckenna (Jane Seymour), por quem apaixona-se perdidamente. No entanto, a fotografia é do ano de 1912, e o jovem decide então encontrar uma forma de voltar ao passado para encontrá-la.

Em suas pesquisas sobre a vida da atriz, descobre que ela se tratava, na realidade, da senhora que lhe dera o relógio 8 anos antes, o que lhe dá a certeza de que ela, de fato, já o conhecia em sua época. Descobre ainda que Elise morrera na mesma noite em que lhe dera o relógio; além disso, ela possui uma réplica do hotel em que estava sua foto, com a melodia de Rachmaninoff, sua favorita, além de livros sobre viagens no tempo.

Tais revelações o inserem num clima de mistério e determinação para encontrar sua amada. Ele procura um antigo professor seu, Dr. Gerald Finney, que já escrevera sobre a possibilidade de viajar através do tempo. Finney lhe relata que já tentara realizar tal viagem por meio de uma projeção hipnótica, porém, não havia sido muito bem-sucedido, dizendo que apenas por alguns instantes conseguira romper a barreira do tempo. Segundo cria, isso acontecera porque, apensar de tentar se auto-sugestionar, havia vários detalhes ao seu redor que o lembravam que ele estava no tempo presente. Finney diz a Richard que não tinha a intenção de voltar a fazer qualquer tentativa neste sentido, mas caso o fizesse, ele tentaria eliminar completamente qualquer evidência da época atual que estivesse ao seu redor e o fizessem duvidar que estava na época para a qual projetara a sua mente.


Richard, então, trata de planejar minuciosamente a sua viagem pelo tempo. Adota o corte de cabelo característico de 1912, compra um terno confeccionado no mesmo ano, afasta de seu quarto todas as coisas que poderiam despertar lembranças da época presente e grava sua voz em playback para ajudar a convencer-se de que está em 1912. Na primeira tentativa, Richard descobre que de fato conseguira voltar ao passado ao encontrar sua assinatura no livro de registro do Hotel em 1912., Ainda mais convicto de que conseguiria seu intento, ele realiza outra vez a sessão de auto-hipnose e consegue de fato retornar ao passado, encontrando Elise, vivendo momentos de amor e companheirismo, numa sintonia que rebate o fato de se conhecerem há pouco tempo

Em meio à temática romântica e fantasiosa do filme, são deixados pequenos enigmas ao longo do filme, a exemplo da origem do relógio: ele foi dado a Richard por Elise, que, por sua vez, o recebeu de Richard, criando um paradoxo proposital no enredo.


Elenco




Christopher Reeve .... Richard Collier
Jane Seymour .... Elise McKenna
Christopher Plummer .... William Fawcett Robinson
Teresa Wright .... Laura Roberts
Bill Erwin .... Arthur Biehl

George Voskovec .... Dr. Gerald Finney


Prêmios e indicações


Prêmios 

Saturn Awards

Melhor filme (categoria fantasia): 1981
Melhor música: John Barry (1981)
Melhor figurino: Jean-Pierre Dorleac (1981)
 Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz

Prêmio da crítica: 1981
 Fantafestival

Melhor filme: 1981
Melhor ator: Christopher Reeve: 1981

Indicações 

Oscar

Melhor figurino: Jean-Pierre Dorleac (1980)

Golden Globe

Melhor trilha sonora: John Barry (1981)

Saturn Awards

Melhor ator: Christopher Reeve (1981)
Melhor atriz: Jane Seymour (1981)


Cineblog volta semana que vem com o controverso "O último tango em Paris".


O amor vence tudo. Até o tempo, a distância e a morte.



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O ÚLTIMO AMERICANO VIRGEM

quarta-feira, 23 de março de 2016

O LIMITE NO TEATRO


A polêmica da vez (Difícil falar na polêmica da vez quando as coisas acontecem de minuto a minuto) vem do teatro. Do ator, diretor e produtor Claudio Botelho.

Quem conhece um pouco o cenário artístico do Rio de Janeiro conhece bem o Claudio. Ele é o grande nome do teatro musical brasileiro hoje com seu parceiro Charles Moeller. Todos os grandes musicais produzidos no país nos últimos anos tem os dois por trás. Principalmente esses que vem da Broadway. Portanto é sim um grande artista. Mas cometeu alguns grandes erros.

Todo mundo já sabe a polêmica em que ele se envolveu. No musical com as canções de Chico Buarque ter gritado contra Dilma e Lula, a interrupção da peça e o vazamento de uma gravação. Tentarei aqui ver os dois lados da moeda.

Ele é acusado de falar palavras de ordem contra o governo e racismo. Racismo, para começar, não tem defesa em hipótese nenhuma. Execrável, é nojento que no século XXI alguém se porte dessa maneira,
ainda mais um intelectual como o Cláudio. Alguém com cultura e por consequência que se espera um maior esclarecimento.

Gritar contra um governo ou uma ideologia em que o pretenso homenageado não só segue como é um defensor é no mínimo deselegante. Falta de senso. No lugar do Chico também ficaria extremamente irritado.

Vamos ao outro lado agora.

Por mais execrável e repugnante que seja o racismo também é ilegal gravar as pessoas sem uma autorização judicial. Isso é invasão de privacidade. Se tantos ficaram indignados com as gravações citando Lula e Dilma, mesmo aparecendo atrocidades nessas gravações, vale o mesmo aqui. Um erro não justifica o outro. Mas não deixam de ser dois erros.

O Cláudio alega que não disse palavras de ordem, pôs "cacos". Aí que eu quero chegar.

Caco, para quem não é habituado com o teatro, é aquela fala que não está no texto e que o ator põe na hora. Podem ser de vários tipos, inclusive sobre o momento atual do país. Os que falam de atualidade costumam ser os mais engraçados.

Mas há de ter cuidados com cacos. Primeiro que podem prejudicar a peça, o andamento dela, até mesmo os colegas e segundo que pode ocorrer o que ocorreu na apresentação. Assumo que como ator sempre fui um "caqueiro"  e como escritor permito sem problemas nenhum. Mas tem escritor que odeia e não admite.

Claudio, artista consagrado e experiente como é, devia saber que tem certos assuntos que é melhor evitar. Tem gente que recebe unanimidade contra e em um caco rende muitas risadas como Eduardo Cunha, Paulo Maluf ou brincar com times de futebol. Outras não e da forma que o país está dividido não é de bom tom usar cacos para esse tipo de assunto.

Os ânimos estão a flor da pele, pessoas que até então eram amigas se tratam com ódio. Se o Brasil não está dividido está longe de passar por uma unanimidade. Por quê então brincar com isso?

Como autor de "Dona Carola", peça que vai estrear agora dia 10 de abril recomendei evitar o assunto. Nunca é bom jogar gasolina em um incêndio.

A imagem do bom artista Claudio Botelho ficou manchada, menos pelas palavras infelizes no palco e mais pelo dito fora do palco. Foi inteligente e pediu desculpas, nunca é bom brigar com os fatos. Dessa forma ganhou as desculpas de Chico Buarque e poderá continuar com a peça. Mas agora está com a estigma de racista.

Como vai sobrevier a isso não sei. Só o tempo dirá.

Como esse mesmo tempo acabou com um argumento da direita. Que a esquerda só apoia o governo para ganhar os incentivos da Lei Rouanet. O mesmo Claudio Botelho que atacou o governo já recebeu 34 milhões graças as leis de incentivo e está captando mais 24 milhões.

Assim segue essa louca peça sobre o Brasil de hoje.

Vamos esperar a próxima apresentação.


quinta-feira, 17 de março de 2016

VINTE



E aí? Quanto tempo hein? Como vocês tem passado?

Muita coisa ocorreu desde a coluna fechando o ano de 2015, foram quase três meses e imaginem o quanto de coisas que podem ocorrer pelo mundo em um espaço de três meses.

Bastante né? Agora imaginem em um espaço de vinte anos?

Por quê estou falando em vinte anos? Porque especificamente na primeira coluna do ano? Eu explico...Vinte anos atrás, em um término, tudo começou.

O término foi bastante lembrado nesse mês de março. O término da meteórica carreira do grupo musical "Mamonas Assassinas". Banda surgida em 1995, os Mamonas se transformaram em apenas sete meses de sucesso no maior fenômeno musical da década de 90 e graças a um desastre aéreo ocorrido em março de 1996 ganharam a eternidade.

E onde eu entro nisso?

Em março de 1996, muito abalado pela morte do grupo, escrevi uma poesia para eles. Escrevi e, ao contrário de tudo o que fazia, não coloquei diretamente na gaveta. Mostrei a minha mãe e minha avó. Para minha surpresa minha avó levou ao jornal de bairro da Ilha do Governador "Ilha Notícias" e a mesma foi publicada no jornal.

Março de 1996 essa poesia foi publicada. A primeira coisa que escrevi que ganhou domínio público e entrou em circulação. Por isso considero um marco na minha vida de escritor.

O ano 6 tem isso comigo. Em 1986 escrevi a minha primeira revistinha em quadrinho, que eu considero meu início por esse mundo. Mas 1996 representa mais pra mim porque ali virei um escritor com domínio público, que chegava a pessoas que não eram do meu círculo e estava sujeito a opiniões favoráveis e adversas.

Minha avó arrumou vários exemplares e distribuiu a amigos com orgulho. Por anos guardei um com a poesia e minha foto. Não lembro de mais nada que escrevi nela, mas lembro bem de tudo o que correu depois.

No ano seguinte virei compositor de samba-enredo, área que atuo a quase dezenove anos e ganhei vários concursos e prêmios. Em 2011 comecei a escrever em blogs semanalmente, em 2013 tive minha primeira peça de teatro encenada e estou prestes a ter meu primeiro livro publicado por uma editora.

Como podem ver mudei muito em vinte anos. Vinte anos atrás eu era filho, hoje sou pai. Passei por uma sanfona de peso e de emoções. Perdi a mulher que mais amei na minha vida, minha mãe, e ganhei outra que me preenche de amor e me completa. Minha filha Bia. Junto com ela dois moleques lindos e espertos. Gabriel e Lucas.

Tive muitos amores, perdi muitos amores. Minha alma mundana e boemia não permitiu que me estabilizasse no amor, mas permitiu que eu tirasse o melhor de cada uma dessas histórias. Absorvia o melhor que cada uma pôde me oferecer e algumas viraram histórias. Se não no papel nas lembranças.

O mundo mudou. Em 1996 eu aprendia a mexer em um computador, hoje não passo um dia sem mexer em um. Posso dizer que sou um privilegiado porque sou de uma geração que teve a internet jogando junto, a favor. Graças a internet meus sambas foram popularizados, graças a internet conheceram minhas peças e fui encenado. Conheci amigos, mulheres. Pude provar e comprovar que existe sim vida dentro de uma máquina.

Em 1996 o Lula perseguia corruptos. Hoje é perseguido por corrupção. O mundo é uma roda viva mesmo. Até Chico Buarque voltou a ser perseguido político.

E eu, que estreei pelo "Ilha Notícias", que tive aquele exemplar como troféu, virei uma figura habitual do jornal. Nos últimos meses perdi a conta do número de entrevistas que dei a ele. Continua sendo o espaço mais democrático para o insulano poder mostrar o que sente. Como fiz em 1996.

A Ilha do Governador mesmo mudou muito. Teve sua orla modificada e está linda. Assim como cresceu a violência.

Mas continuo amando esse pedaço de terra cercado por água por todos os lados. O meu lugar.

Começo o ano do blog lembrando dos queridos Mamonas Assassinas e celebrando meus vinte anos com contato com o público. Acertando algumas vezes, errando em outras, tentando aprender sempre.

Bem vindos a temporada 2016 de "Trocando em miúdos".

Meus xuxuzinhos...