quinta-feira, 17 de março de 2016

VINTE



E aí? Quanto tempo hein? Como vocês tem passado?

Muita coisa ocorreu desde a coluna fechando o ano de 2015, foram quase três meses e imaginem o quanto de coisas que podem ocorrer pelo mundo em um espaço de três meses.

Bastante né? Agora imaginem em um espaço de vinte anos?

Por quê estou falando em vinte anos? Porque especificamente na primeira coluna do ano? Eu explico...Vinte anos atrás, em um término, tudo começou.

O término foi bastante lembrado nesse mês de março. O término da meteórica carreira do grupo musical "Mamonas Assassinas". Banda surgida em 1995, os Mamonas se transformaram em apenas sete meses de sucesso no maior fenômeno musical da década de 90 e graças a um desastre aéreo ocorrido em março de 1996 ganharam a eternidade.

E onde eu entro nisso?

Em março de 1996, muito abalado pela morte do grupo, escrevi uma poesia para eles. Escrevi e, ao contrário de tudo o que fazia, não coloquei diretamente na gaveta. Mostrei a minha mãe e minha avó. Para minha surpresa minha avó levou ao jornal de bairro da Ilha do Governador "Ilha Notícias" e a mesma foi publicada no jornal.

Março de 1996 essa poesia foi publicada. A primeira coisa que escrevi que ganhou domínio público e entrou em circulação. Por isso considero um marco na minha vida de escritor.

O ano 6 tem isso comigo. Em 1986 escrevi a minha primeira revistinha em quadrinho, que eu considero meu início por esse mundo. Mas 1996 representa mais pra mim porque ali virei um escritor com domínio público, que chegava a pessoas que não eram do meu círculo e estava sujeito a opiniões favoráveis e adversas.

Minha avó arrumou vários exemplares e distribuiu a amigos com orgulho. Por anos guardei um com a poesia e minha foto. Não lembro de mais nada que escrevi nela, mas lembro bem de tudo o que correu depois.

No ano seguinte virei compositor de samba-enredo, área que atuo a quase dezenove anos e ganhei vários concursos e prêmios. Em 2011 comecei a escrever em blogs semanalmente, em 2013 tive minha primeira peça de teatro encenada e estou prestes a ter meu primeiro livro publicado por uma editora.

Como podem ver mudei muito em vinte anos. Vinte anos atrás eu era filho, hoje sou pai. Passei por uma sanfona de peso e de emoções. Perdi a mulher que mais amei na minha vida, minha mãe, e ganhei outra que me preenche de amor e me completa. Minha filha Bia. Junto com ela dois moleques lindos e espertos. Gabriel e Lucas.

Tive muitos amores, perdi muitos amores. Minha alma mundana e boemia não permitiu que me estabilizasse no amor, mas permitiu que eu tirasse o melhor de cada uma dessas histórias. Absorvia o melhor que cada uma pôde me oferecer e algumas viraram histórias. Se não no papel nas lembranças.

O mundo mudou. Em 1996 eu aprendia a mexer em um computador, hoje não passo um dia sem mexer em um. Posso dizer que sou um privilegiado porque sou de uma geração que teve a internet jogando junto, a favor. Graças a internet meus sambas foram popularizados, graças a internet conheceram minhas peças e fui encenado. Conheci amigos, mulheres. Pude provar e comprovar que existe sim vida dentro de uma máquina.

Em 1996 o Lula perseguia corruptos. Hoje é perseguido por corrupção. O mundo é uma roda viva mesmo. Até Chico Buarque voltou a ser perseguido político.

E eu, que estreei pelo "Ilha Notícias", que tive aquele exemplar como troféu, virei uma figura habitual do jornal. Nos últimos meses perdi a conta do número de entrevistas que dei a ele. Continua sendo o espaço mais democrático para o insulano poder mostrar o que sente. Como fiz em 1996.

A Ilha do Governador mesmo mudou muito. Teve sua orla modificada e está linda. Assim como cresceu a violência.

Mas continuo amando esse pedaço de terra cercado por água por todos os lados. O meu lugar.

Começo o ano do blog lembrando dos queridos Mamonas Assassinas e celebrando meus vinte anos com contato com o público. Acertando algumas vezes, errando em outras, tentando aprender sempre.

Bem vindos a temporada 2016 de "Trocando em miúdos".

Meus xuxuzinhos...


Nenhum comentário:

Postar um comentário