quarta-feira, 23 de março de 2016

O LIMITE NO TEATRO


A polêmica da vez (Difícil falar na polêmica da vez quando as coisas acontecem de minuto a minuto) vem do teatro. Do ator, diretor e produtor Claudio Botelho.

Quem conhece um pouco o cenário artístico do Rio de Janeiro conhece bem o Claudio. Ele é o grande nome do teatro musical brasileiro hoje com seu parceiro Charles Moeller. Todos os grandes musicais produzidos no país nos últimos anos tem os dois por trás. Principalmente esses que vem da Broadway. Portanto é sim um grande artista. Mas cometeu alguns grandes erros.

Todo mundo já sabe a polêmica em que ele se envolveu. No musical com as canções de Chico Buarque ter gritado contra Dilma e Lula, a interrupção da peça e o vazamento de uma gravação. Tentarei aqui ver os dois lados da moeda.

Ele é acusado de falar palavras de ordem contra o governo e racismo. Racismo, para começar, não tem defesa em hipótese nenhuma. Execrável, é nojento que no século XXI alguém se porte dessa maneira,
ainda mais um intelectual como o Cláudio. Alguém com cultura e por consequência que se espera um maior esclarecimento.

Gritar contra um governo ou uma ideologia em que o pretenso homenageado não só segue como é um defensor é no mínimo deselegante. Falta de senso. No lugar do Chico também ficaria extremamente irritado.

Vamos ao outro lado agora.

Por mais execrável e repugnante que seja o racismo também é ilegal gravar as pessoas sem uma autorização judicial. Isso é invasão de privacidade. Se tantos ficaram indignados com as gravações citando Lula e Dilma, mesmo aparecendo atrocidades nessas gravações, vale o mesmo aqui. Um erro não justifica o outro. Mas não deixam de ser dois erros.

O Cláudio alega que não disse palavras de ordem, pôs "cacos". Aí que eu quero chegar.

Caco, para quem não é habituado com o teatro, é aquela fala que não está no texto e que o ator põe na hora. Podem ser de vários tipos, inclusive sobre o momento atual do país. Os que falam de atualidade costumam ser os mais engraçados.

Mas há de ter cuidados com cacos. Primeiro que podem prejudicar a peça, o andamento dela, até mesmo os colegas e segundo que pode ocorrer o que ocorreu na apresentação. Assumo que como ator sempre fui um "caqueiro"  e como escritor permito sem problemas nenhum. Mas tem escritor que odeia e não admite.

Claudio, artista consagrado e experiente como é, devia saber que tem certos assuntos que é melhor evitar. Tem gente que recebe unanimidade contra e em um caco rende muitas risadas como Eduardo Cunha, Paulo Maluf ou brincar com times de futebol. Outras não e da forma que o país está dividido não é de bom tom usar cacos para esse tipo de assunto.

Os ânimos estão a flor da pele, pessoas que até então eram amigas se tratam com ódio. Se o Brasil não está dividido está longe de passar por uma unanimidade. Por quê então brincar com isso?

Como autor de "Dona Carola", peça que vai estrear agora dia 10 de abril recomendei evitar o assunto. Nunca é bom jogar gasolina em um incêndio.

A imagem do bom artista Claudio Botelho ficou manchada, menos pelas palavras infelizes no palco e mais pelo dito fora do palco. Foi inteligente e pediu desculpas, nunca é bom brigar com os fatos. Dessa forma ganhou as desculpas de Chico Buarque e poderá continuar com a peça. Mas agora está com a estigma de racista.

Como vai sobrevier a isso não sei. Só o tempo dirá.

Como esse mesmo tempo acabou com um argumento da direita. Que a esquerda só apoia o governo para ganhar os incentivos da Lei Rouanet. O mesmo Claudio Botelho que atacou o governo já recebeu 34 milhões graças as leis de incentivo e está captando mais 24 milhões.

Assim segue essa louca peça sobre o Brasil de hoje.

Vamos esperar a próxima apresentação.


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