quarta-feira, 12 de abril de 2017

TROCANDO EM ARTES: HAMLET


Hoje "Trocando em artes" traz um biscoito fino da cultura mundial. Uma das maiores peças de teatro já feitas.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Hamlet



Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

Apesar da enorme investigação que se faz acerca do texto, o ano exato em que Shakespeare o escreveu permanece em debate. Três primeiras versões da peça sobreviveram aos nossos dias: essas são conhecidas como o Primeiro Quarto (Q1), o Segundo Quarto (Q2) e o First Folio (F1). Cada uma dessas possui linhas ou mesmo cenas que estão ausentes nas outras. Acredita-se que Shakespeare escreveu Hamlet baseado na lenda de Amleto, preservada no século XIII pelo cronista Saxo Grammaticus em seu Gesta Danorum e, mais tarde, retomada por François de Belleforest no século XVI, e numa suposta peça do teatro isabelino conhecida hoje como Ur-Hamlet.

Dada a estrutura dramática e a profundidade de caracterização, Hamlet pode ser analisada, interpretada e debatida por diversas perspectivas. Por exemplo, os estudiosos têm-se intrigado ao longo dos séculos sobre a hesitação de Hamlet em matar seu tio. Alguns encaram o ato como uma técnica de prolongar a ação do enredo, mas outros o vêem como o resultado da pressão exercida pelas complexas questões éticas e filosóficas que cercam o assassinato a sangue-frio, resultado de uma vingança calculada e de um desejo frustrado. Mais recentemente, críticos psicanalíticos têm examinado o elemento da mente inconsciente de Hamlet, enquanto críticos feministas reavaliam e reabilitam o caráter de personagens como Ofélia e Gertrudes.

Hamlet é a peça mais longa de Shakespeare, e provavelmente a que mais trabalho lhe deu, mas encontrou nos tempos um espaço que a consagrou como uma das mais poderosas e influentes tragédias em língua inglesa: durante o tempo de vida de Shakespeare, a peça estava entre uma das mais populares da Inglaterra e ainda figura entre os textos mais realizados do mundo, no topo, inclusive, da lista da Royal Shakespeare Company desde 1879. Escrita para o Lord Chamberlain's Men, calcula-se que sobre Hamlet já se escreveram cerca de 80.000 volumes, muitos deles certamente são obras de grandes nomes que foram influenciados pela tragédia shakespeariana, como Machado e Goethe e Dickens e Joyce, além de ser considerada por muitos críticos e artistas de todo o planeta como uma obra rica, aberta, universal e muitas vezes perfeita


Sinopse



O protagonista de Hamlet é o Príncipe Hamlet de Dinamarca, filho do recentemente morto Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio, irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei Hamlet, Cláudio casa-se apressadamente com a então viúva Gertrudes, mãe do príncipe. No cenário histórico a Dinamarca está em disputa com a vizinha Noruega, e existe a expectativa de uma suposta invasão liderada pelo príncipe norueguês Fórtinbras.

A peça abre numa noite fria no Castelo de Elsinore, o Castelo Real Dinamarquês. Os sentinelas tentam convencer Horácio, amigo do Príncipe Hamlet, que eles têm visto o fantasma do rei morto, quando ele aparece novamente. Depois do encontro de Horácio com o Fantasma, Hamlet resolve vê-lo com seus próprios olhos. À noite, o Fantasma aparece para Hamlet. O espectro diz a Hamlet que é o espírito de seu pai morto, e revela que Cláudio o matou com um frasco de veneno, despejando o líquido em seu ouvido. O Fantasma pede que Hamlet vingue sua morte; Hamlet concorda, com pena do espectro, decidindo fingir-se de louco para não levantar suspeitas. Ele, contudo, duvida da personalidade do fantasma. Ocupados com os assuntos de Estado, Cláudio e Gertrudes tentam evitar a invasão de Fórtinbras. Um tanto preocupados com o comportamento solitário e errático de Hamlet, acrescido de seu luto profundo diante da morte do pai, eles convidam dois amigos do príncipe - Rosencrantz e Guildenstern - para descobrirem a causa da mudança de comportamento de Hamlet. Hamlet recebe os companheiros calorosamente, todavia logo discerne que eles estão contra ele.

Polônio é o conselheiro-chefe de Cláudio; seu filho, Laertes, está indo de viagem à França, enquanto sua irmã, Ofélia é cortejada por Hamlet. Nem Polônio nem Laertes acreditam que Hamlet nutra desejos sinceros com Ofélia, e ambos alertam para ela esquecê-lo. Pouco depois, Ofélia fica alarmada pelo comportamento estranho de Hamlet e confessa ao pai que o príncipe irá ter com ela num dos aposentos do castelo, mas olha fixamente para ela e nada se diz. Polônio assume que o "êxtase do amor" é o responsável pela loucura de Hamlet, e informa isso a Cláudio e Gertrudes. Mais tarde, Hamlet discute com Ofélia e insiste para que ela vá "a um convento".

Hamlet continua sem saber se o espírito lhe contou a verdade, mas a chegada de uma trupe artística em Elsinore apresenta-se como uma solução para a dúvida. Ele vai montar uma peça, encenando o assassinato do pai - assim como o espectro lhe relatou - e determinar, com a ajuda de Horácio, a culpa ou a inocência de Cláudio, estudando sua reação. Toda a corte é convocada para assistir ao espetáculo; Hamlet fornece comentários durante toda a encenação. Quando a cena do assassinato é realizada, Cláudio, "muito pálido, ergue-se cambaleante", ato que Hamlet interpreta como prova de sua culpabilidade. O rei, temendo pela própria vida, bane Hamlet à Inglaterra em um pretexto, vigiado por Rosencrantz e Guildenstern, com uma carta que manda o portador ser assassinado.

Gertrudes, "em grandíssima aflição de espírito", chama o filho em sua câmara e pede uma explicação sensata sobre a conduta que resultou no mal-estar do rei. Durante o caminho, Hamlet encontra-se com Cláudio rezando, distraído. Hamlet hesita em matá-lo, pois raciocina que enviaria o rei ao céu, por ele estar orando. No quarto da rainha, mãe e filho têm um debate fervoroso. Polônio, que espia tudo por detrás das cortinas, denuncia-se ao fazer um barulho; Hamlet, acreditando ser Cláudio, dá uma estocada através do arrás e descobre Polônio morto. O Fantasma aparece, dizendo que Hamlet deve acolher sua mãe suavemente, embora volte a pedir vingança.

Demente em luto pela morte do pai, Ofélia caminha por Elsinore cantando libertinagens. Laertes retorna da França enfurecido pela morte do pai e melancólico pela loucura da irmã. Cláudio convence Laertes que Hamlet é o único responsável pelo acontecido; e é então que chega a notícia de que o príncipe voltou à Dinamarca porque seu barco foi atacado por piratas no caminho da Inglaterra. Rapidamente Cláudio propõe a Laertes uma luta de espadas entre ele e Hamlet onde o primeiro dos dois utilizará uma espada envenenada, sendo que na ocasião será oferecido ao príncipe uma taça de vinho com veneno, se o "plano A" falhar. Até que Gertrudes interrompe a conversa dizendo que Ofélia afogou-se.

Vemos depois dois rústicos discutindo o aparente suicídio de Ofélia num cemitério, preparando-se para cavar sua sepultura. Hamlet aparece com Horácio e se aproxima de um dos rústicos, que depois segura um crânio que conta ser de Yorick, um bobo da corte que Hamlet conheceu na infância. Quando o cortejo fúnebre de Ofélia aparece liderado por Laertes e Hamlet descobre que o rústico cavava a sepultura da moça, ele e Laertes se investem em luta, na cova, dizendo amar Ofélia, mas o conflito é separado pelos demais.

No regresso a Elsinore, Hamlet conta a Horácio como escapou do destino mortal que foi entregue a Rosencrantz e Guildenstern. Interrompendo a conversa, Orisco aparece para convidar o príncipe a um combate de armas brancas proposto pelo rei. Quando o exército de Fórtinbras cerca Elsinore, a competição começa e ambos os cavalheiros tomam posição. O rei, como planejou anteriormente, separa a taça envenenada e deposita dentro do líquido uma pérola, oferecendo-a a Hamlet, que deixa a bebida para depois. Hamlet vence o primeiro e o segundo assalto, e a rainha toma a taça envenenada, "bebendo a sua sorte".

Enquanto a mãe enxuga a face do filho, Laertes decide feri-lo com a arma envenenada. Hamlet, usando sua força, atraca-se com o inimigo e, no corpo-a-corpo, trocam as espadas. Ele penetra profundamente em Laertes o item envenenado. A rainha confessa que morre por conta do veneno, enquanto Laertes revela que o rei é o culpado de toda a infâmia. A rainha morre envenenada.

Hamlet fere o rei com a espada envenenada, mas ele diz estar apenas machucado. Furioso, o sobrinho obriga Cláudio a beber a taça com veneno à força, e o mata, vingando a morte de seu pai. Laertes, morrendo aos poucos, despede-se de Hamlet, ambos perdoam-se. Quando é a vez de Hamlet, Horácio diz que será fiel ao príncipe morrendo junto com ele, mas o primeiro não permite, tombando para trás e dizendo que a eleição cairá certamente em Fórtinbras. Hamlet morre, dizendo "O resto é silêncio". Fórtinbras invade o castelo com seu exército e ordena que "quatro capitães conduzam Hamlet como um soldado, para o catafalco". Os soldados carregam o corpo do príncipe; soa a marcha fúnebre, e, depois, uma salva de canhões.


Data



Qualquer data que se fizer de Hamlet deve ser provisória", advertiu Phillip Edwards, editor do New Cambridge. A estimativa da data mais recente analisa que Hamlet possui freqüentes alusões à Júlio César, que data de 1599. Em contrapartida, a data mais tardia é baseada na entrada da peça em 26 de julho de 1602 no Stationers' Register, indicando que Hamlet foi encenada pelo Lord Chamberlain Men.

Em 1598, Francis Meres publicou em seu Palladis Tamia um levantamento da literatura inglesa de Chaucer a sua época, dentro do qual doze peças de Shakespeare são citadas, mas Hamlet não está entre as peças, o que sugere que ela não havia sido escrita até então. Como o texto era muito popular, Bernard Lott, em New Swan, acredita ter sido "pouco provável que ele [Meres] tenha ignorado uma peça tão importante." A frase "filhotes de falcão", no First Folio (F1) como "little eyases", talvez seja uma alusão a uma trupe de atores infantis que atuava na época de Shakespeare e, como a trupe tornou-se famosa em 1601, alguns acreditam que Hamlet pode ter sido produzida por essa data.

Um contemporâneo de Shakespeare, Gabriel Harvey, escreveu uma nota marginal em sua edição de 1598 das obras de Chaucer, edição muito utilizada por alguns estudiosos para datar Hamlet. A nota de Havery afirma que é "uma forma sensata" apreciar Hamlet, e implica que o Conde de Essex – executado em fevereiro de 1601 por uma rebelião – ainda estava vivo. Outros estudiosos consideram isso inconclusivo. Edwards, por exemplo, conclui que o "sentido da época da nota de Havery é tão confuso, que ela é pouco usada na tentativa de datar Hamlet." Isso ocorre porque a mesma nota faz referência a Spenser e Watson como se eles também estivessem vivos (dizendo "nossos métricos florescentes"); contudo, a nota menciona o "novo epigrama de John Owen", publicado somente em 1607.


Influência



Hamlet é uma das obras mais citadas da literatura inglesa, e é frequentemente incluída na lista de grandes trabalhos literários. Como tal, tem influenciado a escrita de diversos autores através dos séculos. O acadêmico Laurie Osborne identifica a direta influência de Hamlet em inúmeras narrativas modernas, e as divide em quatro principais categorias: contabilidade fictícia da composição da peça, adaptação do enredo para leitores infantis, ampliação ou diminuição de algumas personagens da peça, e narrações destacando atuações da peça.

Tom Jones, de Henry Fielding, publicado em 1749, descreve uma visita feita por Tom Jones e Mr. Partridge a Hamlet, com similaridades com o recurso "teatro no teatro". Em contraste, o bildungsroman Wilhelm Meisters Lehrjahre de Goethe, escrito entre 1776 e 1796, não só tem um núcleo semelhante ao de Hamlet como também cria um paralelo entre o Fantasma e o pai morto do personagem Wilhelm Meister. Na década de 1850, em Pierre: or, The Ambiguities, Herman Melville foca-se em Hamlet como um personagem de longo desenvolvimento como escritor. Dez anos depois, o Great Expectations de Dickens contém muitos elementos parecidos com Hamlet: ele é impulsionado por vingança através de ações motivadas, e também possui personagens-fantasmas, além de focar na culpa do herói. O acadêmico Alexander Welsh nota que Great Expectations é uma "novela autobiográfica" e "antecipa leituras psicanalíticas de Hamlet em si.".

Machado de Assis, um grande admirador de Shakespeare, utilizou a tragédia hamletiana em inúmeros escritos de sua autoria: mais popularmente, no conto A Cartomante há a frase "Há mais coisas entre o céu a terra do que supõe nossa vã filosofia" logo na primeira linha, que conduziu a história através desse discurso.] Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o primeiro fantástico e realista do Brasil e, consecutivamente, revolucionário, o personagem-narrador cita o príncipe Hamlet para falar de sua morte no capítulo primeiro: "Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado o trôpego, como quem se retira tarde do espetáculo.".

Na década de 1920, James Joyce coordenou "uma versão mais otimista" de Hamlet — despojada de obsessão e vingança — em Ulysses, embora o paralelo principal seja com a Odisseia de Homero. Na década de 1990, duas romancistas mulheres foram explicitamente influenciadas por Hamlet. Em Wise Children, de Angela Carter, Ser ou não ser é retrabalhado como uma música e uma dança rotineira, e, em The Black Prince, de Iris Murdoch, há temas como o do complexo de Édipo e do assassinato, entrelaçados com Hamlet.


Hamlet nos séculos XX e XXI



Além de muitas trupes ocidentais visitarem o Japão no século XIX, a primeira encenação profissional de Hamlet em território japonês partiu de Otojiro Kawakami, em 1903. Shoyo Tsubouchi traduziu Hamlet e produziu uma performance em 1911 que misturou Shingeki ("novo drama") com estilos típicos do Kabuki. A produção de Hamlet no Brasil, no Teatro Fênix, encenada e atuada pelo renomado Sérgio Cardoso, talvez tenha sido a primeira encenação da peça em território brasileiro. A produção tornou-se popular e conquistou crítica e público. O impacto dessa produção foi a interpretação inovadora de Sérgio Cardoso, citada como atenciosa na construção da personagem, num tempo em que os atores brasileiros acreditavam no talento nato. Cardoso trabalharia novamente em Hamlet oito anos depois, onde Décio de Almeida Prado diria: " todos estes anos não se passaram em vão".

Hamlet muitas vezes foi e ainda continua sendo encenada com tons políticos contemporâneos: a produção de 1926, do alemão Leopold Jessner, no Teatro Berlin Staatstheater, retratou a corte do personagem Cláudio como uma paródia da corte de Guilherme II. Na Polônia, o número de produções de Hamlet obteve uma tendência a dar destaque aos temas políticos da peça, desde que esses temas políticos - crimes suspeitos, golpes, vigilância - pudessem ser utilizados para comentar uma situação da época. Da mesma forma, alguns diretores da República Checa têm usado a peça nos momentos de ocupação: uma produção de 1941 do Teatro Vinohrady, segundo alguns autores, "destacou, com a devida cautela, a situação de um intelectual indefeso tentando sobreviver em um ambiente sem piedade". Na China, algumas performances de Hamlet tiveram importância política: The Usurper of State Power (1916), de Gu Wuwei, uma amálgama de Hamlet e Macbeth, foi uma crítica a determinados militares que desejavam derrubar a república do país. No rescaldo do colapso dos protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial, Lin Zhaohua encenou um Hamlet em 1990 onde o príncipe era um indivíduo ordinário torturado por uma perda de sentido. Nesta produção, os atores encenaram Hamlet, Cláudio e Polônio mudando os papéis nos momentos cruciais da performance, incluindo o momento da morte de Cláudio, ponto onde o ator associado a Hamlet havia caído no chão.

Notáveis encenações em Londres e em Nova Iorque incluem a produção de Barrymore de 1925: ela influenciou as performances de John Gielgud e Laurence Olivier. Gielgud atuou no papel principal durante um bom tempo: sua produção de 1936 em Nova Iorque levou-o a realizar 136 performances, fazendo com que fosse considerado o melhor intérprete do papel desde Barrymore. A produção de 1937 no Old Vic Theatre, com Olivier no elenco, foi aclamada pelo público mas não pelos críticos: um crítico teatral do The Sunday Times escreveu certa vez: "Mr. Olivier não fala poesia de forma ruim. Ele não fala nada sobre ela."] Em 1963, foi a vez de Olivier dirigir Hamlet, e trabalhou com Peter O'Toole (que era o príncipe).

Com efeito, Hamlet é a peça mais produzida de Shakespeare: somente em Nova Iorque, ela possui sessenta e quatro produções encenadas na Broadway e um número incontável na Off-Broadway. No século XIX, esses números aumentam cada vez mais. No Brasil, uma recente produção de Wagner Moura — que já vinha fazendo sucesso com o personagem Capitão Nascimento em Tropa de Elite —, dirigida por Aderbal Freire Filho, destacou o lado cômico da peça e realizou uma versão menos poética e mais apropriada para a fala do atores em cena.


Em duas semanas "Trocando em artes" volta com a novela "Roque Santero"..


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

VALE TUDO

Nenhum comentário:

Postar um comentário