quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CINEBLOG: AQUARIUS


Assim como em "Como eu era antes de você" Cineblog volta a falar de um filme que está em cartaz nesse momento. Uma obra de arte polêmica que se tornou símbolo de resistência ao governo Temer.

Cineblog orgulhosamente apresenta:


Aquarius



Aquarius é um filme franco-brasileiro, Dos gêneros drama e suspense, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, produzido por Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd e Michel Merkt, coproduzido por Walter Salles e estrelado por Sônia Braga.

Teve sua primeira exibição mundial em 17 de maio de 2016 no Festival de Cannes, no qual concorreu à Palma de Ouro. Estreou nos cinemas brasileiros em 1º de setembro do mesmo ano, e possui distribuição confirmada para mais de sessenta países.


Sinopse



Clara (Sonia Braga) mora em um apartamento localizado na Avenida Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessados em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.


Elenco



Sônia Braga como Clara
Humberto Carrão como Diego
Maeve Jinkings como Ana Paula
Irandhir Santos como Roberval
Carla Ribas como Cleide
Allan Souza Lima como Paulo
Bárbara Colen como Clara (em 1980)
Julia Bernat como Julia
Germano Melo como Martin
Pedro Queiroz como Tomás
Fernando Teixeira como Geraldo


Lançamento e recepção



Em abril de 2016, o delegado geral do Festival de Cannes Thierry Frémaux anunciou que Aquarius estaria entre os 21 filmes daquele ano que concorreriam à Palma de Ouro, premiação máxima da competição francesa. Foi a única produção latino-americana selecionada, bem como a primeira produção totalmente brasileira a figurar na mostra competitiva desde Linha de Passe, oito anos antes. O longa-metragem teve sua primeira exibição mundial em 17 de maio, na sala Bazin, dentro do festival. Sua primeira sessão no Brasil ocorreu em 20 de agosto, no Cine-Teatro São Luiz, em Pernambuco, para um público de 500 pessoas. Seis dias depois, foi apresentado na 44ª edição do Festival de Gramado, fora da competição oficial.

Aquarius teve sua estreia em circuito comercial nos cinemas brasileiros em 1º de setembro do mesmo ano. Disponível em mais de oitenta salas durante seu primeiro fim de semana em exibição, teve público estimado em 54 mil pessoas e arrecadação de R$880.150 — tornando-se a melhor estreia da semana, com média de 600 pessoas por sala. Além disso, trata-se da segunda melhor semana de lançamento de um longa-metragem nacional em 2016, superada apenas pela de Os Dez Mandamentos, que vendera três milhões de ingressos quando entrou em cartaz. Ao término de sua primeira semana completa em exibição, o filme contabilizou cem mil espectadores, expandiu seu circuito para 110 salas e aumentou o número de cidades em que se encontrava disponível de 20 para 33.

Pouco após sua exibição em Cannes, Aquarius teve seus direitos de exibição on demand comprados pela Netflix, que o lançará na América Latina (exceto Brasil), Ásia (exceto China), América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, e Grã Bretanha, cerca de três meses após seu lançamento nos cinemas de cada território. Além disso, o filme tem distribuição confirmada para mais de sessenta países, e participará de diversos festivais de cinema internacionais ao longo do segundo semestre de 2016. Na França, o lançamento ocorrerá em 28 de setembro, com cerca de 100 cópias. O longa-metragem será exibido entre os dias 9 e 11 de outubro no Festival de Cinema de Nova Iorque — após catorze anos sem um representante brasileiro na competição — e entrará em cartaz nos Estados Unidos no dia 14 do mesmo mês.

A edição de janeiro de 2016 da revista francesa Cahiers du Cinéma apresentava Aquarius como um dos dez lançamentos internacionais mais aguardados do ano. O longa-metragem foi ovacionado após sua exibição no Festival de Cannes, e as primeiras críticas vindas do festival foram muito positivas.

Com base em 23 resenhas da imprensa brasileira, o website AdoroCinema lhe atribui, numa escala de zero a cinco, uma nota média 4,4.  Francisco Russo, do próprio AdoroCinema, deu ao filme a classificação máxima de 5 estrelas e disse: "Aquarius é um belíssimo estudo sobre o Brasil atual e suas idiossincrasias, apontadas com olhar clínico e sem lantejoulas pelo diretor, muitas vezes de forma bastante política". Pablo Villaça, escrevendo para o portal Cinema em Cena, classifica Aquarius como um filme "sobre afeto", destacando que ele é “enriquecido por compreender e buscar a humanidade não só da protagonista, mas até de quase figurantes”. Nesse sentido, ele elogiou o trabalho de todo o elenco, que considerou “homogêneo em qualidade”, também dando à obra 5 estrelas.


Prêmios e indicações



Festival de Cannes

Palma de Ouro  Indicado
Queer Palm Indicado
Melhor Atriz para Sônia Braga Indicado

Festival de Sydney

Melhor Filme Venceu

 Festival de Transatlantyk

Melhor Filme Venceu

Festival de Jerusalém

Melhor Filme Indicado

Festival de Lima

Prêmio do Juri Venceu
Melhor Atriz para Sônia Braga Venceu

Festival World Cinema Amsterdam

Melhor Filme Venceu


Controvérsias



Durante o tapete vermelho de sua primeira exibição, no Festival de Cannes, a equipe de Aquarius — entre eles o diretor Kleber Mendonça Filho e a protagonista Sônia Braga — mostrou cartazes em inglês e francês com os dizeres "Um golpe está acontecendo no Brasil", "54 milhões de votos foram queimados" e "Dilma, vamos resistir com você" em protesto contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Em sua conta oficial no Twitter, Rousseff agradeceu o apoio de todos. O protesto causou polêmica imediata nas redes sociais e alguns internautas a favor do impeachment chegaram a organizar um boicote ao filme.

Anualmente, o Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual, define um júri de profissionais ligados ao cinema que se encarregará de analisar os longa-metragens nacionais lançados no período e definir um que representará o país no crivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, buscando uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro de sua premiação. No início de agosto de 2016, o anúncio dos nove jurados que comporiam o grupo deste ano gerou nova polêmica, com críticas em fóruns especializados à escolha do jornalista Marco Petrucelli para integrar a comissão. Isto se deve ao fato de Petrucelli, meses antes, haver atacado o ato da equipe de Aquarius em Cannes, além de acusá-la de ter usado verbas públicas para a viagem ao festival.

Iniciou-se uma discussão sobre a legitimidade do colegiado, que uma vez somada à controvérsia da classificação indicativa, levou a um debate na mídia sobre uma possível "censura" ao filme por parte do governo interino. Por consequência, em solidariedade a Aquarius, três cineastas anunciaram que retirariam a candidatura de seus respectivos filmes da disputa: Boi Neon, de Gabriel Mascaro; Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert; e Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba. Petrucelli negou partidarismo, afirmando que escolheria o filme "com maior chance de representar o país numa possível disputa ao Oscar". Por sua vez, o Ministério da Cultura afirmou que "a escolha [dos jurados] se deu após ouvidas entidades representativas do setor".

Aquarius esteve entre os dezesseis pré-selecionados pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na disputa, mas por fim Pequeno Segredo foi o longa-metragem escolhido para a função.

Ao término da primeira exibição de Aquarius para um grande público, no Festival de Gramado, ouviu-se diversas vaias de "Fora Temer" por parte do espectadores. A atitude foi replicada por pessoas em diversas salas de cinema do país ao longo da primeira semana de exibição do filme. Jornalistas observaram que as controvérsias que precederam o lançamento do longa-metragem no país deram-lhe uma aura de "desobediência civil" ou ainda de "símbolo de resistência" para grupos contrários ao governo Temer, mesmo que ele seja primariamente uma expressão artística, e não uma obra política..


Cineblog volta semana que vem com um clássico. Hair.


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