sexta-feira, 5 de abril de 2013

O QUADRO ELEITORAL DO RIO


*Coluna publicada no Blog Brasil Decide em 31/3/2013


E dá lhe Pezão!! É Pezão em propaganda de rádio, de tv, na internet, daqui a pouco teremos Pezão em propaganda de margarina e estrelando filme da Brasileirinhas.

E quem é Pezão? Bem, isso que o PMDB agora quer que o eleitor fluminense pergunte.

Pezão é nosso vice-governador desde 2007, ninguém ouvira falar dele e de uns meses pra cá “descobrimos” que ele é o principal responsável por alguns dos crescimentos que nosso estado teve. Legal isso porque ele ficou em silêncio esse tempo todo fazendo tantas benfeitorias. Que cara bacana!!

Por uma grande coincidência, apenas coincidência claro, Pezão será o candidato do PMDB nas eleições para o governo do estado. Sergio Cabral completa oito anos de mandato, não pode mais ser reeleito e nesse momento pensa mais em tentar a vaguinha de vice-presidente na chapa de Dilma.

Pezão é mais um daqueles que chamamos de “poste”. Políticos hoje em dia tem preguiça de alcançar carreira, de criar alicerces, passar por cargos menores então arrumam padrinhos que os lançam candidatos mesmo tendo história nenhuma.

E esses “padrinhos” arrumam uma forma de se perpetuar no poder colocando um afilhado na vaga que lhe pertencia. Dessa forma uma pessoa que você nunca ouviu falar surge do nada e quando você vai ver está te governando.

Foi assim com Paulo Maluf e Celso Pitta, que deu errado. Foi assim com Lula e Dilma, que deu certo. Está sendo assim com Lula (que não governou antes, mas fez força para a eleição) e Fernando Haddad que ainda não sabemos no que vai dar.

Mas a coluna de hoje não é sobre padrinhos e postes e sim eleições do Rio.

Ninguém conhece o Pezão, mas naturalmente será um dos candidatos mais fortes e pode vir a ser favorito nas eleições do Rio. Ele tem uma certa entrada no interior do estado. Ok poderia tornar incoerente a tese que ninguém lhe conhece, mas falo do eleitor da capital, local mais importante do estado e em tese o que deveria decidir as eleições.

Além de ter essa força Pezão será apoiado por Sergio Cabral e Eduardo Paes. Prefeito e governador são do PMDB, partido que nos governa a 10 anos como o PDT fez nos anos 80 e primeira metade dos 90. Não vão querer deixar a boquinha.

Mas aí vem um problema.

O PMDB consegue governar tendo o apoio do PT, reciprocidade ao apoio que dá ao partido nas eleições presidenciais. Só que o apoio pode ser perdido para 2014 a partir do momento que o senador Linderberg Farias também quer ser governador.

Seria o candidato do PT. Partido que nunca teve muita relevância dentro do estado, parte por culpa do diretório nacional que muitas vezes se meteu nas eleições daqui, mas que vê em Linderberg a primeira chance real de eleger um de seus membros a cargo majoritário aqui.

Sim. Benedita da Silva foi governadora, mas foi eleita vice. Virou governadora com a renúncia de Garotinho.

Mas e aí? Como faz? E os acordos? O PMDB reage e diz que se o PT insistir na candidatura pode deixar a aliança nacional. Eu pessoalmente não acredito já que o PMDB adora estar ao lado do poder e tudo leva a crer que Dilma vença novamente.

Dessa forma acredito que Pezão e Linderberg serão os maiores postulantes ao governo.

Mas teremos outros. Ex-caciques que não sabemos até onde vão seus poderes hoje.

Anthony Garotinho provavelmente será candidato ao governo. Não sabemos até onde vai seu poder hoje. Garotinho teve uma grande derrota na eleição para a prefeitura da capital quando sua filha Clarisse veio como candidata a vice de Rodrigo Maia, filho de César Maia e tiveram uma votação inexpressiva.

Garotinho já teve seu auge, final do século passado e início desse quando chegou a ser candidato a presidente e elegeu sua mulher governadora (olha aí mais um poste), mas não podemos descartar totalmente seu poderio, ainda mais se lembrarmos que, assim como Pezão, sua base sempre foi o interior.  

Mas por palpite acho que depois de tanto desgaste, escândalos e ascensão da dupla PMDB/PT Garotinho não alcança mais cargos majoritários.

O mesmo poderia dizer de Cesar Maia.

Maia assim como Garotinho é afilhado político de Brizola e do PDT. Começou como secretário de governo do velho caudilho nos anos 80 até que migrou ao PTB surpreendendo e vencendo Benedita da Silva e Cidinha Campos na eleição para prefeito de 1992.   

Cesar Maia construiu uma dinastia na cidade. Foi prefeito do Rio por doze anos e nesse período nos quatro anos que não foi eleger Luiz Paulo Conde (poste) como prefeito.

Mas teve um péssimo terceiro mandado na frente da prefeitura. Cheio de escândalos, falhas, desgastes. O tal “legado” do Pan não aconteceu. Absurdos chegaram a mídia e a população como o gasto superfaturado da Cidade da Música que não serve pra nada e agora os problemas do Engenhão, interditado com apenas seis anos. Estádio feito por ele.

Sabendo de seu desgaste Cesar Maia surpreendeu e veio como candidato a vereador na cidade e fazendo aliança com Garotinho, inimigo político e lançando seus filhos para o cargo majoritário.

Só que no fim eles que receberam a surpresa. Como eu já disse os herdeiros foram fragorosamente derrotados e Maia ficou apenas em terceiro na eleição para a câmara municipal.

Se no seu auge Cesar Maia já tinha resistência no interior e não conseguiu se eleger governador acho mais difícil agora.

Além desses quatro tem o candidato do PSOL que evidente não fará alianças. Quem será? O favorito hoje seria Marcelo Freixo que alcançou boa votação para a prefeitura, mas também não vejo um futuro de muito sucesso para ele.

Freixo, assim como o PSOL, é visto como algo mais zona Sul do Rio e se aqui na cidade mesmo encontrou resistência imagine no estado.

Além desses temos o Crivella de sempre que tem uma base de votos nos evangélicos, mas não é o suficiente para se eleger e a sempre ameaça de Wagner Montes se candidatar. Um dia ele cumpre e o “Deputado Fortunato” instala a “dança do capiroto” no palácio Guanabara.

Tem também os candidatos do PCO, do PSTU e outros nanicos, mas esses ninguém está interessado em saber. 

Bem. Esse é o quadro eleitoral do Rio. Como eleitor o que posso dizer?

Poderia ser melhor. Bem melhor.

Mas é o que temos e se chegarem com o pezão espero que a gente não entre com a bunda.

Trocadilho péssimo, mas os candidatos não são muito melhores.      


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