sexta-feira, 19 de abril de 2013

A DEMOCRACIA DO MEDO




E essa semana mais um ataque terrorista ocorreu, dessa vez na tradicional maratona de Boston realizada em um dia especial para os americanos daquela região. O dia do patriota.

O feriado comemora o início da revolução americana contra o domínio inglês. Os estados que comemoram são Massachussets e Maine (que foi criado em 1820 sendo anteriormente a parte nordeste de Massachussets).

E algum doidão aproveitou essa data de tanto simbolismo para os americanos e explodiu duas bombas na reta final da corrida. Três pessoas morreram, mais de cem feridos e uma outra explosão aconteceu na biblioteca JFK, mas depois ficou provado que nada tinha a ver com as primeiras.

Três mortos, entre eles uma criança de oito anos que corria em direção ao pai que cruzava a faixa final para abraçá-lo. Além dele sua irmãzinha perdeu a perna e a mãe sofreu lesão cerebral.

Corta o coração, principalmente quando tem criança no meio. Quem é pai sente uma dor maior pensando em seus filhos.

Inocentes pagando sempre por atos de insanos.

Não deve ser fácil viver sob o terror. Ok, aqui não temos terroristas, mas temos políticos, policiais corruptos, bandidos oficiais e disfarçados de ternos e fardas. Gente de todas as espécies que faz um país sem inimigos externos e climáticos como tsunamis e terremotos se equiparar aos que sofrem. Mas esse tipo de terrorismo não temos.

Por mais que os Estados Unidos se esforcem, ampliem sua defesa, se tornam mais neuróticos, bitolados não conseguem se livrar do terror. Por mais que o 11 de setembro tenha alertado os americanos sempre existirá o risco de retornar.

E o que os americanos fazem? Armam-se mais ainda em sua defesa, aumentam a neura, arrumam mais inimigos, partem para o confronto invadindo países, matando pessoas e ao mostrar poder aumentam sua fragilidade.

Sim. Pode parecer incoerente, mas não é.

Os Estados Unidos é um país que precisa de um parecer psicológico. Eu nunca estudei psicanálise na vida, mas ouso dizer que a “América” parece aquele cara grandão, fortão, que gosta de mostrar poder, mas tem baixa estima.

Mostra seu poderio bélico, nas artes, esportes, impõe o “american way of life” quando internamente é conturbado, frágil, implode. Depois da guerra do Vietnam passou por vários problemas com ex-combatentes, uma guerra traumática que dividiu o país.

Não são raros acontecimentos de pessoas comuns, americanos nível médio que invadem escolas, locais públicos e provocam matanças. Já mataram dois presidentes e tentaram matar outros. Vive e sempre viveu grande tensão social e racial. Um país que tem pena de morte e permite a venda de armas. Bélico, explosivo, perigoso.

Povo que vai as ruas, comemora quando matam um terrorista da mesma forma que fazemos quando nosso time é campeão no futebol. E ainda nos achamos errados!!

Viraram os líderes mundiais com consentimento das outras nações, os guardiões do mundo e se acham no direito de dizer como cada país tem que ser. No direito de expressar que não legitima uma eleição na Venezuela onde eles tem nada a ver com a história e financiar derrubadas de governo como no próprio Brasil com Jango.

Não. Isso não é teoria da conspiração, não é coisa de socialista bitolado porque não sou socialista nem adepto desse time de teoria. Os Estados Unidos derrubaram governos latino americanos ao longo dos anos, ajudou a derrubar o brasileiro em 1964 e está tudo documentado.

Como dessa forma eles querem ganhar amor? Como ficar livre do terror?

Alguns dos grandes inimigos dos americanos eram aliados. Saddan Hussein foi financiado pelos Estados Unidos na guerra Irã x Iraque, Osama Bin Laden também foi aliado. Alianças escusas, nebulosas, com interesses nada cristãos e que acabaram quando o petróleo entrou na história como no caso do Saddan ou alguém acha que os Estados Unidos estavam preocupados com o povo do Kwait?

E tome invasão no Iraque como paladinos da democracia para pegar o petróleo pra si. Tome aliança com Israel numa história explosiva, milenar e cheia de ódio e rancor que nada tem a ver com ele e dessa forma fermenta o ódio pelo mundo. Vira alvo do Oriente Médio e ocorrem coisas como o 11 de setembro.

O 11 de setembro é fruto do ódio. Meteram dois aviões nas Torres Gêmeas e no Pentágono porque odeiam os Estados Unidos e não teve um americano que tenha virado e pelo menos se perguntado “Por quê odeiam a gente?”.

Não. Resolveram atacar o ódio com ódio. Invadiram dois países pra bombardear. Inventaram umas armas químicas no Iraque para devastar o país e matar o ditador e genocida Saddan Hussein. Sim, ele não merecia final melhor, mas as armas químicas nunca foram encontradas e inocentes morreram em todos os lados.

Inocentes morreram do lado americano. A mídia explorou ao máximo esse sofrimento. Descobrimos vítimas, nomes de vítimas, história de vítimas, família de vítimas, tudo sobre e nos comovemos.

E os iraquianos? Alguém conhece alguma vítima iraquiana? Família, história, nome, algo?

Não. Porque como escrevi para a coluna do Ouro de Tolo que irá subir domingo a história é contada pelos vencedores e pelo status quo. Somos seguidores do americanismo e não nos importamos com essa mania deles tentarem impor a democracia no país dos outros na base da porrada. Não paramos pra pensar que gente como George W Bush é tão genocida, tão maléfico pra humanidade como Saddan Hussein e Osama Bin Laden.

Nessa história não tem bobo, não têm bonzinhos, tem vítimas, mas não são países e seus governantes, são suas populações que sofrem.

Temos mais três mortos agora que poderiam provocar muito mais mortes em algum outro país já que logo de cara acusaram organizações terroristas, países, falaram em retaliação, tiraram árabes de avião por conversarem em sua língua nativa, um caos e no fim descobriram que foi americano que provocou.

Americano que sangra seu próprio país, como outros que já fizeram e citei acima. Realmente americanos precisam de análise.

Não tenho nada contra os Estados Unidos. Gosto de NBA, NFL, Mc Donalds, Coca-cola, filmes do país, enfim, várias coisas, mas não gosto desse modo de pagar terror com terror, democracia imposta com guerra, se meterem em outros países. Isso pra mim não é democracia.

Democracia estranha que elege alguém que ficou em segundo numa eleição e não aceita eleição dos outros.

Que depois do ocorrido em Boston passou por uma explosão e incêndio no Texas com sessenta mortos e não sabe o que ocasionou. Que nesse momento faz uma grande operação policial na mesma Boston devido um tiroteio em um campus. A coisas não estão fáceis para os americanos. A democracia se assusta.

Democracia que expõe seus cidadãos ao horror.

Que não deixa um menino de oito anos abraçar seu pai.   

A democracia do medo.
 






2 comentários:

  1. Os EUA só são odiados porque pregam o ódio. Para mudar isso, seria complicado. Os governos americanos têm a mania de se achar no direito de mandar na vida dos outros países, achá-los menos importantes que eles e usarem da tal 'democracia americana' uma prerrogativa para fazer o que querem. Como costumo dizer, o problema é que numa guerra, numa conquista, não lutam Obama, Sadam, Bush, Kim Jong-Un ou Thatcher, mas são os inocentes de cada país, que nada têm a ver com a prática de seus líderes. E são expostos a coisas desse tipo. E é aí que as tais "democracia" e "liberdade" americanas trazem medo e repressão a uma população inteira. Triste.

    ResponderExcluir
  2. Pois é. Depois que publiquei apareceram esses dois suspeitos. Um morto, outro gravemente ferido. Tudo certo para que a população comemore e se ache segura novamente até o próximo ataque

    ResponderExcluir