domingo, 15 de maio de 2011

Capítulo XVII - Night Fever

Mudei-me pra Nova York. Lá conheci um barbudinho brasileiro com quem fiz amizade. Ele era um cantor e compositor de talento chamado Raul.

Ouviu minhas histórias e ficou fascinado dizendo que eu era doido, respondi que era doido desde que nasci. Aí ele disse que era doido, mas um doido bacana, um “maluco beleza”. Ri dessa expressão e até falei que dava música.

Ele me disse que faria uma música com esse nome em minha homenagem.

Voltou ao Brasil e eu não. Ainda era um exilado político e se voltasse ao país seria preso. Decidi fazer meu “viva Las Vegas”. Fui aos cassinos relembrar meus tempos de malandro no Rio de Janeiro e perdi tudo na roleta. Mas gostei da cidade e fiquei.

Arrumei um trabalho de segurança no cassino. Era até um trabalho legal o chato só era que tinha que ficar vestido de Elvis Presley. Todos os funcionários da casa se vestiam de Elvis. Era uma coisa muito estranha.
Um dia tinha uma moça que tinha bebido além da conta. O cassino fechando já e ela dormindo na mesa. O gerente chegou perto de mim e comentou que era a mulher do dono falei que era bom ligar pra ele ou alguém da casa. O gerente falou que seria loucura incomodar o homem naquela hora porque era um homem violento.

Ele teve a idéia então que eu a levasse em casa. Perguntei se ele que era o doido da conversa não podia levar já que o homem era violento. O gerente mandou que eu não discutisse ordens. Então levantei a mulher e vestido de Elvis coloquei no carro e deixei em casa.

Na noite seguinte o gerente veio correndo contar que o dono do cassino estava acompanhado da mulher e queria falar comigo. Gelei e fui até a mesa. O homem agradeceu e contou que passaria fim de semana fora e precisava de minha ajuda, fazer companhia pra sua esposa enquanto ele tivesse fora. Meio engasgado suando frio aceitei.

Na noite marcada peguei em casa e levei pra jantar, seu nome era Kelly. No local tinha um pequeno concurso de dança e nós ganhamos. Foi uma noite bem legal deixei a moça em casa e fui embora correndo antes que a tentação me pegasse. No dia seguinte soube que ela quase morreu ao cheirar heroína pensando que fosse cocaína e antes que o dono do cassino voltasse e se chateasse com a situação me mandei e voltei pra Nova York.
Voltei pra cidade e fui morar no Brooklyn. Arrumei um emprego em uma loja de tintas e segui minha vida com tranqüilidade. Vivia pro trabalho e nas noites de sábado ia pra uma discoteca da região a “odisséia 2001”.

Adorava me acabar na pista de dança sentia-me o rei ao som de Bee Gees, Donna Summer, Gloria Gaynor, Abba, The Carpenters e Village People. Cheguei a entrar num concurso de dança na disco, mas fiquei em terceiro perdendo para um rapaz metido de paletó branco e esparadrapo no rosto e pra um casal porto riquenho. O cara metido ganhou, mas eu achei que o casal de Porto Rico dançou melhor.

Sentia saudades do Brasil estava muitos anos fora. Não sentia falta dos últimos momentos no país e nem do tipo de governo que deixei por lá. Os Estados Unidos não eram a minha pátria, mas bem ou mal vivia em um país livre. Mas sentia falta das praias do Rio de Janeiro, das cariocas lindas, futebol no Maracanã, desfile de escolas de samba. Sentia falta de Tremembé também, minha família, os vivos e mortos, meus amigos.

Claro sentia falta de Aloemi que já devia ser uma jovem senhora. Imaginava se ela tinha casado teria filhos e pela idade se os netos estavam chegando. Eu nem filhos tive imaginava que teria com ela, mas a vida não deixou.
Olhava a foto e nela já estava com cabelo quase todo branco, rugas, pés de galinhas, coisas que todo homem próximo dos sessenta anos tem. Sessenta anos..nossa..Olhava pro espelho e via aquela aparência de trinta anos, mas eu estava próximo dos sessenta. Passava a mão em meu rosto e não sabia até onde aquilo era um castigo ou uma benção.

Bem, vivia a minha vida no trabalho e na discoteca até que..já notaram que sempre tem um “até que...” nas minhas histórias né? Principalmente em relação a mulheres, enfim, até que conheci uma mulher.

Estava na discoteca quando reparei em uma mulher dançando com um homem. Ela era bonita uma beleza exótica. Olhos pintados de preto, tatuagens e dançava de uma forma agressiva, como se fizesse sexo.   
Parei para observar aquela mulher dançando. Alguns minutos depois ela saiu da pista e fui atrás, mas ela sumiu. Perguntei ao Thiago, porteiro português da casa se a conhecia. Descrevi e ele falou que ela já tinha ido algumas vezes à discoteca, mas não a conhecia e que ela tinha ido embora. Fui até a rua quando a vi entrando no carro e partindo.

Fiquei triste imaginando que não a veria mais e com isso perdido a oportunidade de conhecer alguém bem especial. Voltei para a discoteca e continuei dançando e beijando como sempre fazia. Na segunda estava no trabalho normalmente atendendo os clientes quando ela entrou.

Identifiquei de cara não tinha como esquecer um visual daqueles. Senti um arrepio na espinha e perguntei no que poderia ajudá-la. Ela disse que precisava de tinta da cor pastel. Notei um forte sotaque português nela e falei que ela não era americana e perguntei de onde era. Respondeu que era de Angola e perguntou como eu tinha notado, respondi que também não era de lá era do Brasil.

Ela deu um sorriso discreto e cortou qualquer início de conversa perguntando se eu tinha a tinta respondi que sim e fui buscar. Voltei, entreguei e ela agradeceu. Comentei que tinha lhe visto sábado na discoteca. Ela sem olhar pra mim respondeu que ia lá de vez em quando, mas não se lembrava de ter me visto.

Aquela resposta feriu meu orgulho, mas engoli em seco. Ela pagou pela tinta e quando estava saindo me atrevi e perguntei se ela já tinha quem pintasse. Ela respondeu que não e eu que nunca tinha pintado nada na vida me ofereci. Ela aceitou.

Depois do expediente fui ao endereço e ela me atendeu. Perguntei seu nome e ela respondeu Natália perguntou o meu e disse que era Doido. Ela perguntou se doido no Brasil tinha outro significado porque em Angola queria dizer que a pessoa não era sã. Respondi que não que no Brasil doido também era maluco.

Ela havia acabado de comprar aquela casa. Era em um bairro bom de Nova York tem que ter algum dinheiro pra comprar lá. A casa estava uma bagunça, os móveis chegando muito trabalho para ser feito.
Comecei a pintar e notei que ela não saía do telefone. Parecia resolver negócios, vi também várias fotos dela com pessoas famosas, artistas, pessoas da noite. Comecei a pensar que aquela mulher era alguém importante. 

Nos dias seguintes fui pintar e ela não me dava muita atenção apenas falava do lado profissional, como queria a pintura e se estava ficando bom. Finalizei, ela elogiou pagou e eu agradeci. Saí da casa frustrado porque não me aproximei como queria.

Uma noite estava na discoteca sentado em uma mesa bebendo quando senti uma mão no meu ombro perguntando se eu queria dançar. Quando olhei pra ver era a Natália. Não esperava e minha reação foi de surpresa, olhei e ela reforçou a pergunta. Levantei peguei sua mão e fomos para a pista ao som de “More than woman”.

Dançamos a noite toda e no fim ofereci para que levasse em casa. Conversamos e no caminho contei da minha vida, só as partes “normais” e ela enigmática com a sua. Perguntei o que ela fazia no que trabalhava e ela só disse que trabalhava com “eventos".

Parei meu carro em sua casa tentei beijá-la e ela desviou o rosto. Perguntei se poderia visitá-la e ela falou que não, mas iria me ver na discoteca. Despediu-se e entrou. Começava a ter uma grande atração por aquela mulher.

No sábado seguinte fiquei esperando e ela não apareceu fato que me deixou  chateado. No sábado seguinte ela apareceu como se nada tivesse acontecido. Irritado falei que tinha esperado no sábado anterior feito bobo e ela não apareceu. Natália riu e disse que iria à discoteca, mas não disse quando. A resposta me desarmou, sorri e fomos para a pista dançar.  
Levei pra casa e quando encostamos começou a tocar “how deep is you Love” no radio. Parei para ouvir e Natália perguntou se estava tudo bem, respondi que sim e que amava aquela música. Nesse momento ela me beijou.

Depois do beijo ela chegou ao meu ouvido e disse “vem”. Descemos do carro, entramos na casa e pela primeira vez fizemos amor, um amor gostoso, delicioso.

No dia seguinte estava no trabalho quando o Thiago, porteiro da discoteca entrou correndo e disse que eu precisava ver uma coisa. Falei para Thiago que naquele momento não dava estava em horário de trabalho, ele então contou que no fim da tarde voltaria.

No fim da tarde estava fechando a loja quando ele apareceu. Curioso perguntei o motivo de todo aquele alarde e ele me puxou pelo braço dizendo que tinha que ir com ele. Chegamos à frente de um cinema adulto, falei que não entraria lá que era local de perversão de homens procurando sexo. Thiago argumentou que era muito importante e entramos.

O local era mal cuidado, poeirento e tinha apenas alguns homens. Sentamos e perguntei ao Thiago o que tanto ele queria que eu soubesse. Ele mandou que eu ficasse quieto e assistisse. Era uma paródia pornô de “Guerra nas Estrelas”. Um homem com roupa de Darth Vader e uma espada de luz se aproxima da princesa Léa, diz “I am your father”  e abre a braguilha da calça ficando com o “Luke Skywalker” de fora. Nisso a princesa Léa faz cara de gulosa e se abaixa. Nessa hora dou um pulo da cadeira. Era a Natália!!.

Thiago confirmou, sim era a Natália, a mulher que freqüentava a discoteca, que eu estava saindo e sentindo forte atração era atriz de filmes pornográficos. Levantei e fui embora com o Thiago falando para eu ficar que ainda vinha a melhor parte.

Fiquei sem saber o que fazer com aquela situação. Como tratar a Natália de agora em diante. Mesmo ela não querendo bati em sua porta. Natália me atendeu perguntando o que tinha acontecido, respondi nada apenas beijei sua boca com vontade e a empurrei pra dentro.

Com bastante vontade e agressividade puxei Natália pro quarto e fizemos um amor selvagem na cama de várias formas possíveis. Depois deitados ela perguntou se eu tinha descoberto e respondi que sim e que vi um filme dela. Ficamos quietos por mais um tempo e perguntei “por que” ela respondeu que a grana era boa, com aquele dinheiro sustentava a casa e tinha um bom padrão de vida e que nada faria que ela largasse o ramo. Perguntei nem por mim e ela respondeu que principalmente por homem.  

Decidi me afastar dela, mas não consegui Natália era deliciosa, ótima na cama e além de uma boa companhia. Meu afastamento durou dois dias apenas e logo depois já corria de novo atrás dela. Nosso caso era quente, nossa dança era quente e já não me importava mais que ela fosse atriz pornô.

Um dia na cama ela perguntou se eu queria conhecer seu trabalho, olhei e perguntei se ela falava sério. Natália respondeu que sim que iria filmar no dia seguinte e perguntou se eu tinha curiosidade de saber como era a produção de um filme pornográfico. Apesar da idéia de vê-la contracenar me incomodar eu topei.

No dia seguinte fomos ao set de filmagem. Natália me apresentou a um negão enorme e era conhecido como Long Dong Black. No início não entendi muito o apelido, mas entendi logo que tirou a calça. Era uma afronta o que ele tinha entre as pernas. O diretor mandou que Long Dong e Natália se posicionassem logo para a cena que iriam filmar.

Com muita dor no coração e pena da minha garota fiquei ao lado do diretor para assistir a cena. Na hora que iria começar o ato Natália prontinha o negão do nada começa a chorar.

Ninguém entendeu nada. O diretor perguntou o que acontecia e o negão disse que não iria conseguir havia brigado com sua mãezinha de manhã e ela por vingança não fez bolo de fubá pro café da manhã e sem bolo de fubá ele não era ninguém. O diretor se enfureceu e mandou que Long Dong botasse a roupa e saísse do set depois apavorado botou as mãos na cabeça e falou que tinha que rodar aquela cena de qualquer forma porque tinha prazo pra entregar o filme e precisava de um substituto para Long Dong. Natália e o diretor olharam pra mim e eu assustado falei “nem vem”.

Assim começou minha carreira na indústria pornográfica. Fiquei só de cuecas e o diretor mandou que tirasse. Cheio de vergonha tirei e o diretor parabenizou, mas pediu que eu tirasse os sapatos também, é a velha mania..
Tirei tudo e Natália disse no meu ouvido para fazer o que eu estava acostumado e eu fiz. A cena ficou muito boa e o filme faturou muito. Meu nome artístico virou “Big Crazy”. A timidez e a humildade não permitem que eu fale o motivo do nome.      

Acabou que fiz carreira como ator pornô. Transei com muitas mulheres, ganhei muito dinheiro e montei em sociedade com Natália minha própria produtora. Viramos os bons, a elite, “gente que faz”. Paramos de freqüentar a “Odisséia 2001” e passamos a freqüentar o “Studio 54”, famosa discoteca de Manhattan freqüentada por celebridades e gente bonita. Não era raro encontrar gente cheirando e transando pelos cantos da disco. Natália e eu mesmo cansamos de cheirar cocaína na pia do banheiro e depois em pé mesmo transarmos em uma das cabines do mesmo.

O ramo dos filmes pornográficos ia muito bem, sexo sempre deu muito dinheiro na América. Além dos filmes lançamos uma revista com conteúdo pornográfico. Nossa vida eram os filmes, muito sexo, festas e drogas. Dávamos festas na mansão que compramos onde garçons serviam cocaína em bandejas junto com canudinhos. Orgias eram feitas na piscina e na banheira de hidromassagem que tínhamos em nosso quarto. Natália arrumou uma namorada coreana que virou minha namorada também e assim vivemos um tempo relação a três.

Mas a revista, os filmes e nosso tipo de vida começava incomodar os moralistas americanos. Nosso poder e sucesso aumentavam cada vez mais e além dos Estados Unidos terem problemas com sexo eles tem mais problemas também com imigrantes que fazem sucesso.

Alguns pastores estilo Jesse Jones começaram a ir à televisão pregar contra mim. Passeatas eram feitas na frente do prédio que funcionava a produtora e a revista e eu de pirraça jogava talco em cima dos moralistas. Várias vezes liguei para a TV na hora que pastores falavam mal de mim e começava um debate onde o deboche e o sarcasmo que nasceram comigo eram minha principal forma de argumentação.

Eu já tinha experimentado drogas na época dos hippies, maconha, LSD, mas como se diz eu naquele momento estava “enfiando o pé na jaca”. Não tinha um dia que não tomava uma garrafa inteira de uísque, cheirava cocaína ou me picava com heroína. Natália fazia o mesmo. Vivia doidão e Thiago, o porteiro que havia virado vice presidente das empresas se preocupava e falava para que maneirássemos. Nosso consumo era muito grande e com os protestos e cerco feito pelos moralistas os negócios já não iam tão bem. Até que tive uma idéia que a princípio me parecia genial, mas foi estúpida.

Bolei a idéia de um filme. A história seria sobre um pastor que pregava pela moralidade e preservação da família americana, mas na verdade era um pervertido que transava com homens e mulheres. Seria nosso primeiro filme bissexual. O personagem todo seria baseado no pastor Flynt o que mais nos atacava. Thiago achou que não era uma boa idéia e podíamos ter problemas, Natália num ataque de lucidez concordou. Mas eu totalmente chapado disse que faríamos, ponto final e quem mandava era eu.

Fizemos o filme e ele foi um grande fracasso levando a produtora ao vermelho. O problema não foi só esse o pastor Flynt ficou  enfurecido e um dia um oficial de justiça bateu na porta da mansão para me entregar um papel mandando comparecer a um tribunal. Ele estava me processando.
Eu apareci no júri com uma espécie de vestido e barba postiça. O juiz indignado perguntou o que aquilo significava. Respondi que representava Tiradentes que morreu lutando pela liberdade de meu país então eu iria àquele júri representando a liberdade do sexo. Ele não aceitou minha teoria e mandou que eu tirasse a barba imediatamente.

O processo correu e no fim fui condenado a pagar dois milhões de dólares ao pastor por indenização. Gargalhei o juiz irritado perguntou o motivo de meu riso e eu respondi que estava falido e a única solução era eu dar um dólar pra ele por dia e em dois milhões de dias eu pagaria toda a dívida.

 Ainda fazia as contas nos dedos em quantos anos daria dois milhões de dias quando o juiz irritadíssimo bateu o martelo e falou que reverteria minha pena a dois anos de cadeia. Natália começou a chorar desesperada, o advogado disse que iria recorrer e eu fui levado algemado por dois policiais cantando o hino dos Estados Unidos.

A vida na cadeia era extremamente chata sem comparação com a vida de festas, drogas e orgias que eu vivia. O pior que cadeia americana é especialmente chata. Tudo limpinho, organizadinho, sem a bagunça que é a cadeia brasileira.

Um dia recebi a visita de Natália nos falamos separados por um vidro e por telefone. Ela chorando contou que estava com saudades minhas que a vida não era a mesma sem mim e que Thiago tentava administrar a produtora e a revista, mas eram tempos difíceis. Falei que tudo daria certo para que ela tivesse confiança que o advogado estava recorrendo e logo eu estaria fora da cadeia. Contei que sentia saudades dela de sua companhia, de deu corpo, seu toque e morria de tesão por ela.

Ela chorando largou o telefone. Desabotoou a blusa e encostou um seio nu no vidro pra que eu me tocasse. Morri de vergonha e mandei que ela se vestisse que eu estava com tesão, mas não precisava exagerar. Notei que os guardas e os outros presos começavam a chegar perto de onde eu estava para ver e eu me virei tampando e falando enfurecido que pra ver minha mulher nua teriam que ir ao cinema ver nossos filmes.

O meu advogado conseguiu que na apelação a pena diminuísse e como eu já estava há meses na prisão fui solto. Saí todo feliz e corri pra casa para ver a Natália. Entrei na mansão e nosso cachorrinho baleia me sorriu latindo e pulando em cima de mim. Fiz uma grande festa com ele e perguntei por sua mãe, ele continuava latindo feliz e abanando o rabo. Depois tentou transar com minha perna, mas isso é irrelevante.

Chamei muito por Natália, percorri todos os cômodos e nada dela. O advogado entrou na mansão e eu perguntei se ele sabia dela e se ela sabia que eu sairia naquele dia. Ele respondeu que ela sabia sim e que tinha inclusive pedido para eu cuidar de baleia. Não entendi e perguntei “como assim cuidar?”.

O advogado contou que ela e meu vice presidente e ex porteiro Thiago tinham se apaixonado e naquele momento estavam a caminho do aeroporto viajando para a Turquia. Fiquei espantado com a notícia sentei no sofá e antes que o advogado falasse alguma coisa disse que não iria deixar. Botei meu jaquetão, meu chapéu e corri. Tentei ligar meu carro e ele não pegou.

Peguei o primeiro táxi que passava e mandei que acelerasse pro aeroporto.

Invadi a pista e corri por ela chamando Natália. Antes de entrar no avião com Thiago ela viu e foi ao meu encontro. Enquanto ela andava em minha direção pensei no que estava fazendo. Eu gostava da Natália, tinha tesão nela, mas não amava. E se ela e Thiago se apaixonaram? Eu não podia impedir aquele amor e quando ela chegou perto de mim decidi dar uma de Humphrey Bogart.

Ela se aproximou e disse “Oi Doido”. Antes que ela se aproximasse mais e tentasse me beijar falei “Não baby, vá com ele entre nesse avião e me esqueça. Você pode não se arrepender hoje nem amanhã, mas um dia vai e será pelo resto de sua vida”.  Nunca fui tão galã na minha vida, eu era o próprio Bogart.

Natália sorriu e disse que não entendeu nada o que falei. Que tinha vindo a mim só pra entregar umas promissórias da produtora que tinha esquecido em casa e pediu para que cuidasse de baleia. Deu-me um beijo no rosto virou-se e foi embora. 

Fiquei ali mais uma vez na vida com cara de bunda. Enquanto Thiago abraçava e beijava Natália e eles subiram a escada pro avião gritei “Nós sempre teremos Paris!!”. Ela na porta do avião se virou e disse “Doido, nós nunca fomos a Paris”. Falou, entrou no avião e ele partiu. No momento pensei que talvez fosse melhor não contar a nossa namorada Paris que Natália não se lembrava dela. 

Comecei a caminhar para ir embora e o taxista se aproximou de mim. Abracei o homem e disse que aquele era o início de uma grande amizade. Ele respondeu que na verdade não era, só estava lá pra cobrar a corrida que eu não havia pagado. Achei melhor pagá-lo. Ele usava um moicano muito esquisito e tinha cara de psicopata.

Paguei, ele foi embora e eu fiquei ali sozinho com cara de..vocês já sabem o que...

“You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by”
    

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