sexta-feira, 13 de maio de 2011

Capítulo XV - Era de Aquários

Partimos do Brasil para o exílio. Muitos companheiros decidiram ir para Cuba, outros pra União Soviética, eu cansado de sofrer decidi que estava na hora de ser capitalista e fui pra Disney.

Cheguei na Disney passeei, me diverti e ainda consegui arrumar um emprego. O rapaz que fazia o personagem do Pateta tomou um tiro no ombro em pleno parque da esposa enfurecida de ciúmes. Foi triste ver o Pateta ali estirado no chão com a mulher sendo levada e gritando “mother fucker!!” essa cena deve ter acabado com os sonhos de muitas crianças. 

E lá estava eu vestido de Pateta animando a criançada até parecia título de livro “De guerrilheiro a pateta, a saga de um doido”. Participava dos desfiles no parque, brincava nas atrações da Disney, cantava a musiquinha “há um mundo bem melhor, todo feito pra você”. Tinha uma certa rivalidade com o Mickey que era um bêbado canalha viciado em jogatina e tentava me derrubar com os administradores do parque.

Mas tirando esses probleminhas com aquele rato dos infernos eu era feliz como há tempos não era. Havia sofrido muito nos últimos anos de Brasil lembrava de todos os companheiros que haviam tombado na luta pela democracia, pensava em Raquel e a agonia que devia ter passado. Acordava de madrugada tendo pesadelos, sonhava que estava sendo torturado ou morto no Araguaia. Esses fantasmas me acompanhariam ainda por muito tempo na vida e até hoje lembro de vez em quando fizeram marcas em minha alma.

Pensava em Aloemi e que mesmo não lhe vendo nem tendo notícias suas há vinte anos o amor era muito forte ainda em meu coração. 

Um dia o parque ficou em polvorosa porque o presidente dos Estados Unidos faria uma visita ao local. Um forte esquema de segurança foi feito para que nada desse errado. O presidente Richard Nixon chegou e foi bem simpático cumprimentando todos os funcionários eu fui o único que esqueci de tirar a cabeça do personagem e notei que o presidente olhava de forma estranha para mim.

Ficamos os dois parados lá ele segurando minha mão e eu tentando entender o que ocorria. Nisso o Mickey chega e fala “a cabeça imbecil”, me toquei e sem graça tirei a cabeça do personagem sorri para o presidente Nixon, ele olhou para mim e disse “you are crazy” respondi “desde que nasci Mr.President”.

Nesse momento senti como se minha bunda tivesse sido picada, soltei um ai e caí por cima do presidente. A segurança entrou em polvorosa, era um atentado. Outro tiro foi dado e acertou de raspão o nariz do Mickey. A segurança pegou o responsável pelos tiros que com um rifle na mão gritava pelo fim da guerra do Vietnã.

Sem querer acabei virando um herói nacional. Fui capa de revistas e jornais por toda a América ao lado do presidente e vestido de Pateta. Mas não ganhei muito devido a isso pelo menos em dinheiro nada, apenas direito a visitar a Casa Branca participando de um jantar na mesma.

Foi meio constrangedor quando fui ao banheiro dei a descarga e ela quebrou na minha mão não parando de vazar água. Enquanto tentava consertar o vazamento ouvi um papo do presidente com assessor falando de documentos do partido democrata que teriam que conseguir, não entendi muito bem. Também ganhei uma almofadinha com um “tio San” para usar enquanto meu glúteo se recuperava. 

Virei uma celebridade na Disney. As crianças só queriam tirar fotos comigo. O Mickey ficou desesperado porque mesmo ficando com o nariz torto devido ao tiro ninguém queria saber dele. Virei o super Pateta sem nem precisar de amendoim para tal, perdi a conta de quantas mulheres peguei embaixo da montanha russa.

Um dia estava lá como sempre sendo paparicado quando vi umas pessoas com roupas estranhas. Pareciam vestidos, cabelos longos, sorriso permamente nos lábios e pandeiros na mão.

Fiquei olhando por um bom tempo aquele grupo festivo até que uma moça chegou perto de mim e pediu para tirar uma foto com o Pateta celebridade. Concordei e tirei.   

Depois ela me entregou uma rosa. Era uma moça bonita, jeitinho encantador, pronto lá estava eu mexido de novo. Não conseguia mais me concentrar no trabalho e só olhava para o grupo e principalmente para moça. Um menino chato se aproximou e ficou puxando meu braço enquanto eu olhava pra menina. Me aborreci e falei “cai fora garoto chato!!”, ele saiu correndo chorando e eu me aproximei do grupo.

Tentei puxar conversa com a garota quando ela disse que eles já estavam indo embora e perguntou se eu queria ir junto. Perguntei para onde, ela contou que eles iriam a um show em Woodstock e tinha lugar no ônibus. Pensei muito se valeria a pena até porque eu tinha uma vida boa e era uma celebridade na Disney. Mas quando vi o menino chorando voltando com a mãe e meu chefe eu topei.

Entrei no ônibus e todos olharam de cara estranha pra mim. Sentei ao lado da moça que se chamava Thais, me apresentei e aconteceu todo aquele blá blá blá que vocês estão lendo há muitos capítulos “sim, doido desde que nasci” e etc. Depois de algum tempo ela contou que era do Brasil, do interior de São Paulo, ri e ela me perguntou porque e disse que também era brasileiro e do interior de Minas. Ela também riu, ainda mais do fato que éramos dois brasileiros e estávamos há horas falando em inglês.   

Notei que todos ainda olhavam para mim de forma estranha. Nisso um homem negro que estava no banco da frente vira e começa a falar desembestadamente. Falava de Martin Luther Ling, Malcon X e da luta do negro americano. O Homem era o que se chamava de “pantera negra”. Olhava pra ele com cara de estar prestando muita atenção, mas não entendia nada. Thais só ria.

Uma hora o homem se irritou e perguntou do que ela ria tanto. Thais respondeu que eu era brasileiro também e ele podia falar em português. Pois é o negro americano que falava com tanto orgulho de sua raça e da luta deles nos Estados Unidos era carioca e se chamava Zé, mas exigia ser chamado de Power People Nigger.

Chegamos em Woodstock e lá rolava um festival de música anunciado como uma “Exposição Aquariana três dias de paz e música” realizado entre os dias 15 a 18 de agosto de 1969. O festival contou com artistas do porte de Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Reevival, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker, Jimmy Hendrix entre outros. Acabou que aquele festival despretensioso entrou par a história da música.    

Posso dizer que nunca havia dançado tanto na minha vida. Todas as pessoas no local se vestiam como as do ônibus. Eram chamados de hippies. Dançavam, cantavam, pregavam a paz, o amor e o fim da guerra do Vietnã, chovia no local ele estava cheio de lama, mas ninguém se importava.
Sentei um pouco porque estava cansado. Thais sentou ao meu lado com o sorriso adorável que já estava me acostumando e perguntou ”não vai tirar?”, não entendi e respondi perguntando “tirar o quê?”, ela respondeu “a cabeça do Pateta”. Só naquela hora notei que estava o tempo todo ainda com a roupa do Pateta e a cabeça. Por isso que todos olhavam pra mim tanto no ônibus quanto no festival.

Tirei a cabeça do Pateta, Thais olhou pra mim e disse que até que eu era bonito e me beijou. Ficamos lá nos beijando ao som do rock n`roll, levantamos e fomos a um lugar escondido fazer amor.

Voltamos e sentamos no gramado, eu feliz só queria curtir o som. Thais pegou papel, uma espécie de fumo, enrolou, acendeu e puxou. Perguntei o que era aquilo e ela me respondeu que era maconha e se eu queria experimentar. Respondi que não tinha certeza poderia me faria mal e ela disse que não que para que eu experimentasse que iria gostar. 

Ela me ensinou como eu deveria fazer e fiz. Depois falei que não senti nada e se ela tinha certeza que aquilo causava algum tipo de efeito. Comecei a rir, o riso virou uma gargalhada e falei que não sentia nada e queria experimentar de novo. Puxei, prendi mais um pouco e a gargalhada aumentou falando que realmente aquilo não fazia efeito nenhum em mim.

Olhei pro céu ri e falei pra Thais que as nuvens estavam engraçadas pareciam fazer amor e depois via elefantes dançarem. Não notei, mas estava muito doido literalmente. Levantei e comecei a dançar parecia que flutuava ao som de Janis Joplin. Rindo e dançando, é realmente a maconha não me fazia efeito nenhum.

No fim do festival Thais puxou minha mão e disse para acompanhá-los que muito ainda tinha para ser feito, eles mudariam o mundo. Embarquei no ônibus e foi uma época muito louca. Viajamos por todos os Estados Unidos pregando a paz e o amor, lutávamos contra a guerra do Vietnã participando de mega protestos em Washington, Nova York. Veteranos da guerra se juntavam a nós e o ônibus ficava cada vez mais cheio.

Eu não havia esquecido minhas raízes nem a luta que participei. Vibrei quando a ALN juntou com o MR-8 sequestrou o embaixador norte americano Charles Burke Elbrick em setembro de 1969 e conseguiram a libertação de quinze presos políticos. Também vibrei com a conquista do tricampeão mundial pela seleção brasileira de futebol em 1970. Sentia saudades do meu país, mas era um exilado político, nem podia sonhar em voltar.

Decidi naquele período fazer jus ao meu nome e viver uma época louca. Experimentei todos os tipo de drogas com Thais. Maconha, LSD, viajava no ácido para expandir minha mente. Virei hippie assim como as pessoas com quem eu andava, deixei o cabelo crescer, me vestia como eles. Só não curtia muito o hábito deles de não tomar banho, preferia tomar o meu todos os dias.

Minha relação com a Thais era muito boa também. Éramos amigos, namorados, amantes. Falávamos do Brasil e como era nossas vidas no país. Ela havia migrado pros Estados Unidos por opção, foi para estudar. Contei de toda minha vida, desde minha infância, Ericka e os Ets, Aloemi passando pela minha luta contra a ditadura militar brasileira. Thais me olhava e falava para que eu maneirasse no ácido que estava me fazendo mal. Tínhamos como eu disse uma ótima relação. Só não havia me acostumado ainda com essa história de amor livre, não gostava de vê-la com outros mesmo eu também podendo.  

Um dia estávamos em São Francisco quando vimos um homem falando e em volta dele muitas pessoas ouvindo. Paramos para escutar também. Era um homem mais velho por volta de seus cinquenta anos, eu também tinha passado dos cinquenta, mas graças a magia da cigana Regina ninguém havia percebido. O homem falava coisas do coração, sentimentos, amor, paz e  principalmente de Jesus.

Contava que Jesus havia morrido na cruz para nos salvar, éramos seus servos e para ele devíamos viver. Ouvia aquele homem e lembrava das missas de quando era criança, as missas de meu pai padre Pinheiro. Confesso que dei uma balançada me emocionei um pouco ouvindo aquele homem e lembrando de minha infância em Tremembé, mas alguma coisa não me convencia naquele discurso.

Quando olhei para o lado e falei para Thais pra irmos embora, que deviam estar nos esperando ela chorava. Perguntei se algo havia acontecido e ela respondeu “é isso, essa é a verdade”. Ri e falei que ela não podia estar falando sério que aquele homem era um charlatão. Thais respondeu que não, que ele era a luz, o que ela procurava e quando ele gritou aleluia e todos responderam ela foi a que respondeu mais forte.

A pregação acabou e falei para Thais pra irmos embora, mas em vez de irmos ela foi de encontro ao homem. Beijou a sua mão e disse que ele era o caminho da salvação. Ele pôs a mão em sua cabeça e disse “Deus lhe abençoe minha filha”, perguntou nossos nomes e respondemos, quando disse o meu o home falou “Você é doido só até esse momento, se me acompanhar lhe mostrarei o camimho da liberdade e da normalidade”. Ele pensou que doido fosse apelido, é eu também pensaria.

Revelou que seu nome era Jesse Jones e era um pregador. Seu papel era juntar ovelhas para seu rebanho e prerará-los para o dia do juízo final. Elogiei, disse que sua atitude era muito bacana desejei boa sorte e puxei Thais para irmos embora, mas ela não foi e disse que iria com ele.

Falei pra Thais que aquilo era um absurdo, que era pra irmos embora porque esperavam pela gente. Ela disse que não iria e que se eu quisesse poderia ir sozinho. Aproximou-se de Jesse e perguntou se poderia se juntar a seu rebanho. Ele sorriu disse claro que sim e deu a mão para ela pra que acompanhasse. Os dois partiram fiquei sem saber o que fazer e irritado falei “tá bom, tá bom” e fui atrás deles.

Nosso destino foi uma fazenda no Texas. Um terreno grande com algumas casas e um casarão. Olhei sem entender como um homem que pregava o não acúmulo de bens materiais poderia ter uma fazenda daquelas. Vivíamos para a colheita tudo o que produzíamos consumíamos e fazíamos nossas roupas também. Todos os dias havia pregações do Jesse Jones onde ele falava de Deus, Cristo e do dia do juízo final que estava próximo, todos prestavam muita atenção e acreditavam em suas palavras. A impressão que dava era que o único são daquele lugar era eu.

Os anos foram passando e eu me acostumando àquele local, mas continuava não concordando com as idéias de Jesse Jones. Thais estava cada vez mais empolgada e fanática e isso me preocupava, não só o fanatismo dela como de todos daquela fazenda. A vida tinha me ensinado aonde o fanatismo levava afinal havia participado de uma guerra na Europa por causa dele. Tentava conversar com Thais mostrar pra ela o perigo daquela situação, mas ela não me ouvia e o pior estava cada vez mais próxima de Jesse Jones.

Um dia Thais virou pra mim e disse que era melhor que nosso caso chegasse ao fim. Perguntei porque e ela me respondeu que nosso modo de pensar era muito diferente e ela havia se apaixonado por outro. Perguntei quem era esse outro homem e ela respondeu que era o pastor Jesse Jones. Tentei argumentar mais uma vez mostrar pra ela que ele não prestava que aquela história acabaria mal e eu gostava dela. Thais foi incisiva comigo, mandou que eu não falasse mal de seu futuro esposo e que se eu continuasse com aquelas atitudes me denunciaria.

Thais e Jesse Jones se casaram na fazenda e eu mesmo cheio de ciúmes vi que estava indo pelo caminho errado. Decidi ganhar a confiança do pastor e assim tenta descobrir quais eram seus planos. Com o tempo ganhei a confiança e virei um de seus principais colaboradores, virei seu assessor financeiro e descobri que ele tinha conta em banco mesmo pregando ser contra o dinheiro. Não só conta no banco como uma conta muito polpuda. Cada vez mais eu tinha certeza que algo ele estava tramando.

Um dia tive a certeza da trama. Pastor Jesse Jones reuniu todos seus seguidores na frente do casarão comigo ao seu lado. Disse que tinha um comunicado muito importante para fazer ao seu rebanho e que todos deviam prestar atenção.

Jesse Jones comunicou que na noite anterior estava fazendo suas orações como sempre e que Jesus havia aparecido pra ele. Todos espantados fizeram “ooohh” eu mais ainda virei pro lado e disse  “o quê?”. Ele continuou a pregação e contou que Jesus havia descido para conversar porque tinha um comunicado muito importante para fazer, o dia do juízo final. Novamente todos fizeram “ooohh” e eu “o quê?”.    

O pastor deu a data do juízo final, era dia 8 de agosto de 1974 e a hora 21:23hs. Um grande rebuliço tomou conta da fazenda já que o dia estava próximo, menos de uma semana. Eu olhava espantado para o pastor ainda mais que era véspera do meu aniversário e o fim do mundo com certeza atrapalharia minha comemoração. Thais com as mãos espalmadas para o alto fazia prece e Jesse pedia para que todos ficassem em silêncio porque não havia terminado ainda. Todos se aquietaram e Jesse contou que Jesus não queria que seu rebanho sofresse por isso antecipou o comunicado à ele e contou o principal.

Jesus teria ordenado o suicídio coletivo. Todos teriam que se matar para alcançar o reino dos céus. Um lugar de amor, fartura, felicidade ao lado dele e de Deus e que aqueles que ficassem na Terra receberiam todo o castigo pelas maldades cometidas pelo homem.

A algazarra e o alvoroço tomaram conta do local. Eu tinha certeza que aquele homem tramava algo muito sério, mas não podia deixar transparecer minha desconfiança. Mandei que todos se calassem e falei que devíamos confiar em nosso pastor que ele nos levaria ao reino do Senhor e aquele era um momento sublime porque fomos escolhidos de Jesus para a purificação final. Gritei aleluia e todos me acompanharam, assim cada vez mais ganhava a confiança daquele charlatão.

Em um trabalho de espionagem descobri toda a trama. Ele não se chamava Jesse Jones e nem era americano. Na verdade era alemão e se chamava Vaice Phoder. Era um grande estelionatário e enquanto estava naquela de pastor, rebanho, amém deu um grande golpe no mercado financeiro americano e fugiria com o dinheiro para Bali. O suicídio coletivo que ocorreria na fazenda seria um disfarce pra chamar atenção enquanto ele fugia. Todos morreriam menos o esperto que fugiria milionário para morar um lugar paradisíaco.      

Pensei em avisar Thais, mas o fanatismo dela era muito forte e vi que além de ser perda de tempo ainda poderia atrapalhar os meus planos. A data do suicídio coletivo se aproximava estava marcado, já era dia cinco. A hora do suicídio foi marcada pra 21:18hs, cinco minutos antes da hora do juízo final. Tinha pouco tempo para pensar em algo. Podia chamar a polícia, mas o pastor estava cercado de fanáticos que tinham nada a perder e morreriam por ele. Pensei muito e cheguei a uma solução.

No dia seguinte fui na sala do pastor e perguntei como seria feito o suicídio coletivo. Ele disse que havia guardado um dinheirinho e compraria armas, entregaria aos seguidores e na hora marcada todos atirariam em suas cabeças. Falei que era uma grande idéia e me ofereci para comprar as armas.

Ele concordou e falou que eu era um grande homem, um amigo fiel e mostrei toda minha grandeza de alma e pureza sendo tão companheiro mesmo tendo perdido a mulher para ele. Engoli a seco, baixinho falei “filh..da put..”, sorri e falei que era tudo por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fui à cidade, comprei as armas entreguei na mão do pastor e no dia marcado a tarde mandou que todos seus seguidores fizessem fila para que pegassem suar armas. Todos pegaram na esperança de naquela noite encontrar o Senhor. Thais pegou, virou-se pra mim e pediu desculpas se tinha feito algum mal pra mim e agradeceu por eu ser tão compreensivo. Respondi que mais tarde ela pediria desculpas pra mim de novo e por um motivo mais sério. Ela não entendeu e perguntou “como?” vi a falha que cometi e respondi “no céu”.

Chegou a hora. Eu sabia o que iria acontecer e fui saindo de mansinho. Chegou 21:18hs eu já estava caminhando bem silencioso para fora da fazenda na intenção que ninguém percebesse quando ouvi um grito do pastor Jesse Jones que no grito falava “Doido filh..da put..!!!!”. Na mesma hora vários dos fanáticos saíram das casas, um apontou pra mim e disse “olha o desgraçado ali!!!”.

Eu não havia comprado armas de verdade, na verdade eu fui à cidade e comprei pistolas de água e na hora marcada pelo pastor quando todos atiraram em suas cabeças em vez de pólvora saiu água . Os fanáticos correram furiosos atrás de mim e eu corria mais ainda pra tentar escapar, mas apesar de ainda ter aparência de jovem eu já era um cinquentão e eles cada vez chegavam mais perto para me alcançar. Quando estavam bem próximos a ponto de me pegar olhei pro relógio e comecei a gritar “21:24!! 21:24!!”.

Todos pararam sem entender, mostrei o relógio e falei que era 21:24hs e o mundo não havia acabado como o pastor dissera. Ele tinha enganado a todos. Aquelas pessoas viraram para o pastor então com olhar de desconfiança e parecendo cair na real. Jesse Jones pela primeira vez gaguejou e falou que talvez Jesus tivesse se enganado e não seria naquela hora, naquele dia ou mesmo que  talvez não tivesse juízo final e que ele mesmo poderia ter se enganado na visão não sabendo naquele momento se teria visto Jesus ou Marylin Monroe.  

Os fanáticos deixaram de ser fanáticos. Comecaram a gritar “pega o safado” e quando Jesse implorou piedade e ja estava sendo pego para tomar uma pequena surra um grande clarão surgiu e grito de “polícia! Todos parados!!”.
Sim, eu tinha chamado não só a polícia como a imprensa, contado tudo o que acontecia na fazenda, o que estava pra acontecer e o meu plano. Os policiais deram voz de prisão para Jesse Jones ou Vaice Phoder relatando todos os seus crimes financeiros contra os Estados Unidos. Aquelas pessoas que eram suas seguidoras ficaram espantadas e se sentindo palhaças por ter acreditado naquele farsante. Jesse foi algemado sob flashes da imprensa, se virou pra mim e disse que senão fosse por minha causa tudo teria dado certo. Senti-me como num desenho do Scooby Doo.

Logo depois Thais se aproximou de mim e entendeu o que eu havia dito mais cedo sobre desculpas. Pediu as desculpas e reconheceu que eu estava certo o tempo todo. Contei que ela não precisava se desculpar e que lhe etendia e só desejava que a partir daquele momento ela fosse feliz. Dei um beijo na sua testa e me virei. Nesse momento ela falou “Doido” e me virei pra ela. Thais apontou a arma pra mim e atirou me molhando todo. Riu e saiu. 

O estelionatário foi levado e a imprensa me cercou para que eu contasse tudo que havia ocorrido naqueles últimos anos na fazenda, o plano de suicídio coletivo e como eu tinha evitado. Eu daria uma coletiva ao vivo para todos as emissoras de tv da América. Era meu momento de glória, enchi-me de orgulho e quando iria começar o meu pronunciamento alguém gritou “para tudo que o Nixon acabou de renunciar!!”.

Nixon era o presidente Richard Nixon que eu sem querer havia salvo na Disney. Envolveu-se em um escândalo chamado Watergate. O escândalo tinha a ver com espionagem que ele havia mandado fazer no escritório central do partido Democrata. Aquela história rendeu muito, tanto que o presidente estava seriamente ameaçado de impeachment, mas antes que isso ocorresse ele renunciou e o safado escolheu justo meu momento de glória para isso. Não devia ter usado minha bunda para salvar aquele mal agradecido. É, essa última frase pegou mal.     

Nem consegui falar. A imprensa toda foi embora devido a renúncia e eu fiquei ali sozinho mais uma vez com cara de bunda, tinha perdido meu momento de glória. Mas eu não estava tão sozinho.

Nesse momento várias pessoas se aproximaram de mim. Eram os seguidores fanáticos de Jesse Jones. Perguntei o que eles queriam e um deles me respondeu que Jesse Jones era rei morto e eu era rei posto, era o novo líder deles e a partir de agora me seguiriam. Eu ri agradeci o que ele falou, mas que não tinha mais essa história de líder e seguidores que cada um vivesse sua vida e fosse feliz.

Um outro homem respondeu que não, eu seria o líder deles querendo ou não. Notei que falavam sério, sorri para eles e saí correndo com aquele monte de gente atrás de mim e gritando meu nome. 

Era melhor que eu tivesse ficado como Pateta na Disney.



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