sexta-feira, 13 de maio de 2011

Capítulo XVI _ Vida louca vida

E mais uma vez eu teria que recomeçar. Consegui me livrar daquele bando de loucos e decidi retomar meus estudos. Fui para Boston e me matriculei em uma universidade para continuar meu curso de direito.

O passo seguinte foi procurar uma fraternidade, sim os estudantes americanos normalmente ficam em uma dessas. Fui em uma que me parecia bem legal, limpinha, pessoas comportadas. Tocava música clássica no ambiente, era tão boa, tão tranquila que desisti. Não era a minha praia.

Fui a outra e chegando na porta tive que desviar de uma privada que foi arremessada do segundo andar. Pensei em dar meia volta, mas a curiosidade bateu mais forte e decidi conhecer aquela fraternidade. Bati na porta e ninguém me atendeu, o som estava muito alto na casa. Bati de novo e nada, até que mexi na maçaneta e vi que a porta estava aberta.

Abri e assim que coloquei a cabeça para dentro uma garrafa foi jogada em minha direção, consegui desviar e ela se espatifou na parede. Quando pensei em ir embora um rapaz com óculos, jeito de nerd me chamou para entrar.

Cheio de medo entrei e disse que era estudante novo da universidade e procurava por uma fraternidade. O rapaz se apresentou. Seu nome era Pee Wee e mostrou as dependências da casa pra mim. Era uma bagunça eu tinha nome de Doido, mas os caras que moravam lá eram mais doidos ainda. Não sei por qual motivo decidi morar lá.

Dividi quarto com um cara muito estranho, seu nome era O.J. e ele simplesmente não falava nada. Cumprimentei, perguntei coisas sobre ele, quem era, de onde veio e ele não me respondeu nada, só me olhava com cara séria.

Dormi e tive um sonho erótico. Sonhei que uma mulher fazia oral em mim. O sonho estava delicioso e acordei cheio de tesão. Quando olhei tinha uma cabra lambendo minhas partes íntimas. Dei um salto e um grito.Um gordo com cara de maluco entrou no quarto falando “ah..você estava aí danadinha, fez um novo amigo?” .

Eu já tinha trauma de cabras e perguntei o que significava aquilo. O rapaz se apresentou, chamava-se Belushi e apresentou a cabra que se chamava Sclarlet. Levantou a pata da cabra e eu tive que cumprimentá-la. Só não fui forçado a casar porque a cabra não era mais virgem.

E naquele ambiente de loucos fui morar e estudar. Não era fácil muitas vezes estava no quarto estudando, o som ficava altíssimo e um deles entrava no meu quarto bêbado gritando rock`n roll e vomitava em cima de mim. O ambiente era de eterna festa e isso fazia a fraternidade ficar mal vista.

Mas eu tentava estudar e tinha uma menina que chamava muito a minha atenção em nossa sala de aula. Morena, ruiva, olhos verdes, ela era um encanto e parecia me dar bola também. Um dia na saída da aula ela estava me esperando, se apresentou como Vivian e perguntou se eu queria tomar banho no rio próximo.

Claro que aceitei nem acreditando que uma morenaça daquelas estava se oferecendo pra mim. Chegamos no rio e ela tirou a roupa ficando só de calcinha e sutiã e perguntou se eu não iria tirar minha roupa. Tirei correndo, ficando só de cueca e sapato e ela falou para que eu tirasse tudo e mergulhasse que ela queria ver se eu mergulhava bem.    

Mergulhei e falei para que ela fizesse o mesmo. Vivian colocou as mãos nas costas fazendo o gesto de tirar o sutiã, mas desistiu. Pegou nossas roupas no chão e deu tchauzinho. Me assustei e levantei no rio para perguntar o que ela estava fazendo. Nisso surgiu uma caminhonete com o pessoal da fraternidade. Eles começaram a gritar e rir falando que eu não iria ficar na fraternidade sem passar por um trote. Ela entrou na caminhonete e eu fiquei ali no rio pelado.

Assim cobrindo a minha frente com as mãos peguei a estrada para voltar ao campus. Os carros passavam e as pessoas me olhavam assustadas, eu as cumprimentava esquecendo que as mãos estavam cobrindo. Entrei no campus e todos me olhavam e riam foi o que chamam hoje de “grande mico”. O diretor viu a cena e enfurecido falou para que eu fosse na sua sala. Andei em direção a ela e ele gritou que antes colocasse uma roupa e exigiu também a presença do líder da fraternidade.

Pee Wee e eu fomos na sala e diretor Ferris estava enfurecido. Disse que as notas da fraternidade estavam péssimas e nosso comportamente era totalmente inadequado com o respeito e a tradição que aquela universidade tinha. Ordenou que melhorássemos nossas notas e comportamento senão seríamos expulsos e a fraternidade fechada.

Uma série de provas estavam chegando e ninguém queria nada com os estudos, só eu. Estudava o máximo que eu podia e o máximo que meus colegas deixavam, o que não era muito. Decidi também virar atleta achava que assim poderia ganhar moral com o diretor. Me inscrevi no time de futebol americano, mas no primeiro treino já recebi a bola e fiquei com cara de não saber o que fazer. O treinador mandou que eu corresse e corri, corri muito e consegui fazer o touchdown.

Fiquei muito feliz, coloquei a bola no chão e comemorei. Nisso o treinador gritou que sou um idiota e nessa hora percebi que havia corrido pro lado contrário e feito um touchdown contra meu time. Meu time correu atrás de mim enfurecido e mais uma vez como várias vezes nesse livro tive que correr para livrar meu pescoço.

Fui remanejado para o time de atletismo, era a lógica depois de tantas corridas que tive que dar na vida.  Coloquei meu unfforme e comecei a treinar. Chegou o dia de uma prova e toda a fraternidade foi torcer por mim. Estava eu lá todo orgulhoso com certeza que venceria. A prova começou e larguei muito bem sempre liderando e a vitória cada vez mais próxima. Ouço o tiro de última volta e eu todo feliz já imaginava a glória da vitória, a consagração, quando no último momento antes da linha de chegada sou ultrapassado.

O vencedor veio me cumprimentar e eu enfurecido dei um murro em seu rosto lhe nocauteando. Um grande alvoroço tomou conta da pista passando pra briga generalizada. Nesse momento um homem negro com cabelo esquisitíssimo todo arrepiado me puxou e disse que eu tinha um grande futuro no boxe.

Então decidi que seria o novo Muhamad Ali. Treinei com afinco. Pulei cordas, soquei sacos de areia. Em uma tarde correndo para a luta notei que aos poucos pessoas começavam a correr comigo. Isso me motivava, comecei a correr mais, feliz. Entrei no campus, subi a escadaria e no fim dela comecei a pular comemorando com as pessoas. Só que não tinha mais ninguém ali. Fiquei sozinho com cara de bunda.

Chegou o dia da luta e de novo toda a fraternidade foi torcer por mim. Subi ao ringue sem conhecer meu oponente e quando entrou quase me borrei nas calças. O homem devia ter mais de dois metros de altura e uns cento e trinta quilos. Enquanto o juiz nos aproximava e falava as regras da luta o homem olhava para mim com cara de furioso, no fim ele falou “vou matar você” e eu queria o colo da minha mãe. 

A luta começou e ele veio pra cima de mim e eu tentava fugir. Comecei a ser vaiado então decidi que teria que lutar afinal ele só era maior que eu, mas não era mais homem. Parei, montei guarda e quando ele puxou o braço para trás pra tentar me dar um soco desmaiei, a luta e minha carreira no boxe acabavam ali. Era melhor eu só estudar mesmo.

As provas chegaram e era a última chance da fraternidade continuar.

Problema que ninguém estudou, nem eu e a chance de fracasso era grande e esse fracasso aconteceu. Não recebemos ainda as notas, mas sabíamos que tínhamos ido mal e seríamos expulsos a única solução era invadir a casa do diretor e roubar as provas antes que fossem divulgadas.

Vasculhamos a casa toda e não achamos nada. De repente ouvimos uma chave na porta, era o diretor. Todos correram apavorados e conseguram fugir pelas janelas menos eu que tive que me esconder atrás de uma cortina.

Apavorado me escondi e vi que o diretor estava acompanhado. Ele subiu e sua companhia ficou na sala descendo uns quinze minutos depois. Vi uma cena bem interessante a sorte que estava com uma máquina fotográfica no bolso. Tirei umas fotos e quando eles saíram da sala consegui sair da casa.
Sabíamos que estávamos ferrados e na sala da fraternidade fizemos uma reunião de emergência para decidir o que fazer. Belushi deu idéia de fazer uma festa da toga. Levantei e argumentei que o momento era sério e não estava na hora de pensarmos em festa. Mas falei em vão, todos adoraram sua ideia e rolaria a tal festa da toga.

Algumas noites depois fizemos a festa, todos nós vestidos como imperadores romanos. A festa foi um grande sucesso com gente de todas as fraternidades, lotada. Seria o nosso último baile da Ilha Fiscal.

Enquanto enchia meu copo com ponche batizado com cachaça Vivian se aproximou de mim e pediu desculpas pela brincadeira. Ri e disse que estava tudo bem, já tinha passado. Ela de forma sensual perguntou se tinha como ela reparar a brincadeira, respondi que não caía mais nessa e sabia que tinha algo por trás. Vivian falou que era uma pena pois estava com muita vontade de conhecer meu quarto. Peguei a mão dela e saí correndo pro quarto.

Enquanto Vivian e eu fazíamos amor uma stripper fazia dança sensual com tocha de fogo na sala, todos vibravam e pediam para que ela tirasse a roupa. Ninguém prestou atenção, mas a cabra do Belushi bebeu o ponche todo e ficou doidona. Quando a stripper estava só de calcinha a cabra cismou que era um cavalo e foi pro meio da sala pulando e relinchando. A mulher se assustou e deixou a tocha cair na cortina que começou a pegar fogo.  

As pessoas que estavam na festa, doidonas já, tentaram apagar o fogo com cachaça e o fogo alastrou. Do quarto Vivian e eu sentimos cheio de queimado e uma gritaria. Olhamos pela janela e vimos pessoa correndo olhei no salão e vi o fogo chegando, gritei para ela que a fraternidade estava pegando fogo e pulamos pela janela. Senti-me como a privada jogada de quando eu cheguei na casa.

A fraternidade foi toda destruída pelo fogo e evidente que ela foi extinta e fomos expulsos. Mas antes mandei um presente pra secretaria de educação, as fotos que tirei na casa do diretor. Nelas  o diretor estava vestido de mulher no colo de um homem.

Não foram apenas nós que saímos da universidade.

Alugamos um apartamento no centro de Boston O.J., Pee Wee, Belushi eu e Vivian. Sim a Vivian resolveu nos acompanhar e comecei um romance com ela. Ah a cabra também foi..

Eu recebia meu dinheiro do Moulin Rouge e dava pra me virar, mas não iria sustentar a todos. Fizemos uma reunião para decidir como tocaríamos o apartamento e Pee Wee sugeriu montarmos uma banda de rock.

Eu estava com trauma de bandas de rock ainda bem guardado na mente lembrava da noita catastrófica com os “4 fabulosos”. Tentei argumentar, mas foi em vão eles já estavam entusiasmados. Pee Wee disse que sabia tocar bateria tocava desde criança, Belushi sabia tocar baixo e Vivian disse que apenas seria a fã n° 1 sempre nos acompanhando. Virei pro O.J. e brincando perguntei se ele iria cantar, por incrível que pareça até aquele momento nunca havia ouvido sua voz.

Nesse momento ele olhou sério pra mim levantou e começou a cantar “simpathy for the devil” dos Rolling Stones, não só cantou como cantou muito bem, uma voz poderosa. Levantei assustado e todos riram. Pee Wee disse que a banda estava pronta.    

Para desespero dos vizinhos começamos a ensaiar todos os dias e o único alento que eles tinham era que a banda tocava muito bem. Bem melhor que os “4 fabulosos”. Ensaiávamos músicas dos Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, The Who, The Doors e Cauby Peixoto.   

Com o tempo começamos a fazer shows em pequenos bares e a ganhar dinheiro, essa era a parte mais importante. Arrumamos um empresário porto riquenho chamado Ramon Madruga que queria que chamássemos o grupo de “menudos” e além de cantarmos também dançássemos. Não topamos, mas ele utilizou essa idéia anos depois com outra banda e deu certo.

Escolhemos o nome da primeira música que O.J. cantou para nós “Simpathy for the devil”. O latino topou nos empresariar e nos levou para vários festivais de músicas gravamos um LP e ele começou a fazer um relativo sucesso. Estávamos chegando ao topo.

Pee Wee que se considerava o líder da banda só pensava em dinheiro cada vez queria ganhar mais e como fazia as músicas receber mais que a gente. Pee Wee ficou viciando em iogurtes e não era raro chegar na hora de subir ao palco e eu ter que ir até o camarim puxá-lo por estar tomando. E Belushi se envolvendo com menores de idade e às vezes tendo problemas com a polícia onde o Ramon tinha que contornar.

Eu também tinha meus problemas e meu problema se chamava Vivian. Gostava de transar com ela, mas no dia a dia ela estava cada vez mais chata. Sentia-se casada comigo e queria mandar em mim ser a minha Yoko Ono, até nos meus ganhos financeiros queria se meter.

Uma noite fizemos um show e notei que tinham umas pessoas com roupas engraçadas na platéia, eram sheiks árabes. Fiquei o show todo curioso com a presença deles e no fim nosso empresário entrou todo entusiasmado no camarim.

Ele contou que os sheiks foram ver nosso show, adoraram e o mais poderoso que era rei em um país do Oriente Médio queria contratar nos contratar. Queria que tocássemos no casamento de seu filho.  

Fizemos uma grande festa era não só a nossa chance de viajar com a banda como fazer um mega show e ganhar um ótimo Dinheiro. Evidente que topamos.

E assim o “Simpathy for the devil” transformou-se em uma banda internacional. Chegamos à capital e outro avião de porte menor nos esperava. Atravessamos o deserto do Saara e não, o Sol não estava quente e nem queimou a nossa cara. Chegamos ao palácio do rei e era uma coisa enorme, esplendorosa. Ele nos recebeu com muito carinho apresentou o príncipe, seu filho e pediu que os empregados nos levassem aos aposentos.

O quarto que Vivian e eu ficamos era maior que todos os apartamentos que vivi desde que fui embora de Tremembé. Vivian entrou e foi logo se jogando na cama enquanto eu olhava o quarto admirado. Ela mandou que eu deitasse logo para aproveitarmos e transamos. Depois descobri que tinha uma banheira de hidromassagem no banheiro e continuamos lá.

O casamento reuniu muitos convidados. Chefes de nações árabes foram ao evento e o papo que rolava no local era que o casal só se conhecera no altar. O casamento aconteceu, fizemos o show e ele foi um sucesso depois foi só curtir a festa me fartar de comida e reparar que o rei não tirava os olhos da Vivian.

No dia seguinte estava marcada a nossa volta para os Estados Unidos, mas o rei me chamou para conversar e perguntou se eu e Vivian queríamos ficar mais três dias por lá porque tinha se afeiçoado a nós.

Estranhei aquele papo,sabia exatamente que não era a mim que o rei tinha se afeiçoado. Mas Vivian estava deslumbrada com o palácio e como eu também estava gostando da mordomia topei. Comuniquei aos meus parceiros de banda que também estranharam, mas falei para que não se preocupassem que em três dias estaríamos juntos. Como não havia nenhum show marcado para aqueles dias eles foram e eu fiquei.

Vou falar sério para vocês, aquela vida era boa demais estava adorando todo aquele luxo, poder aproveitar. Vivian também adorava. Sentia-se uma rainha. O rei mostrou ser gente boa e se aproximou bastante de nós. O único problema era que Vivian estava cada vez mais chata e era bem ruim de aturar.

Chegou o dia da partida e eu e Vivian fomos até o rei agradecer a hospedagem, a amizade e que quando ele fosse a Boston nos procurasse. Nisso o rei contou que queria conversar conosco no escritório.
Curiosos nós fomos. Ele pediu que nos sentássemos que tinha uma proposta para me fazer. Sentamo-nos e ele perguntou quanto eu queria por minha esposa.

Começamos a rir e notei que o rei continuava sério, realmente ele falava sério. Paramos de rir e ele fez a pergunta novamente, respondi que fiava lisonjeado com a proposta, mas a Vivian era um ser humano e não estava a venda.

O rei disse que se encantou com Vivian desde que chegamos. Tinha um harém queria que ela fizesse parte dele e estava disposto a tudo. Vivian falou para irmos embora e nesse momento ele ofereceu cento e cinqüenta camelos por ela. Ri e falei que nem teria o que fazer com tantos camelos então ele contou quanto em dólares valiam cento e cinqüenta camelos.
Nesse momento Vivian se levantou enfurecida e disse “Vamos Doido que esse papo já foi longe demais, vamos Doido..Doido..Doido..Doido!!”.

O difícil foi carregar aqueles camelos todos pelo deserto...

Cheguei à capital do país e consegui vender os camelos por um belo dinheiro e comprei minha passagem pros Estados Unidos. Parei em um bar do aeroporto para beber algo e notei um homem bem depressivo, bebendo e chorando.

Fiquei com pena e sentei ao seu lado perguntando o que acontecia. Ele me respondeu que a mulher havia o abandonado e ela era tudo pra ele não agüentava mais ficar sem ela e que preferia a morte a viver assim. Lembrei de Aloemi e pedi ao barman uma dose pra mim também.

Ficamos os dois bebendo, ele chorando, eu contando de Aloemi e falando minhas mágoas enquanto ao piano só para machucar mais ainda nossos corações tocavam “Can´t take my eyes off you”. Em um momento ele chorando se levantou e disse que teria que partir porque seu vôo sairia tinha sido um prazer me conhecer e que desejava me ver mais vezes. Levantei e o abracei dizendo o mesmo e que também tinha que ir porque se aproximava a hora do meu vôo.

Entrei no avião, me acomodei e depois que ele levantou vôo perguntei a aeromoça se podia visitar a cabine, eu sempre gostei de visitar e desejar boa viagem à tripulação. Ela concordou e me levou. Ao entrar na cabine dou de cara com aquele homem que bebia e chorava. Ele era o piloto do avião e a me ver começou a chorar novamente dizendo que queria morrer.

Não é legal viajar de avião com piloto depressivo e suicida, alguns minutos depois eu estava no oceano pacífico me segurando na asa do avião.

Com muita sorte avistei uma ilha e nadei para lá xingando até a décima geração do piloto. Cheguei à ilha e ela parecia deserta. Andei, andei e não encontrei nada nem uma pessoa, um bicho nada, só a areia e uma floresta. Agradeci por estar vivo, mas percebi que ficaria um bom tempo lá.
Fiz uma cabana com folhas me sentindo um Robinson Crusoé.

Logo fiquei barbudo e emagreci já que não conseguia pescar um peixe sequer. Desde os tempos de Tremembé. Chegava a noite, acendia uma fogueira para afastar o frio pegava uma frutinha que colhia em árvore olhava para ela e dizia “jamais sentirei fome novamente!!”.

Um dia a fome estava demais e com uma lança entrei no mar caçando peixe, tentava acertar de todos os modos e não conseguia. Uma chuva torrencial começou ondas me derrubavam, mas eu continuava lutando e tentando. Até que em um momento eu consegui acertar um peixe, pela primeira vez na vida conseguia pescar um peixe.

Dei um estrondoso grito com a lança pro ar e com o peixe dizendo “Vô Ventania!! Essa foi pro senhor!!” e debaixo daquela chuva fingi que a lança era um guarda chuva e imitei Gene Kelly dançando e cantando “singing` in the rain”. Sim, foi uma cena ridícula. Depois comi aquele peixe como se fosse a comida mais gostosa do mundo. Não, não vou dar a receita desse peixe.

Algumas coisas loucas ocorriam naquela ilha. Uma vez encontrei uma bola perdida lá, devia ter vindo do avião. Peguei plantas que soltavam tinta pintei um rosto nela e chamei a bola de Tom. Passaria a ser minha melhor amiga lá. Outra vez andando me deparei com uma escotilha.

Entrei na escotilha e nela tinha uma espécie de relógio, uma televisão, um vídeo cassete e uma fita. Coloquei a fita na TV e apareceu um gordo cabeludo com cara muito estranha dando instruções em relação aquela escotilha e que eu teria que tomar conta dela, a cada hora teria que digitar uma numeração e se não fizesse algo de muito ruim aconteceria.

Fiquei apavorado e me sentei ao lado do relógio, mas caí no sono e acordei com a escotilha apitando. Desesperei-me e digitei a numeração mandada, só que no nervosismo errei.    

O apito aumentou, fumaça começou a sair do relógio e uma música do inferno começou a tocar. Eram mariachis tocando. Saí correndo desesperado com aquela música e me joguei no mar, mas não adiantou. Aquela música horrível passou a tocar o tempo todo na ilha sem parar. Era o castigo por ter falhado com a escotilha.

Já achava que estava ficando doido de verdade graças aquela música que não parava quando do alto de uma duna avistei uma pessoa caminhando na praia. Levantei e comecei a descer para ver melhor, quando cheguei mais próximo identifiquei quem era e gritei “filh..!! da put..!!”. Era o piloto do avião.

Ele me viu e saiu correndo em direção da floresta comigo correndo atrás e gritando que daria motivos de verdade para que quisesse morrer. Entramos pela floresta correndo até que consegui alcançar. Quando o peguei ele começou a gritar apavorado que tínhamos que sair dali por causa dos “outros”. Falei que ele tinha que se importar comigo não com os outros que eu sim faria mal a ele. Nesse momento senti uma picada na bunda e desmaiei.    
  
Acordei junto com ele dentro de um caldeirão. Havíamos sido capturados por uma tribo e alguns membros daquela tribo dançavam em volta do caldeirão enquanto outros dois folheavam livro de receitas que trazia uma mulher loira e um papagaio na capa. Olhei para o piloto e tentei afogá-lo ali mesmo no caldeirão quando a intensidade da música mariachi aumentou e chegou até o local que estávamos.

Os homens da tribo se apavoraram e colocaram as mãos nos ouvidos como não suportando aquele som. Falei pro piloto que era hora de fugirmos. Saímos do caldeirão e eles notaram.

Como várias vezes na vida tive que correr. Dessa vez de um monte de homens com lanças e escudos nas mãos querendo me comer. No mau sentido, apesar de na expressão “querer me comer” não existir bom sentido.  
  
Corremos muito com os homens da tribo atrás. Quase fui atropelado por um ônibus, caí no chão e levantei espantado. Vi ruas movimentadas, arranhas céu, avião passando e até uma famosa loja de fast food com seu “M” gigante. Perguntei pro piloto se ele estava vendo o que eu via, mas claro que ele já tinha se mandado. Fiquei meses preso naquela ilha sem saber que do outro lado existia uma civilização e era só eu ter procurado. Olhei pra trás e vi os homens da tribo felizes e sorrindo tirando fotos com turistas.

Assim deixei de ser um náufrago e peguei um avião de volta pros Estados Unidos antes verificando se o piloto era normal. Cheguei em Boston e soube que o grupo sem mim tinha chegado ao 1° lugar das paradas americanas ganho muito dinheiro e um integrante matado o outro na hora da divisão dos bens. A troca de tiros teria começado quando Pee Wee derrubou o iogurte de O.J.

Cada vez mais eu achava que meu nome era perfeito pra mim, chamava-me Doido e tinha uma “vida louca vida”.





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