segunda-feira, 12 de maio de 2014

A TRAGÉDIA QUE É AMAR


Estava agora malhando e como sempre faço ouvindo música. Entre as várias músicas que tocaram uma dela foi do tema de “Ghost”.

Acho que todo mundo já viu esse filme. Para quem não viu conta a história de um casal apaixonado que tem sua felicidade interrompida com o assassinato do personagem do saudoso Patrick Swayze. 

O filme passa a imagem que nem a morte acaba com um amor já  que o personagem mesmo morto continua na vida da esposa lhe ajudando e amando. É um filme triste, do jeito que eu gosto.

Estranho né? Explico. 

Eu sou um cara esquisito mesmo. Adoro finais diferentes, tristes e imprimo isso nas minhas histórias. Quem acompanha tudo meu que foi publicado ou encenado nos últimos dois anos já percebeu. A grande mala e fã de Chiquititas Pedro Migão sempre cita isso.

Mas é porque eu acho que histórias assim que retratam a realidade. A vida é assim. Na vida os bandidos não são todos punidos e os mocinhos não ficam juntos para sempre. 

Podem reparar que as grandes histórias de cinema e teatro não tiveram finais felizes. O maior final de filme, mais reverenciado até hoje é o de “Casablanca” quando o Humprey Bogart exalando charme e sobriedade mesmo dilacerado por dentro manda Ingrid Bergman embora.

“As time goes by”, o avião partindo e “nós sempre teremos Paris” estão a mais de 70 anos em nossos corações.

No fim de “E o vento levou” Clark Gable não fica com Vivian Leigh, mesmo caso de outros filmes clássicos como Love Story, Titanic, Em algum lugar do passado, Forrest Gump...até filmes menores como “O último americano virgem”, “Ps I love you” e “50 dias com ela” se tornam marcantes.

E o meu preferido. "Em algum lugar do passado" com Christopher Reeve e Jane Seymour que ontem vi pela 85° vez e pela 85° vez tive que me segurar pra não chorar.

A maior história de amor tem fim trágico. Romeu e Julieta.

Esses finais são inesquecíveis, essas histórias são inesquecíveis. Porque são diferentes do usual e exalam verdade.

A tragédia amorosa glorifica um filme ou peça de teatro. Marca na música. A maior parte das grandes músicas de amor falam de amores perdidos.

“Não adianta nem tentar me esquecer, durante muito tempo em sua vida eu vou viver” já dizia Isolda na voz de Roberto Carlos em um dos maiores clássicos do gênero.

Amar é bom, é maravilhoso, mas amar dói. Amar tem que doer, tem que causar insegurança, tem que arrepiar. O amor é trágico, é divino e é humano porque expões as nossas fraquezas e como somos ridículos.

O amor e a dor de amor são democráticos. Você pode ter todo o dinheiro do mundo e mesmo assim sofrer uma desilusão amorosa.

E é a pior dor que existe. As outras dores recebem tratamento. Para as piores dores existe morfina. E de amor? Só o tempo e muitas vezes nem ele é capaz de amenizar.

Eu gosto de amor, de viver e escrever sobre. Pode não parecer, mas quase todas as minhas histórias são de amor. Aquele amor dilacerante, que corrói as entranhas, te ferve por dentro, inebria, entorpece, tira a razão e parece explodir dentro de um peito sufocado.

Amor é um grito desesperado do silêncio.

“Eu matei Nelson Rodrigues”, a peça que fiz brilhantemente encenada em São Paulo fala de um amor assim. O fracassado e a prostituta. Pessoas carentes, que se fazem de fortes e lutam para não aceitarem que não podem viver sem o outro.

Amar causa medo. Montanha russa também causa e todo mundo gosta.
Amar é se expor. É estar em um palco com a luz em cima de você. É se desnudar em uma história que é encenada e você não tem certeza do final feliz nem do aplauso do público no fim. 
   
Amar pode ser uma comédia feliz ou uma tragédia.


Mas a tragédia maior é não amar. 

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