segunda-feira, 6 de maio de 2013

OS TIMES DOS SONHOS QUE VIRARAM REALIDADE



Quarta-feira passada uma era chegou ao fim. Quando o juiz apitou o fim da partida que decretou a vitória do Bayern de Munique por 3x0 sobre o Barcelona estabelecendo sua classificação para a final da Uefa Champions League e eliminando o clube catalão uma era fantástica chegava ao fim.

O fim chegou de maneira impiedosa. No agregado 7x0. Foram quatro na Alemanha mais três na Espanha com direito a olé. Toque de bola que machucava a alma do torcedor do Barca tão acostumado a provocar isso aos adversários.

O extraordinário Barcelona deixava o campo de cabeça baixa, derrotado para entrar em um túnel. Mas não era o túnel que dava acesso ao vestiário, mas a um túnel glorioso. O Barcelona entrava para o túnel da história e aquele time que deixava o campo derrotado entrava pra galeria dos vencedores. Daqueles times que se eternizam na memória e no coração daqueles que amam o esporte.

O Barcelona de Messi. O time que de 2009 pra cá só perdeu o campeonato espanhol uma vez, ganhou duas UCL e dois mundiais. Consagrou o argentino como um dos maiores jogadores da história e foi consagrado por ele como o grande time do século XXI. O Barcelona letal, mas que fazia o adversário morrer com dose de sofrimento. O toque de bola que saía da defesa, ia até o ataque, voltava, ia de novo, até encontrar a brecha do adversário e fazer o gol.

Estilo de jogo que influenciou a antes derrotada seleção espanhola que se tornou uma papa títulos com dois europeus e um mundial.  A referencia futebolística de toda uma geração que faz até no Brasil, outrora país do futebol, ter torcedores. O Barcelona hoje é um clube mundial.      

Perdeu o técnico Pep Guardiola, perdeu muita da magia e mesmo nesse ano de “derrocada” chegou as semis da UCL e ganhou novamente o espanhol.

Hoje posso dizer tranqüilamente que o Barcelona de Messi se junta a outros grandes times que tive a oportunidade de ver.

Pra minha sorte o primeiro grande time que eu torci era o meu. O tão famoso Flamengo de Zico. Comecei a acompanhar futebol vagamente em 1981, o auge do rubro-negro e minha memória mais antiga de futebol é estar no apartamento da irmã da namorada do meu tio com a família toda na Lagoa vendo o Flamengo se tornar campeão mundial de futebol.

Era muito menino, tinha cinco anos e tinha outras preocupações para minha vida tão “atribulada”. Comecei a acompanhar melhor em 1983 e lembro de acompanhar vendo pela TV e ouvindo pelo rádio as semis do brasileiro contra o Atlético Paranaense e as finais com o Santos. Lembro que apenas os minutos finais do jogo do Maracanã passou para o Rio e ouvi no rádio da sala de casa pela Nacional.

Por muito tempo fiquei curioso de como o garotinho José Carlos Araújo sabia que o Adílio faria o terceiro gol quando gritou “vai fazer Adílio”. Depois vi pela TV a confusão provocada por Serginho Chulapa e o título rubro-negro. O primeiro meu efetivamente como torcedor e o fim de uma era.

Ao contrário do Barcelona de Messi o Flamengo de Zico acabou vencendo. Ele já estava vendido para a Udinese e alguns dias depois a transação foi revelada. Meu primeiro baque como torcedor. Oficialmente aquele esquadrão vencedor de quatro estaduais, três brasileiros, uma Libertadores e um mundial chegou ao fim. O gol de Assis aos 45 minutos do segundo tempo do Fla x Flu que decidia o estadual de 1983 referendou. 

Não era mais soberano, mas continuava forte. Zico voltou e o Flamengo de Zico agora também era o Flamengo de Bebeto, Renato, Leonardo, Jorginho, o Flamengo campeão de 1987, mas dividia espaço com o São Paulo campeão paulista de 1985, 1987 e brasileiro de 1986. O São Paulo de Careca, Gilmar, Muller, Dario Pereira. Timaço.

Na época surgiu também outro timaço. O Vasco de Romário, Roberto, Geovani, Mauricinho, Bismarck. O Vasco bicampeão carioca de 1987/1988 que sepultou em definitivo a era Zico e em 1989 com o reforço de Bebeto foi campeão brasileiro.

Chegaram os anos 90 e outros super times. Na Europa o Milan de Gullit e Van Basten três vezes campeão da Europa. No Brasil o São Paulo de Raí, Muller, Cerezo, Zetti e Telê Santana  campeão paulista em 1991, brasileiro 1991, Libertadores 1992 e 1993, mundial 1992 e 1993 substituído pelo Palmeiras que vinha de uma fila de 17 anos e com um forte patrocínio montou esquadrões com Rivaldo, Edmundo, Evair, Edílson, Roberto Carlos, Rincón, Djalminha, Luisão, Zinho que venceu os paulistas de 1993/1994/1996, brasileiro 1993/1994.

Substituído pelo melhor time brasileiro que vi desde a era Zico até hoje. O Vasco que venceu quase tudo entre 1997 e 2000. O Vasco de Edmundo, Evair, Juninho Paulista, Juninho Pernambucano, Mauro Galvão, Felipe, Pedrinho, Carlos Germano, Romário campeão carioca de 1998, brasileiro em 1997 e 2000, Libertadores 1998 e vice mundial em 1998 e 2000. Time que conseguiu o título mais inacreditável que já vi na Mercosul de 2000 quando com um a menos e perdendo por 3 x 0 no intervalo virou para 4 x 3 em cima do Palmeiras em pleno Palestra Itália.

Noite de péssima lembrança já que tomei um chute de namorada naquele dia.

Um super Vasco inesquecível para os torcedores, mas que perdeu três cariocas históricos pro Flamengo. Mas essa é outra história.   

Durante e depois desse Vasco tivemos o Corinthians de Edílson, Luisão, Ricardinho, Marcelinho, Rincón, Vampeta, Gamarra que venceu o brasileiro de 1998 e 1999, o mundial de 2000, mas deu azar contra o Palmeiras em duas decisões por pênaltis em Libertadores mesmo tendo time superior.

Nos anos 00 não tivemos grandes times apesar do Santos de Robinho e Diego que durou pouco e o São Paulo tricampeão brasileiro, campeão da libertadores e mundial que não tinha jogadores que encantavam nem futebol vistoso.  

Começamos a nova década com um time que se não é brilhante tecnicamente deve entrar pra história por suas conquistas. É o Corinthians de Tite. Corinthians que estava na segunda divisão em 2008 e venceu o paulista e a copa do Brasil de 2009 o brasileiro de 2011 e Libertadores e o mundial de 2012.

Grandes equipes, momentos históricos do futebol que trazem uma ironia. Se me perguntarem qual a melhor equipe que vi não citarei nenhuma delas. Não foi de futebol.

Nenhum time que vi na vida supera o formado por Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Pat Ewing, Charles Barkley, Scottie Pipen entre outros. O Dream team de 1992. A seleção de basquete americana que jogou tão pouco junto, mas fez história.

Dos 12 jogadores do elenco 11 entraram pro Hall da fama do basquete. Quem viveu as Olimpíadas e aquele time nunca esquecerá. O “showtime” se fez real. O time dos sonhos era de verdade.

Só podemos agradecer ao Barcelona, esse último dos supertimes que surgiu. Teremos agora o Bayern de Tomas Muller? Não sei, o futuro a Deus pertence.


Mas a história pertence a eles.



 














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