segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA





Nelson Mandela morreu. 

Uma morte esperada faz tempo. Por meses o homem ancião sofreu com idas e vindas de hospital, foi desenganado, a imprensa já tinha reportagens prontas sobre sua vida e até mesmo eu fiquei de sobreaviso já pensando em uma coluna sobre ele para a ocasião que isso ocorresse.

Nelson Mandela morreu?

Não sei. Gandhi está morto? Getulio Vargas está morto? JK? Kennedy? Lincoln? Napoleão? Hitler? Elvis? Alguém deve olhar esses nomes todos que mencionei, juntos e pensar “O Aloisio enlouqueceu comparando pessoas tão diferentes, com índoles tão diferentes”.

Não, não enlouqueci. Não comparei pessoas, comparei nomes. Quantos desses estavam vivos quando nascemos? Para quem tem pouco menos de 40 anos nenhum. Mas o quanto essas pessoas estão presentes, vivas em nosso dia a dia? No mundo?

É o caso de Nelson Mandela. Nelson Mandela é um nome? Não, Aloisio Villar é um nome. Nelson Mandela é uma marca, um símbolo como Coca-Cola, Mc Donalds ou Pelé. Nelson Mandela é uma lenda, um ícone de um século e me permitindo um exagero que no fundo não tem exagero nenhum se o SBT fizesse de novo um concurso com cem nomes da história, mas dessa vez do mundo e a sério Mandela estaria ali.

Nelson Mandela..Que nome forte. Que nome marcante.

Sempre fui um cara que gostou de política seja nacional ou internacional e nos anos 80, nos meus 10, 11 anos de idade a primeira frase de efeito política que conheci foi “Libertem Nelson Mandela”.

Sim. Mandela estava preso, eu não sabia porque, mas curioso como sempre fui estudei sobre o assunto.

Mandela era um líder negro contra o regime “Apartheid” existente em seu país, África do Sul, e foi preso sob acusação de terrorismo. Acusação que muitos países que hoje choram sua morte aceitaram e foram coniventes.

O “Apartheid” era um regime de segregação racial que separava brancos e negros e limitava a vida e a cidadania do negro na África do Sul. Pois é, em um país africano, continente que vem a ser berço da raça negra. Mais incoerente impossível.

Eu como brasileiro tenho vergonha por até o fim do século XIX, pouco mais de cem anos, termos vivido com escravidão oficial e permitida em nosso país. Imaginem então um regime como o “Apartheid” existindo até os anos 80 do século XX? Sim, isso não é coisa de cem anos, é coisa de outro dia.

Um regime que causou separação, segregação e ódio com ataques violentos dos dois lados.

E Mandela foi preso por isso. Preso por não aceitar que sua gente fosse subjugada por ter pele diferente.    
    
Eu não consigo nem imaginar como é viver um dia numa prisão. Mandela viveu 27 anos. Quase três décadas, mais de um quarto de século enclausurado sem cometer crime nenhum. Não sou um profundo conhecedor de sua vida pessoal, mas deve ter perdido crescimento dos filhos, nascimento de netos. Imagine você preso por um dia de forma injusta.

Imagine agora 27 anos.

Eu não sobreviveria e caso sobrevivesse viraria o bicho, viraria o cão. Faria da vida de quem me perseguiu um inferno, mas Mandela não fez nada disso e aí amigos, aí que mostra porque ele era um cara especial.

Mandela usou sua prisão para aprender. Usou para crescer como pessoa, estudar. Adquirir sabedoria, compaixão e serenidade. Serenidade para saber que não se pode lutar contra o impossível e para saber que o impossível não existe.

Saiu da prisão com mais de 70 anos e mudou um país. Sem revanchismo, sem perseguições continuou sua luta em busca da igualdade racial. Não queria o domínio branco, mas também não queria o negro. Queria respeito e respeito não é favor. É o mínimo para uma boa convivência.

Queria dignidade, queria o predomínio de uma raça, a raça humana onde cor de pele não importasse. Bonito isso né? Utópico, coisas de “um mundo maravilhoso e inexistente”. 

Não, não para quem não espera, não para quem faz. Mandela levou seu carcereiro no dia da posse, Mandela levou o promotor que lhe condenou  para jantar no palácio do governo. Mandela foi apoiar a seleção de rúgbi predominantemente branca para mostrar que todos eram África do Sul.

Resumindo.

Mandela era foda pra caralho!!

A África do Sul hoje é um país rico? País modelo? Acabou o racismo e a violência no país? Nada disso. É um país cheio de problemas, mas é um país que não envergonha nem sente mais vergonha. Um país que negro pode andar em todos os lugares e não é mais preso apenas por querer ser tratado de forma igual. Um país que o branco percebeu que não precisa ter medo do negro nem o negro do branco.

Quem fez tudo isso?

Nelson Mandela.

Nelson Mandela não é um nome como eu disse antes. Nelson Mandela é uma marca, uma lenda, um ícone. Nelson Mandela é uma emoção.

Nelson Mandela emociona.

E é esse cara valente, lutador em que a maioria conheceu como um “senhorzinho” de cabelos brancos, sorriso farto e dançando de forma engraçada que perdemos quinta. Eu que me programei tanto para escrever sobre ele soube da perda na hora que fui para a final de samba do Boi da Ilha. Nem pude escrever.

Mas pra que escrever sobre Mandela se nem todas as letras e palavras são capazes de lhe traduzir?

Por mais que a gente escreva não conseguirá mostrar tudo que ele foi e é. Por mais que a gente escreva não conseguirá escrever o que ele escreveu.
Nelson Mandela escreveu a história de seu tempo.

Deus, receba bem “Mandiba” porque ele merece muito.

Obrigado Mandela.  


“As pessoas não nascem odiando, elas aprendem a odiar. Então também podem aprender a amar” (Nelson Mandela)      



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