segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

FANATISMO




É... O título dessa semana é curto e grosso e versa sobre uma coluna que pensei ontem.

Outro dia estava no ônibus, indo pagar uma conta, quando entrou uma velha e nada querida conhecida minha no mesmo. Estava com uma blusa da União da Ilha, indo para o ensaio da comunidade.

Olhei e fiquei pensando: “caramba, eu nunca vi essa mulher com camisa que não fosse da escola, nunca vi em um evento que não fosse da escola, ela vive para a União da Ilha, que coisa triste viver em função de uma escola de samba”.

Sozinho no ônibus, fui pensando mais e aprofundando o assunto. Lembrei de casos onde não só ela, mas outras esposas de compositores torceram contra os maridos, para outros sambas, porque eram melhores para a escola.

E os maridos contavam essas histórias rindo. No Acadêmicos do Dendê, na disputa de 2011, vi essa mulher do ônibus comemorando a vitória de um samba que havia derrotado o de autoria de seu marido.

E pensei: “se uma namorada ou esposa minha torce pra outro samba para o bem da escola, eu termino na hora”.

Escola de samba divide o dia a dia com você? Divide as contas? Fica aflita com você quando o filho está doente ou de recuperação? Escola de samba está com você na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza como diz o padre? Escola de samba te abraça quando você está de TPM?.

Pensei nessas pessoas que vivem para uma escola de samba e lembrei-me de um assunto recente: Briga entre os que defendem e os que atacam os presos pelo escândalo do mensalão. Fanatismo, situações diferentes, mas fanatismo.

Fanatismo é aquilo que te cega, que tira você do seu normal, do seu juízo perfeito e te faz não enxergar as coisas, a vida por gostar de algo ou alguém.

Resumindo, fanatismo é algo que não presta, porque se algo tira o seu poder de discernimento não pode ser bom. Como as drogas, como a cocaína, a bebida. O fanatismo pode arruinar.

Seja arruinar sua vida, sua família ou uma civilização. 

Se o leitor parar pra reparar, os maiores erros da história da humanidade vieram da inveja e do fanatismo. Caim matou Abel por inveja - dizimando assim 25% da população da Terra da época.

Ao longo da história, judeus mataram cristãos que mataram judeus que mataram palestinos que mataram israelenses que são apoiados por americanos que mataram iraquianos que mataram iranianos que também mataram iraquianos que mataram americanos que mataram afegãos que mataram americanos que se acham os todos poderosos do mundo e praticam terrorismo em nome da democracia e jogam bombas atômicas em japoneses, que por sinal barbarizaram na Ásia, sob o lema “Deus salve a América”.

Deus... Deus que é o símbolo da justiça, do amor - e as maiores atrocidades da história de nosso planeta foram feitas “em nome Dele”.

Quase todas as guerras que ocorreram no mundo ao longo dos últimos milhares de anos tinham a desculpa de Deus, Bíblia, Alcorão e muitos outros livros ou simbologias. Cristãos foram mandados para arenas, pessoas foram queimadas como bruxas, muitas pararam em campos de concentração, aviões, prédios foram destruídos, índios foram exterminados - tudo em nome do Senhor.

Que Deus é esse que pede que sua mensagem e voz sejam passadas nem que seja na base da porrada e do genocídio? Que estupidez é essa que não deixa povos muitas vezes irmãos se entenderem e brigarem por dezenas, centenas de anos? Que estupidez é essa?

É a mesma estupidez, idiotice que faz pessoas se odiarem apenas devido a torcer por clubes de futebol diferentes. Que faz imbecis marcarem briga, atirar contra outras pessoas porque vestiam camisas que não são de seu clube do coração.

Matar gente que poderia ser seu amigo, parceiro, irmão. Poderia
beber uma cerveja contigo, jogar uma sinuca, que tem mãe, pai, irmãos, família - e morre porque não torce para Flamengo, Vasco, Corinthians ou Kashima Antlers.

E não é só aqui. Torcedores do Celtic e do Rangers se odeiam, porque além da diferença entre torcidas há questões religiosas. A ESPN mostrou esse ano documentários sobre violência entre torcidas pela Europa e a coisa é barra pesada.

Todo fanatismo é perigoso: basta ver que um fã matou John Lennon.

Existe o fanatismo perigoso para os outros e o perigoso para si, como o da mulher que citei no início da coluna. A pessoa que vai a todos os eventos de uma escola de samba, que na semana seguinte que seu marido é sacaneado - perdendo um dos grandes samba de sua vida - estava na agremiação sorrindo arrumando gente para desfilar em sua ala é do mesmo grupo daquelas meninas adolescentes que são fanáticas por boy bands ou ídolos teen.   

Pessoas que ficam o dia inteiro na internet vivendo por esses ídolos, postando coisas sobre eles, inventam fãs clubes, levantam tags no twitter falando desses ídolos, acampam semanas antes de um show na frente do local e chegam atrasadas numa prova do ENEM que é importante para sua vida.

Esquecem da família, esquecem que existe um Sol ou uma Lua do lado de fora para aproveitarem, esquecem os amigos, do amor que poderia vir a conhecer, esquecem de viver.

Enfim, existem para alguém que nem sabe da sua existência - ou se sabe não dá a mínima - como a escola em relação a mulher do
ônibus. No caso em questão, alguns comandantes da mesma já disseram não gostar do casal.

Amar é diferente de ser fanático. Podemos amar algo ou alguém sem esquecer que em primeiro lugar devemos nos amar e segundo que ter senso de ridículo sempre é bem vindo. Fanatismo não é sinônimo de amor. É obsessão, doença e precisa de tratamento.

A partir do momento que algo atrapalha sua rotina, sua casa, família e a vida em sociedade é melhor parar para pensar se vale mesmo a pena.

Pra mim mais que o câncer, AIDS, drogas ilegais, tabaco ou bebida o fanatismo é o maior mal que existe, o que mais mata, mais fere e mais destrói a auto estima.

Seja por uma escola de samba, política (Transformar corruptos em mártires) clube de futebol (Aceitar como gado tudo que uma direção impõe), religião, país o fanatismo leva a cegueira e ao ódio.

Quer ser fanático? Seja por você, pela vida.



Ela tem muito mais a oferecer.

  

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