segunda-feira, 18 de novembro de 2013

JULIA REBECA E A INVASÃO DE PRIVACIDADE




Não cheguei a assistir o Fantástico ontem, mas soube que mostrariam uma reportagem sobre casos de violação de privacidade através de filmagem em celulares.

Não, nenhum caso foi de pessoa que não sabia que estava sendo filmada, de alguém que filmou escondido, todos os casos foram consentidos. O problema é que em todas essas situações ocorreu quebra de confiança ou falta de cuidado.

Seja um ex namorado injuriado com o fim, um “peguete” querendo se mostrar para amigos ou um celular perdido ou roubado. O fim é um só. O que começa com uma brincadeira gostosa, uma forma de apimentar a transa pode trazer muitas dores de cabeça e um enorme problema.

Cada vez mais temos casos como esse, seja com celebridades ou anônimos. Cada vez mais sites na internet se especializam nesse tipo de entretenimento adulto, o famoso “caiu na net” e na última semana esse ato trouxe consequências trágicas.

Uma menina, menina sim porque nem dezoito anos tinha ainda, chamada Júlia Rebeca. Uma menina normal como outra qualquer com sonhos de adolescente, que estudava, paquerava, ria, tinha problemas, usava as redes sociais frequentemente, uma menina normal que curiosa como todos nós somos resolveu buscar uma experiência diferente para sua vida, mas frequente por baixo dos panos de boa parte da população. Um ménage.    

Participou de uma transa com um amigo e uma amiga e fez aquilo que é cada vez mais normal, filmou.

Ela mesma filmou, o celular estava em suas mãos e essa filmagem lhe traiu porque não se sabe de qual forma o vídeo parou em outros celulares e rapidamente estava na internet.

Como eu disse acima o celular estava em suas mãos então não dá pra acusar ninguém previamente da exposição. Mas o caso é que ocorreu essa exposição e a jovem de 17 anos Julia Rebeca teve sua intimidade exposta não só para o mundo inteiro, pior, teve para sua pequena cidade no interior do Piauí, típica cidade onde todos se conhecem e se você der um espirro no dia seguinte todos irão comentar.

Um ménage onde você está nua beijando e tendo seu corpo beijado por outra menina em cima de um cara tem consequências muito piores que um espirro.

Muitos caíram na net. Ronaldinho Gaúcho teve um vídeo seu se masturbando que vazou. Os atores Kadu Moliterno e Carlos Machado também. A patricinha Paris Hilton teve uma sex tape que virou sucesso e ano passado a atriz Carolina Dieckman teve fotos roubadas e parando na internet. O caso dela fez que mudassem a lei sobre crimes virtuais no congresso.

Gente importante, pessoas famosas que tiveram suas vidas viradas de pernas pro ar por motivo de invasão de privacidade. Imaginem então uma menina de 17 anos do interior do Piauí?

Julia Rebeca era uma menina inteligente, teve um momento de descuido, mas era inteligente e tinha noção do estrago que aquilo faria em sua vida. Então antes que todos soubessem o que ocorreu ela mesma fez o estrago. Deu a brincadeirinha entre amigos contorno de tragédia.

No domingo dia 10 soube que o vídeo tinha vazado e no mesmo dia depois de tweetar bastante sobre uma premiação musical a menina do nada se despediu. Sim, se despediu pedindo desculpas, disse que tentou ser uma boa filha e se despediu.

No dia seguinte o primo dela tweetou anunciando sua morte.

Julia Rebeca de 17 anos, a menina estudiosa e sonhadora se matou enforcada com o fio da prancha alisadora por não suportar a ideia de ter sua intimidade compartilhada, de saber as terríveis consequências que aquilo traria a sua vida, a vida de seus pais.

Muitas mulheres hoje em dia sofrem com essa situação. Acham que encontraram o príncipe encantado, o homem de suas vidas e quando o amor acaba descobrem que não era bem assim.

Descobrem que aquela pessoa a quem ela se doou pode se transformar em seu pior inimigo.

Nossa sociedade é extremamente machista. Pode ter certeza que em quase todos os casos a ideia da filmagem parte do homem. A mulher faz porque curte e também para agradar ao cara que ama. Se você assistir um vídeo desses vai ver na maioria das vezes o homem rindo, fazendo careta, sinalzinho pra câmera com se fosse o fodão, o comilão. Caras babacas.

Não sou moralista, não sou hipócrita. Transar é muito gostoso, tirar foto e filmar excitante. Já fotografei, já filmei, já brinquei em webcam, tenho muitas fotos e vídeos e assisto vídeos desses na internet. Inclusive vi o da Julia.   

Mas quem quer fazer uma aventura dessas tem que saber qual é a consequência. Eu sou de uma geração que cresceu sabendo que tinha que usar preservativo no sexo, a nova geração além do preservativo agora tem que se preocupar com o que fazer com ao sex tape que realizou.

Pra homem como eu já disse nunca tem problemas, o cara sai da história como garanhão então vou falar para as mulheres, até porque tenho uma filha que um dia será adolescente como a Julia Rebeca.

Primeira coisa é que uma coisa dessas não é pra fazer com qualquer um. Tem que conhecer a pessoa, ter confiança extrema nela, não basta ter um pouco de confiança, tem que ter muita.

Que seja feito com câmera da mulher e que fique com ela a filmagem. Quando o homem quiser ver que vá até a casa dela e assistam juntos. Não mostre o rosto, evite que isso aconteça e para se preservar coloque uma máscara, em sex shop vendem várias, se for o caso coloque um chapéu também.

Caso caia na net pelo menos dá pra colocar a situação em dúvida se é você ou não.

Filmando no celular não deixe lá, não coloque em pen drive nem em arquivo do computador, jogue para e-mail. Quando quiser olhar é só acessar o e-mail e visualizar. Não deixe rastros.  

Não tem como pedir para uma filha não fazer. Os tempos são outros e nós que temos que nos adequar. Temos que entender o tempo em que vivemos e nos transformar em aliados de nossos filhos, amigos deles.

O mais importante. Mostrar sempre a nossos filhos que eles podem contar conosco, nunca lhe viraremos as costas e assim nunca vivermos a tragédia que hoje vive a família da jovem Júlia. 

Infelizmente a vida é assim, nós aprendemos com os erros dos outros.


Que pena Julia Rebeca.



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