sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O PAÍS DOS PROTESTOS


*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 20/10/213


O negócio agora é protestar. Sempre falaram, inclusive eu, que o brasileiro era pacífico demais, dormia eternamente em berço esplêndido, mas a situação mudou um pouco nesse louco ano de 2013.

Antigamente brasileiro protestava no esporte. Quando seu time perdia ficava furioso, a seleção de futebol sempre foi muito cobrada e a “cornetada” sempre rolou solta nas Olimpíadas mesmo os atletas não recebendo nenhum incentivo e muitas vezes nem quem protesta sabendo quem é.

Outros que sofreram foram os pilotos que vieram depois de Ayrton Senna na F1. Todos bundões, fracassados e rodas presas na opinião do brasileiro que assiste.

Brasileiro só é patriota em copa do mundo, só em esportes tem seu brio mexido. Sempre foi assim.

Mas junho de 2013 trouxe algo. Do nada o povo foi para as ruas. Tudo começou com os protestos sobre o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus. Seria um protesto como de vez em quando ocorre de forma tímida no país, mas ganhou uma dimensão inesperada e poucas vezes vista em nossa história. Surgiu ali o papo que o gigante acordou.

Se acordou não sei, mas aprender a reclamar.

Hoje temos protestos sobre tudo. Brasileiro virou especialista em direito. De uma hora para outra se tornou especialista no assunto “mensalão” e protestou muito contra os “embargos infringentes” recebidos pelos réus.

A maioria não sabe o que foi o mensalão nem o que são os “embargos infringentes”, mas “sabem” que só tem ladrão no governo e tudo acabou em pizza.

A onda de protestos fez surgir uma espécie de gremilim que se no filme se transforma e multiplica com a água aqui no Brasil se multiplica nas manifestações. São chamados de black blocs.

Os tais black blocs são os “Che Guevara” do “neo coxinhismo” nacional. Jovens bem vividos, que tem papai que banca e de uma hora para outra resolveram que são anarquistas e revolucionários. Misturam-se nas manifestações promovendo arruaças, quebra-quebra, depredando e o roteiro sempre é o mesmo.

O Jornal Nacional já devia gravar esse parágrafo próximo para por no ar todas as semanas.

“A manifestação dos (professores) (metalúrgicos) (estudantes) (rodoviários) (GLBT) (cantores de pagode) (fãs de Justin Bieber) seguia pacífica até que no começo da noite mascarados entraram em confronto com a polícia e quebraram ônibus, agências bancárias e tentaram por fogo na (prefeitura) (câmara dos vereadores) (assembleia legislativa) (sede da Tv Globo) (casa do Pedro Migão)”.

Aliás, que vida bandida essa de ter que escolher entre os black blocs e a PM.

Caetano Veloso resolve protestar e tira foto com máscara. Depois com a repercussão negativa disse que foi enganado e resolveu protestar contra as biografias. Justo ele que em 1968 cantou “É proibido proibir” se junta a Gilberto Gil, outro perseguido, para virar censor. Chico Buarque diz que não deu entrevista e deu. É contra as biografias, então não pode mais falar da Geni. Ela autorizou?

Marina Silva protesta contra a justiça que não homologou seu partido, a emissora esportiva do Mickey protesta contra a copa do mundo no Brasil, fãs de Marcelo Adnet protestam dizendo que ele se vendeu pra Globo, fãs da MTV protestam contra seu fechamento mesmo que ninguém mais visse a emissora e ela tenha renascido no dia seguinte. Jogadores de futebol que ganham mais de cem mil reais por mês protestam contra o calendário do futebol brasileiro e fazem uma organização. Eu protesto sobre meu corte prematuro na Portela, o Migão protesta contra arbitragens e locutores esportivos.

Sergio Cabral e Eduardo Paes protestam contra as manifestações dizendo ser coisa orquestrada pela oposição e os professores protestam contra nova lei de cargos e salários e tomam porrada da polícia.

Professor tomando porrada da polícia! Professor que tinha que ser tratado como o topo da pirâmide, o mais alto da casta porque se não existe a profissão de professor não existe mais nenhuma. Até um funkeiro precisa de um professor pra aprender a cantar besteiras e um jogador de futebol para aprender a dar passes e chutar.

O ensino é a mola mestra de tudo. O professor é o cara que é (mal) pago para passar conhecimento, sabedoria e toma porrada da porcaria de um PM que até pra colocar aquela farda teve que estudar.

Professor tem que ser tratado com respeito, não com porrada. Taí eu protesto contra o modo que tratam os professores.

Esse país ficou doido, agora é o país dos protestos. Que pelo menos toda essa reclamação sirva para alguma coisa. Sirva para melhorar aquilo que achamos errado. Reclamar por reclamar não basta é necessário reclamar e agir.

E por enquanto eu paro de reclamar porque é capaz do Obama estar lendo meus protestos.

Dona Dilma abra o olho. Depois não adianta protestar.    

 

4 comentários:

  1. O governo sempre procurou a melhor solução para a educação, esse programa é o melhor para a categoria, mas a militância política se maqueia e usa o discurso educacional em favor de uma causa apenas política.

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    1. O problema é que a militância sempre vê o lado político antes de tudo

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  2. Exatamente, e ao insistir em só ver o lado político eles esquecem das coisas que realmente são importantes, o real motivo ali é a luta pela educação. Eu não concordo com esse movimento na forma que ele está, não foi atoa que no fim das contas, eles não conquistaram nada.

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    1. Pois é. Conseguiram nada e agora terão que correr com o ano letivo comprometendo o ensino

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