quarta-feira, 31 de julho de 2013

CINCO ESCOLAS EM CINCO CARNAVAIS


 
E hoje começo uma nova etapa na série "Cinco carnavais". Em vez de uma escola falarei sobre cinco. Sim, cinco escolas de samba importantes, valorosas, entidades de respeito e tradição que contribuíram com o crescimento de nosso carnaval e a cultura desse país. 

Todas as escolas são importantes. Da mais poderosa do grupo especial a mais humilde do acesso e merecem esse reconhecimento e nosso muito obrigado. Por isso a série continua. Por isso a reverência é eterna.
 
Contarei um pouco de suas histórias e seus carnavais que mais me marcaram como sambista e compositor. 

Vamos lá. Cinco escolas em cinco carnavais.
 

PORTO DA PEDRA  
 
 A escola de São Gonçalo foi fundada como bloco em 8 de março de 1978, criada por amantes do clube de futebol que tinha o mesmo nome cujas cores eram o vermelho e branco. Esses torcedores se reuniam e desfilavam pelas ruas do bairro até que se uniram para formar o bloco que se transformou na escola de samba G.R.E.S Unidos do Porto da Pedra em 1981. 

O primeiro título da escola, desfilando em São Gonçalo, ocorreu em 1982 com o enredo “No reino da fantasia”. Em 1995 surpreendeu o mundo do samba ao vencer o grupo de acesso A do carnaval do Rio de Janeiro ganhando o direito de desfilar no grupo de elite do carnaval carioca.  

Desceu para o acesso em 1998, voltou a especial em 1999, voltou ao acesso em 2000, voltou ao especial em 2001 e permaneceu na elite até 2012. Suas cores são vermelho e branco. 

Porto da Pedra de “Campo cidade em busca de felicidade” 1995, “A folia no mundo – Um carnaval dos carnavais” 1996, “Um sonho possível! Crescer e viver agora é lei” 2001, “Bendita és tu entre as mulheres do Brasil” 2006, “Preto e branco a cores” 2007, “O sonho sempre vem pra quem sonhar” 2011. 

Porto da Pedra e seu carnaval que mais me marcou.
 

NO REINO DA FOLIA, CADA LOUCO COM SUA MANIA 1997
 
 
 
Samba de Vadinho, Carlinhos e Pinto. 

Como eu disse a Porto da Pedra surpreendeu o mundo do samba ao subir para o grupo o grupo especial em 1995, afinal, ela conseguira o direito de desfilar no acesso apenas porque foi convidada. 

Mas subiu, chegou à elite e como diria o mestre Zagallo “aí sim fomos surpreendidos novamente” porque a escola que era pule de dez para descer não só não desceu como fez um ótimo desfile com o poderoso refrão “endiablado eu to / e vou sacudir /nas garras do tigre se liga / se ligue eu vou deixar cair” ficando em nono lugar em um ano que tinha dezoito escolas!!

Mas o melhor ainda estava por vir e veio no ano seguinte, em 1997.  

A Porto da Pedra decidiu falar sobre os loucos, mesmo tema escolhido pelo poderoso Acadêmicos do Salgueiro. Nesse caso então é pra pensar, vai se dar mal né? É, mas não se deu. 

Se deu foi muito bem. A escola de São Gonçalo levou um enredo delicioso para a avenida. Sua comissão de frente veio vestida de Napoleão Bonaparte e seu abre alas mostrou um tigre, símbolo da agremiação, em meio ao “Portal da loucura”.

A escola, que também trouxe internos e funcionários do hospital psiquiátrico PINEL mostrou toda as espécies de malucos, como o “maluco beleza” Raul Seixas, o delirante Dom Quixote e até mesmo o menino maluquinho, criação do genial Ziraldo. 

Além de tudo a Porto da Pedra foi muito feliz na escolha do samba-enredo. Um refrão ótimo “Eu canto, eu pinto, eu bordo / Sapucaí é a tela / Porto da Pedra enlouquece a passarela” apresentava o samba com todos os seus loucos ao público e ao mundo do samba que mais uma vez era surpreendido pela agremiação. 

Na luta entre David e Golias a Porto da Pedra venceu o Salgueiro conquistando um honroso quinto lugar e assim voltando no sábado das campeãs. 

Enlouquecendo a passarela.
 
 
 
TRADIÇÃO     

 

Em 1984 um grupo de dissidentes da Portela fundou a Portela Tradição que também teria a águia como símbolo. No entanto a Portela conseguiu na justiça impedir que sua dissidência usasse seu nome e símbolo, sendo assim o nome ficou sendo apenas Tradição e a escola criada por Nésio Nascimento (filho de Natal), João Nogueira, Paulo Cesar Pinheiro e outros foi fundada em 1° de outubro de 1984. 

A caçulinha ganhou adesões importantes como de Tia Vicentina (irmã de Natal) e da maior porta bandeira da história Wilma Nascimento e faltando poucos dias para seu primeiro carnaval não tinha decidido qual animal substituiria a águia que já estava pronta. Decidiram transformar a águia em condor e dessa forma ela precisou apenas de poucas mudanças. 

Suas cores são Azul turquesa e Royal, branco, ouro e prata e a escola chegou ao grupo especial em 1988. Entre idas e vindas ficou no grupo especial até 2005. Hoje se encontra no grupo de acesso. 

Tradição de “Pássaro guerreiro, Xingu” de 1985, “Rei Senhor, Rei Zumbi, rei Nagô” 1986, “Sonhos de Natal” 1987, “Rio, samba, amor e Tradição” 1989, “Não me leve a mal, hoje é carnaval” 1993, “Passarinho, passarola, quero ver voar” 1994, “Hoje é domingo, é alegria, vamos sorrir e cantar” 2001, “O Brasil é penta, R é 9 – O fenômeno iluminado” 2003. 

Tradição que agora conto qual carnaval mais me marcou.   
 

O MELHOR DA RAÇA, O MELHOR DO CARNAVAL 1988
 


 Samba de João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro.

Os portelenses, não tiro a razão deles, torcem o nariz para a Tradição e guardam mágoas da cisão. Mas até eles mesmos no fundo devem reconhecer que o começo da escola foi um luxo. 

Que escola pode dizer que por cinco anos seguidos teve sambas assinados por João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro?  Dois monstros sagrados da nossa MPB? E ainda teve o luxo supremo de ter João Nogueira cantando o samba na avenida. Tudo isso em um acordo de cavalheiros.  

Os dois foram os primeiros compositores a acreditar na escola e assim ganharam o direito de fazer os primeiros sambas. Eles aceitaram desde que isso fosse até a escola chegar ao primeiro grupo e depois fosse criada uma ala de compositores. Isso ocorreu em 1990. 

Tendo uma dupla dessas acabou que os cinco primeiros sambas da escola foram magistrais. Grandes enredos, grandes sambas, com gente como Wilma Nascimento carregando seu pavilhão acabou que numa subida meteórica a Tradição chegou ao especial em 1988.  

E incomodou a Portela, muito.

Em 1988 várias escolas decidiram homenagear os negros devido ao centenário da libertação dos escravos, mas as duas não. Portela contando os sonhos do vice-rei veio com um refrão que dizia “Briga / eu quero briga” que muitos logo associaram como uma provocação à Tradição. 

Já a escola de Campinho foi mais sutil e começou seu samba com “E com saudades da Portela / Vem chegando a Tradição”. Belíssimo enredo, belíssimo samba e a caçulinha começou forte no especial.

Para muitos desfilou melhor que a Portela. Ganhou dela no júri da Globo, mas na hora do júri oficial prevaleceu a força da escola de Madureira que ficou na frente e venceu essa disputa.

A Tradição estreou prometendo muito, infelizmente sua trajetória não correspondeu ao início. Muitos voltaram à escola mãe e a agremiação de Campinho parece meio perdida reeditando sambas de outras escolas quase todos os anos e perdendo identidade. 

Mas ficam as boas lembranças. De um começo grandioso. 

E com saudades da Portela.     

 
IMPÉRIO DA TIJUCA
 


O Império da Tijuca tem algumas peculiaridades. Primeiro a palavra “Educativa” em seu nome, a única que carrega a palavra e com orgulho. Segundo, que para surpresa de muitos, é o primeiro Império do samba. 

Sim. O Império da Tijuca é mais velho que o Império Serrano. A escola é de 8 de dezembro de 1940 e por essa razão seu símbolo é uma coroa. A escola é situada no morro da Formiga e lá sempre fez experiências comunitárias de grande valor como uma escola de alfabetização de crianças, a Tropa José do Patrocínio, grupo de escoteiros que atuou muito tempo na comunidade. 

Seu primeiro desfile aconteceu em 1946 com o enredo “Aos heróis de Monte Castelo” e o primeiro campeonato em 1964 com “O esplendor do Rio de Janeiro Imperial” que lhe valeu o acesso ao grupo principal das escolas de samba.
 
Suas cores são o verde e o branco e tem entre seus nomes mais conhecidos Sinval Silva (compositor preferido de Carmem Miranda) e Marinho da Muda. Desde 2004 é presidida por Antônio Marcos Telles, mais conhecido como Tê.    

Império da Tijuca de “O mundo de barro de mestre Vitalino” 1977, “As três mulheres do rei” 1979, “Viva o povo brasileiro” 1987, “No Saçarico da Colombo” 1995, “O reino unido independente do Nordeste” 1996, “Elymar super popular” 1998, “No palco da alegria, Molejão é o rei nesta folia” 1999, “Tijuca cantos, recantos e encantos” 2006, “O intrépido Santo guerreiro” 2007, “Suprema Jinga – Senhora do reino Brazngola” 2010. 

Império da Tijuca que com muita honra faço parte de sua galeria de campeões de samba-enredo ao vencer em 2003 e agora conto qual carnaval seu mais me marcou.
 

NEGRA, PÉROLA MULHER 2013   
 


Samba de Samir Trindade, Serginho Aguiar, Araújo, Walace Menor e Alexandre Moreira.

Apesar de já estar um bom tempo no acesso era nítida a melhora do Império da Tijuca com o presidente Tê. Ele assumiu a escola no grupo B, ameaçada de cair ao C e sair da Sapucaí e aos poucos foi organizando a agremiação.  

Conseguiu levar o Império de volta ao acesso A, pagou dívidas, escolheu enredos com relevância cultural, escolheu os melhores sambas desses concursos fazendo que com a agremiação da Formiga virasse referência do grupo em samba-enredo ganhando vários prêmios como em 2007 e 2010 e começou a sonhar com o especial. 

Sonhou e trabalhou. Organizada começou a fazer seu carnaval logo que acabava o anterior. Entregava roupas de alas cedo, fechava barracão concluído bem antes das concorrentes, era evidente que esse trabalho daria frutos. 

Deu em 2013.

Para o carnaval de 2013 saiu de cena a LESGA e a série de acusações contra sua honestidade e entrou a LIERJ. Gato escaldado tem medo de água fria e muitos falaram que o carnaval estava dado para outra escola. Nos anos anteriores sempre que surgiam esses boatos eles acabavam se confirmando na apuração. 

Mas não esse ano.

O Império da Tijuca não era colocado entre os favoritos e isso foi um “erro” dos entendidos da folia já que a escola tinha um enredo forte e um dos grandes sambas do grupo. O Império organizado, empresarial, primeiro a concluir seu carnaval, a começar suas disputas de samba-enredo mais cedo pra ter mais tempo e escolher certo não se permite a erros e não errou. 

Não errou e valorizou ainda mais seus acertos na avenida. O enredo afro explodiu, o samba espetacular aconteceu e ganhou todos os prêmios do ano com méritos e a cada minuto do Império na avenida os boatos caíam por terra.

O Império da Tijuca na gosta de ser chamado de Imperinho, afinal, foi o primeiro Império e mostrou em 2013 que tal como o Império Romano podia ser dominante, avassalador e desfilou assim. Ao final de sua “guerra por conquista de território” ninguém tinha duvidas que conquistara o território mais importante. A volta ao grupo especial. 

Eu estava lá e vi na avenida essa “batalha épica” e dessa forma, depois de dezessete anos, o Império da Tijuca voltava ao grupo especial.   

Nessa festa teve muita zoeira.
 
 
SANTA CRUZ

 
Afilhada da Unidos de Bangu e madrinha da Unidos do Uraiti a Acadêmicos de Santa Cruz foi fundada dia 18 de fevereiro de 1959. Desfilou em 1960, 1961 e 1962 na própria localidade, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda em 1962 se filiou a Confederação das Escolas de Samba e desfilou pela primeira vez no centro da cidade no dia 2 de dezembro, ocasião do 1° congresso do samba. Em 1963 disputou o carnaval da Praça Onze (grupo B) e foi campeã. Em 1965, carnaval do IV centenário, venceu o acesso A e se juntou pela primeira vez às grandes escolas de samba. 

De um bloco de sujos, o “Vai quem quer”, que começou a surgir a futura escola que é uma dissidência do bloco carnavalesco “Garotos do Itá”. Ao longo dos anos aglutinou sambistas de outras escolas de Santa Cruz como “Unidos da Jaqueira”, “Independente do Morro do Chá” e “Unidos do Caxias”. 

Teve como símbolo inicial a figura de um boi como referência ao matadouro que durante anos funcionou no bairro. Um capelo fazia referência aos acadêmicos que fundaram a escola juntamente a um pandeiro e um surdo como marcos da relação com o carnaval. Mais tarde o símbolo da escola foi substituído por uma coroa e por alguns anos a escola teve na bandeira uma estrela.    

Suas cores são verde e branco e a escola desfilou oito vezes no grupo de elite do carnaval. 

Santa Cruz de “Um fato em cada século” 1965, “Acima de uma coroa de um rei, só Deus” 1984, “Stanislaw, uma história sem final” 1989, “Ribalta – Luz, sonho e ilusão” 1996, “Não se vive sem bandeira” 1997, “O exagerado Cazuza nas terras da Santa Cruz” 1998, “Papel – Das origens à folia – História, arte e magia” 2002, “Do universo teatral à ribalta do carnaval” 2003. 

Santa Cruz que agora conto o carnaval que mais me marcou.
 

OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA 1990    
 


 
Samba de Zé Carlos, Carlos Henri, Carlinhos de Pilares, Doda, Mocinho e Luis Sérgio. 

A Santa Cruz sempre foi conhecida como a “certinha do acesso”. 

Escola que fazia desfile técnico no grupo. Não empolgava, mas fazia sua apresentação para os jurados e quando as pessoas menos esperavam lá estava a agremiação vencendo o grupo de acesso ou chegando perto da vitória.

O problema é que se esse estilo era bem sucedido no acesso tinha problemas no especial, não era o suficiente para alçar bons resultados e a agremiação acabava retornando ao acesso. A Santa Cruz nunca conseguiu desfilar dois anos seguidos no especial.

Então destaco 1990 por ser um ano diferente dela. 

Como disse o ano era de 1990. Apenas cinco anos em regime democrático e o primeiro presidente eleito pelo povo desde 1961 nem tomara posse ainda. Então nossa democracia ainda era muito recente e nessa nova democracia a Santa Cruz resolveu ousar e falar do regime ditatorial tão vivo ainda na memória dos brasileiros. 

Mas decidiu fazer algo diferente de um tema aparentemente tão sombrio e de seus desfiles frios e técnicos. Ela homenageou o “Pasquim”, jornal de humor e crítica a ditadura dos anos 70, muito perseguido pelo regime. A Santa Cruz fez um desfile leve, alegre, colorido para contar a história do jornal e aproveitar e falar do regime militar e suas características. 

Colocou guilhotinas na avenida representando a censura. Anões em carros alegóricos representando a imprensa de pequenas mídias e resistência, levou artistas do período como o mítico Paulo Cesar Pereio que foi flagrado deitado no carro alegórico pela câmera da Globo e levou os jornalistas do Pasquim para a justa homenagem. 

Apesar da alegria a agremiação não conseguiu se manter no especial sendo rebaixada, mas uma coisa me chamou a atenção nesse desfile. O refrão tinha o verso “Por favor, não apague a luz” e por ironia do destino poucos anos depois a escola teve problemas com a luz da Sapucaí em seu desfile e a confusão foi tão grande que faltando apenas dois dias pro carnaval seguinte ela não sabia em qual grupo desfilaria. Desfilou no especial, não estava preparada para tal e caiu de novo. 

O tema “ditadura militar” foi revisitado pela União da Ilha em 2000 e por coincidência com o mesmo enfoque bem humorado.
 
Livre das amarras dos desfiles técnicos em 1990 a Santa Cruz gozou de liberdade.

 

ACADÊMICOS DO CUBANGO    

 
Na antevéspera do Natal de 1959, mais precisamente no dia 17 de dezembro que nasceu em Niterói a Acadêmicos do Cubango. 

Aproveitando-se do silenciar dos batuques da Império Serrão, até aquele momento reduto dos sambistas dos morros do bairro de Cubango, um grupo de bambas resolveu reacender a chama fundando uma nova escola de samba. 

Durante os anos de 1960 e 1970 a Cubango realizou seus ensaios nos clubes Fluminense e Fonseca até conseguir no fim da década de 70 sua quadra da Noronha Torrezão.   

No começo dos anos 60 foi tetracampeã na Academia do Samba, uma espécie de segundo grupo do carnaval de Niterói, em 1964 se juntou as grandes escolas da região. Conquistou seu primeiro título em 1967. 

Muitas vezes campeã em Niterói migrou para o carnaval do Rio de Janeiro nos anos 80. Estreou no carnaval do Rio em 1986 e de cara foi campeã do grupo IV. Em 1992 pela primeira vez chegou ao principal grupo de acesso. 

A verde e branco de Niterói desfila atualmente no grupo A da LIERJ.  

Cubango de “Afoxé” 1979, “Fruto do amor proibido” 1981, “Negro que te quero negro” 1992, “África, o exuberante paraíso negro 2002”, “Cubango é shopping no mundo do toma lá da cá” 2004, “O fruto da África de todos os Deuses no Brasil da fé. Candomblé” 2005, “Os loucos da praia chamada saudade” 2010, “A emoção está no ar” 2011.   

Cubango que conto agora o carnaval que mais me marcou.
 

MERCEDES BATISTA, DE PASSO A PASSO UM PASSO 2008

 


Samba de Diego Nicolau, Arthur Bernardes, Sardinha, Junior Duarte e Carlinhos da Penha. 

Desde os carnavais de Niterói, que infelizmente não tenho muito conhecimento, a Cubango é conhecida por seus grandes enredos e sambas. Principalmente quando ela vem afro, sua especialidade. 

Assim foi em 2008. Para o carnaval daquele ano a Cubango resolveu fazer uma grande e justa homenagem. Reverenciou Mercedes Batista, a mãe do balé afro brasileiro. 

Contou ao público uma linda e desconhecida história para a maioria. Mercedes com seu “balé de pés no chão” fundou a Academia de Danças Étnicas e levou seu bailado e a arte afro brasileira a todo o mundo. 

Em paralelo a Cubango contou a força da arte popular negra do Brasil, por fim fez uma mistura da arte popular representada por gente como Abdias Nascimento com a arte erudita e isso deu em um enredo riquíssimo em cultura.

Claro que tendo a ala de compositores talentosa que possui viria um grande samba-enredo e a Cubango ainda tinha a felicidade de contar em seus quadros com nomes como de Diego Nicolau, um dos melhores compositores e cantores da nova geração. 

O grande samba veio e foi considerado no pré-carnaval um dos melhores do ano juntando todos os grupos do carnaval carioca. A beleza e força do samba foi comprovada na avenida e ele levou os principais prêmios do grupo de acesso. 

Mas de uma forma surpreendente e injusta a Cubango acabou rebaixada naquele carnaval. Mas superou. Logo no ano seguinte voltando ao grupo. Continuou produzindo grandes enredos, sambas e prosseguindo sua caminhada que fatalmente dará um dia no grupo especial. 

O que importa, o que ficou foi o lindo samba e a homenagem a um dos maiores nomes desse país. Isso é eterno. 

Mercedes Batista pôs a avenida a seus pés.

 
Bem..É isso aí. Essas foram as primeiras cinco escolas homenageadas nessa nova etapa do “cinco carnavais”. Semana que vem tem mais cinco. 

    

  
FONTE:

GALERIA DO SAMBA
 www.galeriadosamba.com.br




ESCOLAS DE SAMBA EM CINCO CARNAVAIS:

2 comentários:

  1. Eu não sabia desta história envolvendo a criação da ala de compositores da Tradição. E a Cubango foi rebaixada justamente em samba enredo, inacreditavelmente.

    Aliás teve um jurado que considerou este samba da Niterói e o reeditado "É Hoje" os piores sambas do nao no grupo...

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    1. É, eu também não sabia, soube depois que pesquisei.

      A história desse samba e do "É Hoje" mostra bem o que era o acesso

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