segunda-feira, 29 de julho de 2013

A AMIZADE


 
Um dia desses aí foi o “dia do amigo”. Uma dessas datas que até poderiam existir antes, mas ninguém ligava até a chegada das redes sociais como o “Dia do homem” e o “lingerie day”. 

Sinceramente não dei a mínima atenção para a data. Porque dia do amigo para mim são todos os dias e pra mandar mensagem automática à eles por celular ou marcar nome em mensagem de facebook prefiro fazer nada. Se é amigo mesmo dá pra “perder” alguns minutos e fazer uma mensagem especial.

E se tem uma coisa que não posso me queixar na vida foi dos amigos que eu fiz. São quase 37 anos de vida e uma vida prodigiosa de grandes amigos. Alguns que carrego comigo até hoje, outros que a amizade acabou ou perdi contato. Mas como diz o hino do maior clube do mundo “Uma vez amigo, sempre amigo”. 

Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, amigos para sempre é o que iremos ser, eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar, você é meu amigo de fé, irmão camarada e todas as músicas já muito conhecidas poderiam dizer o que sinto por eles.
 
 
Mas em vez de control C control V prefiro escrever. Que é uma das poucas coisas que sei fazer. 

Acho que uma das primeiras coisas que a vida nos dá é o amigo. Provavelmente a primeira pessoa a surgir em nossas vidas fora da família. Comigo foi assim. As imagens mais remotas de minha vida levam ao colégio Nossa Senhora da Ajuda e a um angolano chamado Rui Pedro.

Pois é, lembro do nome dele até hoje, viu o que é uma amizade?  
 
Morava na rua ao lado da minha e sinceramente não lembro muito mais que do nome dele, mas o que me marcou mais na época é que nós com seis anos gostávamos da mesma menina, a Manuela que tinha cinco. 

Acabou que eu que virei o “namoradinho” dela. Namoro do tipo de lanchar juntos, brincar juntos e falar que está namorando. Foi uma das poucas vezes que consegui vencer uma concorrência por mulher. O Rui saiu da escola no meio do ano. Até hoje não sei porque ele saiu.

Mas esse “triângulo amoroso” me marcou. Ainda mais se eu pensar que a Bia está chegando nessa idade então daqui a pouco sou eu que posso “ganhar” genros. 

Na mesma época fiz amizades com garotos na rua como Zé Henrique e Junior, que moram até hoje aqui. Pouco depois Wendell veio morar aqui e na casa ao lado que morava o Rui Pedro veio uma família do Rio Grande do Norte. Fiz amizade com o filho mais velho, o Flávio. É o primeiro que posso chamar de “melhor amigo”. Eu tinha entre 8 e 11 anos de idade nesse período. 

Era um tempo que se brincava na rua. Com eles e mais muitos como Juninho, Quito, Nem, Marcelo, Cristiano, Willian, Beto, Fabinho (a quem perdi uma garota que eu gostava no meu aniversário de 9 anos), Eduardo que era irmão do Flávio e as meninas. Dayse (irmã de Flávio e Eduardo e foi namoradinha no estilo da Manuela), Verena (a que eu perdi pro Fabinho) mais um monte de gente que chegava e partia. 

Como eu disse era tempo de brincar na rua. Jogar bola, jogar taco, pique esconde, pique bandeira ou guerra de mamonas no meu quintal. Eu sempre péssimo nas brincadeiras e sempre o último a ser escolhido nos times. Mas geralmente eu era o dono da bola e tinham que me aturar.   

Montamos um time na época e chamamos de Temporal. Eu como jogava nada virei técnico. Era bem legal a gente ir a outras ruas ou bairros da Ilha enfrentar outros times. Chegamos a ganhar um dia de uma garotada que treinava na Portuguesa da Ilha e no dia seguinte perder pro time da feira. 

Engraçado. Na época eu não parecia curtir tanto, até porque eu era o gordinho, o ruim de bola e então acabava virando o “pele” da galera, o cara a ser zoado. Mas lembrando aqui do que fazíamos e deles deu saudade.  

Não sei se chegava a ser o famoso “bullying”. Acho que não até porque outros muitos eram zoados e alguns o pessoal chegava a tirar o short e deixar pelado na rua e isso nunca ocorreu comigo. Enfim, tive uma infância que a garotada de hoje não irá conhecer e essas zoações me ensinaram a devolver. A ser sarcástico, debochado então teve seu lado bom. 

Ao mesmo tempo formava minha galera no colégio. No primário fiz grande amizade com Luciano, Paulo e Fernando.  O apelido do Luciano era “biduda” e até hoje não sei o significa isso. 

Perdi a menina que eu gostava pro Fernando, normal na minha vida, e com Luciano e Paulo voltava andando do colégio pra casa. Grande conquista para um moleque de 9, 10 anos. No último dia de aula levamos ovos para jogar nos outros alunos e não tivemos coragem.

Acabamos depois rindo jogando em uma árvore na praia. 

O tempo passou, mudei de colégio e fiz uma das turmas mais especiais da minha vida. No colégio AME conheci Luis Felipe (foto), Gustavo, Rodrigo (esses dois irmãos), Marco Aurélio e George. Fizemos uma irmandade. Um grupo fechado mesmo onde um zoava o outro, mas se protegia. Por causa do Luis Felipe parei uma vez na sala da direção, mas em compensação foi em cima dele que vomitei no meio de uma prova de Matemática. 

Tenho contato com o Felipe até hoje graças às redes sociais e tenho orgulho de ser seu amigo e ver o que ele virou.  

Dessa época e desses amigos acabei escrevendo um livro. 

Me mudei para o Mato Grosso e lá conheci Caio, Sidney, Marcelo, João Batista, Pedro Paulo, Tarcisio, Adão, Válber..Tempo inesquecível quando começaram as festinhas, os bailes, a volta pra casa de manhã, a ida na zona e a minha primeira vez quando dei mole e sem querer contei ao Caio que era e ele me zoou muito.  

Caio é mais um desses amigos para a vida toda. Melhor jogador de botão que conheci, mas no ping pong eu era melhor que ele. Torcedor fervoroso do Ayrton Senna a quem fui consolar em sua casa quando o mesmo morreu. 

Voltei pro Rio, fui pra faculdade e conheci outros amigos especiais demais. Rodrigo (foto), Marcela, Eduardo, Alexandre, Fabio Jansen, Jorge, Jorel, Sandra, Marizete..Passamos quatro anos pelas barras e alegrias de uma faculdade. As colas nas provas, os projetos, as saídas para bares. O projeto Glauber Rocha que consistia em fazer um vídeo e que fiz com Rodrigo. Contracenar com Alexandre numa peça de teatro no projeto “Nelson Rodrigues” e sentar numa cadeira a quebrando e caindo de bunda no chão fazendo a platéia de um teatro lotado gargalhar e me sair bem...Lembranças inesquecíveis. 

Como fiz na internet...

Graças a internet conheci muita gente legal em chats, em comunidades do orkut, twitter e facebook. Participei de “orkontros”, briguei, amei, conheci gente como a Rê Pepper, Fernando, Patrícia, Tamires, Raphael, Ross..Não conheci pessoalmente, mas conheci Luciana, Gláucia, Val, Fabienne, Fernanda, Gisele, Cinthia, Carol que se tornaram tão importante como se convivesse diariamente fisicamente. 

Fiz amizades como a Paola a quem quis pegar no começo e virou grande amiga, Fabiola, a quem tivemos um namorico breve e virou minha “amiga doida” e através da Paola o Bruno Granata (foto), seu namorado.. Formamos os quatro uma irmandade a ponto de passarmos festas de fim de ano juntos e a família toda da Paola ir torcer por meus sambas. 

Conheci os “Monarcas do samba”. Lista de discussão da internet que me adotou de cara. Gente maravilhosa como Walkir, Pedro Migão, Reginaldo, Marcelo Einicker, Diego Mendes, Cadu, Armando Daltro, Tânia, Sandrinha, Mauricio Poeta, Marthinha, Carlos do K. 

Ali conheci uma de minhas melhores amigas. Companheira de cinema e UFC. Marta Caminha. Te amo pessoa. 

E amigos que não fiz bebendo, mas fiz no samba. 

Entre um samba e outro, uma vitória e uma derrota fiz amigos sendo parceiros ou adversário. Conheci antes do samba, mas fui pra lá com um dos caras mais maravilhosos que já pisaram nesse planeta. Paulo Travassos. Parceiro do meu samba estandarte de ouro, sempre com um sorriso no rosto, uma palavra amiga. Cara que não tinha muito, mas me ajudou quando eu mais precisei. Nunca esquecerei disso.

 No samba conheci Nando Pessoa, Duda, Clodoaldo, Silvana, Mestre Arerê, Barbieri, Marquinhus do Banjo, Gugu das Candongas, Dãozinho, Ricardo Mochila, Bruno Revelação, Daniel Burgos, Wagner Mariano, Fabio Fernandes, Raphael Ilha, Carlinhos Fuzil, Roger Linhares, Fabiano Fernandes, Gabriel, Marcinho, Jorginho, Ricardinho Delescluze, Nem, Thiago Lepletier, Alexandre Valle..São tantos..Pessoas talentosas, amigas, que eu sei que posso contar a qualquer momento. 

Dizem que amigo de verdade conhecemos na adversidade por isso digo que sim, tenho amigos de verdade. Quando minha mãe morreu, minha renda caiu de quatro mil para cento e sessenta reais e uma parte (não toda) da minha família virou as costas pra mim nenhum deles me abandonou. Todos ficaram do meu lado, me abraçaram, ajudaram a pegar na alça do caixão dela e alguns deles até financeiramente me ajudaram sem nunca cobrar nada. 

Pessoas especiais. 

Ta faltando um. Quem me conhece bem sabe e lógico que não esqueci dele. Cadinho da Ilha.


 Conheci o Cadinho em 1997 quando lhe indicaram pra cantar meu samba na União da Ilha. Branco, gordo, com cara de nerd claro que ele não aceitou e inventou uma desculpa. Mas no mesmo ano virou meu parceiro no Boi da Ilha e chegamos na final. 

Só não fizemos sambas juntos em 1998 quando ele foi para outra parceria e 1999 e 2000 quando foi pra igreja. De 2001 a 2013 fizemos quase uma centena de sambas juntos, eu na letra e ele na melodia. Cadinho não é apenas um dos melhores melodistas que já conheci. É meu irmão. 

Brigamos muito, algumas vezes nos ofendemos, mas nos permitimos a acontecer essas coisas e ficar tudo bem depois tamanho é nosso grau de amizade. Cadinho esteve presente em todos os momentos da minha vida nessa última década e eu na dele. Vi a transformação de um drogado e bêbado em um excelente pai e avô de família. Um cara que é um exemplo porque venceu na vida. Ganhar samba é mole, ganhar dos males que ele enfrentou não. Por isso tem minha admiração, respeito e amor. Amor hétero evidente. 

A gente pode até ser feliz sem dinheiro e sem amor. Mas sem amigos é impossível.
 
 
Então a todos vocês dedico essa imensa mensagem automática e meu muito obrigado. Por passarem pela minha vida, Por marcarem a minha vida. 

Nossa amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir.
 
 

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