sábado, 6 de julho de 2013

O ROCK DA DIREITA


*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 30/6/2013

A juventude sempre foi revolucionária, transgressora, libertária, ousada. Ser jovem é querer mudar o mundo, acabar com o sistema vigente. Paz, amor e um pouco de rock`. Roll. “Give peace a chance”, “o sonho não acabou” e várias frases de efeito que passam a cada geração e demonstram o sentimento do jovem.

Jovem gosta de curtir, amar, viajar e gosta principalmente de música. Escolheu o rock pra lhe representar. Rock que é jovem em sua essência, canta o que a juventude quer ouvir. É rebelde, anti-sistema, assusta os mais velhos, dizem que é “coisa do diabo”.

Só ver por suas maiores referências. Eu costumo dizer que o roqueiro que envelhece é um fracassado e a brincadeira tem um pouco de verdade. Os grandes nomes da história do rock como John Lennon, Jim Morrisson, Jimi Hendrix, Janis Joplin, os recentes Kurt Cobain e Amy Winehouse e os nacionais Cazuza e Renato Russo morreram jovens.

Nem todos conseguem envelhecer com alma roqueira como Paul McCartney, Mick Jagger e Keith Richards e o Brasil é a prova disso. 

Nosso país é definitivamente um país esquisitão. Diz um bordão popular que o Brasil é o único país do mundo que traficante se vicia, prostituta goza, cafetão se apaixona, dólar no paralelo é mais barato que no oficial e aí incluo, que o rock é de direita.

Pois é..O rock aqui e conservador, reacionário. No mundo todo ele é revolucionário, inovador e aqui não.

Por quê isso acontece?
Primeiro temos que reconhecer que o Brasil é meio confuso nesse sentido. Meio não, muito. Hoje não sabemos direito o que é esquerda e direita aqui.

O PT que sempre foi de esquerda se aliou a partidos e políticos por qual tinha repúdio. PSDB criado pra ser de centro esquerda logo se juntou ao DEM. Os partidos têm vergonha de se assumir direita mesmo usando táticas dela. Sobram partidos como PSTU que nem dá pra levar a sério e PSOL que mostram um romantismo que nem sempre é compatível com o a política de hoje. 

Segundo que apesar de existir e reconheço essa existência, é mais difícil encontrar genialidade na direita. A esquerda sempre foi mais liberta, liberal e criativa ao contrário da mente presa e ultrapassada da direita.

Digo isso porque como eu citei os maiores gênios do rock nacional que já morreram e pelo menos Cazuza declaradamente era de esquerda. Os que ficaram envelheceram, não tinham a criatividade dos que faleceram e nem a popularidade. Caíram num abismo de recalque e amargura pelos bons tempos terem passado e eles que cantavam a reação, a revolução na verdade ainda eram os mesmos e viveram como seus pais lembrando assim a famosa canção de Belchior.

Agem como adolescente. Como eram nos anos 80 quando cantavam “a gente somos inútil”, “garotos não resistem a seus mistérios” ou “Vento ventania”. Mas envelheceram na alma e na mente. Mudaram o discurso, iriam mudar o mundo e agora assistem a tudo em cima do muro.

Ou fazem pior. Fazem como o lobo mau que só é lembrado atualmente pelas besteiras que fala. Ele não tenta mais comer a chapeuzinho, só repete a velha história que comunista come criancinha.

Meus heróis morreram de overdose e de AIDS, não são reacionários que tocam guitarra. Vai ver por isso a criatividade lhes abandonou porque a criatividade não permite ser mal cuidada, não se permite a prisão de idéias atrasadas.

Curioso pertencermos a um país que velhos fazem música de jovem e não falo de velhos de idade porque se juntar a idade de todos os Stones chegamos na era glacial. Mas ver, por exemplo, que a MPB é mais jovem que o rock.

Só reparar. A MPB, que para muitos é música de velho, sempre estava na frente das mudanças, dos gritos de protestos desse país. Chico Buarque travestido de Julinho da Adelaide, Chico e Caetano no exílio, Geraldo Vandré caminhando e cantando e seguindo a canção. Foram censurados, apanharam, lutaram para quê?

Para os símbolos do rock nacional defenderem as forças conservadoras, fascistas, aproveitarem e se aproveitarem de manifestações nas ruas pra destilar ódio contra um governo constituído de forma democrática. Usarem um protesto que era contra um todo de forma política, mesquinha insuflando o ódio quando o momento pedia serenidade. 

Não vou citar nomes, não darei essa moral apesar de ter citado trechos de música do tempo que valia a pena ouvir algo vindo deles. Mas quem tem rede social, principalmente twitter sabe bem quem são.

Quer protestar contra governo? Legítimo, proteste até porque o rock é pra isso, protestar. Mas não se aproveite de um momento que a democracia pode estar em risco para colocar gasolina. Isso vai contra a história de vocês que aproveitaram o começo da democracia pra fazer música.

O pior é pensar que os roqueiros do século XXI, seus sucessores, são meninos alienados que usam franjinha, maquiagem, se trancam em quarto escuro tentando cortar os pulsos com prestobarba e acham que dessa forma vão mudar o mundo.

Não vão mudar o mundo, no máximo o rock, acabar com ele.

É Cazuza, você faz falta. Chorão, Renato Russo, Cássia Eller, Raul Seixas..Que pena. O rock errou.

E a gente somos inútil.      


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