sábado, 13 de julho de 2013

JUNHO DE 2013


*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 7/7/2013

E junho acabou. Chegamos ao meio do ano de 2013 e começamos a nos preparar pra 2014. Ano importante. Ano de eleições presidenciais e para governo dos estados. Ano de copa do mundo. Será que seremos hexa e acabará a maldição de 1950?

Mas ainda temos seis meses pela frente em 2013. Um ano que como diz a famosa marchinha “Não será igual aquele que passou”. Aliás, não só o ano. Muito tempo que não temos um ano como 2013 sendo que ele está apenas na metade.

Mas mais que 2013. Junho de 2013 é histórico. O Brasil chega a 1° de julho diferente do que era em 1° de junho.

Mês de junho reservava para nós a Copa das Confederações. Não estávamos muito ligados a ela. Como eu disse em uma coluna aqui no blog dois anos atrás “Quem liga para a seleção brasileira?”. A seleção cinco vezes campeã do mundo, tão amada por sua gente que lhe tinha como um dos maiores orgulhos já produzidos por essa terra desde que Cabral chegou em nosso solo estava divorciada do brasileiro.

Divorciada não apenas pelo futebol produzido. O brasileiro mais do que ficar com raiva de falta de talento tem de falta de caráter. Falta caráter a nossos dirigentes, inteligência também porque afastou a seleção do povo e caráter aos jogadores que jogavam sem alma, sem respeitar a tradição dessa camisa. Perdiam copas do mundo e trocavam de camisas sorridentes com os adversários parecendo ficar mais abalados quando perdiam uma Uefa Champions League pelo clube.

Assim chegava a seleção brasileira na copa das Confederações e assim caminhava o Brasil para o mês de junho. Umas notícias de crise na economia, mas que ainda não chegara ao bolso do povo. Uns gritos de “fora Feliciano”, cada vez mais roucos, uns sussurros de “fora Renan” e todos deitados em berço esplêndido assistiam os estádios superfaturados sendo inaugurados e acusações de corrupção pipocando aqui e ali.

Mas algo mudou. Algo aconteceu em junho de 2013 com a seleção e com o país.

Passagens de tarifas urbanas foram aumentadas. Normal, todos os anos aumentam e alguns protestam adiantando nada.

Em junho teve o aumento de vinte centavos e algumas pessoas foram para as ruas de São Paulo protestar. Fizeram um certo barulho, atrapalharam a volta pra casa do paulistano e a mídia ficou contra chamando de vandalismo.

Só que a PM de São Paulo resolveu ajudar. Desceu o cacete nos manifestantes, transformou São Paulo em uma praça de guerra e acertou o seio do sistema quando deu um tiro de borracha no rosto de uma jornalista.

Aquela foto da jornalista sentada no chão com o olho machucado mudou a história da manifestação dos vinte centavos. Pode ter mudado a história do Brasil.

Todas as cidades e estados se solidarizaram. A direita se assustou, a esquerda se borrou.. Os dois lados que sempre adoraram arrotar ideologias esquecendo e não ligando para o que o povo quer e tem a dizer foram obrigados a ouvir. A juventude alienada resolveu lutar e subiu no teto de prédios públicos em Brasília, tomou a avenida Rio Branco no Rio de Janeiro.

Milhões nas ruas exigindo um Brasil novo com a esquerda tentando se aproveitar levando bandeiras para manifestações, tomando um chute nos fundilhos e começar a chamar os manifestantes de reacionários e que queriam dar golpe de estado. A direita querendo se aproveitar dessa situação e tentando também tomar o movimento pra si. Incitando o “Fora Dilma”, a derrubada dos poderes, o vandalismo e também sendo rechaçada.

O povo não queria ir à direita nem à esquerda, O povo queria ir à frente. Gente dos dois lados ainda não entendeu que o povo está cansado deles. É errado ser contra partidos político e ser contra políticos. Quem gosta de situações assim são as ditaduras, mas foram os partidos e os políticos que criaram isso. Eles que tem que reverter. 

A presidenta Dilma começou dizendo que era coisa da juventude. Como se fosse algo hormonal. Depois viu que era sério e sumiu, se acovardou. Apareceu com discurso ensaiado que não colou e depois finalmente apareceu com tentativas de soluções como plebiscito e Constituinte Restrita. Os partidos agora quebram cabeça para ver como farão isso. Mas já é um passo, um grande passo.

A presidenta caiu 27% em sua aprovação e apesar de novamente ter se acovardado e não aparecido na final da Copa das Confederações acho que reverte essa situação. Para o PT isso não é preocupante porque os votos dela não migraram pra oposição. Muito pelo contrário beneficiaram Lula e conhecendo a política como conheço caso isso não se reverta, reafirmo acho que vai, não terão vergonha alguma de oferecer o fígado de Dilma com fritas e molho ferrugem ao povo e trazer Lula, outro que se omitiu, de volta.

Mesmo com pessoas tentando taxar as manifestações porque elas não se dobraram as suas opiniões políticas elas deram certo. Fizeram o povo acordar, reconhecer que sua voz pode provocar mudanças e atitudes fazer os políticos se mexerem. Depois que foram as ruas as tarifas foram reduzidas, a PEC 37 rejeitada no congresso. Decidiram destinar 75% do dinheiro do petróleo pra educação, 25% pra saúde e finalmente conversam a sério sobre reforma política.

Quem diria que o nerd com máscara de filme de Hollywood seria mais eficiente que Tiradentes? Que a “Revolta do vinagre” seria mais vitoriosa que a “Inconfidência Mineira”, “Confederação do Equador”, “Conjuração baiana” e outras do gênero?

Junho de 2013 entra para a história também por acabar com um mito. Que não podemos lutar por um país melhor e torcer pela seleção brasileira ao mesmo tempo.

Acabou aquela palhaçada dos ranzinzas, dos malas se referirem aos nossos prazeres como “pão e circo”. Jogarem a culpa de todas as nossas mazelas no futebol e no carnaval. Idiotizarem discussões pedindo fim do desfile de escolas de samba ou que temos que rejeitar a seleção brasileira pro país andar. Que brasileiro só é patriota na copa.

Falácia, mentira, alienação. Ao mesmo tempo em que o povo foi pra rua lutar por seus direitos ela reativava seu caso de amor com a seleção. Pegou a seleção brasileira no colo embalando até um título inimaginável. Cantou o hino quando a FIFA parava de tocar, aplaudiu, incentivou, vibrou e fez domingo passado um dos maiores espetáculos que uma torcida já fez pela seleção brasileira.

Tudo ao mesmo tempo. Torcendo pela seleção brasileira, torcendo por saúde, educação, emprego, segurança, transporte eficiente, por um Brasil melhor. Por um Brasil campeão do mundo em tudo!!

Dá. Dá sim. Dá pra fazermos uma grande copa do mundo e melhorar nosso país. Ter orgulho de nossa bola e da nossa voz. Dá pra manifestar do lado de fora do estádio e gritar gol quando ele sai. Os protestos não são contra o país, muito pelo contrário, são a favor dele em um todo.

O Brasil sai melhor de junho de 2013 que entrou e espero no futuro que a gente não fale apenas de junho de 2013, mas de 2013 todo. O ano que mudou o Brasil.

Não são apenas por vinte centavos.

É por um país melhor. 


  

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