sábado, 8 de junho de 2013

EM NOME DO PAI


“Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz” 


Religião... Tema polêmico não? 

Podem reparar que em qualquer roda quando surge o assunto religião existe uma trava nas pessoas e alguém diz “política e religião são coisas que não se discutem”. Mas política todo mundo discute, futebol também, mulher então é o assunto preferido, mas religião, bem...

O Brasil oficialmente é um estado laico, quer dizer: não tem uma religião específica. Mas ele sempre foi predominantemente católico devido à sua colonização portuguesa. Mas algumas coisas vêm mudando devido ao crescimento de outras crenças. Fora que o Brasil sempre foi um país que adora uma missa de manhã e um terreiro de noite.
  
Como eu disse o Brasil vê o crescimento de outras crenças. Em algumas situações devido à sua pluralidade. O nosso país sempre recebeu de braços abertos os imigrantes e com isso se tornou um país de várias etnias, povos e crenças. Não é raro encontrar pelas ruas budistas, messiânicos, judeus, islâmicos, católicos, evangélicos, kardecistas, umbandistas, entre várias outras religiões. Inclusive os ateus e todos convivem no país pacificamente dada nossa natureza tranquila.

Mas nem todo lugar é assim.

Costumo dizer que as maiores guerras e atrocidades da história da humanidade foram feitas por causa de religião. Gente que crê que a sua devoção é a correta e utiliza seu fanatismo para subjugar os outros. Usam a palavra de seu “Deus” de forma incorreta. Desde o início dos tempos é assim, sem existir mocinho ou bandido. Apenas religiões que em determinado momento estiveram em maior evidência para tentar se tornar única.

Os cristãos foram perseguidos no início dos tempos. Eram colocados dentro do Coliseu para enfrentar leões e séculos depois queimaram pessoas por bruxaria e através de europeus invadiram grandes impérios indígenas na América destruindo civilizações e desbravando florestas para catequizar. Os judeus foram massacrados pelos nazistas no maior genocídio de nossa história e hoje propagam o terror (tendo aliados como os Estados Unidos) sobre territórios palestinos. Os próprios americanos que começaram uma “guerra santa” contra o Islã e atacam e são atacados em forma de terrorismo.

Porque derrubar dois prédios em Nova York ou atacar um país são
atos terroristas. Querendo o “mundo livre” ou não.  

Onde há guerra não há razão: Há interesses.

E a história sempre é contada pelos vencedores, por isso repito que não há mocinhos e bandidos.

Sou contra a religião? Evidente que não. Considero-me agnóstico, acredito em Deus sem ter uma religião específica, mas respeito todas e em cada uma tem algo que eu acredito e me interesse. Acredito nos valores de cada uma e principalmente em sua fé. Quem sou eu pra duvidar de algum tipo de fé? A fé como se diz, move montanhas e qualquer um em um momento de desespero, até mesmo ateu, já pediu por Deus.

Só não posso e nunca concordarei  com a intolerância e esse tema me faz entrar em um assunto e falar de uma em especial.

Nas últimas décadas vemos no Brasil um “fenômeno” surgir que é a proliferação das igrejas evangélicas pentecostais. Respeito, já freqüentei e eu acho maravilhosa a forma como os evangélicos recebem a todos. A igreja não está fechada para ninguém e recebe a qualquer um não importa o motivo que levou a pessoa lá nem o seu passado. Acredito que essa forma de acolhimento e ela estar em qualquer lugar fez com que o movimento evangélico ganhasse muita força entre os mais pobres, tornando-se cada vez mais forte e popular.

Não vou entrar no mérito da riqueza que alguns bispos e pastores adquirem nem na força política que alcançam porque, apesar dos evangélicos estarem em evidência hoje em dia com esse assunto, isso não é exclusivo deles. A igreja católica é riquíssima e lado escuso todas tem. Essa coluna não é pra colocar nenhuma religião na parede, é para questionamentos.

Escrevi essa coluna no começo de 2012 transportando para cá agora e explicando o porque. Minha filha disse para mim na época que não queria mais ir a samba. Perguntei por que e ela me respondeu que “no samba só tinha bandidos”. 

Perguntei quem havia lhe dito isso e ela deu o nome de uma tia evangélica. A Bia tinha dois anos, quase três e ela não mente e não teria porque mentir em um assunto desses, nem tem cabecinha para criar algo assim.

E na ocasião me veio à cabeça a palavra intolerância.

Por que da intolerância?

Somos todos criaturas de Deus. Temos corpo, espírito, sangramos se nos ferimos, choramos se ficamos tristes ou emocionados. Somos todos iguais com a única diferença é que temos fé diferente. Mas o objetivo do católico, muçulmano, judeu, espírita, evangélico é o mesmo. Ele reza, ora por Jesus, Buda, Maomé pedindo as mesmas coisas. Proteção a nós, a quem amamos, saúde, felicidade e que o Deus que acreditamos nunca nos desampare.

E as pessoas matam, morrem porque não rezam para o mesmo Deus? Tentaram colocar preconceito, só tentaram porque não deixei, na cabecinha de uma menininha inocente porque acham que samba não é lugar de Deus?

Tola... Deus está em todos os lugares. Está na igreja ouvindo nossas preces, está no samba quando uma velha baiana pede proteção e que tudo dê certo com sua escola de samba. Deus está na praia, no parque, nos hospitais amparando os doentes, em penitenciária confortando os presos. Deus está na crackolândia segurando a 
onda de um filho seu que está perdido e precisa Dele, nos terreiros, no Vaticano, na sede da Universal, num templo messiânico. Deus fala português, alemão, espanhol, italiano, inglês, árabe, latim. Deus é a linguagem do amor.


É onisciente, onipresente, está comigo, com você o tempo todo então ninguém precisa se matar por causa Dele porque Ele está o tempo todo dentro de nós. Sou um simples ser humano, mas dentro de minha previsibilidade e limitação sei que Deus, seja qual for seu nome, sua forma ou modo de agir, não gosta de guerras, não gosta de mortes em seu nome.

Pense nisso antes de discutir com alguém porque sua religião é diferente ou falar para uma criança que um lugar onde se propaga cultura e arte só tem bandidos. Até porque não é preciso matar e roubar para ser bandido ou ter má formação de caráter. Basta usar nome de alguém em vão.

Esse problema foi resolvido e a Bia já foi várias vezes a escolas de samba comigo depois disso. Nunca mais ninguém falou nada de samba e vivemos todos em plena harmonia cada um com sua fé e convicções.

Alguns dias depois do ocorrido vi pela enésima vez o filme “sexto sentido” que trata de uma criança que fala com pessoas mortas.

No fim do filme ela diz pro personagem de Bruce Willis que a melhor forma de um morto se comunicar com um vivo é quando este dorme e o personagem do Bruce faz isso com sua esposa. Na hora me lembrei que nesses oito anos sem minha mãe sonhei algumas vezes com ela. Desde a tarde de seu funeral quando me dizia pra não me preocupar que ela estava bem, até broncas devido problemas meus com ex namoradas - e na semana que assisti dando conselhos em relação a casa que eu moro.
Chegar a conclusão que de uma forma ela se comunica comigo e nunca me deixou fez com que eu caísse em um choro compulsivo eme deixou o dia todo emocionado e pensativo.

E comecei a ligar as coisas. Cheguei à conclusão que Deus sabe o que faz e tudo tem um propósito. Precisei da morte dela para crescer como homem, de todas as dificuldades que tive depois para sair de uma redoma e cometer alguns erros para que nunca mais fossem cometidos. Que odiar alguém é perda de tempo, ter mágoas também. Não somos ninguém para julgar os outros, se alguém lhe fez mal um dia será julgado pelo seu ato e quando perdoamos não fazemos bem a quem nos ofendeu, mas a nós mesmos.

Não me tornei uma pessoa perfeita, continuo com os mesmos grandes defeitos, mas percebi que posso aos poucos evoluir como ser humano. Ainda com defeitos, mas que as qualidades possam pender a balança a meu favor.

Deus está no comando de tudo, mas nos deixa livres para em nossos atos nos aproximarmos ou afastarmos Dele.

E eu decidi que quero estar sempre perto.

 Fiquem com Deus 
  

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