terça-feira, 10 de maio de 2016

A MALDIÇÃO DA CRASE


Quem está agora aqui lendo esse texto me conhece e sabe então que sou escritor . Que eu gosto de escrever.

É um fato curioso porque eu percebi ao longo da vida, principalmente nos últimos anos, que podem até me contestar como pessoa, mas menos como escritor. Já ouvi "inimigos" dizendo "O FDP escreve bem" ou "Não gosto dele, mas escreve bem". É, acontece.

Mas, evidente, que estou longe de ser perfeito e também como escritor tenho meu calcanhar de Aquiles que posto abaixo.

"crase
substantivo feminino
1.
na gramática grega, fusão ou contração de duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido, e que é indicada na escrita pela corônis.
2.
fon gram fusão de duas vogais idênticas numa só, que ocorre, p.ex.:, na evolução das línguas român. (lat. colore 'cor' > port. coor > cor )."

Sim. Meu ponto fraco é a crase.

Pelo que postei acima parece simples o momento da utilização, mas não adianta, não entra na minha cabeça. É algo como o Teorema de Pitágoras, tabela periódica, número de PI ou os afluentes do rio Amazonas. A diferença é que, ao contrário da crase, não uso os outros para nada na vida e a crase é muito presente para mim.

Sou como o jogador de futebol que não sabe cabecear ou chutar com o pé esquerdo.

Provavelmente nesse texto em alguns trechos aparecerão momentos de utilização de crases e não vou saber colocar. Só posto a crase quando tenho certeza que é momento de uso. Quando há dúvidas ignoro e posso usar a desculpa de erro de digitação. Sim, faço essas coisas, jogo sujo.

E é nesse blog que mais exponho esse tipo de erros já que eu sou um escritor de sorte onde normalmente o que escrevo não ganha contato direto com o público.

Quando escrevo uma peça de teatro ou um roteiro o público não tem contato direto com esse texto e sim atores, diretor e produção então meu "analfabetismo crasial" fica restrito a eles (E agora? Esse "a eles" tinha ou não crase? Qualquer coisa esqueci de digitar). O que escrevi ganha vida falado e na fala não existe crase, então passa tranquilo.

Os livros que lançarei e estão sendo revisados e as colunas que escrevo para o Ouro de Tolo e escrevia para outros sites passam por revisores então eles sabem adequadamente usar a crase e colocam onde não tem. Nesse caso só eles me acham burros ou que esqueci de colocar. Para o público chega tudo perfeitinho e eu levo a fama em cima do trabalho dos outros e quando há erros posso botar a culpa no revisor.

Sacanagem né? Mas é a vida. A vida é sacana.

Aqui no blog não tem revisores nem atores então não há desculpas. Vocês veem meus textos de forma crua, sem disfarces, desculpas nem crases.

Crase. Esse acento maldito.

Não me orgulho de não saber utilizar a crase, assim como não me orgulho de torcer pelo Flamengo em tempos de freguesia para o Vasco, mas é mais forte que eu. Ter dificuldades em usar a crase e mesmo assim ser respeitado como escritor e até ser chamado de poeta por pessoas que gostam e não gostam de mim só mostram uma coisa.

Que eu sei enganar direitinho,

Mesmo não usando crase.  


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