quinta-feira, 10 de julho de 2014

O FIM DA FESTA QUE JÁ ACABOU




A copa das copas, a copa que era perfeita até o meio dessa semana está chegando ao fim.

Era perfeita porque agora dá a impressão, como escreveram na internet, de uma festa que era extraordinária, maravilhosa, mas deu sete da manhã, você quer dormir e ainda tem convidados nela te enchendo.

Sendo sincero. Já estou de saco cheio de escrever sobre copa do mundo, pra mim já deu. Mas vamos escrevendo que falta pouco.

O Brasil tomou uma sacolada e adquiriu um novo complexo. O “complexo do alemão”. A sua defesa poderia ter ganho apelido de outra favela, o “Morro do Dendê”. Teria sido melhor porque lá como diz a música é “ruim de invadir”. Mas a nossa defesa foi uma mãe para os alemães.

Os 7x1 não estavam no script, foram uma brincadeira fora de hora e botaram água gelada na copa das copas. Não sou jornalista, fiz vestibular de jornalismo, mas migrei pra publicidade então não tenho que ser “imparcial”, não sou “fã do esporte”. 

Torço pela seleção assim como torço por minhas escolas no carnaval. Elas não tem mais chances e pra mim acaba a graça.

Quando escrevo essas mal digitadas linhas ainda não havia acontecido a disputa de terceiro lugar entre Brasil x Holanda e sinceramente o resultado nem me interessa. Disputa de terceiro lugar é igual festa que só vai homens, não serve pra nada.

O foco agora é em cima de Alemanha x Argentina.

Dois grandes países no futebol. Dois grandes gigantes em copas do mundo que retratam bem a grande copa que foi. Duas seleções que ao longo das três últimas décadas criaram uma rivalidade que mexe com as emoções para esse domingo.

Argentina foi campeã mundial em cima da Alemanha em 1986 no capítulo final de um grande show de Diego Maradona. Aquela foi a sua copa e a partida, mesmo nela sendo menos brilhante que em partidas anteriores, o final feliz de uma história de consagração. Uma equipe mediana comandada por um gênio entrava para a história do futebol.     

Quatro anos depois a Alemanha “tirou a zica” de perder duas finais seguidas e em uma das piores copas ganhou merecidamente seu tricampeonato. 

Se enfrentaram duas vezes mais em copas do mundo. Em 2006, casa alemã, uma decisão dramática nos pênaltis, quatro anos depois uma goleada impiedosa. As duas em quartas de final, as duas com vitórias germânicas.

E agora mais um confronto.

Como puderam ler é um confronto de história, de porte, diferente de Holanda x Espanha na última copa esse confronto leva para campo todo um peso histórico e emocional. 

Alemanha pode ser tetracampeã, ficar a apenas um título do Brasil e virar o primeiro europeu a ser campeão de uma copa na América do Sul. Argentina pode ser campeã depois de vinte e quatro anos, consagrar de vez Messi e se tornar um novo fantasma para o futebol brasileiro.

Brasil que entrou com um fantasma nessa copa, sai com vários.

É um jogo que tem um favorito e não tem favoritos. É, é complicado, mas explico.

Pelo futebol a Alemanha é muito favorita. É a melhor seleção da copa, uma equipe preparada há anos para esse momento e que não tem um craque específico. O craque é o time.

Time consistente, frio em campo, mas caloroso fora e que com esse calor conquistou os brasileiros. Time elegante dentro e fora de campo, que foi impiedoso, cruel, mortífero contra o donos da casa e mesmo assim solidário, amigo. O assassino carinhoso, o algoz que tem sentimentos.

Do outro lado tem a Argentina que pra mim até agora é o Brasil que não tomou de 7. Ok tirando alguns exageros dessa frase a Argentina não fez uma copa ruim, aliás, é um caso curioso já que se pensarmos friamente ninguém do time está mal na copa.

É o time “água”. Insípido, inodoro e incolor. Não fez nada nessa copa, não deu shows, nem vexames. Seu grande craque não passou vergonha, não se machucou e nem deu espetáculo. Passou por adversários inexpressivos com resultados insossos dando sempre a impressão que iria fraquejar mesmo em nenhum momento sendo ameaçada. Foi chegando, chegando e quando vimos estava na final.

A Argentina se fosse uma escola de samba seria a Imperatriz do começo do século com desfiles técnicos, para os jurados.

Na bola a Alemanha é muito mais time, mas é a Argentina amigo. Time de raça, cascudo, tem Messi e é final de copa. Um jogo só, jogo que decide tudo e tudo pode acontecer.

Minha torcida é pela Alemanha. Não por essa imensa bobagem de camisa do Flamengo que depois darei minha opinião, mas pela forma que conduziram a copa dentro e fora de campo. Mostraram que o futebol tem que ser tratado com seriedade, mas não precisa ser sério.

E claro pela rivalidade esportiva com a Argentina. Nada contra o país que já visitei, me recebeu muito bem e é lindo. Mas existe a rivalidade esportiva e ela é saudável.

Mas no fim fica o gosto de guarda chuva na boca mesmo não tendo nunca colocado coisas estranhas assim na minha. Podíamos estar nessa final, mas essa também é uma outra história.

A copa das copas dará ao mundo o primeiro tricampeão desse troféu que a FIFA criou depois que o Brasil ganhou em definitivo a posse da Jules Rimet em 1970, mas ao contrário da taça que derreteram na maior cara de pau esse tricampeão não terá sua posse em definitivo. Mas, evidente, que esse tri de quem quer que seja torna tudo mais especial.

E o Maracanã será palco disso tudo.

Que venha a final. 

Que venha o fim da festa porque já são sete e um e os últimos convidados tem que ir embora.

Sete e um..       


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