sexta-feira, 25 de julho de 2014

A NOVA VOLTA DA ERA DUNGA




E ele voltou. Como todos já sabem Dunga é o novo técnico da seleção brasileira e com ele volta de novo a “Era Dunga”.

Dunga que foi responsabilizado pelo fracasso da seleção brasileira na copa de 1990. Seu futebol sempre foi de pouca técnica e muita força. Um jogador voluntarioso, guerreiro e incapaz de fazer três embaixadinhas virou símbolo de uma seleção que jogava feio, defensivamente e pensava muito em dinheiro, patrocínios e pouco em futebol.

Foi eliminada nas oitavas pela Argentina, numa copa inexpressiva que nem a Argentina ganhou, mas mesmo assim eles insistem em lembrar em músicas.

Foi afastado da seleção só voltando em 1993 debaixo de crítica. Mas ali deu a volta por cima. Mostrou todo seu poder de liderança e chegou até a armar jogadas da seleção. Tornou-se um dos pilares da equipe e virou capitão da mesma durante a copa de 1994 com a barração de Raí.

Deu a volta por cima. A seleção foi campeã do mundo e coube a Dunga a honra de levantar a taça e fotografado e filmado pelo mundo inteiro desabafar contra a perseguição sofrida.

Continuou ainda alguns anos na seleção e de forma bem sucedida. Tinha suas polêmicas como uma discussão quase briga com Bebeto na copa de 1998, mas foi o capitão que conduziu o Brasil a mais uma final de copa do mundo. 

Podia ali ter encerrado sua história com a seleção, uma bela história de volta por cima. Mas aí teve 2010.

Voltou como técnico da seleção em 2006 por ter a aura de grande capitão e uma forma de satisfação que a CBF dava a sociedade devido a bagunça da copa na Alemanha. Botou austeridade, renovou o time e começou a preparar o Brasil para a copa de 2010.

Não foi brilhante, mas foi vencedor. Ganhou Copa América, Copa das Confederações, medalha de bronze nas Olimpíadas, teve grandes resultados contra Uruguai e Argentina jogando na casa dos adversários e bem ou mal o time ganhou um padrão. 

Jogava feio, na defesa, mas dava certo. Só que existiam alguns problemas. Um continua até hoje e não há expectativa de melhora. A entressafra que vive o futebol brasileiro. Não surgem grandes jogadores. Não temos mais por uma série de motivos todo aquele talento que nos acostumamos.

E Dunga é rancoroso. Não tiro a razão dele porque só quem sofre na pele pode dizer o que é. Dunga nunca perdoou a imprensa por 1990 e deixou isso bem claro no período entre 2006 e 2010 tendo uma série de desavenças com jornalistas. Até com Alex Escobar que é uma dama.

O rancor de um lado virou a vingança do outro. Mesmo não sendo brilhante o Brasil fez uma copa segura e fez um belo primeiro tempo com a Holanda. Mas um segundo tempo ruim com a eliminação surgindo fez o mundo cair na cabeça de Dunga.

Dunga voltava a 1990.

Até que essa semana todos foram surpreendidos com sua volta. Uma nova volta.  

A imprensa, claro, bateu muito. Usando muito mais argumento sobre a personalidade de Dunga que sua conduta como treinador. Não há muito o que falar da história de Dunga na seleção brasileira. Um cara que ganha copa do mundo e é vice em outra, ganha duas medalhas olímpicas, copa das confederações e uma série de Copas Américas é um dos maiores vencedores da história do futebol brasileiro.  

Poderiam falar de algumas convocações equivocadas que ele fez, sobre não levar Neymar e Ganso pra copa e do futebol feio que a seleção apresentou mesmo dando resultado por um tempo. Mas preferem bater na tecla da personalidade e do trato com a imprensa mostrando que o amargor vem dos dois lados. 

A verdade é que o Dunga não gosta da imprensa e a imprensa não gosta do Dunga. A segunda verdade é que mesmo não sendo racional Dunga tem todo o direito de não gostar da imprensa, mas a imprensa não tem o direito de gostar ou não gostar de alguém, não tem o direito de perseguir. Tem que informar.

Não é o técnico dos meus sonhos, longe disso, mas nenhum técnico brasileiro é. Acho o técnicos brasileiros ultrapassados e todos parecidos. Futebol feio, pragmático, que joga pelo 1x0. Todos são “Dungas”, alguns com mais capacidade, outros menos.   

Queria um técnico estrangeiro, alguém que trouxesse um novo conceito para o futebol brasileiro. Queria mais ainda uma mudança de comando na CBF e no futebol brasileiro. Mas isso é pedir demais.

Respeito a história de Dunga, nunca ouvi nada que desabonasse sua conduta, seu caráter então desejo toda a sorte do mundo ao capitão do tetra. Que essa volta da “Era Dunga” seja uma nova volta por cima.

Em 2018 saberemos.

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