terça-feira, 20 de junho de 2017

AMAR DE NOVO: CAPÍTULO XVI - A PRAIA (Final)


To cansado, Rio de Janeiro faz calor como em todo o ano, mas é verão e nessa estação evidente que piora, é um Sol para cada um.

Parei o carro e andei até o calçadão de Copacabana. Com bermuda, camisa e suando sento em um banco e observo as pessoas na praia. Algumas tomam banho de Sol, outras se divertem na água, jogam bola, frescobol, usam a ciclovia, tomam água de coco, namoram, vivem.

Eu estou ali, mas não estou. Pareço em um universo paralelo. Sabe amigo, a vida não andou fácil para mim. Fiquei cansado, rosto sofrido, andar meio curvado e volta e meia perguntei a Deus se Ele realmente gostava de mim, se não me abandonou.

Não. Ele não me abandonou, não posso me queixar. Deus me deu uma vida bacana, uma trajetória em que me orgulho.  Enriqueci e tudo que conquistei foi com suor do meu rosto. Não sou perfeito. Sou falho, fraco, muitas vezes errei com pessoas que eu amo, mas sou do bem. Isso Ele sabe e vocês já sabem também.

Tive perdas, mas tive ganhos. Ah meu amigo, que ganhos!! Sou um cara intenso, vivo tudo com intensidade. A amizade, a família, o amor..

Sim, eu sou todo amor, todo feito de amor e respiro amor, vivo amor, meus poros exalam amor. Pelo amor me jogo do precipício, enfrento chamas, me dilacero, tenho meus sentimentos rasgados, esquartejados e gosto, vibro, porque preciso disso pra viver.

O amor me deu tudo, mas também me tirou. Não me arrependo. Viveria tudo de novo mil anos, mil vezes e com mil mulheres.

Desde que as mil mulheres fossem elas.

Elas...


Estou aqui sentado olhando a areia, me lembrando da vida, tudo que vivi. Vivi bem meus cinquenta anos e ainda tenho uma vida inteira pela frente. Vale a pena? Evidente que sim.

Na areia vejo meu neto Bentinho, ele tem cinco anos. Faz castelinho de areia com a babá e se diverte alheio ao mundo e a tudo que lhe envolve. São tantas coisas..

A babá me vê olhar para eles e me mostra para Bentinho dizendo “Olha é vovô”. Bentinho sorri e diz “Vovô!!”. Ela o pega pela mão e começam a caminhar na areia em minha direção. Eu sentado dou um sorriso largo, de imensa felicidade.

Bentinho. Um dos meus motivos de felicidade é você.

Deixe-me apresentar. Ah, você já me conhecem bem. Meu nome é Antonio, mas somos íntimos, podem me chamar de Toninho. Nesses dois livros vocês conheceram meus dramas, amores, sorrisos, lágrimas, amigos, família.

A minha história.

Se pudesse resumir para vocês resumiria tudo em uma palavra.

Amor.

Amor que minha mãe e Pinheiro me ensinaram desde pequeno. Amor que aprendi a ter por meu pai. Amor pelos melhores amigos que a vida poderia dar a um homem. Bia, Samuel, Guga e Jessé. Os mosqueteiros. Amor por seus cônjuges, nossos filhos e netos que perpetuaram nossas vidas prosseguindo com nossas dinastias.

Amor que foi a tônica dessa história o tempo todo. Da minha infância até meus cinquenta anos e com certeza me acompanhará até o fim.

Amor por Camila.

Amor por Fernanda.

Camila me ensinou como era o amor entre homem e mulher. Amor perfeito de chama intensa, companheirismo, amor que beirou o heroísmo e conto de fadas muitas vezes. Amor que lembrou histórias de cinema. Meio que Romeu e Julieta do Arpoador.

Camila é o amor da minha vida.

Fernanda o amor do meu renascimento.

Fernanda me fez gostar novamente de sorrir, de brincar, de deixar o tempo passar sem fazer esforço para impedir. Me ensinou coisas idiotas como beijo de lesma que fazem toda a diferença.

Menina mulher, doce e tagarela. Companheira. A pessoa que eu sempre corro pra contar minhas novidades, divido meus sonhos e quero que seja a primeira a ver ao acordar e a última antes de dormir. Fernanda me fez gostar novamente de viver. Fernanda me fez gostar novamente de mim.

O toque macio de suas mãos, seu corpo pesando em cima do meu. Fernanda Jardim da Silva. No "jardim" que você nasceu eu quero ser o seu beija-flor.

Camila, Fernanda. Feliz o homem que teve duas mulheres como essas em sua vida. E pensar que cheguei a duvidar que Deus gostasse de mim.

Que tolo eu fui.

Dei um abraço em Bentinho e dispensei a babá, disse que passaria o dia com meu neto. Ela foi embora e ele perguntou "Vamos fazer o quê vovô?”.

Respondi "Não sei, pergunta pra eles".

Naquele instante apareceram Fernanda, grávida de seis meses e não me perguntem o sexo, quis passar pela surpresa de só saber ao nascer. Ela trazia um carrinho de bebê e nele nossa filha de dois anos.

Regina.

Bentinho tratou de mimar sua tia quando ouviu uma voz lhe chamando "Vai me dar um abraço não moleque?".

Era Gabriel. Seu pai. Meu filho.

Acompanhado de sua mãe. De Thais.

Sim, Thais se curara do câncer. Cinco anos já se passara da terrível doença e não havia mais nenhum sintoma dela em seu corpo. Thais estava bem, sadia, corada, feliz e junto com Gabriel estava na fila de adoção para dar um irmão a Bentinho.

Pois é. A borboleta errou. Uma eu tinha que vencer sobre essa doença maldita.

Caminhamos pelo calçadão. Na frente Bentinho guiava feliz o carrinho com Regina. Atrás de mãos dadas vinham Gabriel e Thais. Atrás deles andando abraçados eu e Fernanda.

Novamente andando pelo calçadão. No mesmo calçadão em que andei triste, depressivo e como se o mundo tivesse acabado de mãos dadas com Gabriel. Agora andava, mais de vinte anos depois, abraçado a Fernanda e com minha família toda reunida.

O mundo dá voltas. Que bom.

Fomos caminhando até minha segunda casa. O local onde vivi alegrias, tristezas, pensei, refleti, decidi como agir na minha vida e passei por momentos de amor inesquecíveis. O Arpoador.

Subimos eu, Fernanda, Gabriel, Thais, Bentinho e Regina para olhar o por do Sol. Bentinho ficou brincando com Regina enquanto eu e Fernanda sentamos e nos abraçamos, assim como Gabriel e Thais, para ver o começo da noite.

Naquele instante tive a impressão de ver Camila nos observando e sorrindo. Olhei de novo para ter certeza, mas não vi mais ninguém. Apenas balbuciei baixinho "Pra sempre".

Fernanda se abraçou mais forte a mim botando a cabeça no meu peito e ficamos os quatro em silêncio olhando aquela maravilha da natureza.

Não existe noite mais bonita que a do Arpoador.

Não existe noite mais bonita do que a que passamos cercados de amor.

Bem..Como eu já disse meu nome é Antonio, apelido Toninho e essa foi a minha história. Pelo menos a história dos meus primeiros cinquenta anos de vida.

O futuro eu não sei como será, o que me espera, mas encaro a tudo sorrindo. Viver sorrindo e com esperança torna a tudo muito mais fácil.

E parafraseando um livro que eu li me despeço de vocês com a mesma expressão que vi encerrar aquele livro.

“Na boa?

Eu merecia muito ser feliz..”


Começo, meio e fim


(Tavito /  Ney Azambuja / Paulo Sérgio Valle) 


A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa entender que um amor de verdade
É feito canção qualquer coisa assim
Que tem seu começo, seu meio e seu fim

A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção

Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte esse meu coração

Ah! Coração
Se apronta pra recomeçar
Ah! Coração
Esquece esse medo de amar de novo 



FIM




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