sexta-feira, 14 de outubro de 2016

DINASTIA: CAPÍTULO XXVII - CRESCENDO NO FURACÃO


Eu do canto do quarto via meu avô colocando a gravata diante do espelho. Pepe Granata parecia rejuvenescido, nunca vira meu bisavô tão feliz. Ele me viu olhar e mandou entrar no quarto.

Enquanto ajeitava a gravata e olhava o espelho disse que um homem devia ser elegante. “Chico, dinheiro vai e vem, juventude vai embora, mas a elegância fica”.  Comentei que nunca tinha lhe visto tão feliz e ele me respondeu “o amor faz essas coisas”. Nunca esqueci essas palavras do Barão.

Meu pai continuava preso e recebia nossas visitas às vezes. Repensava sua vida na prisão e com certeza sairia diferente. Ricardo tomava conta dos negócios da família. A família Granata mesmo com todos os escândalos estava cada vez mais rica com cinco shoppings espalhados pelo país. Mas chegara a hora do meu bisavô ser feliz no amor.

Eu, minha mãe Renata e minha avó Isabela levamos Pepe até o aeroporto. Ele despediu-se de nós e desejei boa sorte. Meu bisavô se abaixou, acariciou meu cabelo e respondeu que sorte sempre tivera na vida, agora ele seria feliz.

Dessa forma embarcou para São Paulo.

São Paulo sempre emocionou Pepe, afinal era sua terra e dali saiu prometendo ser rico. Como uma pessoa anônima qualquer passou pela cidade lembrando lugares por onde viveu. Foi ao Brás ver onde nasceu. Lugar já bem diferente com milhares de carros, metrô, a vida não para em São Paulo.

Visitou a casa que nasceu, local que ele transformou em uma fundação de assistência a famílias carentes e se emocionou lembrando dos almoços com os pais, Constância, Oscar, Rita e os avós. Conviveu pouco com Benito, mas respeitava muito o avô, aquele que teve coragem de largar a Itália e tentar nova vida no Brasil.

Na frente da casa disse baixinho “Benditos sejam Benito e Salvatore Granata”.

Olhou o relógio e disse ao motorista que estava na hora de ir. O motorista perguntou aonde e ele respondeu “Praça da Sé”.

Foram para o local e Pepe lembrou-se de sessenta anos antes quando tentou ali impedir um casamento. Nunca mais o homem teve coragem de voltar ao local. Olhou a tudo deixando as recordações invadirem seu peito e sentou-se sozinho para esperar.

Pepe Granata, o dono de um império, um homem que saiu da pobreza para se tornar um dos mais ricos do Brasil estava nervoso como poucas vezes na vida.

Sentado, ansioso, esperando, sentiu uma mão em seu ombro. Fechou os olhos emocionado e com a mão trêmula pegou na mesma. Com sua mão apertando a que lhe tocava disse “nunca esquecerei essa mão”.

A pessoa respondeu “mas ela mudou tanto ao longo dos anos, ta velhinha”. Pepe completou “para mim continua a mesma”.

Levantou-se e virou. Era Beatriz. Estavam sessenta anos mais velhos, cabelos brancos e rugas tomaram conta daqueles rostos antes jovens. Mas a emoção e o brilho nos olhos eram os mesmos de quando se conheceram.

Os dois se olharam por um tempo em silêncio, o olhar falava por eles. Beatriz então resolveu quebrar o silêncio e disse “quanto tempo”. Pepe olhou para a catedral e comentou “aqui que eu te perdi”. Ela sorriu e respondeu “você nunca me perdeu”.

Pepe ofereceu sua mão a Beatriz e os dois caminharam pela praça como se rejuvenescessem a cada passo e voltassem aos anos 30.

Pepe levou Beatriz para o Rio de Janeiro e nos apresentou o amor de sua vida. Todos ficamos maravilhados por aquela mulher que de uma certa forma foi a responsável pela virada na vida dos Granata. Meu bisavô não quis perder tempo e decidiu casar com Beatriz.

O casamento foi realizado nos jardins da mansão em um lindo sábado de Sol. Meu bisavô tenso esperava no altar como se fosse um menino de dezoito anos e deixou uma lágrima furtiva cair de seu rosto ao ver Beatriz entrar ao som de “una furtiva lágrima”. Desceu, pegou a mão de sua amada e disse “finalmente” dando um beijo em sua testa.

A festa foi bem italiana com tudo que tem direito. Massas, músicas, danças. Tempo que não via a família tão feliz. Em determinado momento o Barão pegou o microfone para dar uma declaração. Com a voz embargada Pepe disse.

“Beatriz. Eu queria que você soubesse que não teve um dia que não pensei em você. Não teve um dia que em pensamento você não se deitou ao meu lado. Não teve um dia que não lhe procurei em meus pensamentos para dividir uma dor ou alegria. Não teve um dia que não te amei”.

Todos aplaudiram e ele continuou.

“Nosso amor foi impedido porque disseram que eu não estava a sua altura. Aquilo mexeu com meus brios e me tornou um novo homem. Um homem que foi ao desconhecido, quase passou fome, arregaçou as mangas, suou, sofreu, mas conseguiu vencer na vida. O curioso disso tudo é que um ato que sempre achei que fosse de humilhação talvez tenha sido o que eu precisava para essa vitória. Para dar uma boa vida aos meus pais, irmãos, filhos, netos e agora bisneto representado pelo Chico. Que eu pudesse ter movimentado a economia desse país e dado emprego para milhares de pessoas e o mais curioso ainda...O mais curioso ainda é que ainda não me sinto a sua altura porque você é o que de mais intenso e imenso passou pela minha vida. Você é a minha vida.”

Todos aplaudiram de pé enquanto a orquestra tocava e cantava “Fascinação” na voz de Elis Regina. Pepe pegou a mão de Beatriz e lhe conduziu ao meio do salão para dançar.

Eu, com meus oito anos de idade olhava embevecido aquela cena quando uma menininha da mesma idade sentou-se ao meu lado chorando. Perguntei o que ocorria e ela respondeu que era lindo tudo que via. Comentei que era lindo mesmo e tinha muito orgulho de meu bisavô. Ela se apresentou como Luciana e eu respondi que me chamava Chico e pedi que ela parasse de chorar.

Ficamos os dois lá, com oito anos de idade olhando o casal com mais de oitenta. Ficamos todos cantando “Mérica, Mérica, Mérica”.

Pepe e Beatriz saíram para viajar em lua de mel. Fizeram um passeio pela Itália, principalmente a Veneza onde ouviram um homem tocar violino em uma praça e andaram de gôndola. Na carta que mandaram eles se beijavam na gôndola e o Sol parecia iluminar o casal com mais intensidade que o restante da paisagem..Ou eles iluminavam o Sol, nunca tive certeza.

Descobri que aquela menina emotiva morava na minha rua e um dia fui até sua casa de bicicleta. Bati na porta e uma mulher atendeu. Com a elegância ensinada por meu bisavô respondi que me chamava Francisco Granata e perguntei se a Luciana estava. Ela respondeu que sim e me chamou para entrar. Era sua mãe.

Entrei e Luciana mostrou-se surpresa com minha presença. Perguntei se ela queria andar de bicicleta e naquele instante começou um temporal do nada. Luciana riu e comentou que achava melhor deixar para outro dia. Perguntou se eu queria jogar videogame e aceitei.

Jogamos videogame e em um determinado momento a mãe de Luciana levou biscoitos e café com leite mandando que eu ficasse a vontade. Fiquei e passei a tarde toda com Luciana jogando e ganhando uma melhor amiga.

No dia seguinte bati novamente na porta de Luciana e disse que não tinha desculpas, estava um Sol lindo. Luciana sorriu e mandou que eu esperasse. Voltou com sua bicicleta e fomos andar e nos divertir pelas ruas de Feital. Na semana seguinte, na volta às aulas descobrimos que estudávamos no mesmo colégio e íamos e voltávamos juntos da escola.

Mas eu não era da mesma sala que ela. Pressionei minha mãe e consegui mudar de sala. Viramos unha e carne.

Pepe e Beatriz voltaram de viagem e a vida continuou. Os anos foram passando, três pra ser mais exato e chegou o momento de meu pai, Luigi Granata sair da cadeia sob condicional.

Eu fazia trabalho do colégio com Luciana na sala quando tocaram a campainha. A empregada atendeu e deu de cara com Luigi Granata. Ela deu um berro e Luigi perguntou se ficara louca, parecia que tinha visto fantasma. Ela branca respondeu que não e eu já em pé olhando a porta disse “pai”.

Luigi me olhou e respondeu “como você cresceu bambino”. Aproximei-me devagar, receoso e ele abriu os braços pra me dar um abraço. Dei o abraço em meu pai e ficamos um tempo em silêncio até que ele disse que tinha saudades minha e respondi que também sentia.

Meu pai perguntou se meu tio Ricardo estava por lá e respondi que não. Meu tio casara e morava em outro lugar. Meu pai respondeu “ótimo” quando minha mãe desceu a escada.

Renata foi de encontro a Luigi e lhe abraçou. Meu pai perguntou como ela estava e minha mãe respondeu que bem, mas estranhou o jeito seco de meu pai. Luigi perguntou por Pepe e Renata respondeu que estava no escritório. Luigi pediu que Renata lhe acompanhasse até o escritório que queria conversar com os dois.

Encaminharam-se até o local e Pepe ficou feliz com a presença do neto. Luigi deu um abraço no Barão e fechou a porta dizendo que precisava falar com os dois e rapidamente. Renata mostrou-se preocupada e pediu que o marido falasse logo.

Luigi respirou fundo para tomar coragem e decidiu falar. Comentou que refletiu muito nos três anos que passou na cadeia e cansara de ter uma vida de mentiras. Precisava ser feliz, encontrar o amor como o avô encontrara e lhe cumprimentou por Beatriz.

Pepe agradeceu e Renata perguntou como assim encontrar o amor. Luigi respondeu que não amava a esposa, não como ela queria. Amava muito, mas como amiga e queria o divórcio.

Pepe sentado apenas escutava e Renata foi se desesperando dizendo não entender o que o marido queria. Luigi pediu desculpas, disse que precisava ser feliz e Renata também, encontrar alguém que lhe amasse de verdade. Renata desorientada perguntou quem era ela, Luigi respondeu que não tinha “ela”.

Renata foi se irritando e gritava perguntando “Quem é ela!! Quem é ela!!” Luigi gritava “Não tem ela!!”e Renata insistia até que ele não aguentou e disse “Não é ela!! É ele!!”.

Renata naquele instante sentou e Pepe se levantou perguntando “como?”. Luigi resolveu escancarar “Eu sou gay, eu sempre fui gay, eu mantenho um caso há mais de dez anos com um homem e decidi que quero ser feliz com ele!!”.

Pepe apenas comentou que precisava beber e encheu um copo de uísque. Renata aos prantos perguntou “quem” e Luigi respondeu “Xande, seu irmão”.

Renata começou a socar o peito de Luigi gritando “viado!! Seu viado desgraçado!!” e Luigi tentava segurar as mãos de minha mãe pedindo calma. Luigi virou para o avô e perguntou se ele não tinha nada a dizer. Pepe apenas respondeu que ele era maior de idade e sabia o melhor pra ele. Renata olhou espantada para Pepe enquanto Luigi dizia “o amor lhe fez bem nono, quero que me faça também.

Renata cerrou os dentes dizendo ter ódio de Luigi que falou que era apenas aquilo que tinha a contar para eles e iria embora. Estava se mudando para São Paulo com Xande. Despediu-se de Pepe e Renata, os dois num silêncio só cortado pelo choro de minha mãe e partiu.

Eu e Luciana ouvimos da sala todo o papo e constrangidos estávamos em silêncio. Meu pai surgiu na sala e me chamou. Fui ao seu encontro e Luigi disse que iria embora do Rio de Janeiro, mas nunca deixaria de ser meu pai e qualquer coisa que eu precisasse era só lhe chamar que viria correndo. Deu-me um abraço, um beijo em minha testa e pediu que eu cuidasse da minha mãe. Dessa forma meu pai foi embora.

Eu e Luciana ficamos olhando um para a cara do outro até que a menina disse que era melhor ir embora. Eu concordei e ela me deu tchau indo embora.

Fiquei ali sentado com meus onze anos de idade tentando entender o que ocorria.

Luigi bateu na porta de Xande que perguntou “e aí?”. Meu pai respondeu “estamos livres”. Xande deu um largo sorriso de felicidade e abraçou meu pai dizendo que lhe amava. Luigi respondeu “te amarei pra sempre”.

Na manhã seguinte Luigi e Xande entraram em um carro com todas as suas coisas e partiram pra São Paulo. Para a mesma cidade que se esconderam quando teve a tentativa de assassinato.

Mas antes de partir meu pai, tomado por sua vaidade, deu uma entrevista bombástica para a revista semanal que começara sua queda publicando os escândalos. Luigi contou tudo que se passava no jogo do bicho, como eram os esquemas, como “comprou” personalidades e figuras influentes e contou todas as particularidades da família Granata principalmente arrasando Ricardo.

No fim revelou sua homossexualidade, seu caso de anos com Xande e que resolvera ser feliz longe da “podridão”.

Meu pai falou demais.

A reportagem caiu como uma bomba. Muita gente ficou injuriada com meu pai lhe jurando de morte. Meu tio Ricardo, que queria comer seu fígado com fritas e molho rose, passou a ter muitos problemas com a polícia e a justiça e o único que pareceu não afetado com as declarações foi meu bisavô. Pepe Granata não pertencia mais àquele mundo, só queria viver seu amor com Beatriz.

Até minha vida foi afetada. Passei a ser perseguido no colégio, debochavam de mim devido meu pai. Falavam que filho de “viado viadinho era” e não foram poucas as vezes que vi desenhados no banheiro meu pai, eu e escrito “viados” ao lado. Mas o problema nem era esse apenas. Chamavam minha família de ladra, família de bandidos e como aconteceu com Mariana lá atrás queriam minha saída do colégio.

Não conseguiram porque o colégio ainda pertencia à família.

Um dia eu saía do colégio quando fui cercado por cinco moleques.

Perguntei o que eles queriam e responderam que minha família era de ladrões. Debochado perguntei qual era a novidade porque eu ouvia aquilo todos os dias. Um me empurrou e mandou que eu desse todo meu dinheiro a eles como uma forma de recompensa do que minha família fez.

Contei que eles estavam malucos, eu não tinha nada a ver com a história e tentei passar sendo impedido por eles. O mais gordinho, líder do grupo disse que iriam me bater até que eu desmaiasse e ali eu vi que a coisa era séria.

Fechei os olhos me preparando para apanhar quando gritaram “para”. Todos olharam e era Luciana.

Luciana mandou que me deixassem em paz e os garotos riram perguntado o que ela faria pra impedir, se ela sabia lutar bem. Luciana respondeu que não, mas sabia gritar bem e gritou socorro bem alto. Que voz potente Luciana tinha!!

Os garotos saíram correndo e Luciana perguntou se eu estava bem. Respondi que sim e agradeci. Ela então aproveitou pra dizer que tinha uma notícia chata para dar, perguntei o que era e ela respondeu que a família estava se mudando para Minas.

Engoli em seco e disse a Luciana que poderia ser uma boa para ela e a menina respondeu que tinha nada de bom, não queria ir embora de Feital. Contei que Minas era legal e pedi que parasse de bobagem, mas ela chorando disse que ninguém lhe entendia, nem eu. Tentei abraçá-la, ela me empurrou dizendo querer ficar longe de mim, pegou a bicicleta e foi embora.

Os dias passaram e Luigi e Xande no interior de São Paulo faziam planos para a vídeo locadora que abririam. Os dois homens nunca estiveram tão felizes na vida graças a liberdade que tinham para viver aquele amor.

Decidiram pedir uma pizza para tomar com vinho. Ligaram, mas depois Luigi percebeu que estava sem dinheiro. Perguntou a Xande se ele tinha e o homem respondeu que não. Luigi rindo comentou que eram um casal muito desorganizado e que iria a um caixa vinte e quatro horas pegar dinheiro antes que a pizza chegasse.

Pegou o carro e saiu de casa. Tranquilo pôs uma música no cd player e andava pela cidade até o vinte e quatro horas. O carro parou em um sinal vermelho e Luigi fazia as contas de quanto precisava tirar.

Naquilo um homem encapuzado apareceu do nada na frente do carro. Luigi percebeu, mas não teve tempo de fazer nada. O homem apontou um fuzil para ele e descarregou a arma no carro de meu pai. Luigi foi atingido por muitos tiros e morreu na hora.

Como meu bisavô sempre alertara meu pai acabou sendo morto graças a sua vaidade. Acabava ali a história de Luigi Granata.

O corpo foi transferido para ser enterrado no Rio de Janeiro. Ricardo não compareceu ao enterro. Pepe ficou o tempo todo amparado por Beatriz e minha avó inconsolável chorava copiosamente comigo tentando acalmá-la.

Outro que chorava demais era Xande. Ele fazia carinho no rosto de meu pai no velório lamentando que tiveram poucos momentos para serem felizes, mas que aproveitou cada minuto daquele e agradeceu Luigi por lhe fazer o homem mais feliz do mundo.

Naquele instante minha mãe se aproximou dele. Renata e Xande ficaram frente a frente alguns segundos chamando atenção de todos. De repente Renata abraçou Xande e os dois choraram, um consolando o outro. Os dois perderam ali o amor de uma vida.

Eu no enterro me despedia de meu pai e lembrava de Luciana. Nunca mais lhe veria. Minha cabeça deu um estalo e pensei que não poderia ser daquela forma a despedida, tinha que vê-la por uma última vez.

Enquanto todos se preparavam para ir embora do cemitério vi uma bicicleta perdida no local. Peguei “emprestado” e voei em direção a sua casa.

Como sessenta anos atrás com Pepe Granata corri de bicicleta atrás de minha amada. Sim descobri que Luciana não era apenas uma amiga, era a mulher de onze anos que eu amava.

Cheguei esbaforido em sua casa a tempo de ver o caminhão partindo. Gritei “não” e fui atrás. Pedalei muito, mas não alcancei voltando derrotado.

Triste, com lágrimas nos olhos eu voltava imaginando se era aquela dor que meu bisavô sentira quando viu Beatriz partir e quando passava perto da casa de Luciana vi uma movimentação. Era ela. O caminhão tinha partido com seus móveis, mas a família ainda estava lá.  

Todos já estavam no carro, menos ela quando me aproximei. Sua mãe insistia que ela entrasse logo quando perguntei se estava tudo bem. Luciana respondeu que sim e perguntou o que eu queria.

Respondi a Luciana que queria que ela levasse algo meu consigo. Luciana perguntou o que era, relutei um pouco, tomei coragem e respondi “isso”.

Dei um beijo na boca de Luciana. O primeiro beijo de nossas vidas.

Luciana depois era a cara da surpresa. Eu envergonhado disse boa viagem e ela agradeceu. A menina se encaminhou para o carro e eu me virei começando a andar para ir embora.

De repente senti Luciana me puxar e quando virei ela me devolveu o beijo. Luciana sorriu, devolvi o sorriso e ela foi ao carro correndo.

O carro partiu levando quem eu amava embora. Perguntei-me se levaria sessenta anos para vê-la de novo e subi na bicicleta indo para casa.

Eu teria muito que viver ainda. Muito pelo que passar.


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A LISTA

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