terça-feira, 4 de outubro de 2016

VAMOS FALAR DE MORTE?


Hei calma, se assusta não.

Curiosas as nossas reações quando falamos de morte, não é? Morte é algo que nos dá medo, assusta e por grande ironia é a única certeza que temos na vida. Quando o bebezinho está lá no berçário não temos a mínima ideia do que ocorrerá com ele. A única certeza que temos é que um dia irá morrer.

Não quero te deixar chateado não, mas tenho que falar. Você que está lendo, você mesmo, um dia você vai morrer. Para atenuar digo que eu também.

Esse é um tipo de situação que está sempre presente em nossas vidas e tentamos ao mesmo tempo deixar o máximo afastado possível, procuramos não pensar no assunto. Perdi a conta da quantidade de vezes que do nada eu parei o que fazia, pensava e veio à mente "caramba, eu vou morrer um dia". É assustador pensar isso, ao mesmo tempo assustador e curioso porque acredito que todo mundo um dia já se perguntou como será a sua morte e quando.

Não sabemos e evidente que isso é bom. Imagine se a gente já nascesse com a data marcada da morte? Traria uma grande depressão, ainda mais a aproximação da data. Por outro lado poderia nos estimular a correr com aqueles sonhos e projetos que temos antes que a data fatal chegasse. A questão é que não sabemos, na frieza dos números podemos dizer que a cada dia que passa nos aproximamos mais de nossa morte. Algo frio, tenebroso, mas como no exemplo acima pode servir de estímulo para o bem. Se não sabemos quando iremos morrer, apenas que a cada dia com certeza nos aproximamos do dia de nossa morte temos que aproveitar esses dias como se fossem o último. Sem clichês nem frases de livros de auto ajuda que só auto ajudam quem escreveu. Isso é fato, é científico. Temos que viver cada dia como se fosse o último porque certamente um dia teremos razão.

Sim, estou com morte na cabeça. Quando passamos dos quarenta anos passa a ser suspeita, dos cinquenta uma possibilidade mais palpável e estou dez anos antes dessa última entrando na fase da suspeita. Digo palpável porque possibilidades temos desde que nascemos. Tenho quarenta anos e nunca corri realmente risco de vida enquanto meu filho Gabriel com cinquenta dias correu sérios riscos.

Mas pelo curso natural morro antes dele. Pode ser até hoje. Quem pode dar certeza que eu chegarei ao final do dia de hoje com vida? Que vou chegar cheio de esperanças no reveillon celebrando o ano novo e verei o seguinte? Doenças surgem, o inesperado também. Por isso que me vejo um pouco com pressa, querendo fazer as coisas acontecerem. Não quero ser um morto frustrado. De frustrante já basta a vida em boa parte do tempo.


Mas por quê to torcendo no assunto? Primeiro porque sou chato e gosto de jogar esse tipo de balde de água fria e segundo por causa de duas pessoas, os dois últimos temas de minha coluna dominical no Ouro de Tolo.

Se tudo tivesse corrido bem nesse exato momento Domingos Montagner estaria de férias pela Europa com a família curtindo o sucesso de "Velho Chico". Marcos Falcon estaria fazendo churrasco em Madureira comemorando sua eleição para vereador.

Vocês tem noção que até possivelmente meia hora antes da morte os dois estavam bem? Vivendo sucesso pessoal, profissional, com saúde e não tinham a mínima ideia que iriam morrer? Estavam como nós estamos agora? Eu tenho o WhatsApp do Falcon e ali diz a última hora que ele acessou o aplicativo. Dia 26 de  setembro 15:38hs. A essa hora estava tudo bem com ele, alguns minutos depois morto.

Assusta a certeza e a imprevisibilidade da morte. Deixar a missão incompleta, filhos ainda a serem criados ou abrir mão de toda a felicidade e sucesso que poderiam vir caso a morte não chegasse. E depois? O que ocorre conosco depois que morremos? Cada religião diz uma coisa, algumas até interessantes como receber umas virgens..Mas por mais que tenhamos esperanças que alguma esteja certa, que iremos andar por um túnel tranquilo, com a alma leve e encontrar um jardim florido ou pessoas vestindo branco que serão nossos médicos até estarmos plenamente curados a verdade é que não temos a mínima ideia de como é, dá pra cravar nada!!

Pode ser tudo isso como pode ser como uma televisão saindo do ar só ficando a tela preta. Sabe a única forma de sabermos como é? Isso mesmo, morrendo.

E essa danada dessa estrega prazeres chamada morte pode vir de uma forma gloriosa ou da forma mais idiota possível como em um simples banho de rio. Não adianta, por mais que a gente tente se esconder esse assunto sempre nos acha.

Talvez a vida pudesse ser menos angustiante se aceitássemos que a qualquer momento isso pode ocorrer, aceitar de verdade não apenas para tentar mostrar que é um espírito superior. Aceitar, se conformar, tentar botar na cabeça que não é punição, tragédia, não dói e é uma simples passagem. Sim, tentar entender que a morte é apenas uma viagem talvez nos faça aproveitar com mais qualidade e felicidade a vida.

Isso, vou tentar botar na minha cabeça que a morte é uma viagem,

Mas...

E se essa viagem for tipo as de 36 horas de ônibus para Cuiabá??

É, esquece. Melhor deixar esse assunto pra lá.


Morreu o papo.


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