quarta-feira, 27 de abril de 2016

AS OLIMPÍADAS ESQUECIDAS


Faltam cem dias apenas para as Olimpíadas, o maior evento esportivo do planeta. Evento que reúne os maiores atletas do mundo nas mais diversas modalidades em uma única cidade. Esse evento pela primeira vez ocorrerá em nossa cidade, no Rio de Janeiro. Cem dias, apenas cem dias.

E a impressão que dá é que não ocorrerá nada.

Temos que dar um desconto porque com a Copa do Mundo foi a mesma coisa. Alguns meses antes pouco se falava no evento e chegou na hora ele tomou conta do país. Mas para mim tem alguns fatores que diferenciam.

Primeiro que Copa do Mundo é vista de modo diferente de Olimpíadas para o brasileiro. Copa do Mundo envolve uma das maiores, não sei se ainda é, paixões do brasileiro que é a seleção. Para o torcedor de futebol normal mais importante que sediar a Copa era ganhar o hexa e maior oportunidade que conquistar esse hexa em casa não existia. Pela seleção não passar confiança e se basear muito apenas em um craque, Neymar, talvez as pessoas estivessem ressabiadas.

O torcedor que não é tão aficionado e não tão apaixonado simplesmente pela seleção o evento era convidativo. Vi muitos planejarem viagens para ver seleções. Mas nem todo mundo tinha condições de ver um jogo da Copa pelo preço salgado dos ingressos.  

A outra questão é a óbvia. Nem todo mundo gosta de futebol.

Por tudo isso eu esperava um clima "mais quente" para as Olimpíadas, até porque a escolha do Rio foi apoteótica, foi uma grande festa e deu orgulho imenso em todos nós. Orgulho de ser brasileiro.

É, talvez aí esteja o problema.

O Brasil de 2009 era melhor que o de 2016. O governo Lula passava por um bom momento, a economia ia bem e existia muita esperança com nosso futuro. Em 2016 hoje vivemos uma grave crise política e institucional, corrupção a torto e a direito, Manchetes negativas pelo mundo, economia em frangalhos e descrença do povo.

O que mais exemplifica a situação do país hoje é que existem grandes chances de termos dois presidentes nas Olimpíadas. A afastada Dilma e o em exercício Temer. Isso se o Temer não cair até lá, isso se o Cunha não cair até lá, isso se o Brasil existir até lá.

São muitas notícias ruins. O Brasil, que era para viver o ano de maior euforia em décadas, vive o ano de mais baixo astral desde a redemocratização. O medo venceu a esperança, o ódio e a intolerância de parte a parte se propaga na velocidade de um cuspe e não há motivos para festa.

Ainda mais se vermos que o tão decantado legado da Copa não existiu. Temos a sensação que muitos enriqueceram com o evento e nem o Brasil nem seu futebol melhorara. Existe o mesmo medo em relação as Olimpíadas e o pavor de acordarmos em 2017 e perceber que tivemos dos dois maiores eventos da Terra e perdemos a maior oportunidade em 516 de mudar esse país.

O carioca é quem sente mais isso na pele. Eu como carioca posso dizer que a sensação hoje é que o Rio está pior que em 2009. As UPAs estão fechando, as UPPs não mostram mais a certeza de antes de ser a melhor opção de segurança, a própria segurança em si se não piorou em números piorou em sensação. professores e servidores do estado em geral não recebem salários, as inundações e enchentes permanecem e até pioraram mesmo com tantas obras. Para deprimir tudo de vez ocorreu esse desastre com a ciclovia.

Tudo em tempos de dengue, zika, Baía de Guanabara que não foi despoluída e a pior das doenças. Jair Bolsonaro.

Fica a esperança que quando as obras que transformaram o Rio de Janeiro em um inferno melhorem a cidade ao serem concluídas. Terão que ser concluídas porque só assim o candidato do prefeito tem alguma chance de ser eleito. A o visual do centro já melhorou, o museu do Amanhã é um ponto positivo, a revitalização da área portuária também.

Sou um defensor do BRT, só posso falar pela minha vida e ela melhorou muito com ele. Outros sistemas de transportes serão inaugurados e espero sinceramente, contando os minutos, pelo fim das obras que todo esse transporte novo envolve e que transformou o Rio de Janeiro em um dos piores trânsitos do mundo, para ver se tantos engarrafamentos e mau humor valeram a pena.

Acho que próximo dos jogos o clima vai acender com a força da tocha olímpica. Hoje vi uma chamada da Globo falando do Rafael Nadal, que ele estará aqui e me animou. Não sou fã do Nadal, mas imaginem mais de 100, 200 grandes atletas, aqui nas nossas ruas?

Ao contrário da Copa as Olimpíadas são mais democráticas, tem disputas até gratuitas. Ao contrário da Copa não existe o pachequismo pela seleção. O Brasil não é uma potência olímpica então não se exige dele o que se exige da seleção. Por não sermos uma potência provavelmente será o melhor desempenho brasileiro da história e esportivamente será celebrado.

Mas que o sucesso esportivo e provavelmente as boas recordações que os turistas levarão daqui, sabemos receber muito bem, não joguem para debaixo do tapete nossas sujeiras do dia a dia.

E exista realmente o tal legado.


Merecemos essa medalha de ouro.


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