sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A POLÍTICA DO MEDO


*Coluna publicada no blog "Ouro de Tolo" em 7/9/2014


E pau na Marina Silva..

Ela estava quietinha, na dela, como candidata a vice presidente do Eduardo Campos numa eleição até então modorrenta e que levava a reeleição da presidente Dilma quando a queda de um avião mudou tudo. Eduardo Campos morreu, Marina Silva virou candidata a presidente e tudo virou de pernas para o ar.

A reeleição garantida ficou seriamente comprometida. Eu previ algumas semanas atrás que a queda do avião acabaria com duas candidaturas a presidente. Do próprio Eduardo e do Aécio já que o eleitor da Dilma votaria nela de qualquer forma, mas o contrário a ela queria tirá-la do poder a qualquer preço não importando o candidato e iria ao que teria mais chances.

Acertei em partes. Realmente a candidatura do Aécio pelo visto virou, sem trocadilhos, pó, mas não esperava que a presidenta Dilma pudesse ser a terceira vítima da queda do avião. Calculei errado. Marina não pegou apenas os que querem a Dilma fora a qualquer custo, pegou os viúvos das manifestações do ano passado e aqueles que estão satisfeitos com a política do PT, mas não querem mais o PT.

O PT, na minha visão, não fez um governo ruim nesses doze anos. Estabilizou a economia (mesmo com recente crise), fez programas sociais e fez com que o pobre tivesse mais poder de compra. Mas o PT se desgastou. Denúncias de corrupção, alianças escusas e o longo tempo já de poder desgastaram o partido fazendo com que Marina pegasse o eleitor da Dilma que é seu eleitor por falta de opções.

Rapidamente Marina atropelou Aécio e encostou em Dilma nas pesquisas de primeiro turno virando favorita no segundo. Virou a “candidata do novo”, a “candidata contra tudo isso que está aí” mesmo que as pessoas não saibam dizer o que é isso tudo que está aí.

Isso tudo mostrou uma situação. Não apenas eu não esperava que isso ocorresse como PT e PSDB também não. As alianças estão desesperadas e batem cabeça como formigas quando tem seu formigueiro atacado.

Marina Silva virou aquilo que ontem brinquei dizendo. Ela é a Unidos da Tijuca da política. Todo mundo gostava dela, achava simpática, reconhecia sua história de luta e vida enquanto não incomodava. Agora que tem chance real de vencer e se tornou “grande” é odiada.

Nunca vi um candidato que não é do governo ser tão massacrado quanto vem sendo Marina.

É de se esperar porque tomou a dianteira da situação, mas incomoda até mesmo a mim que sou eleitor confesso da Dilma. Porque junto aos ataques do PT, PSDB e até de partidos nanicos como PSOL e PSTU vem uma prática que eu já achava abolida desde 2002. O terrorismo eleitoral. A política do medo.

Eu já vi gente falando que a Marina vai acabar com o pré sal, vender a Petrobras, praticar perseguição religiosa, será comandada por banqueiros, será engolida pelo congresso por não ter maioria, não vai chegar ao final do governo e vi ser comparada a Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello.

Essas são as acusações “mais legais”. Isso quando não partem pro lado pessoal e debocham de seu físico e aspecto num show de preconceito contra uma mulher sofrida que Deus sabe como conseguiu chegar no patamar de grandeza que tem hoje.

Repito. Não sou eleitor dela, nem cogito votar em Marina Silva, mas isso tudo me incomoda demais e agora explico porque.

Porque o terrorismo e o deboche com particularidades do candidato eu já vi antes. Vi ocorrer com o Lula em 1989 e 2002.

Assim como debocham da beleza ou falta da mesma de Marina, como se isso fosse importante para governar um país, debochavam da falta de estudo e português ruim de Lula. Assim como acusam de falta de experiência (sendo que a mulher foi senadora e ministra) falavam o mesmo de Lula.

Falavam que ele não conseguiria governar, não teria maioria, falavam que faria confisco da poupança, quem fez foi o Collor, falavam que seria um governo comunista com o mesmo pavor que falam hoje em governo evangélico. Mário Amato chegou a dizer que os empresários iriam embora do país em uma vitória de Lula. 

Acusam Marina de mudar de opinião como acusaram Lula em 2002 inclusive lhe apelidando de “Lulinha paz e amor”, falam em medo de Marina hoje quando em 2002 Regina Duarte foi a tv falar o mesmo de Lula.

Com Lula chegaram a ponto de botar uma camisa do PT em sequestrador no dia da eleição, adversário colocar ex namorada sua em horário eleitoral lhe acusando de insistir em aborto e lhe “acusaram” pasmem, de ter um três em um.

Como acusam hoje Marina de cobrar por palestras.

Não quero que Marina vença, sua candidatura não me atrai e por vários motivos não voto nela e voto em Dilma, mas assim como eu me incomodo e mantenho meu voto outros podem se incomodar e resolver votar em Marina. O povo brasileiro não gosta desse tipo de política, não gosta de ver alguém massacrado e sempre quando tem que escolher escolhe o lado mais fraco, portanto, não sei se essa é a melhor tática.

Incomoda ver o PT usar tática suja que foi usado anos contra ele. Do PSDB se espera isso já que é um ex partido em atividade e terá que se reinventar depois do pau que deve tomar nas urnas. Mas do PT não se espera esse tipo de terrorismo. Não do PT que passei a gostar e pelo que vejo nas ruas, na internet, em blogs e listas de discussão os maiores ataques terroristas vem de petistas. 

Vai ver porque o PT hoje não é mais PT e a Marina talvez seja mais PT que o próprio PT.

Mantenho minha posição de que Dilma deve vencer a eleição e muito da popularidade de Marina é uma bolha que não deve se sustentar até o fim do segundo turno. Mas que é patético e engraçado ver PT e PSDB se unindo para em uma só voz atacar alguém é.

Essa eleição ainda nos reserva muita coisa.

Preparem o refri e a pipoca.

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