quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O ONZE DE SETEMBRO DE TODOS NÓS



 
Hoje é uma data importante, mas não serei burocrata pra falar na data. Não irei detalhar o que ocorreu no dia até porque todo mundo sabe. Não direi o que acho do ocorrido, não jogarei no ar teorias de conspiração, nada disso - até porque quem me acompanha nesses meses já sabe que não sou tecnicista, puxo pelo lado sentimental das coisas. 

No dia que essa coluna for publicada o mundo vai  relembrar o 11 de setembro de 2001. O dia do ataque às Torres Gêmeas em Nova York. O dia que o mundo perdeu sua inocência, o fim do século XX.

Data que também marca os 40 anos do golpe militar no Chile feito em 1973 que resultou na morte de Salvador Allende. O começo de uma época de terror e dói no coração de muita gente ainda hoje.

11 de setembro de 2001 é uma data que todo mundo no planeta sabe onde estava e o que fazia. Eu estava em casa com a TV da sala ligada quando entrou o plantão da Globo noticiando que um avião havia atingido uma das torres. A tv mostrou a torre em chamas e eu pensava: “que piloto burro!!”. Até que aconteceu a segunda batida e oficialmente soubemos que os Estados Unidos estavam sob ataque.

O cantor e compositor de samba-enredo Roger Linhares morava aqui em casa e saiu do quarto na hora desse segundo ataque. Passamos o dia todo na frente da televisão vendo o que ocorria em choque. Minha mãe chorava dizendo que era a Terceira Guerra Mundial. O planeta estarrecido via o que ocorria.

E no dia de hoje tudo isso será lembrado, como outras datas são importantes. Todos nós temos nossos “11 de setembro”, seja para o mal como para o bem, aquela data que não nos esquecemos.

A mais famosa de todas é aquela que rege o calendário Cristão como o nascimento de Jesus Cristo, o 25 de dezembro. A maior parte do mundo para a celebrar essa data, trocar presentes e confraternizar.

Os povos também têm suas datas importantes. Os americanos celebram o 4 de julho como a data de sua independência. Nós brasileiros temos como essa data o 7 de setembro e temos outras datas importantes como o 22 de abril, dia do descobrimento, 13 de maio o fim da escravidão, 12 de outubro dia de nossa padroeira Nossa Senhora da Aparecida. 
                                                                                                                    
Para nós foliões não tem data fixa, mas tem uma série de dias que vão de sábado até terça da semana seguinte que cai em fevereiro ou março que para o país. O carnaval.

Essas são datas oficiais. Mas à nossa memória afetiva o Brasil, país esportivo, pode lembrar com a comoção do 11 de setembro o 1° de maio. Todo brasileiro com mais de 25 anos sabe onde estava em 1° de maio de 1994, data da morte de Ayrton Senna. Eu que sou um pouco mais velho além dessa data acredito que como todos de minha geração também tenho marcado o 21 de abril de 1985, data da morte de Tancredo Neves (as duas mortes que receberam enfoque na coluna de segunda) .

Como eu e o Brasil não esquecemos de 17 de maio de 1994. No momento que Roberto Baggio chutou o pênalti pra fora e depois de vinte e quatro anos o Brasil sagrou-se campeão mundial de futebol ou em relação ao próprio Tancredo Neves e sua eleição em 15 de março de 1985, a eleição do primeiro civil para presidência da república depois de vinte e cinco anos com o povo feliz em Brasília se protegendo da chuva com uma bandeira do Brasil. No mesmo dia, à noite, no Rock in Rio Cazuza saudava com uma bandeira também uma nova era.

Os “11 de setembro” podem ser bons, ruins, mundiais, nacionais ou mesmo particulares. Todos nós temos nossos “11 de setembro”. Algumas datas me marcam e mesmo com os anos passando nunca consigo esquecer o que fazia no dia.

A primeira que me marca é uma que marca todo ser humano. O dia que nascemos. Sempre no dia 9 de agosto celebro e agradeço com pessoas que amo a possibilidade de viver. Peço a Deus proteção para os que amo, a mim e que a data se repita muitas vezes. Data que ganha ainda mais importância por seu o aniversário de minha avó e desde esse 2013 do meu filho Gabriel. Mas tem outros aniversários que me marcam, como o da minha mãe - dia 27 de novembro. Todos os anos acendo uma vela pela sua alma, assim como faço nos dias 4 de abril. 

Essa é uma data das mais marcantes da minha vida, é o meu '11 de setembro particular' quando se pensa em algo ruim porque foi o dia que ela morreu. Terei noventa anos de idade, com Alzheimer, mas a doença não conseguirá apagar tudo que passei nesse dia em 2005.

Assim como nunca apagará o 16 de maio de 2009. Quando eu com namorada e amigos estava na quadra da Unidos da Tijuca recebendo um dos prêmios que mais desejava na minha vida de compositor, o prêmio S@mbaNet e ao descer do palco descobri que uma menininha tinha nascido. Uma menininha chamada Ana Beatriz que mudou minha vida para sempre. A minha filha.

Falando em samba, posso citar 19 de julho de 1997. Dia que pela primeira vez subi em um palco para apresentar um samba meu. 20 de outubro de 2000, dia da primeira vitória. 25 de fevereiro de 2001 dia do primeiro desfile de uma escola de samba com um
samba meu. 28 de fevereiro de 2001, data que ganhei o meu estandarte de ouro.

Tem uma data que a mim serve ao samba assim como no coração: 20 de dezembro. Nessa data em 2000 terminei com minha primeira namorada e por um tempo foi uma data que me marcou negativamente, até que em 2002 consegui o que acho até hoje meu maior feito no samba: ganhar dois no mesmo dia.

A relação samba x amor me pregou mais uma peça em 2010, no dia 17 de outubro. Nesse dia perdi final na União da Ilha e perdi um grande amor. Mesmo com tudo acabado entre nós ela foi até a quadra e foi a pessoa que me recebeu e me acolheu em seus braços naquele momento de tristeza. Essa é a minha nova data especial, meu novo “11 de setembro". Não tanto pelo samba porque samba a gente perde e vence sempre, mas por ela.

Nós vivemos de datas. Sempre nos atrelamos a elas porque elas acabam sendo símbolos de coisas que vivemos pro bem e pro mal. Você que lê agora essa coluna tem suas datas marcantes. A perda de um ente querido, o dia que ganhou sua primeira bicicleta, o dia de seu primeiro beijo ou de sua primeira vez, seu primeiro desfile numa escola de samba. 

Dia que comprou seu primeiro carro ou passou no vestibular, dia que foi a show de sua banda preferida, que terminou namoro com
a pessoa que ama, que se mudou, foi embora, fez aquela viagem, conseguiu aquele sorriso da pessoa que ama ou que consegue dar um abraço apertado nela de reencontro. Somos tão marcados por datas que no fim de tudo são elas que vão marcar nossa lápide: o dia que nascemos e a data final, a de nossa morte.

Os nossos 11 de setembro não devem ser vistos como dia do terror como é visto o de 2001 ou 1973, nem aqueles devem ser visto assim.

Temos que ver aquele e os nossos como dia da reflexão. Se algo foi bom sempre celebrar essa alegria, se foi ruim, se alguém fez dos nossos corações torres gêmeas e os jogou abaixo ver porque aconteceu isso e juntar pedra por pedra que tombou e erguer novamente. Porque a vida é assim, torres caem e levantam ao longo dela, cabe a nós reconstruir cada vez mais forte.

E pra dizer a verdade, todas essas datas são importantes, mas as mais importantes são as datas que não lembramos porque a felicidade muitas vezes vem dos pequenos atos que não percebemos do dia a dia. De um sms de bom dia da pessoa amada pedindo pra que não brigue com ela por ter te acordado ou da sua filha no seu colo vendo desenho e cantando junto a musiquinha dele.

A data certa para ser feliz é a de hoje


Ah e semana que vem a quarta volta a ser de uma série. Começa a “Clube dos 21”. 

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