quarta-feira, 13 de março de 2013

E QUANDO A DROGA VENCE




Com atraso, devido a inúmeros acontecimentos na última semana eu falo de um caso triste ocorrido.

A morte do Chorão. Morte de um ídolo do rock nacional, da geração dos anos 90 já seria uma morte para lamentar mesmo que como artista eu não fosse fã. Reconhecendo que escreveu algumas coisas interessantes.

Mas mais que a morte de um artista, uma celebridade é a morte de um jovem de quarenta e dois anos cheio de vida pela frente. Mais uma morte devido a drogas.

Poderíamos cair no clichê do roqueiro que morre de overdose dando a entender que são mais suscetíveis a isso. Bem, a história mostra que isso é verdade, mas não são apenas eles.

A gente do samba sabe e prefere não falar que muitos da área, alguns adorados, passam por esse problema. Conhecemos histórias de vícios, doenças que foram criadas pra esconder a verdade, mortes que foram mudadas em sua causa pra preservar imagens.

Isso ocorre no samba, área que conheço mais, acontece com atores, diretores, cantores. Muitas histórias, muito disse me disse rola por aí. Acontece com atletas, seja por vício ou pra melhorar desempenho.

Ninguém ta livre das drogas. Mesmo que não goste, não use, ninguém está livre de ter uma pessoa que ama envolvida.
 
A coisa parece mais escancarada atualmente porque tempos atrás só nos chegavam casos que acabavam em morte como os de roqueiros como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin. Todos mortos aos 27 anos.

Garrincha que morreu devido à bebida. Droga legalizada que mata tanto quanto as ilícitas. Medicamentos como Elvis e Elis Regina.

Florence Griffith Joyner, atleta americana que ganhou muitas medalhas em Seul (mesmas olimpíadas de Ben Johnson) e morreu aos 39 anos graças aos anabolizantes que usava.

E da revelação do doping de Maradona pra cá as coisas ficaram mais às claras. Descobrimos que atores como Fabio Assunção, pose de bom moço, galã de novela, sofria com o vício. Que a musa Vera Fischer sofria com cocaína e alcoolismo. Raul Seixas morreu de cirrose. Cazuza, Renato Russo e quase todo rock nacional abusavam das drogas.

Que um atleta nunca pego no doping, considerado um dos melhores centroavantes do mundo pode ser alcoólatra e se acabar como jogador de futebol nas nossas vistas como Adriano e outro que achávamos exemplo de superação e esportista nos deixar surpresos e com cara de idiota como Lance Armstrong.

É um problema sério, grave. Pra mim o grande mal da humanidade. Maior que AIDS e câncer porque essas doenças devastadoras atraem solidariedade, tentativa de ajuda. O viciado é tratado como marginal, vagabundo, imoral, escória da sociedade e são doentes.

Doentes que não agüentam ser uma grande celebridade e ao mesmo tempo um ser humano com todos os seus problemas e derrotas e procuram no álcool e nas drogas um refúgio. Pessoas anônimas que são transformadas em zumbis e como morto vivos agonizam em crackolândias.      

Temos asco de “crackudos”. Nos sentimos superiores, muitos são a favor do extermínio, de limpar de nossas cidades. Ainda mais em época de copa e Olimpíadas. Como mostrar esse tipo de gente aos nossos turistas?

Mas os “crackudos” não nasceram assim. Eram pessoas com vidas, família, talvez emprego e estudo. Pessoas que por fraqueza, pelas circunstâncias da vida pararam ali.

Então ninguém está livre de cuspir para o alto ao passar numa crackolândia e o cuspe cair na testa tendo que voltar lá para buscar um filho que começou com a maconha, bebidinha com os amigos e foi “evoluindo” até aquele estágio sem notarmos por acharmos que dar estudo, uma mesada e sair pra um parque no fim de semana basta para criação.

Meu pai é alcoólatra, passei algumas vergonhas com ele na infância, mas por sorte eu não entendia muito e essa vergonha não foi pior, do tipo de traumatizar. Mas dezoito anos atrás decidiu não beber mais, nunca mais bebeu e hoje está aí, trabalhando, sendo útil para a sociedade.

Meu parceiro e irmão Cadinho da Ilha era chacota no samba, motivo de tristeza do pai. Bebia, usava drogas, esteve perto de morrer algumas vezes. Recuperou-se e hoje é um pai de respeito, um avô amoroso, um campeão na vida e no samba que foi orgulho de seu pai no fim da vida.

Nosso outro parceiro Dãozinho não teve a mesma sorte. Bebia, se drogava, contraiu AIDS e morreu ano passado. O primeiro cara que me deu oportunidade e acreditou em mim no samba.

Triste demais pensarmos numa questão dessas como “sorte”. Uma roleta russa onde temos que agradecer por não estarmos nem ninguém que gostamos envolvidos nesse mundo. A droga não destrói apenas quem usa, mas todos que lhe cercam.

Drogas que mataram tantos ao longo das décadas. Mataram os que eu citei, mataram nos últimos anos Amy Winehouse, Witney Houston e agora o Chorão. Nem todo mundo tem a sorte de um Keith Richards.

Sorte, de novo essa palavra..

..até quando?



 













Um comentário:

  1. Quando a droga vence? Formulei essa frase e joguei no Pai Google, para ver o que acontecia. Realmente e um grande adversário que te surpreende e devassa por onde passa. Controla corpo e mente e influencia diretamente aqueles ao redor. Pena, dó e compaixão as famílias "desses", as mais flageladas, desse processo de esfarelamento, lento e implacável. Um escolhe a brisa a loucura e as vitimas sucumbam ao caos, na mais caretice escravidão de trocar o hoje pelo amanhã, ainda mais devastador e sem nenhum final feliz, pois o egoismo impera. Douglas Pai

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