quinta-feira, 21 de março de 2013

A POLÍTICA DE CELEBRIDADES


* Coluna publicada no Blog Brasil Decide em 17/3/2013


 Essa semana eu assistia um programa na ESPN Brasil e falavam lá sobre alguns dos muitos problemas que cercam o presidente da CBF José Maria Marin. O homem vem sendo acusado de ajudar a ditadura militar nos amos 70, inclusive discurso dele da época de deputado sendo um dos motivos da prisão do jornalista Wladimir Herzog. Morto nos porões do DOPS. 

Uma pessoa que vem batendo muito no presidente da CBF é o deputado federal pelo Rio de Janeiro Romário de Souza Farias. Um sujeito na altura de seus 47 anos, estatura baixa, cabelos grisalhos que de óculos lia seu contundente discurso contra Marin lembrando esse caso de Herzog e pedindo para que a CBF abrisse as contas da Nike.

Quem não ligou o nome a pessoa é fácil saber quem é esse deputado. Basta ver vídeos de futebol entre 1985 e 2007. Verão um baixinho marrento com a camisa 11 de vários clubes e seleção brasileira. Um dos maiores jogadores da história do futebol.

Sim, evidente, estamos falando do baixinho Romário.

Romário não foi a primeira, nem será a última celebridade a aproveitar da fama para entrar na política. Aqui no Rio mesmo temos seu parceiro de ataque Bebeto deputado estadual e temos inúmeros casos.

A diferença é que tudo leva a crer que o baixinho que foi um super craque no futebol também vem sendo na política. Romário até agora surpreende, se tornou um deputado combativo e fatalmente fará carreira.
Por quê celebridades vão para política e por quê partidos políticos aceitam as celebridades? É muito simples leitor. O partido vê na celebridade uma grande oportunidade de votos. Votos dos fãs. A celebridade não precisa ter curral eleitoral, nicho político, ter passado por secretarias do município ou do estado, líder estudantil ou de sindicato. Nada disso.

A celebridade só precisa ser..Famosa. Sim, a celebridade não precisa ter talento. Geisy Arruda é famosa, por exemplo, qual seu talento? Vestido curto no local errado na hora certa. Pronto, assim nasce uma celebridade.

A pessoa já é conhecida, já tem mídia própria, espaço em revistas, jornais, internet, tv. O partido não precisará fazer esse trabalho na imagem porque a imagem já existe. O povo adora a celebridade. Antigamente pedia autógrafo e largava num canto sem importância porque a importância não era a assinatura e sim o ato de pegar e assim é hoje com as máquinas digitais para fotos.

Adoram e votam mesmo que não exista plataforma de campanha, mesmo que não existam propostas e mesmo que existam e sejam estapafúrdias porque ai está a “fulana que canta aquela música”, o “fulano que fez aquele personagem da novela” “o sicrano que fez aquele gol”.   

E em boa parte das vezes eles se elegem e algumas dessas vezes se transformam em campeões de votos puxando muitos candidatos do partido para as assembléias e câmaras mesmo esses tendo poucos votos graças ao quoficiente eleitoral.

Quando você vota numa celebridade pode estar votando em mais quatro ou cinco e nem sempre são pessoas bacanas.

E pra celebridade também é bom porque é uma forma de manter seu nome e imagem na mídia. Ganhar um dinheirinho, monte de privilégios, exercita seu ego, sua vaidade e quando não querem realmente fazer algo para seu município, estado ou país o trabalho nem é tão puxado.

Romário e Jean Wyllys, campeão do BBB que tornou-se deputado, são exceções. Infelizmente a maioria das celebridades que se tornam políticas passam em branco fazendo um trabalho sem importância ou, como ultimamente, maculam suas imagens em casos de corrupção como o medalhista de ouro Aurélio Miguel e o ex jogador Robgol.

Mas a prática da celebridade alcançar cargo público não é apenas nossa e nem da atualidade. Não custa nada lembrar que um medíocre ator de Hollywood foi por oito anos o homem mais poderoso do planeta. Estamos falando de Ronald Reagan. Pelo mesmo tempo, oito anos, o ator Arnold Schwarzenegger foi governador da Califórnia e Clint Eastwood foi prefeito de uma pequena cidade americana.

Cicciolina foi deputada na Itália e Carla Bruni se não foi presidente foi quatro anos primeira dama da França.

Aqui tivemos vários casos. No Rio logo nas primeiras eleições democráticas o cacique Juruna e Aguinaldo Timóteo foram eleitos deputados. Timóteo depois imigrou pra São Paulo. Em São Paulo os dois últimos campeões de voto eram celebridades. O estilista Clodovil e o palhaço Tiririca. Além deles temos Celso Russomano e Netinho de Paula ganhando destaque no cenário paulistano.

Temos celebridades de todos os gostos tentando militar na política. Frank Aguiar em São Paulo virou vice prefeito, a mulher melão tentou aqui e tomou na cereja. O que noto é que pelo menos no Rio de Janeiro as celebridades perderam um pouco de espaço. A população percebeu que tem que ter conteúdo de propostas e bagagem política pra merecer voto.

Bem..Mais ou menos né? Casal Garotinho foi eleito e a fama deles é nada boa.

A política inebria, dá poder, alavanca a imagem e é holofote. Tudo o que uma celebridade gosta.

Só que o eleitor tem que se tocar que pessoa famosa é uma coisa, político outra. De um pedimos fotos, de outro trabalho.

E que esse trabalho traga reconhecimento e ele seja famoso.










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