quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TROCANDO EM ARTES: BETO ROCKFELLER


Trocando em artes fala hoje de uma novela lendária, que fez história na televisão brasileira.

Trocando em artes orgulhosamente apresenta:


Beto Rockfeller



Beto Rockfeller foi uma telenovela brasileira produzida pela extinta Rede Tupi e exibida de 4 de novembro de 1968 a 30 de novembro de 1969, às 20 horas, substituindo Amor Sem Deus e sendo substituída por Super Plá no horário. Foi criada por Cassiano Gabus Mendes e escrita por Bráulio Pedroso com a colaboração de Eloy Araújo, Ilo Bandeira e Guido Junqueira, com direção de Lima Duarte, substituído por Walter Avancini. Teve 327 capítulos e foi produzida em preto-e-branco.


Produção e veiculação



A teledramaturgia brasileira se divide em duas fases: antes e depois de Beto Rockfeller, que representou um grande sucesso na época, inovando o estilo de se fazer telenovelas no país. Enquanto a superprodução era a arma da TV Excelsior - principal concorrente da TV Tupi, na época - para segurar a audiência, a Tupi apostava na linha iniciada naquele ano de 1968, com a novela Antônio Maria, de Geraldo Vietri, no horário das sete. O processo de nacionalização das novelas brasileiras teve início em Beto Rockfeller, às 20 horas, abrindo caminho para um novo formato que passou a ser seguido pelas demais emissoras. A ideia inicial da telenovela surgiu de Cassiano Gabus Mendes, então diretor artístico da Tupi, que procurou o dramaturgo Bráulio Pedroso, na época editor do caderno de literatura do Estadão, que logo aceitou o desafio. Os textos tiveram de ser adaptados por Lima Duarte, porque Bráulio escrevia peças de teatro e pouco entendia de televisão. Cassiano, Bráulio e Lima estavam por trás de uma trama simples, mas que mostrava uma nova proposta de trabalho para a televisão brasileira.

Beto Rockfeller abandonava, então, a linha de atitudes dramáticas e artificiais que acompanhavam as telenovelas desde que o gênero havia conquistado o gosto nacional. Na verdade, uma primeira tentativa havia sido feita por Lauro César Muniz, em 1966, com Ninguém Crê em Mim, na TV Excelsior, em que o tom coloquial dos diálogos rompia com os padrões estabelecidos, até então, pelas novelas. Todavia, só mesmo com o trabalho de criação e o posicionamento de modernizar a linha das telenovelas, foi possível adaptar o público às novas exigências, não apenas os diálogos, mas principalmente a estrutura da história, para ganhar mais proximidade com o público. O próprio protagonista da trama representou uma enorme inovação, ao introduzir a imagem de um anti-herói, diferente dos demais apresentados pelas telenovelas anteriores, de um personagem de caráter firme, sensato, absolutamente honesto e capaz de qualquer proeza para a salvar a heroína das adversidades. A sua concepção procurava se aproximar das pessoas comuns, isto é, de ter atitudes boas ou más conforme as situações enfrentadas no dia a dia.

A telenovela revolucionou até o modelo de interpretação dos atores, que passou dos exagerados gestos dramáticos para um forma natural. O próprio Luiz Gustavo, que interpretou o protagonista da trama, fazia questão que o personagem fosse o mais verdadeiro possível. A linguagem era coloquial e os diálogos incorporavam gírias e expressões do cotidiano. Isso fazia com que o público se identificasse com a história. Muitas vezes os atores improvisavam suas falas, inventando diálogos que não estavam no script, o que também era novo na TV. Um dos méritos da novela foi dar ao público uma fantasia com gosto de realidade. As notícias dos jornais da época faziam parte de sua trama. Os fatos mais sensacionais e as fofocas mais quentes eram comentados por seus personagens. Outra inovação foi a trilha sonora, que deixou de trazer temas sinfônicos tocados por orquestras e utilizou sucessos populares da época, como os Rolling Stones, Salvatore Adamo e Bee Gees. A única exceção foi a versão instrumental de Franck Pourcel para a canção "Here, There and Everywhere", dos Beatles. A identificação do público com personagens e seus temas musicais começou com Beto Rockfeller. No entanto, uma trilha sonora "oficial" da novela nunca foi lançada comercialmente.

Mas nem tudo foi perfeito em Beto Rockfeller. O sucesso fez com que a emissora "espichasse" sua história, e Bráulio Pedroso, com grande estafa, abandonou provisoriamente a sua obra, quando foi substituído por três autores liderados por Eloy Araújo. Lima Duarte também se ausentou, sendo substituído pelo diretor Walter Avancini. Alguns atores tiraram férias, e muitos dos capítulos eram preenchidos com qualquer "criação" de emergência: um grupo de jovens dançando numa festinha, um personagem caminhando indeciso ou então uma determinada ação, sem diálogos, era acompanhada por alguma música de sucesso. Com uma mudança tão radical, a novela poderia perder audiência, o que não aconteceu. A novela também foi a primeira a utilizar tomadas aéreas: os técnicos voaram de helicóptero para gravar uma cena do pesadelo do protagonista central da trama.

Foi a primeira novela a usar o merchandising, ainda que não em caráter oficial. Era do medicamento Engov, pois o personagem bebia muito uísque, e Luiz Gustavo faturava cada vez que engolia o comprimido em cena.

Em 1973, Braúlio Pedroso escreveu uma continuação da telenovela (A Volta de Beto Rockfeller) com parte do elenco original, mas não conseguiu a repercussão esperada.

Hoje, não existem mais os capítulos da novela. O pouco que sobrou de suas filmagens está guardado na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Quase todos os capítulos foram apagados pela própria emissora, que usava as fitas para gravar por cima os capítulos seguintes. A Tupi já passava por dificuldades financeiras e todos os projetos que apareciam tinham de ser feitos com baixos custos, mas que trouxessem lucros.


Sinopse



Alberto - ou Beto, como é mais conhecido - é um charmoso representante da classe média-baixa que mora com os pais, Pedro e Rosa, e a irmã, Neide, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e trabalha como vendedor em uma loja de sapatos na Rua Teodoro Sampaio.

Com sua intuição, perspicácia e malandragem, o vendedor Beto se transforma em Beto Rockfeller, primo em terceiro grau de um magnata norte-americano, e consegue penetrar na alta sociedade, através de sua namorada rica, Lu, filha dos milionários Otávio e Maitê. Assim, ele consegue frequentar as badaladas festas e as rodas da mais alta sociedade paulistana.

Quem Beto preferirá afinal? A temperamental Lu, garota sofisticada e rodeada de gente importante ou a inocente Cida, a humilde namoradinha da vizinhança? A contradição será explicada através de seu nome: Beto, humilde e trabalhador do bairro simples, e Rockfeller, sofisticado e badalado da Rua Augusta - lugar muito frequentado pela alta roda nos anos 60.

Enquanto vacila entre os dois extremos, a grã-finagem dobra-se ante seu maniqueísmo, e ele tem de fazer toda ordem de trapaça para que sua origem - que já não é segredo para Renata, uma jovem grã-fina decadente - não seja descoberta. Para se safar das confusões, o bicão Beto conta sempre com a ajuda dos fiéis amigos Vitório e Saldanha.


Elenco



Ator                                          Personagem

Luiz Gustavo                         Alberto (Beto Rockfeller)
Débora Duarte                   Luísa (Lu)
Ana Rosa                                 Maria Aparecida (Cida)
Bete Mendes                         Renata
Walderez de Barros                 Mercedes
Plínio Marcos                          Vitório
Walter Forster                          Otávio
Irene Ravache                           Neide
Marília Pêra                          Manuela
Yara Lins                                  Clotilde (Clô)
Maria Della Costa                   Maitê
Wladimir Nikolaieff                  Olavo (Lavito)
Rodrigo Santiago                  Carlucho
Jofre Soares                           Pedro
Eleonor Bruno                           Rosa
Ruy Rezende                         Saldanha
Luiz Américo                          Tomás
Márcia Rodrigues                  Regina
Jaime Barcellos                      Fernando
Marilda Pedroso                   Mila
Heleno Prestes                        Otávio Filho (Tavinho)
Pepita Rodrigues                    Bárbara
Othon Bastos                           Dias Barreto
Martha Overbeck                   Dalva
Renato Corte Real                  Bertoldo
Liana Duval                          Carmélia
Walter Stuart                         Sr. Vicenzo
Etty Fraser                         Madame Waleska
Felipe Donavan                         Delegado Moreno
Esther Mellinger                      Tânia
João Carlos Midnight             Oswaldo (Vadeco)
Lourdes de Moraes                       Magda
Gésio Amadeu                               Gésio
Zezé Motta                               Josefa (Zezé)
Luísa di Franco                                Beatriz (Bia)
Alceu Nunes                                  Polidoro
Francisco Trentini                           Canuto
Lima Duarte                  Domingos / Duarte / Conde Vladimir / Secundino / Manoel Maria


Trilha sonora



"F... Comme Femme" - Adamo
"Here, There and Everywhere" - The Beatles
"I Started a Joke" - Bee Gees
"Sentado à Beira do Caminho" - Erasmo Carlos
"Nobody But Me" - Human Beinz
"Kid Games and Nursery Rhymes" - Shirley & Alfred
"Surfer Dan" - The Turtles
"I'm Gonna Get Married" - Sunday
"Abraham, Martin and John" - Moms Mabley
"You've Got Your Troubles" - Jack Jones
"The n' Crowd" - Jack Jones
"Dio Come Ti Amo" - Gigliola Cinquetti
"Sunflower" - Mason Williams
"Someone You've Loved" - Shirley Horn


Mês que vem "Trocando em artes" novela voltará com o clássico Irmãos Coragem.


TROCANDO EM ARTES ANTERIOR:

ELES NÃO USAM BLACK TIE

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