terça-feira, 16 de junho de 2015

AS VEZES EM QUE EU MORRI




Esses dias estava me lembrando desse texto. Quem me conhece há mais tempo sabe que pertencia ao "finado" orkut, usei algumas vezes em meu profile e lembrei que nunca postara no blog. É o momento de compartilhar com algumas adaptações.

AS VEZES EM QUE EU MORRI


Eu sou um cara que morreu algumas vezes.

Estranho isso. Como assim morri algumas vezes? Pois é, mas refletindo percebi isso. Morri pela primeira vez quando tinha uma semana e engasguei. Tive que parar pronto socorro!! Morri em outro engasgo também, já mais velho com drops, que idiota eu fui!! Morri num acidente de carro ainda pequeno com minha avó que me traumatizou a ponto de torcer contra o Brasil na copa da Espanha em 82 pra não sair com a família em buzinaço. Morri quando um cano caiu na minha cabeça vindo do terraço de minha casa.

Morri de emoção quando vi o Flamengo campeão pela primeira vez, morri de tristeza em cada derrota sua, mas morria de torcer no jogo seguinte. Morria de ansiedade e aflição cada vez que começava o ano no colégio imaginando o que me esperava. Morria de alívio quando o ano acabava e eu passava. Uma vez morri de resignação quando fui reprovado,mas nada que a more no ano seguinte com uma turma muito bacana não me salvasse.

Morri de loucura quando decidi virar compositor de samba-enredo e minha loucura me matava cada vez que um samba ficava pronto, me dilacerava a cada final, de dor ao perder, de alegria ao vencer. Morri de tanto chorar quando ganhei meu primeiro samba. As lágrimas dessa morte foram inesquecíveis.   

Tive a pior das minhas mortes quando minha mãe morreu. Metade de mim foi junto com ela. Nunca uma morte doeu tanto e dói até hoje. Uma morte que sangra a alma e me fez pensar muito se continuar valeria a pena.

Morri de irresponsabilidade quando decidi assumir uma menina que não era minha como filha. Morri de esperança ao ver seu rosto pela primeira vez.. Morri de certeza ao ver seu primeiro sorriso e perceber que minha metade morta voltara. Morro de felicidade e orgulho de minha irresponsabilidade cada vez que estou com ela e seu irmão. Ana Beatriz e Gabriel são minhas mortes mais bonitas.

E morri de amor...

Ah amigos!! Como eu morri de amor!! Morri de timidez toda vez que menininho gostava de uma menina e não tinha coragem de me declarar, de desilusão quando me declarava e percebia que ela só queria minha amizade, de desgosto quando via a menina que eu gostava com outro. Meninas, moças, mulheres, o tempo passava e eu continuava morrendo.

Mas morri de paixão quando elas começaram a dizer sim. Morri de tesão a cada beijo na boca, a cada lambida na orelha, toque em meu corpo ou cheiro em minha nuca. Morri de prazer a cada beijo em seios, carinho em ventres, lambida em virilhas e satisfação a cada gemido de prazer dado pela amada.

Morri de amor a cada sorriso cúmplice, a cada piada sem graça que só no dois entendíamos ou a cada vez que ficamos abraçados até de manhã fazendo planos ou falando sobre o nada.

Morri de euforia a cada vez que olhava nos olhos e tinha a certeza que era a mulher de minha vida. Morri de depressão cada vez que elas percebiam que não.

Morri de raiva a cada batida de porta indo embora. Morri de gritar a cada pontada de saudade na alma, morri de me esquartejar cada vez que ela arrumava outro. Morri no vazio cada vez que me esqueciam.

Morri de noite a cada dia que amanhecia sem ela.

Mas morri de teimoso cada vez que me apaixonava de novo e via que morrer de amor vale a pena.

Muitas vezes morri, de todas as formas possíveis e acredito que vou morrer muito ainda. Não temo a morte. Temo apenas não morrer mais.

Porque é morrendo que eu renasço pra vida.

2 comentários:

  1. Emocionante... Profundo...
    Tb morri... Assim como vc, amor...
    Muitas vezes... E como disse... É assim q renascemos para a vida...
    De fato... É o q espero...
    Eu?!
    Eu... Tb não temo a morte...
    Meu amor por vc é eterno... Sempreeeee....

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    1. Obrigado amor, vc é uma de minhas mortes mais bonitas.

      Te amo

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