sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

ANÁLISE: OS SAMBAS DE 2016



*Coluna publicada no blog Ouro de Tolo em 13/12/2015




Hoje acabam as férias. A partir desse domingo nossa casa, a Marquês de Sapucaí, reabre para o maior espetáculo da Terra. Não é o desfile propriamente dito mas os ensaios técnicos que são uma atração a parte e já fazem parte do calendário cultural do Rio de Janeiro.

As escolas vão testar os quesitos de chão e seus sambas. Ali começaremos a ter uma real noção do que cada um pode render. Mas, claro, desde escolhidos esses sambas já vem sendo debatidos (Fizemos essa semana e passada no Bar Apoteose) e todos tem suas opiniões.

Também tenho a minha.

De novo volto aquele velho argumento que já deve ter cansado vocês. A safra de 2016 ratificou o que eu sempre digo, que samba-enredo é o melhor gênero musical do país. Nenhuma música produzida no Brasil em 2015 é melhor que pelo menos cinco sambas. Se os sambas não ficam, se não vendem como já venderam um dia deve-se a inúmeros detalhes que, pelo menos hoje em dia, nada tem a ver com qualidade musical.

Não tivemos um super samba como Portela 2012 e Vila 2013, apesar de ter samba que se aproxima disso, mas também nenhuma escola passará vergonha com sua obra. O nível ficou alto, o que faz com que algumas agremiações que escolheram sambas melhores que do ano passado e melhores até que dos últimos anos mesmo assim fique na “rabeira” do cd.

Também não tivemos nenhum “erro grosseiro” nas escolhas.  Aliás, a falta dos erros grosseiros tornaram-se uma tendência nos últimos anos. Cerca de um mês e meio atrás no Bar o historiador Luiz Antonio Simas levantou a questão que a força da internet, das redes sociais, o fato de hoje os sambas serem muito conhecidos desde a inscrição, impedem esses erros. Acho que ele tem razão.

Os sambas vêm melhorando desde 2010, desde o “Mar de fiéis” da Imperatriz e da homenagem a Noel da Vila. Tinha medo de uma queda no carnaval próximo devido ao excesso de notas 10 dadas no de 2015, mas ainda bem me enganei. Esse ano me parece o de maior maturidade da safra. Independente dos enredos, previamente criticados, me parece que os compositores souberam explorar ao máximo as sinopses oferecidas e algumas vezes até extrapolar.

Casos de Imperatriz e Tijuca que vem com sambas muito melhores do que imaginávamos nos lançamentos dos enredos. Tudo bem que tem pouco da cidade de Sorriso e da dupla Zezé di Camargo & Luciano nas sinopses, mas os compositores foram muito felizes.

Gusttavo Clarão e parceiros fizeram o melhor samba da Tijuca desde Agudás e a Imperatriz mostrou a força crescente de sua ala escolhendo aquele que tem grande chance de ser mais uma vez o samba do ano do especial (Viradouro é o do ano para mim) com o lendário Zé Katimba. No pré carnaval esse samba vem sendo o preferido dos sambistas.

Mangueira vem com um senhor samba enredo da mesma parceria do ano passado comandada por Alemão do Cavaco e Cadu. Portela vem com o veterano Wanderley Monteiro, o novato (na escola) Samir Trindade e um samba delicioso que remete os últimos sambas da agremiação e a parceria de Marcelo Motta vem com um samba poderoso e que retrata bem o malandro. Para mim a escola é a favorita para 2016 e vem com um samba do nível desse favoritismo.

Esses eu digo brincando que são meus sambas para se classificarem a Libertadores. Abaixo tem o samba da Vila que eu ainda não consigo ter uma definição devido as várias mudanças, mas não é um samba para se jogar fora, evidente. Quero ouvir hoje ao vivo.

Acho bem definido que a safra está dividida em dois grupos de seis sambas e a maioria das pessoas com as quais conversei concordam com os dois grupos. Mas mesmo o grupo das seis não citadas não é ruim. Estácio vem bem falando de São Jorge, apesar de alguns clichês naturais do enredo. Beija-Flor escolheu um bom samba mostrando que sua safra não era o que diziam. São Clemente vem com um samba que é a sua cara e refrão forte, Mocidade vem com um samba superior ao de 2015, mesmo caso da Ilha saindo um pouco da tão decantada “Cara da Ilha” e a Grande Rio aposta no malandreado, que deu certo, no último carnaval.

Esse samba da Grande Rio, que alguns vem apontando como o pior do ano para mim pode surpreender. Tem um grande cantor e tem cara que pode render na avenida.

Lógico que as opiniões vão mudando ao longo do tempo, mas reafirmo outra coisa, para mim samba não cresce, o que cresce é cabelo. Um samba ruim não passa a ser bom ou vice Vera com o tempo. Ele é melhor apresentado.

Enfim, hoje começamos a matar nossa ansiedade..

E que venham os ensaios técnicos.

Twitter - @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar 



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