sexta-feira, 7 de agosto de 2015

AMOR: CAPÍTULO XV - A PRAIA (Final)



To cansado, Rio de Janeiro faz calor como em todo o ano, mas é verão e nessa estação evidente que piora, é um Sol para cada um.

Parei o carro e andei até o calçadão de Copacabana. Terno e gravata, suando, sento em um banco e observo as pessoas na praia. Algumas tomam banho de Sol, outras se divertem na água, jogam bola, frescobol, usam a ciclovia, tomam água de coco, namoram, vivem.

Tempo que não sei o que é isso. Viver. 

Eu estou ali, mas não estou. Pareço em um universo paralelo. Sabe amigo, a vida não anda fácil para mim. To cansado, rosto sofrido, andar meio curvado e volta e meia pergunto a Deus se Ele realmente gosta de mim, se não me abandonou.

Não, Ele não me abandonou, não posso me queixar. Deus me deu uma vida bacana, uma trajetória que me orgulho. Não sou rico, longe disso, mas tudo que conquistei foi com suor do meu rosto. Não sou perfeito. Sou falho, fraco, muitas vezes errei com pessoas que eu amo, mas sou do bem. Isso Ele sabe e vocês agora também já sabem.

Tive perdas, mas tive ganhos. Ah meu amigo, que ganhos!! Sou um cara intenso, vivo tudo com intensidade. A amizade, a família, o amor..

Sim, eu sou todo amor, todo feito de amor e respiro amor, vivo amor, meus poros exalam amor. Pelo amor me jogo do precipício, enfrento chamas, me dilacero, tenho meus sentimentos rasgados, esquartejados e gosto, vibro, porque preciso disso pra viver.

O amor me deu tudo, mas também me tirou. Não me arrependo. Viveria tudo de novo mil anos, mil vezes e com mil mulheres.

Desde que as mil mulheres fossem ela.

Ela...Camila!!

Estou aqui sentado olhando a areia, me lembrando da vida, tudo que vivi, nem parece que tenho apenas vinte e cinco anos. E pensar que tenho uma vida inteira pela frente. Vale a pena?

Na areia vejo meu filho Gabriel, ele tem cinco anos. Faz castelinho de areia com a babá e se diverte alheio ao mundo e a tudo que lhe envolve, são tantas coisas..

A babá me vê olhar para eles e me mostra para Gabriel dizendo “Olha é papai”. Gabriel sorri e diz “Papai!!”. Ela o pega pela mão e começam a caminhar na areia em minha direção. Eu sentado dou um sorriso tímido, triste.

Gabriel. Tenho que pensar em você.

Vocês já sabem que eu sou. Meu nome é Antonio e já conhecem toda minha história.

Mas se pudesse resumir para vocês resumiria tudo em uma palavra.

Amor.

A babá se aproxima com Gabriel. Pergunto se está tudo bem e ela responde que sim enquanto ele me abraça. Pergunto se Suely entrou em contato com ela e a babá responde novamente que sim, me dando parabéns.

Agradeço. Lembro a ela que sabe onde moro e esperava continuar com seus serviços. A babá responde que no dia seguinte estará em nossa casa e se despede indo embora.

Estou sozinho com Gabriel que me pede sorvete. Avisto um sorveteiro um pouco distante e respondo ao meu filho “Vamos amigão, vamos lá tomar sorvete”.

E começamos a andar.

A caminhada é longa. Não a caminhada até o sorveteiro, mas a caminhada da minha vida. Não vou desistir de sonhar, não vou desistir de lutar, não vou desistir de viver. Amar de novo? Não sei. Bem  que eu queria. Vou lutar para amar, lutar para ser feliz. Mas sinceramente? Difícil que eu um dia ame alguém de novo como amei a Camila.

Como eu amo a Camila. Essa mulher que tomou minha vida pra si e é tão presente na minha existência.

Dificuldades vão existir. Sempre. Sou um viúvo de vinte e cinco anos com uma criança para criar. Sozinho. Mas eu sou guerreiro, não vou desistir. 

Caminho de mãos dadas com meu filho até o sorveteiro. Triste, com uma vontade enorme de chorar e com a nossa música na cabeça, “Don`t Want to say goodbye”. Caminhamos acompanhados por uma borboleta que ganha a companhia de várias e sobrevoam o céu, nos sobrevoam como se nos acompanhassem. Mas não vou chorar. Meu filho não vai me ver chorar. Por mais que doa, que eu queira chorar ninguém vai mais ver chorando.

Minha história não acaba aqui. Minha caminhada não acaba aqui. Ela é longa e muitos capítulos ainda virão e espero que felizes.

Bem diferente dessa que faço agora com Gabriel.

 A carta? O que estava escrito nela? Bem simples. Apenas duas palavras.

“Pra sempre”.


Don`t want to say goodbye (Não quero dizer adeus)

Não quero afastar seu amor de mim
Não quero desperdiçar seu tempo
Você está em todo lugar e longe de mim
Eu estou tão só, isso é simplesmente um crime

Se você pudesse ficar aqui ao meu lado a noite
Se você pudesse afastar a minha tristeza
Você entenderia como é a noite
Para ter que se colocar no meu lugar

Não quero dizer adeus
Não quero deixar você me ver chorar
Ainda assim, eu não quero que você viva uma mentira
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
                                                                                            
E talvez você irá me amar

Não quero afastar seu amor de mim
Não quero desperdiçar seu tempo
Você está em todo lugar e longe de mim
Eu estou tão só, isso é simplesmente um crime

Oooh, não quero dizer adeus
Não quero deixar você me ver chorar
Ainda assim, eu não quero que você viva uma mentira
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais

Oooh, não quero dizer adeus
Não quero deixar você me ver chorar
Ainda assim, eu não quero que você viva uma mentira

Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
Eu vou tentar me empenhar um pouco mais
E talvez você irá me amar

Talvez você irá me amar
Talvez você irá me amar
Oooooh, talvez você irá me amar

Oh, querida, você, querida, você irá me amar
Eu tentarei, eu tentarei, eu tentarei, você irá me amar
Tento, tento, tento um pouco mais ...



FIM

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