domingo, 19 de junho de 2011

Capítulo VI - Na selva


Escrevia a biografia de Pardal. Ele me contou todas essas situações que relatei no capítulo anterior, outras eu já conhecia e escrevi sem estabelecer juízo de valor nem pro bem nem pro mal. Um jornalista antes de tudo tem que ser imparcial apesar do meu lado parcial adorar a grana dele.
E a grana tava entrando forte. Entrava forte não só pro Pardal como pra mim. Muitas vezes eu estava no morro e chegavam as drogas. Elas viam pela terra através de caminhões, pela baía da Guanabara por barcos e chegava farta, muito farta. O Armamento pesadíssimo chegava assim também, muitas vezes esse armamento era vendido pra Pardal pelos próprios policiais.
A droga chegava de um intermediário. Um chileno que vivia há anos no Rio de Janeiro chamado Cobreloa. Ele tinha seus contatos nas florestas da Colômbia, íntimo do pessoal da FARC e negociava a venda das drogas produzidas na região com as favelas da cidade.
E é um negócio muito rentável parceiro, coisa de milhões por mês em cada morro. Filas e mais filas de drogados se formam na frente das bocas de fumo pra comprar, gente de todas as espécies que você possa imaginar. Pobre da favela, rico chegando de carrão, homem, mulher, novo, velho. Até freira eu já vi comprando na boca. Pardal era um homem milionário poderia perfeitamente ser capa da Veja como “homem do ano”, da Caras ao lado de alguma celebridade na Ilha. Da Forbes de braços com o Bill Gates, sim ele era o Bill Gates do pó a cocaína era o seu Windows.
Como vocês puderam ver acima a droga não é produzida no Rio de Janeiro. Ela aqui e nos grandes centros só é cheirada. Então de certo ponto o combate as drogas teria que ser principalmente nas fronteiras né? Intensificar a apreensão no meio do caminho..parece simples não é? É..só parece, o problema se chama corrupção.
E a corrupção é algo institucionalizada no país. É um dos nossos produtos da terra como o café, o futebol e a bunda. Vem desde Brasília com o poder máximo chegando até aqui na cervejinha pro guarda pra aliviar em uma multa. Ou em uma grana maior como o Lucinho teve “que morrer” ao ser parado em uma blitz comigo e ser reconhecido pelos policiais.
Era para ele estar no complexo de Bangu uma hora dessas, mas ele tinha dinheiro. Quando foi levado pra fora do carro e seria algemado ele disse as palavras mágicas “não dá pra negociar?”.
E como dizem todo mundo tem seu preço. Lucinho entrou na viatura e pediu que eu levasse seu carro, fui atrás deles e pararam num banco. Entraram e na saída se despediram de Lucinho como se fossem velhos amigos. A Páscoa da família dos policiais estava salva.
E o Lucinho estava puto morreu em dez mil reais pra não ser preso. Disse que tinha que recuperar essa grana de qualquer jeito e pensou na solução. Iria com Cobreloa até a Colômbia negociar as drogas e assim tentar ganhar uma boa comissão dos traficantes e comprar como free lance também e vender por conta própria.
Cobreloa não gostou muito da história achando que perderia dinheiro. Lucinho disse que não, era só eles intermediarem compras pra facções diferentes. Cobreloa compraria pra facção que Pardal pertencia e dominava cerca de 70% dos morros cariocas. Lucinho negociaria para a outra facção. Eu ouvindo aquele papo ainda disse que poderia dar merda. Pardal poderia descobrir e considerar traição.
Lucinho deu aquele sorriso de artista e falou pra deixar com ele era só ninguém dedurar. Ele faria os contatos com os traficantes da outra facção e seria o intermediário deles e todo mundo sairia ganhando. Cobreloa lembrou que eles já tinham seus intermediários e Lucinho riu e falou “Eu sou o Lucinho porra!!”
Por incrível que pareça essa frase dizia tudo. Lucinho sempre se dava bem no fim.
Lucinho e eu fomos ao morro falar com Pardal. Lucinho passou a idéia que iria com Cobreloa para se inteirar mais de como fazer as intermediações e assim servir melhor ao bandido. Pardal se julgava muito esperto, mas Lucinho sempre conseguia lhe enganar. O traficante concordou que Lucinho fosse junto e disse “Leva o Beto junto” isso fez com que eu me engasgasse com o baseado que fumava.
Virei pra Pardal e perguntei “como é que é?”. Ele disse isso mesmo, que eu iria junto porque faria parte da biografia mostrar como ele era um grande empresário com conhecimentos internacionais. Falei que era loucura expor um cartel de drogas em um livro isso poderia trazer problemas pra ele e pra mim e se eles desconfiassem que tivesse um jornalista ali eu estava fudido.
Pardal falou que se eu não fosse estaria fudido era com ele. Argumento convincente.
Aquele fim de semana era o que eu passaria com minha filha Rebeca e em vez de passá-lo com minha filha passaria na selva colombiana. Até que quando eu era pequeno imaginava passar por florestas latino americanas, mas sonhava em ser um Che Guevara. Um guerrilheiro que mudaria o mundo nunca pensei que iria sob comando de traficante. Onde eu estava parando? No que eu estava me transformando? Quando Pardal me deu o dinheiro pra viagem mandei minha consciência se fuder. Era muito dinheiro meu irmão..
Difícil era falar com Juliana que eu não iria ficar com Rebeca. Fui até a casa da família e como sou proibido de entrar nela pelo senador fiquei esperando na porta. Rebeca veio correndo e me abraçou. Juliana perguntou o que havia acontecido e se eu estava pronto pra levá-la no fim de semana. Botei minha filha no chão e falei que esse que era o problema.
Contei para Juliana que não poderia ficar com Rebeca no fim de semana porque viajaria a trabalho. Ela perguntou como eu viajaria a trabalho se o jornal estava quase falindo e tinha dinheiro nem para pagar salários. Respondi que a viagem não era pelo jornal, mas por outro trabalho que eu havia arrumado. Falei e entreguei um dinheiro para Juliana, ela perguntou o que era e eu respondi que era um adiantamento da pensão com um aumento. Eu que fui preso por dever meses de pensão agora pagava adiantado e com aumento por conta própria.
Juliana perguntou o que estava acontecendo, de onde eu estava arrumando tanto dinheiro e com o que estava trabalhando. Ela realmente parecia preocupada comigo, mas dei de ombros e minimizei falando que era nada demais só bicos que eu tinha arrumado ela devia ficar feliz pelo dinheiro estar entrando.     
Juliana falou que não podia ficar feliz se não sabia se eu estava me metendo em confusão. Falei para que ela não se preocupasse que eu sabia me cuidar e que no fim de semana seguinte eu ficaria com Rebeca. Juliana passou a mão em meu rosto e pediu para que eu me cuidasse e lembrasse que tinha uma filha pra criar.
Tempo que não sentia tanta ternura vindo dela. Agradeci e falei que tudo daria certo, entrei no carro e parti.  
Juliana era uma jararaca tinha se transformado em uma chata e feito da minha vida insuportável, mas era a mulher da minha vida e eu o homem da sua. Mas nós juntos não dava certo. Funcionávamos melhor separados.
Arrumei minha mala para viajar até a Colômbia. Nunca havia viajado pra fora do Brasil no máximo de longe do Rio eu tinha ido até a Bahia. Peguei minha mala botei no carro e fui à redação do jornal contar que passaria o fim de semana fora. Meu chefe disse que não podia porque eu estava escalado para cobrir uma eleição de poodle mais bonito de Vila Valqueire. Dei as costas e falei que não dava, saí andando com ele ameaçando me demitir e eu falando que ele não faria isso porque ninguém queria trabalhar lá.
Encontrei Lucinho e Cobreloa no aeroporto do Galeão com Cobreloa preocupado e falando em um legítimo portunhol “tomara que não dê mierda”. Lucinho mandava o chileno relaxar, mas eu também não estava. Lucinho parecia o mais calmo, justo ele que tinha que usar identidade falsa para viajar e corria risco de ser pego por ser um dos bandidos mais procurados da cidade. Mas tudo deu certo e embarcamos para Manaus, no Amazonas.
Chegando em Manaus um homem já nos esperava. Pegamos um jipe e fomos até uma fazenda onde tinha um avião pequeno. O avião não me parecia muito seguro ainda argumentei que era melhor não embarcarmos, mas não me ouviram. Embarcamos e na viagem eu rezava pra todos os Santos pro avião não cair, pra piorar a situação começou a chover, mas felizmente como vocês podem ver já que estou escrevendo o avião não caiu.
Descemos numa fazenda na Colômbia e lá outro jipe nos esperava, todos conhecidos de Cobreloa. Andamos horas e horas no jipe até que no fim da tarde chegamos a uma cidadezinha. Eu não tinha a mínima idéia de onde estava.     
Um lugarejo bem pobre com chão de terra e pessoas nos olhando desconfiadas. Cobreloa disse que teríamos que passar a noite ali já que era perigoso ir para a selva de noite. Nisso um policial se aproxima do jipe e logo pensei “fudeu”, mas o policial abraça Cobreloa e eles conversam em espanhol riem e eu e Lucinho só olhando a situação. Pareciam amigos bem íntimos. Cobreloa pergunta ao policial sobre um hotel onde poderíamos passar a noite e ele aponta para um local.
O local era bem humilde mesmo, mas não tínhamos outra opção. Cobreloa abre a porta pra entrarmos e umas galinhas saem correndo por ela quase me fazendo cair no chão. Lucinho riu e mandou que eu tivesse postura porque parecia turista.    .
 Entramos no estabelecimento e uma senhora gorda suava e se abanava com um leque sentada na recepção. No rádio tocava “guantanamera” e eu me sentia num filme antigo sobre a América Latina. Cobreloa chegou à mulher e perguntou se tinha quartos vagos, ela respondeu que sim e dessa forma alugamos três.
O quarto na verdade só tinha a cama, dura por sinal. Nem banheiro tinha armário também não, tinha alguns cabides para pendurarmos as roupas e baratas na parede. Peguei uma toalha, roupas e fui ao banheiro tomar banho. Cheguei e já estava Cobreloa na fila. Falei pra ele “que merda”. Cobreloa mandou que eu parasse de reclamar porque estávamos ali a trabalho, não lazer.
Esperamos um bom tempo no lado de fora até que não agüentei e reclamei da demora e bati na porta mandando a pessoa se apressar. Virei pra Cobreloa e perguntei se ele sabia quem demorava tanto assim no banheiro, ele mandou que eu adivinhasse e nisso a porta do banheiro é aberta. Lucinho sai dela assoviando todo sorridente perguntando se tinha demorado muito. Cobreloa puto o empurra e entra no banheiro com Lucinho rindo.
Depois de um tempo Cobreloa sai e entro. Tiro a roupa me enfio debaixo do chuveiro ligo e a água sai geladíssima. Tento mexer no chuveiro pra ver se esquenta e ela fica ainda mais fria. Decido então tomar um banho rápido e quando estou ensaboado a água acaba.  Essa viagem realmente estava maravilhosa.
Vou com os dois em um restaurante próximo jantar. O restaurante na verdade estava mais pra pensão e comemos macarrão com limonada como se fosse um filé com vinho tal era nossa fome.
Lucinho perguntou “qual era a boa” pra depois da janta. Cobreloa respondeu que a boa era dormir porque iríamos cedo pra selva. Lucinho acendeu um cigarro e argumentou “como assim dormir, tá maluco? Quem dorme cedo é velho”. Perguntei a Lucinho o que ele tinha em mente e ele chamou o garçom. O homem veio e Lucinho perguntou “onde ficava el puterito de La cidad”, o garçom com cara de quem não entendeu nada perguntou “como señor?”.
Todos nós rimos e Cobreloa em espanhol se comunicou com o garçom perguntando onde ficava. O homem respondeu e partimos.
Chegamos a uma casa com uma lâmpada vermelha na frente, era o sinal universal ali ficava um puteiro. Entramos e tinha um monte de homens mal encarados e umas mulheres na maioria feias demais, só umas duas valiam a pena e mesmo assim muito novinhas parecendo menores de idade. Lucinho abriu o sorrisão e foi logo pegando a mais bonita pra dançar. Cobreloa a segunda mais bonita e eu uma das feias que sobrou.
Ai som de “El dia que me queiras” dançávamos e rapidamente Lucinho foi com a menina pra dentro da casa, fatalmente iria fuder. Cobreloa também foi e sobrei eu pra dançar com as feias. Não sabia o que estava fazendo ali e notava cada vez mais a animosidade dos homens locais.
Eu me revezava entre as feias torcendo para que os dois voltassem logo para irmos embora. Nesse um homem quebra uma garrafa e com a mesma na mão me empurra pra longe da feiosa com quem eu dançava. Falei que tudo bem que não sabia que era sua namorada e ele podia dançar com ela a vontade.  
Mesmo o homem não entendendo português acho que ele não gostou do que eu disse porque ficou mostrando a garrafa quebrada pra mim dizendo que me mataria. Eu não entendo muito espanhol, mas isso eu entendi. Começava a me sentir numa situação complicada quando Lucinho apareceu falando que ninguém me mataria ali. O homem virou pra Lucinho que levantou a blusa e mostrou que tinha um revolver na cintura.
O homem também levantou a sua e Lucinho entrou propôs que eles fossem lá fora resolver a situação “na bala”. Perguntei se ele estava doido que nós estávamos ali pra negócios. O homem concordou e se virou para sair do puteiro quando Lucinho pegou uma garrafa e acertou o cara com força com ele caindo desmaiado.
Lucinho virou pra mim e gritou ”corre porra”, nisso Cobreloa sai de dentro da casa e ao ver um homem desmaiado e ensangüentado no chão e nós dois correndo resolve fazer o mesmo.
Nós três rindo, correndo e arrumando confusão em uma cidade que nem conhecíamos, éramos loucos mesmo.
No dia seguinte bem cedo esmurram minha porta. Era o Cobreloa mandando que levantasse pois era hora de partir. Acordo com muito sono e Lucinho também. Nós dois com óculos escuros no rosto e Cobreloa bem disposto entramos no jipe com o guia e partimos pra floresta.
Depois de algumas horas chegamos ao que parecia ser o quartel general do cartel. No meio da mata um clarão e várias casas com homens fortemente armados. Um deles se aproxima de Cobreloa e lhe dá um abraço dizendo que o capitão nos esperava. Perguntei a Lucinho que capitão era aquele ele respondeu que não sabia, mas estava doido pra saber.
O capitão era Ramon Rios, um dos maiores narcotraficantes do mundo. Comandante do cartel. Um homem com cara mesmo daqueles guerrilheiros latino americanos. Vestia farda, tinha um bigodinho, um charuto e sorriso no rosto.
Nos recebeu com alegria e parecia conhecer Cobreloa de anos. Sentamos em umas cadeiras na varanda de uma espécie de casa principal para conversar. Cobreloa e Lucinho negociavam em nome dos compradores falavam em quantidade de drogas, dinheiro e Ramon pediu pra ver a grana. Lucinho e Cobreloa abriram as malas repletas de dólares, Ramon olhou e disse “humm..bueno”. Mandou que um dos soldados levasse champanhe e quatro taças para a varanda. O negócio parecia fechado.      
Ficamos lá batendo papo comigo quieto a maior parte do tempo. O comandante perguntou o que eu fazia e Cobreloa respondeu que eu era jornalista. Fiquei branco com a revelação e fiz cara de assustado para Cobreloa que riu e disse ao comandante que era um jornalista de confiança e trabalhava com Pardal.
Naquele momento pensei que estava morto. Mas ao contrário do que imaginei o comandante gostou de saber minha profissão, perguntou se não queria fazer uma matéria com ele e mostrando como eram as coisas ali. A vaidade..ah..a vaidade..
Ainda argumentei perguntando se não era perigoso para eles e o homem respondeu que não já que todos sabiam da existência deles, quem ele era e que ficavam na selva. Realmente a vaidade é o pecado mais perigoso para o ser humano.
E assim comecei a cobrir as atividades do cartel. Ramon abasteceu dois caminhões com drogas, recrutou uns homens e mandou que levassem para o Rio de Janeiro. Os homens saíram com os caminhões e perguntei se não teriam problemas em entrar com aqueles caminhões no Brasil, passar pelas rodovias e toda a polícia possível no caminho. Ramon riu e disse que todo mundo tinha seu preço e essa parte já estava toda esquematizada.
O comandante mostrou para nós a refinaria, como tudo era preparado e seu exército. Entrevistei alguns soldados e boa parte era menor de idade. Moleques desesperançosos com o futuro, que não tinham família, sustento, nada e viam no narcotráfico a chance de “ser alguém”.
Depois de tudo os soldados promoveram um grande churrasco, uma festa foi feita e nós participamos dela. Fartura de comida, bebida, pó..cheirei pra caralho naquele dia. Todos ficaram doidões e se divertiram.
O cartel mantinha gente seqüestrada entre elas mulheres e o comandante perguntou se não queríamos nenhuma pra nos divertir, já era tarde teríamos que dormir ali então o melhor era não dormir sozinho. Eu ainda tinha alguns escrúpulos entre eles só fazer sexo com mulher que tivesse vontade de fazer sexo comigo. Lucinho e Cobreloa não, eles gostaram da proposta.
Eles foram com o comandante ver a parte de pessoas seqüestradas enquanto fiquei sozinho bebendo e cheirando.
Olhei uma morena bonita ali perto de mim. Não sabia de onde tinha surgido era a única mulher que vi no local. Nova devia ter uns vinte anos notei que ela olhava para mim também e ficamos ali flertando até que Lucinho e Cobreloa apareceram segurando duas mulheres pelos braços que gritavam e choravam desesperadas. Perguntaram se eu não iria me divertir e respondi que não, já estava com sono.
Os dois entraram em um quarto com as duas mulheres e de dentro ouvia os gritos delas e as risadas deles. Definitivamente eu não curtia aquilo, um soldado me levou a outro quarto para dormir. Tinha aproveitado bastante aquela viagem, mas tudo que eu queria agora era que amanhecesse e eu pudesse voltar pro Rio de Janeiro.
Tranquei a porta, deitei e li um livro pro sono vir enquanto ouvia a gritaria do quarto deles, depois de um tempo o sono veio apaguei a luz e dormi.
No meio do meu sonho com a Britney Spears, é às vezes eu vario, ouvi baterem na porta e acordei. Cheio de sono levantei achando que fosse algum dos dois. Quando abri era a tal morena.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa ela colocou dedo na minha boca e pediu que eu ficasse quieto. Entrou e trancou a porta, eu inocente ainda perguntei o que ela queria. A mulher me empurrou na cama e tirou a roupa ficando nua na minha frente e é por nada não, que mulher gostosa!!! E não precisei pagar nem forçar, veio porque quis.
Fudemos a noite toda, tempo que não fodia tanto e tão gostoso. Só por aquela foda a viagem já havia valido a pena. Acordei no dia seguinte e ela não estava mais lá, que mulher!! Que delícia!!
Acordei bem disposto e eu que acordei os caras que estranharam como eu estava tão bem, só falei que a noite havia valido a pena. Conversamos um pouco com o comandante, nos abraçamos e prometi que aquela reportagem com eles ficaria ótima. Despedimos e embarcamos no jipe.
Já com o jipe saindo a morena veio atrás de mim desesperada correndo e pedindo para que eu a levasse junto e gritando que me amava, Cobreloa olhou pra trás e vendo a cena gritou “puta que pariu!! Põe o pé na tábua motorista!!”. O motorista vendo a o que ocorria acelerou sem nem pensar duas vezes, eu ainda argumentei e falei pra parar para ver o que ela queria.
Cobreloa perguntou se eu estava maluco e o que eu tinha feito com ela, eu sorrindo falei que tínhamos fudido bem gostoso. Ele botou a mão no rosto e nem precisou pedir o motorista já estava a quase duzentos Cobreloa virou pra mim e disse “Ô Filho da puta!! Você comeu a mulher do comandante!!”.
Nessa hora ouço um “hijo de La puta!!” e tiros com vários jipes e o comandante no primeiro correndo atrás de nós atirando. Lucinho reconhece como motorista do primeiro o cara que ele deu uma garrafada no bar e grita “fudeu” eu consigo falar nada só me abaixar no nosso jipe rezando e pensando que foda cara eu tinha dado.
Nosso jipe acelerou o máximo que pôde e vinha bala de todos os lados pra cima dele, me senti mais uma vez em um daqueles filmes de Hollywood que se passa em floresta latino americana.
Nosso motorista era esperto e além disso queria proteger sua vida então conseguimos nos desvencilhar do comandante. Chegamos correndo na fazenda e sem perder tempo embarcamos no aviãozinho com destino a Manaus. Sem antes ter que pagar um adicional ao motorista do jipe que ainda saiu nos xingando. Eu que havia odiado aquele avião na ida agora dava graças a Deus por embarcar nele.
Dentro do avião recebi cascudos de Cobreloa e Lucinho pela merda que tinha feito e pelo fato de provavelmente a carreira de intermediários deles ter acabado já que nunca mais poderiam voltar naquele cartel. Depois de um tempo quietos Lucinho perguntou se ela pelo menos era gostosa, respondi “pra caralho” e Cobreloa falou “puta que pariu você meteu chifres no comandante do cartel de drogas da Colômbia”.
Ficamos mais um tempo quietos e começamos a gargalhar e cantar “guantanamera”.
Que viagem..pra nunca mais..




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